Tragédia em Três Atos
Capítulo 15
Cai o pano
Poirot sentado numa grande poltrona. Arandelas desligadas. Só um abajur cor-de-rosa lançava seu brilho sobre o vulto na poltrona. Parecia haver algo simbólico naquilo. Só Poirot iluminado, e a plateia – Sir Charles, sr. Satterthwaite e Egg Lytton Gore – sentada na escuridão circundante.
Onírica, a voz de Poirot parecia se dirigir ao vácuo em vez de aos ouvintes.
– Reconstituir o crime: este é o objetivo do detetive. Para reconstituir um crime é preciso ajustar um fato sobre o outro, exatamente como equilibramos uma carta sobre a outra ao construir um castelo de cartas. Se os fatos não se encaixam... Se a carta não se equilibra... Bem, daí é preciso começar o castelo outra vez, caso contrário ele vai desmoronar...
“Como falei dias atrás, temos três tipos distintos de intelecto. Primeiro, o intelecto dramático do criador de peças teatrais, que visualiza o efeito realístico capaz de ser produzido por dispositivos mecânicos. O segundo tipo é o que reage com facilidade às manifestações dramáticas: o intelecto jovial e romântico. E o terceiro, meus amigos, é o intelecto prosaico: não enxerga mar azul nem mimosas floridas, mas o fundo artificial do cenário do palco.
“Isso me leva, mes amis, ao assassinato de Stephen Babbington em agosto passado. Naquela noite, Sir Charles Cartwright aventou a tese de que Stephen Babbington havia sido assassinado. Não concordei com essa teoria. Não pude acreditar nisso por achar (a) irracional que um homem como Stephen Babbington fosse assassinado e (b) impossível administrar veneno a uma pessoa específica nas circunstâncias verificadas naquela noite.
“Agora sou obrigado a admitir: Sir Charles estava certo, e eu, errado. Eu estava errado, pois encarava o crime de um prisma inteiramente falso. Só ontem eu de repente percebi o prisma certo de visão... E, diga-se de passagem, sob este novo prisma, o assassinato de Stephen Babbington passava a ser não só racional como possível.
“Mas, por enquanto, vou pular esse detalhe. Vou mostrar, passo a passo, o caminho que percorri. A morte de Stephen Babbington eu chamo de primeiro ato de nosso drama. A cortina desse ato baixa quando todos nós partimos de Crow’s Nest.
“O que eu chamo de segundo ato do drama começa em Monte Carlo, quando o sr. Satterthwaite me mostrou a notícia de jornal sobre a morte de Sir Bartholomew. Logo ficou evidente que eu estava errado e Sir Charles, certo. Tanto Stephen Babbington quanto Sir Bartholomew Strange tinham sido assassinados, e os dois homicídios faziam parte de um único e mesmo crime. Mais tarde, um terceiro homicídio completou a série: o assassinato da sra. De Rushbridger. O que precisamos, portanto, é de uma teoria racional, fundada no bom senso, que estabeleça um vínculo entre as três mortes... Em outras palavras, esses três crimes foram cometidos pela mesma e única pessoa com vistas ao lucro e benefício dessa pessoa em particular.
“Confesso que a minha maior preocupação era o fato de o assassinato de Sir Bartholomew Strange ter ocorrido depois do de Stephen Babbington. Analisando os três crimes sem levar em conta tempo e lugar, as probabilidades indicavam o assassinato de Sir Bartholomew Strange como sendo aquele que se poderia chamar de crime central ou principal, com os outros dois crimes tendo caráter secundário, ou seja, derivados da conexão dessas duas pessoas com Sir Bartholomew Strange. Mas, como já frisei antes, temos que encarar os crimes como eles são e não como queremos que eles sejam. Stephen Babbington tinha sido assassinado primeiro e Sir Bartholomew Strange algum tempo depois. Parecia, portanto, que o segundo crime devia necessariamente derivar do primeiro. Em consequência disso, a chave para deslindar o caso inteiro encontrava-se na análise do primeiro crime.
“Neste ponto eu cheguei a considerar seriamente a probabilidade de que um equívoco tivesse ocorrido. Seria possível que a primeira vítima devesse ter sido Sir Bartholomew e que o sr. Babbington tivesse sido envenenado por engano? Fui levado, no entanto, a abandonar essa ideia. Qualquer um que conhecesse Sir Bartholomew Strange com o mínimo grau de intimidade sabia que ele não apreciava tomar coquetéis.
“Outra hipótese: Stephen Babbington teria sido envenenado por engano no lugar de outro participante da festa original? Não consegui encontrar qualquer prova disso. Portanto, fui obrigado a concluir que o assassinato de Stephen Babbington tinha sido definitivamente intencional. De imediato, me deparei com um obstáculo quase intransponível: a aparente impossibilidade de uma coisa dessas ter acontecido.
