Adolpho Lutz: entomologia

Jaime Larry Benchimol · Capítulo 70 de 70

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Adolpho Lutz: entomologia

Mosquitos do Brasil por Celestino Bourroul. Tese de Doutoramento

Mosquitos do Brasil *

 

Tese de Doutoramento

Celestino Bourroul

Prefácio

A importância, a mais e mais inconteste, que vão tendo em Medicina os Culicídeos, a par do esquecimento em que jaziam em nosso meio, levou-nos a estudá-los e fazê-los objeto de nossa Tese.

A empresa, nas suas dificuldades, mostrou-se-nos brutalmente insuperável; e se nela nos metemos foi que, mercê de Deus, encontramos no Dr. Adolpho Lutz – quem tão alto tem levantado a entomologia brasileira – mestre e guia.

A nossa observação falha, tocada de incertezas; a doce ilusão do principiante, que entrevê em cada mosquito achado, espécie rara ou nova, tiveram necessário corretivo na autoridade e bom senso cientifico do Mestre.

No que toca à classificação, não avançamos um passo sem consultá-lo; e a justeza de seus conselhos, a prontidão, boa vontade e firmeza de seus ensinamentos, os processos seguros de sua técnica original e simples, foram tais que a nossa individualidade de autor se perde na do Theobald Brasileiro.

E, como se tudo isso não fosse o bastante, quis o Mestre enriquecer o nosso trabalho com o “Quadro geral dos Culicídeos Brasileiros e Sul-Americanos”, “Quadro Geral das Subfamílias e Gêneros dos Culicídeos”, “Chave para a determinação das espécies de vários Gêneros de Culiciæ”, “Chave para a determinação dos Gêneros encontrados no Brasil”, Descrições de Novas Subfamílias, Novos Gêneros, Novas Espécies as quais, juntas às que encontramos na Bahia, perfazem o número de 23.

Manda-nos um grato dever de consciência confessar aqui, de público, reconhecimento imorredouro ao Dr. Augusto Vianna, que, com fidalguia e confiança ilimitadas, nos abriu, de par em par, as portas do Gabinete de Bacteriologia – incansável em prover de tudo o que se ia fazendo carente o nosso trabalho.

Cingimo-nos à entomologia culicídica, pondo à margem o papel dos mosquitos na veiculação de moléstias, que, a falta de competência e de meios bem especiais, o desacerto de mão, a ausência da febre amarela, nestes últimos anos entre nós, a avareza do tempo – tolhendo-nos o estudo da transmissão anofelínica do paludismo, do mal amarelo pela fasciata, e culicídica da filariose – e mais, o terreno prático que palmilhamos, nos fizeram não jogar com experiências de outrem, em que lhes pesasse autoridade grande, que, bem ainda, arriscávamos cair na inutilidade de discussões teóricas e na moda fácil de mais dissertar que agir.

Não há mal nesta nossa esquivança doutrinária: bem vivos são os monumentais trabalhos de Laveran, Patrick Manson, Ross acerca da veiculação pelos anófelos do paludismo; bem recentes os estudos experimentais da Comissão Americana em Cuba sobre a propagação exclusiva da febre amarela pela Stegomyia fasciata, e os resultados profiláticos dessa teoria havanesa, no Rio de Janeiro, com a proficiente direção higiênica de Oswaldo Cruz e, em São Paulo, com a não menos cientifica de Emílio Ribas – para o leitor esclarecido, contrapondo-os a fatores outros etiopatogênicos, de que a literatura médica, pátria e estrangeira, traz certa cópia, optar pelo exclusivismo ou ecletismo.

Não damos descrição circunstanciada das espécies conhecidas, na Bahia encontradas, porque seria passar para o português as palavras autorizadas de Theobald sem o menor resultado; pois ainda não vai a nossa pretensão a ponto de, com a variedade grande de mosquitos que fazem as nossas condições hidrográficas e o nosso clima tropical, abrangê-los todos no quadro que levantamos, e fazer este trabalho manual de classificação.

Assim, os que quiserem completar o estudo, que esboçamos, terão necessidade imprescindível de compulsar a mui completa e autorizada obra Monograph of the Culicidae of the World, sem a qual não marcariam um passo em classificação.

