Peixes do baixo rio Iguaçu
Glossário
Acúleo: raio duro de nadadeira, formando um espinho forte, às vezes pungente, perfurante, outras vezes de ponta arredondada, podendo apresentar serrilhas ou odontódeos em uma ou em ambas as margens.
aff.: partícula utilizada para referir-se a uma espécie afim de outra, parecida com aquela, mas sabidamente diferente, e que não possui nome científico disponível.
Arco branquial: estrutura cartilaginosa em forma de arco, que suporta os filamentos (margem externa) e os rastros (margem interna) branquiais.
Barbilhão maxilar: cuja base é inserida na região do osso maxilar, que se origina logo acima do canto da boca.
Barbilhão mentoniano: localizado na região inferior da mandíbula. Geralmente, existem dois pares de barbilhões mentonianos; o par anterior ou mediano é denominado mentoniano, e o posterior ou lateral é chamado de pós-mentoniano.
Barbilhão nasal: localizado na abertura nasal ou narina.
Barbilhão rictal: localizado no canto da boca ou do lábio, originando-se próximo e logo abaixo da base do barbilhão maxilar.
Barbilhão: apêndice carnoso e filamentoso em forma de filamento olfativo ou gustativo presente em peixes de couro (Siluriformes) ou nas carpas (Cypriniformes). Apresenta-se em pares, podendo localizar-se próximo a diferentes estruturas da cabeça dos peixes. Possui formas e comprimentos que variam muito de acordo com o grupo ou com a espécie do peixe.
Bentônico: que habita regiões muito próximas ao sedimento ou substrato do ambiente aquático.
Bexiga natatória: estrutura membranosa localizada entre os rins e o trato digestório nos peixes ósseos. Tem função hidrostática e pode atuar como órgão respiratório acessório em algumas espécies de peixes.
Boca protrátil: composta de ossos móveis, com capacidade de se projetarem para frente, ampliando muito a cavidade bucal.
Boca subterminal: cuja fenda bucal é situada pouco abaixo/atrás do plano transversal que passa pela extremidade mais anterior da cabeça.
Boca superior: cuja abertura é voltada para região superior da cabeça, acima/atrás do plano transversal que passa pela extremidade mais anterior da cabeça.
Boca terminal: cuja abertura é situada na região mais anterior da cabeça.
Boca ventral: situada ventralmente, ou seja, na região inferior da cabeça.
Brânquia: estrutura composta pelos filamentos branquiais, na margem externa do arco branquial, os quais são responsáveis pela oxigenação do sangue, ou seja, é o órgão respiratório dos peixes.
Caracteres merísticos: dados contáveis dos organismos, por exemplo, número de dentes, número de escamas, número de raios, entre outros.
Caracteres morfométricos: dados mensuráveis dos organismos, por exemplo, comprimento padrão, distância pré-dorsal, largura da cabeça, entre outros.
cf.: partícula utilizada para referir-se a indivíduos provavelmente da espécie nomeada, que, por algum motivo não se tem certeza, sugerindo a necessidade de se conferir.
Comprimido: achatado látero-lateralmente.
Côncavo: cuja superfície é cavada.
Conspícuo: nítido, bem visível.
Convexo: cuja superfície é abaulada.
Cópula: acasalamento; união de um indivíduo macho e uma fêmea para possibilitar a junção dos gametas (fecundação).
Coracoides: par de ossos da cintura escapular, que corresponde à cintura na qual se inserem as nadadeiras peitorais.
Corpo discoide: em forma de disco.
Corpo fusiforme: em forma de fuso, alongado, em forma de torpedo.
Cuidado parental: cuidado executado pelos pais para a proteção de seus descendentes, podendo incluir desde a fase de ovo até jovem.
Dentário: osso da maxila inferior, ou mandíbula, que pode ser provido ou não de dentes.
Dentes caninos: dentes de forma cônica, porém longos, fortes e pontiagudos, adaptados para penetrar e segurar a presa.
Dentes cônicos: dentes pequenos, em forma de cone.
Dentes cuspidados: dentes com a borda cortante composta por duas ou mais pontas (cúspides) ou saliências.
Dentes depressíveis: dentes móveis, não fixados integralmente de maneira rígida no osso, que, em contato com alimento, podem mudar da posição repousada para eriçada.
Dentes espatulados: dentes achatados, em forma de espátulas, adaptados para raspar superfícies.
Dentes incisiviformes: dente similar ao dente incisivo humano (dentes anteriores); dente de coelho.
Deprimido: achatado dorso-ventralmente.
Dimorfismo sexual: diferença morfológica e/ou comportamental perceptível externamente entre machos e fêmeas da mesma espécie, podendo incluir a formação de estruturas para cópula ou coorte, porte, padrão de colorido, estruturas utilizadas para reconhecimento de sexos, entre outras.