“Sempre devemos começar uma investigação pelas teorias mais simples e mais óbvias. Considerando que Stephen Babbington tinha bebido um coquetel envenenado, quem teve a oportunidade de envenenar esse coquetel? À primeira vista, me pareceu que as duas únicas pessoas que poderiam ter feito isso, ou seja, as pessoas que manusearam os drinques eram o próprio Sir Charles e a copeira Temple. Mas, embora tanto um como a outra pudessem presumivelmente ter colocado o veneno na taça, nenhum deles teve qualquer oportunidade de direcionar aquela taça específica às mãos do sr. Babbington. Temple poderia ter feito isso entregando com destreza aos convidados um a um dos drinques da bandeja, de modo a sobrar o drinque envenenado para o sr. Babbington, coisa nada fácil, mas possível. Sir Charles poderia ter feito isso deliberadamente pegando a taça fatídica e entregando-a na mão da vítima. Mas nada disso aconteceu. Parecia que o acaso e nada mais que o acaso tinha endereçado aquela taça específica a Stephen Babbington.
“Sir Charles Cartwright e Temple fizeram o manuseio dos coquetéis. Algum deles estava em Melfort Abbey? Nenhum deles estava. Quem teve a melhor oportunidade de pôr o veneno na taça de vinho do Porto de Sir Bartholomew? Ellis, o mordomo foragido, e a ajudante dele, a copeira. Mas aqui a possibilidade de que um dos convidados tivesse feito isso não pode ser descartada. Algum dos convidados pode ter se esgueirado sorrateiro na sala de visitas e posto nicotina no vinho do Porto. Arriscado, mas possível.
“Quando reencontrei vocês em Crow’s Nest, já estava pronta a lista de pessoas presentes em Crow’s Nest e em Melfort Abbey. Agora posso dizer que eu descartei de imediato os quatro nomes que encabeçavam a lista: capitão e sra. Dacres, a srta. Sutcliffe e a srta. Wills.
“Era impossível para qualquer uma dessas quatro pessoas saber de antemão que encontraria Stephen Babbington no jantar. O uso da nicotina como veneno revelou um plano meticulosamente estudado, não um plano que pudesse ser posto em prática de improviso. Sobravam três nomes na lista: Lady Mary Lytton Gore, srta. Lytton Gore e o sr. Oliver Manders. Apesar de improváveis, esses três eram possíveis. Pertenciam ao local e é de se imaginar que pudessem ter motivos para a eliminação de Stephen Babbington e que pudessem ter escolhido a noite da festa para colocar seus planos em ação.
“Por outro lado, não encontrei prova alguma de que algum deles tenha realmente feito uma coisa dessas.
“O sr. Satterthwaite, creio eu, raciocinou praticamente na mesma linha que eu e concentrou as suspeitas em Oliver Manders. Se eu dissesse que o jovem Manders era de longe o maior suspeito eu não estaria mentindo. Ele mostrou todos os sinais de tensão nervosa durante o jantar em Crow’s Nest... Tem uma visão meio distorcida da vida em razão de problemas particulares... Tem um intenso complexo de inferioridade, uma causa frequente de crimes... Está numa idade desajustada e já tinha de fato brigado ou, vamos dizer, demonstrado animosidade contra o sr. Babbington. Isso sem falar nas curiosas circunstâncias de sua chegada a Melfort Abbey. Mais tarde, veio a nosso conhecimento seu relato um tanto incrível sobre a carta de Sir Bartholomew Strange. Some-se a isso o testemunho da srta. Wills referente a ele carregar um recorte de jornal sobre envenenamento por nicotina.
“Oliver Manders era, então, claramente a pessoa que devia encabeçar a lista de sete suspeitos.
“Mas eis que, meus amigos, tive uma sensação estranha. Parecia suficientemente claro e lógico: a pessoa autora dos crimes devia ser alguém presente nas duas ocasiões; em outras palavras, alguém daquela lista de sete pessoas... Mas algo me dizia: essa obviedade era uma obviedade forjada. Qualquer pessoa sensata e lógica seria levada a concluir isso. Tive a sensação de estar olhando, de fato, não para uma realidade, mas para um cenário habilmente pintado. Um criminoso realmente engenhoso teria percebido: qualquer pessoa cujo nome estivesse naquela lista seria necessariamente suspeita. Portanto, ele ou ela daria um jeito de não aparecer na lista.
“Ou seja, o assassino de Stephen Babbington e Sir Bartholomew Strange estava presente nas duas ocasiões... mas aparentemente não.
“Quem compareceu à primeira festa e não à segunda? Sir Charles Cartwright, o sr. Satterthwaite, a srta. Milray e a sra. Babbington.
“Poderia alguém desses quatro ter estado presente na segunda ocasião com outra identidade que não a sua própria? Sir Charles e o sr. Satterthwaite estavam no Sul da França, a srta. Milray em Londres e a sra. Babbington em Loomouth. Dos quatro, então, a srta. Milray e a sra. Babbington pareciam as mais prováveis. Mas será que a srta. Milray poderia ter comparecido à festa em Melfort Abbey sem ser reconhecida por nenhum convidado? A srta. Milray tem feições muito características, difíceis de disfarçar e difíceis de esquecer. Concluí ser impossível que a srta. Milray tivesse estado em Melfort Abbey e passado despercebida. O mesmo se aplicava à sra. Babbington.
