Adolpho Lutz: entomologia

Jaime Larry Benchimol · Capítulo 25 de 70

Páginas do PDF

Adolpho Lutz: entomologia

Contribuição para o conhecimento das espécies do género Phlebotomus existentes no Brasil

Contribuição para o conhecimento

das espécies do gênero Phlebotomus

existentes no Brasil *

 

O gênero Phlebotomus pertence às Psychodidae e contém mosquitinhos cujos hábitos correspondem aos de muitos culicídeos e ceratopogoninas, sendo que as fêmeas se alimentam repetidas vezes de sangue e também atacam o homem. Assim, parecem habilitadas para a transmissão de moléstias e o seu papel de transmissor de certas moléstias é ora certo, ora muito provável. Basta isso para que o estudo do gênero Phlebotomus constitua problema importante da zoologia médica. Ao lado de uma série de questões biológicas, na solução das quais o mérito principal cabe a Grassi e Newstead, impõe-se logo a pesquisa do número de species e da sua distribuição geográfica. Até há pouco havia apenas algumas species descritas e Grassi, a princípio, só admitia uma espécie européia; hoje, porém, é fato certo e confirmado por Grassi e Newstead que existem várias. Foram descritas espécies da índia, em maior número, e três outras da América do Norte, da Guatemala e da áfrica. Um de nós verificou também, há muitos anos, a existência do gênero Phlebotomus entre nós, concluindo de fatos biológicos que, provavelmente, havia mais de uma espécie. Todavia, o material colecionado era tão escasso e o seu estudo pela falta de literatura e material comparativo parecia tão difícil que foi sempre adiado. No correr dos anos tanto o material, como os pontos de observação aumentaram e a literatura do assunto foi procurada, estudada e reunida pelo dr. Neiva. Conseguimos, também, obter exemplares de espécies exóticas,o que, em combinação com a experiência derivada de estudo de outros nematóceros, levou os nossos conhecimentos a um ponto que parecia habilitar-nos a dar o primeiro passo no assunto difícil da classificação das espécies sul-americanas de gênero Phlebotomus .

Já a priori não era provável que as nossas espécies fossem idênticas às observadas no Velho Mundo. Resulta de todas as observações dipterológicas que isto só seria admissível na hipótese de se tratar de importação. Há realmente algumas espécies tão adaptadas ao homem e às suas habitações que um transporte, pelo menos a distâncias curtas, não só é possível, mas provavelmente já se realizou. Todavia, neste caso devia se observar o mesmo que se dá com os outros chupadores de sangue importados, a saber, que seriam encontrados, de preferência, em portos de mar e cidades grandes com comércio ativo, o que não é o caso. Pelo contrário,numa série de anos foram encontrados apenas três exemplares no Rio de Janeiro, dos quais um no morro de Santa Teresa (dr. Faria) e dois em Manguinhos (Lutz). Deixando de lado que estes lugares se acham um tanto distantes da capital e onde uma grande parte do terreno se acha não somente inabitada, mas também incultivada. Em condições semelhantes foram encontrados mais dois exemplares, um na Bahia e outro em São Paulo. Todos os outros, regulando uma centena, colecionados em mais de uma dúzia de pontos diferentes provêm das matas, situadas, às vezes, em grande elevação, ou da margem pouco habitada ou completamente deserta de rios, embora o tempo de observação nestes lugares fosse muito mais curto. Os lugares onde foram colhidos em maior número são as margens do rio Tietê, no estado de São Paulo, a gruta de Maquiné, em Minas, e uma mata no rio Trombetas (Pará). No Tietê é conhecido pelo nome de birigui e penetra às vezes nas casas, sendo muito atraído pela luz, como acontece com outros dípteros nematóceros. A existência de nomes índios e a falta de uma designação portuguesa já por si é bastante significativa. Além disso, não procuram especialmente o homem e, sendo observados em lugares inabitados, geralmente preferem o cavalo ao cavaleiro. Todavia, existindo habitações no território deles, podem imitar o exemplo dos anófeles indígenas, visitando regularmente as casas e levando contribuição dos inquilinos. Em geral, são crepusculares ou noturnos; na sombra das matas, porém, atacam a qualquer hora do dia. Também é notável que sejam encontrados em maior freqüência numa elevação vertical de quinhentos a mil metros, embora possam ser encontrados em regiões mais baixas até poucos metros acima do mar. Talvez existam, neste ponto, diferenças entre as diversas espécies, mas ainda não as podemos distinguir pelo seu habitat ; para bem compreender estas relações, seria preciso ter conhecimentos sobre os estados larvais que nos faltam ainda. Achamos, todavia, que os flebótomos se acham de preferência em matas, onde há muitos mosquitos “bambuzícolas”, porque abundam certas espécies indígenas de bambu. Para os exemplares apanhados nas baixadas e nas margens dos rios, pelo menos em parte de espécie diferente, não era observada esta coincidência.

