Televisão Digital: informação e conhecimento
Parte I - Cultura, diversidade, tecnologias
Parte I - Cultura, diversidade,
tecnologias
1 Nativos digitais: autores na
sociedade tecnológica
Maria Cristina Gobbi 1
Introdução
Nessa quase primeira década do século XXI a televisão analógica ficou estabelecida como a forma de transmissão de informação mais poderosa em nosso país. Quer pela velocidade ou instantaneidade, quer pela variedade da programação, pela opção de gratuidade da televisão brasileira ou pelas imagens transmitidas, esse importante veículo está em mais de 95% dos lares, no Brasil. Mas já faz algum tempo que pesquisas dão conta que o sucesso dessa mídia vem perdendo terreno frente à geração mais jovem da população, a chamada geração digital.
Pouco mais de 50 anos se passaram desde a primeira transmissão feita por Assis Châteaubriant e em 2010 novos desafios são desenhados com o uso das tecnologias digitais. Embora lentamente, as primeiras investidas da Televisão Digital terrestre, no Brasil, ainda não superaram obstáculos básicos como a interatividade e o custo de aparelhos mais acessíveis para a população. São muitos os desafios, principalmente no que tange a produção de conteúdos, as políticas públicas de comunicação e as políticas industriais de produção de aparelhos e de tecnologias. Isso sem mencionar os esforços para o acesso da população nacional a nova plataforma de comunicação, que deve ser democrática, permitindo a inclusão social-tecnológica.
Embora esse novo modelo de comunicação tenha nascido, pelo menos aqui no Brasil, de forma disciplinada, com a participação da sociedade civil organizada, em pouco tempo as possibilidades comunicativas por ela descortinadas serão ampliadas de forma significativa. Ficará praticamente impossível o controle real por parte deste ou daquele grupo de comunicação sobre a produção de conteúdos. Em outras palavras, uma nova cultura comunicacional está sendo desenhada e cada um de nós somos atores e autores reais, criando assim outra maneira de ver o processo comunicativo.
Como diversos pesquisadores afirmam, trata-se de um novo processo comunicativo, onde a tríade "emissor – mensagem – receptor" já não mais representa a complexidade do processo, mesmo que se leve em conta os fatores psicológicos e/ou sociais.
Não obstante ainda futurista, a idéia de uma nova cultura comunicacional e da juventude, resultado da convergência das mídias mais tradicionais como o rádio e a televisão, aliadas ao grande poder da internet, se torna real. Este complexo de comunicação, que podemos chamar de "comunicação digital", estará à mercê das forças do mercado consumidor, que é fundamentalmente dirigido por essa geração tecnológica digital.
Mas como entender essa nova demanda? O que deseja essa geração? Quais são os desafios e como a juventude, que é produtora e consumidora dessas mídias, administra e consome esses novos processos? Para responder essas perguntas o artigo faz um breve resgate sobre a evolução e as transformações da juventude, tentando demonstrar como as rápidas mudanças alteraram a forma de compreensão do processo comunicativo.
Utilizando a pesquisa bibliográfica e documental a investigação focou sua discussão na geração digital, ou seja, aquele grupo que nasceu sob o signo da internet e hoje são autores e produtores da sociedade digital.
O que observamos é que muito mais que simples adaptações, essa geração redesenha o mapa de alternativas para produção de conteúdos midiáticos digitais e pode, em curto prazo, prover o país de novas opções tecnológicas, sem perder de foco a cultura, refazendo o quadro comunicativo brasileiro.
Os Boomers e os filhos da era digital
Os jovens sempre foram atores principais de diversos movimentos de transformação social. Tenham sido utópicas ou radicais, essas atividades permitiram que esse contingente protagonizasse mudanças nas estruturas políticas, sociais e midiáticas de e em di-versos continentes.
O impacto da televisão na sociedade, por exemplo, ainda é
lembrado por muitos. Uma geração2 inteira teve a possibilidade de nascer sob o signo desta tecnologia. Essa mocidade surpreendeu o mundo com o uso da televisão para mais do que simples entretenimento, transformando-a em veículo de ação social.
O impacto da TV sobre a sociedade em geral, e os 3 boomers,
em particular, foi profundo. Dos primórdios da televisão talvez
nos lembremos apenas de algumas telenovelas ou de alguns
programas de perguntas combinadas ( 4 quiz shows ), mas
quando o movimento americano dos direitos civis começou a
encontrar uma voz, foi a televisão que serviu de mensageira e
mobilizadora. Quando os boomers marcharam nas ruas para
protestar contra a guerra do Vietnã, a televisão noticiou e
ampliou sua presença. Assim como a televisão redefiniu o
processo político americano, também transformou o marketing,
o comércio, a educação, o lazer e a cultura (Tapscott, 1999,
p.3).
Embora o exemplo relate a sociedade americana, aqui na América Latina o cenário não foi tão diferente. Inicialmente, como afirma Mattos (2002), a primeira fase da televisão nacional foi elitista (1950-1964), mas em meados da década de 1960 a produção passou a refletir em sua programação formatos populares, como por
exemplo, as telenovelas 5 e as séries. A título de curiosidade, a primeira telenovela a ser exibida diariamente no Brasil foi "2-5499 Ocupado", na TV Excelsior do Rio de Janeiro, que estreou em
setembro de 1963 6. Depois disso o Brasil passou pela ditadura militar, que instalou no país a censura prévia, e a televisão ajudou a protagonizar muitas lutas pela restauração dos direitos civis e sociais no País.
Neste sentido, tentando compreender o cenário de atuação desses jovens e os momentos por eles protagonizados, podemos dividir a geração ‘tecnológica’ em três grandes períodos, pós-meados da década de 1950.
A primeira os boomers, como afirmam vários autores, tiveram na televisão o seu canal de comunicação. Para essa geração a televisão criou o mundo em tempo real, de imagens e de cores.
Esta força introduzida na geração baby boom cresceu com o
ímpeto que arrebatou os Chicagos Seven com Bonanza, Bob
Dylan, JFK, Harold and Maude, a maconha, a guerra do Vietnã,
os Beatles, Abby Hoffman7. Em 1950, apenas 12% dos lares
tinham televisão. Em 1958, o número pulou para 83%. A TV
tornou-se rapidamente a mais poderosa tecnologia de
comunicação disponível. (...) Bem diante dos olhos do baby
boomers, a televisão transformou a própria juventude num
grande acontecimento (Tapscott, 1999, p.18).
Entre os 8 boomers e N-Geners (a geração seguinte), vários acontecimentos sociais ocorreram e muitos movimentos e ações foram protagonizadas por essas gerações. Vale a ressalva que existe a geração chamada de Baby Bust (1965 a 1976), que a mídia
costuma chamar de Geração X 9. Eles são considerados o "grupo mais bem educado da história, (...) se depararam com uma economia com uma das mais altas taxas de desemprego e (...) viram alguns dos mais baixos salários. São comunicadores agressivos extremamente orientados para a mídia". Para eles o rádio a televisão, o cinema, a internet são meios comuns de comunicação, disponíveis para todos e serve para armazenar informações (Tapscott, 1999, p.19). Esses jovens adiaram a constituição de família e paternidade como forma de prolongamento da juventude. Eles foram e são ativos participantes de movimentos contraculturais e acreditam na capacidade individual de transformação do mundo. É a geração de nossos filhos (para alguns) ou a sua própria geração, caso você não tenha muito mais do que quarenta e cinco anos.