“Até que medida poderiam o sr. Satterthwaite ou Sir Charles terem estado em Melfort Abbey sem serem reconhecidos? O sr. Satterthwaite, apenas uma remota possibilidade. Mas, ao analisarmos Sir Charles Cartwright, nos deparamos com uma situação bem diferente. Sir Charles é um ator acostumado a encenar papéis. Mas que papel ele poderia ter encenado?
“Foi quando passei a estudar o mordomo Ellis.
“Sujeito para lá de misterioso, o tal Ellis. Aparece do nada uma quinzena antes do crime e depois some num passe de mágica. Por que a fuga de Ellis foi tão bem-sucedida? Porque Ellis não existia de verdade. De novo, Ellis era uma coisa feita de cartolina, tinta guache e destreza cenográfica... Ellis não era real.
“Mas seria possível? Afinal de contas, o pessoal de Melfort Abbey conhecia Sir Charles Cartwright, e Sir Bartholomew Strange era amigo íntimo dele. A questão dos empregados eu superei com facilidade. O disfarce do mordomo não representava risco algum. Se os empregados o reconhecessem? Ora, não haveria mal algum nisso: a coisa toda poderia ser explicada como uma simples brincadeira. Se, por outro lado, uma quinzena se passasse sem que se levantasse qualquer suspeita, bem, daí a situação seria de total segurança. E lembro do relato que me deram dos comentários dos empregados sobre o mordomo. Ele era “um cavalheiro em pessoa”, havia trabalhado “na casa de gente tradicional” e sabia de vários escândalos interessantes. Até aí tudo bem. Mas a copeira Alice fez uma declaração muito significativa. Ela disse: “Ele fazia o seu trabalho de modo diferente de qualquer outro mordomo que eu conheci”. Quando esse comentário me foi relatado, serviu de confirmação para minha teoria.
“Mas com Sir Bartholomew Strange era diferente. É difícil de imaginar que o amigo dele fosse capaz de enganá-lo. Ele devia saber do disfarce. Temos alguma evidência disso? Sim. Desde o começo das investigações, o sagaz sr. Satterthwaite estranhou um detalhe: o chiste de Sir Bartholomew – totalmente atípico de sua maneira de se dirigir aos empregados. “Você é um mordomo de primeira categoria, não é mesmo, Ellis?” Comentário perfeitamente compreensível se o mordomo fosse Sir Charles Cartwright e Sir Bartholomew soubesse da brincadeira.
“Pois, sem dúvida, era assim que Sir Bartholomew encarava a questão. O fato de Sir Charles se disfarçar como Ellis era uma brincadeira, talvez até uma aposta, cujo ápice seria enganar e surpreender os convidados... Isso explica tanto o comentário de Sir Bartholomew sobre uma surpresa quanto o seu bom humor. Observem, também, que ainda havia tempo para voltar atrás. Se algum convidado identificasse Charles Cartwright durante o jantar naquela noite, até então nada irremediável teria acontecido. A coisa toda poderia ser explicada como uma simples brincadeira. Mas ninguém percebeu o mordomo de meia-idade, com sua corcunda, seus olhos escurecidos com gotas de beladona, suas suíças, sua falsa marca de nascença no pulso. Sutil detalhe identificador... que fracassou por completo em razão da fraca capacidade de observação da maioria dos humanos! A marca de nascença tinha o objetivo de se tornar um detalhe importante na descrição de Ellis... Mas durante todo o tempo ninguém a notou! A única pessoa que percebeu foi a srta. Wills, com seu olhar penetrante, de quem vamos falar daqui a pouco.
“O que acontece em seguida? Morre Sir Bartholomew. Desta vez, a morte não é atribuída a causas naturais. A polícia vem. Interroga Ellis e os demais. Mais tarde naquela noite, ‘Ellis’ foge pela passagem secreta, reassume a verdadeira identidade e, dois dias depois, passeia nos jardins de Monte Carlo pronto para se escandalizar e se surpreender com a notícia da morte do amigo.
“Claro, tudo isso não passava de teoria. Eu não tinha prova real, mas a toda hora surgiam indícios que confirmavam a teoria. Meu castelo de cartas se erguia firme e bem estruturado. As mensagens de teor chantagista descobertas no quarto de Ellis? Mas se foi o próprio Sir Charles quem as descobriu!
“E o que dizer da suposta carta de Sir Bartholomew Strange solicitando ao jovem Manders que forjasse o acidente? Ora, pode haver coisa mais fácil para Sir Charles do que escrever a carta em nome de Sir Bartholomew? Se Manders não tivesse destruído a carta, Sir Charles no papel de Ellis poderia facilmente fazê-lo ao atender o jovem recém-chegado. Da mesma forma, o recorte de jornal é inserido com facilidade na carteira de Oliver Manders.
