A Tríade do Tempo
CAPÍTULO 7: Metas: Um rumo para sua vida
CAPÍTULO 7
Metas: Um rumo para sua vida
“Na vida não existem soluções. Existem forças em marcha:
deve-se criá-las e as soluções se seguirão.”
SAINT-EXUPÉRY
Um rapaz procurava um rumo para sua vida. Estava indeciso em relação à profissão, tinha dúvidas sobre as escolhas que fizera e não tinha a menor ideia daquilo que gostaria de fazer de verdade. Resolveu, então, procurar o Mestre da Floresta, um sábio que certamente o ajudaria a encontrar aquilo que buscava. Um amigo lhe indicou o caminho, ele armou-se de coragem e viajou até o lugar onde o mestre vivia.
“Mestre”, disse. “Estudei na melhor universidade, fiz MBA, sou fluente em dois idiomas. Procuro me aperfeiçoar sempre, mas não sei o que quero da minha vida. Preciso achar meu rumo.” O mestre compreendeu a preocupação e a ansiedade do rapaz. No mesmo instante, entrou em sua cabana e, quando voltou, trazia um belo machado. Era feito de metal nobre e estava afiadíssimo. Tinha o cabo talhado na melhor madeira e todo revestido em couro de búfalo. Entregou o machado e disse que o rapaz deveria se embrenhar na floresta – e só voltar quando soubesse a resposta para as dúvidas que o conduziram até ali.
O jovem obedeceu e, ansioso por encontrar a solução de seu problema, desapareceu entre as árvores. Não se passou meia hora e ele reapareceu diante da cabana. Estava revoltado com o mestre. O machado, queixou-se, era inútil. Não o havia ajudado a encontrar seu rumo. Sem perder a calma, o sábio perguntou: “Mas o que você queria mesmo?” E ele, mais indignado ainda, respondeu praticamente aos gritos: “Eu lhe disse o que quero! Quero achar meu rumo.”
Paciente, o mestre pediu que o rapaz se acalmasse e chamou um de seus aprendizes. Entregou-lhe o mesmo machado e recomendou que fosse até a floresta e só voltasse depois de encontrar aquilo que queria. Assim aconteceu. O aprendiz entrou na mata cerrada e, algumas horas depois, retornou com dois pinheiros nas costas. O mestre perguntou ao aprendiz: “O que você queria quando foi à floresta?” E o aprendiz respondeu: “Como o senhor não me disse o que eu deveria fazer, decidi que traria os pinheiros para plantar na entrada da cabana. Então segui na direção dos pinheiros, cortei as mudas mais bonitas e as trouxe.”
O rapaz, ainda mais irritado, continuava sem entender o sentido daquela prova. Então, perguntou ao mestre o que uma atividade tão banal quanto decorar a cabana com pinheiros tinha a ver com o problema que o levara até ali. Ele precisava achar seu rumo. O mestre sorriu e respondeu:
“Você tinha nas mãos meu melhor machado. Mas, para alguém que não tem um objetivo, a melhor ferramenta não passa de um enfeite inútil. Meu aprendiz fez diferente. Ele se impôs o objetivo de buscar os dois pinheiros e achou o rumo que o levou até as árvores. Sem um objetivo, meu rapaz, não há rumo a seguir. Sem um objetivo, qualquer caminho fará com que você volte sempre ao ponto de partida sem ter absolutamente nada nas mãos. Ache primeiro seu objetivo. Depois você encontrará o rumo.”
“Mesmo se estiver no caminho certo, será atropelado se
simplesmente ficar parado sem saber aonde ir.”
WILL ROGERS
Estar perdido, com a sensação de andar sempre em círculos, é mais comum do que se imagina. Para muita gente, estar perdido não é a exceção – é a regra. De modo geral, esse sintoma denuncia a falta de metas – de balizas que nos orientem na direção dos nossos sonhos. São elas que definem o caminho a ser percorrido e não permitem que haja desvios nem dúvidas. Sem uma meta, você certamente ficará perdido, sem saber direito o que deseja. Ficará, enfim, muito mais sujeito às circunstâncias. Se, em lugar disso, existe um alvo definido, essa sensação desaparece. Nesse caso, a mente trabalha para encontrar os caminhos. É inútil pretender encontrar um rumo para a vida antes de saber aonde se pretende chegar.
Sonhar é importante, mas insuficiente. É preciso realizar. E as metas são uma forma eficaz de transformar sonhos em realidade. A palavra “meta” é obrigatória em cursos de administração, de motivação, de autoajuda e assim por diante. Nos últimos tempos, virou moda dizer que é preciso estabelecê-las. O problema é que, em muitos casos, essas metas não passam de sonhos escritos – e, por essa razão, nunca deixarão de ser apenas sonhos.
Uma metáfora para a definição de metas pode ser encontrada no clássico de Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas. Em determinado ponto da floresta, completamente perdida, Alice se vê diante de uma série de alternativas de caminhos. De repente, ela vê o Gato Risonho e pergunta em que direção deveria seguir. Ele, então, pergunta aonde ela gostaria de ir. A menina responde que não sabe. Então, o Gato lhe diz: “Se você não sabe aonde quer chegar, qualquer caminho serve!”
As metas fazem parte, há anos, das preocupações dos estudiosos. O psicólogo David McClelland, da Universidade de Harvard, estudou durante anos a forma com que as pessoas se motivam. Ele identificou que pessoas de sucesso têm entre seus traços comportamentais a nítida capacidade de definir suas metas. Eles sempre fazem algo para alcançar seus resultados a partir de um objetivo previamente estabelecido.