Embora protagonizado pela juventude os movimentos da contracultura não são recentes. O mais incisivo e documentado da história foi o maneirismo que, segundo Coelho (1997, p.100),
[...] na segunda metade do século XVI, libertou-se da
iconografia (arte de representar por imagens) e da ideografia
religiosa e embriagou-se com as noções bem humanas da
ilusão, da distorção, do maquinismo, do desvio, do insólito, do
extravagante – numa palavra –, do fenomenal em contraste
com o ideal, o abstrato e o espiritual, norteadores impositivos
da arte até então. Foi um movimento tão marginal que apenas
nas primeiras décadas dos novecentos pôde ser reconhecido
como tal e separado da barra das saias do Renascimento e do
Barroco.
[...] outros movimentos contraculturais entendidos, neste
mesmo veio, sucedem-se com diferentes graus de intensidade
em seu poder – e em seu desejo – contestatório (o romantismo,
o surrealismo). Entre eles, teriam direito de cidadania: o jazz e
as danças de salão, que, a partir das décadas de 20 e 30,
revelaram-se em formatos sucessivamente diferenciados,
desembocando-se no rock e, depois, nas danças de rua dos
bairros negros das grandes cidades americanas.
A contracultura, como primeiro grande paradigma, foi a dos anos 1960, a cultura dos jovens, adolescentes e universitários na maioria, "que se voltou para as experiências comunitárias, as drogas ditas psicodélicas, o misticismo oriental, a psicanálise profunda, teorias sociais anarquistas, o movimento de liberação da mulher, o folclore ameríndio, entre outras orientações, numa amálgama que irrompeu à tona na contestação violenta de rua em maio de 1968" (Becker, 1985, p.82).
Mas é possível situar a virulência máxima do debate a respeito dos jovens entre 1950 e 1964, além do que, seria contrário ao próprio espírito da contracultura identificar uma forma única que sintetize suas manifestações. Mas estes foram os anos nos quais ocorreu a revolta na Universidade de Berkeley, acentuou-se a escalation da guerra no Vietnã e o governo militar instalou-se no Brasil.
Essa virulência foi marcada por grandes festivais, como o Woodstock; pelos profetas da nova geração, como Timothy Leary; pela poesia de Allen Ginsberg, a voz de Janis Joplin, a guitarra de Jimmy Hendrix, a imprensa underground (os jornais The Berkeley Barb, The East Village Other, The New Student Left), os livros de Herbert Marcuse e de Norman O. Brown, os filmes de Richard Lester, o tropicalismo de Caetano Veloso e Gilberto Gil. "Foram os diferentes sinais de um espírito da época que nunca se pretendeu unificar e não que não se importava excessivamente com as contradições eventuais representadas por sua absorção pela indústria cultural" (Coelho, 1997, p.101).
Se algumas décadas atrás, uma calça jeans desbotada identificava seu proprietário como jovem, seu uso foi adotado por todas as gerações. "Tudo aquilo que é considerado jovem, que cai no gosto dos jovens, passa a ter maiores chances de ser um produto sedutor para consumidores de todas as faixas etárias, mesmo com as traduções dos ‘usos e costumes’ heterogêneos do nosso mercado em vias de globalização" (Vianna, 1997, p.8).
Portanto, não é difícil encontrar ‘quarentões ou sessentões’ totalmente identificados com chamada cultura jovem e mais do que isto, sentindo-se e agindo como tal. Como bem afirma Morin (1997, p.152), "O velho sábio virou o velhinho aposentado. O homem moderno virou coroa. O pai decaído ou amigável desaparece num fundo acinzentado do imaginário cinematográfico".
Cria-se o novo arquétipo, o homem perfeito, jovem independente e belo. "Os modelos de identificação, as funções tutelares desertam, por sua vez, da família e do homem maduro para transferir-se para outro lugar: – os deuses de carne, os heróis imaginários da cultura de massa apoderaram-se de funções tradicionalmente privilegiadas pela família e os ancestrais" (Morin, 1997, p.152).
E nesse cenário de mudanças e contradições crescem os N-Geners sob o signo da tecnologia da internet e do correio eletrônico. Diferentemente do padrão etário que marcou os anos 1960 e dos grandes movimentos sociais, pós-década de 1980 ocorreu uma aparente ‘colonização’ da juventude.
Os conflitos geracionais, que embalaram muitos sonhos de
revoluções de costumes e mudanças políticas, perdem grande
parte de sua relevância quando, para quase todas as idades,
ser jovem ou se manter jovem (de corpo e alma) passou a ser
um objetivo permanente. A juventude é hoje uma espécie de
mercadoria vendida em clínicas de cirurgia plástica, livros de
auto-ajuda e lojas de departamento (Vianna, 1997, p.8).
É a geração internet, os 10 screenagers, antenada com tudo que é chamado de tecnológico. Até bem pouco tempo atrás as paqueras ocorriam nos "correios elegantes", enviados nas festas regionais. Hoje expedimos um correio eletrônico – e-mail. Os carros têm reconhecimento de voz e sistemas de posicionamento global. "A Internet é a rede das redes" e engloba uma "grande variedade de tecnologias de computação, telecomunicações, entretenimento" entre outras.
E essa evolução não parou na N-Geners. Hoje, século XXI, as câmeras são digitais, que convertem as imagens em pixels que são transmitidos pela Internet em poucos segundos e para qualquer lugar do mundo. Os jogos são multiusuários, os acontecimentos podem ser relatados em tempo real.
Até bem pouco tempo, ser adolescente era somente uma fase de transição vivida apressadamente em direção do ser maduro, adulto, aceito pelo sistema social. Hoje ser jovem é algo a ser preservado e até prolongado. "Os adolescentes são exaltados por todas as instituições sociais: partidos políticos, escolas, igrejas e meios de comunicação." (Becker, 1985, p.58).
Esta onda de juventude coincide com aquilo que chamamos de revolução digital e tem ajudado a transformar toda a sociedade. E neste cenário de mudanças e experimentações surge a geração atual, chamada Geração Tecnológica-Digital ou simplesmente de Nativos Digitais.
Esses jovens fazem uso dos dois recursos utilizados pelas gerações anteriores. A televisão e a interatividade – propiciada inicialmente pela internet –, muito antes do letramento (alfabetização). É a geração que associa o divertimento, a tecnologia; que aos três anos de idade tem aulas de computação e aos 5 procura vídeos no YouTube; brinca com Nintendo Wii, tem blogs e fotologs, diário digital e faz compras virtualmente; além de estar inserido em comunidades virtuais e redes de relacionamento, nos mais variados ambientes interativos.
Também é a geração que odeia a unidirecionalidade da televisão, a hierarquia, a inflexibilidade, a centralidade e, principalmente, administrar que tudo isso está sob o controle adulto. Estes jovens estão acostumados com a interatividade, na acepção correta do termo. Também estão sendo criados para assumir o comando, desde muito cedo.
Vale lembrar que há um colapso do conceito de autoridade e hierarquia na sociedade atual, pois estes estão baseados somente na experiência. E como contrapor esta autoridade com o comando dos Nativos Digitais?
A Geração Tecnológica-Digital quer maleabilidade, distribuição de controle, neutralidade e cada vez mais esses jovens "são donos do ambiente interativo e de seu próprio destino nele. Como a Internet é a antítese da TV", a Geração Tecnológica-Digital, "(...) de várias
maneiras, é a antítese da geração TV 11" (Tapscott, 1999, p.25).
Podemos afirmar que a televisão alcança razoáveis níveis de interatividade, com programas que permitem a participação por telefone, também oferece uma "experiência coletiva, na medida em que você se senta com outras pessoas na frente do aparelho eletrônico" (Tapscott, 1999, p.25).
Mas, como afirma o ex-presidente da Viacom, Frank Biondi, "a televisão é, no fundo, uma experiência passiva, e essa é sua beleza". Tapscott (1999, p.19), reforça isso dizendo que "(...) o bom da televisão é que, após um longo dia na escola ou no trabalho, você pode vegetar na frente dela".