“E agora chegamos à terceira vítima: a sra. De Rushbridger. Em que ocasião ouvimos falar a primeira vez da sra. De Rushbridger? Logo depois daquele gracejo muito esquisito sobre Ellis ser o mordomo perfeito... Aquele enunciado extremamente atípico de Sir Bartholomew Strange. A qualquer custo, a atenção precisa ser desviada da intimidade de Sir Bartholomew com seu mordomo. Durante a investigação, Sir Charles logo pergunta sobre a mensagem que o mordomo trouxe. O assunto tinha a ver com essa mulher... a tal paciente do doutor. Sem pestanejar, Sir Charles usa toda a sua lábia para direcionar a atenção para essa mulher desconhecida e afastá-la do mordomo. Vai à clínica e interroga a enfermeira-chefe. Faz de tudo para utilizar a sra. De Rushbridger como elemento de distração.
“Agora temos que averiguar o papel desempenhado pela srta. Wills no drama. A srta. Wills é dona de uma personalidade curiosa. É uma dessas pessoas completamente incapazes de causar uma impressão indelével no ambiente em que se encontra. Não é bonita, nem espirituosa, tampouco interessante, nem mesmo especialmente simpática. Ela não tem nada de especial. Mas é extremamente observadora e extremamente perspicaz. Ela se vinga do mundo com sua escrita. Tem a imensa arte de ser capaz de reproduzir uma personalidade no papel. Não sei se algo estranho no mordomo chamou a atenção da srta. Wills. Mas sei é que, se havia alguém à mesa que poderia tê-lo notado, esse alguém era ela. Na manhã seguinte após o crime, sua insaciável curiosidade a levou a bisbilhotar, nas palavras da camareira. Ela entrou no quarto de Dacres, aventurou-se pela porta de baeta verde que dava aos aposentos dos empregados, instigada, penso eu, pelo instinto de mangusto, o instinto de investigar até descobrir.
“Ela era a única pessoa que deixava Sir Charles meio inquieto. É por isso que ele estava ansioso para ser o responsável por interrogá-la. Sentiu-se bastante tranquilizado por sua entrevista e muito recompensado por ela reconhecer a marca de nascença. Mas logo depois veio a catástrofe. Não creio que até aquele instante a srta. Wills tivesse relacionado Ellis, o mordomo, com Sir Charles Cartwright. Acho que ela só tinha ficado intrigada com certa semelhança de Ellis com alguém. Mas ela tem o dom de ser observadora. Quando os pratos são servidos, ela automaticamente nota não o rosto, mas as mãos que seguram os pratos.
“Não chega a vislumbrar que Ellis era Sir Charles. Mas durante a posterior conversa com Sir Charles, de repente ela vislumbra que Sir Charles era Ellis! E então ela pede a ele que finja servi-la um prato de verduras. Mas o interesse dela não era saber se a marca de nascença estava no pulso direito ou no esquerdo. Queria um pretexto para analisar as mãos dele... Mãos posicionadas da mesma forma que as de Ellis, o mordomo.
“E, assim, ela descortina a verdade. Mas ela é uma mulher singular. Aprecia guardar o conhecimento para si. Além do mais, nem de longe tinha certeza de que Sir Charles havia assassinado o amigo dele. Sim, ele havia se disfarçado de mordomo, mas isso não o tornava necessariamente um assassino. Muitos homens inocentes guardam silêncio porque do contrário acabariam numa situação constrangedora.
“Assim, a srta. Wills guarda sua descoberta para si... E degusta esse prazer. Mas Sir Charles se preocupa. Não gosta daquela expressão maligna de satisfação que enxerga no rosto dela ao sair da sala. Ela sabia de algo. O quê? Ele corria perigo? Não podia ter certeza. Mas sentiu que era algo vinculado a Ellis, o mordomo. Primeiro, o sr. Satterthwaite... e agora, a srta. Wills. A atenção precisa ser desviada do ponto fulcral. Definitivamente, a atenção precisa ser destinada a outro lugar. E ele elabora um plano... Simples, audacioso e, na imaginação dele, definitivamente desconcertante.
“Imagino que tenha acontecido assim: no dia de minha festinha de xerez, Sir Charles levanta bem cedo, vai até Yorkshire e, disfarçado em roupas maltrapilhas, entrega o telegrama para o garoto enviar. Então volta à capital a tempo de encenar o papel para o qual eu o havia escalado no meu teatrinho. Mas antes faz mais uma coisinha. Remete uma caixa de bombons para uma mulher que ele não conhece e sobre a qual nada sabe...
“Já sabem o que aconteceu naquela noite. Observando a inquietude de Sir Charles, fortaleci a minha certeza de que a srta. Wills alimentava certas suspeitas. Quando Sir Charles representou a ‘cena da morte’, fiquei cuidando a reação da srta. Wills. Notei a expressão de pasmo no rosto dela. Soube então que a srta. Wills sem dúvida suspeitava de que Sir Charles era o assassino. Quando ele pareceu morrer envenenado como os outros dois, ela pensou que suas deduções deviam estar erradas.