Qualquer que seja a teoria abraçada, não há, penso, quem se abalance a contestar o predomínio do mosquito como agente transmissor, provado, de certas moléstias; assim sendo, desmascaramos, na medida de nossas forças, o inimigo nas suas múltiplas feições e baluartes, cabendo aos higienistas, aos estudiosos e ao povo, devidamente instruído e convertido, atacá-lo.

Tal ensino e conversão bem penosos, bem ingratos, se mostram aos médicos, por estultos preconceitos, que na plebe ainda se desculpam pelo analfabetismo, mas que na burguesia e mesmo em classes mais polidas e ledoras, só podem ser levados à conta de grande má fé, ou no vezo atávico do sapateiro daquele pintor grego – a querer subir sempre além da bota.

E é de ver-se a segurança, facilidade, com que, da alta montada do obscurantismo, ridicularizam, desfazem verdades consolidadas no estudo apurado, em experiências fidedignas de sábios, cujos nomes enchem o mundo científico – como se a Medicina fosse arena para esses D. Quixotes e Sanchos da fátua ignorância.

é triste. Certos Médicos, assim cavaleiros do erro impenitente, a se esforçarem, todos, com ardor digno de melhor fim, para o recuo e deslustre da Medicina Brasileira, impugnando as práticas da mais prudente e racional higiene, em cujo abandono as conseqüências mortais, irreparáveis, vão, não há tergiversar, perante a lei de Deus, a moral da profissão e a justiça da sociedade, à responsabilidade desses apóstolos de causa tão inglória e falsa.

Fossilizam-se numa ciência arcaica neste século de progresso!

E se conseguíssemos, com este trabalho, despertar, entre os colegas, um pouco de gosto à entomologia dos culicídeos, daríamos por bem recompensado o nosso esforço.

Nem lhes pareça que a parte material do estudo exige perda considerável de tempo; porque quem há que, nas cidades, nos sertões, nas zonas pantanosas, não seja atacado pelas muriçocas para, tendo em mão uma caçadeira, um simples vidro de lampião, não poder capturá-las com facilidade?

Quem há não possa, nas águas estagnadas de brejos, de cacos ou latas velhas, de fundos de garrafas, dos vasos de plantas, com uma xícara, uma tigela, pescar larvas (saltões); criá-las em um frasco de boca larga, fechado com uma simples folha de papel, crivado de orifícios para o arejamento? Quem não possa atravessar os mosquitos caçados, ou saídos dessas larvas, num alfinete comum, para o exame?

A parte referente à classificação não se lhes afigure também inatingível, que temos recurso seguro para as dúvidas nos conhecimentos vastíssimos do mestre paulista – Dr. Adolpho Lutz.

Por nossa parte, deixamos à disposição de todos, amigos e colegas

– em São Paulo –1 o pouco que sabemos, que, quando não abarque as dificuldades da nossa rica fauna culicídica recorrerá, sem demora, ao Theobald Brasileiro, sob cuja autoridade melhor não se podia abrigar esta nossa Tese.

 

Novas espécies

 

Megarhinus mariae (nov. espec.)

Comprimento (sem a tromba) 10 a 11 mm, tromba 7mm, asas 5 mm.

Tromba. Delgada, preta; embaixo, na metade basal, com muitas escamas brilhantes douradas, azuis e vermelhas.

Palpos. Menos de 2/3 da tromba, com 3 artículos compridos, sendo o primeiro pouco mais da metade do segundo, que é igual ao terceiro. Estão cobertos de escamas brilhantes: em cima, azuis, e roxas; embaixo, douradas com o ápex dos segmentos violáceo.

Clípeo. Com fundo escuro e brilho branco, como também os toros das antenas.

Antenas. Menores que os palpos, tendo apenas a metade da tromba; o flagelo e os verticilos, escuros, quase negros; e com muitos pêlos finos e anéis articulares, esbranquiçados; o segundo segmento com escamas na metade basal.

Occipício. Com muitas escamas escuras, mas irisadas em verde, azul celeste, roxo, branco e dourado e alguns pêlos escuros com brilho de ouro.

Lobos protorácicos. Com pêlos e escamas como no occipício, prevalecendo nas últimas o azul celeste.

Metanoto. Cor de ouro escura, tirante ao oliváceo e limitada na metade posterior por uma fita azul, lateral, que se estende sobre o escutelo; as escamas são fusiformes ou obovais, compridas, densamente agrupadas mas bastante salientes, dispostas como as penas de um pássaro; no meio são escuras, mas iriantes, prevalecendo o dourado ao lado verde azul celeste; na fita mencionada prevalece o azul celeste e verde claro.

