Peixes do baixo rio Iguaçu

Gilmar Baumgartner · Capítulo 8 de 52

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Peixes do baixo rio Iguaçu

Classificação

 

Classificação das espécies da bacia do baixo rio Iguaçu seguindo Nelson (2006) para ordens, Cyprinidae, Centrarchidae e famílias de Siluriformes, e Reis, Kullander e Ferraris (2003) para demais famílias, com exceção de Characidae e Serrasalmidae, que seguem Mirande (2009).

 

CYPRINIFORMES

 

Cyprinidae

Ctenopharyngodon idella (Valenciennes, 1844)

Cyprinus carpio Linnaeus, 1758

Hypophthalmichthys molitrix (Valenciennes, 1844)

Hypophthalmichthys nobilis (Richardson, 1845)

 

CHARACIFORMES

 

Parodontidae

Apareiodon vittatus Garavello, 1977

Curimatidae

Cyphocharax cf. santacatarinae (Fernández-Yépez, 1948)

Steindachnerina brevipinna (Eigenmann & Eigenmann, 1889)

Prochilodontidae

Prochilodus lineatus (Valenciennes, 1836)

Anostomidae

Leporinus aff. elongatus Valenciennes, 1850

Leporinus friderici (Bloch, 1794)

Leporinus macrocephalus Garavello & Britski, 1988

Leporinus obtusidens (Valenciennes, 1837)

Leporinus octofasciatus Steindachner, 1915

Crenuchidae

Characidium sp. 1

Characidium sp. 2

Serrasalmidae

Piaractus mesopotamicus (Holmberg, 1887)

Characidae

Astyanax altiparanae Garutti & Britski, 2000

Astyanax bifasciatus Garavello & Sampaio, 2010

Astyanax dissimilis Garavello & Sampaio, 2010

Astyanax gymnodontus (Eigenmann, 1911)

Astyanax gymnogenys Eigenmann, 1911

Astyanax jordanensis Alcaraz, Pavanelli & Bertaco, 2009

Astyanax longirhinus Garavello & Sampaio, 2010

Astyanax minor Garavello & Sampaio, 2010

Astyanax serratus Garavello & Sampaio, 2010

Astyanax sp. 1

Astyanax sp. 2

Gênero indeterminado sp.

Hyphessobrycon reticulatus Ellis, 1911

Oligosarcus longirostris Menezes & Géry, 1983

Salmininae

Salminus brasiliensis (Cuvier, 1816)

Bryconinae

Brycon hilarii (Valenciennes, 1850)

Stevardiinae

Bryconamericus ikaa Casciotta, Almirón & Azpelicueta, 2004

Bryconamericus pyahu Azpelicueta, Casciotta & Almirón, 2003

Bryconamericus sp.

Cyanocharax aff. alburnus (Hensel, 1870)

Mimagoniates microlepis (Steindachner, 1877)

Erythrinidae

Hoplias sp. 1

Hoplias sp. 2

 

SILURIFORMES

 

Trichomycteridae

Trichomycterus castroi de Pinna, 1992

Trichomycterus crassicaudatus Wosiacki & de Pinna, 2008

Trichomycterus davisi (Haseman, 1911)

Trichomycterus igobi Wosiacki & de Pinna, 2008

Trichomycterus mboycy Wosiacki & Garavello, 2004

Trichomycterus papilliferus Wosiacki & Garavello, 2004

Trichomycterus plumbeus Wosiacki & Garavello, 2004

Trichomycterus stawiarski (Miranda Ribeiro, 1968)

Trichomycterus taroba Wosiacki & Garavello, 2004

Trichomycterus sp. 1

Trichomycterus sp. 2

Callichthyidae

Callichthys callichthys (Linnaeus, 1758)

Corydoras carlae Nijssen & Isbrücker, 1983

Corydoras ehrhardti Steindachner, 1910

Corydoras aff. paleatus (Jenyns, 1842)

Hoplosternum littorale (Hancock, 1828)

Loricariidae

Neoplecostominae

Neoplecostomus sp.

Pareiorhaphis cf. parmula Pereira, 2005

Hypoptopomatinae

Hisonotus yasi (Almirón, Azpelicueta & Casciotta, 2004)

Hisonotus sp.

Loricariinae

Loricariichthys cf. melanocheilus Reis & Pereira, 2000

Loricariichthys cf. rostratus Reis & Pereira, 2000

Rineloricaria maacki Ingenito, Ghazzi, Duboc & Abilhoa, 2008

Hypostominae

Ancistrus abilhoai Bifi, Pavanelli & Zawadzki, 2009

Ancistrus agostinhoi Bifi, Pavanelli & Zawadzki, 2009

Ancistrus mullerae Bifi, Pavanelli & Zawadzki, 2009

Ancistrus sp.

Hypostomus albopunctatus (Regan, 1908)

Hypostomus commersoni Valenciennes, 1836

Hypostomus derbyi (Haseman, 1911)

Hypostomus myersi (Gosline, 1947)

Heptapteridae

Heptapterus sp.

“Pariolius” hollandi (Haseman, 1911)

“Pariolius” sp.

Rhamdia branneri Haseman, 1911

Rhamdia voulezi Haseman, 1911

Rhamdia sp.

