Adolpho Lutz: entomologia

Jaime Larry Benchimol · Capítulo 16 de 70

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Adolpho Lutz: entomologia

Segunda contribuição para o conhecimento das espécies brasileiras do género Simulium

Segunda contribuição para o

conhecimento das espécies

brasileiras do gênero * Simulium

 

Parte Geral

Esta segunda comunicação é fundada em material muito rico, colecionado depois de concluída a minha primeira contribuição, que era terminada já bastante tempo antes de ser publicada. Uma parte desse material é devida a contribuições de várias pessoas, entre as quais menciono os colegas Drs. Chagas, Parreiras Horta e Gurgel do Amaral. Do primeiro recebi numerosos borrachudos de Juiz de Fora e uma espécie nova muito interessante de Lassance (norte de Minas); o Dr. Horta contribuiu com larvas e pupas de Mendes e o Dr. Gurgel mandou material muito bom de Alfenas (sul de Minas). A pequena coleção de borrachudos já mencionada que foi feita em Itapura no noroeste de São Paulo pelo Dr. Neiva era de bastante interesse, como também a constatação de uma espécie nossa no interior do Estado de Pernambuco, devida ao Dr. David Madeira. Na região de Petrópolis fui ajudado como em outras ocasiões pelo Sr. Foetterle e recebi também contribuições do Dr. von Luetzelburg. Chegaram também larvas e pupas de Anhembi no Tietê (estado de São Paulo). Também as coleções anteriormente feitas, examinadas minuciosamente à luz da nova orientação, ainda forneceram muita coisa de bastante valor. A maior parte das coleções foi feita por mim pessoalmente em numerosas excursões a arrabaldes e regiões vizinhas desta capital, de preferência lugares montanhosos, onde se podia esperar criadouros favoráveis. As altitudes atingidas eram muito elevadas, colhendo-se, nos pontos mais altos, tanto larvas e pupas, como insetos perfeitos. Explorando lugares em várias elevações obteve-se assim idéia bastante correta da distribuição vertical. Também é permitido afirmar com bastante certeza que a minha coleção contém quase todas as espécies encontradas nesta zona e que só em regiões mais distantes se poderia contar com novas formas.

À medida que o material aumentava e os conhecimentos se tornavam mais exatos foi preciso distinguir maior número de espécies. Muitas destas são bastante parecidas, apresentando grandes dificuldades para a discriminação; tornou-se evidente que, devido a certas variações dos exemplares, nem sempre muito perfeitos, não basta a distinção pelo tamanho, cor e desenho. Foi mesmo preciso empregar constantemente o microscópio na pesquisa de bons caracteres anatômicos, sendo as lupas insuficientes para obter o aumento necessário. Somente à custa de um trabalho extraordinário e de numerosíssimos exames microscópicos foi possível obter os resultados presentes, ainda assim, algum tanto imperfeitos.

É fato provado por grande número de observações e de grande alcance que, numa certa região, quase todas as espécies existentes, incluindo as que quase nunca atacam o homem, podem ser apanhadas em cavalos e mulas, contanto que as procurem também na região ventral e no interior das orelhas. Esta última região é freqüentada quase exclusivamente por certas espécies cuja presença aí se denuncia por um estado eczematoso da pele, apresentado por todos os eqüideos de certos lugares e consecutivo às mordeduras repetidas. Mesmo onde, à primeira vista, não parece haver borrachudos, freqüentemente se encontram alguns exemplares cheios de sangue no interior das orelhas. Na barriga dos animais, preferem a zona mediana, perto das pernas; as mesmas espécies se encontram em número menor no peito, perto e entre as extremidades anteriores. Outras procuram a crina e penetram entre os pêlos desta. Nestas regiões, não somente são de observação mais difícil, mas também não conseguem os animais livrar-se delas. Ainda outras espécies procuram a faceira sendo esta localização constante e característica, como já mencionei no caso do S. nigrimanum. Embora se possa observar alguns exemplares durante todo o dia, os borrachudos são adaptados a certas intensidades da luz, o que parece devido a particularidades dos seus olhos. Sempre são mais abundantes pouco antes do crepúsculo. O número de indivíduos adultos das diversas espécies não corresponde, todavia, à freqüência com a qual se encontram as larvas e pupas nos criadouros vizinhos.

Nas águas que se prestam para criadouros, geralmente coexistem algumas espécies, o que dificulta a determinação das larvas encontradas. A coloração geral destas, pelo menos em certas espécies, parece constante durante toda a evolução e por isso pode ser de uma utilidade na determinação, sempre levando em conta que a cor, bastante variada, do tubo intestinal cheio aparece por transparência. A placa mental, na maioria dos casos, mostra diferenças pouco acusadas e nas preparações microscópicas raras vezes se encontra em posição completamente favorável para o estudo. Por isso convém escolher, para a determinação, os indivíduos do último período larval que já mostram dos dois lados da extremidade cefálica e perto da cabeça uma mancha escura, correspondente aos apêndices respiratórios da pupa formados já debaixo da pele e aparecendo por transparência. é verdade que estes órgãos tubulares são reduzidos a um espaço pequeno, sendo as partes terminais dobradas ou enroladas em forma de espiral, mas podem ser libertadas e desenroladas, permitindo, assim, reconhecer o tipo de ramificação. Os tricomas e ganchos da pupa são facilmente visíveis e pode-se reconhecer até os esboços embrionais das pernas, mas sem a coloração característica. A ramificação dos tubos respiratórios é constante em quase todas as espécies e basta para a sua determinação. No caso de tratar-se de espécie desconhecida, procuram-se, então, pupas correspondentes que contêm a mosca já quase perfeita, o que facilmente se conhece; esta, por sua vez, é tirada do seu invólucro e aproveitada para a determinação. Deste modo, e com a paciência necessária, obtêm-se informações tanto mais valiosas quanto, até em espécies com os adultos muito parecidos, a pupa é facilmente distinguida.

O casulo das diversas espécies apresenta diferenças em estrutura e tamanho; geralmente tem a forma de cartucho de papel, mais ou menos achatado do lado de fixação e com a margem lisa ou algumas vezes franjada; consiste em tecido poroso feito de seda de cor amarelo acinzentado, formada em duas grandes glândulas sericíparas, facilmente observadas na larva madura. Em algumas espécies, o tecido não parece ter a forma de cartucho, mas se assemelha a uma rede irregular cujos fios geralmente são carregados de sujeira ou de algas e no qual a pupa se encontra preza pela ponta; mas mesmo nestes casos parece haver um rudimento de cartucho.

No abdome da pupa há numerosos ganchos e espinhos que talvez poderiam ser aproveitados na classificação. Mas, deixando de lado as dificuldades que apresentam ao exame, em muitas espécies parecem pouco diferentes. De maior utilidade, talvez, sejam dois pequenos ganchos ou espinhos encontrados na última extremidade do abdome de muitas espécies.

Na extremidade anterior geralmente a pele da pupa, em extensão variável, apresenta-se finamente granulada, o que resulta de numerosos grânulos de cor mais carregada. Além disso, existem pequenos discos carregando pêlos, que chamarei tricomas, porque raras vezes são simples ou dicotomos, mas geralmente ramificados. A sua forma não é sem utilidade para a determinação das espécies.

O papel dominante na classificação das pupas é, todavia, ocupado pelos apêndices branquiais da extremidade anterior. Consistem em um sistema de tubos ramificados, fechados na ponta e munidos de anéis ou fios espirais pouco nítidos até perto da base, apresentando, assim, alguma semelhança com traquéias. Somente numa espécie nova, o S. botulibranchium, falta esta escultura, havendo apenas aspecto granular produzido por espinhos muito miúdos e parecidos com escamas, assemelhando-se, assim, à porção basal das outras espécies. Nem por isso são ramificados, mas a sua forma é tão diferente e irregular que não se parece com qualquer outra espécie conhecida. (Apenas entre as espécies africanas parece haver formas intermediárias com apêndices branquiais alargados e não tubulares, sendo, porém, a sua disposição muito mais regular). Em todas as outras formas estudadas o número e a disposição das ramificações formam um caráter constante e seguro; até hoje, em centenas de pupas examinadas só encontrei uma em que de um lado faltava uma

ramificação, o que deve ser considerado como fato patológico. 1 Todavia, a altura em que se observam estas ramificações pode variar um tanto, visto que nem sempre é completamente igual dos dois lados. A forma dos ramos, com uma exceção única, é quase cilíndrica; apenas perto da sua extremidade se tornam, às vezes, mais finos ou apresentam excepcionalmente (em uma espécie só) um alargamento fusiforme. A terminação representa um segmento de esfera ou se faz em ponta subcônica, às vezes um pouco despegada.

O calibre do tronco e dos ramos principais corresponde, geralmente, à soma das ramificações. A base do tronco está muito aproximada da abertura do estigma anterior da imago, de modo que as traquéias nascendo neste parecem comunicar diretamente com o tubo branquial. O comprimento deste varia não somente nas diversas espécies, mas também nos indivíduos da mesma, mas neste caso conserva a proporção com o tamanho da pupa. (Esta é sempre muito menor quando contém um macho, que se conhece já cedo pela formação especial dos olhos). As últimas ramificações geralmente apresentam comprimento e grossura igual, mas existem exceções. Muitas minúcias de estrutura são mais facilmente apreciadas na pele vazia da pupa (depois da saída do mosquito), sendo que esta se conserva ainda por muito tempo por dentro do casulo em estado quase perfeito.

No mosquito adulto a pele exterior só raras vezes é completamente lisa e sem brilho; quase sempre mostra reflexos claros, variando de intensidade conforme a região, e um aspecto mais ou menos finamente granular; excepcionalmente na cabeça apresenta finíssimas pontas papilares. Muitas vezes há lugares cobertos de uma crosta alvacenta, um tanto irregular, dotada de forte brilho nacarado; estas manchas muito decorativas são constantes e características para as espécies, mas podem tornar-se apagadas em exemplares malconservados. Em conjunto com as escamas piliformes douradas do escudo formam ornamentos muito brilhantes que somente com o microscópio podem ser apreciados em toda a sua beleza.

Nas antenas a existência de pubescência é geral e digna de nota; pode-se considerar como bastante certo que não deixa de ter a sua utilidade e isto se pode afirmar especialmente em referência a algumas cerdas terminais curtas que nunca faltam.

Os autores, geralmente, dão os palpos como compostos de quatro artículos, mas Schrottky nas suas descrições fala em cinco; realmente, o artículo basal dos autores nas espécies indígenas compõe-se, freqüentemente, de dois segmentos quase ou completamente separados; fatos semelhantes são observados nos culicidas e esta segmentação, nem sempre fácil de perceber em exemplares espetados, não tem a importância que parece merecer a priori.

No segundo segmento dos autores e terceiro de Schrottky observei, em todas as espécies examinadas, um órgão de senso que considero constante e que me parece dever servir ao olfato. No S. paraguayense de Schrottky me parece especialmente distinto. Consiste em escavação profunda e quase esférica com abertura

circular na face superior (Est. 19, Fig. 28).2 Os dois últimos artículos são sempre anelados como os tubos branquiais das pupas, porém mais distintamente.

Os estigmas em formas de aberturas redondas são facilmente percebidos com aumento fraco tratando-se de espécies maiores.

A cor dos halteres em muitas espécies é quase idêntica, mas em outros casos, bastante numerosos, é de grande valor para a determinação.

A estrutura do abdome merece especial menção; como em muitos outros sugadores de sangue, em estado vazio é bastante pequeno, mas pode distender-se extraordinariamente pela ingestão de sangue. Para facilitar a natureza providenciou em sentido duplo, apresentando o abdome profundas dobras, ora longitudinais, ora transversais. A presença de pregas longitudinais numerosas e conchegadas, que se pode chamar canelação, não é constante, embora observada em muitas espécies; assim pode, às vezes, servir de caráter distintivo. Este geralmente é mais acusado no lado inferior dos primeiros segmentos abdominais, sendo observado já no mosquito ainda incluído na pupa; assim, não pode se tratar apenas de um fenômeno devido à contração de um abdome antes muito distendido, como facilmente se podia supor. As dobras transversais profundas, lembrando o fole de uma câmara, são devidas a constrições intersegmentais, especialmente acusadas. As margens dos segmentos que, em estado vazio, se acham mais ou menos escondidos, muitas vezes mostram coloração mais clara, o que se distingue melhor no abdome distendido. Geralmente prevalece uma outra espécie de corrugação, mas também podem ser igualmente desenvolvidas.

