Peixes do baixo rio Iguaçu
Callichthyidae
FAMÍLIA Callichthyidae
Esta família é caracterizada por apresentar espécies com duas séries de placas na lateral do corpo, linha lateral reduzida, osso antiorbital lacrimal ausente, séries infraorbital reduzidas para dois ossos e dentes pré-maxilares ausentes nos adultos. Uma importante característica dos indivíduos dessa família é a presença de órgão acessório à respiração, localizado no intestino, o que lhes dá condição de sobrevivência em situação de anoxia (REIS, 2003). Entre as espécies que compõem esta família, no baixo rio Iguaçu, são encontradas três nativas, Corydoras carlae, C. ehrhardti e C. aff. paleatus, e duas espécies não nativas, Callichthys callichthys e Hoplosternum littorale.
Callichthys callichthys (Linnaeus, 1758) Tamboatá, caboja
Comprimento padrão 87,6 mm
Corpo cinza-escuro, pouco mais claro na região ventral, nadadeiras com pigmentos escuros dispersos, principalmente sobre os raios. Corpo alongado e coberto por duas séries de placas laterais altas, as quais são ausentes na região abdominal. Boca terminal. Ossos coracoides cobertos por uma pele espessa, barbilhões relativamente longos e nadadeira caudal truncada.
Altura do corpo contida 3,9 a 5,5, do pedúnculo caudal 5,7 a 7,1 e comprimento da cabeça 3,6 a 4,2 vezes no CP. Comprimento do focinho contido 2,1 a 2,4, do acúleo dorsal 1,4 a 1,9, diâmetro orbital 8,7 a 10,8 e distância interorbital 1,4 a 1,6 vezes no CC.
Nadadeira dorsal com I+7 raios, peitoral com I+7, pélvica e anal com 6 raios. Possui 28 a 30 placas dérmicas na série lateral superior, 26 a 27 na inferior e linha lateral incompleta, com 3 poros na série lateral superior.
Esta espécie possui ampla distribuição geográfica, sendo encontrada nas bacias hidrográficas dos rios Amazonas, Araguaia, Paraguai, Uruguai, Madeira, São Francisco, Paraná e bacias costeiras do sul e do sudeste (BRITTO, 2007). Provavelmente tenha sido introduzida na bacia do rio Iguaçu, por ser utilizada por alguns pescadores como isca viva. Na planície de inundação do alto rio Paraná, esta espécie é encontrada em riachos, lagoas e canais, e alimenta-se de pequenos peixes, insetos e vegetais (HAHN; FUGI; ANDRIAN, 2004).
Chave para espécies de Corydoras
1. Nadadeiras com coloração uniforme, sem pintas ou manchas
…………… C. ehrhardti
1’. Nadadeiras com pintas pretas ou castanho-escuras
……………………………………………. 2
2. Lateral do corpo com muitas pintas e algumas manchas
castanho-escuras, irregulares; nadadeira dorsal castanho-escura distalmente ……………..C. carlae
2’. Lateral do corpo com três grandes manchas pretas ou castanho-
escuras bem definidas e outras manchas menores, mas sem pintas pulverizadas entre as manchas; nadadeira dorsal com
pintas castanho-escuras pequenas e difusas, às vezes unidas, formando faixas irregulares …………………………………. C. aff. paleatus
Corydoras carlae Nijssen & Isbrücker, 1983 Coridoras, limpa-vidro
Comprimento padrão 48,8 mm
Corpo amarelado, com manchas castanho-escuras irregulares distribuídas por todo o corpo, uma mancha preta evidente na origem das nadadeiras dorsal e adiposa. Nadadeiras com pequenas pintas castanhas dispersas, às vezes formando faixas na caudal. Corpo curto e coberto por duas séries de placas laterais altas, boca subterminal. Ossos do coracoide expostos, barbilhões relativamente curtos e nadadeira caudal bifurcada.
Altura do corpo contida 2,7 a 3,0, do pedúnculo caudal 6,7 a 7,8 e comprimento da cabeça 3,2 a 3,5 vezes no CP. Comprimento do focinho contido 2,0 a 2,4, do acúleo dorsal 0,9 a 1,1, diâmetro orbital 3,3 a 3,7 e distância interorbital 2,7 a 3,0 vezes no CC.
Nadadeira dorsal com I+7 ou 8 raios, peitoral com I+7 ou 8, pélvica com 6 e anal com 6 ou 7 raios. Possui 23 a 24 placas dérmicas na série lateral superior e 20 a 22 na inferior e linha lateral incompleta, com 3 ou 4 poros na série lateral superior.
Esta espécie apresenta distribuição geográfica restrita à bacia hidrográfica do rio Iguaçu (BRITTO, 2007).