Empresas sem metas são organizações condenadas à falência. Pessoas sem metas são pessoas desnorteadas. Vivem ao sabor dos acontecimentos e muitas vezes nem se dão ao trabalho de estabelecer um plano para a própria vida. O americano Napoleon Hill, um dos mais renomados escritores motivacionais do mundo, passou anos estudando o comportamento e a personalidade dos homens mais ricos do mundo. E chegou à conclusão de que eles tinham metas pessoais muito bem definidas. Ter metas é uma forma eficaz de evitar desperdícios, inclusive de energia. Quem tem metas coloca sua criatividade e sua disposição para o trabalho a serviço daquilo que pretende conquistar – e deixa, portanto, de agir na esfera das circunstâncias.
Nesta metodologia, definição de metas é a segunda fase. É preciso determinar seus objetivos – aquelas situações e atividades para as quais pretende dedicar seu tempo. Traçar, enfim, o rumo que sua vida vai tomar. Essas metas devem estar conectadas com seus papéis e relacionamentos. Com seu equilíbrio e sua missão. Com base nas metas definidas nesta etapa, seremos capazes de elaborar, na próxima fase da metodologia, o planejamento que nos permitirá realizá-las sem desculpas de falta de tempo. Lembre-se: se você não sabe o que quer da sua vida, qualquer coisa serve!
Além disso, a vantagem de ter metas é dar sentido ao seu tempo e não simplesmente administrá-lo. Se a pessoa tem uma razão para ter mais tempo, ela gera muito mais comprometimento em fazer o método funcionar. Ela vê vantagens em uma vida com mais equilíbrio. Começa a achar a segunda-feira um dia legal, pois é o primeiro dia da semana capaz de realizar seus sonhos. Metas mudam o significado da vida e por isso são importantes no método.
Antes de prosseguir, pense em três metas a curto, médio ou longo prazo.
Para a metodologia considero:
Curto prazo – metas até um ano a partir da data atual
Médio prazo – metas até cinco anos a partir da data atual
Longo prazo – metas acima de cinco anos a partir da data atual
A escolha é sua. Escreva suas metas no espaço reservado. Não deixe de fazer este exercício: ele é indispensável para a própria compreensão da metodologia:
Meta 1 – Curto Prazo:
Meta 2 – Médio Prazo:
Meta 3 – Longo Prazo:
“O que quer que a mente do homem possa
conceber e acreditar ela pode realizar.”
NAPOLEON HILL
Definição de meta
Você ouve falar em metas a todo instante. Uma hora, são as metas inflacionárias do governo. Em outras, as metas de faturamento da empresa para o ano que se inicia. Há metas para emagrecer, metas de venda de produtos, metas de reduzir custos, comprar uma casa, aprender um idioma, parar de fumar… Não é o caso de fazer, aqui, uma distinção entre metas pessoais e metas profissionais. O conceito básico é o mesmo. Metas são metas. Também vamos assumir, para fins didáticos, que o termo “objetivo” é um sinônimo de meta.
Minha definição de meta é “algum objetivo (ou sonho) definido por escrito, de realização possível, importante e que você realmente queira alcançar”. Esta definição contém quatro princípios básicos, que são fundamentais para a compreensão do que realmente caracteriza as metas:
1. São pessoais
Suas metas devem ser traçadas para você mesmo, jamais para outras pessoas. Você não pode mandar na vontade dos outros nem se autonomear tutor do umbigo alheio. Um exemplo clássico é do pai advogado que anuncia aos quatro ventos no dia do nascimento do primeiro filho: “Aqui nasce mais um advogado!” Quem disse que o filho vai querer seguir a mesma profissão do pai? E se ele, ao crescer, resolver ser um assistente social, um médico, um músico? Se uma dessas profissões estiver conectada à missão pessoal que ele estabeleceu para a sua vida, esse filho ficará muito frustrado e se culpará desnecessariamente – ou por não ter obedecido ao pai ou por não ter seguido suas próprias ambições e trilhado seu próprio caminho.
Por mais que sonhe com um neto, você jamais poderá ser avô se essa não for a vontade do seu filho e da sua nora. Você não pode se casar se a outra parte também não quiser. Você pode influenciar, persuadir, convencer, mas nunca fazer de um desejo seu a meta de outra pessoa. Desejos como esses podem até se realizar, mas o poder de ação, nesses casos, não está em suas mãos.
A meta deve ser traçada para indicar um objetivo que esteja ao seu alcance. Se você coloca a responsabilidade pela conclusão da meta nas mãos de outra pessoa, ou se você depende de que alguém mude a própria maneira de ver o mundo para conseguir algo, você está apenas aumentando suas chances de fracasso, de sensação de impotência, de angústia e de preocupação. Você está transferindo a responsabilidade pelo resultado para outra pessoa. O importante é formular metas de modo que você seja capaz de alcançá-las – sem precisar que outras pessoas ajam ou mudem.
Vamos supor que sua meta seja: “Quero que meu projeto pare de ser criticado.” Você não pode impedir que as pessoas critiquem seu projeto, mas pode ter uma atitude diferente em relação às críticas. Você poderia reformular essa meta para colocar dentro do seu limite de ação: “Quero assumir uma nova postura e aprender com as críticas ao meu projeto.”
Em um seminário, uma participante me disse que as metas são inúteis, elas simplesmente não funcionavam. Ela disse que tinha uma meta havia dois anos, por escrito, específica, pela qual ansiava muito e que fazia tudo para alcançar, mas que nunca conseguia realizar. A meta era fazer o marido ser mais carinhoso e compreensivo. Por mais que ela se esforçasse, por mais que fizesse por merecer o carinho dele, jamais conseguia alcançá-la. Isso não dependia apenas dela. Aquela situação gerou anos de desilusão e sofrimento por algo fora do seu controle.
Repare que há uma diferença entre a meta ser pessoal e ser realizada por terceiros. Você pode definir uma meta sua e delegar tarefas para terceiros executarem, isso é extremamente viável e com certeza será feito, mas a responsabilidade final e o objetivo são seus, não de outras pessoas.
