Peixes do baixo rio Iguaçu

Gilmar Baumgartner · Capítulo 48 de 52

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Peixes do baixo rio Iguaçu

Glossário

 

Acúleo: raio duro de nadadeira, formando um espinho forte, às vezes pungente, perfurante, outras vezes de ponta arredondada, podendo apresentar serrilhas ou odontódeos em uma ou em ambas as margens.

aff.: partícula utilizada para referir-se a uma espécie afim de outra, parecida com aquela, mas sabidamente diferente, e que não possui nome científico disponível.

Arco branquial: estrutura cartilaginosa em forma de arco, que suporta os filamentos (margem externa) e os rastros (margem interna) branquiais.

Barbilhão maxilar: cuja base é inserida na região do osso maxilar, que se origina logo acima do canto da boca.

Barbilhão mentoniano: localizado na região inferior da mandíbula. Geralmente, existem dois pares de barbilhões mentonianos; o par anterior ou mediano é denominado mentoniano, e o posterior ou lateral é chamado de pós-mentoniano.

Barbilhão nasal: localizado na abertura nasal ou narina.

Barbilhão rictal: localizado no canto da boca ou do lábio, originando-se próximo e logo abaixo da base do barbilhão maxilar.

Barbilhão: apêndice carnoso e filamentoso em forma de filamento olfativo ou gustativo presente em peixes de couro (Siluriformes) ou nas carpas (Cypriniformes). Apresenta-se em pares, podendo localizar-se próximo a diferentes estruturas da cabeça dos peixes. Possui formas e comprimentos que variam muito de acordo com o grupo ou com a espécie do peixe.

Bentônico: que habita regiões muito próximas ao sedimento ou substrato do ambiente aquático.

Bexiga natatória: estrutura membranosa localizada entre os rins e o trato digestório nos peixes ósseos. Tem função hidrostática e pode atuar como órgão respiratório acessório em algumas espécies de peixes.

Boca protrátil: composta de ossos móveis, com capacidade de se projetarem para frente, ampliando muito a cavidade bucal.

Boca subterminal: cuja fenda bucal é situada pouco abaixo/atrás do plano transversal que passa pela extremidade mais anterior da cabeça.

Boca superior: cuja abertura é voltada para região superior da cabeça, acima/atrás do plano transversal que passa pela extremidade mais anterior da cabeça.

Boca terminal: cuja abertura é situada na região mais anterior da cabeça.

Boca ventral: situada ventralmente, ou seja, na região inferior da cabeça.

Brânquia: estrutura composta pelos filamentos branquiais, na margem externa do arco branquial, os quais são responsáveis pela oxigenação do sangue, ou seja, é o órgão respiratório dos peixes.

Caracteres merísticos: dados contáveis dos organismos, por exemplo, número de dentes, número de escamas, número de raios, entre outros.

Caracteres morfométricos: dados mensuráveis dos organismos, por exemplo, comprimento padrão, distância pré-dorsal, largura da cabeça, entre outros.

cf.: partícula utilizada para referir-se a indivíduos provavelmente da espécie nomeada, que, por algum motivo não se tem certeza, sugerindo a necessidade de se conferir.

Comprimido: achatado látero-lateralmente.

Côncavo: cuja superfície é cavada.

Conspícuo: nítido, bem visível.

Convexo: cuja superfície é abaulada.

Cópula: acasalamento; união de um indivíduo macho e uma fêmea para possibilitar a junção dos gametas (fecundação).

Coracoides: par de ossos da cintura escapular, que corresponde à cintura na qual se inserem as nadadeiras peitorais.

Corpo discoide: em forma de disco.

Corpo fusiforme: em forma de fuso, alongado, em forma de torpedo.

Cuidado parental: cuidado executado pelos pais para a proteção de seus descendentes, podendo incluir desde a fase de ovo até jovem.

Dentário: osso da maxila inferior, ou mandíbula, que pode ser provido ou não de dentes.

Dentes caninos: dentes de forma cônica, porém longos, fortes e pontiagudos, adaptados para penetrar e segurar a presa.

Dentes cônicos: dentes pequenos, em forma de cone.

Dentes cuspidados: dentes com a borda cortante composta por duas ou mais pontas (cúspides) ou saliências.

Dentes depressíveis: dentes móveis, não fixados integralmente de maneira rígida no osso, que, em contato com alimento, podem mudar da posição repousada para eriçada.

Dentes espatulados: dentes achatados, em forma de espátulas, adaptados para raspar superfícies.

Dentes incisiviformes: dente similar ao dente incisivo humano (dentes anteriores); dente de coelho.

Deprimido: achatado dorso-ventralmente.

