A Tríade do Tempo
CAPÍTULO 6: Identidade: Quem sou eu realmente?
CAPÍTULO 6
Identidade: Quem sou eu realmente?
“Como seres humanos, nossa grandeza não está
tanto em sermos capazes de refazer o mundo…
mas em sermos capazes de refazer a nós mesmos.”
MAHATMA GANDHI
Como mencionei anteriormente ao tratar do conceito de identidade, este é o momento de nos aprofundarmos na metodologia.
Que imagem vem à sua mente quando você pensa em pessoas como Mahatma Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, Nelson Mandela, Abraham Lincoln, Santos Dumont, Walt Disney e Albert Einstein? Que tipo de contribuição eles trouxeram, que tipo de legado deixaram para a humanidade? Esses e outros nomes sempre serão lembrados pelas lições que deixaram para a história. O trabalho que cada um deles empreendeu teve, em tempo e em proporções diferentes, o poder de mudar o mundo. Eles souberam realizar seus sonhos e nos deixaram, além de exemplos, dezenas de frases e cenas inspiradoras. Realizações que traduzem os sentimentos de milhões de pessoas.
Cada um deles teve uma história pessoal e uma identidade única, que será lembrada por gerações. Eles sabiam o que queriam e viveram para realizar isso de acordo com seus propósitos e ideais. Buscaram fazer de sua vida algo importante.
Você também tem uma identidade – e ela é especial! Não importa se você será famoso como essas pessoas. O que importa é a marca que você deixa, no lugar onde vive, nas empresas por onde passa. O que importa é o exemplo que você dá para seus filhos, sua dedicação à família e a capacidade que tem de agir para realizar seus ideais. O filme Gladiador, de Ridley Scott, tem uma frase emblemática que resume o conceito de identidade. Antes de uma batalha decisiva, o General Maximus, vivido pelo ator Russell Crowe, disse aos seus guerreiros: “O que fazemos em vida ecoa pela eternidade.”
Identidade é a fase inicial da metodologia e, de todas as cinco, a mais importante. Ela é a base que definirá o caminho a ser percorrido nas etapas seguintes. É como definir, por escrito, a direção que a sua estrela pessoal deseja alcançar. É buscar mais clareza e lucidez sobre sua vida. Esses dois ingredientes – lucidez e clareza de visão – nos dão o poder de decidir melhor. Além disso, eles nos ajudam a concentrar a energia necessária para a realização de nossos sonhos.
O objetivo da fase da identidade é definir a posição de cada um perante o mundo e diante de si mesmo. É a fase do autoconhecimento e da reflexão sobre as coisas importantes que compõem a vida. A identidade é a visão do ser humano em sua totalidade, na busca do equilíbrio e da realização pessoal.
Se você não sabe o que deseja, o que e quem é importante na sua vida, se, no fim das contas, não é capaz de dizer exatamente quem é, de que adianta ter meta, planejamento, organização ou capacidade de execução? Fazer as coisas por fazer, de forma mecânica, não traz benefício algum a você. Viver as circunstâncias pode ser muito doloroso. Muita gente só se dá conta disso quando, já com uma idade mais avançada, olha para trás e se pergunta: o que eu fiz da minha vida? Talvez, nessa hora, já não haja mais tempo para construir uma resposta agradável a essa pergunta.
Você tem um DNA que é único em todo o planeta. Ninguém consegue ter um código genético idêntico ao seu. Ele define suas características físicas e sua estrutura biológica. Indica a probabilidade de vir a contrair doenças, os pontos fortes e os fracos de seu organismo. Cada pessoa se torna única pelo uso criativo das informações do seu DNA. A identidade é semelhante na sua definição. Ninguém tem características idênticas às suas. Pode haver características similares, compatíveis, mas nunca idênticas. Você é reconhecido pelo mundo através da manifestação diária da sua identidade. E ela é singular.
“Para ganhar uma guerra é preciso conhecer bem o inimigo.
Para não perder uma guerra é preciso conhecer-se bem.”
SUN T ZU
“Não recorras ao mundo. Procura em ti.
Somente no interior do homem encontra-se a verdade.”
SANTO AGOSTINHO
“O humilde conhecimento de si mesmo
é um caminho muito mais seguro para chegar a Deus
do que a mais profunda pesquisa científica.”
THOMAS KEMPIS
“Teus atos, quando terminaram, na realidade não finalizaram.
Porque a boa obra é uma semente da vida eterna.”
SANTO AMBRÓSIO
“Teus ouvidos ouvirão uma palavra atrás de ti: Este é o caminho,
segui-o, quer andeis à direita quer à esquerda.”
I SAÍAS 30:21
O processo de descoberta da própria identidade é similar ao estouro da rolha de uma garrafa de champanhe: acontece de dentro para fora. Sempre acontece nesse sentido. Quando ela estoura de fora para dentro é porque a garrafa se quebrou. Ninguém pode interferir nesse processo. Ninguém é capaz de dar uma identidade de presente a quem quer que seja!
Conhecer sua identidade a ponto de defini-la com precisão significa especificar ações para seu equilíbrio pessoal, seus papéis, relacionamentos e sua missão de vida. Ela transforma o processo de administração pessoal na busca do sentido da felicidade e de tudo aquilo que é realmente importante para você. É a verdadeira rota de encontro à sua estrela pessoal.
A maioria de nós já parou para pensar sobre isso pelo menos uma vez na vida. Muitos até têm definidos alguns desses itens e sabem como gostariam de ser e o que gostariam de mudar em suas vidas. Se você já tiver definido todos ou algum desses itens, parabéns! Espero poder ajudá-lo a revisá-los. Se ainda não pensou sobre isso, este é o momento de refletir a respeito do que realmente é a sua vida. Vale a pena dedicar um pouco do seu tempo para descobrir isso.
Seus papéis
“Não ergas um edifício alto sem fortes alicerces;
se o fizeres, viverás com medo.”
PROVÉRBIO PERSA
Sua identidade se manifesta no mundo através das diversas funções que você exerce de forma implícita ou explícita. A vida é um grande palco e todos somos atores representando diversos papéis.
O conceito de papéis não está ligado a nenhum autor específico. Quem mais avançou em sua formulação foi Jacob Levy Moreno, pai do psicodrama. Ele desenvolveu diversos estudos e propostas que destacaram a importância dos papéis e da identidade na constituição do indivíduo. O psicodrama se baseia no conceito do teatro com o intuito de promover vivências que possibilitem a manifestação das ideias, dos conflitos sobre um tema, dos dilemas morais, dos impedimentos e das possibilidades de expressão em uma situação específica.
O termo “papel” vem do latim medieval, da palavra rotulus, que pode significar tanto “uma folha enrolada contendo um escrito” como também “aquilo que um ator deve recitar numa peça de teatro”. Fazendo uma analogia com o teatro, um papel nada mais é do que um conjunto de comportamentos que um ator encena em um determinado cenário. Você é o ator principal da peça chamada Vida!
Papéis são, na minha concepção, formas de agir que o indivíduo assume em momentos específicos, em um determinado ambiente e nos relacionamentos em geral. Você deve conhecer pessoas que, no trabalho, em seu papel profissional, têm uma determinada postura. Mas quando estão com amigos ou em casa são completamente diferentes. Você troca de papéis de acordo com o ambiente ou a situação. Mas isso não tem nada a ver com caráter ou princípios. Isso não significa que em cada papel você tem um caráter diferente de acordo com a situação que enfrenta.
Veja a seguir, como exemplo, uma lista de papéis:
Eu, marido, pai, filho, mãe, irmão, familiar, técnico, avô, estudante, supervisor de vendas, líder,
gerente, jogador, psicólogo, amigo, escritor, namorado, empreendedor, inventor, voluntário, padre, conselheiro, cantor, esportista, vendedor, palestrante, programador, maestro, médico, dançarino, motivador, gerador de resultados, galanteador, gênio, professor, investigador, facilitador, comunicador, presidente, animador, palhaço, etc.