Ictaluridae

Ictalurus punctatus (Rafinesque, 1818)

Auchenipteridae

Glanidium ribeiroi Haseman, 1911

Tatia jaracatia Pavanelli & Bifi, 2009

Clariidae

Clarias gariepinus (Burchell, 1822)

Pimelodidae

Pimelodus britskii Garavello & Shibatta, 2007

Pimelodus ortmanni Haseman, 1911

Pseudoplatystoma corruscans (Spix & Agassiz, 1829)

Pseudoplatystoma reticulatum Eigenmann & Eigenmann, 1889

Steindachneridion melanodermatum Garavello, 2005

 

GYMNOTIFORMES

 

Gymnotidae

Gymnotus inaequilabiatus (Valenciennes, 1839)

Gymnotus sylvius Albert & Fernandes-Matioli, 1999

Apteronotidae

Apteronotus ellisi (Arámburu, 1957)

Apteronotus sp.

 

ATHERINIFORMES

 

Atherinopsidae

Odontesthes bonariensis (Valenciennes, 1835)

 

CYPRINODONTIFORMES

 

Poeciliidae

Cnesterodon omorgmatos Lucinda & Garavello, 2001

Phalloceros harpagos Lucinda, 2008

Anablepidae

Jenynsia diphyes Lucinda, Ghedotti & Graça, 2006

Jenynsia eigenmanni (Haseman, 1911)

 

SYNBRANCHIFORMES

 

Synbranchidae

Synbranchus marmoratus Bloch, 1795

 

PERCIFORMES

 

Centrarchidae

Micropterus salmoides (Lacépede, 1802)

Cichlidae

Australoheros angiru Říčan, Piálek, Almirón & Casciotta, 2011

Australoheros kaaygua Casciotta, Almirón & Gómez, 2006

Cichla kelberi Kullander & Ferreira, 2006

Cichlasoma paranaense Kullander, 1983

Crenicichla iguassuensis Haseman, 1911

Crenicichla tesay Casciotta & Almirón, 2008

Crenicichla yaha Casciotta, Almirón & Gómez, 2006

Geophagus brasiliensis (Quoy & Gaimard, 1824)

Oreochromis niloticus (Linnaeus, 1758)

Tilapia rendalli (Boulenger, 1897)

 

Do total de 106 espécies incluídas neste manual, se considerarmos as muitas não-indígenas, que ocorreram esporadicamente, com exceção de Odontesthes bonariensis, 28,3% delas corresponderiam a estas espécies, diminuindo a taxa de endemismo da ictiofauna para 50%. Entretanto, este valor deve ser calculado considerando apenas as espécies indígenas, mais O. bonariensis, única não indígena já estabelecida na bacia. Desta maneira, o porcentual de endemismo ictiofaunístico do Iguaçu é de 69,7%, contra 30,3% de indígenas não endêmicas, mais O. bonariensis, que corresponde a 0,9% do total de espécies relacionadas neste manual. Este valor corresponde ao informado por Abell, Thieme, Revenga, Bryer, Kottelat, Bogutskaya, Coad, Mandrak, Contreras Balderas, Bussing, Stiassny, Skelton, Allen, Unmack, Naseka, Rebecca, Sindorf, Robertson, Armijo, Higgins, Heibel, Wikramanayake, Olson, López, Reis, Lundberg, Sabaj-Pérez e Petry (2008), que classificaram a bacia do Iguaçu acima das Cataratas como contendo entre 51 e 71% de espécies endêmicas e por isso a consideraram uma ecorregião separada do restante da bacia do rio Paraná.

Em um catálogo sobre as espécies de peixes de água doce do Brasil, Buckup, Menezes e Ghazzi (2007) listaram apenas 22 das espécies indígenas listadas aqui como ocorrentes na bacia do rio Iguaçu. Como aquele catálogo foi elaborado por diferentes autores para cada capítulo correspondente às famílias de peixes, das 52 espécies não listadas por eles, algumas foram descritas depois, outras não foram citadas, mas também muitos autores não consideram a bacia do Iguaçu separadamente da bacia do rio Paraná.

Garavello, Pavanelli e Suzuki (1999) realizaram um levantamento das espécies capturadas pelo Nupélia em três anos de monitoramento após a formação do reservatório de Segredo, onde listaram 52 espécies de peixes acima das Cataratas do Iguaçu. Destas, Astyanax sp. F e Psalidodon sp. foram consideradas como uma única espécie, Astyanax gymnodontus, por Pavanelli e Oliveira (2009). Sendo assim, ao se comparar a lista de espécies apresentada aqui com aquela (op. cit.), percebe-se um incremento de 50 espécies, ou seja, mais de 100%. Algumas identificações foram alteradas ao longo dos anos, várias espécies chamadas de sp. na lista de Segredo, hoje, já possuem nomes formais, mas cerca de metade das espécies que foram acrescentadas aqui correspondem a não indígenas. A despeito de todas elas estarem sendo capturadas esporadicamente na bacia, provenientes principalmente de escapes de pisciculturas, este dado é alarmante e merece ser considerado em elaborações de estratégias conservacionistas para a bacia do baixo rio Iguaçu. O equilíbrio natural entre as espécies indígenas já tem sido completamente modificado pelas alterações de habitats causados pela construção das hidrelétricas, e a presença de espécies não indígenas deve ser evitada a qualquer preço, sob pena de ser mais um fator de grande risco para uma ictiofauna endêmica e, ainda atualmente, pouco estudada sob diferentes pontos de vista.