“Mas se a srta. Wills suspeitava de Sir Charles, então a srta. Wills corria sério perigo. Um homem que mata duas vezes vai matar de novo. Dou um aviso solene. Mais tarde naquela noite, eu entro em contato com a srta. Wills por telefone e, por conselho meu, no outro dia cedinho ela sai de casa. Desde então ela está hospedada aqui neste hotel. Que eu tinha motivos para me preocupar ficou provado pelo fato de que Sir Charles foi a Tooting na noite seguinte, depois de retornar de Gilling. Tarde demais. O pássaro tinha voado.
“Nesse meio-tempo, do ponto de vista de Sir Charles, o plano dava certo. A sra. De Rushbridger tinha algo a nos dizer. A sra. De Rushbridger foi morta antes que pudesse falar. Que dramático! Que coisa mais típica dos romances policiais, das peças teatrais, dos filmes! De novo, a cartolina, as lantejoulas e o tecido pintado.
“Mas eu, Hercule Poirot, não fui ludibriado. O sr. Satterthwaite me disse que ela foi morta com o objetivo de evitar que falasse. Concordei. Ele prosseguiu e disse que ela foi morta antes que pudesse nos contar o que sabia. E eu disse: ‘Ou o que ela NÃO sabia’. Acho que ele ficou perplexo. Mas ele devia ter percebido a verdade. A sra. De Rushbridger foi morta pois, na verdade, não podia ter nos contado nada. Não havia vínculo algum entre ela e o crime. Só havia um modo para que ela se tornasse um elemento de distração bem-sucedido: só podia fazer isso se estivesse morta. E então a sra. De Rushbridger, uma estranha inofensiva, foi assassinada...
“Mas até mesmo nesse suposto triunfo Sir Charles comete um colossal... um infantil... equívoco! O telegrama é endereçado a mim, Hercule Poirot, no Hotel Ritz. Mas a sra. De Rushbridger não sabia da minha ligação com o caso! Ninguém na clínica sabia. Equívoco incrivelmente infantil.
“Eh bien, a esta altura eu já havia alcançado certo patamar. Eu sabia a identidade do assassino. Mas não sabia o motivo do crime original.
“Meditei.
“E outra vez, mais claro do que nunca, percebi que a morte de Sir Bartholomew era o propósito do crime original. Que razão poderia ter Sir Charles Cartwright para matar seu amigo? Eu conseguia imaginar um motivo? Acho que sim.”
Ouviu-se um fundo suspiro. Sir Charles Cartwright ergueu-se devagar e andou até a lareira. Ficou ali, a mão no quadril, baixando o olhar com menosprezo na direção de Poirot. A atitude dele (o sr. Satterthwaite poderia testemunhá-lo) era a de Lorde Eaglemount ao olhar com desdém o ignóbil advogado que com sucesso o incrimina de estelionato. Irradiava nobreza e nojo. Personificava o aristocrata menosprezando o vil canalha.
– Que imaginação fértil, monsieur Poirot – elogiou. – Desnecessário dizer que não há uma só palavra verdadeira em sua história. Como é que o senhor teve a maldita petulância de apresentar de maneira tão atrativa esse ridículo besteirol de mentiras, não tenho a mínima ideia. Mas vá em frente, me deixou interessado. Que motivo me levou a assassinar um homem que conheço desde a infância?
Hercule Poirot, o pequenino burguês, levantou os olhos ao aristocrata. Falou com rapidez, mas tenacidade.
– Sir Charles, de onde eu venho existe um provérbio: “Cherchez la femme”. Foi aí que encontrei meu motivo. Eu tinha observado o senhor junto com a mademoiselle Lytton Gore. Era óbvio que o senhor a amava... a amava com aquela terrível e arrebatadora paixão que devora homens de meia-idade, em geral provocada por uma moça jovem e inocente.
“O senhor a amava. Ela, eu pude notar, cultivava pelo senhor certa adoração heroica. Uma palavra só e ela cairia em seus braços. Mas o senhor não falou. Por quê?
“Fingiu a seu amigo, o sr. Satterthwaite, encarnar o papel do apaixonado estúpido que não reconhece a paixão correspondida da amada. Fingiu pensar que a srta. Lytton Gore estava apaixonada por Oliver Manders. Mas eu digo, Sir Charles: o senhor é vivido e viajado. É grande sua experiência quando o assunto é mulher. O senhor não podia ter se confundido. Sabia perfeitamente de quem a srta. Lytton Gore gostava. Por que, então, não a pedia em casamento? O senhor desejava fazê-lo.
“A única explicação: existia algum obstáculo. Que obstáculo podia ser? Só podia ser o fato de que o senhor já tinha uma esposa. Mas ninguém nunca falou no senhor como um homem casado. Sempre foi considerado solteirão. O casamento, então, tinha acontecido quando o senhor era muito jovem... Antes de ficar conhecido como ator em ascensão.
“O que teria acontecido com sua mulher? Se ela ainda estava viva, por que ninguém sabia dela? Se os dois estivessem vivendo separados, existia o remédio do divórcio. Se sua esposa fosse católica, ou se por outro motivo desaprovasse o divórcio, ainda assim seria conhecida como a esposa que vivia separada do senhor.
