Peixes do baixo rio Iguaçu
Heptapteridae
FAMÍLIA Heptapteridae
A família Heptapteridae, proposta na década de 90 e amplamente aceita, ainda apresenta problemas de ordem taxonômica (BOCKMANN; GUAZZELLI, 2003), tendo em vista que seus exemplares possuem grandes semelhanças com os da família Pimelodidae, das quais podem ser diferenciados por apresentar o canal látero-sensorial cefálico não ramificado. Em algumas regiões do país os exemplares de menor porte são utilizados por aquariofilistas, enquanto os de maior porte são muito apreciados na pesca comercial (GRAÇA; PAVANELLI, 2007). No rio Iguaçu não é registrada atividade comercial referente a essa família, mas seus exemplares são muito apreciados por pescadores locais e ribeirinhos, o que denota um enorme potencial para essa atividade. Em geral, são de pequeno a grande porte, apresentam três pares de barbilhões (um maxilar e dois mentonianos), nadadeira adiposa bem desenvolvida, corpo desprovido de placas ou escamas, membrana branquial não unida ao istmo e abertura branquial ampla (BOCKMANN; GUAZZELLI, 2003). No baixo rio Iguaçu ocorrem os gêneros Heptapterus, “Pariolius” e Rhamdia.
Heptapterus sp.
Bagre-da-pedra
Comprimento padrão 166,1 mm
Corpo e nadadeiras marrom-acinzentados, mais claro no ventre. Corpo alongado, arredondado próximo à cabeça, comprimido na região da base da nadadeira adiposa, a qual é bem longa, cabeça deprimida e boca subterminal.
Altura do corpo contida 7,2 a 9,7, do pedúnculo caudal 12,0 a 14,5, comprimento da cabeça 4,8 a 5,5, da base da nadadeira anal 4,5 a 5,5 e da base da nadadeira adiposa 2,6 a 2,8 vezes no CP. Comprimento do focinho contido 2,3 a 2,6, diâmetro orbital 6,8 a 9,0 e distância interorbital 4,3 a 5,5 vezes no CC.
Nadadeira dorsal com 7 raios, peitoral com 8 ou 9, pélvica com 6 e anal com 16 a 18 raios.
A distribuição geográfica desta espécie provavelmente é restrita à bacia hidrográfica do rio Iguaçu. Heptapterus stewarti Haseman, 1911, descrita do alto rio Iguaçu, diferencia-se dessa espécie por apresentar uma nadadeira anal longa, com a base contida menos que 3,4 vezes no CP e com mais de 25 raios. Entretanto, este nome foi utilizado por Garavello, Pavanelli e Suzuki (1997) para designar esta espécie. Em estudo por Flávio A. Bockmann.
Chave para espécies de “Pariolius”
1. Nadadeira dorsal com oito raios
……………………………………… “P”. hollandi
1’. Nadadeira dorsal com sete raios
……………………………………… “Pariolius” sp.
“Pariolius” hollandi (Haseman, 1911) Bagre-pedra, guasco
Comprimento padrão 111,1 mm
Corpo marrom a cinza-escuro, claro na região ventral e nadadeiras cinza-claras. Corpo alongado, deprimido na região da cabeça e comprimido no pedúnculo caudal, nadadeira adiposa longa e boca terminal.
Altura do corpo contida 6,7 a 9,9, do pedúnculo caudal 12,1 a 15,8, comprimento da cabeça 4,1 a 5,4, da base da nadadeira anal 6,7 a 8,7 e da nadadeira adiposa 2,8 a 3,6 vezes no CP. Comprimento do focinho contido 2,3 a 2,6, diâmetro orbital 5,2 a 8,1 e distância interorbital 6,1 a 8,2 vezes no CC.
Nadadeira dorsal com 8 raios, peitoral com 9 ou 10, pélvica com 6 e anal com 10 ou 11 raios.