2. São escritas
Quando eu era criança, gostava de trocar e vender os meus brinquedos. Certa vez, resolvi trocar um brinquedo Playmobil que havia ganhado por um carrinho de que meu irmão não gostava. Para garantir que a troca fosse irreversível, fiz meu irmão de 11 anos assinar um contrato de troca para me assegurar de que no futuro qualquer reclamação com meu pai fosse comprovada. Sem saber direito o que aquilo significava, eu já havia aprendido a importância de um documento escrito e assinado.
Se não for escrito, não há provas, não há contrato, a validade é menor. Se você tem uma meta e não a escreve, nada garante que ela será alcançada. Não só porque está apenas na sua cabeça, mas porque dificilmente você se lembrará dela em todos os detalhes.
Você pode dizer “eu tenho a meta de comprar uma casa” e achar que não precisa escrevê-la porque sabe muito bem que precisa da casa nova. Mesmo assim, o registro é fundamental. Enquanto não é posto no papel, como um compromisso que você assume consigo mesmo, qualquer desejo que você tenha nunca será uma meta – será, no máximo, um sonho.
As metas verdadeiras não são definidas apenas com uma linha da qual você possa facilmente se lembrar. Elas são definidas em detalhes, com um plano específico para serem alcançadas. E os planos não se guardam na memória.
Existe ainda outra razão para escrever as metas. Trata-se da possibilidade de realização. Tudo na vida tem 50% de chances de dar certo e 50% de dar errado. Quando você escreve uma meta, a percentagem de dar certo comprovadamente sobe. Mesmo que suba apenas 1%. Talvez seja exatamente essa a diferença de que você precisava para ser bem-sucedido.
Além de tudo, o fato de escrever ajuda a tornar mais clara a visão daquilo que você está pensando e o leva a prever eventuais dificuldades ou problemas antes que eles aconteçam. Experimente escrever e ler seus objetivos constantemente. Que tal colá-los no seu guarda-roupa, na porta ou no teto do seu quarto? Pode fazer diferença na sua realização!
Pude experimentar o benefício de uma meta bem descrita e visível para todos em diversas consultorias com empresas. O resultado de uma equipe de trabalho é sempre superior quando a meta está visível, tem indicadores claros e é atualizada constantemente.
3. São possíveis
Há uma linha muito tênue que separa o sonho e a loucura. Existem sonhos que você pode querer realizar um dia, mas que hoje lhe parecem distantes. Eles, porém, são possíveis. Existem outros que simplesmente não são possíveis, ou que estão muito além de qualquer possibilidade de realização. O princípio aqui não é dizer para não sonhar alto. Muito pelo contrário. Sempre achei que, se você pensa pequeno, será pequeno para sempre. Quanto mais alto você sonhar, mais alto poderá chegar.
Henry Ford mudou a história da indústria automobilística mundial com um sonho que parecia impossível. Ele queria desenvolver um motor com oito cilindros agrupados em um único bloco. Muitos engenheiros disseram que seria impossível. Ele disse apenas que fizessem, de qualquer maneira. Após um ano de desenvolvimento, os engenheiros voltaram e novamente disseram que era impossível. Ford disse que queria aquele motor e ia tê-lo de qualquer jeito. Eles continuaram a trabalhar e, graças ao objetivo traçado por Ford, o impossível se tornou realidade. Em 1938 o Ford Mercury chegou ao mercado com o novo motor V-8 e mudou a história do automobilismo para sempre.
Você pode ser pobre e querer se tornar milionário. Isso não é impossível. Não há nada de errado nisso. Existem muitos exemplos de homens que eram pobres e se tornaram extremamente ricos. Veja, por exemplo, Silvio Santos, um brasileiro que era camelô e conseguiu ser dono de uma das maiores emissoras de TV do Brasil. Ou o comandante Rolim Amaro, que precisou vender seu único bem, uma lambreta, para pagar o curso de pilotagem e tornou-se dono da TAM, uma grande companhia de aviação. O americano Sam Walton, dono da maior rede varejista do mundo, era um comerciante comum quando resolveu criar a WalMart. Henry Ford era um simples homem do campo que conseguiu revolucionar a indústria automobilística. Bill Gates não era nada além de um estudante com um grande sonho quando fundou a Microsoft na garagem de casa. A lista é enorme.
O ser humano deve aprender a identificar o limite do possível. Se você persegue uma meta impossível, pode se tornar cego e teimoso. Pode desperdiçar muito tempo em algo que não o levará a parte alguma. Essa linha tênue entre o possível e o impossível é muito sutil. Ela pode se realizar e virar persistência, ou naufragar e ser vista como uma grande burrice. Observe sempre qual é esse limite.
Imagine um jovem de cabelos crespos e rebeldes que estabeleça para si a meta de ter cabelos lisos, de sentir o movimento de seus cabelos ao vento, de ter uma cabeleira parecida com a do Brad Pitt. Por mais capaz que seja de cultivar pensamentos positivos, por mais tratamento capilar que essa pessoa faça (sem polêmicas, por favor…), essa meta jamais será alcançada. Conheço um caso como esse que acabei de descrever: o meu. Sonhava em ter cabelos lisos. Hoje, acredito apenas que a cosmética em alguns anos desenvolverá um tratamento eficaz que devolverá os fios de cabelo que perdi. O meu limite de impossível foi estabelecido.
Pense sempre se suas metas são possíveis. Não confunda o difícil com o impossível. Uma meta difícil trará ainda mais prazer à sua conquista. Uma meta impossível é apenas perda de tempo – algo que existirá apenas em seus sonhos.