A respeito do emprego da coloração para a classificação, convém acentuar que os adultos deixam o casulo perfeitos e capazes de voar; por isso, também, a coloração é sempre completa, a menos que se tenha tirado o mosquito da pupa antes do tempo. Pela mesma razão, geralmente, a coloração dos indivíduos não difere; há, todavia, algumas espécies um tanto variáveis. às vezes se observam indivíduos muito escuros, o que, pelo menos numa parte dos casos, pode ser atribuído à prévia ingestão copiosa de sangue. Pelo menos observei, num exemplar vivo de S. scutistriatum, que neste caso, alguns dias depois, todo o corpo, incluindo as pernas, se apresentava muito mais escuro; nem se pode excluir que possa haver algum aumento de tamanho nestas condições.

A coloração iriante das asas, dependendo da grossura destas, difere um tanto conforme as espécies.

A morfologia do revestimento de escamas e pêlos mostrou-se do maior valor para a determinação das espécies, embora não pareça recomendar-se para a formação de gêneros e subgêneros. Como já mencionei, há transições de pêlos para escamas; pêlos curtos e achatados, que muitas vezes formam o tomento do escudo, em outras espécies são substituídas por escamas lineares indubitáveis e, em outros casos, pêlos fusiformes cedem o lugar a escamas lanceoladas estreitas. Convém unir estas formas, que só com poder bastante forte podem ser discriminadas, sob o nome de formas de transição. Enquanto muitas espécies, principalmente maiores, ao lado de pêlos mostram, quando muito, formas de transição, outras apresentam nas pernas escamas distintas e um tanto mais largas. A sua forma, o mais das vezes, é lanceolar ou espatulada e variam mais no comprimento do que na largura. Podem ser carinadas e terminar em pequenas pontas. Em vista da sua forma, parecida à das pétalas de várias flores, chamo-lhes petalóides. No mosquito espetado percebem-se melhor quando são claros sobre fundo escuro, mas nas preparações microscópicas as escamas escuras distinguem-se melhor. No escudo, as escamas sempre são estreitas e raras vezes petalóides, mas, neste caso, são encontradas também na fronte e no clípeo, o que forma um bom caráter distintivo, como acontece também com a disposição das escamas do escudo em feixes e estrias. Nos tarsos as formas de transição são transparentes.

As escamas das pernas podem ser percebidas no mosquito ainda incluído na pupa, se o seu desenvolvimento for bastante acusado. Sendo as escamas assaz caducas, deve-se preferir exemplares bem conservados que se escolhem pela presença do tomento do escudo.

Na descrição e definição das espécies, não me ocupei dos órgãos de copulação porque não tinha bastante material de machos, e nas fêmeas a investigação da estrutura é difícil e não parece ter muita utilidade prática. Os machos geralmente se parecem tanto com as fêmeas que a determinação da espécie não encontra dificuldades sérias. São sempre menores e distinguem-se, às vezes, por ornamentações mais brilhantes, e por serem as pernas mais peludas. Têm sempre unhas tridentadas.

As unhas necessitam exame minucioso e repetido porque os dentes secundários ocupam uma posição bastante escondida e quando ausentes podem ser simuladas pelo ângulo basal proeminente ou pela ponta da outra unha. A sua ausência é um bom caráter de espécie por ser bastante rara.

Na parte especial deste trabalho darei suplementos às espécies descritas e à descrição de muitas pupas e insetos adultos de espécies novas com chaves para a determinação destas.

 

Parte Especial

Aos dados contidos na comunicação anterior tenho de acrescentar vários outros, o que farei usando a mesma ordem de espécies numeradas.

1. S. rubrithorax Lutz

Esta espécie se distingue facilmente de quase todas as outras, por ser o fundo do tórax colorido em vermelho, o que aparece, principalmente, no escudo; da espécie seguinte difere pelas dimensões menores, as unhas com dentes e o revestimento do escudo consistindo em escamas piliformes compridas e estreitas, com brilho de ouro muito mais acusado. Podem aparecer bastante apertadas, mas nunca ocultam a linha mediana que tem uma cor algum tanto mais escura. Por fora desta existe, no fundo de cada lado, mais uma linha longitudinal semelhante; estas três linhas formam, freqüentemente, o centro de faixas longitudinais mais escuras que, em iluminação lateral, não mostram o brilho cinzento que se percebe no resto do fundo. Este desenho que, todavia, nem sempre aparece claramente, aproxima a espécie da seguinte. Nestas duas, como em algumas outras espécies maiores, vê-se no escudo, na parte em declive da margem anterior, uma estria transversal larga e escura, com as extremidades pontudas e viradas para trás, em forma de chifres. Na margem anterior e dos dois lados, o fundo, mais granulado e mais brilhante, forma uma tarja clara.

O abdome é sempre fortemente canelado e o lado ventral, freqüentemente, amarelo-acinzentado em extensão assaz grande.

Nas pernas as porções claras, situadas acima dos joelhos, às vezes são avermelhadas ou enegrecidas, devido talvez ao sangue ingerido. O revestimento consiste em pêlos ou formas de transição que são ligeiramente alargadas na extremidade do fêmur do último par.

O tamanho varia de menos de três para mais de quatro milímetros. As fêmeas adultas são encontradas, principalmente pouco antes do crepúsculo, sobre a barriga dos cavalos, de preferência em lugares mais elevados. Foram apanhadas, em maior número, em Petrópolis, Juiz de Fora e na Serra da Bocaina.

As larvas e pupas são geralmente encontradas em águas muito agitadas, em cachoeiras e cascatas menores e maiores, às vezes nas próprias pedras. As larvas distinguem-se pelo tamanho que pode alcançar 12mm e mais. Têm o lado ventral claro e o dorsal enegrecido, o que é devido a manchas verde-negras, como se conhece pelo exame microscópico.

O casulo exterior (Fig. 9 e 26) tem uma parte anterior, separada e fazendo ângulo com o plano de fixação, cujas paredes formam rede de malhas largas e terminam em franjas achatadas. No meio desta, percebe-se geralmente a cápsula cefálica larval, proveniente da última muda e tendo ao lado e atrás os tubos respiratórios da pupa. Estes têm oito galhos iguais, acuminados e bastante curtos. Parece que não há tricomas. Por estes caracteres, combinados com o grande tamanho, pode facilmente ser diferenciada de outras espécies de pupas com o mesmo número de tubos respiratórios. Os olhos das formas adultas salientam-se já na pupa pelo seu pigmento vermelho, principalmente os grandes dos machos, encontrados em pupas bastante menores.

As larvas e pupas desta espécie só foram encontradas em pequeno número nas cercanias da capital, mas recebi ultimamente material abundante, colecionado no Rio das Velhas perto de Lassance por um empregado do Instituto. Como se vê da Fig. 26, os casulos, freqüentemente, eram aglomerados em massas achatadas cobrindo as pedras maiores e menores. Destas, eu extraí vários insetos adultos com os caracteres de Simulium rubrithorax, o que afasta qualquer dúvida a respeito das pupas. Além disso, recebi do mesmo lugar algumas fêmeas adultas, apanhadas em cavalos, todas assaz pequenas, mas semelhantes às extraídas das pupas. As pernas eram bastante escuras. Nos dois casos havia, tanto na fronte, como no clípeo, escamas estreitas que sempre faltavam nos meus exemplares antigos e de dimensões maiores. Pode tratar-se apenas de variações ou pode ser que existam duas espécies semelhantes, ambas com o escudo vermelho e unhas munidas de dentes, mas só por meio de criações é que este ponto poderá ser resolvido.

2. Simulium scutistriatum Lutz

É esta espécie geralmente bastante rara; consegui, todavia, arranjar mais algumas fêmeas, provenientes de vários lugares, variando em altura de poucos metros até 900m acima do mar (Xerém, Mendes, Juiz de Fora, Teresópolis). Distingue-se [a espécie] pelo tamanho que alcança, de 5mm de comprimento, e pelas escamas distintas, bastante compridas e abundantes, que ocupam a fronte e o clípeo. A cor é alvacenta, como também as do escudo são mais pálidas do que na maioria das outras espécies; quando estão bem conservadas, apresentam também um agrupamento em feixes, principalmente na parte anterior. A fronte e o clípeo têm um brilho branco, às vezes muito intenso, e a superfície coberta de saliências papilosas muito finas; as margens laterais e posterior do escudo, o metanoto e o dorso do primeiro segmento abdominal também podem apresentar forte brilho claro. Nos palpos distinguem-se cinco segmentos.

A cor e o desenho do fundo do escudo são um tanto variáveis; pode aquela virar em vermelho de tijolo lembrando o S. rubrithorax. As faixas longitudinais podem ser mais ou menos apagadas quando entre elas não aparece o fundo distintamente mais claro, como em regra se dá; todavia, a linha longitudinal é geralmente distinta. Variações tais são encontradas, principalmente, em exemplares procedendo de elevações maiores sem dar motivos suficientes para o estabelecimento da espécie nova. O abdome é fortemente canelado, apresentando com freqüência anéis mais claros.

A base da haste dos halteres é de cor escura, o capítulo branco-amarelo, às vezes, principalmente por fora, um pouco pardacento ou avermelhado.

A cor das pernas também pode variar um pouco; geralmente têm elas os segmentos superiores bastante enfuscados, mas coberto de escamas piliformes claras; a coxa do último par parece ser sempre escura, mas o trocanter e a base do fêmur podem ser mais claros. Não há escamas petalóides nas pernas. O dente das unhas falta ou há apenas um rudimento insignificante.

Os meus exemplares eram todos de sexo feminino e foram apanhados no homem e no cavalo. Os primeiros estados não estão conhecidos.

3. S. pernigrum Lutz (= montanum Phil?)

Restituí à terceira espécie o nome em primeiro lugar escolhido por mim, visto que a sua identidade com a espécie chilena por várias razões não deixa de ser bastante duvidosa. Consegui reunir não somente grande número de fêmeas (acima de um cento), mas achar também as respectivas larvas e pupas em vários lugares da Serra da Bocaina. As primeiras foram apanhadas na barriga de cavalos, numa altitude de 1.500m; não atacavam quase os homens que os acompanhavam. Há pouca coisa que acrescentar à descrição: o comprimento importa em 2 a 3mm, só excepcionalmente poderia alcançar o tamanho atribuído ao S. montanum. O abdome é um tanto canelado. Não existem escamas petalóides em parte alguma.

As larvas foram encontradas nas águas de um regato, onde apresentavam forte correnteza. A pupa (Fig. 19 e 20) é caracterizada por quatorze tubos respiratórios de cada lado; nascem de seis troncos principais, dos quais quatro têm uma bifurcação simples e dois outros uma segunda bifurcação num dos galhos. Todas as ramificações ficam bastante perto da base. Os ramos têm grossura igual e terminam na mesma altura em ponta obtusa. Os tricomas são simples, mas colocados em pequenos discos (como os ramificados). A formação de casulo legítimo é duvidosa; as pupas examinadas pareciam quase livres e cobertas por sujeira.

4. S. hirticosta Lutz

Desta espécie colecionei, bastante numerosos, em Petrópolis, deles obtendo machos e fêmeas em número superior a cinqüenta. Muitos exemplares foram examinados ainda inclusos no casulo. No macho, os olhos são holópticos, cor chocolate com brilho vermelho e reflexos claros e mostram na parte superior (que excede bastante a metade do olho) facetas maiores; as antenas são ocráceas na base, enfuscadas para cima, mas densamente cobertas de pubescência branca. A tromba e os palpos são escuros. O escudo, a olho nu, é chocolate aveludado; no microscópio vêm-se escamas um tanto mais claras, de cor bronze escura, finas e curtas e, mais para trás, pêlos escuros. As pleuras são pretas, na parte posterior do escudo há uma mancha nacarada, que se conhece mesmo com o tomento bem conservado.