As nossas espécies também diferem do Phl. vexator descrito por Coquillet dos Estados Unidos, como verificamos pelo estudo de co-tipos do museu de Washington.

Querendo determinar uma espécie, trata-se, em primeiro lugar, de saber onde devem ser procuradas as diferenças específicas. Damos aqui os resultados que colhemos, em parte na literatura e em parte no exame direto de várias espécies.

As espécies de Phlebotomus como os outros psicodídeos possuem abundância de pêlos e escamas, todavia estas são caducas, custando encontrar-se um espécime perfeito entre grande número de exemplares secos; montando-os em lâminas, com todas as precauções não se consegue evitar a queda de muitos pêlos e as escamas finíssimas se tornam muito indistintas. Finalmente, o agrupamento destas formações parece ser o mesmo em várias espécies, de modo que só em alguns casos podem ser utilizados com vantagem, sendo principalmente o revestimento do abdome objeto de consideração.

O tamanho individual muitas vezes parece variar mais na mesma espécie, do que a média em espécies diferentes, excetuando-se algumas muito pequenas. O mesmo poder-se-ia dizer da coloração geral que varia de ocráceo claro a uma cor parda ou enegrecida, podendo ser muito diferente em indivíduos da mesma espécie. Fêmeas há pouco metamorfoseadas, que ainda não chuparam sangue, parecem muito claras, e os exemplares secos das coleções podem perder muito da sua coloração quando não são suficientemente protegidos da luz. Por outro lado, uma alimentação abundante de sangue pode produzir uma coloração escura de todo o corpo e isso mesmo durante a vida.

Assim as diferenças anatômicas merecem mais atenção. Sem dúvida, os apêndices muito complicados do aparelho genital macho mostram as diferenças mais características pelas quais até hoje todas as espécies podiam facilmente ser distinguidas. Como, porém, as fêmeas são mais fáceis de obter e, por isso mesmo mais abundantes nas coleções, este caráter muitas vezes não poderá ser aproveitado.

As proporções relativas dos segmentos palpos (que para nós como para Newstead existem sempre em número de cinco) formam um caráter importante e aproveitável para os dois sexos. Chamamos índice dos palpos a enumeração dos últimos quatro artículos, principiando pelo menor e seguindo os outros conforme o tamanho, até ao mais comprido; este índice, em combinação com poucos outros caracteres, geralmente basta para caracterizar uma espécie. Uma medição absolutamente exata de todos os segmentos geralmente só pode ser feita na preparação microscópica e assim mesmo somente na cabeça separada se consegue colocar todas as partes no mesmo plano; o índice, todavia, pode geralmente ser determinado, mesmo no exemplar espetado. As proporções relativas dos segmentos das antenas e das pernas poderão ser utilizadas em alguns casos, sem ter o valor do índice palpal.

A nervação das asas geralmente mostra sempre a mesma disposição; pequenas diferenças são ora individuais, ora diferenças sexuais. Para diferenciar as espécies devem ser bastante acusadas, o que é raro. A relação entre as bifurcações da segunda nervura e o ramo anterior da forquilha superior é a mais aproveitada e pode se chamar o índice da asa.