As gerações anteriores se acostumaram com esta aparente passividade. O lazer, muitas vezes, era considerado como o momento de não fazer nada, de não pensar, de não reagir, mas de simplesmente "vegetar", descansar o cérebro. E isto não ocorreu/ocorre somente com a televisão, mas com todas as mídias.
Em 1997 era moda falar sobre a push technology (tecnologia da
imposição), ou web casting. Ou seja, em vez de você ir buscar
o conteúdo, este é empurrado para a sua tela. Em vez de
navegar em busca de informações, os provedores de conteúdo
lhe enviam novas informações dentre as categorias que você
havia escolhido anteriormente, como por exemplo, resultado
dos jogos dos seus times favoritos, as cotações das ações, a
previsão do tempo, etc. (Tapscott, 1999, p.26).
Isso, de fato, é o que acontece hoje, não só na web, com programas como o Google, que completa suas opções de busca mesmo antes de você dizer o que quer pesquisar; ou mesmo em vários momentos na programação da televisão, onde os conteúdos daquilo que "é melhor para você" estão lá, disponíveis. Mas este cenário está mudando. A Geração Tecnológica-Digital não entende de forma separada os conceitos de acesso de conteúdo armazenado e acesso em tempo real. E acreditamos que o conceito de Televisão Digital irá possibilitar essa fusão. Ou seja, poderemos acessar as informações de forma assíncrona, como o capítulo da novela que não conseguimos assistir no horário em que foi transmitido, mas também será possível acompanhar a copa do mundo em tempo real. A escolha será nossa. É parte daquilo que chamamos de interatividade.
[...] a interatividade nos permite programar melhor nossa vida e
integrar o conteúdo que queremos de acordo com as pautas
que realmente importam, não aquelas arbitrariamente
determinadas por uma rede de televisão (Tapscott, 1999, p.26).
Como bem definiu Tapscott (1999, p.26), somos nós que mudaremos esses cenários. Você poderá vegetar diante da tela da sua televisão, mas também poderá participar de um debate público, consultar seu médico, explorar a Amazônia, visitar seu filho na faculdade etc. É uma nova forma de narrar o presente, mediado por tecnologia digital. Sairemos da imposição para aquilo que os especialistas chamam de escolha. E isso se constitui em um dos grandes desafios da Televisão Digital e todas as suas possibilidades.
Televisão Digital interativa e sua conexão com a
cultura juvenil
Os estudos, testes e definições sobre os conceitos e a utilização da Televisão Digital no Brasil são muito recentes. Podemos dizer que eles começaram em 1994, com as primeiras incursões nos três padrões disponíveis: Europeu, com o sistema Digital Vídeo Broadcasting (DVB), adotado em mais de cinquenta países (toda a Europa e mais Austrália, Nova Zelândia, Índia, Cingapura e Taiwan); Norte-Americano, com o Advanced Television Systems Committee (ATSC), adotado pelos Estados Unidos, Canadá, México e Coréia do Sul e, finalmente o Japonês, com o padrão Integrated System Digital Broadcasting (ISDB). Embora a academia tenha iniciado seus
testes em 1996, no padrão MPEG-2 12 em alta definição, é possível afirmar que foi realizado um trabalho conjunto entre a acadêmica e o mercado.
Bazanini e Donato (2008, p.40) trazem um relato muito interessante dos vários discursos proferidos nesse primeiro período de estudos, como do Presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET) e Diretor de Tecnologia do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), Roberto Franco. Para ele
Fizemos os testes, que até hoje são considerados como os
mais profundos e foram base para as propostas que nós
fizemos ao ITU sobre metodologia de testes comparativos de
sistemas internacionais, que hoje é a recomendação ao ITU
sobre comparação, ela nasce com a proposta brasileira. Eu vejo
que esse processo de implantação da TV digital é de grande
orgulho para a radiodifusão no Brasil e não só a radiodifusão,
mas todos os setores envolvidos. Eu falo radiodifusão porque o
processo iniciou na radiodifusão e talvez o radiodifusor tenha
sido o agente mais envolvido durante toda a história (Franco
apud Bazanini e Donato, 2008, p.41).
A partir destes resultados, como afirmam Bazanini e Dona-to (2008, p.41), os focos de interesses mudaram, principalmente para as indústrias de telecomunicações, que passaram a priorizar o consumidor. Como garante o representante da Telecom, "(...) Então a discussão foi muito difícil porque nós já tínhamos uma coisa implantada, mas prevaleceu o bom senso naquela época, porque a discussão era aberta, era pública e era centrada na vantagem para o consumidor. Esse era o ponto central" (apud Bazanini e Donato, 2008, p.41).
Na verdade o que assistimos em todo cenário de discussões entre a sociedade civil, governo, academia, indústria e radiodifusores podemos comparar com o que Michel de Foucault chamou de "teia do poder".
[...] ele acreditava que o ‘estímulo ao debate’, ou o início da
discussão sobre determinado assunto, leva ao maior O padrão japonês pode-se afirmar, atendeu "os interesses comerciais dos radiodifusores", uma vez que não prioriza a convergência das mídias e a multiprogramação, mas por outro lado traz substancial adequação a alta e a mono-definição.
conhecimento daquele assunto, o que leva a um poder maior. O
poder vem de qualquer pessoa que inicie um debate. O debate
forma uma teia que se estende ao grupo de debate, tece seu
caminho para fora desse grupo em direção a outras
conversações e, às vezes, retorna pelo mesmo caminho, ou por
novos, ao ponto de partida. Os fios da teia se ramificam em
todas as direções. (Tapscott, 1999, p.76)
Em outras palavras, conseguiu-se que, mesmo sem unanimidade ou igualdade, os principais atores interessados participassem do diálogo, criando disputas, acordos e novos focos de análise entraram em cena. Tanto assim que em 2003, foi assinado o
Decreto 4901 13. Pode-se afirmar que foi a partir de então que as bases gerais e o entendimento de que Televisão Digital incluía muito mais que meras questões técnicas passaram a ser consideradas. Na verdade esse Decreto incluiu os aspectos: político, estratégico e social; ampliando a participação de diversos setores da sociedade civil organizada, abrangendo nesse mote os parceiros, os agentes fomentadores, o governo e a sociedade como um todo.
Porém isso não significou o fim dos entraves, ao contrário. Embora centrados nas mesmas palavras-chave (democratização, integração, desenvolvimento, inclusão digital e cidadania) governo, indústrias de telecomunicações, sociedade civil e a academia não se entendiam. Uns priorizavam os temas, outros defendiam que a tecnologia deveria ser nacional, outros o foco deveria centrar-se na alta-definição, na robustez do sinal, na abrangência, no custo e assim por diante.
Em 2006, com a queda do Chefe da Casa Civil, José Dirceu e a
entrada do Ministro Hélio Costa 14, houve uma mudança significativa no cenário comunicativo-tecnológico do País. Como afirmam Bazanini e Donato (2008, p.45), foi por essa época que o Decreto 5820/06 (em substituição ao Decreto 4901/03), estabeleceu o sistema japonês como o escolhido para ser o padrão definitivo da Televisão Digital no Brasil.
Mas toda essa preocupação das indústrias, governo e teles não pode ser – ingenuamente – encarada somente como a possibilidade de colocar o Brasil na era digital. Existe uma mudança de cenários, onde novos desafios estão sendo lançados, não só em termos de tecnologias, mas na produção de conteúdos e na participação social.