Pleuras. Ocráceas, com brilho dourado e escamas branco-nacaradas. Escutelo. Com pêlos dourados e escamas bastante salientes, prevalecendo as de brilho azul celeste.

Metatórax. Nu, ocráceo, com brilho de ouro.

Abdome. Em cima, o 1° segmento com brilho azul celeste esverdeado, o resto azul-violáceo escuro. No microscópio vêem-se sobre o fundo preto as escamas obovais ou espatuladas, densamente agrupadas: (como as penas de um pássaro) e irisadas nas cores já mencionadas. No ápex do sexto segmento há lateralmente pêlos dourados, escuros no sétimo, formando um apêndice lateral. No oitavo há pêlos dourados terminais. O nono segmento pouco visível e de cor dourada. Embaixo prevalecem as escamas douradas e prateadas, havendo uma fita mediana violácea. O fundo é pardo escuro, quase preto no sexto e no sétimo segmentos.

Pernas. De cor uniforme, menos a face ventral dos femoral [sic] que é de cor de ouro; o resto é violáceo com reflexos azuis e vermelhos. As quatro unhas anteriores são um pouco maiores do que as posteriores.

Asas, encolhidas no ápex do ramo posterior da quinta nervura – comprida; 1° célula forqueada muito curta e estreita, tendo o seu comprimento apenas a quarta parte do pedúnculo; na segunda célula forqueada a relação é de 1 para 2; as nervuras transversais b e c formam um ângulo muito obtuso aberto para o ápex; a está cerca de quatro vezes o seu comprimento mais perto da base. As escamas das veias longitudinais são espatuladas, mais ou menos escuras, mas iriantes em ouro, roxo e azul.

 

Nota

Esta espécie é um Megarhinus típico, que tem o 3° artículo dos palpos femininos rombo, com pêlos terminais.

Esse mosquito parece-se muito, na coloração, com o Megarhinus solstitialis, porem é maior e muito mais robusto, e a cor de ouro é mais carregada. A distinção principal entre as fêmeas das duas espécies está na falta ou presença de uma faixa ventral clara no tarso do meio.

As larvas diferem muito mais, sendo a de solstitialis toda vermelha e a do M. mariæ vermelha com manchas, madrepérolas e verdes no tórax.

Distingue-se do trichopygus, descrito por Wiedemann e Theobald, que é um Ankylorhynchus e que tem terceiro artículo dos palpos da fêmea pontiagudo; além disso apresenta algumas outras diferenças. O portoricensis não tem apêndices laterais, ficando assim excluído. Criado, por nós, de água de bromeliáceas da Ilha de Itaparica (Estado da Bahia).

 

Culex albipes (nov. espec.)

FÊMEA

Comprimento, cerca de 3 mm, sem a tromba, que mede 1 ½ mm

Probóscide. Comprida, com ápex intumescido, violáceo – azul – escuro; os palpos labiais amarelados, com base preta.

Palpos. Artículos pouco distintos, amarelados na base, depois, com um anel de branco nacarado; a metade apical, preta com a ponta mais amarelada. Há alguns pêlos na base dos palpos, e outros mais compridos embaixo da raiz da tromba.

Clípeo. Cor creme baça.

Antenas. Toro amarelo, um pouco baço, com reflexos esbranquiçados. Flagelo, escuro. Os pêlos verticilados, maiores, escuros; os menores, mais claros; ambos com brilho esbranquiçado.

Occipício. Adiante, com dois pêlos dourados; mais para trás com outros mais escuros; todos são compridos, eretos, curvando-se para diante. As escamas são fusiformes, estreitas e curvadas, de cor creme; no meio delas há grande número de outras, eretas, compridas, delgadas e bifurcadas, aparecendo ora douradas, ora mais escuras. Nas regiões laterais há escamas chatas, esbranquiçadas, que se estendem sobre a região mental, onde se vêem também alguns pêlos.

Lobos protorácicos. Escuros; com escamas curvas e estreitas, de cor creme, em cima; brancas, embaixo; e pêlos escuros, grossos, compridos e inclinados para diante, ao lado de outros menores, de cor vermelha.