Distância interorbital: distância entre as bordas internas dos olhos, excluindo a membrana orbital.
Distância pré-anal: distância entre a extremidade anterior do focinho e o início da nadadeira anal.
Distância pré-dorsal: distância entre a extremidade anterior do focinho e a base do primeiro raio da nadadeira dorsal.
Distância pré-peitoral: distância entre a extremidade anterior do focinho e a origem da nadadeira peitoral.
Entalhe na nadadeira dorsal: concavidade na borda da nadadeira, situada entre a porção de raios duros (espinhos) e a de raios moles.
Espécie endêmica: encontrada exclusivamente em um determinado local.
Espinho: raio de nadadeira duro, pungente, perfurante (não serrilhado).
Falcada: em forma de faca; de borda oblíqua, inclinada.
Família: categoria taxonômica utilizada para agrupar gêneros com características semelhantes.
Fecundação: encontro dos gametas masculino e feminino (espermatozoide e ovócito).
Fecundação externa: fecundação ocorrida fora do corpo da fêmea, após o macho e a fêmea expelirem seus gametas na água.
Fecundação interna: fecundação ocorrida dentro do corpo das fêmeas, após a cópula.
Filamento carnoso: apêndice carnoso em forma de fita, geralmente aderido ao dorso de espécies da família Apteronotidae.
Flanco: região lateral do corpo.
Fontanela: abertura na superfície mediana do teto do crânio, moleira. Quando situada entre os ossos frontais é chamada fontanela frontal e quando entre os ossos parietais chama-se fontanela parietal.
Gametas: células sexuais dos peixes (espermatozoide do macho, ovócito da fêmea), que se unem durante a fecundação para formar o ovo.
Gênero: categoria taxonômica utilizada para agrupar espécies com características semelhantes e um único ancestral comum.
Gonopódio: modificação da nadadeira anal em órgão copulador nos machos.
Herbívoro: que se alimenta de vegetais.
Hialino: transparente, translúcido, que deixa passar a luz.
Ictiofauna: fauna de peixes.
Incertae sedis: conjunto de gêneros e/ou de espécies que não possuem suas relações de parentesco estudadas a contento ou conclusivamente, nem possuem um conjunto de caracteres únicos para qualificá-los como determinada categoria taxonômica, como família ou subfamília, por exemplo.
Inconspícua: não nítida, pouco visível.
Infraorbitais: série de ossos achatados que circundam a órbita inferiormente.
Insetívoro: que se alimenta de insetos.
Interopérculo: osso do aparelho opercular situado sob o pré-opérculo.
Invertívoro: que se alimenta de invertebrados.
Istmo: região mais estreita entre as bordas inferiores das membranas branquiais situadas na porção ventral da cabeça.
Jusante: abaixo de um determinado local.
Linha lateral: canal estreito sobre a região lateral do corpo, perfurado em determinados intervalos para penetração da água, e com células sensoriais, funcionando como um “radar”, ao perceber vibrações e alterações de pressão na água.
Linha longitudinal: escamas da linha que inclui a lateral, nos casos em que ela é interrompida ou incompleta. Quando ela é ausente, a linha longitudinal é o número de escamas na série de escamas mais longa da lateral do tronco.
Linha transversal: séries de escamas localizadas acima e abaixo da linha lateral. A superior geralmente é contada na região de inserção do primeiro raio da nadadeira dorsal, e a inferior pode ser na inserção do primeiro raio da nadadeira pélvica ou da anal.
Lóbulo branquial: estrutura cartilaginosa arredondada, podendo ou não apresentar rastros, presente na parte superior do arco branquial de algumas espécies da família Cichlidae.
Localidade-tipo: local em que o exemplar-tipo da espécie foi coletado.
Mancha umeral: Concentração de pigmentos formando uma mancha localizada na região umeral (acima da nadadeira peitoral).
Mandíbula: conjunto de ossos da parte inferior da boca, maxila inferior.
Maxilas: conjunto de ossos da parte superior (maxila superior) e inferior (maxila inferior ou mandíbula) da boca. A maxila superior é formada por um par de ossos pré-maxilares fundidos anteriormente e um par de ossos maxilares, um de cada lado. A maxila inferior é composta por três pares de ossos, dentários, articulares e angulares.
Migrações: movimentos realizados pelos peixes, podendo ser para fins reprodutivos ou alimentares, de uma região para outra.
Montante: acima de um determinado local.
Nadadeira adiposa: nadadeira ímpar, geralmente sem raios de sustentação, localizada na região dorsal do corpo, atrás da nadadeira dorsal.