A distribuição geográfica desta espécie provavelmente é restrita à bacia hidrográfica do rio Iguaçu (BOCKMANN; GUAZZELLI, 2003). Pertence a um gênero que está sendo descrito por Flávio A. Bockmann. Durante o processo de descrição, ele sugeriu a utilização do nome “Pariolius” entre aspas, indicando que o nome do gênero está sendo utilizado apenas provisoriamente (Flávio A. Bockmann, comunicação pessoal).
“Pariolius” sp.
Bagre-pedra, guasco
Comprimento padrão 178,0 mm
Corpo marrom a cinza-escuro, claro na região ventral e nadadeiras cinza-claras. Corpo alongado, deprimido na região da cabeça e comprimido no pedúnculo caudal, nadadeira adiposa longa e boca terminal.
Altura do corpo contida 7,0 a 8,8, do pedúnculo caudal 10,1 a 15,9, comprimento da cabeça 3,9 a 5,3, da base da nadadeira anal 5,9 a 8,1 e da base da nadadeira adiposa 3,0 a 3,7 vezes no CP. Comprimento do focinho contido 2,4 a 2,6, diâmetro orbital 6,1 a 7,9 e distância interorbital 5,9 a 8,1 vezes no CC.
Nadadeira dorsal com 7 raios, peitoral com 9 ou 10, pélvica com 6 e anal com 10 a 13 raios.
A distribuição geográfica desta espécie provavelmente é restrita à bacia hidrográfica do rio Iguaçu. Pertence a um gênero que está sendo descrito por Flávio A. Bockmann. Durante o processo de descrição, ele sugeriu a utilização do nome “Pariolius” entre aspas, indicando que o nome do gênero está sendo utilizado apenas provisoriamente (Flávio A. Bockmann, comunicação pessoal).
Chave para espécies de Rhamdia
1. Perfil convexo entre o processo supraoccipital e a nadadeira
dorsal …. Rhamdia sp.
1’. Perfil reto entre o processo supraoccipital e a nadadeira dorsal
………………….. 2
2. Nadadeira dorsal alcança a adiposa, quando adpressa
………………………… R. voulezi
2’. Nadadeira dorsal não alcança a adiposa, quando adpressa
…………… R. branneri
Rhamdia branneri Haseman, 1911 Bagre, jundiá
Comprimento padrão 360,0 mm
Corpo e nadadeiras cinzas, mais claro na região ventral. Corpo alongado, arredondado próximo à cabeça, comprimido na região da base da nadadeira adiposa, cabeça deprimida, adiposa longa e boca terminal.
Altura do corpo contida 3,9 a 4,2, do pedúnculo caudal 7,6 a 10,0, comprimento da cabeça 3,6 a 3,7, base da nadadeira anal 6,9 a 9,0 e base da nadadeira adiposa 2,9 a 3,4 vezes no CP. Comprimento do focinho contido 2,3 a 2,5, diâmetro orbital 5,8 a 6,9 e distância interorbital 2,9 a 3,4 vezes no CC.
Nadadeira dorsal com 7 a 9 raios, peitoral com 9 ou 10, pélvica com 6 e anal com 9 a 11 raios.
Essa espécie é considerada piscívora na região do baixo rio Iguaçu, podendo utilizar outros itens, como crustáceos do gênero Aegla (HAHN; FUGI; ALMEIDA; RUSSO; LOUREIRO, 1997. A reprodução ocorre entre setembro e março, mais intensamente entre outubro e dezembro, sendo que seus indivíduos iniciam a reprodução com CP=112,0 mm nos machos e CP=140,0 mm nas fêmeas (SUZUKI; AGOSTINHO, 1997).
A distribuição geográfica dessa espécie é restrita à bacia hidrográfica do rio Iguaçu, tendo sido registrada por Garavello, Pavanelli e Suzuki (1997), no reservatório de Segredo, por Universidade Estadual de Maringá (2002) no reservatório de Salto Caxias e por Baumgartner, Baumgartner, Pavanelli, Silva, Frana, Oliveira e Michelon (2006), nos reservatórios de Salto Santiago e Salto Osório. Essa espécie foi considerada como sinônima de Rhamdia quelen por Silfvergrip (1996), mas o autor não examinou material da bacia do rio Iguaçu. Considerando o endemismo da ictiofauna desta bacia e os estudos genéticos de Abucarma e Martins-Santos (2001), que apontaram diferenças cariotípicas entre as espécies desta bacia, R. branneri é aqui considerada como válida.