Abdome escuro, todo o lado inferior e o de cima, em parte, coberto de pó de brilho alvacento. Na margem posterior do primeiro anel e na extremidade do abdome há pêlos compridos com brilho de ouro.

Asas como as de fêmea, halteres todo pretos, mas com reflexo claro apagado.

Pernas: o fundo quase completamente enegrecido, mas com reflexos claros e muitas escamas estreitas ou pêlos de brilho branco. Nos joelhos anteriores parece haver escamas douradas, curtas, mas largas; outras iguais, porém brancas, existem nas coxas e trocanteres. Nos fêmures posteriores há pêlos compridos e pretos sobre fundo de brilho prateado; num exemplar percebe-se também do lado exterior escamas compridas em forma lanceolar, quase linear, que, vistas de lado, se parecem com pêlos. Nos dois sexos o metatarso mostra uma paleta bem caracterizada, o tarso seguinte é um pouco alongado e de grossura medíocre; não há incisura bem acentuada, mas no lugar desta há uma depressão ligeira. Estes caracteres parecem unir as subespécies Eusimulium e Prosimulium de Roubaud, lembrando mais o tipo da segunda.

A larva é avermelhada, tendo manchas vermelhas sobre fundo claro. é semeada de pêlos muitos curtos e bastante finos, mais abundantes na parte posterior e substituídos por espinhas transparentes no processo ventral.

Na pupa os tubos respiratórios se dividem por bifurcação ou, mais raramente, por trifurcação, até formar de cada lado cerca de vinte ramificações muito finas, terminadas em ponta ovóide. O seu número me parecia variar entre 20 e 24. A pupa tem forma de costume, sendo a pele finamente granulada, munida de tricomas ocráceos, não ramificados, na extremidade anterior e no lado ventral da posterior, onde há dois ganchos quase retos e só ligeiramente curvados. O casulo em forma de cartucho é muito fino, cobrindo somente dois terços da pupa; está geralmente cheio de sujeira, com fios soltos, fixando a sua base e muitas vezes unindo-a a casulos de outras espécies, como perflavum Roubaud, incrustatum n. sp. e clavibranchium n. sp., entre os quais se acham freqüentemente. Mais raro é encontrar-se pequenos grupos de colônias maiores formadas só por esta espécie. Conquanto geralmente um pouco escassa, existe em várias elevações e não pode ser considerada como rara; depois de dois lugares perto de São Paulo a encontrei em mais sete do estado do Rio de Janeiro, a saber: Caixa d'água do Rio d'Ouro, Teresópolis, Petrópolis, num pequeno rio perto de Vassouras, em outro na Raiz da Serra de Petrópolis, finalmente na Serra da Bocaina e na estação de Capivari (Estrada de Ferro Oeste de Minas). Tratava-se sempre de larvas e casulos; a imago só raras vezes é apanhada, o que indica hábitos especiais e diferentes.

5. S. pertinax Kollar (= venustum Say?)

Em nosso meio de observação é esta a única espécie que persegue o homem e por isso, não obstante da insuficiência da descrição, justifica-se a identificação com a espécie assim denominada por Kollar. Não se dá isso com a espécie de Say, porque a distância das zonas de observação(oferecendo condições de clima muito diferentes) e a falta de acordo nas descrições das unhas e do tomento do escudo indicam que se trata apenas de espécie um tanto semelhante. Até entre nós há espécies muito parecidas, como tive de convencer-me, de modo que a identidade com uma das espécies norte-americanas só poderia ser provada por uma comparação exata, incluindo também as pupas.

Acrescentei a descrição anterior em que o tomento do escudo consiste em elementos piliformes, de comprimento medíocre e muito estreitos. São bastante caducos e só em exemplares bem conservados formam um revestimento denso, sem grupamento em feixes ou estrias. A sua cor é de bronze dourada, um pouco avermelhada, a qual sobre o fundo cinzento de ardósia produz o efeito macroscópico de amarelo-acinzentado. As escamas petalóides típicas faltam completamente nesta espécie. As asas são iriantes em vermelho e verde. A haste dos halteres é infuscada na base. O abdome é distintamente canelado. Em tamanho (cerca de 2- 2,5mm de comprimento) ocupa uma posição intermediária; exemplares muito grandes ou pequenos, o mais das vezes, pertencem a outras espécies, como por exame minucioso se reconhece.

Larvas e pupas que com bastante probabilidade pertencem a esta espécie são encontradas nos mesmos lugares onde ocorre a imago, conquanto com menos freqüência que a que se devia esperar, talvez por ainda ignorarmos as condições mais favoráveis.

As larvas são de tamanho médio e se parecem com aquelas do S. perflavum; as pupas variam bastante de tamanho, sendo os machos geralmente muito menores.

Têm de cada lado seis tubos branquiais muito compridos, com extremidade subcônica, um pouco destacada, nascendo de três troncos, dos quais o primeiro se bifurca imediatamente, o segundo um pouquinho mais acima e o terceiro depois de outra distância igual. Em todos os casos, embora se observem algumas variações, os pontos de divisão são pouco distantes da base.

Do Rio de Janeiro até Santos esta espécie é encontrada sempre na raiz e nas partes inferiores das serras, tanto na terra firme, como nas ilhas maiores (Ilhas São Sebastião e Grande). Persegue o homem, entrando mesmo nas casas, e ataca também os cães. Com o aumento de altitude torna-se mais rara ou desaparece completamente, sendo substituída por outras espécies parecidas.

No S. pertinax legítimo o fêmur do último par de pernas é amarelo, como os outros. O que foi citado como var. infuscata corresponde a algumas outras espécies que por um exame minucioso podem ser discriminadas com toda certeza, sendo também os seus hábitos diferentes. Também o que se citou dos Estados Unidos como variedades de S. venustum Say devem ser espécies diferentes; pelo menos, quando as pupas mostram mais tubos respiratórios, pode isto ser considerado certo.

O nosso pertinax tem pupas semelhantes às dos venustum Say, considerado típico, mas parecem um pouco diferentes da figura de Johannsen e sua descrição da imago não concorda completamente com os caracteres de pertinax. Exemplares que recebi de Washington com o nome de venustum são distintamente diferentes do pertinax legítimo e não parecem ter dentes nas unhas. Também a cor do escutelo é pardo claro: no resto concordam bastante bem com a descrição de Johannssen.

6. S. perflavum Roubaud

S. perflavum Roubaud (provavelmente idêntico com ochraceum Walker) foi encontrado recentemente e em grande número em diversos lugares, dos quais Lassance em Minas é o mais setentrional.

As larvas são sociais e bastante transparentes, de modo que, em regatos com a água tingida por ocre ou barro vermelho, podem aparecer amarelas ou vermelhas pela transparência do intestino cheio. Esta alteração da água não as prejudica, conquanto que esteja bastante agitada e arejada. Pelo resto elas têm, como muitas outras espécies, manchas esverdeadas na face dorsal. Casulo e pupa geralmente têm um tamanho médio e a cor um pouco mais clara que em outras espécies. O tronco principal do aparelho respiratório de cada lado divide-se em três galhos, dos quais o interior se bifurca imediatamente e os outros dois correm paralelos para fora, cada um dando nascença a dois ramos dirigidos para cima. Todos os ramos são bastante curtos e mostram, na extremidade, uma ponta cônica, um pouco destacada. A pele da pupa é finamente granulada, os tricomas são em partes simples, em parte dicotomos ou ramificados; na extremidade posterior da pupa há dois espinhos ou ganchos, quase retos. O casulo tem forma de cartucho de papel e a cor cinzento-amarela, sendo formado de rede de fios pouco finos e um tanto achatados.

O inseto adulto não tem escamas petalóides; o abdome é canelado e as unhas sempre munidas de dente distinto. Foi apanhado em vários lugares no ato de chupar sangue de cavalos, de preferência no interior das orelhas, mas o pequeno número de fêmeas, obtidas deste modo, está em desacordo franco com a freqüência e riqueza dos criadouros.

7. S. orbitale n. n.

Escolho este nome, que se refere aos hábitos do inseto, para substituir o de S. nigrimanum MacQ, empregado no meu último trabalho, visto ser incerto e pouco provável que o macho, descrito por MacQuart, pertença a esta espécie. à descrição anterior convém acrescentar o seguinte:

A cor do fundo é enegrecida, com brilho branco, mais ou menos intenso; apenas no abdome é mais ou menos pardacento, principalmente nos primeiros anéis e em baixo. As antenas na parte maior são fortemente pubescentes e fracamente apenas na base avermelhada. O tomento do escudo é bastante característico, de cor extraordinariamente clara, alvacenta ou branca; misturada com aquela do fundo aparece macroscopicamente branco-acinzentada.

O tomento é formado por escamas muito estreitas grupadas em pequenos feixes, formando estrias longitudinais, um tanto indistintas, das quais um pode ocupar a linha mediana. Na margem posterior do escudo as escamas são mais compridas e no escutelo seguem direção quase transversal: a fronte e o clípeo têm revestimento igual ao do escudo e não somente pêlos. O metanoto mostra um brilho branco bem acusado.

Abdome muito anelado, fazendo dobras como o fole de uma câmara; a canelação geralmente é menos acusada. No primeiro anel os pêlos marginais são quase brancos; há outros iguais distribuídos sobre a face dorsal dos últimos segmentos. No segundo, quarto e quinto segmentos há manchas nacaradas dorsolaterais, formando uma linha pontuada.

Asas iriantes em vermelho; halteres com a haste escura, sendo o capítulo amarelo, como já mencionamos.

As escamas das pernas são, pela maior parte, piliformes e em parte brancas, distinguindo-se bem do fundo escuro; somente na tíbia do último par são bastante alargadas e petalóides.

As unhas não têm dente.

Como já foi dito, esta espécie não ataca gente; é, todavia, facilmente observada nos cavalos, nos quais ela prefere a faceira e, principalmente, as margens orbitais, como já foi referido. Reconhece-se também pelo revestimento da cabeça e do escudo, em combinação com as unhas inermes. No Tietê ocorre também no Salto de Itapura, onde foi encontrada pelo Dr. Neiva; em Alfenas foi colecionada pelo Dr. Gurgel do Amaral. Possuo, também, um exemplar que recebi, há muitos anos, da fazenda Borda do Mato, perto de Franca (Estado de São Paulo); ambos estes lugares se acham perto do Rio Grande; deve ocorrer também no Paraíba, porque apanhei um exemplar em Benjamin Constant, perto deste rio.

Quando este estudo já se achava concluído, consegui receber larvas e pupas desta espécie. Achei-as entre material de borrachudos que mandei colecionar no Salto Grande do Paranapanema, no estado de São Paulo. De pupas maduras obtive, por preparação cuidadosa, alguns machos e fêmeas, estabelecendo a identidade destas últimas pelo tomento característico e as unhas sem dente. No macho os olhos são vermelhos na parte de cima e as unhas são trífidas como de costume. O tomento é dourado e os seus elementos não formam nem feixes, nem estrias. O escudo apresenta duas faixas nacaradas oblíquas partindo dos ombros e podendo estender-se até a linha mediana, fundindo-se, então, com a terceira faixa semilunar tarjando a margem posterior do escudo. Assim aparecem nos machos menos desenvolvidos que se tiram dos casulos; em outros, quase perfeitos, parecem mais curtos, menos brilhantes e mais encobertos pelo tomento. Não obstante haver diferenças tão acusadas os ♂ ♂ e ♀ ♀ descritos, pertencem, indubitavelmente, à mesma espécie.

As larvas são bastante volumosas, podendo alcançar um comprimento de 8mm. A sua coloração é do tipo mais comum, com manchas verde-negras sobre fundo bastante transparente, ligeiramente esbranquiçado; distingue-se, todavia, facilmente por um caráter especial: em toda a superfície cutânea existem acúleos de forma ovóide e cor amarelada bastante distantes entre si. O casulo assaz grande é formado por seda pardacenta, bastante grossa e escura, e a sua abertura circular acha-se na extremidade de um vestíbulo curto, com margem lisa e espessada sem franjas. Os apêndices respiratórios da pupa são muito curtos e pouco aparecem por fora; lembra espinhas ramificadas, tendo cerca de 20 galhos de forma de cone alongado; não são anelados e terminam em pontas agudas de cor preta. às vezes, mas nem sempre, são cobertos de pequenos tubérculos. Os tricomas são ramificados e a parte anterior da pele é granulada. (Fig. 35, 36, 39, 40).