Mesonoto. Pardo amarelo, a olho nu; tem o fundo geralmente de cor de camurça, mas com manchas mais escuras; com escamas, aparecendo ora quase brancas, ora douradas, ora escuras e algumas principalmente nos lados quase pretas. Entre elas há três linhas, onde aparecem o fundo nu e muitos pêlos escuros com reflexos dourados.

Pleuras: Brilho branco, e manchas escuras formando duas estrias oblíquas e interrompidas, que lembram as do culex pleuristriatus, as escamas, de cor branca nacarada, e os muitos pêlos são dispostos em fileiras, correndo na direção das “coxas”. Em várias regiões do tórax transparece a cor verde, muitas vezes observada, logo depois da muda – seja nas ninfas, seja nos insetos perfeitos, principalmente nos gêneros culex e melanocolon.

Escutelo. No lobo mediano, de cada lado, três pêlos maiores, e outros tantos nos lobos laterais. Além disso, há outros menores; e escamas parecidas às do mesonoto.

Metanoto. Grande; com fundo ocráceo, mais escuro dos lados.

Abdome. Achatado em cima; primeiro segmento estreito, coberto de escamas pardacentas claras e pêlos amarelados; os dois últimos segmentos são mais ou menos invaginados; do 2° até o 7° segmento, o dorso é coberto de escamas pretas, sobre fundo ocráceo, com manchas laterais de branco nacarado; estas partem da base, sem alcançar o ápex, e têm uma forma variável, ora quase triangular, ora mais quadrada ou semilunar, mas com as margens um tanto irregulares; no lado de baixo prevalecem as escamas esbranquiçadas, havendo cintas apicais escuras.

Pernas. Escuras, com anéis brancos, amarelados no lado inferior das femorais, que são curvadas e lateralmente comprimidas, sendo as do meio mais espessas no sentido ântero-posterior; os anéis brancos são estreitos e tomam as articulações geralmente no segmento basal ou central, e outras vezes abrangem os dois segmentos articulados. No segundo par os últimos dois tarsos são mais claros, por haver muitas escamas pardacentas com brilho bronzeado. No ultimo par os dois últimos tarsos são branco-amarelados, com algumas escamas escuras, principalmente no ápex do último e na face ventral do ápex do terceiro, onde formam manchas quase pretas.

Asas. Primeira célula forcada cerca de quatro vezes mais comprida do que o pedúnculo; a 2° apenas 1 ½ vez. Escamas laterais compridas e estreitas, de cor cinzenta, as medianas mais largas, pardo-bronzeadas. As nervuras transversais a e b encontram-se em ângulo obtuso, aberto para a base; c é transversal, mais perto da raiz da asa, importando a distância de três a quatro vezes o seu comprimento.

 

Nota

Descrita de um exemplar fêmea, criado de larva apanhada em água de bromeliáceas de Itaparica. (Estado da Bahia).

Megarhinus solstitialis (nov. espec.)

MACHO

Comprimento total (sem a tromba), 8 a 9 mm; tromba, 6 mm.

Tromba. Afinando-se gradualmente, delgada, escura com brilho metálico violáceo.

Antenas. Plumosas, não alcançando o último artículo dos palpos; toros, escuros com brilhos de chumbo; segundo artículo do lado interno, coberto de escamas espatuladas, com brilho de ouro; o flagelo escuro, e os pêlos de cor cinzenta amarelada: ambos, com brilho de ouro escuro; os últimos artículos, poucos compridos.

Palpos. Do tamanho da tromba, com um pequeno artículo basal, os três seguintes cilíndricos, bastante compridos e quase iguais; o quarto duas vezes maior, em forma de sovela, um pouco encurvado para cima; em cima, tem cor azul violáceoescura; embaixo, a extremidade do segundo e do terceiro e a parte média do quarto artículo, com escamas claras, cor de ouro mate.

Clípeo. Cor de chumbo.

Occipício. Escamas chatas, douradas, verdes e azuis, com brilhos de penas de pavão; região mental, com escamas e pêlos cor de ouro.

Lobos protorácicos. Com pêlos escuros e escamas iguais às do occipício.

Mesonoto. Com escamas fusiformes bastante largas, mais escuras no meio (cor de bronze velho); para os lados, como no occipício e nos lobos protorácicos.

Pleuras. Escuras, com muitas escamas ovais e espatuladas, branco de nácar; outras iguais, na parte de fora das coxas.

