Peixes do baixo rio Iguaçu

Gilmar Baumgartner · Capítulo 22 de 52

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Peixes do baixo rio Iguaçu

Stevardiinae

a 27* raios. Apresenta 14 a 18* rastros branquiais superiores e 12 a 18* inferiores.

Esta espécie, na bacia do rio Paraguai, é considerada onívora, alimentando-se principalmente de insetos e vegetais (BRITSKI; SILIMON; LOPES, 1999). Não apresenta cuidado parental e realiza grandes migrações (SUZUKI; VAZZOLER; MARQUES; LIZAMA; INADA, 2004). Nativa de bacia do rio Paraguai, sua captura no rio Iguaçu é esporádica e restrita a exemplares adultos, indicando que sua ocorrência pode ser devida ao escape de pisciculturas.

*Lima (2001)

 

Após muitos anos considerada como sinônimo de Glandulocaudinae, esta subfamília foi recentemente validada por Mirande (2009), que redefiniu e ampliou a abrangência deste grupo, agora incluindo representantes do clado A de Malabarba e Weitzman (2003), entre outros. Os gêneros da bacia do rio Iguaçu que são atualmente alocados nesta subfamília já foram considerados pertencentes a Tetragonopterinae e incertae sedis em Characidae pela maioria dos autores, em épocas diferentes. São espécies de pequeno porte que se caracterizam basicamente por apresentar quatro dentes na série interna do pré-maxilar.

 

Chave para espécies de Bryconamericus

 

1. Mancha umeral preta, grande e arredondada, bem evidente; série

externa de dentes do pré-maxilar com três dentes …………………………………………….. B. pyahu 1’. Mancha umeral cinza-escura, ou preta, estreita e alongada

verticalmente, às vezes pouco conspícua; série externa do pré-maxilar com quatro a seis dentes (raramente três) ………………………………………………………… 2

2. Corpo alto, sua altura contida no máximo três vezes no

comprimento padrão; cabeça grande, seu comprimento contido menos de quatro vezes no comprimento padrão; nadadeira anal com 21 a 26 raios …………………… B. ikaa

2’. Corpo baixo, sua altura contida mais de três vezes no

comprimento padrão; cabeça pequena, seu comprimento contido quatro vezes ou mais no comprimento padrão; nadadeira anal com 19 a 22 raios …. Bryconamericus sp.

 

Bryconamericus ikaa Casciotta, Almirón & Azpelicueta, 2004 Lambarizinho

 

Comprimento padrão 54,8 mm

Corpo bege-claro, mais escuro dorsalmente, prateado quando em vida. Mancha umeral preta verticalmente alongada, com prolongamentos inconspícuos para cima e para baixo, seguida por outra mancha castanha, difusa e muitas vezes inconspícua. Faixa longitudinal castanha,

mais evidente a partir da segunda mancha umeral, que não se prolonga sobre os raios caudais medianos. Nadadeiras hialinas, que podem apresentar-se avermelhadas ou amareladas quando em vida, normalmente com pigmentos escuros dispersos em seus terços distais. Boca subterminal.

Altura do corpo contida 2,7 a 3,0* e do pedúnculo caudal 8,4 a 9,0* vezes no CP; comprimento da cabeça contido 3,5 a 3,9*, pré-dorsal 1,8 a 1,9* e do pedúnculo caudal 7,5 a 8,6* vezes no CP. Comprimento do focinho contido 3,7 a 4,3*, diâmetro orbital 2,7 a 3,1* e distância interorbital 3,3 a 3,8* no CC.

Possui 4* dentes na série interna do pré-maxilar, com 3 a 5* cúspides. Série externa com 4 a 6* dentes, com 3 ou 4* cúspides e 3 ou 4* dentes no maxilar. Linha lateral completa com 36 a 38* escamas, 5* séries de escamas acima e 3½ a 4½* abaixo da linha lateral. Nadadeira dorsal com ii+8* raios, peitoral com i+10 a 12*, pélvica com i+7* e anal com iii-iv+ 21 a 26* raios. Apresenta 6 ou 7 rastros branquiais superiores e 9 ou 10 inferiores.

Esta espécie possui hábito alimentar onívoro, com consumo de diversos itens, tendo sido fortemente afetada pela formação do reservatório de Salto Caxias, que proporcionou a deposição do material particulado, limitando a espécie à condição de detritívora (DELARIVA, 2002). O período reprodutivo desta espécie ocorre entre agosto e janeiro (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGA, 2002), e os menores indivíduos em atividade reprodutiva foram registrados com CP=50,0 mm nas fêmeas e CP=55,0 mm nos machos (UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, 2010). Sua distribuição geográfica é aparentemente restrita à bacia do rio Iguaçu, tendo sido registrada por Garavello, Pavanelli e Suzuki (1997), Universidade Estadual de Maringá (2002) e Baumgartner, Baumgartner, Pavanelli, Silva, Frana,

Oliveira e Michelon (2006). Antes de sua descrição, esta espécie era conhecida na bacia do rio Iguaçu como Bryconamericus sp. A, a partir de Sampaio (1988).