4. São importantes
Se a meta não for importante para você, então, para que perder tempo com ela? O fator de relevância nas metas é fundamental. Do contrário, você perderá a motivação para conquistá-la. Se não for de fato importante, a tendência é empurrá-la com a barriga. É como aquelas promessas que fazemos no primeiro dia do ano. Você as considera legais e necessárias, começa empolgado. Mas no fundo elas não se mostram tão importantes assim e acabam postas de lado.
Muitas empresas costumam exibir as metas anuais relativas ao ano fiscal para seus departamentos e pessoas. Em geral, essas metas são desenvolvidas no Olimpo (a morada dos deuses-diretores) e atribuídas à área operacional (a morada dos prezados colaboradores). O resultado é reclamação geral: muitas vezes as metas não são atingidas e a parte mais fraca é sempre penalizada.
A meta é importante para a direção da empresa, mas, se as pessoas encarregadas de cumpri-la não tiverem noção de sua própria importância no processo, ela estará fadada ao fracasso. Do ponto de vista empresarial, os líderes de verdade são aqueles que conseguem imprimir importância pessoal às metas de suas companhias – e fazer com que todos os colaboradores se sintam responsáveis por sua realização.
Lembre-se também que metas são pessoais, por isso muitas empresas chamam seus funcionários para participar do desenvolvimento das metas corporativas. Isso ajuda a contextualizar a importância da meta tornando-a pessoal e relevante para cada um dos que participaram do processo de definição. Quando isso não for possível, deve-se tentar atrelar a meta empresarial a alguma pessoal já existente, o que fará com que a relevância seja encontrada mais facilmente.
Meta ou projeto?
Outro aspecto relevante na importância da meta é o grau de desafio que ela contém. Se não existe a menor chance de fracassar, não há objetivos a serem alcançados. Uma meta muito óbvia e de fácil conclusão não traz a menor motivação. Logo, não se trata de uma meta, e sim de um projeto a ser concluído. Uma pessoa, por exemplo, tem a meta de trocar de carro e tem as condições e o dinheiro necessário para comprar um modelo dois anos mais novo. Nesse caso, ela não tem uma meta, e sim um projeto. Afinal de contas, ela já dispõe de todos os recursos necessários para a realização do que pretende.
Projeto, nesse caso, é algo que você precisa fazer ou gostaria de realizar, no qual o desafio é pequeno ou inexistente. Metas são objetivos maiores, desafiadores, importantes. Não são questões rotineiras e estão sempre conectadas à sua identidade.
Se você, por exemplo, desejasse trocar seu carro por um modelo zero quilômetro e não dispusesse do dinheiro necessário, isso poderia significar um desafio pessoal. Nesse caso, a meta existe: agora, você terá de criar as condições para ter seu carro zero e precisará lutar para realizar esse objetivo. É importante, portanto, não se confundir nem se iludir na hora de traçar suas metas. Projeto é uma coisa, meta é outra. Projeto é aquilo que você pode realizar a qualquer momento, com a definição de um plano de trabalho. Metas exigem de você um desafio pessoal e sempre indicam um caminho a percorrer.
Na pesquisa que foi feita em torno deste trabalho, 59% das pessoas disseram ter metas pessoais por escrito. Conversando com algumas delas, descobri que muitas dessas metas não passavam de desejos. Poucos ou nenhum dos quatro princípios básicos de uma meta eram atendidos.
Diante do que foi dito até aqui, peço que você volte algumas páginas e reveja as metas que definiu no exercício proposto no início deste capítulo. Por estarem escritas, elas atendem a pelo menos um dos quatro princípios básicos de que tratamos aqui. E quanto aos outros três? Elas são pessoais? São possíveis? São importantes? Se não atenderem a esses requisitos, não são metas! Você pode ter um desejo ou um projeto. Ainda que tenham atendido a todos os princípios, vamos verificar se elas estão escritas da forma certa na próxima seção.
A forma correta de escrever suas metas
Escrever uma meta é, na verdade, o processo de tornar consciente um determinado sonho ou desejo que acalentamos. Se elas não forem definidas corretamente, só servirão para enfeitar seu quadro de promessas de ano-novo. Existem algumas técnicas recomendadas para se escrever uma meta de forma concreta. O modelo adotado nesta metodologia é o do acróstico SMART (esperto em inglês), desenvolvido por Peter Drucker.
Uma meta deve atender aos quatros princípios básicos apresentados anteriormente e estar escrita na forma SMART, que significa:
eSpecífica – O quê?
Mensurável – Quanto?
A lcançável – Como?
Relevante – Por quê?
Temporal – Quando?
“Eu tive seis servos leais que me ensinaram
tudo o que sei. Seus nomes eram: O Quê, Quando,
Onde, Por quê, Quem e Como.”
RUDYARD KIPLING
Específica – O que é exatamente a sua meta?
Uma meta deve ser definida de forma muito específica, a tal ponto que qualquer pessoa possa visualizá-la e entender exatamente o que você quer com ela. É como tirar uma fotografia do seu pensamento. Essa parte é a mais criativa do processo de definição de uma meta e é a responsável por delimitar os objetivos.
Vamos imaginar que você tenha a meta de comprar um carro. Mas, que tipo de carro? Por acaso ele é vermelho? Que outras características ele tem, além da cor? Na minha cabeça, ele é azul, zero quilômetro, off-road, tem quatro portas, teto solar, rodas de liga leve e telas de DVD nos bancos traseiros. O carro que você pensou é igual a esse? Não? Claro que não. A descrição acima é a de um carro que eu pensei. Você pensou no seu carro e eu pensei no meu. Eles são diferentes. De qualquer maneira, creio que consegui ser específico a ponto de fazer você visualizar o carro que eu imaginei, não?
Especificar significa detalhar ao máximo o que você deseja com a sua meta. É o poder da visualização em ação e de saber exatamente quando ela estará concluída. As metas devem primeiro acontecer dentro de você, de forma que você as veja, ouça e sinta em detalhes para depois se tornarem realidade física.
