Peixes do baixo rio Iguaçu
Anostomidae
ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, 2008a). Possivelmente, essa espécie tenha sido introduzida no rio Iguaçu por escape de tanques de piscicultura. No alto rio Paraná, P. lineatus possui hábito alimentar detritívoro (HAHN; FUGI; LOUREIRO-CRIPPA; PERETTI; RUSSO, 2004), não apresenta cuidado parental, reproduz-se principalmente entre outubro e abril e seus indivíduos iniciam a atividade reprodutiva com L =213,0 mm nos 50 machos e L =240,0 mm nas fêmeas, sendo que seus 50
exemplares realizam grandes migrações reprodutivas (SUZUKI; VAZZOLER; MARQUES; LIZAMA; INADA, 2004). Essa espécie possui ampla distribuição geográfica em toda a bacia do rio Paraná-Paraguai e nas bacias dos rios Paraíba do Sul, Uruguai e Jacuí (CASTRO; VARI, 2007).
*Castro e Vari (2004)
FAMÍLIA Anostomidae
Essa família caracteriza-se por apresentar exemplares de pequeno a grande porte, de corpo alongado e fusiforme, com uma única série com três ou quatro dentes no pré-maxilar e hemissérie do dentário, maxilar pequeno e sem dentes, e boca relativamente pequena (GARAVELLO; BRITSKI, 2003). Exemplares dessa família são importantes na pesca comercial em outras bacias hidrográficas, onde ocorrem em abundância. Representantes desta família capturados na bacia do rio Iguaçu não são nativos. Seus hábitos alimentares os qualificam como onívoros, utilizando principalmente invertebrados, vegetais e frutos como base da sua alimentação.
Leporinus aff. elongatus Valenciennes, 1850 Piapara
Comprimento padrão 194,9 mm
Região superior do corpo castanha, ventral amarelo-clara, com largas faixas transversais cinzas, às vezes inconspícuas ou mais evidentes na região mais dorsal, e três grandes manchas pretas na lateral do corpo. Nadadeira dorsal amarelada ou bege-clara, demais nadadeiras levemente amareladas e a anal ligeiramente escurecida. Quando em vida podem apresentar as nadadeiras amarelo vivo ou alaranjadas, sobretudo as pélvicas e anal. Possui corpo alongado e comprimido, boca subterminal, com lábio superior proeminente, cuja horizontal da fenda bucal passa abaixo da órbita, a qual
possui a margem superior horizontalmente em linha com a linha lateral.
Altura do corpo contida 3,2 a 3,5* e do pedúnculo caudal 8,6 a 8,9* vezes no CP; comprimento da cabeça contido 3,2 a 3,8*, pré-dorsal 2,0 a 2,1* e do pedúnculo caudal 7,0 a 7,9* vezes no CP. Comprimento do focinho contido 2,0 a 2,2*, diâmetro orbital 2,9 a 3,8* e distância interorbital 6,7 a 8,4* vezes no CC.
Possui 3* dentes no pré-maxilar e 3* na hemissérie do dentário. Linha lateral completa com 41 a 44* escamas, 6 a 7* séries de escamas acima da linha lateral e 6* abaixo. Nadadeira dorsal com i+11* raios, peitoral com i+15 ou 16*, pélvica com i+9*, e anal com ii+9* raios.
Essa espécie foi identificada por Garavello (1979) como Leporinus obtusidens (Valenciennes, 1837). Amplamente distribuída nas bacias dos rios Paraná-Paraguai, a ‘piapara’, identificada de longa data como Leporinus elongatus Valenciennes, 1850, parece ser restrita à bacia do rio Jequitinhonha e talvez também à do São Francisco (BRITSKI; GARAVELLO, 2007). Portanto, utilizamos aqui a partícula aff. Na planície de inundação do alto rio Paraná, essa espécie foi considerada como insetívora por Agostinho, Hahn, Gomes e Bini (1997). Não apresenta cuidado parental, realiza grandes migrações, se reproduz principalmente de outubro a fevereiro e inicia a atividade reprodutiva com L =190,0 mm nos machos e L =208,0 50 50 mm nas fêmeas (SUZUKI; VAZZOLER; MARQUES; LIZAMA; INADA, 2004). No rio Iguaçu ela não é nativa, sendo sua captura esporádica e restrita a exemplares adultos, indicando que sua ocorrência pode ser devida ao escape de pisciculturas.
