A Chave do Enigma

António Feliciano de Castilho · Capítulo 58 de 61

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A Chave do Enigma

Capítulo LVI

 

 

A collecção de mais de setecentas cartas, de que sahiu como summario a Chave do Enigma, existia completa ha poucos momentos ainda; daria tres volumes que poderiam interessar, se não como historia, como romance intimo certamente; ardeu até ao minimo fragmento, ali, debaixo das arvores do meu jardim; eu proprio lhe puz o fogo, velei a pyra em quanto se não extinguiu, enterrei as cinzas; davam na torre do palacio das Necessidades as quatro da tarde d'este dia 25 de Agosto de 1862.

As razões que me induziram a este sacrificio, rastreiam-n-as todos; o que n'elle soffri, tambem o calo, que não importa a pessoa alguma.

A pedra que o ha-de ficar commemorando, e que algum poeta ou alguma poetisa lá para o futuro em estio ou outono de amores folgará porventura de visitar com este livrinho na mão, dir-lhe-ha isto:

 

AQUI JAZEM AS CINZAS

DA CORRESPONDENCIA

DE

D. M. I. DE BAÊNA

COIMBRA PORTUGAL

E

A. F. DE CASTILHO

QUEIMADA N'ESTE MESMO LOGAR

AOS 25 DE AGOSTO

DE 1862{150}