Veja este exemplo: “Quero comprar um apartamento com três quartos.” Esta meta é muito vaga. Esse apartamento pode ser em São Paulo, em Bagdá ou em Nova York. Quantos metros ele vai ter? Pode ter 50 m 2? Talvez não!
Veja a mesma meta escrita de forma específica:
“Quero comprar um apartamento com três quartos, sendo uma suíte com hidromassagem, 110 m2 de área útil, sala com dois ambientes, varanda mobiliável, churrasqueira, garagem demarcada para dois carros. Localizado em um prédio com elevador e piscina. Na cidade de São Paulo, nos bairros da Aclimação ou Vila Mariana, distante no máximo cinco quilômetros do metrô.”
Agora você sabe exatamente o que significa comprar um apartamento: sabe onde procurá-lo, quanto ele pode custar e até a futura decoração dos ambientes. Se essa especificação ainda não for suficiente, pode avançar ainda mais nos detalhes. Quanto mais especificado, melhor.
Veja este exemplo de desejo: “Falar inglês fluente.” O que significa falar inglês fluente? Talvez seja cursar quatro anos de uma escola de idiomas, ou poder conversar com as pessoas na rua e escrever corretamente. Se não for específico, você não saberá se conseguiu ou não concluir a meta. Você poderia substituir esse desejo vago pela seguinte meta: “Conseguir o mínimo de 550 pontos no exame presencial TOEFL. Conseguir assistir a filmes em inglês, sem legendas, com compreensão total.” Agora você poderá saber quando essa meta for alcançada, pois ela está claramente especificada.
Se você não especificar, pode se enganar com o resultado. Meu amigo Cláudio era dono de uma cantina italiana. Ele precisava aumentar sua retirada. Após um tempo conversando com ele, perguntei se havia conseguido realizar seu objetivo. Ele disse todo feliz que sim, que todo mês tinha um “salário legal”. E eu perguntei qual era sua meta – 2 mil, 4 mil, 10 mil reais? Ele me respondeu: fico com o que sobra no fim do mês, depois de pagar as contas. Ou seja: nem ele tinha noção de sua meta.
Se você não especificar a sua meta, poderá confundir qualquer resultado que alcançar com o seu objetivo. Nesse caso, você apenas transformou um resultado circunstancial na sua meta – e isso é pura ilusão. O trabalho de torná-la específica significa fazer com que ela revele em detalhes aquilo que se pretende alcançar. Isso define limites e evita ilusões.
Mensurável – Qual o tamanho da sua meta?
O que é delimitado pode ser medido, certo? Mensurar uma meta significa determinar seu tamanho, de forma qualitativa ou quantitativa. Quando você a mensura, na verdade está avaliando quanto ainda precisa andar para chegar ao ponto em que pretende. Essa resposta pode ser dada em valor, em tempo ou em qualquer outra unidade de medida que permita o acompanhamento dos passos dados. No exemplo do apartamento, poderíamos calcular o valor para a sua aquisição em torno de, por exemplo, 550 mil reais (considerando um metro quadrado de 5 mil reais). Este é o custo do seu sonho e o tamanho do seu esforço!
A parte mensurável da meta também pode conter, opcionalmente, indicadores que mostrem a evolução rumo ao objetivo. Afinal, ninguém consegue ter 550 mil reais antes de ter juntado mil, 30 mil, 150 mil e assim por diante. Isso proporciona a resposta para uma pergunta simples: Como posso saber se estou conseguindo realizar minha meta? Esses indicadores podem ser pequenas conquistas, objetos físicos, uma soma em dinheiro, etc. É importante ressaltar que esses indicadores não são tarefas. Eles apenas mostram que algo já foi feito e que isso o deixou mais próximo do resultado final.
No exemplo do apartamento, poderíamos definir que os indicadores seriam: 1. Entrada de 50% do valor do imóvel (275 mil reais) 2. Venda do apartamento atual
3. Aprovação no financiamento do novo imóvel
Os três pontos citados são marcos em sua jornada. Opcionalmente podem ser estabelecidas datas para se chegar a esses marcos.
Veja estes outros exemplos de metas:
Meta – MBA em Harvard
Específica: Concluir um MBA em Business Administration pela Universidade de Harvard, a ser realizado na cidade de Boston em no máximo 24 meses, com dedicação integral.
Mensurável: Serão necessários 70 mil dólares divididos em 24 parcelas de 2.917 dólares. Dedicação de três anos de estudo, para conseguir ser aprovado e estudar integralmente.
Indicadores: Conseguir aprovação no TOEFL; conseguir ser aprovado no GMAT; Conseguir visto para os EUA; ser aprovado na inscrição de Harvard.
Meta – Aumentar faturamento da empresa
Específica: Aumentar em 20% o faturamento bruto da Farmácia, através da incorporação de uma nova linha de produtos naturais da empresa ABC para tratamento de estresse. Obter uma margem de lucro líquido de 10% sobre o faturamento da empresa.
Mensurável: Compra de estoque inicial no valor de 50 mil reais. Com faturamento de 70 mil e lucro líquido de 7 mil.
Indicadores: Venda semanal de 17.500 reais, em média.
Alcançável – Como alcançarei essa meta?
Para que uma meta se concretize é preciso definir os passos necessários para sua realização. Elaborar um plano de ação. O que pode parecer um objetivo enorme e inalcançável deixa de ser assustador depois de dividido em pequenas atividades. Cada uma delas deverá ser executada em períodos de tempo (diário, semanal, mensal, etc.). Sem esse plano, não existe maneira de se realizar uma meta.
A determinação desses passos intermediários é um exercício de planejamento. Eles devem conter a atividade, o responsável por sua realização e a data na qual deve estar concluída. Sugiro, também, a adoção de um critério de prioridades (1, 2, 3, 4…) para essas atividades – de forma a ordenar o que deve ser feito.
