Peixes do baixo rio Iguaçu
Curimatidae
FAMÍLIA Curimatidae
Membros dessa família apresentam modificações em vários sistemas do corpo, principalmente relacionados à alimentação e respiração, podendo-se destacar alterações na boca, arcos branquiais e trato digestório. Nesse último, o estômago é transformado em moela, o que proporciona melhor aproveitamento da matéria orgânica, microdetritos, microvegetais e filamentos de algas. Seus exemplares apresentam porte pequeno, escamas ciclóides e os dentes são ausentes nos adultos (VARI, 2003).
Cyphocharax cf. santacatarinae (Fernández-Yépez, 1948) Escrivão
Comprimento padrão 110,5 mm
Prateado quando vivo, após fixado apresenta coloração cinza ou marrom-escuro na região dorsal do corpo e cabeça, com grande mancha cinza ou marrom-escura na lateral do pedúnculo caudal, em continuação a uma faixa longitudinal situada sobre a linha lateral, desde a região correspondente à origem da nadadeira dorsal, às vezes pouco conspícua. Manchas arredondadas marrom ou cinza-escuras podem ser visualizadas sobre a faixa longitudinal ou na região acima dela. Escamas com pigmentação escura um pouco mais evidente na borda, sobretudo na região acima da faixa longitudinal. Nadadeiras claras com poucos pigmentos escuros sobre os raios. Corpo moderadamente alongado, boca
levemente subterminal, focinho arredondado em vista lateral.
Altura do corpo contida 2,5 a 2,9* e do pedúnculo caudal 6,7 a 7,7* vezes no CP; comprimento da cabeça contido 3,3 a 3,8*, pré-dorsal 1,9 a 2,0* e do pedúnculo caudal 9,7 a 10,0 vezes no CP. Comprimento do focinho contido 3,3 a 3,7*, diâmetro orbital 3,2 a 3,8* e distância interorbital 2,2 a 2,4* vezes no CC.
Linha lateral completa com 32 a 34* escamas; 5½* séries de escamas acima da linha lateral e 4½ ou 5* abaixo. Nadadeira dorsal com ii-iii+9* raios, peitoral com 14 ou 15* pélvica com i+8* e anal com ii-iii+7 ou 8* raios.
Cyphocharax cf. santacatarinae é descrita de rios costeiros do Estado de Santa Catarina e distribui-se nas bacias costeiras do Estado de São Paulo a Santa Catarina (VARI, 1992). Embora não apareça na região do alto rio Iguaçu (INGENITO; DUBOC; ABILHOA, 2004) até o reservatório de Segredo (GARAVELLO; PAVANELLI; SUZUKI, 1997), tem sido capturada com facilidade no reservatório de Salto Caxias, onde foi identificada como C. modestus por Universidade Estadual de Maringá (2002). Sua ocorrência na bacia do baixo rio Iguaçu e ausência no médio e alto é inexplicada apenas com dados de distribuição geográfica. Embora seus caracteres coincidam sobremaneira com a redescrição de C. santacatarinae apresentada por Vari (1992), quando procedeu a revisão do gênero, aqui é utilizada a partícula cf., para que trabalhos futuros possam confirmar esta identificação. Fica aqui a sugestão de que análises moleculares comparativas entre a espécie do rio Iguaçu e das bacias adjacentes sejam conduzidas, a fim de confirmar esta identificação, sobretudo porque exemplares desta espécie da bacia do rio Iguaçu nunca foram incluídos anteriormente em trabalhos de cunho taxonômico.
A hipótese de transposição da espécie também não deve ser descartada, mas exemplares jovens e distribuição geográfica em vários ambientes foram encontrados logo nas primeiras coletas do projeto “Estudos ambientais na área de influência do reservatório de Salto Caxias”, conduzido por Nupélia/UEM de março de 1997 a fevereiro de 2001, em convênio com a Copel, indicando que a espécie parece ser nativa ou estar plenamente estabelecida na região. Segundo Vari (1992), essa espécie encontra-se distribuída em rios costeiros do Estado do Paraná, Santa Catarina e sul de São Paulo. Também foi encontrada no rio Iguaçu em coletas realizadas por universidades paranaenses (UEM e UNIOESTE), onde foi identificada como C. modestus (BAUMGARTNER; BAUMGARTNER; PAVANELLI; SILVA; FRANA; OLIVEIRA; MICHELON, 2006).
A dieta dessa espécie é composta essencialmente por detritos do sedimento (detritívora), seu ritmo alimentar na calha principal do rio Iguaçu intensifica-se durante o outono, enquanto que em tributários é constante durante todo o ano. O período reprodutivo ocorre entre setembro e fevereiro e o tamanho de primeira maturação é de L = 50 97,0 mm nos machos e L = 102,0 mm nas fêmeas 50 (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ, 2002). Segundo UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ (2008a) os menores indivíduos em reprodução apresentaram CP = 110,0 mm em fêmeas e CP=108,0 mm em machos.
*Vari (1992)
Steindachnerina brevipinna (Eigenmann & Eigenmann, 1889) Saguiru
Comprimento padrão 95,0 mm
Corpo moderadamente alongado, perfil da cabeça reto ou ligeiramente côncavo. Região dorsal anterior do corpo com uma quilha mediana e região pré-pélvica levemente achatada. Coloração oliva-escuro na região dorsal. Pigmentação escura ao longo da linha lateral, formando uma faixa preta que se estende do pré-opérculo até o pedúnculo caudal, e se continua sobre os raios caudais medianos. Uma mancha preta entre o segundo e o quinto raio da nadadeira dorsal, próxima à base dos raios, às vezes pouco conspícua.
Altura do corpo contida 2,6 a 3,2* e do pedúnculo caudal 6,6 a 8,3* vezes no CP; comprimento da cabeça contido 3,1 a 3,7*, pré-dorsal 1,9 a 2,1* e do pedúnculo caudal 8,3 a 9,3* vezes no CP. Comprimento do focinho contido 2,9 a 3,7*, órbita de 2,8 a 3,6* e distância interorbital 2,2 a 2,6* vezes no CC.
Linha lateral completa com 33 a 37* escamas; 5½ a 6½* séries de escamas acima da linha lateral e 4½ a 5½* abaixo. Nadadeira dorsal com ii+8 ou 9*, raramente iii+9* raios, peitoral com 12 a 14*, pélvica com i+8* e anal com ii-iii+7* raios.