Escutelo. Cor de pavão.

Metanoto. Castanho-escuro, brilhante.

Halteres. Amarelados; capítulo pardacento, coberto de pequenas escamas de cor clara.

Abdome. Os dois primeiros segmentos, verde pavão; os outros, de cor violácea brilhante, bastante desenvolvidos, sendo os cabelos escuros, de brilho violáceo, com exceção dos anteriores, que são mais claros e com brilho de ouro, como também os pêlos laterais dos seis primeiros segmentos; a face ventral com exceção do último segmento e de uma estria mediana violácea – dilatada na base dos segmentos – é coberta de escamas ouro mate, sobre os quais se estendem as escamas dorsais formando triângulos apicais.

Pernas. De cor uniforme, violácea, com reflexos azuis e vermelhos, menos do lado ventral dos ‘femorais’, onde é de ouro mate. Unhas dos primeiros pares desiguais; a maior com um dente na base; as posteriores iguais e pequenas.

Asas. Primeira célula forcada muito curta e estreita; a segunda mais larga e, conquanto curta, quase duas vezes mais comprida.

As nervuras transversas a e c são oblíquas; estando a, por duas vezes o seu comprimento, mais perto da base que b, que forma com c um ângulo menos obtuso que de costume, e aberto para a raiz da asa; as escamas espatuladas são bastante pequenas de cor cinzenta parda, com reflexos dourados e violáceos; o comprimento da asa é de 6 mm, a largura de ½ mm. Nesta, como em outras espécies, as asas são encolhidas perto da embocadura da sexta nervura longitudinal; são geralmente mal expandidas no sentido transversal.

FÊMEA

Os palpos só têm três artículos compridos; o último, com ápex rombo e espinhos terminais; parecem quebrados, como foram considerados em outras espécies, mas absolutamente não o são; o terceiro e o primeiro têm comprimento igual, sendo o segundo um pouco maior. Quanto à cor parecem-se com os artículos – segundo e quarto do macho, aos quais correspondem.

O par mediano das pernas tem o primeiro tarso completamente branco ou de ouro mate, no lado inferior; todas as escamas ventrais deste tarso e, em parte, as do segundo são branco-amareladas ou douradas. No resto, as fêmeas têm os apêndices laterais do ápex do abdome bem desenvolvidos e só se distinguem dos machos pelas diferenças sexuais constantes, das antenas, das unhas e do nono segmento. Ankylorhyncus neglectus (nov. espec.)

Nota

Esta espécie é, em São Paulo, a mais freqüente da subfamília. Criei muitos exemplares. A larva carnívora encontra-se na água de bromeliáceas, principalmente da Achmea tinctoria. Os machos podem ser apanhados no mato, onde são encontrados de dia, voando rapidamente.

 

Ankylorhyncus neglectus (nov. espec.)

FÊMEA

Tromba. Maior do que os palpos, preta; na curvatura, com algumas escamas azuis.

Palpos. Com três artículos compridos, sendo o segundo maior do que o primeiro, e o terceiro maior que o segundo; comprimidos e com ponta aguda, em forma de espada.

As escamas dos palpos são, pela maior parte, escuras, porém, na extremidade dos dois primeiros artículos e na parte média do segundo, há escamas furta-cores: azuis e vermelhas; as escamas escuras também têm um brilho metálico de cor violácea escura; na face ventral de todos os segmentos há muitas escamas amarelas, com brilho de ouro.

Antenas. Mais curtas do que os palpos (porém maiores que os seus dois primeiros segmentos); toro, cor de chumbo escura, com brilho branco; flagelo escuro. Os pêlos maiores são escuros, com brilho de ouro; os menores, mais claros, com brilho branco ou amarelado.

Clípeo. Mesma cor de toro das antenas. Olhos de cor castanha.

Occipício. Com escamas chatas, em cima; para diante verde-mar irisada [sic]; para trás, mais escuros; e na região mental, brancas, misturadas com pêlos brancos.

Lobos protorácicos. Com escamas de cor azul celeste com brilho metálico.

Mesonoto (no meu exemplar), sem escamas na convexidade, mostrando um fundo preto e brilhante; em redor, com escamas verde-mar, brilhantes, misturadas, principalmente na parte posterior; e no escutelo com muitas escamas cor de ouro.