Caso as atividades exijam a participação de outras pessoas para a conclusão da meta, ela poderá ser distribuída entre todos os envolvidos, para que haja entendimento do porquê da sua participação, dos objetivos a serem alcançados e para que se obtenha comprometimento. Cuidado para não confundir: a meta continua sendo pessoal, mas uma atividade específica, de curta duração, pode ser delegada a alguém (lembra-se do exemplo do motor V-8 de Ford?). Você não precisa se transformar em super-homem e fazer tudo! Delegar é uma arma importante na sua administração pessoal, conforme veremos mais adiante.
Se você tiver dificuldades para pensar nas atividades necessárias para alcançar uma meta, um bom exercício é imaginar que ela já foi realizada. Depois de visualizar o trabalho concluído, volte passo a passo no tempo e imagine as ações que foram necessárias para realizar cada etapa. Sua mente irá fazer uma retrospectiva e poderá, assim, gerar algumas ideias que o ajudarão a definir essas atividades.
Vamos ver um exemplo para deixar o conceito “alcançável” mais claro:
Meta – Obter certificação Microsoft
Específica: Obter uma certificação profissional da Microsoft – MCP no produto Windows 2008 Server, com um mínimo de 800 pontos no exame código 70-646 Microsoft Windows 2008 Server Administrator.
Mensurável: 30 dias de estudo e investimento de 1.200 dólares, divididos em seis parcelas.
Indicador : Conseguir passar no exame simulado com pelo menos 900 pontos.
Alcançável (planejamento para realizar a meta)
Para gestão de tempo esse é o ponto mais importante da meta, pois você não faz a meta, você faz esses pequenos passos no dia a dia. O sucesso ou o fracasso da sua meta está diretamente relacionado com a sua capacidade de pensar sobre o plano de ação do seu objetivo.
Relevante – Qual a importância dessa meta?
De todos os itens do SMART, o que classifico como mais importante é a relevância. É a principal pergunta que devemos fazer a nós mesmos antes de começar a trabalhar na meta: Por que isso é importante para mim? Por que eu quero realizá-lo? Por que vou investir tempo nesse objetivo?
A resposta deve estar conectada aos itens da sua identidade, que vimos na primeira fase da metodologia. Fazer algo com um sentido e não apenas fazer por fazer. É muito comum as pessoas definirem suas metas e pararem no meio, pois a motivação acaba. Por isso, o motivo que o faz partir para a ação deve ser forte o suficiente para manter sua meta ao longo do tempo.
O filme Procurando Nemo, dos estúdios Disney, é uma boa analogia para relevância. Martim, um peixe-palhaço muito engraçado, tem como meta achar seu filho Nemo, que foi levado por mergulhadores. Ele enfrentou mil dificuldades nessa jornada, mas não desanimou. Achar seu filho era importante em seu papel de pai e também porque ele era o único membro da família que lhe restara. Ele agiu com propósito, por algo que era de fato relevante.
Certa vez, uma participante de um seminário tinha a meta de criar uma clínica holística. Quando lhe perguntei qual era a relevância dessa meta, ela disse várias coisas: “Eu gosto de medicina holística”, “Sempre quis ter um negócio próprio”. Aparentemente eram motivos relevantes, mas eu ainda achava que não era algo que a motivasse tanto. Então perguntei: “Mas o que isso traz, de verdade, profundamente para você?” Após alguns segundos, seus olhos se encheram de lágrimas e ela respondeu: “Realiza meu papel de mãe!”
Ela disse que sua sobrinha mais nova, que cursava enfermagem, trabalhava com ela. Como não tinha filhos, ela adotara essa menina como sua própria filha. A clínica para ela não era apenas “um negócio próprio”, mas uma forma de garantir o futuro da sobrinha e, com isso, atender à necessidade do seu papel de mãe. Era extremamente relevante para ela se colocar em ação!
No primeiro momento, “realizar seu papel de mãe” pode não ter nenhum sentido ou conexão direta com a meta para você ou para mim. Mas para ela fazia toda a diferença! Procure sempre o sentido mais profundo que traz a relevância da sua meta. Essa é a garantia de manter sua motivação constante ao longo da jornada!
A seguir estão alguns exemplos de relevância para metas:
1. Para conseguir aprimorar minha carreira profissional e ser reconhecido pelos meus
superiores.
2. Para realizar minha missão de vida.
3. Para ser mais feliz no casamento e no relacionamento com meus filhos. 4. Para restaurar minha imagem pública e meu respeito próprio. 5. Para melhorar meu papel de marido.
6. Para poder ter mais conforto, qualidade de vida e tempo para dedicar à família. 7. Status pessoal.
Temporal – Quando vou realizar a meta?
Uma boa definição para metas é: um sonho com data marcada. Se você não tiver uma data, vai ficar empurrando com a barriga. É preciso ser específico e definir o tempo necessário para a realização de seu sonho.
Você conhece aquelas famosas frases de impacto: “Daqui a um ano eu vou fazer isso”, “Em maio eu me caso”, etc.? Elas saem da boca para lugar nenhum. Passam-se anos e você não faz nada, porque hoje é daqui a um ano, amanhã será daqui a um ano, daqui a dez anos continuará sendo daqui a um ano.
Se você não especificar um determinado dia, mês e ano, vira promessa de algum dia talvez quem sabe. A data específica dá o tom do seu desafio. Se você errar, não tem problema, é humano e perfeitamente aceitável. Você se desafiou para isso, não deixou a decisão para as circunstâncias. Se precisar, prorrogue o prazo, mas tenha um!