Dimorfismo sexual: diferença morfológica e/ou comportamental perceptível externamente entre machos e fêmeas da mesma espécie, podendo incluir a formação de estruturas para cópula ou coorte, porte, padrão de colorido, estruturas utilizadas para reconhecimento de sexos, entre outras.

Distância interorbital: distância entre as bordas internas dos olhos, excluindo a membrana orbital.

Distância pré-anal: distância entre a extremidade anterior do focinho e o início da nadadeira anal.

Distância pré-dorsal: distância entre a extremidade anterior do focinho e a base do primeiro raio da nadadeira dorsal.

Distância pré-peitoral: distância entre a extremidade anterior do focinho e a origem da nadadeira peitoral.

Entalhe na nadadeira dorsal: concavidade na borda da nadadeira, situada entre a porção de raios duros (espinhos) e a de raios moles.

Espécie endêmica: encontrada exclusivamente em um determinado local.

Espinho: raio de nadadeira duro, pungente, perfurante (não serrilhado).

Falcada: em forma de faca; de borda oblíqua, inclinada.

Família: categoria taxonômica utilizada para agrupar gêneros com características semelhantes.

Fecundação: encontro dos gametas masculino e feminino (espermatozoide e ovócito).

Fecundação externa: fecundação ocorrida fora do corpo da fêmea, após o macho e a fêmea expelirem seus gametas na água.

Fecundação interna: fecundação ocorrida dentro do corpo das fêmeas, após a cópula.

Filamento carnoso: apêndice carnoso em forma de fita, geralmente aderido ao dorso de espécies da família Apteronotidae.

Flanco: região lateral do corpo.

Fontanela: abertura na superfície mediana do teto do crânio, moleira. Quando situada entre os ossos frontais é chamada fontanela frontal e quando entre os ossos parietais chama-se fontanela parietal.

Gametas: células sexuais dos peixes (espermatozoide do macho, ovócito da fêmea), que se unem durante a fecundação para formar o ovo.

Gênero: categoria taxonômica utilizada para agrupar espécies com características semelhantes e um único ancestral comum.

Gonopódio: modificação da nadadeira anal em órgão copulador nos machos.

Herbívoro: que se alimenta de vegetais.

Hialino: transparente, translúcido, que deixa passar a luz.

Ictiofauna: fauna de peixes.

Incertae sedis: conjunto de gêneros e/ou de espécies que não possuem suas relações de parentesco estudadas a contento ou conclusivamente, nem possuem um conjunto de caracteres únicos para qualificá-los como determinada categoria taxonômica, como família ou subfamília, por exemplo.

Inconspícua: não nítida, pouco visível.

Infraorbitais: série de ossos achatados que circundam a órbita inferiormente.

Insetívoro: que se alimenta de insetos.

Interopérculo: osso do aparelho opercular situado sob o pré-opérculo.

Invertívoro: que se alimenta de invertebrados.

Istmo: região mais estreita entre as bordas inferiores das membranas branquiais situadas na porção ventral da cabeça.

Jusante: abaixo de um determinado local.

Linha lateral: canal estreito sobre a região lateral do corpo, perfurado em determinados intervalos para penetração da água, e com células sensoriais, funcionando como um “radar”, ao perceber vibrações e alterações de pressão na água.

Linha longitudinal: escamas da linha que inclui a lateral, nos casos em que ela é interrompida ou incompleta. Quando ela é ausente, a linha longitudinal é o número de escamas na série de escamas mais longa da lateral do tronco.

Linha transversal: séries de escamas localizadas acima e abaixo da linha lateral. A superior geralmente é contada na região de inserção do primeiro raio da nadadeira dorsal, e a inferior pode ser na inserção do primeiro raio da nadadeira pélvica ou da anal.

Lóbulo branquial: estrutura cartilaginosa arredondada, podendo ou não apresentar rastros, presente na parte superior do arco branquial de algumas espécies da família Cichlidae.

Localidade-tipo: local em que o exemplar-tipo da espécie foi coletado.

Mancha umeral: Concentração de pigmentos formando uma mancha localizada na região umeral (acima da nadadeira peitoral).

Mandíbula: conjunto de ossos da parte inferior da boca, maxila inferior.

Maxilas: conjunto de ossos da parte superior (maxila superior) e inferior (maxila inferior ou mandíbula) da boca. A maxila superior é formada por um par de ossos pré-maxilares fundidos anteriormente e um par de ossos maxilares, um de cada lado. A maxila inferior é composta por três pares de ossos, dentários, articulares e angulares.

Migrações: movimentos realizados pelos peixes, podendo ser para fins reprodutivos ou alimentares, de uma região para outra.

Montante: acima de um determinado local.

Nadadeira adiposa: nadadeira ímpar, geralmente sem raios de sustentação, localizada na região dorsal do corpo, atrás da nadadeira dorsal.