Corydoras ehrhardti Steindachner, 1910 Coridoras, limpa-vidro
Comprimento padrão 53,6 mm
Corpo amarelado, com três grandes manchas pretas laterais irregulares, uma logo após o opérculo, uma abaixo da nadadeira adiposa e outra menor e mais difusa sobre o pedúnculo caudal. Região dorsal com uma mancha preta evidente na origem das nadadeiras dorsal e adiposa e nadadeiras com pigmentação escura dispersa, não formando pintas nem listras. Corpo curto e coberto por duas séries de placas laterais altas, boca subterminal. Ossos do coracoide expostos, barbilhões relativamente curtos e nadadeira caudal bifurcada.
Altura do corpo contida 2,8 a 3,2, do pedúnculo caudal 7,4 a 8,3 e comprimento da cabeça 3,2 a 3,6 vezes no CP. Comprimento do focinho contido 1,8 a 2,2, do acúleo dorsal 1,1 a 1,6, diâmetro orbital 3,3 a 3,7 e distância interorbital 2,1 a 2,4 vezes no CC.
Nadadeira dorsal com I+7 ou 8 raios, peitoral com I+7, pélvica com 6 e anal com 6 ou 7 raios. Possui 23 ou 24 placas dérmicas na série lateral superior e 20 ou 21 na inferior e linha lateral incompleta, com 3 ou 4 poros na série lateral superior.
Essa espécie é encontrada nos rios Iguaçu, Paranapanema e rios das bacias costeiras, desde o rio Ribeira de Iguape até o rio Itajaí-Mirim (BRITTO, 2007). Ocorre também na bacia do rio Iguaçu onde é facilmente capturada. No capítulo sobre a ictiofauna do reservatório de Segredo, esta espécie foi chamada de Corydoras sp. (GARAVELLO; PAVANELLI; SUZUKI, 1997).
Corydoras aff. paleatus (Jenyns, 1842) Coridoras, limpa-fundo
Comprimento padrão 60,0 mm
Corpo amarelado, com três grandes manchas pretas laterais irregulares, uma logo após o opérculo, uma abaixo da nadadeira adiposa e outra menor e mais difusa sobre o pedúnculo caudal. Região dorsal com uma mancha preta evidente na origem das nadadeiras dorsal e adiposa e nadadeiras com pintas pretas, às vezes unidas formando listras, sobretudo na caudal. Corpo curto e coberto por duas séries de placas laterais altas, boca subterminal. Ossos do coracoide expostos, barbilhões relativamente curtos e nadadeira caudal bifurcada.
Altura do corpo contida 2,6 a 3,2, do pedúnculo caudal 7,1 a 8,8 e comprimento da cabeça 2,9 a 3,6 vezes no CP. Comprimento do focinho contido 1,9 a 2,4, do acúleo dorsal 0,8 a 1,4, diâmetro orbital 3,3 a 4,1 e distância interorbital 2,1 a 2,6 vezes no CC.
Nadadeira dorsal com I+7 ou 8 raios, peitoral com I+7 ou 8, pélvica e anal com 6 raios. Possui 22 a 24 placas dérmicas na série lateral superior e 20 ou 21 na inferior e linha lateral incompleta, com 3 ou 4 poros na série lateral superior.
No reservatório de Segredo esta espécie foi considerada bentófaga, alimentando-se principalmente de insetos e detritos de sedimentos (HAHN; FUGI; ALMEIDA; RUSSO; LOUREIRO, 1997), porém, pode utilizar outros recursos, como microinvertebrados, que no reservatório de Salto Caxias constituíram a base de sua dieta (DELARIVA, 2002). A reprodução ocorre durante o ano todo, com maior intensidade entre julho e setembro
(UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, 2010). Segundo estes autores, os menores indivíduos em reprodução foram registrados com CP=42,0 mm nas fêmeas e CP=45,0 mm nos machos. Os machos apresentam um prolongamento dos primeiros raios ramificados das nadadeiras dorsal e peitorais. No reservatório de Segredo, as fêmeas têm seu comprimento
de primeira maturação a partir de CP=41,0 mm (SUZUKI; AGOSTINHO, 1997). Exemplares de C. paleatus são encontrados nas bacias dos rios Uruguai, Paraná e costeiras, desde o rio Itapocu até a Laguna dos Patos (BRITTO, 2007), além da bacia do rio Iguaçu, onde é muito comum. No entanto, há uma suspeita de que as populações atualmente identificadas como C. paleatus ao longo destas bacias devam pertencer a um complexo de espécies (SHIBATTA; HOFFMANN, 2005), o qual está sendo estudado por Luiz Tencatt e Carla Pavanelli, por isso a utilização aqui da partícula aff., considerando a espécie do Iguaçu como endêmica e diferente das de outras bacias.
Hoplosternum littorale (Hancock, 1828) Tamboatá, caboja
Comprimento padrão 171,0 mm
Corpo cinza-escuro, mais claro na região ventral, nadadeiras com pigmentos escuros dispersos, principalmente sobre os raios. Corpo alongado e coberto por duas séries de placas laterais altas, as quais são ausentes na região abdominal e boca terminal. Ossos coracoides expostos, não cobertos por pele, barbilhões relativamente longos e nadadeira caudal bifurcada.