Veja a seguir um exemplo final de meta, baseado em todos os passos do SMART:
Meta – Viagem de férias para a Disney
Específica: Viajar com a família para a Disney, durante 15 dias. Conhecer as cidades de Miami e Orlando. Hospedagem no Hotel XYZ em Miami e ABC em Orlando. Entrada para os parques A, B, C, D, E e F. Com dois dias livres para fazer compras. Viagem pela ABC empresas áreas em classe econômica.
Mensurável: 20 dias de férias e investimento de 10 mil dólares, divididos em seis parcelas. Indicadores : Aprovação do visto de toda a família; comprar passagens; conseguir tirar férias. Alcançável (planejamento para realizar a meta):
Relevante: Para realizar meu sonho de infância e dedicar tempo aos papéis de pai e marido. Para passar mais tempo em família. Para comemorar a melhora de saúde da minha esposa. Temporal: A viagem será realizada no período de 01/06/12 a 15/06/12.
Dicas para tornar suas metas mais eficazes
Além de a meta ser escrita na forma SMART, existem algumas dicas que ajudam a tornar sua redação mais eficaz. Elas podem ajudar na sua concretização:
1. Escreva sua meta de forma positiva: O nosso cérebro pensa primeiro no positivo e depois
na negação. Por isso evite usar a palavra “não” em suas metas. É muito melhor escrever de forma positiva e com foco no que você quer e não no que você não quer. Fica mais fácil de o cérebro entender e visualizar o positivo.
2. Utilize verbos de ação: Sempre utilize verbos que estimulem a ação. Verbos passivos ou
contemplativos não são indicados para metas eficazes.
3. Se o objetivo estiver grande, segmente-o ainda mais: Ao definir os passos para alcançar a
sua meta, procure estabelecer passos pequenos, que possam ser executados em algumas horas. Quanto menor, mais fácil de realizar e menos cansativa fica a meta.
4. Utilize, sempre que possível, recursos multimídia: adicione fotos, recortes de jornais,
folhetos, vídeos para tornar sua meta ainda mais específica e definida. Esse tipo de recurso ajuda a visualizá-la com mais precisão e a colocar a mente mais focada para o resultado.
5. Sigilo pode ajudar: Se você for supersticioso ou desconfiado, siga o velho conselho de não
contar nada a ninguém antes que a meta se concretize. Para “evitar olho gordo”, diria minha avó. Particularmente, gosto de manter sigilo de minhas metas pessoais até ter algo já definido para contar. Quando falo, busco opiniões para aprimorar meu planejamento, mas apenas com pessoas de extrema confiança. A exceção a essa regra é a necessidade de dividir suas preocupações com alguém de sua confiança, que poderá aumentar a clareza em torno de sua ideia.
6. Revise constantemente sua meta: A metodologia propõe a revisão constante de seus
objetivos. Esse processo é importante para realinhar e rever suas metas. Napoleon Hill aconselha as pessoas a lerem suas metas pelo menos duas vezes por dia, uma ao acordar e outra antes de dormir. Quando comecei a fazer isso, tive várias boas ideias em meus sonhos. Foi bem interessante o resultado.
7. Reveja as metas que você escreveu no início deste capítulo. Após conhecer o SMART e
algumas dicas, você pode afirmar que tinha metas ou desejos?
Verificação das metas
Às vezes estamos tão obstinados em conseguir realizar um sonho que não paramos para analisar os resultados nem os impactos positivos e negativos que essa conquista pode ter em diversos aspectos de nossa vida. Seus objetivos devem sempre beneficiar você e outras pessoas, e nunca prejudicar.
Você pode querer fazer uma viagem ao redor do mundo para realizar um sonho de infância, mas o tempo que você vai passar fora comprometerá, por exemplo, seu papel de mãe e de esposa. Você realizou o grande sonho da sua vida, mas a que custo?
Às vezes descobrimos, apenas depois de realizá-los, que alguns sonhos podem não ser tão bons quanto pensávamos. Seus sonhos devem ser congruentes com benefícios para toda a sua identidade. Quando a sua meta estiver redigida da forma como descrevi anteriormente, algumas perguntas devem ser feitas de modo a explorar as suas consequências. Faça isso antes que elas aconteçam e seja tarde demais para voltar atrás.
Eis uma lista de cinco perguntas que ajudam a refletir e validar as consequências futuras de suas metas:
1. Você imagina algum problema ou dificuldade que pudesse surgir caso você já tivesse
alcançado a sua meta?
2. Existe alguma parte ou papel dentro de você que tenha objeção a essa meta? 3. O que o impediu de ter criado esse objetivo no passado? 4. O que você teria perdido se tivesse feito essa mudança naquele tempo? 5. Ao alcançar esse objetivo, todas as pessoas e situações da sua vida mudarão de forma
positiva para você?
Caso algumas dessas respostas tenha incomodado você, não hesite em parar um pouco antes de partir para a ação. Pense e veja se é realmente isso que você quer de verdade. Converse com as pessoas envolvidas, busque mais informações, faça novas perguntas. É melhor rever seus planos antes que eles se concretizem do que se arrepender pelo tempo gasto desnecessariamente lá na frente.
Metas conectadas
O poder que existe em escrever uma meta é algo realmente fantástico. Só as pessoas que o fizeram e conseguiram concretizar o que foi escrito sabem do que estou falando. Se você ainda não fez, convido-o a participar dessa experiência gratificante.
É impossível propor uma metodologia para administração pessoal sem a definição de metas. O que seria da vida se não estivéssemos todo o tempo em busca de algo mais? Um objetivo, um sonho, um desafio? O ser humano é um eterno inconformado com sua própria situação, e esse sentimento o faz evoluir. Metas dão sentido à vida.