Metanoto. Nu, de cor amarela pardacenta.

Pleuras e coxas. Densamente cobertas de escamas brancas de nácar.

Abdome. Em cima, com os dois primeiros segmentos verdes; o terceiro e o quarto, só na parte anterior, mostrando-se mais azuis para trás; já no quarto, a cor vira em violáceo avermelhado, continuando assim até o último segmento. Todas essas cores têm um forte brilho metálico. Não há apêndices laterais. Embaixo, a cor é amarelada ou branca, com exceção de uma estria mediana violácea, apicalmente dilatada em todos os segmentos.

Nos lados, há triângulos brancos, basais estendendo-se um pouco para diante, sobre a parte dorsal do quarto segmento.

Pernas. Unicolores, cor azul-violácea, com brilho metálico sem faixas brancas mas com a parte ventral das coxas de cor de ouro claro e mate.

 

Nota

Descrito de um exemplar proveniente de uma larva apanhada em água de bromeliáceas, perto de São Paulo.

Pyretophorus fajardi (nov. espec.)

FÊMEA

Comprimento total 5 mm, (sem a tromba) que é de 2 mm.

Tromba. Do comprimento dos palpos, de cor escura uniforme, com poucas escamas mais claras.

Palpos. Densamente cobertos de escamas; apenas nas articulações com anéis mais claros e sem escamas; a cor das escamas obovais alongadas é escura e até completamente preta.

Clípeo. De cor escura, com brilho branco.

Antenas. Toro, com algumas escamas de cor escura; flagelo, na parte inferior, escuro e nas últimas quatro ou cinco articulações, mais claro; na base dos segmentos, feixes distintos de escamas espatuladas escuras; verticilos escuros; os cabelos, mais curtos e finos, com brilho branco.

Occipício. No meio, com pêlos claros dirigidos para diante; nos lados, com outros mais escuros e com escamas compridas e curvadas, de cor amarela clara; e outras filiformes com ponta bifurcada, quase todas pretas.

Protórax. Os lobos, dos dois lados, mamilados (nem sempre distintamente), com pêlos claros e escamas curvadas e alongadas, amarelas e pretas.

Mesonoto. Na parte anterior, de cor amarela, com brilho de ouro (como no culex confirmatus), devido a escamas curvadas fusiformes dessa cor, dispostas em fileiras longitudinais; na parte posterior mais escuro, havendo mistura de escamas esbranquiçadas, douradas e pretas; dos lados, com escamas pretas, bem compridas, formando feixes muito esquisitos; o fundo do mesonoto, nos pontos em que se mostra é cor de veado escura [sic].

Escutelo. Com algumas escamas de cor amarelo-clara.

Pernas. De cor castanho-escura ou preta, com muitas manchas e anéis de cor amarelo-clara.

Femoral: Dos dois primeiros pares, principalmente na metade apical, intumescidas, lateralmente comprimidas, as do terceiro par, finas e curvadas, apenas um pouco alargadas na parte apical; o primeiro tarso tem cinco anéis brancos; os tarsos são brancos na parte basal, de modo que em todo o pé contam-se doze anéis, mais ou menos perfeitos, sendo o último tarso completamente escuro; no último pé, os tarsos são brancos com ápex preto, o terceiro e o quarto, também com a base preta.

O metatarso tem seis anéis branco-amarelados; os joelhos e o lado inferior das femorais são amarelos. Estas, e as tíbias, apresentam grande número de manchas e anéis incompletos, de cor amarela.

Asas. Escuras, com escamas muito visíveis, parecendo-se com as asas de mansonia titillans.

Nervuras, e costas, amarelas. As escamas obovais compridas são quase todas pretas, havendo na costa algumas amarelas, que formam umas manchas marginais muito indistintas. Há outras escamas na primeira nervura longitudinal e no ramo posterior da quinta, faltando neste último uma parte das veias laterais. As escamas da margem são todas escuras; a base das duas células forqueadas, quase na mesma altura; a segunda, um pouco mais perto da base; os pedúnculos, bastante compridos, tendo um terço, e até, a metade da célula. Nervuras transversais a e b formando um ângulo obtuso aberto para a base; c correndo na mesma direção que b, apenas um pouco mais perto da base.

Halteres. Brancos, com o capítulo escuro, tendo na superfície terminal pequenas escamas branco-amarelas.