Já faz algum tempo que as audiências televisivas estão caindo entre os jovens. Um dos grandes vilões foi o próprio advento da internet, que possibilitou um mundo sem fronteiras. Em uma pesquisa realizada em 1999, quando perguntando ao jovem quais atividades ele deixaria de fazer para acessar a internet, 30% responderam que deixariam de assistir televisão. Esses jovens afirmam que "a internet é um elo de comunicação entre você e o mundo, enquanto a televisão é apenas uma fonte de comunicação entre você e o meio de comunicação" (Tapscott, 1999, p.29).
Neste mote era necessário e urgente começar a pensar em mudanças significativas para o meio televisivo. Não bastava mais discutir audiências, inventar novos formatos, priorizar o entretenimento (sem entrar no mérito se de boa ou má qualidade), colocar uma linha discada para participar em votação, permitir que o público escolhesse o final da telenovela. A geração jovem queria e quer mais do que isso.
Acreditamos que o principal desafio da Televisão Digital no Brasil será o de enxergar na outra ponta do processo há não simplesmente tecnologia, mas as pessoas. Assim como aconteceu com a Internet, a televisão deverá possibilitar a conectividade, a ampliação de conteúdos, aplicações em tempo real e aumento de populações de usuários. Será necessário definir um novo tipo de transparência, onde no outro extremo da tecnologia e da qualidade estarão as pessoas, a informação, os jogos, as aplicações, os serviços, os amigos e, principalmente os protagonistas. Como bem afirmou Tapscott (1999, p.37) essa nova geração não verá uma tela, "mas as mensagens de seus amigos, seus zines, seus fãs-clube, grupos de bate-papo", a informação, a interatividade, a conectividade, a resposta imediata, a rede participante etc. É um novo repto, um novo cenário, com atores nascidos digitais e crescendo tecnológicos.
Não será mais possível trazer somente informação, como "gri-tam" muitas emissoras em seus slogans para manter as audiências. A Televisão Digital deverá converter informação em conhecimento.
Dados em estado bruto são fatos empíricos desorganizados.
Quando organizados e definidos de forma inteligível,
transformamse em informação. A informação que foi
interpretada e sintetizada, refletindo alguns valores implícitos,
torna-se conhecimento. É o conhecimento que transmite
reflexões profundas, trans-históricas, pode transformar-se em
sabedoria. A nova tecnologia permite que galguemos a ‘cadeia
alimentar’ do conhecimento, se quisermos. (Tapscott, 1999,
p.31)
Essa Geração Tecnológica-Digital está se libertando da mídia unidirecional e centralizada. São nascidos na web, positivos e moldam seu próprio destino. E os adultos, donos das verdades e da sabedoria deverão aprender com essa nova geração. "Jamais a sociedade experimentou esse fenômeno de ter a hierarquia do conhecimento invertida" (Tapscott, 1999, p.34). Na atualidade, para a juventude, a tecnologia está integrada em suas vidas, faz parte de seu ambiente e a assimilam, juntamente com as outras coisas.
McLuhan, em 1967, no seu livro Understanding media: the extensions of man, utilizava o termo participação para representar um meio frio, pessoal, original.
Uma coisa que estamos constatando na distância entre as
gerações dos baby boomers, dos Net e da ‘Tecnológica-
Digital 15’ é a mudança de temperatura tecnológica: a
transformação da mentalidade da radiodifusão para a
interatividade. (...) Seus filhos (...), entretanto, esfriaram o
computador. Eles personalizaram seus computadores da
mesma forma que personalizaram seus quartos. Essa
personalização pode assumir a forma de substituir efeitos
sonoros com amostras de voz que dão boas-vindas quando os
usuários ligam o computador ou criação de protetores de tela
composto de retratos, digitados com o scanner, da família ou
dos amigos. (Tapscott, 1999, p.40)
Será que esse é o desafio da Televisão Digital, a personalização da televisão? Ou simplesmente devemos assimilar novas formas de transformar a informação em conhecimento, de fazer entretenimento, de aprender?
O que percebemos, de modo geral, é que um grande abismo está se formando entre as gerações. Se por um lado os N-Geners buscavam na televisão as maneiras de por em prática, de ampliar a comunicação, por outro a Geração Tecnológica-Digital já nasceu sob o signo de uma mudança do processo comunicativo e estão crescendo sob o signo da tecnológica digital, onde a fronteira do conhecimento é determinada pelo ser humano e não mais pela tecnologia.
A cultura juvenil como ingrediente fundamental
da comunicação digital
Estamos diante de uma mudança cultural, onde não necessariamente a experiência significará a participação real no mundo globalizado. A Geração N-Geners deverá se abrir para o conhecimento real dos Nativos Digitais, resultado não dos padrões normais de ensino aprendizagem das escolas ou mesmo do sentido de experiência dos "mais velhos", mas de experimentos, de curiosidade, de testes múltiplos, de tentativas, acertos, erros e trocas, característicos da juventude. É necessário dar o crédito que essa geração, nascida na internet e crescendo digital, tem muito para oferecer. É uma nova cultura que se descortina.
Não existe uma unanimidade sobre o que corresponde a idade da adolescência. Ela pode ser definida em uma faixa que varia dos 12 aos 27 anos.
O estudo de Witter mostra que pesquisadores como Havighurst
estabelecem o período adolescente entre 12 e 18 anos. Já para
Erikson, a adolescência inicia-se aos 12 e estende-se até os 20
anos, isso baseado no desenvolvimento do ego. Outros
autores, como Bunler e Massarick, situam a adolescência entre
os 15 e 20 anos, e se baseiam no desenvolvimento social e
biológico do indivíduo. (...). Dentro da ótica da psicologia são
valorizados os processos interpessoais, experiências vividas e
fatores da personalidade, aceitando também, a influência do
ambiente social. (Elias, 1995, p.67)
Para os psicólogos, os adolescentes são todas as ‘pessoas’ que estão em fase de desenvolvimento, que vem da infância e vai até a idade adulta. Poderíamos então, caracterizar esse processo de transformação por limites de idade, mudanças físicas e anatômicas, mudanças na conduta social e por mutações no ‘eu’.
Nessa fase apresenta-se no indivíduo uma notável série de mudanças físicas, psíquicas e sociais. Novas descobertas aparecem.
É o momento no qual o adolescente descobre-se progressivamente, e começa a desenhar seus próprios contornos sociais, por exemplo, quais são suas habilidades, que tipo de pessoa é em relação aos outros, o que quer fazer de sua vida. Ao mesmo tempo em que descobre coisas referentes a si, faz dele certo tipo de pessoa, por isso a adolescência pode caracterizar-se, também, como uma época de conquista da identidade e de autonomia pessoal. É a necessidade de começar a fazer parte do mundo.
Esse turbilhão de acontecimentos, sensações, buscas, descobertas, experiências faz com que um contingente grande de jovens busque conhecimento nos mais variados espaços e nas múltiplas ferramentas disponíveis no mercado. Por isso essa geração é tão arrojada e aprende tanto e tão rapidamente sobre e com as tecnologias digitais.
Embora fique claro tratar-se de uma fase de grandes conflitos, quer biológicos, físicos, psicológicos ou sociais, é também uma eta-pa de transição, de comportamentos contraditórios, gerando assim imagens inconstantes e instáveis. E isso, talvez, seja um das grandes reclamações dos adultos. Mas é nesse sentido que a cultura jovem se manifesta.
Quando falamos em cultura, não estamos pensando somente nas representações simbólicas, conhecimentos ou valores que por ventura os indivíduos tenham acumulado ao longo de sua vida. Faz parte de toda herança cultural do homem sua produção e nesta incluem-se as ferramentas, moradias, transporte, comunicação e todas as manifestações que demonstrem seu conhecimento e sua visão de mundo. Além disso, devemos considerar que a cultura não é estanque, há uma variação tempo-espacial que nos permite afiançar que ela não é a mesma, ou obedece aos mesmos preceitos de geração para geração e de local para local.