Nadadeira anal – nadadeira ímpar localizada na região ventral do indivíduo, logo após o ânus.
Nadadeira arredondada: com a margem posterior arredondada.
Nadadeira bifurcada: dividida em dois lobos separados por um entalhe em forma de forquilha, sendo um superior e outro inferior.
Nadadeira caudal: nadadeira ímpar localizada na extremidade posterior do peixe.
Nadadeira dorsal: nadadeira localizada na região dorsal do indivíduo. Geralmente é ímpar, mas pode apresentar-se dividida em duas partes separadas, ou unidas por um entalhe.
Nadadeira peitoral: em número de duas localizadas logo após a cabeça.
Nadadeira pélvica ou ventral: em número de duas localizadas na região ventral, anteriormente ao ânus.
Nadadeira truncada: com a margem posterior reta.
Nadadeira: apêndice locomotor dos peixes, constituída de raios ósseos unidos por membranas chamadas interradiais. Podem ser pares (peitorais e pélvicas) ou ímpares (dorsal, adiposa, anal e caudal).
Ocelo: Mancha em forma de olho, que geralmente tem por função enganar os predadores. Compõe-se de uma região arredondada escura, circundada por uma área estreita clara.
Odontódeos: dentículos dérmicos que podem variar em número, forma e rigidez de acordo com a espécie, sexo, local do corpo ou período reprodutivo.
Onívoro: que se alimenta de material animal e vegetal, de diversas origens.
Opérculo: maior osso do aparelho opercular, que recobre a cavidade branquial.
Órbita: cavidade onde se aloja o olho.
Ordem: categoria taxonômica que agrupa as famílias com características semelhantes.
Osso frontal: osso do teto do crânio, situado entre as órbitas. Osso maxilar: em número de dois, situados lateralmente na maxila superior, articulados com os ossos pré-maxilares.
Osso pré-maxilar: em número de dois, fundidos anteriormente, articulados lateralmente com os maxilares.
Ossos parietais: par de ossos da porção posterior do teto do crânio, situados atrás dos frontais e à frente do supraocciptal.
Palato: superfície superior da cavidade bucal, atrás dos pré-maxilares, constituída de vários ossos; “céu-da-boca”.
Papilas: órgãos sensoriais em forma de pequenos botões que podem estar distribuídos em diferentes partes do corpo, principalmente nos lábios.
Pedúnculo caudal: região entre a origem do último raio da nadadeira anal e a origem da nadadeira caudal.
Pelágicos: que habitam a coluna d’água.
Piscívoro: que se alimenta de peixes.
Placa dentígera: agrupamento de dentes pequenos e numerosos, formando uma placa óssea que pode ser situada em várias regiões da boca e faringe.
Planície de inundação: terrenos baixos e planos irrigados por rios que, em períodos de seca, apresentam um leito definido e várias lagoas, e, em períodos de cheia, são parcial ou totalmente inundados.
Pré-opérculo: osso do aparelho opercular situado à frente do opérculo e sobre o interopérculo.
Processo supraoccipital: projeção do osso supraoccipital, na região mediana dorsal.
Prognata: alongada e proeminente, mais longa que a outra maxila. Protrátil: que pode se protrair, ou alongar-se para fora.
Pungente: com ponta dura e fina; perfurante; que espeta.
Quilha: seção afilada em forma de V, geralmente localizada na região ventral.
Raios das nadadeiras: estruturas ósseas que dão sustentação às nadadeiras.
Raios procorrentes: situados à frente e em sequência aos raios principais da nadadeira caudal, na linha mediana ventral e dorsal.
Região gular: parte inferior da cabeça.
Região proximal: mais próxima do eixo central do corpo.
Região umeral: parte anterior mediana do flanco, logo atrás do opérculo.
Região Neotropical: região zoogeográfica do Sul do México até o Norte da Argentina.
Sínfise: linha mediana da mandíbula, onde os ossos dentários, esquerdo e direito, se juntam.
sp.: partícula utilizada quando não se consegue identificar o nome da espécie em questão ou quando a espécie é nova, ou seja, ainda não possui nome científico formalmente publicado.
Tubérculos nupciais: estruturas dérmicas em forma de botões, presentes principalmente em algumas regiões da cabeça e parte anterior do tronco, geralmente mais desenvolvidas em indivíduos no período de reprodução.
Ventosa: estrutura circular que, através de sucção, proporciona aderência ao substrato.
Ventre quilhado: região abdominal em forma de quilha. Vivípara: espécie cuja reprodução se dá por fecundação interna e cujo desenvolvimento dos filhotes também é interno, e, ao nascerem, os filhotes são bastante semelhantes aos adultos.