*Casciotta, Almirón e Azpelicueta (2004)

Bryconamericus pyahu Azpelicueta, Casciotta & Almirón, 2003 Lambarizinho

 

Comprimento padrão 49,9 mm

Corpo bege-claro, mais escuro dorsalmente, prateado quando em vida. Mancha umeral preta, grande e arredondada, sem prolongamentos para cima e para baixo. Faixa longitudinal preta, mais evidente após a mancha umeral, mais larga sobre o pedúnculo caudal, formando uma mancha horizontalmente alongada, que pode se prolongar fracamente sobre os raios caudais medianos. Nadadeiras hialinas, normalmente com pigmentos escuros dispersos em seus terços distais. Boca subterminal.

Altura do corpo contida 2,9 a 3,6* e do pedúnculo caudal 8,2 a 9,5* vezes no CP; comprimento da cabeça contido 3,6 a 4,0*, pré-dorsal 1,9 a 2,0* e do pedúnculo caudal 5,5 a 6,8* vezes no CP. Comprimento do focinho contido 3,6 a

4,4*, diâmetro orbital 2,6 a 3,3* e distância interorbital 3,4 a 4,0* vezes no CC.

Possui 4* dentes na série interna do pré-maxilar, com 3 a 5* cúspides. Série externa com 3* dentes, com 3* cúspides, e maxilar com 3 a 5* dentes contendo 1 a 3* cúspides. Linha lateral completa com 37 a 39* escamas, 5* séries de escamas acima e 3½ a 4* abaixo da linha lateral. Nadadeira dorsal com ii+8* raios, peitoral com i+11 ou 12*, pélvica com i+7* e anal com iii-iv+ 21 a 24* raios. Apresenta 4 a 5* rastros branquiais superiores e 9* inferiores.

Sua distribuição geográfica é aparentemente restrita à bacia hidrográfica do rio Iguaçu. Não há estudos disponíveis sobre sua biologia. Antes de sua descrição, esta espécie era conhecida na bacia do rio Iguaçu como Bryconamericus sp. B, a partir de Garavello, Pavanelli e Suzuki (1997).

*Azpelicueta, Casciotta e Almirón (2003)

Bryconamericus sp.

Lambarizinho

 

Comprimento padrão 50,1 mm

Corpo bege-claro, mais escuro dorsalmente, prateado quando em vida. Mancha umeral castanho-escura, difusa e verticalmente alongada, às vezes com pequenos prolongamentos para cima e para baixo. Faixa longitudinal preta, mais larga sobre o pedúnculo caudal, formando uma mancha arredondada ou horizontalmente alongada, que pode prolongar-se fracamente sobre os raios caudais medianos. Nadadeiras hialinas, normalmente com pigmentos escuros dispersos em seus terços distais. Boca subterminal.

Altura do corpo contida 3,2 a 3,7 e do pedúnculo caudal 9,3 a 10,5 vezes no CP; comprimento da cabeça 4,0 a 4,3, pré-dorsal 1,9 a 2,0 e do pedúnculo caudal 8,4 a 9,7 vezes no CP. Comprimento do focinho contido 4,0 a 5,0, diâmetro orbital 2,4 a 2,8 e distância interorbital 3,1 a 3,7 vezes no CC.

Possui 4 dentes com 3 cúspides na série interna do pré-maxilar. Série externa com 3 ou 4 dentes e 2 ou 3 dentes no maxilar. Linha lateral completa com 37 ou 38 escamas, 5½ séries de escamas acima e 4½ ou 5 séries abaixo da linha lateral. Nadadeira dorsal com ii+8 raios, peitoral com i+11 a 13, pélvica com i+7 e anal com ii+17 a 20 raios. Apresenta 6 ou 7 rastros branquiais superiores e 7 a 9 inferiores.

Esta espécie inicia a atividade reprodutiva com CP=45,0 mm tanto para machos como para fêmeas (SUZUKI; AGOSTINHO, 1997). Sua distribuição geográfica é aparentemente restrita à bacia do rio Iguaçu.