Quando pensamos em cultura, devemos considerar suas dimensões. Estamos nos referindo: a) cultura popular: geralmente transmitida oralmente, produzida e consumida pela população que a desenvolve, não precisando de técnicas científicas para a
transmissão; b) erudita: feita pela e para a burguesia16; c) massa: a industrialização no final do século passado e o desenvolvimento tecnológico que possibilitou para inúmeras pessoas o acesso a uma gama muito grande de informações, dando origem a ‘indústria
cultural’17 e c) jovem: reflexo de uma tendência que se configura com a exploração demográfica e a expansão cultural americana, principalmente após a Segunda Guerra, exposta por comportamentos de revolta, expressos pela música, arte, movimentos estudantis, novas tecnologias entre outros.
A cultura jovem, nosso objeto nesse artigo, está carregada de
características, conflitos e mudanças. O 18 teenager, conforme relatam Aberastury e Knobel (1992), se considerarmos o indivíduo, caracteriza-se pela fase em que o jovem sente necessidade de fazer parte do mundo do adulto, surgindo dessa forma os conflitos tão característicos desta faixa etária.
Até meados dos anos 50 do século passado, esta ‘tribo’ fomentava debates, principalmente quando especialistas buscavam definir o perfil adequado dessa nova e desconhecida geração. A discussão iniciava-se na simples delimitação etária que caracterizava e ainda caracteriza esta fase. Posteriormente, a adolescência foi reconhecida como um grupo social (Levi e Schmitt, 1996, p.351). Os governos, psicólogos e sociólogos passam a discutir leis que protegessem, disciplinassem e regulamentassem esta nova faixa da população e o processo que conduziu à codificação da adolescência como fase em si, atingiu sua maturidade plena logo após a Segunda Guerra Mundial, com a geração dos baby boomers, como vimos anteriormente.
É uma tendência comum aos grupos de adolescentes afirmarem sua própria moral, arvorar seu igual com o uso de blue jeans, blusões, chinelos, cabelos compridos e despenteados; seguir sua própria moda, a reconhecerem-se nos heróis, uns exibidos pelo cinema (James Dean, Harry Potter, Batman, Homem-Aranha), outros oriundos da imprensa sensacionalista; ao mesmo tempo, uma sensibilidade adolescente se infiltra na cultura de massa, com os filmes, romances e outros espaços comunicativos (Morin, 1997, p.157).
Mas este conceito de adolescente e adolescência não pára nas definições de psicólogos e especialistas. A mídia, os estilistas, a propaganda, entre outros desenvolvem um novo perfil de adolescente. Ser jovem virou slogan, clichê publicitário, revelando um exército de consumidores, livres de valores que norteiam a relação do corpo com os prazeres, e desligados de qualquer discurso tradicional que pudesse fornecer critérios quanto a seleção de uma série de materiais disponíveis da noite para o dia, transformando tudo em suprimentos essenciais para sobrevivência. E com relação às tecnologias da comunicação não foi diferente. Sempre antenados, para eles a tecnologia digital é tão simples quanto um plugar na web ou ligar a televisão. Faz parte do dia-a-dia, esta integrada no seu mundo e é com ela que esses jovens se comunicam.
Por isso é possível afirmar que as crianças e os jovens são mais instruídos e versados nas tecnologias que seus pais. É a geração onde as tecnologias são realidade e não conquista. Faz parte do cotidiano, é comum para essa geração utilizar alguma tecnologia digital nas ações mais corriqueiras do dia-a-dia. Poucos pais, na verdade, sabem o que eles realmente estão fazendo na web. Eles formam o exército para a transformação social. Por isso não existe questão mais importante para pais, professores, legisladores, comerciantes, líderes empresariais, ativistas sociais do que compreender essa geração e suas formas e suportes comunicativos.
Eles estão modificando o modo de fazer escola, pois desenvolveram novas maneiras de aprender. Nas indústrias, essa geração modificou, de forma bastante significativa, a relação patrão-empregado, pois lidam de forma diferente com o trabalho, rejeitando o conceito de empresa na atualidade e as relações subordinado-chefe. Eles definiram uma relação de troca e de aprendizagem coletiva. Na economia, eles já influenciam da produção e compra de bens e serviços. Os governos estão preocupados em desenvolver planos de ação, combate a pornografia, prestação de serviço eficiente e tudo permeado com e pelas tecnologias interativas digitais.
Com relação às comunicações e seus processos, pode-se afirmar que para a geração tecnológica-digital a televisão analógica é antiquada, pois não permite fazer o que o consumidor pede e quer, como por exemplo, o diálogo entre os cidadãos, além de ofertas de serviços. A relação estabelecida por esse tipo de mídia é vertical, enquanto essa geração já compreende o processo comunicativo de forma horizontal, representado pela participação e troca coletiva.
É a geração da interatividade, da conectividade, da simplificação tecnológica, da mídia digital. Esta é a base mais significativa da geração tecnológica-digital. "Eles querem ser usuários – não apenas expectadores ou ouvintes". A mídia digital está engolindo a televisão e "ao fazê-lo a transformará". Brevemente, com o advento da televisão digital consolidado, acreditamos que os jovens, como afirma Tapscott (1999, p.3), poderão votar, decidirão o que assistir, "entrarão em um comercial de jeans para experimentar uma calça – usando uma animação de seus corpos na tela". Para os pais, as re-vistas em quadrinhos, episódios de filmes ou novelas, futebol, terão poderosas ferramentas de pesquisa, análise, auto-expressão, diversão. Em outras palavras, a televisão digital agregada a tecnologia da internet propiciará "mobilidade sem precedentes".
Ao contrário da televisão analógica, a combinação digital da televisão e da internet, já possibilita que os nativos digitais sejam "os autores do mundo digital".
Lembra da volta ao mundo em 80 dias em um balão? No mundo digital essa volta já pode ser feita em segundos. Ao toque dos dedos essa geração atravessa o mundo.
Nova forma de aprender e ver o mundo: a cultura
da geração tecnológica-digital
Observamos que há, de maneira geral, certo pânico com referência ao sistema de aprendizagem da nova geração, carregado muitas vezes de um viés crítico a instantaneidade, ao imediatismo e a superficialidade com que eles adquirem e administram seus conhecimentos.
Talvez a crítica feita a essa nova geração possa ser justificada com o que Kirsten Drotner (apud Tapscott, 1999, p.47) chama de "pânico da mídia". Ele caracteriza 4 pontos para o abismo entre as várias gerações:
1) as gerações mais velhas estão inseguras quanto à nova
tecnologia – que os jovens estão adotando;
2) gerações mais velhas tendem a sentir-se desconfortáveis
com novos meios de comunicação – que estão se tornando
cada vez mais populares na cultura jovem;
3) a mídia antiga teme a nova mídia;
4) a revolução digital, ao contrário das anteriores, não é
controlada apenas por adultos. A lacuna é acentuada pelo fato
de que o pânico de mídia é difundido pela antiga mídia. Os
líderes dos tradicionais meios de comunicação são céticos, na
melhor das hipóteses, quanto à nova mídia. Tanto o cinema
quanto a imprensa escrita demons-tram considerável
apreensão com a televisão.
Ou ainda, acreditamos ser possível afirmar que se trata de uma mudança de paradigmas da cultura da juventude. Uma nova maneira de aprender e de ensinar, onde o conhecer primeiro e verificar depois deixam de existir. Hoje essa juventude aprende fazendo.
E com relação a Televisão Digital, como se comportar diante de todas as possibilidades que ela vai oferecer?
