Teoria da História I: Princípios e conceitos fundamentais
2 O papel da Teoria da História na formação do historiador, ontem e hoje: algumas palavras
1953). A Teoria da História, enfim, nunca deixou de multiplicar as suas
alternativas internas. Uma grande quantidade de modos de ver a história
sempre esteve disponibilizada aos diversos historiadores no decurso da
história da historiografia, de modo que uma miríade de possibilidades
teóricas sempre fez parte do repertório do historiador. Abordar a Teoria da
História, por isso mesmo, sempre foi adentrar um campo de diálogos, de
disputas, de inovações permanentes 57.
2 O papel da Teoria da História na formação do historiador,
ontem e hoje: algumas palavras
O papel da Teoria da História na formação do historiador, como se deve
ter percebido, é fundamental, e convém ainda considerar que há também
uma história envolvida no crescimento da valorização da Teoria pelos
historiadores. O crescente descrédito da história exclusivamente narrativa,
em favor de uma história analítica, reflexiva, problematizadora – o que se
acentua notadamente a partir do século XX – contribuiu certamente para
que a Teoria ocupasse cada vez mais um lugar privilegiado na História
elaborada pelos historiadores profissionais. Se a Historiografia se constrói
com Teoria e Método, se a Historiografia é, nos dias de hoje, vista como
vinculada a “problemas” – e já vão longe os tempos em que se podia
simplesmente propor ou escrever uma história meramente narrativa ou
descritiva – é a Teoria o que dará um lastro essencial ao historiador em
formação, de modo a que ele construa uma História realmente
problematizada.
Seignobos, no apagar das luzes do século XIX, havia formulado uma
frase que ficou célebre: “Sem documento não há História”. Lucien Febvre,
no contexto que presidiria a consolidação da Escola dos Annales na França,
iria contrapor a esta frase uma outra: “Sem problema não há história”58.
Febvre estava alvejando, com esse dito, uma historiografia que considerava
factual, meramente descritiva, fetichizadora do documento e do fato
histórico, sempre tratado como algo dado previamente e que caberia ao
historiador apenas desvelar. A perspectiva de Febvre era a de que a História
deveria sempre ser reconstruída a partir do Presente de acordo com um problema e orientada pela formulação de hipóteses. Tratava-se, segundo o