Peixes do baixo rio Iguaçu

Gilmar Baumgartner · Capítulo 3 de 52

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Peixes do baixo rio Iguaçu

O painel “O rio Iguaçu”.

Painel:

 

O rio Iguaçu,

do artista Rogério Dias.

 

Lenda das Cataratas

 

Uma linda lenda tupi-guarani explica o surgimento das Cataratas do Iguaçu. “Há muitos anos atrás, o rio Iguaçu corria livre, sem corredeiras e nem cataratas. Em suas margens habitavam índios caingangues, que acreditavam que o mundo era governado por M’Boy, o Deus Serpente, filho de Tupã.

O cacique da tribo, Igobi, tinha uma bela filha chamada Naipí. Devido à sua beleza, Naipí seria consagrada ao Deus M’Boy, passando a viver somente para seu culto. Havia, porém, entre os caingangues, um jovem guerreiro chamado Tarobá, que, ao ver Naipí, por ela se apaixonara.

No dia em que foi anunciada a festa de consagração da bela índia, quando o cacique e o pajé bebiam “cauim” (bebida feita de milho fermentado) e os guerreiros dançavam, Tarobá fugiu com Naipí em uma canoa, que seguiu rio abaixo, arrastada pela correnteza.

Quando M’Boy soube da fuga, ficou furioso. Penetrou então nas entranhas da terra e retorcendo o seu corpo, produziu uma enorme fenda, que formou uma catarata gigantesca. Envolvidos pelas águas dessa imensa cachoeira, os fugitivos caíram de grande altura.

Naipí transformou-se em uma rocha abaixo da cachoeira, perpetuamente fustigada pelas águas revoltas e Tarobá foi convertido em uma palmeira, situada à beira do abismo, condenado a contemplar eternamente sua amada sem poder tocá-la. Debaixo dessa palmeira acha-se a entrada de uma gruta onde o monstro vingativo vigia, eternamente, as suas duas vítimas”.

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Adaptado de: CARNEIRO JR. Renato A. (coord.). Lendas e contos populares do Paraná. Curitiba: Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, 2005 (Caderno Paraná da Gente; 3).