Peixes do baixo rio Iguaçu
Pimelodidae
Comprimento padrão 329,0 mm
Corpo cinza-escuro na região dorso-lateral, branco na região ventro-lateral, uma faixa cinza-escura em cada um dos lados da superfície ventral da cabeça, às vezes ausente nos indivíduos jovens. Nadadeiras dorsal, anal e caudal escuras, nadadeiras peitoral e pélvica escuras na superfície dorsal e claras na superfície ventral. Nadadeira dorsal e anal longas, mas separadas da nadadeira caudal. Cabeça deprimida, olho pequeno, boca subterminal, quatro pares de barbilhões, incluindo um par nasal, e acúleo da nadadeira peitoral serrilhado anteriormente.
Altura do corpo contida 6,8, do pedúnculo caudal 9,9 a 16,1*, comprimento da cabeça 2,9 a 3,8*, da base da nadadeira anal 2,1 a 2,7* e da base da nadadeira dorsal 1,5 a 1,9* vezes no CP. Comprimento do focinho contido 3,7 a 5,7*, diâmetro orbital 7,6 a 19,2* e distância interorbital 2,2 a 2,7* vezes no CC.
Nadadeira dorsal com 61 a 79* raios, peitoral com I+9 a 12*, pélvica com 6* e anal com 45 a 60* raios.
Esta espécie nativa da África e Ásia vem sendo esporadicamente capturada no baixo Iguaçu, provavelmente proveniente de escapes de pisciculturas.
*Hanssens (2009)
FAMÍLIA Pimelodidae Algumas espécies dessa família podem atingir grande porte, com exemplares acima de 2 metros de comprimento, sendo muito apreciadas por pescadores, aquicultores e aquariofilistas. Devido ao uso em pisciculturas e pesque-pagues, algumas espécies dessa família têm sido introduzidas em novos ambientes, sendo desconhecidos atualmente os efeitos causados sobre a fauna nativa. Embora não apresentem um caráter externo que os diferencie dos demais siluriformes, os membros dessa família apresentam três pares de barbilhões (um maxilar e dois mentonianos), nadadeira adiposa bem desenvolvida (LUNDBERG; LITTMANN, 2003), abertura branquial ampla e canais látero-sensoriais cefálicos ramificados ou anastomosados na cabeça e parte anterior do corpo (SANTOS; MERONA; JURAS; JÉGU, 2004). Os membros dessa família são amplamente distribuídos pela região Neotropical (MENEZES; WEITZMAN; OYAKAWA; LIMA; CASTRO; WEITZMAN, 2007) e representados por 31 gêneros (SANTOS; MERONA; JURAS; JÉGU, 2004), porém no baixo rio Iguaçu, ocorrem apenas três, sendo Pimelodus e Steindachneridion com espécies nativas e Pseudoplatystoma com espécies introduzidas.
Chave para espécies de Pimelodus
1. Corpo com menos de seis séries de manchas longitudinais no
flanco; olho pequeno, seu diâmetro contido 5,6 a 6,6 vezes no comprimento da cabeça ……………………………………… P. britskii
1’. Corpo com mais de sete séries de manchas longitudinais no
flanco; olho grande, seu diâmetro contido 3,5 a 5,5 vezes no comprimento da cabeça ……………………………………… P. ortmanni
Pimelodus britskii Garavello & Shibatta, 2007 Mandi-pintado, pintadinho
Comprimento padrão 195,0 mm
Corpo acinzentado nas regiões dorsal e lateral, com manchas pretas arredondadas, relativamente espaçadas entre si. Região ventral esbranquiçada e desprovida de manchas, nadadeiras acinzentadas com manchas pretas menores do que as do corpo. Corpo alto na base da nadadeira dorsal, região dorsal inclinada e levemente côncava desde a ponta do focinho até a origem da dorsal. Olho pequeno e boca terminal, ou levemente subterminal.
Altura do corpo contida 3,4 a 3,9, do pedúnculo caudal 9,3 a 11,5, comprimento da cabeça 3,2 a 3,6, da base da nadadeira anal 8,0 a 9,8 e da base da nadadeira adiposa 4,7 a 5,4 vezes no CP. Comprimento do focinho contido 1,9 a 2,2, diâmetro orbital 5,6 a 6,6 e distância interorbital 3,2 a 3,8 vezes no CC.
Nadadeira dorsal com I+6 raios, peitoral com I+10 ou 11, pélvica com 6 e anal com 9 a 11 raios.
