Adolpho Lutz: entomologia
Zoologia médica. Culicídeos (sistemática). Chave para os culicídeos
Trabalho publicado em 1921 em A Folha Medica, v.2, n.21, p.161-3.
Zoologia Médica. Notas sobre os
Metanototrichae*
Os Metanototrichae são caracterizados pela presença de um feixe de pêlos ou Macrocaetas no metanoto, perto do ápice. No restante pode haver escamas chatas pequenas ou pode ser completamente liso e glabro.
As larvas são fitófilas, o que quer dizer que vivem em plantas que coletam água, entre as quais se distinguem as bromeliáceas ou gragoatás (gravatás) as bambusas ou taquaras. Nas primeiras a água é encontrada entre as folhas, nas segundas nos intermediários. Há duas espécies encontradas entre as folhas submergidas da Typha dominicana, vulgo taboa, comum nos brejos. A larva de Limatus não parece ter esse hábito, outros Sabettes e sabetóides têm larvas com hábitos pouco conhecidos; alguns parecem viver em água contida em árvores ocas.
As larvas se distinguem geralmente por cabeça pequena e arredondada, com as antenas pouco desenvolvidas, tórax arredondado e tubo respiratório com pêlos e sem pentes de dentes. A sua forma varia, mas nunca é muito pequena. A pele pode parecer macroscopicamente glabra, outras vezes é tão coberta de pêlos e espinhos que lembra bicho cabeludo.
Os casulos também se distinguem pela falta de folíolos caudais e por feixes laterais de cerdas, nos últimos anéis da cauda.
As Trichopresepinae ou Hyloconopinae têm na nuca escamas eretas com ápice dentado. No restante, em todos os grupos, as escamas assumem formas largas e cores metálicas, freqüentemente muito brilhantes. Só em poucas espécies as escamas das asas são estreitas e alongadas.
O gênero Hyloconops é bambusícola. A espécie pallidiventer é grande e bonita, com ventre prateado; longipalpis tem os palpos da fêmea relativamente longos e um anel branco acima do meio da tíbia posterior. Onde ocorre, ataca muito, mas os pontos de criação são poucos.
Os Trichoprosopon são grandes mosquitos com pernas brancas na extremidade, que já se percebem quando voam. Há alguns gêneros que vivem em taquaras e atacam as pessoas que chegam perto dos criadouros.
Da Jablotia só se conhece a espécie lunata, que se cria em bromeliáceas mesmo fora do mato. Pica muito. Conhece-se pela falta de branco nas pernas.
Exemplares que voaram muito, perdem as escamas e tornam-se oscráceos. Do gênero Phoniomyia, que tem larvas bambusícolas, há algumas espécies caracterizadas pela tromba muito comprida e fina. São muito pequenas e muito ávidas de sangue. No Rio de Janeiro entram às vezes nas casas, quando na vizinhança existem árvores com bromeliáceas.
Do gênero Dendromyia há várias espécies que geralmente não são muito brilhantes nem muito sanguinárias. Vivem em bromeliáceas, bambuzáceas ou taboas, que são habitat específico para as larvas de cada espécie. Os Sabettes já se conhece no voar pelos remos nas patas. Há algumas espécies bastante diferentes. São geralmente muito raras, mas, não deixam de picar ocasionalmente.
As larvas de Sabettoides são pouco conhecidas. O número das espécies brasileiras é um tanto duvidoso. Só conheço uma. Tem a tromba longa e afiada e as cores muito brilhantes. Não é comum, porém bastante espalhada.
Há várias espécies de Sabettinus. As larvas são bambusícolas e distintas entre si pela forma do tubo respiratório. As fêmeas sugam sangue. De Limatus, só temos uma espécie que falta em muitos lugares. As cores são muito brilhantes. A nossa espécie foi chamada L. durhami.
Há ainda dois gêneros com uma espécie cada um, que se distinguem de Dendromyia, uma se chama Prosopolepis confusus por ter o clípeo, e outra, Menolepis leucostigma, por ter o metanoto coberto de escamas brancas, a ponto de ser perfeitamente visível a olho nu.
* Trabalho de Adolpho Lutz publicado em 1921 em A Folha Medica, v.2, n.22, p.164. [N.E.]