Repare que a lista é bem diversificada. Você pode ter diversos papéis que variam entre profissionais, pessoais ou até alguns criativos. Você pode ter alguns dos papéis exemplificados na lista anterior ou pode ter papéis diferentes. A lista é infinita. Já vi e ouvi papéis dos mais variados.
Não importa o nome do papel e quão diferente ele possa parecer. O que importa é que ele é uma função que você exerce em um determinado momento, pertinente e constante em sua vida, à qual você dedica parte de seu tempo. E se você dedica tempo a esse papel, torna-o extremamente relevante para a sua administração pessoal.
Cada papel tem um limite de atuação, uma definição específica para cada pessoa que o exerce. Os objetivos em torno dele também variam de pessoa para pessoa. O papel de empreendedor, por exemplo, pode levar um determinado indivíduo a abrir novos negócios a partir de ideias inovadoras. Para outro, o mesmo papel pode ter um significado diferente, como, por exemplo, vestir a camisa da empresa em que trabalha e dedicar-se ao máximo a seu emprego e, a partir da capacidade de iniciativa, gerar resultados expressivos para a organização.
Definir com precisão o significado de um determinado papel na sua vida e, mais do que isso, saber com exatidão os resultados que você espera obter com ele é uma forma de chegar ao autoconhecimento. É, também, uma maneira de estabelecer os limites de cada um deles e impedir que eventuais superposições causem a contaminação de papéis.
Essa contaminação acontece quando não trocamos de papéis em cenários que exigem mudança ou quando um papel está invadindo o espaço do outro. Esse risco existe e seus efeitos costumam gerar aborrecimentos. A contaminação de papéis é um grande fator causador de estresse. Isso é nítido, por exemplo, no momento em que continuamos exercendo um determinado papel numa situação em que uma mudança de cenário exige de nós um desempenho diferente. Qual filho, ou esposa, nunca se queixou do pai, ou do marido, que traz problemas do trabalho para casa?
Um participante de um seminário trouxe, certa vez, um exemplo pessoal que ilustra essa situação de maneira bem clara. Ele era gerente de uma grande loja e disse que, ao chegar em casa, costumava se dirigir a seus filhos e à sua mulher como se fossem seus subordinados. Dava ordens, elevava o tom de voz e exigia que tudo fosse feito no seu ritmo. Era como se continuasse no seu local de trabalho. Com o tempo, reparou que seu estado de espírito só se alterava quando ele se livrava da gravata. Nesse momento, ele se dava conta de que estava em casa e precisava assumir o papel de chefe de família. Quando tomou consciência disso, passou a mudar de atitude em casa. Seu relacionamento com a família e a qualidade do ambiente doméstico, claro, melhoraram muito. Muitas vezes, os indicadores de um papel são extremamente simples. O importante é apenas tomar consciência da necessidade de delimitar o território de cada papel e não permitir que um deles invada o terreno do outro. Nem que para isso sejam necessários gestos simples como o de desatar o nó da gravata antes de entrar em casa.
Papéis podem conter metas específicas a serem alcançadas. Podem ter implicações quanto a aspectos pessoais ou profissionais, critérios de dedicação de tempo, qualidade dos relacionamentos vinculados ao papel em questão e uma série de outras atividades. Quando você estabelece objetivos para seus papéis e começa a trabalhar para alcançá-los, passa a dedicar parte de seu tempo a um aspecto muito importante de sua vida.
Se você desempenha o papel de artista plástico e dispõe de apenas 30 minutos por dia para dedicar à criação de seus quadros, essa meia hora passa a ser extremamente importante na sua rotina. É assim que pequenos detalhes começam a valer a pena e a ter um sentido mais claro em nossas vidas. Isso mostra que administrar a vida é mais importante do que “administrar o tempo”, de acordo com o que é importante para você! Esta é uma visão muito mais abrangente e holística sobre o tema.
Os pequenos detalhes tornam-se grandes à luz das prioridades. Você talvez seja, por exemplo, um engenheiro que dedica parte de seu tempo à música. Isto é, tem um papel de músico. Em determinado momento você, que já é um pianista, decide aprender a tocar outro instrumento, o violino, para realizar um sonho de infância. Para concretizar a meta relacionada com esse papel serão necessários diversos passos, como comprar um violino, procurar um bom professor, matricular-se no curso, frequentar as aulas e dedicar parte de seu tempo, de preferência todos os dias, à prática. Ou seja, a partir dos papéis que desempenha, você pode desenvolver metas. Para serem cumpridas, elas precisarão de tempo e de organização.
Identificar, definir (metas), planejar, organizar e executar. Percebeu como as fases são sequenciais, cíclicas e interligadas?
Papéis desenvolvidos e rudimentares
Você desempenha diversos papéis. Aqui, o importante não é a quantidade de papéis que assume, mas a forma como se dedica a cada um deles. Como diz o slogan: Não basta ser pai, é preciso participar. Da mesma forma, não adianta ser esportista, é preciso se exercitar; não é suficiente ser músico, é preciso ensaiar; não é possível aprender um novo idioma sem estudar constantemente. Um papel pode precisar de maior ou menor dedicação. A medida certa é você quem determina com base na importância desse papel para sua vida.
Existem papéis que são extremamente desenvolvidos. Talvez porque você tenha mais prazer em exercê-los, simplesmente porque eles fazem parte da sua rotina diária, ou talvez porque você seja talhado para eles. Por exemplo: o papel de técnico pode ser muito desenvolvido caso você trabalhe como técnico de manutenção em uma empresa. O papel de amigo pode ser muito desenvolvido se você tem o hábito de telefonar e de se reunir com sua turma com muita frequência.
Alguns de nossos papéis são rudimentares ou pouco desenvolvidos. São aqueles para os quais dedicamos pouco tempo porque não gostamos deles, porque não temos coragem suficiente para abraçá-los como gostaríamos ou, ainda, porque as 24 horas do dia não são suficientes para todos os papéis que exercemos. Às vezes, um papel do qual você não gosta ou que não desempenha com frequência pode ser eliminado. Isso evita uma sobrecarga. Eliminar os excessos é uma forma de ganhar tempo.
O problema está quando o papel rudimentar é um papel importante, que deveria merecer mais sua atenção. Por exemplo: o papel de pai, o de filho, o de marido, o de funcionário, o de amigo, etc. Quando um papel importante como esses passa a ser pouco desenvolvido, você se sente culpado, angustiado, decepcionado… Tem a sensação de que faz muitas coisas, de que tem a agenda cheia, mas deixa o que é importante de lado. Esse pode ser o ponto de partida para um processo mais grave, como o desenvolvimento do sentimento de culpa e a depressão. É comum, quando isso acontece, você começar a se cobrar e se sentir mal por isso.
Um dos meus papéis mais fortes é o de empreendedor. Desde os 7 anos de idade, ele vem sendo exercitado de forma contínua. Já meu papel de pai é uma aprendizagem constante. Quando eu era criança, não gostava muito de brincar. Com meu filho também não gostava muito. Não gostava, mas sempre fiz questão de brincar com ele. Faço isso por amor e pela necessidade que ele tem de brincar comigo.
A forma que achei de trabalhar esse papel foi, quando estou com ele, fazer brincadeiras de que gostamos, como, por exemplo, andar de skate, brincar de carrinho, jogar tênis ou videogame, coisas legais que fazemos no nosso ritmo. Fica divertido para mim e para ele. É o prazer, não a obrigação, que faz o meu papel de pai ser melhor. Mas isso não impede os comentários dos outros, dizendo que é para eu brincar mais ou fazer isso ou aquilo. Neste caso, eu achei o meu ponto de equilíbrio e estou muito feliz. Os comentários não me afetam mais, pois estou bem comigo mesmo e com meu filho. O que os outros pensam de mim é problema deles, e não meu! Concorda?