 

Pyrethophorus lutzii (Cruz)

FÊMEA

Comprimento total 5 mm sem a tromba, que é de 2,5 mm. Probóscida. Escura, apenas maior do que os palpos.

Palpos. Cobertos de escamas lanceoladas, bastante compridas e salientes, pela maior parte escuras; no ápex do segundo, terceiro e quarto artículo são brancos; no quarto, também, numa porção mais extensa.

Antenas: Toro escuro, salpicado de branco; flagelo escuro, com pêlos finos, com brilho esbranquiçado e verticilos mais escuros, também com reflexos prateados.

O segundo e terceiro segmentos do lado interno com escamas fusiformes compridas, de cor branca.

Clípeo. Escuro, salpicado de branco.

Vértex. Com escamas compridas e pêlos branco-amarelados, curvados para diante.

Occipício. Com escamas eretas bifurcadas e outras delgadas eretas com a ponta bifurcada, brancas no meio e pretas para trás e dos lados. Região mental com muitos pêlos.

Lobos protorácicos. Pequenos, com mamilo nem sempre distinto, pêlos compridos e escamas obovais escuras.

Mesonoto. Cor de veado; com quatro estrias curtas e escuras no meio, dos lados e no ápex. Escamas fusiformes branco-amareladas, estreitas e curvadas, invadindo também o escutelo que é bastante saliente [sic].

Pleuras e coxas. Com escamas parecidas, porém brancas.

Metanoto. De cor escura; glabro.

Abdome. Em cima, cor de veado, com pêlos dourados; embaixo, escuro, quase preto; somente no segmento genital há escamas, de cor escura e de forma oboval alongada.

Pernas. Delgadas e compridas, cobertas de escamas ora escuras, ora claras, resultando do conjunto uma cor distintamente bronzeada nos fêmures e nas tíbias, porém mais escura nos tarsos. No primeiro par o metatarso e os dois primeiros tarsos têm o ápex branco; e as tíbias, do metatarso e dos dois primeiros tarsos são marcadas de branco; os dois últimos tarsos têm escamas brancas, irregularmente dispostas; no terceiro par, a tíbia, pouco menor do que o metatarso, tem um ponto branco apical; a parte terminal do metatarso, os últimos dois quintos do primeiro tarso e os outros três (tarsos), em todo o seu comprimento são branco-nacarados. As unhas dos dois primeiros pares são pequenas e inermes; as do último par muito miúdas.

Asas. Com escamas obovais, bastante compridas, como as do taeniorhynchus, ora pretas, ora branco-amareladas. Na costa, há manchas amarelas, bastante estreitas e afastadas, em número variável, geralmente de três a quatro; as duas primeiras, no fim do primeiro e segundo terço; a terceira, um pouco antes do ápex. Há outros grupos de escamas claras, branco-amareladas, disseminadas sobre as asas, que pelo resto, parecem bastante enegrecidas por causa das escamas escuras, largas e densamente agrupadas. As escamas marginais livres são brancoamareladas na embocadura das nervuras longitudinais e pretas no resto da margem.

Halteres. Com capítulo escuro.

MACHO

Palpos. Escuros, tendo a ponta com um anel branco. Os dois últimos segmentos formam uma clava coberta de pêlos. Unhas do primeiro par desiguais, a maior com dente forte; as do segundo par, grandes, porém iguais e inermes; do terceiro, inermes. Nono segmento abdominal com muitas escamas.

 

Nota Esta espécie foi descrita pela primeira vez pelo Dr. Oswaldo Cruz, no Brasil Médico, debaixo do nome “Anopheles Lutzii”, antes da divisão do gênero. Hoje deve entrar no gênero Piretoforus. Assemelha-se bastante à Cellia albipes, porém o escuro é mais preto e o claro mais amarelo. A descrição longa não foi registrada pelos manuais europeus e julgamos preferível fazer outra inteiramente nova, em vez de repetir a antiga, que é bastante longa.

 

Dendromyia personata (nov. espec.)

FÊMEA

Comprimento total 5 a 6 mm, menos a tromba, que tem 1,5 mm.

Tromba. Do tamanho do abdome, muito espessada na parte apical, coberta de escamas, em cima escuras, embaixo em parte bronzeadas, sem pêlos maiores; palpos labiais amarelados na ponta e com pêlos finos esbranquiçados; na raiz do lado inferior há um grande número de pêlos bastantes compridos.