Havia alguns grupos de casulos em folhas coriáceas que tinham caído na água depois de secas.

8. Simulium exigum Lutz

Conquanto assemelhando-se a várias outras, esta espécie parece indubitavelmente boa. Nos maiores exemplares, mal atinge 2mm de comprimento, sendo geralmente bastante menor, de modo que figura entre as espécies mais exíguas. é pena que a larva e a pupa não sejam bem conhecidas, o que facilitaria provavelmente muito a discriminação desta espécie, que parece rara ou de distribuição limitada. Acrescentei o seguinte à descrição já publicada:

As antenas têm a base ocrácea. As escamas do escudo são de cor de ouro brilhante e carregada, agrupados em feixes e formando estrias; na parte anterior são mais esbranquiçadas e no escutelo dirigidos transversalmente. O fundo do escudo é geralmente preto aveludado, apenas na margem posterior há uma mancha em forma de meia-lua com brilho cinzento claro. Há também reflexos prateados no metanoto e na face ventral.

Os halteres têm a haste e o lado externo do capítulo de um ferruginoso pardo ou acinzentado.

Nas pernas há escamas espatuladas ou obovais e por isso salientam-se bem, tanto mais, quanto são mais claros do que o fundo.

As unhas parecem inermes.

9. Simulium varians Lutz

Examinando uma pupa de Petrópolis com tubos branquiais muito ramificados no S. hirticosta, achei um mosquito quase perfeito, com o escudo preto com manchas alaranjadas, que parecia pertencer a esta espécie. Nesta as escamas das pernas são tão estreitas que podem ser consideradas formas de transição. O metatarso do último par tem paleta distinta e o tarso vizinho a incisão habitual.

10. Simulium paraguayense Schrottky(?)

Dou, em seguida, a descrição mais minuciosa de uma espécie nova que talvez seja idêntica com o S. paraguayense de Schrottky:

Cor geral: enegrecida; tamanho: cerca de 1,5mm.

Cabeça com fundo escuro e induto nacarado; palpos castanho-escuro, os dois últimos segmentos com brilho esbranquiçado; antenas na base de um ocráceo bastante avermelhado, mais para cima enfuscadas com pubescência quase branca, o último segmento com a ponta um tanto obtusa; margem orbital com brilho nacarado; olhos chocolate com brilho de ouro ou cobre.

Tórax: Escudo preto aveludado, mostrando, já a olho nu, linhas longitudinais paralelas de dourado intenso que o microscópio mostra formadas de escamas lineares estreitas e bastante curtas, grupadas em feixes formando fileiras, e cujo brilho dourado tira para o avermelhado e esverdeado; dos lados, o escudo é tarjado de faixas nacaradas, com brilho azulado e esverdeado que são alargadas no meio; a margem posterior mostra outra faixa igual, porém coberta de escamas; o escutelo, sem escamas, é preto aveludado. As pleuras e o esterno são pretos com brilho mate.

Abdome preto, com brilho esbranquiçado-mate e algumas faixas e manchas mais brilhantes.

Asas iriantes em róseo, violeta e ouro; a base enegrecida; as nervuras mais espessa de ocráceo diluído, as outras quase hialinas; a costa com pêlo e espinhos pretos. Halteres de cor amarela, bastante pálida.

Pernas: o primeiro par até aos joelhos ocráceo ou pardo-avermelhado; o fêmur, com escamas nacaradas bastante largas e quase transparentes, a tíbia um pouco mais clara, mas com ápice enegrecido e a face anterior nívea e revestida de escamas nacaradas brancas; o resto da perna preto. Segundo par ocráceo; a extremidade dos últimos tarsos pardacenta; a tíbia com escamas largas, branco-nacaradas e outras mais piliformes; o metatarso com brilho branco. Terceiro par com a coxa preta e o trocanter pardo-ocráceo, o fêmur na base como o trocanter, o resto preto; tíbia na metade basal branco-amarelada, na apical ocrácea; metatarso ocráceo nos dois terços basais, o ápice e uma faixa posterior pretos; o segundo tarso branco até um pouco além do centro, o resto preto. Unhas com dente pequeno, acima deste uma zona clara com aspecto de outro dente quando visto de perfil.

Esta espécie se distingue pelas escamas curtas e brilhantes sobre o fundo preto aveludado de escuro, que, observados ao microscópio, oferecem um aspecto magnífico, e pelas escamas brancas, relativamente curtas e largas, as quais se destacam distintamente do fundo escuro, principalmente no fêmur e na tíbia do último par de pernas. São, todavia, muito caducas, podendo faltar em exemplares malconservados. Mesmo assim a espécie pode ser reconhecida pelo tamanho pequeno e o contraste das pernas unicolores e comparativamente claras com o corpo quase preto.

Tenho a espécie de Itapura (noroeste de São Paulo), de Alfenas e de Lassance (sul e norte de Minas). No último lugar foi apanhada, na tardezinha, em pequeno número na barriga dos cavalos. Conquanto seja encontrada em bastante extensão, deve ser considerada uma das espécies mais raras.

11. S. infuscatum n. sp.

Cor geral enegrecido; comprimento 2-2½mm.

Tromba quase preta, palpos da mesma cor, misturada com um pouco de vermelho, antenas com os três artículos basais ferruginosos, o resto escuro, mas com pubescência branca; o artículo terminal pouco acuminado. Olhos chocolate, o resto da cabeça enegrecido, de pêlos mais claros, aparentemente sem escamas alargadas.

Escudo enegrecido, a margem posterior com o fundo mais claro, brilhante em iluminação lateral; o tomento é constituído por pêlos achatados ou escamas lineares cor de latão, reunidos em pequenos grupos e formando estrias longitudinais, uma mediana e várias laterais, divergindo para trás, onde as escamas se tornam mais claras e transversais no escutelo. Pleuras e esterno da cor do escudo.

Abdome pardo-amarelado ou preto, distintamente canelado; os pêlos na margem posterior do primeiro segmento cor de ouro-mate; outros, mais curtos e escuros, acham-se disseminados sobre a face dorsal dos outros segmentos.

Pernas: O primeiro par até os joelhos ocráceo pardacento ou avermelhado, mais ou menos enegrecido, com escamas abundantes e distintas, de dourado mate ou branco nacarado; a tíbia como as partes superiores, mas com escamas níveas e induto pruinoso da mesma cor na face anterior; o resto da perna preto com algumas escamas claras no metatarso. Segundo par ocráceo, mas enegrecido em intensidade e extensão variável, com escamas cor de ouro-mate; quase toda a tíbia e o metatarso, menos o ápex, com a face anterior coberta de pruína e escamas brancas; os tarsos em parte amarelados na base; no resto enegrecido; terceiro par enegrecido, com escamas dourado mate, base da tíbia e do metatarso (menos o ápice e uma série de espinhos pretos, na face posterior) ocrácea, com escamas branco-nacaradas, o resto preto com escamas pretas; unhas com dente bem distinto.

Asas ligeiramente iriantes em verde e vermelho, a base e as nervuras maiores ocráceo diluído, as outras quase hialinas. Halteres inteiramente de cor ferruginosa ou pardo-vermelha, às vezes muito escura.

Esta espécie parece-se com algumas outras, mas distingue-se facilmente pela combinação de halteres e pernas enfuscadas com escamas bem distintas, revestindo as pernas. Estas escamas são, pela maior parte, espatuladas, menos vezes obovais ou oblanceoladas, variando em tamanho e largura. Do S. incrustatum difere pelo tamanho e a cor dos halteres. A descrição foi feita de exemplares antigos, apanhados na Serra da Bocaina, a 1.600 metros de altitude. Tenho outros exemplares antigos, indubitavelmente apanhados em gente, do Rio Branco, perto de Conceição de Itanhaém, no estado de São Paulo. Encontrei a espécie outra vez na Serra da Bocaina, perto de Bonito, e em número um pouco maior, em Caxambu de Cima (Petrópolis), ambas as vezes em cavalos. Geralmente aparece apenas em poucos exemplares e deve ser considerada uma das espécies raras.

Sobre os primeiros estados não posso referir nada de certo, todavia, por exclusão, tornou-se bastante provável que algumas pupas, encontradas perto de Bonito, pertençam a esta espécie. Registrei-as com o nome provisório de S. diversibranchium (Fig. 8). O casulo pertence ao tipo mais comum; a pele da pupa apresenta na parte anterior pequenos tubérculos escuros e tricomas numerosos, compridos e finos, com pelo menos dois e geralmente mais ramos.

O tronco principal dos apêndices branquiais se cinde, de cada lado, por dupla bifurcação em quatro tubos, de calibre singularmente desigual. Os dois exteriores são mais finos e permanecem sem ramificação, dos outros dois o interior é mais grosso representando, assim, o tronco principal; o segundo é pouco mais grosso que os dois outros, aparecendo assim como ramo lateral, embora tenha o mesmo comprimento e se bifurque à mesma altura como o primeiro. Nos ramos também se observa a diferença de calibre; pelo resto, são todos subcilíndricos, distintamente anelados e fechados na extremidade por uma calota subcônica.

12. S. subnigrum n. sp.

Cor geral enegrecida; comprimento de cerca de 2½-3mm.

Tromba e palpos enegrecidos, estes últimos com cinco segmentos; antenas com os segmentos basais pardo-amarelados; o resto pardo com pubescência esbranquiçada, o artículo terminal pouco pontudo; olhos chocolate com reflexos esverdeados e avermelhados; fronte e clípeo com induto prateado, finalmente granuloso, sobre fundo escuro e pêlos curtos de cor clara.

Escudo: o fundo escuro com faixa transversal anterior e três estrias longitudinais, nem sempre distintas, de cor escura; as margens laterais e posterior de cor acinzentada mais clara e com brilho de prata. As escamas piliformes bastante caducas não são dispostas em feixes ou estrias; na parte central do escudo são cor de ouro, sobre o fundo claro das margens mais pálidas, quase cor de creme; na extremidade do escutelo seguem direção transversal. Pleura com brilho claro sobre fundo escuro.

Abdome preto ou pardo-amarelado, em geral distintamente canelado, pelo menos no meio da face ventral; na margem do primeiro segmento há pêlos claros mais compridos; outros há, mais curtos, disseminados em grande número sobre toda a face dorsal.

Pernas: o primeiro par pardo-amarelado até ao ápice preto da tíbia e, muitas vezes, mais ou menos enegrecido, com escamas piliformes de cor clara; face anterior da tíbia com pó e pêlos níveos, o resto da perna preto; segundo par acima do joelho, pardo-ocráceo até quase preto com escamas de amarelo pálido, tíbia na metade basal (mais por diante que por trás) e metatarso nos dois terços superiores com fundo e escamas claras; terceiro par acima do joelho enegrecido, apenas com a base do fêmur clara, a haste do mesmo com escamas cor de ouro; tíbia na base até perto do meio de cor clara, com escamas brancas; metatarso nos dois terços superiores pardo-ocráceo com escamas brancas, os tarsos vizinhos com a base mais clara, o resto enegrecido.

Asas sem particularidades; halteres com a haste escura e o capítulo variando de amarelo pálido até quase branco.

No macho, os olhos acima parecem castanho-vermelhos, embaixo verdes, com reflexos dourados; o escudo é preto aveludado, atrás, dos lados e nas partes laterais da margem anterior com larga tarja nacarada; as escamas piliformes (não formando feixes nem estrias) com brilho dourado claro sobre o fundo escuro, mais pálidas e mates sobre as partes claras, são mais abundantes perto das margens do que no meio; nas pleuras, no metanoto e no dorso dos segmentos abdominais 1, 3 e 5 há manchas de brilho prateado e nacarado que na fêmea faltam ou são menos brilhantes. As unhas correspondem ao tipo comum dos machos.