“Mas em duas tragédias a lei não dá trégua. A mulher com quem o senhor se casou podia estar cumprindo prisão perpétua em alguma penitenciária ou trancafiada num hospício. Em nenhum desses dois casos o senhor podia conseguir um divórcio, e se isso tivesse acontecido em sua juventude talvez ninguém soubesse.
“Se ninguém soubesse, o senhor poderia se casar com a srta. Lytton Gore sem contar a verdade a ela. Mas na hipótese de que alguém soubesse... Um amigo de longa data? Sir Bartholomew Strange, médico honrado e ilibado. Ele podia sentir pena do senhor, podia tolerar uma situação de concubinato ou de vida irregular, mas não ficaria calado ao ver o senhor entrar num casamento bígamo com uma jovem de boa família.
“Antes de o senhor pedir a srta. Lytton Gore em casamento, Sir Bartholomew Strange tinha que sair do caminho...”
Sir Charles riu.
– E o nosso velho e querido Babbington? Também sabia de tudo?
– Foi o que imaginei a princípio. Mas logo descobri que não havia prova que sustentasse essa teoria. Além disso, o imenso obstáculo permanecia. Mesmo se o senhor tivesse colocado nicotina na taça de coquetel, o senhor não poderia ter certeza de que a taça seria destinada a uma pessoa específica.
“Esse era o meu problema. E, de repente, uma palavra casual da srta. Lytton Gore me acendeu a luz no fim do túnel.
“O veneno não era destinado especialmente a Stephen Babbington. Era destinado a qualquer uma daquelas pessoas, com três exceções: a srta. Lytton Gore, a quem o senhor teve o cuidado de entregar uma taça inofensiva, o senhor, e Sir Bartholomew Strange, que, o senhor sabia, não bebia coquetéis.”
O sr. Satterthwaite exclamou:
– Mas isso não faz sentido! Qual o propósito disso? Não existe nenhum.
Poirot olhou na direção dele e respondeu com voz triunfal:
– Ah, sim, existe. Um propósito inusitado, muito inusitado. É a primeira vez que me deparo com um motivo desses. O assassinato de Stephen Babbington foi nada mais nada menos que um ensaio final.
– O quê?
– Sim, Sir Charles, na condição de ator, obedecia a esse instinto. Ensaiou o crime antes de cometê-lo. Nenhuma suspeita poderia ser levantada contra ele. A morte de nenhuma daquelas pessoas poderia beneficiá-lo de algum modo e, além do mais, como já ficou claro a todos, ele não podia ser acusado de ter envenenado uma pessoa específica. E, meus amigos, o ensaio final transcorreu muito bem. O sr. Babbington morre, e a suspeita de crime sequer é levantada. Cabe ao próprio Sir Charles expor tal suspeita, e ele se sente altamente recompensado ao perceber a nossa recusa em levá-lo a sério. A troca da taça, também, foi um sucesso. De fato, ele fica certo de que, quando chegasse o dia da performance real, seria um “sucesso garantido”.
“Como vocês sabem, os acontecimentos tomam rumo um pouco diferente. Na segunda ocasião, o médico que atende a ocorrência de imediato suspeita de envenenamento. Nessas circunstâncias, passava a ser do interesse de Sir Charles realçar a morte do sr. Babbington. A morte de Sir Bartholomew poderia ser presumida como decorrente da primeira morte. A atenção precisa ser direcionada para o motivo do assassinato de Babbington, e não para qualquer motivo que possa existir para a eliminação de Sir Bartholomew.
“Mas teve uma coisa que Sir Charles fracassou em perceber: a vigilância competente da srta. Milray. A srta. Milray sabia que o patrão estava envolvido com experimentos químicos na torre do penhasco. A srta. Milray fez pagamentos referentes à compra de uma solução para ser pulverizada como inseticida nas roseiras e notou que boa parte do produto havia desaparecido sem explicação. Quando leu que o sr. Babbington tinha morrido envenenado por nicotina, seu cérebro perspicaz logo chegou à conclusão de que Sir Charles havia extraído o alcaloide puro a partir da solução para as roseiras.
“E a srta. Milray ficou sem saber o que fazer, pois ela, desde criança, conhecia o sr. Babbington, e amava, com aquele amor profundo e dedicado típico da mulher feia, o fascinante patrão.
“No fim, ela decide destruir o minilaboratório de Sir Charles. O próprio Sir Charles, inteiramente seguro de seu sucesso, não achou a medida necessária. Ela tomou o trem para a Cornualha, e eu a segui.”
De novo Sir Charles riu. Mais do que nunca, ele parecia um requintado cavalheiro enojado pela presença de um rato.
– Um velho equipamento de laboratório é tudo o que o senhor tem como prova? – falou com desdenho.
– Não – rebateu Poirot. – O seu passaporte mostra as datas em que o senhor retornou e saiu da Inglaterra. E no Hospício do Condado de Harverton existe uma interna chamada Gladys Mary Caretta, a esposa de Charles Caretta.
Egg até então permanecera em silêncio – um vulto paralisado. Mas naquele instante ela se mexeu. Emitiu um gritinho – quase um gemido.