Existe ainda um papel fundamental, o seu próprio papel. O papel EU. O núcleo do ser. A sua mais profunda relação com você mesmo. Você também precisa de dedicação! Temos a tendência de cuidar demais das outras pessoas, de nos preocupar com os problemas dos outros e deixar nossos problemas de lado.
Você precisa meditar, relaxar, aprender, amar, dormir, se divertir. Muitas vezes esse é o papel mais negligenciado. É necessário reservar um tempo para você mesmo, para curtir as coisas boas da vida, apreciar e agradecer tudo o que tem.
Quando aprendi esse conceito, comecei a marcar reuniões formais na agenda comigo mesmo. Minha secretária achou muito estranho no começo, mas se acostumou. Essas reuniões eram um tempo dedicado a fazer algo que EU quisesse e gostasse. Podia ser ouvir música, tomar água de coco, passear de carro, andar de skate, jogar tênis, ver um filme, etc. Podia ser qualquer coisa importante para mim naquele momento. Que tal marcar uma reunião com você mesmo na próxima semana, hein?
Se acha neurótico marcar na sua agenda uma reunião com você mesmo, saiba que só fiz isso depois que minhas promessas constantes de tirar alguns minutos durante o dia falharam. O compromisso formal me ajuda a cultivar esse hábito. Se você não precisa disso, ótimo! Tire alguns minutos quando achar necessário!
O americano Spencer Johnson escreveu um verdadeiro tributo ao papel EU em seu livro Um minuto para mim. Ele afirma que cuidamos demais dos outros e pouco de nós mesmos, e apresenta a técnica do um minuto para você, que sugere parar algumas vezes durante o dia e fazer algo importante, perguntando a si mesmo: O que posso fazer no próximo minuto para melhorar meu dia? Vale a pena começar a dedicar um minuto para você!
Os relacionamentos importantes da sua vida
Se, por acaso, seu médico falasse que você tem apenas mais 24 horas de vida, o que você faria nessas horas finais? Se você fizesse uma retrospectiva da sua vida, como responderia a estas perguntas:
O que você conseguiu realizar em sua vida e o que nem tentou?
Que sonhos se realizaram e quais foram abandonados?
O que as pessoas importantes da sua vida falariam de você após sua morte?
O que diriam seus pais e filhos nesse momento? Eles se lembrariam das conversas que vocês tiveram, dos passeios, das brincadeiras? Ou apenas se lamentariam de não terem aproveitado mais tempo com você?
O que eles falariam de você para as próximas gerações?
O que ficou, para sempre, no coração de cada pessoa que conviveu com você?
Como você demonstrou sua identidade ao seu mundo?
Que marca você deixou no mundo?
Pense nessas perguntas por alguns minutos.
Não gostou muito das respostas? Não tem problema, você não vai morrer agora, ainda há tempo de melhorar as coisas que precisam ser melhoradas e mudar as que precisam ser mudadas. Viver melhor seus papéis e seus relacionamentos. Está na hora de reescrever a sua história!
Sempre que faço essas perguntas em algum curso ou palestra, as reações são surpreendentes. Tenho diversos feedbacks sobre as coisas que as pessoas ouviram e não gostaram e querem viver para mudar. De todas as cenas que você viu, ouviu e sentiu na retrospectiva da sua vida, o que foi mais importante para você? As que mostravam as pessoas ou os bens materiais?
Uma vida não seria nada sem as pessoas que fazem parte dela. Muita gente está tão concentrada em ganhar dinheiro e subir na vida profissional que, depois de conquistar tudo o que desejava, olha para seu passado e se arrepende das pessoas que deixou para trás, dos amigos que esqueceu ou perdeu, da família que se desmanchou, do casamento que não deu certo, dos filhos que não se tornaram seus amigos. Essas pessoas ficam sozinhas e descobrem, muito tarde, que a vida não vale a pena pelo tamanho da conta bancária, mas sim pela intensidade e qualidade dos relacionamentos.
Um papel não poderia existir se não fosse pelas pessoas que fazem parte dele. Você não vive isolado, você se relaciona com diversas pessoas em função dos diversos papéis que desempenha. Quando um papel seu interage com o de outra pessoa, é formado um relacionamento.
Em cada papel existem pessoas-chave que compõem esses relacionamentos, que são importantes. É preciso reservar tempo para conviver com elas. São as pessoas que você viu no filme da sua vida que irão falar de você (bem ou mal) no seu enterro. São essas pessoas que vão continuar sua história, perpetuar seu legado.
A administração pessoal não seria coerente se não previsse dedicação a essas pessoas. É preciso ter tempo para viver seus relacionamentos. Você verá que em diversas fases da metodologia os relacionamentos são mencionados, pois eles são parte de sua essência.
Faz parte do processo de definição dos seus papéis identificar as pessoas-chave pertencentes a cada um deles. Deve-se escrever uma lista das pessoas verdadeiramente importantes, às quais você gostaria de dedicar seu tempo.
Depois que as pessoas estiverem definidas, é importante que você escreva uma declaração para cada uma delas. Esse texto irá resumir tudo o que você gostaria de dizer e a forma como pretende viver para esse relacionamento. Deve ser algo esclarecedor, objetivo, agradecido e com um propósito. Pode ser uma declaração de amor, um parágrafo, uma piada, uma frase. Não importa o tamanho, e sim o significado para você e para essa pessoa.
Por exemplo: em meu papel de filho, escrevi a seguinte declaração para minha mãe: “Mãe, Muito Obrigado! Você me ensinou a ousar, a amar, a ser sensível. Você me deu carinho e atenção além do apoio que sempre tive. Te amo Demais! Pode sempre contar com seu filho e amigo em tudo. Quero ser sempre seu apoio no que precisar.”
Aconselho você a enviar essa declaração por e-mail para essa pessoa. Pode ser alguém com quem você não fala há algum tempo, um amigo próximo, um familiar ou um colega de trabalho. Não importa a pessoa ou a distância. Afinal de contas, a internet acabou com a distância geográfica. O importante é o resultado dessa ação. Se você se sentir confortável com essa dinâmica, experimente! É muito gratificante expor a forma como você quer se dedicar ao relacionamento.
Muitas dessas pessoas podem se surpreender com a maneira como você encara esse relacionamento. Podem mudar, agir diferente, se comprometer, buscar alternativas, apoiá-lo, compartilhar da visão com você, etc. Gandhi usou apenas de palavras para criar um relacionamento com toda uma nação. Palavras podem ser amargas, mas também podem ser doces. É mais importante usar palavras para unir pessoas do que para afastá-las.
Quando enviei essa declaração para minha mãe, ela me escreveu uma linda carta de agradecimento. Ela se sentia culpada e achava que não tinha sido uma boa mãe, mas quando leu minha declaração sentiu-se aliviada e recompensada. Foi apenas um parágrafo, mas fez toda a diferença para ela. Era algo que eu sempre soube, mas nunca havia lhe dito.
Após uma palestra, recebi o feedback de uma senhora que não falava com a filha havia alguns anos, por motivos que desconheço. Ela pensou profundamente sobre seu papel de mãe e a falta que sua filha lhe fazia. Após alguns dias ela enviou um pequeno cartão que dizia simplesmente: “Filha. Desculpe sua mãe pelo que passou. Eu te amo e quero retomar nossa amizade.” Ela contou que a filha ligou no mesmo minuto que leu o cartão, dizendo que também a amava e pedindo desculpas por não ter ligado antes, mas achava que a mãe não queria mais falar com ela. Anos foram recuperados com uma simples frase. Às vezes, uma frase consegue tocar a alma de uma forma que anos silenciosos não conseguiriam fazer.