Rhamdia voulezi Haseman, 1911 Bagre, jundiá
Comprimento padrão 320,0 mm
Corpo e nadadeiras cinzas, mais claro na região ventral. Corpo alongado, arredondado próximo à cabeça, comprimido na região da base da nadadeira adiposa, cabeça deprimida, adiposa longa e boca terminal.
Altura do corpo contida 4,1 a 5,4, do pedúnculo caudal 8,3 a 9,5, comprimento da cabeça 3,5 a 3,9, da base da nadadeira anal 6,8 a 8,8 e da base da nadadeira adiposa
2,5 a 3,0 vezes no CP. Comprimento do focinho contido 2,3 a 2,5, diâmetro orbital 4,9 a 7,0 e distância interorbital 2,6 a 3,5 vezes no CC.
Nadadeira dorsal com 7 a 9 raios, peitoral com 9 ou 10, pélvica com 6 e anal com 9 ou 10 raios.
Essa espécie é considerada piscívora na região do baixo rio Iguaçu, podendo utilizar outros itens, como crustáceos do gênero Aegla (HAHN; FUGI; ALMEIDA; RUSSO; LOUREIRO, 1997; UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, 2006, 2008, 2009, 2010). A reprodução ocorre entre setembro e fevereiro, mais intensamente entre novembro e dezembro (SUZUKI; AGOSTINHO, 1997). Os menores indivíduos em atividade reprodutiva foram registrados com CP=170,0 mm nas fêmeas e CP=190,0 mm nos machos (UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, 2008b, 2009a, 2009b).
A distribuição geográfica dessa espécie é restrita à bacia hidrográfica do rio Iguaçu, tendo sido registrada em vários ambientes por Garavello, Pavanelli e Suzuki (1997), Universidade Estadual de Maringá (2002) e Baumgartner, Baumgartner, Pavanelli, Silva, Frana, Oliveira e Michelon (2006). Essa espécie foi considerada como sinônima de Rhamdia quelen por Silfvergrip (1996), mas o autor não examinou material da bacia do rio Iguaçu. Considerando o endemismo da ictiofauna desta bacia e os estudos genéticos de Abucarma e Martins-Santos (2001), que apontaram diferenças cariotípicas entre as espécies desta bacia, R. voulezi é aqui considerada como válida.
Rhamdia sp.
Bagre, jundiá
Comprimento padrão 114,7 mm
Corpo e nadadeiras marrom-acinzentados, mais claro na região ventral, com várias pintas marrons ao longo do corpo. Corpo alongado, arredondado próximo à cabeça, comprimido na região da base da nadadeira adiposa, a qual é longa, cabeça deprimida e boca terminal.
Altura do corpo contida 4,4 a 5,3, do pedúnculo caudal 7,5 a 8,6, comprimento da cabeça 3,8 a 4,2, da base da nadadeira anal 5,9 a 7,6 e da base da nadadeira adiposa 2,6 a 3,0 vezes no CP. Comprimento do focinho contido 2,4 a 2,6, diâmetro orbital 4,5 a 5,4 e distância interorbital 3,1 a 3,7 vezes no CC.
Nadadeira dorsal com 7 ou 8 raios, peitoral com 9 ou 10, pélvica com 6 e anal com 11 a 13 raios.
Essa espécie é considerada piscívora na região do baixo rio Iguaçu, podendo utilizar outros itens, como crustáceos do gênero Aegla (HAHN; FUGI; ALMEIDA; RUSSO; LOUREIRO, 1997; UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, 2006). A distribuição geográfica dessa espécie provavelmente é restrita à bacia hidrográfica do rio Iguaçu, tendo sido registrada em vários ambientes por Garavello, Pavanelli e Suzuki (1997), Universidade Estadual de Maringá (2002) e Baumgartner,