Televisão Digital: informação e conhecimento

Maria Cristina Gobbi · Capítulo 2 de 17

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Televisão Digital: informação e conhecimento

Apresentação - Televisão Digital: o desafio da educação profissional

Apresentação

 

Televisão Digital: o desafio da

educação profissional

 

Maia Cristina Gobbi 1 2 ; Maria Teresa Miceli Kerbauy

Esta publicação é resultado de um grande esforço do Programa de Pós-Graduação em Televisão Digital, da Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho" (Unesp). Chamamos de resultado do esforço não pelo trabalho de organização do material que tivemos, mas porque o livro traz reflexões de qualidade sobre o atual panorama da Televisão Digital no Brasil, um tema novo em nossa região, que ainda necessita de uma agenda de pesquisa intensa.

O que podemos afirmar é que estamos diante de uma nova realidade, resultado das rápidas mudanças tecnológicas e das transformações econômicas, políticas e sociais, que modificaram o país, na última década. Isso gerou uma abertura significativa do mercado profissional para a área da comunicação, demandando das empresas um nível mais expressivo de competitividade. Para atender essa exigência as corporações buscam profissionais com formação diferenciada, preferencialmente em níveis de pós-graduação, que sejam capazes de se adequarem às necessidades e aos desafios da sociedade contemporânea.

O reflexo disso é sentido nos programas de mestrados que necessitam não somente profissionais qualificados, mas ajustamento das diferentes demandas sociais quer nas orientações dos currículos, na adequação do corpo docente e discente, mas e também nas formas de fomento das agências financiadoras. Para atender à estas novas demandas diversas ações tem sido implementadas no âmbito da formação de nossos estudantes, permeadas por novos desafios do conhecimento e da pesquisa

descortinadas nestes novos cenários 3. A Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho" (Unesp), não poderia ficar fora deste panorama e cria em 2008, o Programa de Pós-Graduação (Profissional) Stricto Sensu em Televisão Digital, no campus Bauru, aprovado pela Capes neste mesmo ano

Os mestrados profissionais, embora tenham iniciado a menos de 20 anos no Brasil, têm se constituído em um enorme desafio não só para a comunidade científica e para as instituições de ensino, mas também para a sociedade que absorve esses pesquisadoresprofissionais. É possível afirmar que essa modalidade de ensino já se constitui como um fenômeno mundial e para o caso brasileiro, é "Política de Estado", conforme afirmou recentemente Jorge A. Guimarães, em entrevista concedida para diversos veículos de comunicação do país. A declaração de Guimarães pode ser respaldada pelas palavras de Fernando Haddad (Ministro da Educação), que diz: "Vamos transformar o mestrado profissional em política de Estado, fazer um modelo diferente". Jorge Guimarães reforça as palavras do Ministro Haddad ao dizer "(...) Batemos o martelo: vamos transformar o mestrado profissional em modelo de

indução4".

Avaliado pela Capes, o "mestrado profissional" é a designação que enfatiza estudos e técnicas diretamente voltadas ao desempenho de um alto nível de qualificação profissional. Os desafios consolidados nesses espaços objetivam responder a uma necessidade socialmente definida de capacitação profissional, com um enfoque

diferenciado daquela possibilitada pelo mestrado acadêmico. 5

Assim, podemos afirmar que estamos diante de um fato. Os mestrados profissionais já fazem parte do cenário de nossas instituições de ensino, especialmente as públicas. Essa modalidade de ensino se constitui em espaço singular para capacitar profissionais qualificados para o mercado profissional, amparados pelo rigor acadêmico e pelos fundamentos científicos.

Diante dos múltiplos reptos descritos acima foi que nasceu o Programa de Pós-Graduação em Televisão Digital: Informação e Conhecimento, de nossa Universidade, na cidade de Bauru, tendo como princípios norteadores básicos a edificação da Televisão Universitária Unesp, em Sistema Digital e a contribuição com o desenvolvimento do SBTVD-T (Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre). A tradição em pesquisa, extensão e atividade profissional da Unesp e da FAAC (Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação), em especial, se expressam na interação de diversas áreas do conhecimento em caráter complementar e multidisciplinar,

referendada por um corpo docente e discente de alta qualidade. 6

Os desafios da pesquisa têm se descortinado nas múltiplas atividades realizadas pelo Programa em Televisão Digital, bem como de sua interação e integração nos mais variados segmentos do mercado profissional e social, no cenário dos projetos em Televisão Digital Terrestre. Um exemplo dessa afirmação foi o 1º Simpósio Internacional de Televisão Digital (SIMTVD), realizado nos dias 18, 19 e 20 de novembro de 2009.

O evento procurou discutir as tecnologias digitais, em especial a televisão, percebendo os impactos da produção dos conteúdos em múltiplas plataformas, incluindo nesse âmbito as práticas de ensino a distância, além de sensibilizar e estimular pesquisadores, estudantes, professores e profissionais para a continuidade e o aprimoramento dos projetos em curso. Da mesma maneira, o 1º SIMTVD abordou, de forma significativa, o desafio de discutir e analisar o potencial econômico, social e cultural da produção de conteúdos para plataformas digitais, promovendo interação entre academia, produtores de conteúdo e empresas tecnológicas como espaço de desenvolvimento sustentável.

As atividades programadas mesclaram seminários, conferência, mesas temáticas, relatos de pesquisa, oficinas e grupos de trabalho. O evento reuniu representantes do Governo, de instituições e empresas públicas e privadas, além de profissionais, pesquisadores, professores e estudantes que têm no foco de suas atividades temas relacionados aos múltiplos contornos e desenhos das tecnologias digitais e do desenvolvimento do SBTVD-T.

