A Escravidão na Roma Antiga

Fábio Duarte Joly · Capítulo 2 de 21

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A Escravidão na Roma Antiga

1. Escravidão romana: modelos e conceitos

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Escravidão romana: modelos e

 

conceitos

 

É quase consenso atualmente, no campo dos estudos históricos, que a Itália antiga, sobretudo entre os séculos III a.C. e II d.C., fez parte ao lado da

Grécia clássica, do Brasil, do Sul dos Estados Unidos e do Caribe inglês e francês entre os séculos XVI e XIX, do restrito grupo de sociedades

escravistas. De acordo com o historiador Moses Finley (1991, p. 84-85),

uma sociedade é genuinamente escravista quando a escravidão se torna uma instituição essencial para a sua economia e seu modo de vida, no sentido de

que os rendimentos que mantém a elite dominante provêm substancialmente do trabalho escravo.

Como se vê, é uma definição circunscrita ao plano econômico, e que não considera os aspectos sociais e culturais da escravidão. Esse limite tem

sido apontado pela historiografia mais recente, seja nos estudos que buscam salientar o impacto das relações escravistas na conformação da visão de

mundo – expressa sobretudo na literatura – dos antigos romanos (p. ex. Fitzgerald, 2000), seja naqueles em que se observa uma tendência a

minimizar o peso econômico da mão de obra escrava na Itália, alegando a preponderância de outras formas de exploração do trabalho. Nesse último caso, pode-se citar a indagação de Jean Andreau: “A sociedade romana era escravista? A resposta já não passa despercebida, mas não colocamos mais