Espécie amplamente capturada no baixo rio Iguaçu, apresenta hábito alimentar oportunista, tendo como item preferencial peixes em regiões represadas como os reservatórios, mas podendo consumir diversos itens
principalmente na fase rio (UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, 2006; DELARIVA; HAHN; GOMES, 2007; UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, 2008b, 2009a, 2009b). Em algumas estações do ano, o ritmo alimentar dessa espécie intensifica-se no período crepuscular vespertino (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ, 2002).
Nos reservatórios de Salto Osório e Salto Santiago, a reprodução ocorre entre setembro e março, sendo que os menores indivíduos em atividade reprodutiva foram registrados com CP=70,0 mm para fêmeas e CP=76,0 mm para machos (UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, 2008b, 2009a, 2009b). No entanto, no reservatório de Salto Caxias foram observados exemplares em reprodução acima de CP=165,0 mm nos machos e CP=194,0 mm nas fêmeas (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ, 2002), e no reservatório de Segredo, onde foi erroneamente identificada como P. ortmanni, com CP=96,0 mm nos machos e CP=165,0 mm nas fêmeas (SUZUKI; AGOSTINHO, 1997).
A distribuição dessa espécie é restrita à bacia hidrográfica do rio Iguaçu (GARAVELLO; SHIBATTA, 2007). No livro sobre o reservatório de Segredo (AGOSTINHO; GOMES, 1997), esta espécie foi equivocadamente identificada como P. ortmanni, exceto no capítulo 4, de Garavello, Pavanelli e Suzuki (1997), onde foi chamada de Pimelodus sp.
Pimelodus ortmanni Haseman, 1911 Mandi
Comprimento padrão 1118,0 mm
Corpo acinzentado nas regiões dorsal e lateral, com pequenas manchas pretas arredondadas ou ovaladas, muito próximas entre si, distribuídas sobre todo o corpo. Região ventral esbranquiçada e desprovida de manchas, nadadeiras acinzentadas com manchas pretas menores e menos conspícuas do que as do corpo, mais concentradas próximas às suas bases. Corpo relativamente baixo, região dorsal levemente convexa desde a ponta do focinho até a origem da dorsal. Olho grande e boca terminal, ou levemente subterminal.
Altura do corpo contida 3,5 a 4,9, do pedúnculo caudal 11,0 a 14,3, comprimento da cabeça 3,4 a 3,9, da base da nadadeira anal 7,0 a 10,2 e da base da nadadeira adiposa 3,7 a 4,8 vezes no CP. Comprimento do focinho contido 1,9 a 2,2, diâmetro orbital 3,5 a 5,5 e distância interorbital 3,5 a 5,5 vezes no CC.
Nadadeira dorsal com I+6 raios, peitoral com I+9 a 11, pélvica com 6 e anal com 11 ou 12 raios.
No baixo rio Iguaçu, essa espécie é considerada insetívora (HAHN; FUGI; ALMEIDA; RUSSO; LOUREIRO,
1997; UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, 2006). O período reprodutivo ocorre entre outubro e março, sendo que os indivíduos iniciam a atividade reprodutiva com CP=88,0 mm nas fêmeas e CP=76,0 nos machos (UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, 2008b, 2010). A distribuição geográfica dessa espécie é restrita à bacia hidrográfica do rio Iguaçu (GARAVELLO; SHIBATTA, 2007). No livro sobre o reservatório de Segredo (AGOSTINHO; GOMES, 1997), esta espécie foi identificada como Pimelodus sp., exceto no capítulo 4, de Garavello, Pavanelli e Suzuki (1997).
Chave para espécies de Pseudoplatystoma
1. Corpo com várias manchas pretas arredondadas no flanco
………. P. corruscans
1’. Corpo com várias faixas pretas verticalmente alongadas e
irregulares no flanco
……………………………………………………….. P. reticulatum
Pseudoplatystoma corruscans (Spix & Agassiz, 1829) Pintado
Comprimento padrão 315,0 mm
Corpo acinzentado na região dorsal, com manchas pretas arredondadas e irregulares. Região ventral esbranquiçada e desprovida de manchas, nadadeiras acinzentadas com manchas e pintas pretas menores que as do corpo. Corpo baixo, cabeça muito deprimida e perfil ventral reto. Olho médio e boca ampla e terminal, ou levemente subterminal.