Estes dados chegam para mostrar como se pode distinguir as várias espécies. Até hoje, conhecemos três indígenas, todas novas, mas é provável que existam mais. Para a separação das três espécies serve a chave seguinte:

1. Abdome sem escamas

……………………………………………………… 2

O mesmo com muitas escamas, entre os pêlos

………………………………Ph. squamiventris n. sp

2. Último artículo palpal, mais comprido do que os outros ………………Ph. longipalpis n. sp.

O mesmo mais curto do que os outros ………………..

Ph. Intermedius n. sp.

Damos, em seguida, uma descrição mais minuciosa, junto com outros dados.

 

Phlebotomus squamiventris n. sp.

Índice palpal; 4,5, 3,2. índice da asa 2:5-1:3. Comprimento da asa aproximando 2,2mm, cerca de três vezes maior do que a largura. Comprimento do corpo 2, da perna posterior 4mm. Habitat : estado do Pará.

♀ Cor geral ocrácea, tirando às vezes sobre o ferrugíneo. O escudo e as partes vizinhas mais escuros, pardacentos ou enegrecidos. Muitas escamas de brilho branco, não somente nos lugares de costume, mas também em outras regiões da cabeça e do corpo.

Cabeça com o fundo castanho; os apêndices pardacentos; os olhos negros. Há também escamas brancas na cabeça, mas são tão caducas que em poucos exemplares aparecem. Antenas e tromba sem particularidades, a tromba um pouco mais comprida do que a cabeça, incluindo o clípeo. Os palpos pouco maiores do que a tromba, por serem os últimos artículos muito curtos. O primeiro é curto, o segundo um pouco mais longo do que o terceiro; este, em comprimento, o duplo do quinto, que, por seu lado, excede o do quarto por mais de duas vezes. O quinto artículo sem aparência de segmentação.

Mesonoto mais escuro do que o esterno, castanho, às vezes quase preto, com indicação de uma faixa mediana e longitudinal mais clara. Escutelo e metanoto da mesma cor. Abdome ocráceo com muitas escamas brancas, estreitas e alongadas, os pêlos caducos de brilho branco, formando na parte basal do dorso tufos apicais eretos pouco vistosos; na metade posterior e embaixo há pêlos reclinados, formando, em cima desde o quarto e embaixo desde o quinto segmento, um tufo terminal bastante denso que envolve as gonapofises.

Pernas extensamente cobertas de escamas que produzem um brilho alvacento; tíbias com muitos espinhos finos e compridos, formando verticilos bastante distantes entre si; o mesmo se vê no primeiro tarso (metatarso) e no segundo; nos três últimos são mais raros; havendo todavia um grupo subapical. Há também pêlos menores. Comprimento do quinto tarso pouco mais da metade do quarto, que é quase igual ao do terceiro; segundo quase tão longo quanto o terceiro e o quarto; o metatarso quase tão comprido quanto os outros tarsos reunidos.

Asas compridas e estreitas, com franjas bastante compridas, correspondendo ao fim da subcostal; a primeira longitudinal mostra uma pequena deflexão.

Halteres muito compridos, um tanto escuros, mas cobertos com escamas brancas, menos na face terminal escavada.

Colecionado pelos srs. José Diniz e Adolpho Ducke nos castanhais do rio Trombetas;o nome vulgar é tatuquira. Recebemos muitas fêmeas do dr. Peryassú, no Pará.

 

Phlebotomus longipalpis n. sp.

Comprimento do corpo cerca de 2, das asas 2,3 sobre 0,65mm de largura. Comprimento da última perna 4,4mm. índice palpal 4,2, 3,5 da asa (♀) 1:2-1:3.

♀ Cor geral ocráceo-pardacenta, variando muito em indivíduos da mesma proveniência;o lado dorsal (clípeo, torus antennarum, occipício, escudo, escutelo, metanoto e capítulo dos halteres) geralmente mais escuro. Existem escamas finas e caducas, de brilho branco-nacarado e de forma geralmente mais espatulada na tromba, nas antenas (principalmente nos toros), nos palpos (em maior número no quarto e no quinto artículo), no clípeo, na base das asas, no capítulo dos halteres e nas pernas; faltam geralmente no abdome. Há tufos de pêlos eretos de cor ocráceopardacenta muito diluída e com brilho mais claro nos lugares de costume (clípeo, occipício, escudo, escutelo e no dorsum abdominis ocupando a margem apicaldos segmentos basais).

