Teoria da História I: Princípios e conceitos fundamentais

José D'Assunção Barros · Capítulo 7 de 18

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Teoria da História I: Princípios e conceitos fundamentais

2 O papel da Teoria da História na formação do historiador, ontem e hoje: algumas palavras

1953). A Teoria da História, enfim, nunca deixou de multiplicar as suas

alternativas internas. Uma grande quantidade de modos de ver a história

sempre esteve disponibilizada aos diversos historiadores no decurso da

história da historiografia, de modo que uma miríade de possibilidades

teóricas sempre fez parte do repertório do historiador. Abordar a Teoria da

História, por isso mesmo, sempre foi adentrar um campo de diálogos, de

disputas, de inovações permanentes 57.

 

2 O papel da Teoria da História na formação do historiador,

ontem e hoje: algumas palavras

 

O papel da Teoria da História na formação do historiador, como se deve

ter percebido, é fundamental, e convém ainda considerar que há também

uma história envolvida no crescimento da valorização da Teoria pelos

historiadores. O crescente descrédito da história exclusivamente narrativa,

em favor de uma história analítica, reflexiva, problematizadora – o que se

acentua notadamente a partir do século XX – contribuiu certamente para

que a Teoria ocupasse cada vez mais um lugar privilegiado na História

elaborada pelos historiadores profissionais. Se a Historiografia se constrói

com Teoria e Método, se a Historiografia é, nos dias de hoje, vista como

vinculada a “problemas” – e já vão longe os tempos em que se podia

simplesmente propor ou escrever uma história meramente narrativa ou

descritiva – é a Teoria o que dará um lastro essencial ao historiador em

formação, de modo a que ele construa uma História realmente

problematizada.

Seignobos, no apagar das luzes do século XIX, havia formulado uma

frase que ficou célebre: “Sem documento não há História”. Lucien Febvre,

no contexto que presidiria a consolidação da Escola dos Annales na França,

iria contrapor a esta frase uma outra: “Sem problema não há história”58.

Febvre estava alvejando, com esse dito, uma historiografia que considerava

factual, meramente descritiva, fetichizadora do documento e do fato

histórico, sempre tratado como algo dado previamente e que caberia ao

historiador apenas desvelar. A perspectiva de Febvre era a de que a História

deveria sempre ser reconstruída a partir do Presente de acordo com um problema e orientada pela formulação de hipóteses. Tratava-se, segundo o