A Chave do Enigma

António Feliciano de Castilho · Capítulo 57 de 61

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A Chave do Enigma

Capítulo LV

 

Sobre o livro e sua historia, nada me resta para accrescentar; narrei tudo como o tinha na lembrança; forcejei pelo explicar sem vaidade nem modestia.

É um pobre escripto, que as almas de bem hão-de tomar á boa parte.

Presumpções litterarias, não as tem.

Quem, obedecendo a instinctos maus, exercesse n'elle critica malevola, e até por facillima não muito nobre, juro-lhe eu, sobre minha honra e vida, que perpetraria uma feia acção. Deixem aos chacaes o revolverem sepulturas, e cevarem-se em ossos.

Sei que ha indoles hostis, que ao tomarem um livro novo, levam já o fito em dilaceral-o; e a essas por demais seria o requerer-lhes misericordia.{149}

Permittam-me comtudo rogar-lhes que esperem para entrarem na censura d'este, que o autor haja tambem desapparecido como o assumpto da obra. No intervallo, que não poderá já ser muito longo, aggridam, vulnerem, destruam muito embora qualquer outro dos seus escriptos, e todos; não lhes exceptua nem um só, a não ser o livrinho do ensino primario pelo amor, porque esse não é d'elle; é propriedade inauferivel da puericia, da Patria e da posteridade.