Adolpho Lutz: entomologia

Jaime Larry Benchimol · Capítulo 8 de 70

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Adolpho Lutz: entomologia

Sinopse e sistematização dos mosquitos do Brasil

Sinopse e sistematização dos

mosquitos do Brasil

 

Nota dos editores

As contribuições de Adolpho Lutz aqui reunidas vieram a lume como complemento da tese de doutoramento de Celestino Bourroul(1880-1958), “Mosquitos do Brasil”, defendida na Faculdade de Medicina de Salvador e publicada na Bahia, em 1904, pela Oficina Tipográfica de João Batista de Oliveira Costa. As oito partes de que se compõe a “Sinopse e sistematização dos mosquitos do Brasil” elaborada por Lutz formam segmentos com numeração não seqüencial a partir da p.33 da tese de Bourroul, que reproduzimos como anexo, no final do presente volume. Adolpho Lutz orientou a preparação daquela tese, e no Museu Nacional do Rio de Janeiro, no Fundo Bertha Lutz (Divisão Diptera, pasta Culicidae), encontram-se, até mesmo textos de Bourroul emendados pelo então diretor do Instituto Bacteriológico de São Paulo.

Embora se tenha diplomado na Bahia, Celestino, filho do médico Paulo Bourroul, nascera em São Paulo, em 13 de novembro de 1880. No início de 1899, optou por fazer os estudos médicos na capital da Bahia e não no Rio de Janeiro em virtude das epidemias de febre amarela e varíola que aí grassavam quase todos os anos. Foi certamente a leitura de um trabalho de Lutz – “Waldmosquitos und Waldmalaria” (Mosquitos da floresta e malária silvestre), publicado em 1903 no CentralBlatt für Bakteriologie, Parasitenkunde und Infektionskrankheiten (v.33, n.4, p.282-92), que levou o talentoso estudante de medicina a enveredar pela pesquisa entomológica: em viagem à ilha de Itaparica, iniciou a coleta e criação de mosquitos que tinham por habitat as águas armazenadas em bromeliáceas. A tese recebeu nota máxima, e Celestino foi agraciado não apenas com a láurea acadêmica mas também com uma viagem à Europa. Visitou primeiro a França, de onde provinham os Bourroul. Segundo Capuano (2003), o patriarca, Antoine Joseph, de Antibes Juan-les-Pins, no litoral da província de Alpes-Maritimes, contava aos filhos histórias sobre o Brasil e outras terras remotas. Etienne foi o primeiro a se estabelecer em São Paulo, como comerciante, por volta de 1830, atraindo, então, os irmãos Camilo e Celestino. Da união dos primos Paulo e Sebastiana resultou o filho único que, naqueles albores do século XX, dava os primeiros passos de uma bem-sucedida carreira médica. Após os estudos de aperfeiçoamento com o renomado neurologista Joseph Grasset (1849-1918), freqüentou o Instituto Pasteur de Montpellier, colaborando como preparador nos trabalhos então desenvolvidos pelo bacteriologista Rolart. Em Berlim,Celestino Bourroul estagiou no laboratório de Anatomia Patológica do Professor Johannes Orth (1847-1923), viajando, em seguida para Viena, onde se especializou em Clínica Médica, Radiologia e Anatomia Patológica.

Montou consultório ao retornar à capital paulista. Em 1913, já casado com Maria da Conceição Monteiro de Barros, com quem teria oito filhos, assumiu na recém-criada Faculdade de Medicina de São Paulo o cargo de professor substituto na disciplina de Física e História Natural, da qual era catedrático o parasitologista francês émile Brumpt. No ano seguinte, este retornou à França e Bourroul tornou-se catedrático de Parasitologia. Em 1928, quando se iniciava a construção do atual prédio da Faculdade, com o apoio técnico e financeiro da Fundação Rockefeller, passou a lecionar Moléstias Tropicais e Infecciosas, cadeira de que foi titular até 1950. Dividia seu tempo entre o consultório, a Faculdade de Medicina e o hospital da Santa Casa de Misericórdia, onde clinicava, tendo exercido aí diversas funções de direção.

Fontes: Yvonne Capuano, “Celestino Bourroul, um exemplo de vida”. Trabalho apresentado no VIII Congresso Brasileiro de História da Medicina,em 13.1.2003. Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus, Salvador (BA).Disponível em

www.hcanc.org.br/intro/apres2.html (acesso em 19.10.2005).Cristina Iori & Eliana Lopes Nassif, “Antonio Prudente: Turning Dreams into Reality”, Applied Cancer Research, 2005, v.25, n.2, p.93-

104,disponível em www.appliedcr.com/journal/v25n2/part9.pdf. Leandra Rajczuk, “Casa de Arnaldo. De volta ao antigo esplendor”, em

www.usp.br/jorusp/arquivo/1998/jusp453/manchet/rep_res/boxesp.ht

ml (acesso em 3.11.2005).