Esse tipo de definição de pessoas-chave não é restrito ao ambiente familiar ou amoroso. Você pode escrever frases para clientes, parceiros, fornecedores, colegas de trabalho, etc. Defina a forma como você gostaria que fosse esse relacionamento, transforme-o em palavras e envie-o para essas pessoas importantes.
Que tal escrever algo para uma pessoa importante? Dê uma pausa na leitura, vá ao seu computador ou pegue seu caderno, escolha pelo menos uma pessoa e envie sua declaração de relacionamento para ela.
Lembre-se: a sua vida é a marca pessoal que você deixa em todos os seus relacionamentos, por isso aproveite as pessoas enquanto elas estão com você. Relacionamentos felizes são o reflexo de suas atitudes.
Como identificar papéis e pessoas-chave na prática?
Se você tem dificuldades para identificar e definir seus papéis e relacionamentos, esta seção traz algumas dicas muito úteis que podem auxiliar nesse processo.
O primeiro passo para identificar seus papéis é pensar em todas as funções que você exerce na sua vida pessoal e profissional. Faça uma lista o mais completa possível. Você pode acrescentar funções que ainda não exerce, mas gostaria de exercer. Para facilitar a preparação da lista, você pode pensar em pessoas de seu relacionamento e definir o tipo de função que desempenha com elas.
Com a lista pronta, comece a agrupar suas funções similares. Esses agrupamentos poderão se transformar em papéis. Por exemplo, caso você exerça as funções de neto, primo, cunhado, filho, então pode agrupar todas elas em um papel chamado familiar.
Se uma função é muito específica ou merece atenção especial, então deve ser considerada como um papel individual. Não se preocupe com a quantidade neste momento.
Definidos os papéis, inicie agora um processo de eliminação. Minha recomendação é que você mantenha até oito papéis para desempenhar. Isso não é uma regra, é apenas uma sugestão.
Quanto menos papéis você tiver, mais tempo terá para dedicar-se às pessoas-chave. É a partir de uma análise como esta que você descobre que exerce papéis demais na sua vida e que, talvez, isso esteja tomando tempo em excesso. Talvez alguns papéis possam ser eliminados para evitar sobrecarga e trazer um pouco mais de equilíbrio entre os outros.
Com seus papéis estabelecidos, a próxima etapa é a definição de cada um deles. Existem algumas perguntas-chave que podem ser feitas para auxiliar nesse processo. (Acrescente o nome do papel – por exemplo, pai, profissional, músico, etc. – nas lacunas):
1. O que significa ser _____________ para mim? 2. O que eu faço e até onde vão meus limites como _____________? 3. O que é mais importante que eu conclua ou deixe de mensagem ao fim de minha vida
como _____________?
4. O que eu gostaria de fazer para melhorar minha atuação como _____ _____________?
O passo final é definir as pessoas importantes em cada papel e desenvolver uma declaração para elas. Não acrescente pessoas demais. Inclua apenas aquelas a quem você gostaria de dedicar mais tempo.
Algumas perguntas também podem ser feitas para ajudar na definição das pessoas importantes e na declaração para elas:
1. Que pessoas importantes fazem parte do meu papel de _____________, às quais eu
gostaria de dedicar parte do meu tempo?
2. O que _____________ significa para mim? 3. Como eu gostaria de viver para me relacionar melhor com _______________? 4. O que eu gostaria de deixar como lembrança para ________________ no dia de minha
morte?
Com esse processo concluído, sua lista deve conter papéis e pessoas-chave, conforme o exemplo abaixo:
PAPEL: Voluntário
Ajudar pessoas idosas, transmitindo meus conhecimentos e habilidades em trabalhos manuais para
DESCRIÇÃO:
diverti-las.
PESSOAS-CHAVE: Clair (gerente do asilo); Odete (enfermeira); Grupos de idosos
Clair – Após anos voltamos a nos reencontrar. Gostaria de ajudá-la em sua missão de vida e que trilhássemos juntos um ambiente de fraternidade e ajuda ao próximo. Conte comigo para o que precisar.
Odete – Você é uma pessoa especial, seu carinho com os idosos é algo contagiante. Quero aprender
DECLARAÇÕES: muito de sua humildade e doação.
Grupo de Idosos – Queridos amigos, podem contar com minha dedicação para ajudá-los no que for necessário.
Quero, no tempo em que estivermos juntos, criar um ambiente divertido, de confiança e de muita doação para todos.
Não é tão difícil quanto parece. Essa reflexão é muito interessante, é uma descoberta de coisas que são prazerosas e reforçam nosso desejo de cultivar esses papéis. Por outro lado, se não paramos para pensar, corremos o risco de deixá-las de lado.
Analisando papéis e relacionamentos
Não adianta apenas identificar seus papéis e relacionamentos se você não os transformar em ações na sua vida. A teoria é linda, mas a prática deve ser efetiva. Você deve se planejar para executar constantemente ações em cada um de seus papéis, pois, uma vez identificados, pertencem ao seu foco de importância.
Algumas vezes não temos consciência de como estamos atuando nesses papéis e relacionamentos. Você pode achar que tem se dedicado ao papel de amigo quando na verdade só tem tido olhos para o papel de namorado. Por isso é preciso que você monitore e acompanhe a sua atuação em cada um de seus papéis.
Para facilitar a compreensão e aplicação desse conceito, sugiro o desenvolvimento de um gráfico para papéis pessoais. Assim, você pode analisar a sua dedicação em cada uma dessas áreas e reavaliar o uso de seu tempo conforme a sua vontade consciente, e não circunstancial.
O gráfico de papéis pessoais mostra todos os papéis desempenhados por você e o tempo dedicado a cada um deles. O objetivo não é ser matemático nem analítico, mas consciente. A análise deve ser cuidadosa. Lembre-se sempre de que quantidade não significa necessariamente qualidade!
Esse gráfico reflete o consumo médio de tempo dedicado a cada papel em um determinado período. Com base nas atividades executadas durante a semana, o Neotriad permite que você classifique suas atividades de acordo com seus papéis e gere automaticamente gráficos como os dos exemplos a seguir. Recebemos muitos comentários positivos sobre essa forma de analisar as áreas deficitárias do nosso tempo, que serve como uma reflexão para melhoria.
Vamos utilizar o exemplo de uma mulher com cinco papéis identificados além do papel EU. Ela dedica a maior parte do seu tempo ao papel profissional, enquanto seu papel mais rudimentar é o familiar.
O uso do gráfico simplesmente mostra como você está gastando seu tempo em cada papel. Já vi pessoas se surpreenderem ao verem seus gráficos. Algumas garantiam que se dedicavam mais a um ou outro papel, ou que gostariam de melhorar um papel específico que consideravam importante. Uma pessoa em um seminário me disse após ver seu gráfico: “Nossa! Esqueci que tenho marido e nem sabia! Vou começar a ser uma esposa melhor antes que ele perceba isso!”
Não existe um equilíbrio perfeito entre papéis. Não há como dedicar tempos iguais a todos eles. Você é quem sabe a forma certa para esse gráfico. Você deve agir para transformar seu gráfico no ideal para você.
Em geral, o papel profissional é sempre o que apresenta maior dedicação de tempo. Dedicamos, em média, 25% das horas totais de nossa semana ao trabalho. É até bom que ele se destaque de forma gritante no gráfico. Em primeiro lugar, porque o trabalho é realmente uma atividade importante. Mas mostra, também, que a vida não é apenas trabalho. Existem outros papéis que também necessitam de seu tempo.
O mais importante é perceber que, em primeiro lugar, não adianta ter muitos papéis, pois não há tempo para exercê-los bem. A segunda coisa é se perguntar se existe algum papel ao qual você gostaria de dedicar mais tempo e, neste caso, agir para mudar esse gráfico.