Esta espécie varia bastante em tamanho e cor, sendo isto talvez em parte devido a uma absorção anterior de sangue. Para distingui-la de outras, mais ou menos semelhantes, observa-se, principalmente, o desenho e revestimento do escudo e as numerosas escamas claras sobre o fundo escuro das pernas que, pela maior parte, são compridas e estreitas, quase lineares, e mal se distinguem de formas de transição; há também outras mais curtas, mas nunca são tão largas, que a forma de escamas seja bem evidente. Os mosquitos não perseguem o homem, mas são apanhados em cavalos com alguma freqüência; todavia, somente pelo estudo das larvas e pupas se conhece tratar-se de espécie muito comum e espalhada. São encontradas, em todas as elevações, em pequenos regatos, freqüentemente em companhia do S. perflavum e do S. incrustatum e se deixam criar com bastante facilidade; principalmente as pupas não precisam de muito arejamento de água, de modo que os dois sexos podem ser obtidos com facilidade. Criei-os em São Paulo, de larvas dos rios Pacaembu e Anhangabaú, e no Rio de pupas de Mendes e Petrópolis, sem que sofressem durante as horas necessárias para o transporte. (Todavia é preferível conservar os fragmentos vegetais, nos quais se suportam, apenas úmidos, e não transportá-las dentro de água.)

O tronco principal dos apêndices branquiais de cada lado divide-se em três ramos, dos quais um se bifurca imediatamente e os dois outros somente assaz mais para cima, de modo que por algum espaço se vêm quatro ramos grandes, correndo paralelos. Os tubos são terminados em ponta cônica que parece sobreposta. A pele da pupa apresenta grânulos finos na parte anterior e tricomas com quatro e mais ramos. Na extremidade posterior existem apenas duas pontinhas não formando ganchos típicos.

13. S. distinctum n. sp.

Comprimento 3-3½mm. Cor geral enegrecida.

Tromba e palpos pardo-escuros, antenas com a base variando em cor de ocráceo para ferruginoso e com pubescência esbranquiçada; fronte e clípeo pretos, com pruína de brilho prateado, muito claro e intenso, pêlos escuros e escamas piliformes cor de ouro pálido; olhos castanho-vermelhos com reflexos vermelhos e dourados. Occipício sem escamas piliformes, de cor quase preta, mas com brilho prateado, principalmente nas margens orbitais.

Escudo cor de chumbo escuro com brilho prateado, bem adiante com estria transversal escura, sem brilho; três outras longitudinais (uma mediana e duas laterais) da mesma cor são muitas vezes pouco distintos, com exceção da parte anterior, e cobertas pelo tomento quando está bem conservado; este é formado por escamas piliformes lineares, de tamanho médio e cor dourada, sem grupamento especial, que se tornam mais compridos na parte posterior; seguem uma direção longitudinal, exceto no escutelo onde são transversais. Pleuras, esterno, pro- e metatórax escuros com reflexo claro que, principalmente no protórax e nas pleuras, pode assumir um brilho prateado intenso e claro.

Abdome em cima escuro, com numerosos pêlos miúdos de cor escura e brilho claro; na parte ventral e, muitas vezes, já dos lados, as margens posteriores dos segmentos aparecem cor de cera amarela clara, em extensão variável, podendo às vezes ocupar quase toda a face ventral; há também uma canelação muito acusada. No dorso do segundo segmento há de cada lado uma mancha brilhante de prateado claro.

Pernas: no par anterior os pés são pretos, o resto ocráceo com pó e escamas piliformes douradas; só a face anterior das tíbias apresenta pó e escamas piliformes brancos; também o metatarso do segundo par tem a base até além do meio de amarelo claro e as bases dos tarsos vizinhos apresenta coloração igual; no terceiro par o fêmur é amarelo, às vezes com o ápice enegrecido; a base da tíbia até perto do meio é de ocráceo claro; metatarso, com exceção do quarto apical, é quase branco, mas revestido de escamas piliformes douradas; a base do tarso vizinho é amarelada e o resto pardo-escuro até preto; a palheta do metatarso e a incisura do tarso vizinho são bem evidentes: as unhas têm um dente bem distinto e acima deste um ângulo saliente.

Asas com a base e as nervuras mais grossas de pardo-amarelado diluído; halteres com o capítulo amarelo e haste cinzenta ou avermelhada, cores, que se podem estender, às vezes, um tanto sobre o próprio capítulo.

A espécie se parece extraordinariamente com o S. pertinax, mas é muito maior e mais grossa; ao contrário desta, é encontrada de preferência em elevações maiores e não ataca o homem. Nos cavalos costuma procurar a crina.

Apanhei muitos exemplares na Serra da Bocaina e em Caxambu de Cima, perto de Petrópolis, e recebi outros de Juiz de Fora.

Nos mesmos lugares, e junto com a espécie acima descrita, encontram-se, com bastante freqüência, simúlidas adultos, mostrando analogia completa em tamanho, forma, morfologia das unhas e muitos pormenores de desenho e coloração. Assim têm o mesmo induto pruinoso, com brilho de prata, na cabeça e nas pleuras e mostram, como estes, reflexos dourados e prateados nas pernas. Mesmo a cor clara, observada de lado e em baixo dos segmentos abdominais, pode ser encontrada nestes indivíduos, embora menos acusada. Do outro lado observam-se diferenças de cor nas pernas e nos halteres, que me levaram, a princípio, a distinguir mais duas espécies. Todavia, o exame de grande número de exemplares mostra muitas formas de transição e não permite estabelecer limites certos. Nas pernas, as partes claras acima do joelho aparecem de cor ferruginosa até castanhoavermelhado. Isto se dá principalmente com o fêmur do último par, mas pode estender-se sobre os outros pares. Os halteres podem ser um pouco ferruginosos não somente do lado externo, mas também por dentro, e, em alguns casos, o capítulo e a haste mostram também uma cor vermelho-pardacenta igual; nestes casos, a intensidade de coloração das pernas e a dos halteres não estão sempre de acordo. Por ora não se pode determinar quanto é devido a variações individuais e quanto a alimentação influiu, por tinção da massa de sangue. é também possível que haja certa influência de temperatura e em conseqüência disso, de elevação vertical, como acontece também em outros insetos.

14. Simulium incrustatum n. sp.

Tamanho, cerca de 2-3mm; cor geral preta.

Macho: antenas inteiramente de cor chocolate escura com pouca pubescência esbranquiçada, apenas o toro avermelhado; palpos da mesma cor chocolate, como também a tromba e a face; esta última com alguns pêlos dourados; olhos confluentes e muito grandes, na parte de cima, com as grandes facetas, de cor chocolate, na de baixo, de facetas pequenas, e com o brilho verde-dourado; o occipício parece escuro.

Tórax, em cima, de preto aveludado, menos nos lugares seguintes: duas estrias em forma de vírgula ou cuneiformes, partindo da margem anterior, a distância quase igual das margens laterais e da linha mediana e correspondendo ao terço do comprimento do escudo, duas faixas largas tarjando os lados do escudo e outra ocupando a margem posterior adiante do escutelo; aqui, o fundo tem a cor de chumbo velho com ligeiro brilho nacarado. Há escamas curtas, estreitas e pouco densas de uma cor de latão bastante brilhante, que se tornam mais compridas por cima da faixa posterior e no escutelo têm direção transversal; as pleuras e a face inferior do tórax têm o fundo parecido com o das faixas descritas, mas menos brilhantes.

Abdome preto, do quinto anel para trás com algumas manchas prateadas dos lados e em baixo, uma mancha branca de cada lado do segmento e uma franja de pêlos escuros e bastante compridos na margem posterior do primeiro anel.

Asas iriantes em vermelho, alaranjado e amarelo, as nervuras grossas amarelodourado, as finas quase sem cor, a base pardacenta de pêlos da mesma cor; halteres com o capítulo de cor de canário (do reino), assaz brilhantes.

Pernas: primeiro par ocráceo, mais ou menos enegrecido, até aos joelhos, as tíbias pretas com a face anterior clara; o resto completamente preto; na coxa e no fêmur há pêlos compridos escuros e escamas douradas obovais, compridas, muito conspícuas; na tíbia há outras, de cor branca, como o fundo; segundo par na sua totalidade pardacento, na coxa com muitas escamas douradas e algumas mais claras, o pé quase preto; terceiro par pardo-acinzentado até o ápice da tíbia, com pêlos bastante compridos; o metatarso é branco, menos nas extremidades e na face posterior que são pretas; o resto do pé é preto; as unhas têm a forma do costume.

A fêmea tem os três primeiros artículos das antenas avermelhados; a cor das pernas varia, podendo ser mais clara ou mais escura, geralmente, porém, parecese com a descrição acima, mostrando distintamente as escamas.

Os pêlos no primeiro anel abdominal e na perna de trás são mais curtos do que no macho, o lado inferior do abdome é distintamente canelado embaixo e as unhas têm um dente pequeno.

A larva, de cor encarnada diluída, é bastante pequena; transforma-se em pupa muito pequena com tubos branquiais compridos e finos terminados por ponta subcônica. Logo na base nascem três troncos por duas divisões sucessivas, bifurcando- se somente muito mais acima, primeiro o ímpar e depois os dois pares. Os tricomas são simples ou bífidos, a pele da pupa o é em parte.

As larvas e pupas, mais raramente o mosquito perfeito, foram obtidos em muitos lugares, por exemplo, em Petrópolis, Mendes e na Serra da Bocaina, em São Paulo (rios Pacaembu e Anhangabaú): o mosquito foi também colecionado em Alfenas pelo Dr. Gurgel do Amaral, e no interior de Pernambuco pelo Dr. David Madeira. Ataca os cavalos, mas não persegue o homem.

15. S. auristriatum n. sp.

Comprimento 2-2½mm; cor geral enegrecida.

Palpos e probóscide enfuscados, antenas enegrecidas, com os artículos basais ferruginosos e pubescência branca, o último segmento pontudo. O fundo da cabeça cor de chumbo escuro com brilho mais claro, fronte e clípeo com alguns pêlos mais claros; os olhos parecem verdes, com brilho dourado e avermelhado, a sua margem posterior com brilho de prata.

Escudo preto aveludado com cinco estrias longitudinais finas, porém bem definidas, com brilho de ouro um tanto esverdeado, ao lado dos quais há outras menos distintas e divergindo para trás; debaixo do microscópio aparecem formadas de escâmulas lineares, curtas, mas relativamente largas, com magnífico brilho de ouro, grupados em feixes e estrias. Margens laterais e posterior do escudo e escutelo com brilho claro; o resto do tórax cor de chumbo escuro com brilho claro.

Abdome anelado e canelado, de cor enegrecida até preta aveludada, com reflexos claros e manchas laterais nacaradas na face dorsal de alguns segmentos.

Pernas, na sua maior parte, de ocráceo pardacento ou avermelhado, tíbia do primeiro par com ápice escuro, o resto com pó, pêlos e escamas brancos; o pé preto; no segundo par o pé é mais esbranquiçado e o ápice dos artículos mais escuro; no terceiro par o fêmur é preto nos dois terços apicais; a tíbia na base até perto do meio, metatarso dos dois terços basais e o tarso vizinho na metade basal brancos, o resto da tíbia e do pé enfuscado até preto. Unhas com dente fino e ângulo proeminente imitando um segundo dente. A formação do último pé corresponde ao tipo de Eusimulium. Esta espécie apresenta em todas as pernas escamas petalóides abundantes, espatuladas ou obovais, comparativamente curtas e largas e extremamente finas. A sua cor é sempre clara nas partes brancas de branco-nacarado, nas outras, pela maior parte, de dourado-mate, sendo assim facilmente percebidos sobre o fundo escuro, não obstante a sua pouca grossura. Por outro lado, pouco aparecem na preparação microscópica.

Asas fortemente iriantes; halteres com haste escura, pilosa e capítulo ora pálido, ora de amarelo vivo e, às vezes, ligeiramente avermelhado.

Exemplares bem conservados desta espécie conhecem-se facilmente, já pelo tomento do escudo. Recebi alguns de Juiz de Fora e Alfenas, e observei outros na Serra da Bocaina, onde atacavam os cavalos, raramente as pessoas. Trata-se de espécie espalhada, mas bastante rara.

16. S. subpallidum n. sp.

Cor geral, pardacenta; comprimento, cerca de 2mm.

Tromba castanha, palpos ocráceos na base, depois castanhos, de pêlos claros e escuros, antenas ocráceas, mais claras na base, mais escuras na direção ao ápice, com pubescência esbranquiçada; clípeo, fronte e occipício com induto finamente granuloso, de brilho branco, e pêlos curtos quase brancos.