Cyanocharax aff. alburnus (Hensel,1870) Lambarizinho

Comprimento padrão 58,6 mm

Corpo esbranquiçado abaixo da linha lateral, amarelado acima, com concentração de pigmentos escuros na região dorsal do corpo e cabeça. Nadadeiras hialinas com poucos pigmentos escuros dispersos. Mancha umeral preta, pequena e alongada verticalmente. Faixa longitudinal larga e escura, às vezes formando uma mancha preta horizontalmente alongada sobre o pedúnculo caudal, estendendo-se sobre os raios caudais medianos. Boca terminal.

Altura do corpo contida 3,1 a 3,7 e do pedúnculo caudal 10,4 a 12,2 vezes no CP; comprimento da cabeça contido 4,5 a 4,9, pré-dorsal 1,8 a 1,9 e do pedúnculo caudal 7,1 a 8,5 vezes no CP. Comprimento do focinho contido 4,2 a 5,6, diâmetro orbital 2,1 a 2,5 e distância interorbital 2,6 a 3,1 vezes no CC.

Possui 4 ou 5 dentes com 5 cúspides na série interna do pé-maxilar. Série externa com 3 a 5 dentes e 1 ou 2 dentes no maxilar. Linha lateral completa com 35 a 37 escamas, 5 ou 5½ séries de escamas acima e 4 abaixo da linha lateral. Nadadeira dorsal com ii+8 raios, peitoral com i+10 a 12, pélvica com i+6 e anal com ii+22 a 24 raios.

Apresenta 7 a 9 rastros braquiais superiores e 10 a 12 inferiores.

Alimenta-se de insetos terrestres (DELARIVA, 2002) e seu período reprodutivo ocorre de setembro a novembro (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ, 2002). Descrita do Rio Grande do Sul e considerando sua distribuição geográfica original, que não inclui a bacia do rio Iguaçu, esta espécie era conhecida no Iguaçu como Bryconamericus sp. C, a partir de Garavello, Pavanelli e Suzuki (1997). Entretanto, após comparações com a descrição original e exame por Luiz Roberto Malabarba (informação verbal), verificamos que o número de raios da nadadeira pélvica (i+6) difere do encontrado nos Bryconamericus (i+7) e confere com a diagnose do novo gênero.

Análises morfológicas e moleculares realizadas por Felipe A. S. Santos, Nelson Fagundes e Luiz R. Malabarba revelaram que as populações do rio Iguaçu diferem das do Rio Grande do Sul no número de raios das nadadeiras anal e peitoral. Esta espécie é aparentemente nova, está em estudo por Malabarba e colaboradores, e é aqui chamada de C. aff. alburnus.

Mimagoniates microlepis (Steindachner, 1877) Piabinha

Comprimento padrão 50,0 mm

Corpo castanho-claro, mais escuro na região acima da faixa longitudinal, a qual é castanho-escura, larga e se inicia após a mancha umeral. Possui uma faixa preta e estreita no dorso do corpo, que se estende do final da nadadeira dorsal até o final dos primeiros raios do lobo superior da nadadeira caudal, e pigmentação escura nas extremidades das nadadeiras anal e pélvica. Boca superior, com a fenda inclinada para baixo. Origem da nadadeira dorsal posterior à vertical que passa sobre a origem da nadadeira anal, cuja base não apresenta bainha de escamas. Os machos adultos apresentam as escamas da base da nadadeira caudal modificadas.

Altura do corpo contida 3,3 a 3,7 e do pedúnculo caudal 7,3 a 8,9 vezes no CP; comprimento da cabeça contido 4,3 a 4,5 e pré-dorsal 1,6 a 1,8 vezes no CP. Comprimento do focinho contido 4,1 a 4,7, diâmetro orbital 2,6 a 2,8 e distância interorbital 3,1 a 3,5 vezes no CC.

Possui duas séries de dentes no pré-maxilar pouco definidas, sendo a externa com 2 a 6 e a interna com 4 a 6 dentes e 3 a 6 dentes no maxilar. Linha lateral incompleta com 6 a 8 escamas perfuradas, linha longitudinal com 43 a 46* escamas. Nadadeira dorsal com 9 ou 10 raios, peitoral com 10 ou 11, pélvica com 7 e anal com 30 a 34* raios.

Apresenta hábito alimentar constituído basicamente por artrópodes alóctones, principalmente insetos e microcrustáceos (LAMPERT; AZEVEDO; FIALHO, 2003). Os machos adultos possuem uma estrutura complexa resultante de uma modificação de escamas e raios da nadadeira caudal, formando o chamado órgão caudal. Anteriormente alocada na subfamília Glandulocaudinae, depois incertae sedis em Characidae, é incluída em Stevardiinae após validação e redefinição da subfamília