Esta surgindo uma nova cultura jovem, que envolve muito mais
do que simplesmente cultura de música pop, MTV e filmes +
internet. É uma nova cultura no sentido mais amplo, definida
como os padrões socialmente transmitidos e compartilhados de
comportamento, costumes, atitudes e códigos tácitos, crenças e
valores, artes, conhecimento e formas sociais. Esta nova
cultura está arraigada na experiência de ser jovem e também E com a tecnologia digital haverá um boom de possibilidades, com uma grande variedade, alterando o sentido de monocultura para pluricultura, principalmente com referência a televisão. Teremos finalmente não mais a televisão "feita para você, mas por você. A adição da interatividade à televisão permitirá que os expectadores tornem-se usuários – por exemplo, durante um programa de entrevista, fazendo perguntas, votando, dando opiniões, pedindo informações complementares ou elaborar mais algum tópico". Também, aliando o conceito de multitarefa da juventude com as ferramentas de hipertexto, novas formas de estruturar o pensamento estão sendo conhecidas e reconhecidas. É o desafio de pensar por estruturas de hiperlinks (Tapscott, 1999, p.78).
de fazer parte da maior geração de todos os tempos. Porém,
mais importante, é a cultura que está se originando do uso da
mídia digital interativa por parte dos N-Gens e da "geração
tecnológica-digital". Devemos ficar atentos, porque a cultura
que flui dessas experiências no ciberespaço prenuncia a cultura
que criará futuros líderes no mercado de trabalho e na
sociedade. (Tapscott, 1999, p.53)
É uma geração que acredita que a auto-expressão é uma necessidade vital, preocupados com a inclusão social, "eles consideram o acesso à informação e a expressão de opiniões, direitos fundamentais" (Tapscott, 1999, p.67).
Essa nova cultura nasceu porque essa geração vive e respira inovação, estão sempre abertos a novas experiências, novos aprendizados e busca constantemente aperfeiçoar o modo como as coisas são realizadas. Na verdade, com bem afirma Tapscott (1999, p.69), os tecnológicos-digitais não aceitam o certo, no sentido do fato consumado, ao contrário, eles investigam, querem fazer funcionar e não saber como funciona. Eles não se sentem intimidados diante do conhecimento novo, das oportunidades oferecidas pelas tecnologias. Isso não pode ser definido como superficialidade, mas como imediatismo.
Imediatismo à medida que os sistemas vão se tornando em
tempo real e a informação move-se à velocidade da luz, o
metabolismo da cultura jovem se acelera. (...) as crianças da
era digital esperam que as coisas aconteçam, porque em seu
mundo as coisas acontecem rapidamente. (Tapscott, 1999,
p.71)
É uma nova forma de aprender e de fazer comunicação através da interatividade. Todos participam e são estimulados ao debate e a troca de informações. Até podemos afirmar que a mídia antiga pode ser considerada interativa, mas com um sistema fechado, onde não há diálogo.
Da instrução para a construção e descoberta
Podemos começar com uma frase do Seymour Papert (apud Tapscott, 1999, p.140): "O absurdo da educação é que, ao ensinar alguma coisa, você priva alguém do prazer e do benefício da descoberta". Esse é sentimento generalizado que essa nova geração tem com relação as nossas formas de tradicionais de ensino.
Infelizmente educadores e instituições ainda não perceberam que o aprendizado tornou-se um processo contínuo. A geração tecnológica-digital nasceu no ambiente da descoberta e da participação e as novas ferramentas de mídia ampliaram significativamente esse cenário. Descortina-se um novo modelo de aprendizagem, onde a riqueza reside no conhecimento, onde "cada vez mais, os principais bens são humanos" (Tapscott, 1999, p.124).
Historicamente, o campo da educação tem sido orientado para
modelos de aprendizado que focalizam a instrução – o que
chamamos de aprendizado transmitido. O termo professor
encerra abordagens para o aprendizado no qual um
especialista que possui a informação a transmite ou difunde aos
alunos. Os alunos ‘sintonizados’ assimilam a informação que
lhes está sendo ‘ensinada’ – ou transmitida – na memória ativa.
(Tapscott, 1999, p.125)
Nesse novo espaço, o professor não será mais basicamente um transmissor, tão pouco os planejamentos poderão estar centrados para atender as necessidades do grau – um-tamanho-serve-paratodos –, mas adaptados as necessidades individuais. Classes numerosas, com recursos limitados, onde a aprendizagem centra-se somente na transmissão não terão mais espaço. E acreditamos que a mídia digital tem permitido uma nova visão da educação e, de modo mais abrangente, do aprendizado.
A imagem abaixo possibilita uma comparação entre as tecnologias, demonstrando claramente a ampliação do leque de possibilidades com a utilização dos procedimentos digitais.
Fonte: Tapscott (1999, p.136).
Como bem afirma Tapscott (1999), o problema com o sistema educacional vai além das escolas, onde é necessário adotar medidas drásticas de transformação, compreendendo os fins da educação e não apenas os meios. E a tecnologia pode ajudar de maneira significativa esse processo, pois elas estimulam a curiosidade e a experimentação. As próprias escolas precisam tornar-se organizações de ensino.
Embora os professores, em sua grande maioria, sejam da geração televisão, eles não são obstáculos ao aprendizado. Ao contrário. O que precisamos é a adoção das tecnologias digitais, que não significam necessariamente novos e modernos equipamentos, mas o desenvolvimento de ambientes de aprendizagem, com o uso real dos conceitos de interatividade entre os estudantes e professores. Onde a troca e a aprendizagem sejam um todo contínuo e intercambiável. Precisamos passar do processo de conhecimento transmitido para o aprendizado interativo.
O quadro abaixo demonstra esse processo de mudança.
Fonte: Tapscott (1999, p.136).
É necessário rever o papel do professor como estruturador e organizador da experiência de aprendizado, mas o processo deve ser baseado no aluno. Ao utilizar as novas mídias para a centralização da experiência no aprendizado do aluno, será possível compreender que diversão e aprendizado podem caminhar juntos e de forma complementar.
É fundamental acabar com essa velha prática educativa, onde parte significativa da aula o professor passa falando e o aluno ouvindo. É necessário reconhecer habilidades, contextos, culturas e outros fatores que formam o aprendizado.
Essa discussão não é nova. Muito antes do advento da informática, autores como Anísio Teixeira, Paulo Freire, Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes, Gustavo Capanema, entre tantos outros já alertavam para a urgência destas mudanças. "O aprendizado tornase experimental. Isso não quer dizer que os ambientes de aprendizado, ou até mesmo os currículos, não devam ser planejados. Mas podem ser desenvolvidos em parceria com os alunos ou pelos próprios alunos" (Tapscott, 1999, p.140).
Precisamos sair da geração do aprender e fazer, para essa que aprende fazendo. É necessário flexibilizar o currículo de forma a permitir que os indivíduos descubram seus próprios caminhos rumo ao aprendizado, onde experiências, talentos e preferências individuais possam estar integrados ao processo de ensino-aprendizagem, onde o professor é o facilitador do processo, atuando como recurso e consultor, mas são os alunos que constroem seu próprio conhecimento. Em outras palavras, precisamos sair da geração Vila Sésamo para a geração vídeo game.