Sir Charles se virou com ar majestoso.
– Egg, você não acredita numa palavra desta história ridícula, acredita?
Gargalhou e estendeu os braços na direção dela.
Devagar, Egg deu um passo à frente como que hipnotizada. Os olhos suplicantes, atormentados, fitaram os olhos do amado. E então, pouco antes de alcançá-lo, ela vacilou, baixou o olhar e ficou mirando de um lado para o outro, como quem procura restabelecer a confiança.
Então com um grito ajoelhou-se na frente de Poirot.
– Isso é verdade? Isso é verdade?
Ele repousou as duas mãos nos ombros dela. Um toque seguro e bondoso.
– É verdade, mademoiselle.
Nada mais se ouvia além dos soluços de Egg.
De repente, a aparência de Sir Charles mudou. Tinha a cara de um velho, a cara de um sátiro lascivo.
– Vá para o inferno – disse ele.
E nunca em toda a sua carreira de ator pronunciou palavras com uma maldade tão absoluta e convincente. Em seguida virou-se e saiu da sala.
O sr. Satterthwaite levantou da cadeira num pulo, mas Poirot balançou a cabeça, a mão ainda afagando a moça soluçante.
– Ele vai fugir – avisou o sr. Satterthwaite.
Poirot sacudiu a cabeça.
– Não. Só vai escolher o jeito de sair do palco. Vagaroso, ante os olhos do mundo, ou rápido, pelos bastidores.
A porta se abriu suave e uma pessoa entrou: Oliver Manders. Nem sinal da costumeira expressão de sarcasmo. Em seu lugar, palidez e tristeza.
Poirot debruçou-se sobre a moça.
– Olhe, mademoiselle – falou em tom amável. – Chegou um amigo para levá-la para casa.
Egg pôs-se de pé. Lançou um olhar indeciso a Oliver e depois deu um passo cambaleante na direção dele.
– Oliver... Me leve para mamãe. Ah, me leve para mamãe.
Ele passou o braço em torno dela e a conduziu rumo à porta.
– Sim, querida, eu levo. Venha.
As pernas de Egg tremiam e ela mal conseguia andar. Com Oliver amparando-a de um lado e o sr. Satterthwaite do outro, teve os passos guiados. Chegando à porta, ela se recompôs e jogou a cabeça para trás.
– Estou bem.
Poirot fez um gesto, e Oliver Manders retornou à sala.
– Seja atencioso com ela – pediu Poirot.
– Pode deixar, senhor. Ela é tudo o que eu mais amo neste mundo... O senhor sabe disso. O amor que sinto por ela me tornou amargo e cínico. Mas agora vou ser diferente. Estou pronto para o que der e vier. E algum dia, talvez...
– Acho que sim – falou Poirot. – Acho que ela começava a gostar de você quando ele apareceu e a deixou deslumbrada. Venerar um ídolo é um perigo real e atroz para os jovens. Um dia Egg vai se apaixonar por um amigo e construir sua felicidade sobre um rochedo.
Com um olhar meigo, acompanhou o jovem enquanto ele saía da sala.
Naquele instante, o sr. Satterthwaite voltou.
– Monsieur Poirot – disse ele. – O senhor foi primoroso... realmente primoroso.
Poirot assumiu um ar modesto.
– Não foi nada... nada. Uma tragédia em três atos... E agora caiu o pano.
– Vai me perdoar – disse o sr. Satterthwaite.
– Sim, existe algum ponto sobre o qual o senhor deseja uma explicação?
– Tem uma coisa que eu gostaria de saber.
– Pergunte, então.
– Por que às vezes o senhor fala um inglês perfeito e às vezes não?
Poirot riu.
– Ah, vou explicar. É inegável que sou capaz de falar o inglês correto e idiomático. Mas, meu amigo, falar o inglês macarrônico é um recurso colossal. Desperta o desprezo nas pessoas. Eles dizem: um estrangeiro! Nem ao menos consegue falar inglês direito. Não é minha política amedrontar as pessoas... Em vez disso, sou um prato cheio para o seu escárnio bem-educado. E também me gabo! Ingleses costumam dizer: “Um sujeito que pensa tanto de si não pode valer tanto assim”. Esse é o ponto de vista britânico. Longe de ser verdadeiro. E, assim, eu desarmo a guarda dos oponentes. Além do mais – acrescentou ele – já se tornou um hábito.
– Minha nossa! – exclamou o sr. Satterthwaite. – É a própria astúcia da raposa.
Ele ficou calado por alguns instantes, meditando sobre o caso.
– Receio não ter sido muito brilhante nisso tudo – reconheceu, aborrecido.
– Muito pelo contrário. O senhor frisou aquele ponto relevante: o comentário de Sir Bartholomew sobre o mordomo... E percebeu a aguçada capacidade de observação da srta. Wills. De fato, o senhor poderia ter solucionado o caso inteiro não fosse por sua reação ao efeito dramático, própria de quem frequenta o teatro.
O sr. Satterthwaite mostrou-se contente.
De súbito, uma ideia lhe ocorreu. O queixo caiu.