Muitos deixam de escrever suas metas por medo. Estão tão envolvidos pela crença de que podem fracassar, de que vão se decepcionar, de que não vão conseguir, de que vão ficar frustrados, que não conseguem nem tentar. Esse medo é natural. Todos temos nossos medos. Mas a diferença é feita quando você se liberta deles e ousa fazer algo diferente. Precisamos lutar pelo que queremos, assumir a postura de piloto da vida.
Outras pessoas deixam de escrever suas metas pelo desconhecimento de como fazer, pela falta de um processo ou por não saber como priorizá-las. Assumem a posição de passageiro. A metodologia é orientada na busca da execução de metas. Ao longo do processo de planejamento, você verá que as metas serão exaustivamente trabalhadas de forma natural para que se acomodem a suas prioridades diárias. Você utilizará seu tempo com coisas importantes e reduzirá o espaço das circunstâncias e urgências.
Mas as metas não devem ser escritas apenas porque isso é bom. Não sou favorável a que você saia escrevendo uma lista de metas para tudo. Acredito que as metas se tornam poderosas a partir do momento em que estão conectadas a sua identidade, quando existe um propósito maior para elas.
As metas devem ser conectadas a sua missão, a seus papéis, a seus relacionamentos, às quatro dimensões do ser humano. Essas metas abrangem todas as áreas da sua vida: pessoal, profissional, financeira, saúde, lazer, etc. Desenvolver metas a partir de sua identidade torna naturalmente o processo relevante e muito mais empolgante! É a isso que dou o nome de metas conectadas.
“Quem só confia na sorte tem que
se contentar com o resultado dela.”
CALVIN COOLIDGE
Metas para toda a vida
Quantas metas conectadas devemos escrever? Esta é uma pergunta impossível de se responder. Cada pessoa sabe o que gostaria de realizar e quantas metas deve ter. Mas existem algumas recomendações com relação aos objetivos para toda a vida.
Você precisa ter uma perspectiva de futuro. Aonde gostaria de chegar e o que terá realizado quando tiver 90 anos? Recomendo que você tenha metas de curto, médio e longo prazos.
As metas de curto e médio prazos formam a base para a realização das metas de longo prazo. É essencial ter pelo menos uma meta em cada um desses períodos.
Quanto menos metas você tiver, mais foco terá para concretizá-las. Uma grande quantidade de metas pode levar à dispersão e dificultar a concretização dos objetivos. Em metas, o menos é mais.
Pode parecer estranho pensar agora naquilo que você pretende ter quando chegar aos 70 anos. Mas, quando você faz isso, o sentido de propósito é tão grande que você começa a agir imediatamente pensando no amanhã que idealizou. Talvez não seja possível ser muito específico em relação às metas mais distantes, mas uma visão de longo prazo é sempre essencial. Ela indica a direção geral de sua vida, o rumo do seu avião.
A visualização é a palavra-chave para você conseguir definir suas metas. Lembre-se que primeiro você as realiza dentro de si mesmo, para depois se tornarem realidade. Imagine, enquanto lê o exemplo a seguir:
Pense em um limão fresco. Imagine como é pegá-lo e sinta-o em sua mão. Pegue uma faca e corte uma fatia e ouça o leve som do suco escorrendo. Cheire o limão, depois leve a fatia até a boca e dê uma mordida. Sinta o gosto ácido da fruta. Adicione sal à outra metade e experimente o suco da fruta com sal.
Se você se imaginou fazendo isso, sua boca está agora salivando. Seu cérebro seguiu suas instruções e pensou, viu, ouviu, sentiu, cheirou e provou o limão. Seu cérebro concebeu o limão imaginário como se ele fosse real e fez você salivar. O poder da imaginação ajuda muito no processo de definir metas de longo prazo.
Albert Einstein tinha uma técnica que chamou de “experimentos pensados” para visualizar possibilidades futuras. Ele não era muito bom para ver o abstrato, por isso sempre imaginava as situações como se elas já tivessem acontecido. Ele pensava “como seria se…”, e através dessa imaginação ficava muito mais fácil visualizar os passos que teria de dar para chegar ao objetivo final.
Você pode usar a mesma estratégia de Einstein para pensar nas suas metas de longo prazo e definir as de médio e curto prazos. Você pode, por exemplo, imaginar como seria se aos 70 anos você fosse dono de uma pousada em Angra dos Reis. Como seria sua pousada? Como seriam seus hóspedes? Quantos quartos ela teria? Curta as imagens. Quanto mais detalhes, melhor. Se facilitar, adicione cores, movimentos mais rápidos ou mais lentos, vozes e sensações. Fique à vontade para viajar na sua imaginação.
O próximo passo é começar a se perguntar e a imaginar: o que eu teria feito aos 60 anos para ter minha pousada aos 70? Teria comprado um terreno? Iniciado a construção? E aos 40 anos? Teria estabelecido uma meta de poupar mensalmente para comprar o terreno e iniciar a construção?
Se você tiver outras estratégias, fique à vontade para utilizar o que for mais conveniente. O importante é que você tenha metas definidas para curto, médio e longo prazos.
É importante dizer que as metas não são imutáveis. Se daqui a cinco anos você não quiser mais aquela meta, você tem poder de apagá-la. Uma meta não significa uma obrigação de realização. A metodologia revisa constantemente suas metas de forma que adaptações sejam efetuadas ao longo dos anos.
Pare um pouco a leitura do livro e defina pelo menos uma meta em cada período de tempo mencionado. Se quiser, fique à vontade para definir outras. É possível utilizar as tabelas sugeridas anteriormente ou na parte de metas do Neotriad. Ele contém um mecanismo simples para a criação de metas conectadas e ainda possui um sinalizador que verifica se a redação atende aos principais requisitos de uma meta.
No próximo capítulo veremos como inserir essas metas em nosso dia a dia para que possamos executá-las de verdade. Afinal, de nada adianta você saber para onde vai se não tiver um planejamento que o ajude a chegar lá, não é verdade!?