Altura do corpo contida 5,7 a 6,4, do pedúnculo caudal 14,9 a 16,5, comprimento da cabeça 2,6 a 2,7, da base da nadadeira anal 8,8 a 8,9 e da base da nadadeira adiposa 10,7 a 11,8 vezes no CP. Comprimento do focinho contido 2,0 a 2,1, diâmetro orbital 10,3 a 11,4 e distância interorbital 4,3 a 4,8 vezes no CC.
Nadadeira dorsal com 7 raios, peitoral com I+8 ou 9, pélvica com 6 e anal com 13 a 15 raios.
Na planície do alto rio Paraná, essa espécie apresenta hábito alimentar essencialmente piscívoro (HAHN; FUGI; LOUREIRO-CRIPPA; PERETTI; RUSSO, 2004). Distribui-se amplamente nas bacias do Paraná, Paraguai e São Francisco, onde é nativa (BUITRAGO-SUÁREZ; BURR, 2007). Na bacia do rio Iguaçu sua ocorrência é esporádica, sendo que os espécimes encontrados são adultos e provavelmente provenientes de tanques de piscicultura da região ou transposições deliberadas.
Pseudoplatystoma reticulatum Eigenmann & Eigenmann, 1889 Cachara
Comprimento padrão 440,0 mm
Corpo acinzentado na região dorsal, com faixas pretas transversalmente alongadas e irregulares. Região ventral esbranquiçada e desprovida de manchas, nadadeiras esbranquiçadas com pequenas manchas e pintas pretas. Corpo baixo, cabeça muito deprimida e perfil ventral reto. Olho médio e boca ampla e terminal, ou levemente subterminal.
Altura do corpo contida 5,8 a 6,9, do pedúnculo caudal 15,1 a 15,3, comprimento da cabeça 2,5 a 2,7, da base da nadadeira anal 8,9 a 9,0 e da base da nadadeira adiposa 11,2 a 11,3 vezes no CP. Comprimento do focinho contido 1,9 a 2,0, diâmetro orbital 10,7 a 12,8 e distância interorbital 4,3 a 4,6 vezes no CC.
Nadadeira dorsal com 7 raios, peitoral com I+9, pélvica com 6 e anal com 13 ou 14 raios.
Essa espécie é amplamente distribuída nas bacias do Paraná, Paraguai e Amazonas, onde é nativa (BUITRAGO-SUÁREZ; BURR, 2007). Na bacia do rio Iguaçu sua ocorrência é esporádica, sendo que os espécimes capturados são provavelmente provenientes de tanques de piscicultura ou transposições deliberadas.
Steindachneridion melanodermatum Garavello, 2005 Surubim-do-Iguaçu, monjolo
Comprimento padrão 347,0 mm
Cabeça e tronco marrons ou cinza-escuros, com pintas pretas nas regiões dorsal e lateral. Região ventral cinza-clara. Nadadeiras com padrão de coloração semelhante ao do corpo, sendo mais escuras nas bordas. Cabeça deprimida, lábios bem desenvolvidos, barbilhão maxilar curto, pedúnculo caudal alto e comprimido, corpo alongado, boca terminal, ou levemente subterminal.
Altura do corpo contida 4,1 a 4,4, do pedúnculo caudal 10,4 a 11,1*, comprimento da cabeça 3,4 a 3,5*, da base da nadadeira anal 8,4 a 8,6 e da base da nadadeira adiposa 4,8 a 5,7* vezes no CP. Comprimento do focinho contido 2,3 a 2,4, diâmetro orbital 10,4 a 11,6* e distância interorbital 2,8 a 3,2* vezes no CC.
Nadadeira dorsal com 7 ou 8* raios, peitoral com 10 ou 11*, pélvica com 6* e anal com 9 ou 10* raios.
É o grande “bagre” do rio Iguaçu, sendo capturado principalmente em trechos onde o fluxo natural do rio é ainda preservado (GARAVELLO, 2005). Sua distribuição geográfica é restrita à bacia do rio Iguaçu (GARAVELLO; SHIBATTA, 2007). Embora não conste em listas oficiais de espécies ameaçadas, sua ocorrência naturalmente rara e associada a ambientes de águas rápidas (GARAVELLO, 2005) deve ser considerada na elaboração de futuras listas, sobretudo considerando que estes ambientes têm sido restringidos pela cascata de reservatórios estabelecida na bacia.
*Garavello (2005)