Nadadeira anal – nadadeira ímpar localizada na região ventral do indivíduo, logo após o ânus.

Nadadeira arredondada: com a margem posterior arredondada.

Nadadeira bifurcada: dividida em dois lobos separados por um entalhe em forma de forquilha, sendo um superior e outro inferior.

Nadadeira caudal: nadadeira ímpar localizada na extremidade posterior do peixe.

Nadadeira dorsal: nadadeira localizada na região dorsal do indivíduo. Geralmente é ímpar, mas pode apresentar-se dividida em duas partes separadas, ou unidas por um entalhe.

Nadadeira peitoral: em número de duas localizadas logo após a cabeça.

Nadadeira pélvica ou ventral: em número de duas localizadas na região ventral, anteriormente ao ânus.

Nadadeira truncada: com a margem posterior reta.

Nadadeira: apêndice locomotor dos peixes, constituída de raios ósseos unidos por membranas chamadas interradiais. Podem ser pares (peitorais e pélvicas) ou ímpares (dorsal, adiposa, anal e caudal).

Ocelo: Mancha em forma de olho, que geralmente tem por função enganar os predadores. Compõe-se de uma região arredondada escura, circundada por uma área estreita clara.

Odontódeos: dentículos dérmicos que podem variar em número, forma e rigidez de acordo com a espécie, sexo, local do corpo ou período reprodutivo.

Onívoro: que se alimenta de material animal e vegetal, de diversas origens.

Opérculo: maior osso do aparelho opercular, que recobre a cavidade branquial.

Órbita: cavidade onde se aloja o olho.

Ordem: categoria taxonômica que agrupa as famílias com características semelhantes.

Osso frontal: osso do teto do crânio, situado entre as órbitas. Osso maxilar: em número de dois, situados lateralmente na maxila superior, articulados com os ossos pré-maxilares.

Osso pré-maxilar: em número de dois, fundidos anteriormente, articulados lateralmente com os maxilares.

Ossos parietais: par de ossos da porção posterior do teto do crânio, situados atrás dos frontais e à frente do supraocciptal.

Palato: superfície superior da cavidade bucal, atrás dos pré-maxilares, constituída de vários ossos; “céu-da-boca”.

Papilas: órgãos sensoriais em forma de pequenos botões que podem estar distribuídos em diferentes partes do corpo, principalmente nos lábios.

Pedúnculo caudal: região entre a origem do último raio da nadadeira anal e a origem da nadadeira caudal.

Pelágicos: que habitam a coluna d’água.

Piscívoro: que se alimenta de peixes.

Placa dentígera: agrupamento de dentes pequenos e numerosos, formando uma placa óssea que pode ser situada em várias regiões da boca e faringe.

Planície de inundação: terrenos baixos e planos irrigados por rios que, em períodos de seca, apresentam um leito definido e várias lagoas, e, em períodos de cheia, são parcial ou totalmente inundados.

Pré-opérculo: osso do aparelho opercular situado à frente do opérculo e sobre o interopérculo.

Processo supraoccipital: projeção do osso supraoccipital, na região mediana dorsal.

Prognata: alongada e proeminente, mais longa que a outra maxila. Protrátil: que pode se protrair, ou alongar-se para fora.

Pungente: com ponta dura e fina; perfurante; que espeta.

Quilha: seção afilada em forma de V, geralmente localizada na região ventral.

Raios das nadadeiras: estruturas ósseas que dão sustentação às nadadeiras.

Raios procorrentes: situados à frente e em sequência aos raios principais da nadadeira caudal, na linha mediana ventral e dorsal.

Região gular: parte inferior da cabeça.

Região proximal: mais próxima do eixo central do corpo.

Região umeral: parte anterior mediana do flanco, logo atrás do opérculo.

Região Neotropical: região zoogeográfica do Sul do México até o Norte da Argentina.

Sínfise: linha mediana da mandíbula, onde os ossos dentários, esquerdo e direito, se juntam.

sp.: partícula utilizada quando não se consegue identificar o nome da espécie em questão ou quando a espécie é nova, ou seja, ainda não possui nome científico formalmente publicado.

Tubérculos nupciais: estruturas dérmicas em forma de botões, presentes principalmente em algumas regiões da cabeça e parte anterior do tronco, geralmente mais desenvolvidas em indivíduos no período de reprodução.

Ventosa: estrutura circular que, através de sucção, proporciona aderência ao substrato.

Ventre quilhado: região abdominal em forma de quilha. Vivípara: espécie cuja reprodução se dá por fecundação interna e cujo desenvolvimento dos filhotes também é interno, e, ao nascerem, os filhotes são bastante semelhantes aos adultos.