*Graça e Pavanelli (2007)
Leporinus friderici (Bloch, 1794) Piau-três-pintas
Comprimento padrão 197,8 mm
Região superior do corpo castanha, ventral amarelo-clara, com largas faixas transversais cinza-claras, mais evidentes nos exemplares jovens, e três grandes manchas pretas, horizontalmente alongadas na lateral do corpo. Nadadeira dorsal hialina, demais nadadeiras amareladas e a anal levemente escurecida. Possui corpo alongado e comprimido, boca terminal. Quando vivo pode apresentar listras longitudinais alaranjadas na região anterior do flanco, abaixo da linha lateral, olho com região superior vermelha, assim como a região de contato de algumas escamas da região umeral, conferindo um tom avermelhado.
Altura do corpo contida 3,2 a 4,2* e do pedúnculo caudal 9,3 a 10,5* vezes no CP; comprimento da cabeça contido 4,0 a 4,3*, pré-dorsal 2,1 a 2,3* e do pedúnculo caudal 8,6 a 10,5* vezes no CP. Comprimento do focinho contido 2,4 a 2,6*, diâmetro orbital 3,2 a 3,9* e distância interorbital 2,1 a 2,8* vezes no CC.
Possui 4* dentes no pré-maxilar e na hemissérie do dentário. Linha lateral completa com 37 a 40* escamas, 4 a 5½* séries de escamas acima da linha lateral e 4 a 5½* abaixo. Nadadeira dorsal com i+11* raios, peitoral com i+14 a 16*, pélvica com i+8* e nadadeira anal com i+9* raios.
Na bacia do alto rio Paraná é encontrada em rios e lagoas, alimenta-se de vegetais, insetos e peixes (ANDRIAN; DÓRIA; TORRENTE; FERRETI, 1994). Não possui cuidado parental, realiza pequenas migrações, se reproduz entre outubro e março e inicia sua reprodução com L =131,0 mm nos machos e L =162,0 mm nas 50 50 fêmeas (SUZUKI; VAZZOLER; MARQUES; LIZAMA; INADA, 2004). Amplamente distribuída nas bacias de rios do Suriname, Guiana Francesa, Amazonas e do Prata (BRITSKI; GARAVELLO, 2007), não é nativa da bacia do rio Iguaçu. Sua ocorrência esporádica deve ser atribuída aos escapes de pisciculturas.
*Garavello (1979)
Leporinus macrocephalus Garavello & Britski, 1988 Piavuçu, piaussu
Comprimento padrão 240,9 mm
Região superior do corpo castanha, ventral amarelo-clara, com largas faixas transversais cinzas pouco conspícuas, e três grandes manchas pretas na lateral do corpo, mais evidentes nos jovens. Escamas com a borda escurecida, conferindo um aspecto reticulado ao corpo. Nadadeiras pares esbranquiçadas, ímpares com leve pigmentação
cinza-escura, mais intensa na nadadeira anal. Possui corpo robusto e boca terminal.
Altura do corpo contida 3,0 a 3,5* e do pedúnculo caudal 8,1 a 8,9* vezes no CP; comprimento da cabeça contido 2,5 a 3,0*, pré-dorsal 2,0* e do pedúnculo caudal 4,9 a 6,6* vezes no CP. Comprimento do focinho contido 2,2 a 2,5*, diâmetro orbital 2,9 a 3,7* e distância interorbital 1,7 a 1,9* vezes no CC.
Possui 3* dentes no pré-maxilar e 3* na hemissérie do dentário. Linha lateral completa com 42 ou 43* escamas, 5½ ou 6* escamas acima da linha lateral e 5 ou 5½* abaixo. Nadadeira dorsal com i+11* raios, peitoral com i+15 ou 16*, pélvica com i+8* e anal com i+9* raios.