O desafio dessa publicação surgiu, quase ao mesmo tempo, juntamente com o desenvolvimento do SIMTVD. Fizemos uma chamada para que pesquisadores pudessem apresentar suas investigações e os resultados estão sendo apresentados nessa publicação.

Dividido em duas partes: Parte I – Cultura, Diversidade, Tecnologias e Parte II –Processos, Experiências e Embates, a publicação, além da discussão sobre conceitos, culturas e paradigmas tecnológicos, busca evidenciar a aplicação real desses motes em cenários diversificados e amplos, como os demonstrados nas várias regiões do Brasil e as múltiplas possibilidades descortinadas pela Televisão Digital.

Assim, na primeira etapa estão contemplados os trabalhos: Nativos Digitais: autores na sociedade tecnológica, de Maria Cristina Gobbi; Políticas de Informação, Construção de Redes e Diversidade Cultural, de Maria Teresa Miceli Kerbauy; Cidades Radicais: Educação, tecnologia e participação através da TV Digital Interativa, de José Luís Bizelli; A Produção de Conteúdos Audiovisuais na Era Tecnológica, de Cosette Castro; Regulação e TV digital: acesso requer políticas de educação para a mídia, de Alexandra Bujokas de Siqueira e Danilo Rothberg; TV Digital: mobilidade democrática ou impositiva? de Jane A. Marques e Edson Leite; As tecnologias digitais e o desafio ao modelo de negócios da TV Digital Aberta no Brasil, de Francisco Machado Filho; A TV Digital Chegou! E com ela a Interatividade. Será? de Ariane Pereira e Cenários e Desafios da Digitalização para as TVs Públicas, de Diolinda Madrilena Feitosa Silva e Maria Cristina Gobbi.

Na segunda etapa da publicação, onde são relatadas experiências e aplicabilidade dos conceitos sobre a televisão e as tecnologias digitais, podemos encontrar os textos: (S)em direção à sociedade da informação: desafios brasileiros e espanhóis no processo de implantação da TDT, de Juliano Maurício de Carvalho e Mateus Yuri Passos; Gestão de Conteúdos Narrativos Televisivos: o Processo de Convergência Midiática Digital, Edvaldo Olécio de Souza e Maria Cristina Gobbi; TV Digital no Pará, Maria Ataide Malcher e Fernanda Chocron Miranda; TV Digital: a atuação das emissoras nos Estados brasileiros, Caroline Petian Pimenta Bono Rosa e Gladis Linhares Toniazzo; Discutindo o processo de transição do sinal televisivo analógico para o digital, Taís Marina Tellaroli e O Apagão Analógico "Switch-Off" na Europa e no Brasil: Confrontos e Desinformação, Diélen dos Reis Borges Almeida e Adriana Cristina Omena dos Santos.

Em uma sociedade regulada pela desigualdade social não há possibilidade em se construir um modelo único e ideal de educação e de informação, tão pouco definir formas exclusivas de preservação e difusão cultural. Assim, as tecnologias, como mediadoras das relações, possibilitam a promoção e a inclusão social para um contingente maior da população, mesmo que isso ainda precise ser ampliado em termos quali e quantitativos. E a educação, amparada pelos suportes digitais, ocupa um papel fundamental neste cenário de desenvolvimento. Ela deve ser percebida como uma dimensão social, onde delineia um sujeito com autonomia, capaz de exercer uma reflexão crítica e com possibilidade de edificar seu conhecimento, criando mecanismos comunicativos capazes de divulgar e promover sua cultura. É foi esse mote o fio condutor na organização do volume.

Podemos afirmar que estamos diante de uma nova realidade, uma nova postura, uma nova maneira de utilizar os recursos tecnológicos a serviço da sociedade, promovendo a educação, a inclusão e criando uma sociedade mais próxima de ser igualitária. E esse é o desafio que nos motiva, impulsiona e nos estimula.

Desejamos uma ótima leitura para todos!

1 Pós-Doutora pelo Prolam-USP (Universidade de São Paulo – Brasil), Doutora em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), Diretora-suplente da Cátedra Unesco de Comunicação. Professora do programa Pós-Graduação Stricto Sensu em TV Digital e Comunicação da Unesp/ Campus de Bauru. Coordenadora do Grupo de Pesquisa Pensamento Comunicacional Latino-Americano e Comunicação Digital e Interfaces Culturais na América do CNPq. Diretora de Documentação e coordenadora do GP "Mídia, Cultura e Tecnologias Digitais na América Latina" da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). Coordenadora adjunta e presidente do Comitê Científico do SIMTVD.

2 Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Pontifícia Católica de São Paulo. Bolsista Produtividade do CNPq. Professora do programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em TV Digital e Comunicação da Unesp/Campus de Bauru. Coordenadora do Grupo de Pesquisa Estado e Governo do CNPq.

3 Fonte: Mestrado no Brasil – A Situação e Uma Nova Perspectiva.

Disponível em http://www.ime.usp.br/~song/diretor/mestprof-

documento.html, pesquisado em outubro de 2009.

4 O Globo. Caderno Boa Chance, pág. 7. Demétrio Weber. Brasília, 21 de junho de 2009.

5 Idem.

6 Fonte: Informações disponíveis no espaço: www.faac.unesp.br , pesquisado em outubro de 2009.