A Escravidão na Roma Antiga
Para uma ampliação do conceito de sociedade escravista
que se prolonga mesmo após o ato formal da alforria, com limites e possibilidades de ação para os descendentes dos libertos.
Para uma ampliação do conceito de sociedade escravista
A definição de sociedade escravista encontra, atualmente, alguns obstáculos, referentes sobretudo a dois pontos: a quantificação do número
de escravos na Itália e sua distribuição no setor produtivo.
Iniciemos pelo primeiro ponto. De acordo com Walter Scheidel (1999),
desde o trabalho pioneiro de J. Beloch no final do século XIX (Die
Bevölkerung der griechisch-römischen Welt, Leipzig, 1886) até hoje, há
basicamente duas estimativas acerca da população escrava na Itália: para Beloch, de uma população total de seis milhões de pessoas, um terço, ou
seja, dois milhões, era composto por escravos; P. A. Brunt (Italian manpower 225B.C.-A.D. 14, Oxford, 1971), por sua vez, afirma que, dentre
7,5 milhões, três milhões eram escravos. Todavia, ambos os autores partem de hipóteses não verificáveis, seja estabelecendo comparações com o total
da população escrava do Sul dos Estados Unidos (Beloch), seja a partir de estimativas da taxa de crescimento da população de cidadãos da Itália
(Brunt). Além disso, para que as cifras defendidas por Beloch e Brunt se mantivessem constantes, seria preciso que a população escrava tivesse um
alto grau de crescimento vegetativo, o que é duvidoso devido à desigualdade numérica entre sexos, baixo índice de fertilidade e
manumissão. Seja como for, tais números cristalizaram-se na historiografia, sendo aceitos como fatos, embora não tenham qualquer base confiável.
Aliás, a própria documentação não nos auxilia nesse campo. Em primeiro lugar, porque as cifras mencionadas pelas fontes literárias latinas muitas
vezes não remetem a números exatos, como é o caso dos números citados por autores gregos ou romanos a respeito dos escravos capturados em guerras durante a expansão de Roma pelo Mediterrâneo. Também a evidência epigráfica não contribui muito para sanar as dúvidas, pois não há