Amplamente distribuída nas bacias hidrográficas do rio Paraguai e médio rio Paraná (BRITSKI; GARAVELLO, 2007), é também capturada esporadicamente no rio Iguaçu (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ, 2002), possivelmente devido o escape de pisciculturas.
*Garavello e Britski (1988)
Leporinus obtusidens (Valenciennes, 1837) Piau
Comprimento padrão 225,7 mm
Região superior do corpo castanha, ventral amarelo-clara, com largas faixas transversais cinzas, às vezes inconspícuas ou mais evidentes na região mais dorsal, e três grandes manchas pretas na lateral do corpo. Nadadeira dorsal amarelada ou bege-clara, demais nadadeiras levemente amareladas e anal ligeiramente escurecida. Possui corpo alongado e comprimido, boca terminal, cuja horizontal da fenda bucal passa sobre a órbita, olho com margem superior horizontalmente em linha com a linha lateral. O raio mais longo da nadadeira anal é mais longo que o dobro do raio mais curto.
Altura do corpo contida 3,2 a 3,4* e do pedúnculo caudal 8,6 a 9,3* vezes no CP; comprimento da cabeça contido 3,3 a 4,2*, pré-dorsal 2,1 a 2,2* e do pedúnculo caudal 7,5 a 8,7* vezes no CP. Comprimento do focinho contido 2,4 a 2,5*, diâmetro orbital 2,4 a 2,5* e distância interorbital 1,8 a 2,3* vezes no CC.
Possui 3* dentes no pré-maxilar e 3* na hemissérie do dentário. Linha lateral completa com 38 a 40* escamas, 6 a 7* séries de escamas acima da linha lateral e 5 a 6* abaixo. Nadadeira dorsal com i+11* raios, peitoral com i+15 ou 16*, pélvica com i+9*, e anal com i+9* raios.
Esta espécie foi identificada por Garavello (1979) como Leporinus silvestrii Boulenger, 1902. No alto rio Paraná alimenta-se de vegetais e insetos (ANDRIAN; DÓRIA; TORRENTE; FERRETI, 1994), realiza grandes migrações, sem cuidado parental, se reproduz entre outubro e fevereiro, iniciando a atividade reprodutiva com L =161,0 50 mm nos machos e L =216,0 mm nas fêmeas (SUZUKI; 50 VAZZOLER; MARQUES; LIZAMA; INADA, 2004). Ocorre em rios das bacias do Prata, São Francisco e Guaíba (BRITSKI; GARAVELLO, 2007), mas não é nativa do rio Iguaçu. A exemplo das demais congêneres, seus exemplares são capturados adultos e esporadicamente,
sugerindo que sua ocorrência no Iguaçu possa ser fruto de escapes de pisciculturas.
*Garavello (1979)
Leporinus octofasciatus Steindachner, 1915 Piau, flamenguinho, ferreirinha
Comprimento padrão 190,0 mm
Região superior do corpo castanha, ventral amarelo-clara, com oito largas faixas transversais pretas na lateral do corpo. Quando em vida, apresenta as nadadeiras vermelhas ou alaranjadas. Possui corpo alongado e comprimido e boca levemente subterminal.
Altura do corpo contida 3,6 a 3,8* e do pedúnculo caudal 9,1 a 9,3* vezes no CP; comprimento da cabeça contido 3,1 a 4,3*, pré-dorsal 1,9 a 2,1* e do pedúnculo caudal 9,2 a 9,3* vezes no CP. Comprimento do focinho contido 2,2 a 2,7*, diâmetro orbital 4,0 a 4,2* e distância interorbital 2,2 a 2,6* vezes no CC.
Possui 3* dentes no pré-maxilar e 4* na hemissérie do dentário. Linha lateral completa com 35 a 39* escamas, 5* séries de escamas acima da linha lateral e 4 a 5* abaixo. Nadadeira dorsal com i+11* raios, peitoral com i+15 ou 16*, pélvica com i+8*, e anal com ii+8 ou 9** raios.