Racismo religioso em escolas da Bahia: autoafirmação e inclusão de crianças e jovens de terreiro

Terreiros Ilê Axé Odara e Ilê Axé Oxumarê

Em seguida, serão detalhadas as entrevistas realizadas nos dois terreiros escolhidos, com as crianças e jovens e o Sacerdote de cada Terreiro.

 

5.1 Terreiros Ilê Axé Odara e Ilê Axé

 

Oxumarê

 

A pesquisa direta ocorreu principalmente por meio de observações e de questionários realizados nos Terreiros selecionados, sendo um no município de Itabuna, Ilê Axé Odara, e outro em Salvador, Ilê Axé Oxumarê, conforme já mencionado. A escolha do primeiro local se justifica por estar situado na região Sul da Bahia, em Itabuna, onde está localizada a UFSB. A orientação inicial foi que este autor mantivesse o foco dos estudos no mesmo território em que cursou os componentes curriculares, para facilitar seu trabalho. O outro espaço religioso escolhido, em Salvador, foi em função de ser já frequentado pelo pesquisador desde o ano de

2007, como relatado no capítulo 4 desta obra.

A parte da pesquisa relacionada às fontes orais de investigação teve início na cidade de Itabuna, região Sul do estado da Bahia, que está localizada a cerca de 426 quilômetros de distância da capital da Bahia, ou a 333 quilômetros via ferry boat. Possui área total de 432.244 km² e é o quinto município mais populoso da Bahia, e no Nordeste brasileiro ocupa o décimo lugar. Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2018, alcançou 212.740 habitantes (IBGE, 2018).

Esse Terreiro pesquisado está localizado atualmente na Rua José Alves Franco, n.º 1355, Bairro São Roque, área periférica e popular da cidade. O Ilê Axé Odara, Casa de Candomblé da nação Angola, tem como seu líder espiritual (Babalorixá) Pai Gildo de Kaulange (Obaluayê). A origem da Casa se deu há cerca de 40 anos, inicialmente no Bairro de Fátima, próximo à localização atual do Ilê. O Terreiro consiste em uma instituição religiosa e social, sem fins lucrativos que, além das atividades sagradas de religião de matriz africana, utiliza o espaço para outras atividades culturais, como a prática da capoeira, maculelê, samba de roda, realização de curso de formação e profissionalização de costura e bordado, oficinas de cabelos crespos e de fabricação de instrumentos, como atabaques e agogôs.

As fotos abaixo (Figuras 18 e 19) apresentam o Barracão do Terreiro, local onde são realizadas as cerimônias públicas para homenagear os Orixás.

 

Figura 18 Ilê Axé Odara

Fonte: Dados do pesquisador.

Figura 19 Ilê Axé Odara em festa.

Fonte: Dados do autor

 

Conforme visto anteriormente, a segunda instituição religiosa escolhida para participar da pesquisa oral, a Casa de Oxumarê, é o Terreiro que o autor frequenta e tem o cargo de Ogã suspenso para o Orixá Yemanjá. Esta Casa situa-se na Avenida Vasco da Gama, n. 343, bairro Federação, na cidade de Salvador, Bahia.

A cidade de Salvador, primeira capital do Império Português no Brasil, foi fundada em 1549 pelo primeiro governador geral do Brasil, Tomé de Souza. Localizada inicialmente na Baía de Todos os Santos, foi construída de forma estratégica, aproveitando sua estrutura geográfica, assim, foi dividida em duas partes, uma baixa, voltada para as atividades comerciais, e uma alta, local da administração municipal e de defesa.

Com o passar do tempo, a cidade avançava na direção norte, ocupando áreas do centro histórico, e na direção sul, tomando as regiões de vales onde surgiram grandes fazendas, que com seus desmembramentos foram formando regiões periféricas e ocupadas por uma população simples e de maioria negra. Uma das regiões formadas foi a antiga Estrada Dois de julho, hoje Avenida Vasco da Gama, onde há cerca de 180 anos nasceu a Casa de Oxumarê

(Figuras 20 e 21), um dos terreiros mais antigos da cidade, atualmente liderado pelo Babalorixá Babá Pecê.

 

Figura 20 Fachada da Casa de Oxumarê.

Fonte: Site Ilê Axé Oxumarê, s.d

Figura 21 Casa de Oxumarê.

Fonte: Site Ilê Axé Oxumarê, s.d 5.2.1 Sacerdotes