Palpos com o último artículo muito comprido, cerca de duas vezes mais que o terceiro que vem depois. Segue o segundo e depois o quarto, sendo o primeiro pouco menor que este. O quarto e quinto são anelados e cobertos de escamascaducas, cuja disposição dá ao quinto o aspecto de ser composto de quatro segmentos.

O abdome, além dos tufos descritos, tem pêlos reclinados, mais abundantes no lado ventral; formam um tufo terminal obliquamente truncado atrás e em cima para diante e embaixo.

Asas três a quatro vezes mais longas do que largas, não levando em conta as franjas abundantes e compridas de cor mais escura quando se acham muito unidas. O índice alar varia muito, sendo na média 2:5.

Halteres muito compridos e cobertos de escamas brancas, menos na face terminal escavada.

Pernas ocráceas, com os fêmures mais escuros, geralmente cobertos com escamas que produzem um brilho branco.

♂ O único macho que conseguimos em estado perfeito se distingue das fêmeas pelas asas mais curtas e estreitas, a tromba mais curta e os apêndices genitais que diferem muito dos do Ph. pappatasi, aproximando-se mais aos do argentipes de Annandale; o apêndice dorsal tem no segmento terminal quatro cerdas encurvadas muito grossas e mais compridas do que o próprio segmento; o apêndice ventralcoberto de pêlos fortes é pouco mais curto do que o dorsal e mais comprido do que o segmento basal deste. O exemplar, tendo sido colhido num aparelho de luz automático, já veio no líquido conservador.

Possuímos, além de alguns exemplares isolados, de vários lugares, maior número de fêmeas do Bosque da Saúde, perto de São Paulo, onde um de nós observou a espécie durante vários anos; há mais uma série apanhada fora da gruta de Maquiné (Minas), onde já em ano anterior foram observados pelo dr. Oswaldo Cruz. Nestes lugares sempre se mostravam dispostos a picar pessoas e parecem mais abundantes na estação quente. Temos também alguns exemplares da Fazenda Ouro Fino,perto de Benjamin Constant (Minas); entre eles veio o macho acima citado. Foram apanhados com alguns exemplares da espécie seguinte pela Exma. sra. d. Almeida Magalhães e remetidas pelo dr. Horta.

 

Phlebotomus intermedius n. sp.

Cor geral ocráceo-enegrecida, mais escura do lado dorsal. índice palpal 5,4,3,2, alar 1:2-2:5.

Esta espécie foi encontrada em vários pontos dos estados de Rio de Janeiro, Minas e São Paulo. Parece-se muito com a precedente na disposição geral dos pêlos e escamas; na média talvez seja um pouco menor, de cor um tanto mais escura e de índice palpal um pouco maior; as gonapofises dorsais parecem um pouco mais compridas, mas todas estas diferenças não são bastante acusadas para permitir uma classificação dos indivíduos sem o conhecimento do índice palpal, que é o único caráter seguro que conseguimos encontrar. O último artículo dos palpos tem o mesmo comprimento do que o primeiro; é muito curto, mas um tanto maior do que o do squamiventris e parece composto de dois segmentos. A extensão é 2/3 da do quarto, 2/5 da do terceiro e 1/3 da do segundo.

Temos dois machos desta espécie; os apêndices genitais do exemplar montado parecem-se bastante com os da espécie anterior. O apêndice ventral é pouco mais comprido que o primeiro artículo dorsal e a cerda terminal do segmento apical é um pouco maior; a segunda cerda dista mais e a cor delas é mais amarela; também todo o segmento parece mais grosso. O índice alar é 1:2 (no macho de longipalpis 1:3).