Desnecessário dizer, toda uma geração de professores precisa
aprender a usar novas ferramentas, novas abordagens e novas
habilidades. Isso será um desafio – não apenas devido á
resistência de alguns professores, mas também devido ao atual
ambiente de cortes, baixo moral entre os professores, falta de
tempo devido às pressões de maiores cargas de trabalho e
orçamento reduzido para retreinamento. (...) À medida que a
mídia digital for entrando nas escolas e sendo imediatamente
abraçada por alunos articulados e destemidos, o que será do
professor? Dadas as crescentes evidências de que a mídia
interativa pode melhorar substancialmente o processo de
aprendizado, os professores claramente precisarão mudar seu
papel. Em vez de repetidores de fatos, poderão tornar-se
motivadores e facilitadores. (Tapscott, 1999, p.150)
É necessário compreender a nova geração. As empresas e as instituições precisam acordar para a nova era, onde grande parte do valor do conhecimento estará na utilidade real que ele tem, na proficuidade, na interatividade e na construção participativa das alternativas. É fundamental desenvolvermos verdadeiros repositórios de conhecimento, ampliando e facilitando o acesso, em uma real democratização da informação.
Temos inúmeros aparelhos e ferramentas digitais disponíveis no mercado e o que mais agrada aos jovens tecnológicos-digitais, segundo diversas pesquisas publicadas, é a oportunidade de conhecer pessoas e se relacionarem quer "seja através do celular, torpedos, e-mail, Orkut, msn, blog, fotologs, diários on line ou outros de forma rápida, cifrada e com uma linguagem própria onde eles falam o que querem com verdades ou mentiras". São blogs, fotologs, MP4, MP9. "Os nascidos em meados da década de 80 tiveram o computador e o celular introduzidos em suas vidas, e acabam perdendo esse vício em outras fases, já os mais novos nasceram com toda essa tecnologia e ainda não é possível prever
esse comportamento", comenta a psicóloga Suzy Zveibil Cortoni 19.
Em entrevista recente a Sérgio Dávila20, Don Tapscott, afirmou que atualmente estamos vendo a primeira geração amadurecer na era digital e já é possível observar as grandes diferenças entre essa e a geração anterior no que diz respeito à maneira e ver e viver em sociedade.
Essas crianças foram banhadas em bits. Diferentemente de
seus pais, elas não temem as novas tecnologias, pois não são
tecnologia para eles, mas realidade. Eu os chamo de Geração
Net. Sua chegada está causando um salto geracional – eles
estão superando os pais na corrida pela informação. Pela
primeira vez, os jovens, e não seus pais são as autoridades
numa inovação central da sociedade. Essa geração está
tomando os locais de trabalho, o mercado e cada nicho da
sociedade, no mundo todo. Está trazendo sua força
demográfica, seus conhecimentos de mídia, seu poder de
compra, seus novos modelos de colaboração e de paternidade,
empreendedorismo e poder político. Eles são "multitarefeiros",
realizam várias atividades ao mesmo tempo. Para eles, e-mail é
antiguidade. Eles usam telefone para mandar textos, navegar
na internet, achar o caminho, tirar fotos e fazer vídeo – e
colaborar. Eles entram no Facebook sempre que podem,
inclusive no trabalho. Mensagem instantânea e Skype estão
sempre abertos, como pano de fundo de seus computadores.
Se a geração anterior assistia mais de 20 horas de televisão semanalmente, a "Geração Net vê TV, trata-a como música ambiente, enquanto busca informação, joga games e conversa com os amigos on-line" (Tapscott, 1999, p.152). Essa possibilidade multitarefa já vem "incorporada de fábrica", diriam alguns. Pois um dos grandes desafios das gerações anteriores é exatamente de desenvolver os processos de simultaneidade no cotidiano.
Na verdade e podemos trazer estas considerações também para os nativos digitais, como afirma Tapscott, "(...) os ‘digitais’ parecem incrivelmente flexíveis, adaptáveis e habilidosos ao lidar com diversos meios de informação" (1999, p.152). É uma geração que utiliza o YouTube e o Twitter diariamente. Na internet, já descobriram o poder da sua rede de relacionamento e rapidamente se organizam para realizar as mais diversas atividades, em qualquer lugar, em um misto de empreendedorismo, interatividade e criatividade, sem perder os valores culturais.
Autores da sociedade digital: desafios das redes
sociais Podemos indagar o que entendemos por cultura e de que forma as tecnologias digitais interem nesse cenário da sociedade. Hoje o impacto das tecnologias é sentido em vários âmbitos. O telefone celular, a internet e a televisão digital têm permitido um aumento significativo na oferta de informações.
Como argumenta Rogério da Costa, na introdução do livro A cultura
digital21, a interatividade estabeleceu múltiplas possibilidades de interação entre homens e imagens. O consumo dos chamados produtos "de última geração" possibilitou a disseminação de novos hábitos de consumo. São as chamadas tecnologias do sem-fio, da interatividade, da velocidade, da conectividade, da portabilidade encontrada em qualquer loja, que modificam os hábitos, alcançando
[...] zonas mais amplas de uma autêntica cultura digital. (...) Isso
tem alimentado muitas fantasias e gerado grandes expectativas
sobre a cultura digital nascente. São visíveis as inúmeras
modificações presenciadas na esfera do trabalho, que tem seu
dia-a-dia marcado cada vez mais pela forte presença dos
computadores, da Internet e dos telefones celulares. No âmbito
da educação, milhares de pesquisadores, professores e
estudantes de todo o planeta apostam na Internet, enxergando-
a como fator tecnológico principal na evolução do ensino à
distância e presencial.
Em pesquisa recente (2008) realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) demonstrou que mais de 90% "dos entrevistados estão, de alguma forma, envolvidos com tecnologias colaborativas, seja como consumidores ou produtores de conteúdo". Objetivando definir uma metodologia para análise do consumo e estabelecer uma classificação dos usuários em termos de produtores, colaboradores e espectadores de conteúdos colaborativos, a investigação combinou a "frequência de atualização e leitura de blogs, páginas de redes sociais, contribuição para Wikis e fóruns, além de outras ferramentas como sites de vídeo e Twitter". De acordo com os principais resultados,
[...] 87% dos entrevistados possuem perfil em algum site de
relacionamento e, deste total, 17% atualizam o perfil pelo
menos uma vez por dia. As principais motivações para
utilização das diversas tecnologias colaborativas são a diversão
(29%), seguida pelo desenvolvimento profissional/vantagens
financeiras (25%) e aprendizagem e educação (24%). (...)
Cerca de 91% dos entrevistados possuem interesse em blogs
(embora apenas 31% declaram ser autores de um blog). O
índice de leitura diária atinge 38% e o índice de atualização
diária (entre os autores) é de 29%. Em relação aos comentários
em blogs de outras pessoas, 32% dos usuários de blogs fazem
pelo me-nos um "post" por semana (12% o fazem pelo menos
uma vez por dia). Diariamente, 34% deixam mensagens ou
imagens no perfil de outras pessoas. (...) Cerca de 21% dos
entrevistados contribuem diariamente para algum fórum de
discussão e 57% visitam estes fóruns pelo menos uma vez por
semana (16% o fazem várias vezes ao dia). 36% dos
entrevistados já contribuíram pelo menos uma vez na edição de
artigos em Wikis e 87% utilizam Wikis como fonte de
informação sobre diversos assuntos (incluindo empresas,
produtos etc.). 50% dos entrevistados já fizeram tags para
outras páginas da web e 28% utilizam tecnologias RSS com
frequência diária. O Twitter é utilizado por 24% dos
entrevistados, mas a freqüência de acompanhamento chega a
"várias vezes ao dia" por parte de 11% deles.As principais
motivações para utilização das diversas tecnologias
colaborativas são a diversão (29%), seguida pelo
desenvolvimento profissional/vantagens financeiras (25%) e
aprendizagem e educação (24%). (...) 15% dos entrevistados
afirmam utilizar estas tecnologias para ajudar os outros e/ou a
comunidade22.
