Racismo religioso em escolas da Bahia: autoafirmação e inclusão de crianças e jovens de terreiro
Entrevistas: sacerdotes e crianças e jovens dos terreiros
Vale lembrar que o terreiro de Candomblé, no momento do seu nascimento, precisava estar localizado distante do centro da cidade, pois era preciso fugir da forte perseguição das autoridades policiais que não permitia a realização de cerimônias religiosas desse tipo.
A história da Casa de Òsùmàrè remete à época da formação do candomblé no Brasil. A sua origem remonta ao início do século XIX e foi marcada pela luta e resistência de africanos escravizados que, obrigados a abandonarem suas terras e laços familiares, não renunciaram à sua cultura e fé. Seu fundador Bàbá Tàlábí, oriundo da antiga cidade Kpeyin Vedji, localizada a noroeste de Abomey, aportou em Salvador em 1795 na condição de escravizado. Foi um sacerdote com grande propriedade para introduzir e difundir o culto aos Òrìsà no Brasil, por pertencer a uma das mais relevantes famílias de Culto à Sakpata (Ajunsún), na África. Após curar seu senhor através da ciência Yorùbá, passa a viver como liberto e se dedica ao comércio iniciando trocas entre a capital e o recôncavo baiano. Por volta de 1820, na Cidade de Cachoeira, Bàbá Tàlábí ajuda a fundar o culto a Ajunsún no calundu do Obi Tedó (“fundação da família”). Este local tornar-se-ia a referência primordial da Casa de Òsùmàrè no Brasil (2012).
5.2 Entrevistas: sacerdotes e crianças
e jovens dos terreiros
Inicialmente, foram realizadas consultas aos Babalorixás dos Terreiros escolhidos, já mencionados acima, para confirmar o interesse e conveniência em participarem da pesquisa e autorizarem, formalmente, as entrevistas com as crianças e jovens das Casas. Foram assinados, como é recomendado pelas convenções acadêmicas, os Termos de Concordância.
Após os acordos estabelecidos, foram realizadas as entrevistas com cada um dos Pais de Santo. Passa-se a apresentar, a seguir, o resultado destas entrevistas realizadas com os Sacerdotes: Pai Gildo de Obaluayê, do Terreiro Ilê Axé Odara, em Itabuna, e Babalorixá Pecê de Oxumarê, do Terreiro de Oxumarê, em Salvador.