Escudo com fundo escuro, coberto de induto pruinoso acinzentado e escamas piliformes douradas, muito pálidas, estreitas e compridas em distribuição uniforme; o fundo escuro aparece em forma de três faixas longitudinais bastante irregulares; as pleuras e o esterno de cor prateada mate; escutelo, destacando-se pela cor ocrácea, ligeiramente enegrecida. Metanoto preto com brilho branco.

Abdome ocráceo, um pouco enegrecido do terceiro segmento para trás ficando, porém, as margens dos anéis mais claras em cima; no terceiro, quarto e quinto segmento há manchas dorso-laterais quadrangulares, de preto aveludado.

Pernas: o primeiro par, acima do ápice da tíbia, ocráceo claro, um pouco enfuscado, principalmente do lado dorsal, com escamas lineares esbranquiçadas; face anterior da tíbia com fundo brilhante branco, o resto da perna enegrecido; segundo par, ocráceo com escamas esbranquiçadas; na tíbia e no metatarso o fundo com pó e escamas brancas, ápice do metatarso e resto do pó enegrecido, apenas a base dos tarsos pouco mais clara: terceiro par ocráceo acima do ápice enegrecido do fêmur, tíbia com os três quintos de cima ocráceos, o resto enegrecido, em extensão maior por diante do que na face posterior; metatarso com o quarto apical preto, o resto branco pruinoso; a base do tarso seguinte bastante clara, o resto do pé, preto. Unhas aparentemente sem dentes.

Asas: a base de ocráceo diluído; nervuras mais grossas também, mas em parte com pequenos espinhos pretos. Halteres: a haste enfuscada na base, amarelada no resto; capítulo amarelo de canário do reino.

A descrição refere-se a dois exemplares (um dos quais repletos de sangue), apanhados num cavalo preto de Benjamin Constant (no estado de Minas).

A espécie é bem caracterizada pela cor clara que aparece principalmente no escutelo e na base do abdome, como também pelo revestimento do escudo, mesmo quando as manchas no dorso abdominal não são visíveis. As escamas das pernas nunca são largas, mas, pelo contrário, estreitas e lineares, ou mesmo formas de transição.

De pupas vindas de Anhembi, no Tietê, e de Lassance (Fig. 13), com os tubos branquiais muito esquisitos, extraí adultos que por todos os seus caracteres pareciam pertencer a esta espécie. Nestas nascem de base comum quatro troncos principais, dos quais dois, situados mais por fora e por dentro, se bifurcam mais acima; dos intermediários um permanece inteiro, emitindo o outro, em alturas diferentes, dois galhos laterais. O primeiro pode também ser considerado como outro galho lateral do segundo. Todos os ramos são largos na base e pontudos na extremidade, sendo assim mais cônicos, do que os cilíndricos; as pontas subcônicas não são igualmente distantes da base e os tubos não são distintamente anelados, de modo que todo o apêndice lembra um pouco os galhos de veado. Os tricomas são ramificados e o casulo pertence ao tipo vulgar. As larvas não têm nada de característico.

17. S. flavopubescens n. sp.

De cor geral preta, com abundante pubescência amarela, e cerca de 3mm de comprimento.

Cabeça com fundo preto e ligeiro brilho cinzento; fronte e clípeo, de pêlos negros e escamas lineares de amarelo dourado; tromba, palpos e antenas enegrecidos, os dois últimos com a base pardo-ocrácea e as antenas com pubescência curta, acinzentada, occipício com escamas lineares de amarelo dourado e, dos lados, com pêlos maiores de cor preta.

Escudo de cor preto-ferruginoso, densamente coberto com escamas piliformes, estreitas e relativamente curtas, de amarelo dourado; no escutelo são mais curtas, seguindo direção transversal, e a margem deste mostra pêlos pretos; pleuras e esterno enegrecidos, com fraco brilho claro.

Abdome enegrecido, na região dorsal com abundantes escamas estreitas e lineares, como na parte posterior do escudo.

Pernas inteiramente de cor chocolate-escuro, de pêlos escuros e finos e escamas lineares douradas, principalmente no fêmur e na tíbia do último par; metatarso deste com palheta bastante desenvolvida, o tarso seguinte um pouco alongado, com incisura dorsal pouco profunda; unhas com dente bem desenvolvido.

Asas com a base e as nervuras grossas pardo-escuras e pêlos com brilho de ouro na base. Halteres com o capítulo quase preto e a haste bastante clara, um pouco pardacenta.

Esta espécie é bem caracterizada pela cor geral escura e pela pubescência dourada, formada por escamas lineares ou piliformes. Não há escamas petalóides.

Apanhei duas fêmeas em cavalos, e mais uma no ato de picar-me; os primeiros no alto de Itatiaia, numa elevação de pelo menos 2.400m e o terceiro alguns centos de metros mais acima, na base de Agulhas Negras.

Encontrei as larvas e pupas com alguma freqüência, no mesmo lugar no alto do Itatiaia. Parecem-se com as do S. pernigum, mas a pupa só tem 12 tubos branquiais de cada lado, resultando da ramificação de seis troncos maiores. Tem tricomas ramificados e a pele da parte anterior é semeada de grânulos escuros. Há um casulo distinto, porém muito fino e, geralmente, encoberto de algas.

Estes estados foram encontrados nas folhas de uma espécie de Isoetes que cresciam num córrego bastante fundo e com água muito fria.

18. S. pruinosum n. sp.

Cor geral enegrecida; comprimento cerca de 3mm (Fig. 47).

Tromba, palpos e antenas de um pardo bastante escuro, as últimas com base ocrácea e pubescência clara; olhos de cor vermelha um pouco pardacenta; o resto da cabeça com fundo castanho, um pouco avermelhado, e pruína esbranquiçada, sendo os pêlos escuros; na fronte e no clípeo há numerosas escâmulas lineares de dourado pálido.

Escudo com fundo e revestimento como na fronte e no clípeo; as escâmulas não invadem uma linha mediana, bastante larga e formam pequenos grupos, não arranjados em estrias distintas. Macroscopicamente, a face superior da cabeça e do escudo tem a cor cinzento-amarelada e o tomento é finamente granulado no escudo. As escâmulas de comprimento médio tornam-se mais compridas na parte posterior e transversal no escutelo. Este último é saliente com fundo igual ao do escudo e de pêlos escuros na margem posterior. As pleuras e o esterno têm a cor chocolate ligeiramente avermelhada e brilho esbranquiçado.

Abdome canelado e fortemente anelado, pardo ou enegrecido; em cima com pêlos esparsos, grossos e escuros; nos meus exemplares, geralmente, muito cheio de sangue.

Asas iriantes em vermelho e verde, a base e as nervuras grossas ocráceos, até pardacentos. Halteres com toda a haste parda e o capítulo de amarelo pálido.

Pernas de ocráceo-escuro, mais ou menos enfuscado ou enegrecidos; os pés de diante inteiramente pretos, os do meio e de trás com o metatarso em parte brancoamarelo, no primeiro caso correspondendo a cerca de dois terços e no segundo a metade; no pé de trás a base do tarso vizinho mostra a mesma cor, pelo resto os pés dos pares posteriores são pretos. Nas pernas não há escamas largas, mas apenas formas de transição que, nas partes claras, são níveas e, nas partes mais escuras, de amarelo pálido. As unhas têm um dente distinto e um ângulo saliente podendo simular um segundo dente. O último metatarso tem uma palheta curta, mas distinta; o tarso vizinho é bastante curto, com incisão distinta.

Pela cor castanho-avermelhado esta espécie se aproxima um pouco do S. rubrithorax, pelo tomento e a forte anelação do S. orbitale, podendo, todavia, ser discriminada pelos caracteres descritos, não obstante ser também de tamanho e estatura semelhante.

Um empregado do Instituto apanhou muitas fêmeas no Rio das Velhas, perto de Lassance. Parecem preferir os cavalos.

Larvas e pupas foram encontradas no Rio das Velhas; as primeiras não têm nada de característico, as últimas são encontradas, principalmente, em pedras e têm um casulo muito fino e do tipo comum, como também a pupa, na qual não achei tricomas. O número de tubos branquiais de cada lado é de 18, pelo menos (às vezes 20); são difíceis de contar por serem quase paralelos e, em conseqüência disso, são superpostos e em parte escondidos; são distintamente anelados, bastante curtos, munidos de ponta subcônica e de grossura aproximadamente igual. Nascem de bifurcações simples, pela maior parte, situadas perto da base. Distingue-se facilmente do S. hirticosta pelo calibre maior e mais homogêneo das ramificações, sendo também o comprimento dos apêndices branquiais muito menor em relação ao da pupa. (Fig. 38, 41).

19. S. simplicicolor n. sp.

Cor geral alaranjado e pardo; comprimento 2,5-3mm.

O fundo da cabeça pardo, um tanto avermelhado e com brilho cinzento, sem escamas, mas com muitos pêlos bastante curtos, de cor muito escura, mas com brilho dourado; tromba parda, palpos também, porém um pouco avermelhados, principalmente na base, o último artículo bastante curto; antenas avermelhadas na base em extensão variável, o resto pardo com pubescência clara; olhos pretos no inseto seco.

Metanoto a olho nu de alaranjado vivo, mais amarelo nas margens laterais e em algumas faixas longitudinais pouco distintas; tomento muito fraco de pêlos curtos e escassos, irregularmente dispostos e de cor escura, quando vistos de cima; o escutelo, a região vizinha do escudo e o metanoto pardacentos, com brilho claro, pouco intenso.

Abdome pardo-escuro (mesmo em jejum), com as margens posteriores dos segmentos bastante claros, distintamente canelados e com muitos pêlos miúdos de cor escura.

Pernas na sua totalidade ocráceas, com brilho dourado, principalmente na face inferior, sendo um tanto velado por numerosos pêlos miúdos de cor escura; o ápice das tíbias anteriores e a última, toda, assim como os pés, mais ou menos infuscados; a palheta do último metatarso distinta, o tarso vizinho bastante comprido e com incisura distinta; as unhas com dente pequeno.

Asas: ocráceas na base e nas nervuras mais grossas, estas últimas com brilho dourado, mas com os espinhos e cílios escuros; halteres de cor ocrácea clara, podendo tornar-se acinzentada ou pardacenta, principalmente no capítulo.

Nesta espécie não há escamas petalóides, mas grande número de pequenos pêlos bem escuros, podendo, às vezes, mostrar um brilho dourado. Distinguem-se também pela falta de cor branca nas pernas.

O macho tirado da pupa tem a parte superior dos olhos vermelha e com facetas largas e as unhas trifídas.

A larva é bastante grande e tem manchas verde-negras. O casulo, formado de seda bastante grossa e escura, tem um vestíbulo curto com abertura circular; os tubos branquiais de cada lado consistem em cinco troncos principais, bifurcandose perto da base, de modo a formar vinte galhos, aumentando em tamanho de dentro para fora, sendo as mais internas muito curtas. Os tricomas são ramificados. Foram encontradas em folhas secas em alguns igarapés da mesma região onde se colecionaram as imagens. (Fig. 37, 43).

Na ocasião de uma visita, feita pelo dr. Oswaldo Cruz à Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, foram apanhadas muitas fêmeas adultas em vários pontos desta linha de construção. Atacam o homem, sendo encontrados freqüentemente cheios de sangue.

A espécie se distingue pela cor do tomento e pela falta de escamas piliformes brancas nas pernas, tanto do S. rubrithorax Lutz como do perflavum Roubaud.

20. S. minusculum n. sp. (= amazonicum Goeldi?)

Cor geral preta; tamanho, cerca de 1-1¼mm.

Antenas pretas com pubescência clara, apenas o artículo basal pardo-ocráceo; tromba preta; palpos escuros, o segundo artículo fusiforme. Fronte, clípeo e occipício com fundo preto e induto granuloso de forte brilho prateado ou nacarado, com escamas piliformes clara e pêlos mais escuros.