Hesitamos primeiro em distinguir esta espécie, pensando que se podia tratar de palpos mutilados ou cortados nos exemplares mortos pelas pequenas formigas que invadem as casas; todavia um grande número de exames permite excluir esta hipótese. Examinamos dois exemplares durante a vida ou imediatamente depois da morte, onde qualquer mutilação pós-mortal pôde ser excluída; o aspecto da extremidade dos palpos também permite geralmente excluir uma mutilação que pode ser excluída também com toda a certeza no Ph. squamiventris, que tem o último artículo ainda mais curto. Estes dois exemplares foram apanhados pelo primeiro dos autores no meio da noite com luz acesa e janelas abertas, e isso no ato de picar. Se os exemplares da margem do Tietê (que infelizmente se perderam, com exceção de um) pertencem a esta espécie, pode-se concluir que ela é mais noturna e penetra mais nas casas.

Os dois exemplares machos e o fêmea provêm de Ouro Fino. é até agora o único caso de se encontrar, com certeza, existindo no mesmo lugar duas espécies, embora não tenham sido capturadas ao mesmo tempo.

Manguinhos – Rio de Janeiro, dezembro 1911.

 

Aditamento A demora na publicação do presente trabalho nos permite, por ocasião da correção, dar uma nota sobre o material colecionado depois. Entre algumas fêmeas apanhadas isoladamente em três pontos da periferia do Rio, achamos também uma de longipalpis . No rio São Francisco, Lutz apanhou um macho de intermedius, e chegou da Fazenda Ouro Fino outra vez maior número de fêmeas da mesma espécie. Finalmente recebemos do dr. Murillo de Campos, do norte de Mato Grosso,em parte rotulados: Salto Augusto 72/12, muitas fêmeas e dois machos de Phlebotomus . As primeiras em parte estavam bem conservadas; tanto pelos outros caracteres, como pelas escamas do abdome pertencem ao squamipennis . Os machos estavam, infelizmente, mofados e só puderam ser aproveitados em preparações microscópicas. Embora não se percebam as escamas, os caracteres anatômicos não deixam dúvidas a respeito da sua identidade com squamipennis . Assim teríamos os machos das três espécies. Dos apêndices genitais obtivemos algumas medidas comparativas que damos em seguida:

 

Os espinhos em forma de garras do segmento terminal da apófise dorsal são de medição difícil por serem curvados. Achamos os seguintes valores comparativos: Sq. 0,12; int. 0,16; lgp. 0,12-0,16mm. Parece haver sempre quatro.

Com o nome Phl. rostrans, Sophia Summers descreve uma nova espécie sulamericana no rio Javari ( Bulletin of Ent. Research, v.III, parte 2, p.209, Aug. 1912). O material consistia de três ♀♀ e um só ♂, montados em bálsamo; asa, palpo e apêndices genitais do ♂ são ilustrados por alguns desenhos. Não obstante várias analogias, a espécie difere claramente de todas as nossas. Falta a deflexão da primeira nervura longitudinal perto do fim da subcostal, bem evidente em sq . e int. O índice palpal é o mesmo do sq . (4,5 2,3), pelo resto o palpo parece mais com o de int ., tendo, ao contrário do que se observa em sq ., o último segmento composto de duas partes; estas, todavia, no desenho não seguem o mesmo eixo, de modo que, como em int ., provavelmente não existe uma articulação. Por isso, não podemos concordar com a opinião de Summers de que a espécie tenha seis segmentos palpais. As proporções dadas da cabeça com a tromba para o corpo (1:2) e da última tíbia ao corpo mais a cabeça (1:1) não se observam em nenhuma espécie nossa, que tem a cabeça mais o corpo e a última tíbia sempre de proporções muito menores. Os apêndices genitais do macho aproximam-se na sua estrutura aos das nossas espécies; uma comparação minuciosa não nos é possível, mas dispensa-se, visto que os outros caracteres bastam para a diferenciação.

 

* Trabalho de Adolpho Lutz e Arthur Neiva publicado em 1912 ( Memórias do Instituto Oswaldo Cruz,t.4, fasc.1, p.84-95), em português e alemão (duas colunas), neste último idioma com o título “Zur Kenntnis der brasilianischen Phlebotomusarten”. No final do trabalho – o quinto feito em colaboração entre os dois autores – consta o local e a data em que foi finalizado: Manguinhos, 9 de outubro de 1912. [N.E.]