Uma das formas de aumentar a dedicação a um determinado papel é por meio de seus relacionamentos. Um amigo certa vez me disse: “Se você quiser construir um bom relacionamento com alguém, saia sozinho com essa pessoa.” Comprovei isso com meu filho: quando comecei a fazer esporte sozinho com ele, nosso relacionamento melhorou muito. Ficamos muito mais próximos, muito mais amigos.
Os gráficos não devem ser utilizados matematicamente, eles não dizem se está ou não na hora de passear com sua avó, seu amigo, etc. Eles devem ser utilizados como um espelho de reflexão e análise pessoal. Você tem que olhar para o seu gráfico e perguntar: Está bom assim ou preciso melhorar alguma coisa? A única análise certa para esses gráficos será feita por você!
Você pode criar gráficos ideais para você. Ou seja, você pode desenhar o gráfico de como gostaria de atuar em seus papéis e relacionamentos e fazer dele um objetivo a ser alcançado. No exemplo, ela poderia dedicar mais tempo ao marido, à casa e a ela mesma. Logo, sua meta poderia ser ter o gráfico de papéis mais equilibrado, conforme o exemplo a seguir:
As atividades exercidas de forma espontânea e divertida com as pessoas de suas relações ajudam sua tríade pessoal a se aproximar da ideal. Você começa a dedicar tempo às coisas importantes e deixa as urgências e circunstâncias em segundo plano – de onde nunca deveriam ter emergido.
Equilíbrio pessoal
“Que os homens não procurem ser considerados grandes por
outros homens, mas reconheçam internamente a grandeza de
Deus, inerente a todas as manifestações da vida.”
SAINT GERMAIN
Pense em quanto há de sabedoria e reflexão nas palavras de Saint Germain. O mundo se transformou no império do marketing de consumo, que transforma um homem em um ser melhor que o outro pelo seu terno, caneta, perfume, carro, etc. A humanidade preocupa-se tanto com comparações fúteis e esquece-se da grandeza que possui dentro de si.
Quantas pessoas você conhece que são extremamente bem-sucedidas na área financeira e padecem para se estabilizar em um relacionamento? Quantos profissionais se matam de trabalhar todos os dias, se alimentam mal, se esquecem de fazer esporte, de ter amigos ou de demonstrar a Deus agradecimento por tudo o que conquistaram?
Estamos fragmentados dentro do nosso próprio “templo”. Estamos preocupados demais com as aparências e com a rotina. Existimos, mas deixamos de viver. Não saboreamos o prazer da vida, mas sempre estamos pedindo mais.
Fala-se tanto de equilíbrio e qualidade de vida nos dias de hoje, mas são poucos os felizardos que os têm verdadeiramente. Equilíbrio e qualidade de vida não se compram em uma livraria ou farmácia, eles se encontram dentro de você, em seus diversos corpos.
O homem possui quatro dimensões de sua existência, conforme mencionamos anteriormente: física, mental, emocional e espiritual. Juntas, elas formam a unicidade do seu ser, as bases do seu “templo”. Mark e Elizabeth Prophet, em seu livro Climb The Highest Mountain, as chamam de quatro corpos materiais e dizem que são os meios para a evolução do homem na Terra.
Mente, coração, espírito e corpo juntos formam você! Você já viu uma Matriochka? São bonecas russas que se encaixam uma dentro da outra com perfeição. Assim são nossos corpos, interligados e conectados.
Eles são interdependentes. Logo, o desequilíbrio de um pode afetar todos os demais. Tudo o que fazemos está relacionado com os nossos quatro corpos e contribui para o equilíbrio ou desequilíbrio deles.
O conceito dos quatro corpos é algo extremamente rico e complexo. Ele é estudado em diversas áreas da teologia, filosofia e psicologia. A partir dele, podemos fazer duas analogias relevantes.
A primeira é a relação com os quatro elementos da natureza, identificados desde os gregos antigos. Na Grécia antiga, os elementos correspondiam às faculdades do homem: moral ou espiritual (fogo), física (terra), intelectual (ar) e emocional (água). A segunda relação é com as definições das funções da consciência de Carl Jung: sensação (físico); pensamento (mental); sentimento (emocional) e intuição (espiritual).
O equilíbrio é conquistado quando conseguimos administrar essas quatro dimensões. Somos o maestro de uma grande orquestra. Precisamos reger a mente para agir com o coração, que responde ao espírito que age através do corpo.
O corpo físico
“A saúde, como a fortuna, deixa
de favorecer os que abusam dela.”
SAINT-ÉVREMOND
“Cuide bem do seu corpo. Afinal, você mora nele.”
ABÍLIO DINIZ
O corpo físico está relacionado à terra, o elemento mais seguro e estável, e à função de sensação, a qual percebe o mundo através dos cinco sentidos.
Se você tivesse uma Ferrari, colocaria gasolina adulterada no tanque? Não? Então, por que você come comidas gordurosas que elevam seu colesterol e aumentam suas chances de ter um infarto? A analogia pode ser distante, mas, se pensarmos bem, qual a diferença entre a Ferrari e o seu corpo? Qual tem mais valor? Por que cuidamos melhor de um do que de outro?
Se o seu corpo parar de funcionar, sua vida acaba. Precisamos cuidar bem do nosso corpo, pois ele é o veículo que nos leva aos resultados que desejamos. Por isso, ele precisa de combustível de qualidade!
Nosso cérebro é poderoso. Se ele repara que você não dá descanso para o corpo, ele faz isso por você enviando uma doença. Tenho um amigo que mudou completamente seu ritmo de vida ao colocar um marcapasso aos 21 anos de idade. (Isto mesmo: 21 anos.) Tive um sócio muito querido que, após cinco infartos seguidos, não teve a mesma sorte. A pergunta é: por que precisamos que o corpo chegue perto de parar para mudar?
Devemos encarar nossas doenças como aprendizados e não como problemas. Quando meu pai me disse isso uma vez eu não acreditei, mas descobri que era sério. Nosso corpo físico pode estar nos emitindo uma mensagem. Pode ser um pedido de férias, de mais exercícios, menos álcool, parar com as drogas, respirar melhor, se espreguiçar de manhã, beber mais água, etc. Que mensagem seu corpo está enviando para você?
Eu sempre tive muita dor nas costas e nos ombros. Um dia parei para pensar no que isso podia significar. Eu estava em um período muito sério, tenso e preocupado e por isso achei que a tensão nos meus músculos pudesse ser um reflexo da minha pressão no trabalho.
Comecei a rir mais, a me preocupar menos e procurei me divertir mais no trabalho, marcar mais reuniões comigo mesmo, fazer piadas e até comprei um carimbo do smile. Fiquei mais relaxado comigo mesmo. Resultado: em pouco tempo as dores foram embora! Preste sempre atenção nas mensagens subliminares que as doenças nos transmitem antes que a mensagem enviada seja muito forte e você não consiga mais reescrever sua história.
Todas as atividades que você faz para melhorar sua saúde e seu bem-estar são relacionadas com o corpo físico. O que você pode fazer por si mesmo durante o seu dia a dia para melhorar sua máquina?
O corpo mental
“Embora os mestres e os livros sejam auxiliares necessários,
é do esforço próprio que resultam os mais
complexos e brilhantes resultados.”
GARFIELD
O corpo mental está relacionado com o elemento ar, que voa assim como nossos pensamentos. O ar é intocável e invisível como as ideias, é o raciocínio e as atividades intelectuais. Relaciona-se à função de pensamento de Jung, a qual organiza, classifica, analisa e aprende o significado das coisas.
Desenvolvemos nossa mente desde que fomos concebidos. O cérebro é a máquina mais complexa que existe na Terra e ninguém até hoje sabe exatamente como ele funciona. Mas todos sabemos o que ele é capaz de produzir.
O corpo mental está relacionado com nossos pensamentos, as coisas que aprendemos, que ensinamos, que escrevemos. Nossa mente funciona 24 horas por dia. Até em nossos sonhos estamos aprendendo.