– Meu Deus – gritou ele –, só agora me dei conta de uma coisa. Aquele canalha e seu maldito coquetel envenenado! Qualquer um podia tê-lo bebido. Inclusive eu.
– Esqueceu outra possibilidade ainda mais terrível – mencionou Poirot.
– Qual?
– Poderia ter sido EU – concluiu Hercule Poirot.
AGATHA CHRISTIE
(1890-1976)
Agatha Christie é a autora mais publicada de todos os tempos, superada apenas por Shakespeare e pela Bíblia. Em uma carreira que durou mais de cinquenta anos, escreveu 66 romances de mistério, 163 contos, dezenove peças, uma série de poemas, dois livros autobiográficos, além de seis romances sob o pseudônimo de Mary Westmacott. Dois dos personagens que criou, o engenhoso detetive belga Hercule Poirot e a irrepreensível e implacável Miss Jane Marple, tornaram-se mundialmente famosos. Os livros da autora venderam mais de dois bilhões de exemplares em inglês, e sua obra foi traduzida para mais de cinquenta línguas. Grande parte da sua produção literária foi adaptada com sucesso para o teatro, o cinema e a tevê. A ratoeira, de sua autoria, é a peça que mais tempo ficou em cartaz, desde sua estreia, em Londres, em 1952. A autora colecionou diversos prêmios ainda em vida, e sua obra conquistou uma imensa legião de fãs. Ela é a única escritora de mistério a alcançar também fama internacional como dramaturga e foi a primeira pessoa a ser homenageada com o Grandmaster Award, em 1954, concedido pela prestigiosa associação Mystery Writers of America. Em 1971, recebeu o título de Dama da Ordem do Império Britânico.
Agatha Mary Clarissa Miller nasceu em 15 de setembro de 1890 em Torquay, Inglaterra. Seu pai, Frederick, era um americano extrovertido que trabalhava como corretor da Bolsa, e sua mãe, Clara, era uma inglesa tímida. Agatha, a caçula de três irmãos, estudou basicamente em casa, com tutores. Também teve aulas de canto e piano, mas devido ao temperamento introvertido não seguiu carreira artística. O pai de Agatha morreu quando ela tinha onze anos, o que a aproximou da mãe, com quem fez várias viagens. A paixão por conhecer o mundo acompanharia a escritora até o final da vida.
Em 1912, Agatha conheceu Archibald Christie, seu primeiro esposo, um aviador. Eles se casaram na véspera do Natal de 1914 e tiveram uma única filha, Rosalind, em 1919. A carreira literária de Agatha – uma fã dos livros de suspense do escritor inglês Graham Greene – começou depois que sua irmã a desafiou a escrever um romance. Passaram-se alguns anos até que o primeiro livro da escritora fosse publicado. O misterioso caso de Styles (1920), escrito próximo ao fim da Primeira Guerra Mundial, teve uma boa acolhida da crítica. Nesse romance aconteceu a primeira aparição de Hercule Poirot, o detetive que estava destinado a se tornar o personagem mais popular da ficção policial desde Sherlock Holmes. Protagonista de 33 romances e mais de cinquenta contos da autora, o detetive belga foi o único personagem a ter o obituário publicado pelo The New York Times.
Em 1926, dois acontecimentos marcaram a vida de Agatha Christie: a sua mãe morreu, e Archie a deixou por outra mulher. É dessa época também um dos fatos mais nebulosos da biografia da autora: logo depois da separação, ela ficou desaparecida durante onze dias. Entre as hipóteses figuram um surto de amnésia, um choque nervoso e até uma grande jogada publicitária. Também em 1926, a autora escreveu sua obra-prima, O assassinato de Roger Ackroyd. Este foi seu primeiro livro a ser adaptado para o teatro – sob o nome Álibi – e a fazer um estrondoso sucesso nos teatros ingleses. Em 1927, Miss Marple estreou como personagem no conto “The Tuesday Night Club”.
Em uma de suas viagens ao Oriente Médio, Agatha conheceu o arqueólogo Max Mallowan, com quem se casou em 1930. A escritora passou a acompanhar o marido em expedições arqueológicas e nessas viagens colheu material para seus livros, muitas vezes ambientados em cenários exóticos. Após uma carreira de sucesso, Agatha Christie morreu em 12 de janeiro de 1976.
Texto de acordo com a nova ortografia.
Título original: Three Act Tragedy Tradução: Henrique Guerra
Capa: designedbydavid.co.uk © HarperCollins/Agatha Christie Ltd 2008 Preparação: Aila Corrent
Revisão: Marianne Scholze
CIP-Brasil. Catalogação na Fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.
C479t
Christie, Agatha, 1890-1976
Tragédia em três atos / Agatha Christie; tradução de Henrique Guerra. – Porto Alegre, RS: L&PM, 2012.
(Coleção L&PM POCKET; v. 1035)
Tradução de: Three Act Tragedy
ISBN 978.85.254.2717-5
1. Romance inglês. I. Guerra, Henrique. II. Título. III. Série.
12-2165. CDD: 823
CDU: 821.111-3
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