Na verdade, podemos afirmar que não há somente uma revolução tecnológica, as tecnologias digitais de comunicação estão mudando a própria cultura e as formas de encarar o mundo. As relações individuais assumem patamares ampliados nas comunidades virtuais, onde as inter-relações de confiança e colaboração permitem a sobrevivência de inúmeros grupos em rede, experimentando de forma "virtual" o conceito de sociabilidade, num aparente antagonismo conceitual. De fato, é uma nova forma de rever antigos conceitos. Ou nos adaptamos e aprendemos a utilizá-las ou estaremos fadados ao esquecimento.
Referências bibliográficas
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COELHO, T. Dicionário crítico de política cultural. São Paulo: Iluminuras, 1997.
LEVI, G. e SCHMITT, J.-C. História dos jovens 1: da antiguidade à era moderna. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
_______. História dos jovens 2: a época contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
_______. Cultura de massas no século XX – o espírito do tempo 1 – Neurose. 9ª ed. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1997.
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_______. Growing Up Digital: the rise of the Net Generation. McGraw-Hill, 1999.
VIANNA, H. (Org.). Galeras cariocas. Rio de Janeiro: UFRJ, 1997.
1 Pós-Doutora pelo Prolam-USP (Universidade de São Paulo), doutora em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), diretora-suplente da Cátedra Unesco de Comunicação. Professora do programa Pós-Graduação em TV Digital e Comunicação da Unesp, campus de Bauru. Coordenadora do Grupo de Pesquisa Pensamento Comunicacional Latino-Americano e Comunicação Digital e Interfaces Culturais na América do CNPq. Diretora de Documentação e coordenadora do GP "Mídia, Cultura e Tecnologias Digitais na América Latina" da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom).
2 A palavra ‘geração’, de acordo com o Dicionário Houaiss, compreende as diversas fases que "demarcam uma mudança no comportamento humano".
3 Boomers, geração baby boomer, geração baby boom ou geração pós-guerra são expressões utilizadas para descrever as pessoas nascidas após a Segunda Guerra Mundial (1946 e 1964). "Também poderiam ser chamados de ‘geração Guerra Fria’, ‘geração prosperidade pós-guerra’, ‘geração economia crescente’ ou de acordo com qualquer outro desenvolvimento na sociedade que os afetasse.
Entretanto, mais do que qualquer outra coisa, foi o impacto de uma revolução nas comunicações – a ascensão da televisão – que moldou essa geração e seu mundo" (Tapscott, 1999, p.17). Em linhas gerais podemos dizer que essa geração tinha como característica marcante a forte tendência ao trabalho e perfeitos seguidores de normas hierárquicas (no trabalho e na família).
4 Programas de perguntas muito populares dos EUA, mostrados no filme Quiz Show como o resultado de perguntas e combinações prévias.
5 Vale mencionar que primeira telenovela brasileira foi Sua vida me pertence, de Walter Foster, que estreou na extinta Rede Tupi de São Paulo, em 1951. Embora com somente 20, a telenovela era exibida ao vivo, no horário das 20h, duas vezes por semana, com capítulos de cerca de 15 minutos cada; capítulos. O primeiro beijo da televisão brasileira aconteceu nessa novela entre os protagonistas.
6 Embora tenha estreado em julho de 1963, inicialmente era apresentada as segundas, as quartas e as sextas feiras, pela TV Excelsior de São Paulo. Somente quando da adaptação para a língua portuguesa, pois o autor era o argentino Alberto Migre, foi que a TV Excelsior do Rio de Janeiro, em setembro de 1963, passou a exibir a telenovela diariamente.
7 Podemos incluir nessa lista a chegada a lua, Woodstock.
8 A expressão Geração Net (ou N-Gen) refere-se à geração de crianças que, em 1999, tinha entre 2 a 22 anos de idade, não apenas aquelas que são ativas na Internet. Essa geração tem atualmente entre 12 a 32 anos e grande parte ocupa os bancos escolares, como alunos ou como professores.
9 Inspirado no título do romance do escritor canadense Douglas Coupland. Mas, na verdade, os personagens do livro de Coupland são um subconjunto do fim do baby boom.
10 Screen / tela; teenagers / adolescentes.
11 Vale fazer uma observação de que Tapscott no livro Geração digital trata os N-Gens e a Geração Digital como representantes de uma mesma geração. No nosso caso, consideramos a Geração Tecnológica-Digital como aquela nascida a partir da última década do século XX.
12 Este decodificador MPEG-2 permite reproduzir arquivos MPG com compressão MPEG-2 em reprodutores baseados em DirectShow como BSplayer ou o Windows Media Player, entre outros. Este tipo de compressão está sendo usada em filmes de DVD, assim como nos formatos MPG tipo SVCD, CVD e DVD.
13 Embora, conforme afirmam (Bazanini e Donato, 2008, p.41) o Decreto 4901/03 privilegiava o modelo europeu, mas direcionava o foco "no sentido da democratização da informação. (...) O referido Decreto privilegiava a pulverização da mídia, possibilitando, dessa maneira, a inserção de novos players."
14 Hélio Costa é jornalista e ex-funcionário da Rede Globo de Televisão.
15 Inclusão da autora do texto.
16 Termo utilizado nos séculos XIV e XV, para designar a parcela da população formada por comerciantes que tinham como objetivo principal o lucro, através do comércio de especiarias vindas do Oriente. Esse segmento da sociedade conquistou novos espaços sociais e econômicos (Brandão, 1996, p.10).
17 Adorno e Horkheimer cunharam o termo indústria cultural, "conceito que, na tradição da Escola de Frankfurt, implica na noção de uma empresa capitalista produtora de mercadorias e reprodutora de capital" (Elias, 1995, p.14).
18 O adjetivo teen-age significa adolescente, teen-ager, substantivo moço (para masculino) e moça (para feminino), na idade entre 13 e 19 anos. (Michaelis, 1978, p.338). Literalmente, adolescência (latim, adolescência, ad: a, para a + olescere: forma incoativa de olere, crescer) significa a condição ou o processo de crescimento. (Michaelis, 1978, p.420). O termo, de acordo com A. Aberastury e M. Knobel, aplica-se especificamente ao período da vida compreendido entre a "puberdade e o desenvolvimento completo do corpo, cujos limites se fixam, geralmente, entre os 13 e os 23 anos no homem, podendo estender-se até os 27 anos. Embora se costume incluir ambos os sexos no período compreendido entre os 13 e os 21 anos, os fatos indicam que nas adolescentes se estende dos 12 aos 21 anos, e nos rapazes dos 14 aos 25 anos em termos gerais". (Aberastury e Knobel, 1992, p.89). O termo adolescente surge basicamente no início do século, em 1904, na obra Adolescenci, escrita pelo psicólogo G. Stanley Hall, que buscou caracterizar o adolescente americano (Becker, 1985).
19 Fonte: http://www.terra.com.br/cgi-bin/inde.../06/23/000.htm. Acesso em janeiro de 2009.
20 Entrevista publicada dia 26/01/2009, às 11h33, com o título "Estudioso da web analisa ‘geração digital’ que elegeu Obama", Sérgio D’Ávila, da Folha de S. Paulo, em Washington, disponível no
endereço: http://www1.folha.uol.
com.br/folha/informatica/ult124u494508.shtml.
21 Coleção Folha Explica, editora Publifolha, ano 2002.
22 Redes colaborativas influenciam consumo de internauta, Matéria publicada no Propmark, dia 27 de janeiro de 2008,
http://www.ibope.com.br/calandraWeb/servlet/CalandraRedirect?
temp=6&proj=PortalIBOPE&pub=T&no
me=home_materia&db=caldb&docid=C146B1D73EDD91F28325754
D00 43ECED. Na seção: Ibope, Inteligência, Notícias, Internet – Área: Notícias\ Press Releases\2009, data de publicação: 26/01/2009