Se o corpo é o hardware, a mente é o software. E, como todo software, ela pode ser programada para obter os resultados que gostaríamos. A programação neurolinguística (PNL) e outras ciências têm estudos com esses objetivos.
Existem diversas definições para PNL. Anthony Robbins, em seu livro Poder sem limites, define a PNL como a ciência de como dirigir seu cérebro de uma forma favorável para conseguir os resultados que deseja. Richard Bandler, um dos criadores da PNL, a define como uma atitude, uma metodologia, que deixa um rastro de técnicas. Eu gosto de definir a PNL como uma linguagem de programação capaz de desenvolver qualquer tipo de programa instalável no ser humano.
Fazer cursos de PNL foi uma meta pessoal que estabeleci para desenvolver meu corpo mental. Foi excelente também porque conheci um grande profissional, Gilberto Cury, um dos principais e mais competentes instrutores de PNL no mundo. Foi ele quem ajudou a colocar por terra a crença de que uma pessoa da área de ciências exatas não podia ser escritor.
Existem diversas formas de você exercitar seu corpo mental, além do seu trabalho diário. Pode ser através de um bom filme, uma palestra, um curso ou de uma visita à livraria. Você pode escrever uma carta, ensinar algo e fazer uma série de outras atividades. As possibilidades são infinitas.
O corpo emocional
“No amor, nem sempre são as faltas o que mais
nos prejudica, mas sim a maneira como procedemos
depois de as ter cometido.”
OVÍDIO
O corpo emocional se relaciona ao elemento água, que traz uma lição importante através dos orientais: eles dizem que a água é “ação pela não ação”, pois ela não resiste, não se impõe, evapora e condensa-se, contorna todos os obstáculos e chega sempre aonde tem de chegar. Carl Jung fala da função de sentimento, aquela que julga e valoriza.
O corpo emocional ou social está vinculado à necessidade básica do ser humano de se relacionar com seus semelhantes. Todos os sentimentos e emoções manifestados através de nosso corpo físico são gerados pelo corpo emocional.
Muitas vezes, renunciamos aos nossos próprios sentimentos e acabamos por nos anular, seja numa relação a dois ou em grupo. Por medo da perda, deixamos de ser verdadeiros e acabamos por viver uma aparência, desequilibrando todas as nossas reações.
Hoje, está mais do que comprovado que o coeficiente de inteligência, o velho QI, é superado pela inteligência emocional. Uma pessoa capaz de controlar suas emoções tem muito mais poder pessoal para reagir às adversidades do mundo. O coração é mais sábio que o cérebro. Sempre há loucura no amor, mas sempre há também um pouco de razão na loucura.
Em nossos papéis, através de nossos relacionamentos estamos utilizando o corpo emocional. Quando escrevemos uma carta de amor, quando expomos um sentimento, quando somos amigos, quando namoramos, quando transamos, etc.
As emoções são o reino mais desconhecido e sombrio da natureza humana, o mais instável e subjetivo de todos os corpos. Nossas emoções são quase subliminares e desconhecidas até por nós mesmos.
O corpo espiritual
“E se me perguntarem seu nome o que lhes direi?
Diga que eu sou o que sou. Este é meu nome (Eu Sou)!”
ÊXODO 3:14-15
O corpo espiritual está relacionado com o elemento fogo. Deus apareceu para Moisés através do fogo que não se consumia, revelou seu nome como EU SOU e ordenou-lhe que salvasse seus filhos do Egito (Êxodo 3:4). Sabe, eu estou falando daquela chama do fogo sagrado que brilha quando estamos deprimidos, sem esperanças, no breu da vida, nas trevas. Mostrando o caminho do entusiasmo pela vida e renovando a promessa de Deus aos homens.
A intuição é a função da consciência de Jung relacionada com o corpo espiritual. É pela intuição que nos aproximamos da essência de uma situação, das suas possibilidades, do seu verdadeiro significado. Intuir é um processo criativo e divino de inspiração, uma forma de se conectar ao Ser Superior e de ouvi-lo, transformando as palavras em ideias originais e brilhantes.
Voltaire disse uma frase célebre e muito pertinente: “Se Deus não existisse, seria necessário inventá-lo.” É básica e natural a necessidade do ser humano de se relacionar com um Ser Superior.
Deus deu aos homens 24 horas todos os dias, mas poucos são aqueles que dedicam 15 minutos diários para reverenciar e agradecer a Deus. Não é meu papel neste livro explorar aspectos religiosos, mas acredito na importância de amar e agradecer a Deus.
O corpo espiritual é o mais abstrato de todos. Ele não se relaciona apenas com a religião, mas também com você mesmo, com o seu eu interior. Existem muitas coisas que fazem bem ao espírito: pode ser a oração, a meditação, o relaxamento, a reflexão, a inspiração, a celebração da natureza, etc.
O equilíbrio dos quatro corpos
Na infinita complexidade do ser humano não existe uma forma de suprimir nenhum de seus quatro corpos. Não somos máquinas. Todas as metodologias de administração pessoal deveriam buscar esse equilíbrio em nossos papéis e atividades.
Temos de nos dedicar a todos os nossos corpos e não apenas aos mais fáceis ou com atividades mais constantes. Lembre-se de que o equilíbrio desses quatro corpos é fundamental para seu bem-estar pessoal e sua qualidade de vida. O segredo é tornar esse processo natural e em sinergia com todos os seus papéis e atividades. Por exemplo, vamos supor que em seu papel de marido você precise fazer algo especial com sua esposa.
Um programa com sua esposa pode ser benéfico a todos os corpos. Você pode ir ao cinema assistir a um filme que traga reflexão e novas inspirações, pode entregar-lhe uma rosa e dizer quão importante ela é para você, pode levá-la para jantar e terminar bem a noite. Esse programa simples trabalhou ao mesmo tempo seus quatro corpos e ainda ajudou em seu papel de marido.
Quando eu era criança, meus pais queriam fazer exercício físico e escolheram o tae kwon do. Aproveitando a oportunidade, fizeram a matrícula deles, a minha e a de meu irmão. Quando íamos para as aulas, estávamos todos trabalhando alguns corpos e também nossos papéis familiares. Era muito divertido e engraçado.
A seguir estão alguns exemplos de atividades para “exercitar” seus corpos ao longo da semana:
Não existe um parâmetro de dedicação a cada corpo. Você é o único capaz de avaliar essa informação. Reflita sobre os aspectos da sua vida e exercite aquele que mais tem sido negligenciado. Utilize as reuniões com você mesmo para priorizar seu equilíbrio quando necessário ou peça ajuda a alguém para criar essa rotina eficaz e equilibrada. Administração pessoal é a busca da qualidade de vida de forma a priorizar as atividades importantes e ter uma vida equilibrada nas quatro dimensões do ser humano.
Missão
Santos, uma linda cidade no litoral de São Paulo, é conhecida no mundo inteiro por abrigar o maior porto do Brasil. Nos últimos anos, entrou na rota de diversos cruzeiros marítimos, o que aumentou o trânsito de turistas pela cidade. Alguns anos atrás, interessei-me pela ideia e procurei um agente de viagens em busca de uma alternativa de férias a bordo de um daqueles transatlânticos. No meio da conversa, fui apresentado a um roteiro de viagem no mínimo engraçado.
A ideia era fazer um passeio de alguns dias sem uma rota específica. As pessoas simplesmente embarcariam no transatlântico e zarpariam. Ficariam dias navegando em círculos, desfrutando do luxo do navio, de seus bares, das discotecas e das opções de lazer. Entravam na viagem sem ter a menor noção de seu destino.
Pelo que é possível observar, muitas pessoas estão entrando no mesmo navio. Embarcam na vida, mas parecem não ter um propósito específico. Se divertem à custa das circunstâncias, mas não sabem o que querem, não têm um destino, uma missão.