Tórax em cima com três faixas longitudinais (uma mediana e duas laterais um pouco abreviadas em frente), cujo fundo aparece preto aveludado; entre estas e as margens laterais e posterior, e numa linha em frente das faixas laterais o fundo é mais claro, finamente granulado, com brilho nacarado muito intenso, se a luz for favorável e o exemplar bem conservado; dos dois lados da linha mediana e bem perto da margem anterior existe uma mancha triangular, com ápice virado para trás que, vista de frente, parece preta e de trás, branca; as faixas laterais têm forma um tanto irregular; a faixa mediana é alargada no meio e arredondada nas extremidades; a pleura e o esterno são pretos, com brilho claro; sobre o escudo há escamas piliformes comparativamente largas, um tanto curvadas, de dourado pálido, tornando-se transversais sobre o escutelo de cor preta.

Abdome preto, muito canelado, com pêlos claros pouco numerosos.

Asas: A base e as nervuras mais grossas de ocráceo diluído; na raiz uns pêlos de brilho dourado, nas costas pêlos curtos e espinhos bastante distantes entre si; halteres com a haste muito escura e o capítulo amarelo pálido.

Pernas em geral pardacentas, o metatarso e os tarsos vizinhos dos últimos pares com ápice escuro; o primeiro com espinhos escuros e uma linha preta, formada de acúleos finos, na face posterior, metatarso do último par com palheta distinta, tarso vizinho bastante comprido, mas com a incisura dorsal distinta; unhas geralmente sem um dente distinto, apenas o ângulo saliente, mas excepcionalmente parece existir; tíbia anterior ocrácea, a face posterior com escamas branconacaradas; tíbia do meio ocrácea nas duas extremidades, a última com a metade basal clara; nas partes claras há escamas branco-nacaradas bastante densas, nos outros lugares escamas e pêlos de dourado pálido; as escamas são espatuladas com extremidades arredondadas e especialmente conspícuas nos fêmures, onde prevalece uma forma curta.

As fêmeas adultas atacam tanto o homem, como os cavalos e parecem muito ávidas de sangue. Da maior parte das espécies distinguem-se já pelo seu tamanho pequeno; daquelas que são menores e mais parecidas podem ser facilmente ser discriminadas pelas faixas do escudo; todavia é somente em bons exemplares e com incidência correta de luz que as manchas nacaradas se acentuam em sua beleza toda. As fêmeas que serviram de base a descrição foram colecionadas em março e abril deste ano em Lassance (Minas), pelo dr. Carlos Chagas.

Quando este estudo já se achava terminado recebi do sr. dr. Oswaldo Cruz material de simúlios do território da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, este continha, além de outra espécie maior, uma que se parece muito com a descrita acima; persegue o homem, sendo geralmente conhecido pelo nome de “pium”. Dos dois lugares só examinei material conservado, mas este de Lassance era muito mais fresco e, por isso, em melhor estado de conservação, o que significa muito nas espécies que tem ornamentos nacarados que podem mudar não somente de brilho, mas também de contorno. Não obstante haver aparentemente ligeiras diferenças, as analogias são tantas que me obrigam a acreditar que nos dois casos se trata da mesma espécie. Se já antes desconfiava que talvez a espécie fosse idêntica com a descrita por Goeldi como Simulium amazonicum, aumentava a probabilidade pelo fato de procederem os novos exemplares de região mais vizinha e situada em rio do mesmo sistema fluvial. Todavia, a descrição de Goeldi não somente não permite a diferenciação de espécies vizinhas, mas a descrição da tíbia anterior (que é dada como preta) parece excluir a identidade. Como, porém, todas as espécies conhecidas que têm as pernas em parte alvacentas e em parte enegrecidas oferecem na face anterior desta tíbia ao menos escamas ou pêlos brancos, é possível tratar-se apenas de um lapsus calami. Assim também se explicaria por uma omissão que na descrição não se mencionassem as faixas pretas laterais no escudo, em vista da declaração que se poderia falar também em cinco estrias longitudinais. é verdade que também as faixas curtas de cor escura (que segundo Goeldi seriam semilunares, ajudando a formar a figura de um T virado para a frente), na sua forma não combinam exatamente com os exemplares de Lassance e do Rio Madeira, também só aparecem em certa incidência da luz; todavia a sua forma pode alterar-se em exemplares conservados, sendo que os contornos dos desenhos nacarados podem tornar-se indistintos ou contratar-se, principalmente em conseqüência de umidade ou decomposição de gordura. Do outro lado há muitas analogias que se estendem também ao nome índio de uso popular e principalmente ao hábito de perseguir especialmente o homem, pouco freqüente entre as nossas espécies. Tenho esperanças de decidir, em tempo pouco distante, esta questão de identidade.

Os primeiros estados desta espécie foram encontrados em igarapés do Rio Madeira, onde, segundo as informações, a correnteza não era muito forte; achavamse em folhas muito resistentes que tinham caído na água depois de secas. Os casulos eram agrupados e por sua forma chata, larga e curta lembravam coccidas, das quais se distinguiam, todavia, pela chanfradura semilunar anterior que corresponde à abertura do casulo. São feitos de seda pardacenta, formando fios grossos e escuros. Os apêndices branquiais têm uma bifurcação de primeira ordem perto da base e mais duas de segunda, pouco mais acima, e quase na mesma altura. Assim, formam-se de cada lado quatro ramos, muito compridos e finos, com ponta cônica que facilmente distinguem esta espécie de todas as outras indígenas até hoje conhecidas. Os tricomas são compridos e dicotomos.

A parte anterior da pupa é semeada de grânulos escuros e finos e pouco numerosos.

Fora das pupas já descritas observei mais algumas de espécie incerta, e que por isso registrarei por nomes próprios derivados dos seus caracteres. São as seguintes:

1. S. botulibranchium n. sp. (Fig. 1)

No morro do Observatório, em Petrópolis, encontrei ao lado de larvas da mesma espécie pupas muito esquisitas (Fig. 1). que descreverei em seguida. Algumas imagens retiradas do envoltório pupal não tinham escamas petalóides e pareciamse assaz com o S. distinctum; todavia, não eram bastante maduras para ficar a determinação acima de qualquer dúvida. Por isso continuarei a registrar larva e pupa debaixo do nome provisório S. botulibranchium, que se refere à forma característica das pupas. As larvas foram encontradas no meio de outras espécies e não se salientavam por caracteres especiais. Na pupa, o tronco principal de cada aparelho branquial cinde-se em três ramos, de grossura igual, mas de comprimento diferente; são muito grossos, lembrando em sua forma alças intestinais, visto que não correm em linha reta, mas são irregularmente torcidas; apresentam, em parte, na extremidade livre um prolongamento em forma de dedo. Não oferecem esculturas anulares ou espirais, mas apenas uns acúleos escamiformes minúsculos, como, em outras espécies, só se observa na base dos troncos principais. O sistema branquial pode ser considerado como desenvolvimento extraordinário dos troncos primitivos e secundários; as demais ramificações faltam ou são apenas representadas por rudimento, o processo digitiforme. Os tricomas pertencem ao tipo com ramificações múltiplas.

2. S. clavibranchium n. sp. (Fig. 2)

Nesta espécie, os apêndices branquiais são muito compridos, medindo cerca de 4mm, quando a pupa e o casulo apenas apresentam um comprimento de 3mm. O tronco principal se divide, perto da base, por bifurcação dupla em quatro ramos; os dois ventrais permanecem indivisos, o seguinte se bifurca em certa distância da base e o último mais alto ainda, sendo dupla a distância da base. Assim se formam seis ramos, que se tornam gradualmente mais finos, sendo, todavia, de grossura igual nas alturas correspondentes e apresentando a estrutura do costume. Cerca de ½mm. Da ponta que em todos os ramos se acha a mesma distância da base comum, principia um intumescimento fusiforme que, no meio, tem grossura pelo menos igual a da base dos ramos principais. Termina em ponte cônica, um pouco obtusa e arredondada; a parte terminal é finamente granulada, sem anéis distintos. Os tricomas têm duas a três bifurcações e a pupa mostra na parte anterior grânulos escuros finos e densamente agrupados; na extremidade posterior há dois espinhos com as extremidades apenas um pouco curvadas, em forma de gancho. O casulo é composto de fios de seda muito grossos e escuros.

Larvas e pupas foram encontradas em Petrópolis, no morro do Observatório (cerca de 800m de altitude), na Serra da Bocaina (cerca de 1.200m) e também na Estação de Capivari, entre Barra Mansa e Angra dos Reis. Não me foi possível encontrar nas pupas uma imago completamente madura, mas naquelas que observei não havia escamas petalóides nas pernas e a extremidade do fêmur do último par era sempre escura como nas espécies auristriatum (sempre) e distinctum (muitas vezes).

3. S. diversifurcatum n. sp.

Com este nome registro outra pupa que se parece bastante com a do S. clavibranchium, faltando, porém, os intumescimentos fusiformes terminais dos tubos branquiais. Estes, em número de seis, são todos muito compridos e pontiagudos na extremidade bastante fina. Nascem de três bifurcações situadas em diferentes alturas e, ficando a extremidade à distância igual à da base do tronco geral, são forçosamente de comprimento desigual. Do S. incrustatum, aliás, bastante semelhante, distingue-se facilmente pelos tricomas de ramificações múltiplas e a sede mais fina do casulo. A pele da pupa é finamente granulada na parte anterior.

Os casulos foram encontrados na Serra da Bocaina, em Capivari e, ultimamente, perto de Petrópolis. Trata-se, provavelmente, apenas de uma variedade do subnigrum típico, encontrado nos mesmos lugares.

4. S. aequifurcatum n. sp.

Pupa e casulo de cerca de 2mm de comprimento. O tipo de ramificação dos apêndices respiratórios parece-se com o do S. incrustatum, porém as três bifurcações estão todas em altura igual, correspondendo ao terço inferior dos tubos branquiais. A pele da pupa na parte anterior é semeada de grânulos escuros muito finos; os tricomas são dicotomos. Só tenho um exemplar e não julgo impossível que se trate apenas de uma variedade do S. incrustatum.

5. S. brevifurcatum n. sp. (Fig. 14, 15)

Parecido com S. pertinax. Seis tubos branquiais compridos e muito divergentes, de grossura regular, tornando-se mais finos em direção a extremidade hemisférica. Nascem de três bifurcações, situadas perto da base, mas em alturas diferentes. Pele da pupa adiante com os grânulos um pouco mais escuros e com tricomas dicotomos pouco numerosos. (O S. pertinax tem tricomas de ramificação múltipla.) Achei algumas pupas na Serra da Bocaina, mas nada posso informar a respeito das imagos que se não achavam bastante desenvolvidas. Talvez seja o S. auristriatum.

6. S. incertum n. sp. (= paraguayense de Schrottky?)

As larvas e pupas desta espécie bastante pequena foram encontradas, primeiro, em Lassance, depois no Salto Grande do Paranapanema. Ocupavam, geralmente, fragmento de plantas, principalmente folhas coriáceas que tinham geralmente caído na água depois de mortas. O casulo e a pupa têm a forma comum. Os apêndices branquiais de cada lado têm oito ramos como no S. perflavum, porém em distribuição diferente. Da base comum nascem três troncos, tendo o interno 2 e o externo 3 ramos, como no S. perflavum, porém, no médio há duas bifurcações, uma em cima da outra. A pele tem tricomas ramificados e não é distintamente granulada na parte anterior.

(Por novas pesquisas tornou-se certeza a minha suposição de tratar-se da espécie que considerei idêntica com o S. paraguayense de Schrottky.)

7. S. hirtipupa n. sp.

Desta espécie característica só tenho uma pupa de Lassance (Fig. 21). O seu comprimento é de 2mm e tem, de cada lado, dez tubos branquiais bastante curtos e muito iguais, de forma igual e munidos de ponta cônica comprida e aguda. Nascem em grupos de 6, 2 e 4 de tronco comum e não são anelados, mas finamente granulosos devido a pequenos tubérculos aluminados de forma irregular. Os tricomas são simples, colocados em pequenos discos e extraordinariamente numerosos, formando um revestimento de cerdas ao lado do qual também se observam espinhos curtos.

8. S. subclavibranchium n. sp.

Casulo de forma vulgar de cartucho, feito de seda bastante grossa, de 3,5mm de comprimento, tendo a pupa 3 e os filamentos branquiais 3,5mm. A parte anterior do casulo é semeada de muitos grânulos bastante grossos e escuros. Os ramos branquiais são em número de três; têm a parte terminal ligeiramente espessada e terminando em ponta cônica igualmente distante da base comum. Os tricomas são divididos em cinco a dez ramos na parte anterior; mais para trás, na região dorsal, tornam-se bífidos e finalmente simples. A ramificação dos brânquios parecese com a do S. clavibranchium sendo, porém, as últimas, duas bifurcações mais aproximadas; distinguem-se, todavia, pelo intumescimento terminal dos filamentos que no subclavibranchium é gradual e pouco acusado.

A forma adulta não foi encontrada, provavelmente porque a fêmea não persegue o homem; os casulos foram achados em pequeno número entre o material colecionado na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Rio de janeiro, fins de setembro, 1910.

 

Explicação das figuras

Estampas 18-21

1. S. distinctum, casulo estendido e pele pupal.

2. S. clavibranchium, casulo estendido e pupa.

3. S. pertinax, casulo e pele pupal.

4. S. pertinax, parte anterior do casulo e da pupa em perfil.

5, 6. S. incrustatum, pele pupal e pupa

7. S. subnigrum, fragmento da pele pupal com apêndice

branquial de cada lado.

8. S. diversibranchium, pupa in situ, um pouco achatada.

9. S. rubrithorax, casulo e pele pupal.

10, 11. S. perflavum, pupa e pele vazia de pupa macho.

12. S. diversifurcatum, pele pupal, vazia.

13. S. spinibranchium ( = subpallidum?), extremidade anterior

da pele pupal aberta.

14, 15. S. brevifurcatum, parte anterior das duas pupas nos

seus casulos.

16. S. hirticosta, pele pupal.

17. S. flavobupescens, parte anterior da pupa no casulo.

18. S. flavopubescens, pupa pequena mostrando um apêndice

branquial com um dos galhos quebrados.

19, 20. S. pernigrum, pedaços de pele pupal mostrando o

apêndice branquial de um lado.

21. S. hirtipupa, pupa.

22, 23. S. paraguayense (?), pele pupal inteira e fragmento de

outra; em 22 o ramo superior do apêndice braquial direito

quebrado na base.

24. S. pertinax, casulo, anômalo por falta de um ramo braquial

do lado direito.

25. S. rubrithorax, pupa ♂.

26. S. rubrithorax, larvas, pupas, pele pupal e casulos vazios

em cerca de 2/3 de tamanho natural.

27. S. perflavum e subnigrum, Larvas das duas espécies e uma

pupa da última, fixadas em placa de vidro; de uma cultura.

(Cerca de 2/3 de tamanho natural.)

28. S. spec.; pedaço de palpo com órgão de senso; aumento

maior.

29, 30. Fêmur posterior de duas espécies mostrando formas de

transição, assim como as escamas estreitas e largas.(aumento

maior).

31, 32 & 34. S. minusculum (= amazonicum Goeldi?), pupas

nos casulos e imago.

33. S. subclavibranchium, parte anterior da pupa.

35, 36. S. orbitale, apêndices branquiais da pupa.

37, 43. S. simplicicolor, apêndice branquial e pele pupal vazia.

38, 41 & 42. S. pruinosum, pele pupal vazia, pequena, pupa ♂ e

imago ♀.

39. S. orbitale, pupa ♂ no casulo.

40. S. orbitale, extremidade posterior da larva em aumento

maior.

Onde não houver indicação especial, o aumento é sempre o mesmo, cerca de oito vezes, permitindo assim comparar as dimensões das espécies diferentes.

Chave para a determinação das espécies de Simulium descritas por mim em estado de pupa.

1. Tubos branquiais salientes e sem circunvoluções

......................... 2.

Os mesmos torcidos e parcialmente apostos, com ramos muito

largos de comprimento desigual S. botulibranchium n. sp. (Fig.

1)

2. Mais de quatro ramos de cada

lado............................................ 3.

Quatro ramos de cada lado............................ S. minusculum n.

sp. (Fig. 31, 32)

(= amazonicum Goeldi?)

3. Mais de seis ramos de cada lado..............................................

12.

Seis ramos de cada lado............................................................

4.

4. Os ramos na parte terminal cilíndricos ou

afinados....................... 6.

A parte terminal mais grossa e com ponta cônica

........................ 5.

5. Intumescimento muito acusado, fusiforme e com ponta

cônica S. clavibranchium n. sp. (Fig. 2)

O mesmo pouco acusado e gradual S. subclavibranchium n. sp.

(Fig. 33)

6. Ramificações em parte assaz distantes da base comum

................ 8.

Todas elas pouco distantes da base comum ........................... 7.

7. Três bifurcações muito próximas da base. S. pertinax Kollar

(Fig. 3, 4) Três bifurcações um pouco afastadas da base. S.

brevifurcatum n. sp. (Fig. 14, 15)

8. Perto da base existem quatro troncos de cada

lado...................... 11.

Perto da base existem apenas três troncos de cada

lado............. 9.

9. As bifurcações dos troncos em alturas

diferentes......................... 10.

Todas na mesma altura............... S. aequifurcatum n. sp. (?=

incrustatum var.)

10. Duas das bifurcações muito vizinhas; tricomas bífidos

....................... S. incrustatum n. sp. (Fig. 5, 6)

Todas as bifurcações bastante distantes entre si; tricomas

ramificados...... S. diversifurcatum n. sp. (Fig. 8)

11. Troncos de grossura aproximadamente igual

...................................... S. subnigrum n. sp. (Fig. 7)

O tronco interno muito mais grosso

................................................ S. diversibranchium n. sp. (Fig.

8) (? = infuscatum).

12. Mais de oito ramos de cada

lado.............................................. 16.

Oito ramos de cada lado..........................................................13.

13. Casulo sem átrio; espécies de tamanho médio ou

pequeno......... 14.

Casulo com átrio franjado; espécie grande

..................................... S. rubrithorax n. sp. (Fig. 9, 26)

14. Ramos na base pouco largos terminando em distância igual

a da base comum...........15.

Ramos em forma de espinho cônico terminando diferentes

alturas. .......... S. spinibranchium n. sp. (Fig. 13) (=

subpallidum?)

15. As bifurcações na mesma altura; espécie média ..... S.

perflavum Roubaud (Fig. 10, 11)

Uma bifurcação acima da outra; espécie menor ....... S.

paraguayense Schrottky (Fig. 22, 23)

16. Mais de 10 ramos de cada lado

............................................... 7.

De cada lado 10 ramos curtos; tricomas numerosos, em forma

de cerdas .................................................. S. hirtipupa n. sp.

(Fig. 21)

17. Mais de 12 ramos de cada lado

............................................... 18.

12 ramos de cada lado ................ S. flavopubescens n. sp. (Fig.

17, 18)

18. Mais de 14 ramos de cada lado

................................................ 19.

14 ramos de cada lado ................................... S. pernigrum n.

sp. (Fig. 19, 20)

19. Bifurcações em diferentes alturas; ramificação em forma de

galho de veado

.................................................................................... 20.

Bifurcações simples, próximas da base comum ..........................

18 (-20?) ramos quase cilíndricos ................ S. pruinosum n. sp.

(Fig. 22, 23)

20. Ramos internos do mesmo comprimento do que os outros

.............................................................................................. 21.

Ramos internos muito mais curtos do que os outros que são

assaz compridos ................................ S. simplicicolor n. sp.

(Fig. 37, 43)

21. Apêndices branquiais assaz compridos, últimas

ramificações muito finas ................................................... S.

hirticosta n. sp. (Fig. 16)

Apêndices muito curtos, ramos em forma de espinhos ......... S.

orbitale n. sp. (Fig. 35, 36, 39)

Chave para a determinação das espécies de Simulium por mim descritas em estado de imago ♀.

1. Espécies multicolores; pernas e halteres nunca totalmente

enegrecidas

............................................................................................... 4.

Espécies unicolores enegrecidas, apenas com pêlos mais

claros e asas hialinas

................................................................................... 2.

2. Pêlos claros pouco densos e pouco apreciáveis a olho nu

............................................................................................... 3.

Pêlos claros pouco densos e bem apreciáveis a olho nu .........

S. flavopubescens n. sp.

3. Um pouco acima do tamanho médio completamente preto,

encontrado em lugares altos ....................................... S.

pernigrum n. sp. Um pouco abaixo do tamanho médio, tirando

para chocolate. Em todas as alturas. Não é

agressivo........................... S. hirticosta Lutz

4. O fundo do escudo cinzento para preto

.....................................10.

O mesmo de cor ..................................................................... 5.

5. Escudo por dentro das margens de uma cor só

............................ 6.

Escudo amarelo e enegrecido em distribuição variável

...................... S. varians Lutz

6. A cor do escudo é viva .............................................................

8.

Cor pouco viva ou um tanto apagada

.........................................7.

7. Escudo de lilás pardacento ou avermelhado, muitas vezes

com faixa longitudinais mais escuras.

Unhas sem dente. Espécie grande......................S. scutistriatum

Lutz Escudo pardo avermelhado, o tomento muito claro

pruinoso. Tamanho médio........................................................S.

pruinosum n. sp.

8. Escudo alaranjado ...................................................................

9.

Escudo vermelho................................................ S. rubrithorax

Lutz

9. Margens laterais do escudo e face anterior das tíbias do

primeiro par brancas....................................................... S.

perflavum Roubaud Sem branco. Tomento do escudo fraco e de

cor escura ............ S. simplicicolor n. sp.

10. Escudo sem manchas nacaradas por dentro das margens

................ 12

Por dentro das margens há manchas ou faixas nacaradas

.................11

11. Anteriormente e fora da linha mediana duas manchas

subtrian-gulares .................................................................... S.

incrustatum n. sp.

Faixas longitudinais de brilho nacarado ........ S. minusculum n.

sp (?= amazonicum Goeldi)

12. Tomento amarelo, às vezes tirando sobre o vermelho e com

algum brilho metálico ou difuso e alvacento

...................................... 13.

Tomento em feixes, quase branco, pruinoso............ S. orbitale

n. sp.

13. Escamas ou pêlos do tomento formando grupos dispostos

sem fileiras

............................................................................................. 16

Os mesmos, dispostos de modo difuso ......................................

14

14. Escudo sem tarja clara distinta

.................................................. 15

Escudo com tarja clara e brilhante. Pernas muito escuras na

parte superior .......................................................... S.

subnigrum n. sp.

15. Escutelo enegrecido

................................................................. 16

Escutelo pardo-claro; também outras partes do corpo mais

claras ......... S. subpallidum n. sp.

16. Espécie grande e grossa com forte brilho de prata, habitat

em lugares altos ................................................................ S.

distinctum n. sp.

Espécie de lugares baixos, de tamanho médio e com brilho

menos acentuado ....................................................... S.

pertinax Kollar.

17. Halteres pardo-avermelhados pelo menos do lado externo

..............................................................................................18

Halteres amarelos, cinco linhas douradas bem distintas no

escutelo, pouco abaixo de tamanho médio ...................... S.

auristriatum n. sp.

18. Halteres pouco escuros

.............................................................19

Halteres de pardo-vermelho carregado. Unhas com dente.

Tamanho médio............................................................. S.

infuscatum n. sp.

19. Unhas inermes. Espécie pequena ................................... S.

exiguum Lutz

Unhas com dente. Espécie um tanto maior .............. S.

paraguayense Schrottky

Paper published in Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, v.2, n.1,

p.3-8.

 

* Trabalho de Adolpho Lutz publicado em 1910 nas Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, v.2, n.2, p.213-67, com microfotografias em quatro folhas não numeradas (estampas n.18 a 21). Tal como a primeira comunicação, publicada no mesmo periódico em 1909 (v.1, n.2, p.124-46), saiu em português e alemão (duas colunas), neste último idioma com o título “Zweiter Beitrag zur Kenntnis der Brasilianischen Simuliumarten”. [N.E.]

1 Quando há cerca de vinte ramificações parece o número ligeiramente variável, tornando-se também a contagem muito difícil. [N.A.]

2 Em espécies de Ceratopogon há um aparelho igual e no mesmo lugar. [N.A.]