Como instrutor do Empretec pude notar que a maior dificuldade dos empresários que participavam do seminário era definir o propósito de suas empresas. Os mais bem-sucedidos eram os que tinham uma definição clara da missão do seu negócio – do motivo pelo qual ele existe e qual é exatamente a função de sua empresa na sociedade.
Segundo Peter Drucker, a pergunta mais importante que qualquer um, em qualquer
empresa, deveria ser capaz de responder é: Em que negócio estou?* Essa resposta é a razão da existência da empresa e o motivo pelo qual seus funcionários são remunerados. A empresa que você trabalha tem uma missão?
Uma missão pessoal deve ter o mesmo sentido da missão empresarial. Ou seja, dar uma direção e um objetivo a sua vida. É a sua filosofia de vida, sua declaração de propósito, seu credo pessoal. É ela que guia seus passos e orienta suas decisões. A missão o ajuda a manter-se no caminho da sua estrela pessoal. Jesus tinha uma missão pessoal, ele dizia: “Eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância… Minha missão é não condenar, mas dar a vida.” Quantas vezes Jesus foi tentado a corromper sua missão? Mas estava ciente do seu propósito e sempre se ateve a ele.
Sua missão é a convergência de todos os elementos que discutimos na fase de identidade. É a união de seus papéis, de seus corpos, de seus sonhos, crenças e valores. Portanto, não tenha dúvidas: anote-a no papel. Uma declaração de missão descreve o que você é e a forma como você contribui com o mundo. Ela registra, por escrito e da maneira mais abrangente possível, o que as suas ações e intenções representam de fato. É o verdadeiro sentido de sua vida.
Leia atentamente a declaração de missão a seguir:
“Eu sou um homem de paz. Eu acredito na paz.
Mas não na paz a qualquer preço.
Eu não quero a paz que você procura em uma pedra.
Eu não quero a paz que você procura na sepultura.
Eu não quero a paz que você procura embutida na luta humana
Que está exposta para o mundo todo,
Mas que é protegida de todo o dano
Pelo poder de Deus todo-poderoso.
Então deixarei que a primeira ação todas as manhãs seja fazer a seguinte resolução para o dia:
Não temerei ninguém na Terra
Temerei somente a Deus
Não terei maus sentimentos com relação a ninguém
Não me submeterei à injustiça por parte de ninguém
Conquistarei a inverdade com a verdade
E, resistindo à inverdade, suportarei todo o sofrimento.”
Essa missão foi extraída de um texto de Gandhi. Se a analisarmos, poderemos dizer que ela resume toda a sua vida, um legado de um dos maiores pacifistas da humanidade. Ele viveu essa missão todos os dias. Ele pregou a paz, mas não qualquer tipo de paz. A paz da não violência. A paz baseada na crença de Deus. A paz que contrariava as inverdades e a injustiça dos colonizadores britânicos na Índia. Um texto que resume uma vida.
Conseguiu entender a profundidade e o poder de uma missão pessoal? Gosto de dizer que missão é um fator de motivação pessoal. Podemos encarar a missão como a pílula da motivação, que tira você do cenário irreal, uma espécie de “Matrix”, conforme foi mostrado pelo cinema, e o coloca no seu mundo de verdade, em contato com seu mais profundo Eu.
Tenho a minha missão. Carrego-a comigo e a leio com frequência. É algo que me motiva, me realinha com meus propósitos de vida e diz o caminho certo que devo seguir.
Quando defendo a ideia de que uma missão dá noção de “caminho certo” para sua estrela pessoal, estou dizendo a verdade. É uma afirmação subliminar: “É para isso que existo! É isso que sou.” Certa vez, um grupo bancário me fez uma proposta muito interessante. Seria um empreendimento inovador no mercado, com alto potencial de lucratividade. Estudei, fiquei tentado, mas, no fim, não aceitei a proposta. Pelo simples fato de que nesse empreendimento eu não “poderia ajudar pessoas a serem melhores”. Seria bom para meu bolso, mas não para mim. Ajudar pessoas faz parte da minha missão. Aceitar a proposta significaria ir contra a minha missão, ir contra mim mesmo. O que faço hoje da minha vida pessoal e profissional teve suas raízes na descoberta da minha missão, foi muito mais fácil e claro definir minhas ações quando sabia para onde queria ir.
Missões pessoais podem ser sinérgicas. Quando bem conduzidas, elas ajudam a criar missões para grupos ou famílias. Um projeto pode ter uma missão. Um departamento da empresa pode ter uma missão. Caso essas missões não sejam contrárias àquela que você traçou para si mesmo, não há nada de errado em assumi-las como suas. Ou seja, sua missão deve estar “co-missionada” – de acordo com a missão da empresa, da família ou de um grupo ao qual você esteja de alguma forma ligado. Você jamais trabalharia em uma empresa de tabaco caso sua missão pessoal incluísse libertar outras pessoas do vício de fumar.
Devo esclarecer que missão não é sinônimo de objetivo. A missão é um exercício de autoconhecimento, que ajuda a focar, priorizar, direcionar e dar um senso de propósito para o que somos. Um objetivo é algo a ser conquistado, com passos intermediários e datas e responsabilidades definidas.
Um conceito importante é que uma missão pessoal é atemporal. Ela se modifica conforme o seu momento de vida, valores e pessoas com quem convive. A vida muda e você pode mudar sua missão com o passar do tempo também. Como bom canceriano, gosto de guardar minhas missões anteriores e de relembrar os momentos nos quais as escrevi. Estou na versão 3.2 (foram três missões totalmente novas e cinco revisões da última) da minha missão.
Minha missão pessoal 3.2 é:
“Ajudar outras pessoas a serem mais produtivas em suas vidas. Viver sempre por meus sonhos e
meus relacionamentos de forma a deixar minha marca no mundo. Ajudar jovens de idade ou reciclados a descobrirem o sucesso que já têm. Deus é meu guia nesta jornada.”
Recolhi alguns exemplos de missões pessoais de alguns sites de palestrantes, de escritores e de alguns participantes de meus seminários. Elas podem ajudar a ilustrar ainda mais o conceito de missão:
“Minha missão é alegrar crianças através de risadas, amor,
afeto e das músicas em hospitais públicos e orfanatos.”
SANDRA ARRUDA
“Reconhecer, promover e inspirar a excelência divina.”
LAURIE BETH JONES
“Ter compaixão e misericórdia pelos moribundos.”
MADRE T ERESA DE CALCUTÁ
“Amizade – Viver e dar sempre o melhor a meus amigos.
Qualidade – Buscar a qualidade em todas as minhas atividades.
Amor – Distribuir amor a quem dele precisar.
Deus – Ser fiel a suas leis e ensinamentos.”
ANDRÉ SILVA
“Amar a todos, como se não houvesse amanhã.
Ser um elo de amor e afeto entre as pessoas a minha volta.
Estimular o perdão e a benevolência.”
GABRIEL FERREIRA
“Fazer uma diferença impactante e positiva
nos resultados das pessoas e organizações.”
RODRIGO CARDOSO
“O propósito da minha vida é servir humildemente a Nosso Senhor,
sendo amoroso, alegre, poderoso e um exemplo apaixonado
da absoluta alegria que está disponível para nós no momento em
que nos regozijamos nas graças de Deus e honestamente
amamos e servimos a todas as suas criações.”
ANTHONY ROBBINS
“Ser uma pessoa de caráter, amiga e fiel. Ajudar a todos
aqueles que precisarem de cuidados médicos ou
de orientação em sua saúde. Salvar vidas por meio
da medicina, de palavras, de ações. Lutar por
um mundo mais saudável, compartilhando meus
conhecimentos com aqueles que precisam.”
JOCILAINE DE ALMEIDA
A descoberta da missão
Escrever uma missão não é uma tarefa fácil. É um processo poderoso de autodescoberta, resultado de uma profunda reflexão. Existem diversos seminários e cursos que ajudam a descobrir e a desenvolver missões pessoais. Participei de alguns com boas abordagens. Outros apenas enfocam as questões materiais. Gosto da visão holística da missão como propósito de vida, e não como uma simples visão de futuro ou como meta.
Não se pode confundir uma missão com algum objetivo futuro. Esta missão não é a mesma dos agentes secretos. Ela não tem ligação com tempo. Representa uma descrição da sua forma de ser e de seus objetivos superiores.
O objetivo aqui é contribuir para o processo de descoberta da sua missão, caso você ainda não a tenha. Quando desenvolvi meu seminário para jovens, incluí um tópico que tratava da necessidade – ou dos benefícios – de termos todos uma missão. Foi uma experiência gratificante e desafiadora. Trabalhar com executivos e adultos com experiência de vida e um conhecimento maior sobre seus objetivos é muito mais fácil do que apresentar a jovens o conceito de missão. Os adolescentes ainda não descobriram o mundo e, normalmente, nem sabem direito quem são e o que querem.
Minha abordagem sobre missão mudou muito a partir do resultado desses seminários e da visão dos adolescentes sobre o tema. Ensinaram-me muito. Os resultados foram surpreendentes. Alguns utilizaram suas missões pessoais até para auxiliar na decisão de seu futuro profissional. Algumas das estratégias que vou ensinar para que você descubra sua missão são provenientes desses seminários.
Concordo com Stephen Covey quando ele diz que “não inventamos uma missão, apenas a encontramos”. Já temos um sentido dentro de nós, aquele pelo qual a estrela pessoal brilha. Pode não estar totalmente claro para você neste momento, por isso a sua busca é um processo de autodescoberta constante e de insights sucessivos.
Não existe uma missão certa ou errada. Existe, sim, algumas considerações que devem ser levadas em conta para a criação de uma missão pessoal eficaz:
1. Ela deve ser poderosa, inspiradora, envolvente e motivadora. 2. Deve abranger todas as áreas de sua vida, e não apenas a parte profissional ou pessoal. 3. Deve ser realista e desafiadora. Uma missão impossível não irá motivá-lo a lutar por ela. 4. Tem de estar no seu limite de atuação ou controle. Fora desse escopo, poderá
transformar-se em uma grande angústia ou infelicidade.
5. Não existe um tamanho mínimo ou máximo para sua missão pessoal. 6. Deve ser escrita no infinitivo. Com verbos e palavras que levem à ação, e não à
contemplação.
7. É explicativa por si só e pode ser entendida por outras pessoas. 8. É atemporal. Não se restringe a um período de tempo específico. 9. Você descobre a sua missão, você não assume a missão de outra pessoa. É um processo de
dentro para fora.
10. Tem essência e espírito jovem. Pode ser um texto, música, poesia ou declaração. A forma
não tem importância.
Iniciar o processo de descoberta de sua missão pessoal exige concentração e muita introspecção de sua parte. É necessário que você dedique um tempo para isso, longe de interrupções e preocupações. Talvez seja necessário se retirar para um local especial, onde você possa ficar sozinho. Quando desenvolvi minha missão pessoal, fui para um hotel-fazenda tranquilo, no qual pude me concentrar por alguns dias nessa jornada interior.
Existem diversas estratégias para iniciar a descoberta da sua missão. Neste livro, proponho um exercício simples de autoconhecimento com algumas questões que farão você pensar sobre os diversos aspectos de sua vida e sobre o propósito de sua existência. A recomendação anterior, de buscar a concentração, é extremamente importante para você se entregar ao exercício e entrar em contato com seu Eu mais profundo.
O fundamental é nunca se esquecer de que a missão deve refletir a essência de sua identidade. Ela precisa, necessariamente, estar em perfeita sintonia com os seus quatro corpos, com seus papéis e relacionamentos. Ela é a convergência de todos os itens da identidade.
Questionário para desenvolvimento de missão pessoal:
Parte A) Temas para reflexão
1. Descreva em poucas palavras quem é você.
2. Quais são suas cinco principais qualidades ou dons?
3. Quais são as cinco coisas que você mais valoriza na sua vida?
4. Liste as cinco qualidades que você mais admira nas pessoas.
5. O que você mais gosta de fazer? Quando se sente completamente feliz e realizado?
6. Se você pudesse fazer qualquer coisa, o que faria por você e pela sua comunidade, grupo ou planeta?
7. Selecione cinco verbos que mais o estimulam ou motivam: abraçar, acender, acreditar, agrupar, amar, ampliar, apreciar, apoiar, afetar, afirmar, aproximar, aprender, avaliar, ajudar, chamar, brincar, buscar, comandar, compreender, comunicar, compartilhar, conectar, confiar, criar, curar, dar, decidir, defender, descobrir, dirigir, educar, elevar, entusiasmar, esperar, extrair, fornecer, facilitar, ganhar, gastar, iluminar, inspirar, induzir, jogar, liderar, libertar, motivar, nutrir, organizar, partilhar, perdoar, planejar, promover, refletir, relaxar, resistir, respeitar, ressoar, reunir, rir, salvar, ser, servir, sonhar, valorizar, viver.
8. Existe alguma frase, pensamento ou ditado que lhe inspire? Qual?
9. Existe alguma música ou filme que tenha marcado sua vida? Que mensagem deixou para você?
10. O que mais emociona você?
11. A que causa, grupo ou princípio você estaria disposto a dedicar sua vida?
12. Imagine que, graças a você, o mundo se transformou em um lugar melhor para todos. Como conseguiu isso?
13. Que agradecimento você gostaria de ouvir de Deus por seus atos?
14. Releia o texto que aborda “os relacionamentos importantes da sua vida” e responda: Como você gostaria de ser lembrado após sua morte?
Parte B) Resumo das respostas
a. Liste suas respostas correspondentes aos números das perguntas, como na tabela a seguir.
b. Selecione as palavras ou frases mais importantes das respostas 8, 9, 10, 12, 13, 14 e escreva-as.
c. Resuma em apenas uma frase as respostas das perguntas 1 e 6.
Parte C) Escrevendo sua missão
Releia o resumo das suas respostas (Parte B) e use as palavras-chave para escrever um texto, iniciando com: Meu propósito de vida é…
Esse texto é o resumo de sua essência. Ele pode ser o início ou o fim de sua missão pessoal. Lembre-se de que você está iniciando a versão 1.0 da sua missão, você ainda tem todo o tempo do mundo para refiná-la.
A base para as próximas fases
Espero ter ajudado você a refletir sobre a sua vida e sobre a maneira pela qual vem se posicionando perante suas diversas partes. Como mencionei anteriormente, a “administração do tempo” deve entender o ser humano de forma completa.
No processo de administração pessoal proposto por esta metodologia, a fase de identidade é fundamental para as fases subsequentes. Todas as áreas importantes de sua vida foram mapeadas e agora serão trabalhadas nas próximas fases. A fase de identidade é, também, a mais abstrata de todas. Nem por isso, no entanto, ela pode ser considerada dispensável. Pelo contrário, é a mais crucial de todo o processo. Se você sabe quem é e tudo aquilo que importa para você, podemos então trilhar os próximos passos, que farão sua estrela pessoal brilhar ainda mais.
Seus papéis e relacionamentos, equilíbrio e missão são conceitos teóricos que serão postos em prática no dia a dia, conforme sugerido pelas técnicas que dão suporte a esta metodologia. Todas essas atividades contribuem para deixar sua tríade pessoal no ponto mais próximo possível da tríade ideal. O passo seguinte é definir uma forma de alcançar os sonhos através da criação e da execução de metas.
* DRUCKER, P. F. Management: Task, Responsibilities, Practices. Nova York: Harper and Row Publishers, 1974.