Antenas. Do tamanho da tromba, com algumas escamas obovais compridas no segundo artículo; o flagelo com verticilos escuros e cabelos finos prateados. Toro escuro com brilho de chumbo, tendo no lado interior pêlos e escamas espatuladas esbranquiçadas.

Clípeo. Escuro, com brilho de chumbo.

Palpos. De dois artículos, coberto de escamas obovais escuras, com brilho claro iriante, e de escamas brancas espatuladas e compridas, muito caducas.

Occipício. No limite com o vértex e na margem lateral dos olhos há muitos pêlos compridos com reflexos dourados; escamas são chatas, imbricadas de forma oboval, de cor cinzenta escura com reflexos irisados em branco, azul e bronzeado apagado dos lados; e na região mental tornam-se brancas, bem para trás; na cerviz, há poucas escamas eretas e compridas de forma oboval.

Lobos protorácicos. Cobertos com escamas chatas obovais, ou espatuladas com ápex arredondado, em cima, de cor das do occipício, embaixo de cor branca nacarada, além disso há muitos pêlos escuros.

Mesonoto. De cor ocrácea enegrecida, coberto de escamas obovais compridas da mesma cor que as do occipício, e estendendo-se sobre o escutelo, na parte anterior e sobre a raiz das asas há muitos pêlos compridos e curvados, bastante grossos e escuros, e em parte com reflexos dourados.

Pleuras. De cor ocrácea clara; as escamas, branco nacaradas e os pêlos cor de ouro muito pálido.

Metatórax. Escuro, com brilho de chumbo e com grande número de pêlos subapicais.

Abdome. Com o primeiro segmento estreito, coberto com escamas parecidas às do mesonoto na cor, porém, distintamente espatuladas e com ápex truncado. O lado superior do abdome é macroscopicamente preto, com reflexos esverdeados e cobreados muito escuros e apagados; com aumento percebe-se que o fundo é ocráceo e coberto de escamas chatas escuras e com reflexos, parecendo-se com as escamas do mesonoto; o lado inferior é de cor escura, mas coberto com escamas nacaradas, obovais ou espatuladas, resulta numa cor geral branca, tirante ligeiramente a ouro mate; no ápex do oitavo segmento há muitos pêlos compridos: em cima escuros, embaixo mais esbranquiçados; o último segmento é de cor dourada clara com pêlos curtos e dourados.

Pernas. Em cima de cor parecida à do dorso do abdome: ao lado ventral dos femorais e tíbias mais claro com reflexos bronzeados, dourados e esbranquiçados; os dois tarsos apicais e o ápex do segundo, nos dois pares posteriores, níveos do lado de baixo; no par anterior todo o pé, embaixo, de cor clara bronzeada. Unhas iguais; as do último par pequenas; as outras um pouco maiores. Asas. Densamente cobertas com escamas cinzento-escuras, com reflexos metálicos, azuis e vermelho-escuros, obovais ou espatuladas, um tanto assimétricas; na base das nervuras há apenas algumas escamas estreitas e compridas. Escamas marginais compridas, um pouco mais claras, mas com os mesmos reflexos; primeira célula forqueada estreita e muito comprida, cerca de quatro vezes maior que o pedúnculo; a segunda, mais larga, o comprimento do seu pedúnculo maior que a metade da célula; nervuras a e c na mesma altura, b um pouco mais aproximada do ápex da asa. A posição destas veias é sujeita a ligeiras variações.

Halteres. Brancos no pedúnculo e no lado inferior do capítulo, escuros na face terminal.

MACHO

Com as antenas mais plumosas, de cor cinzenta, quase brancas nos três segmentos apicais que são pouco compridos; os toros são mais dourados, no limite do vértex, na parte anterior do metanoto há algumas brancas, como também embaixo da raiz das asas.

Clípeo. Mais escuro; palpos mais claros, com reflexos bronzeados.

Pernas. Do meio com o pé mais escuro, havendo uma mancha branca na primeira articulação intertarsiana, e uma zona de escamas brancas no ápex do segundo e na base do terceiro metatarso, mais extensa no lado de cima que no de baixo. O último par de pernas tem toda a face inferior de cor de ouro muito esbranquiçada; os últimos dois tarsos e o ápex do segundo são bastante claros, também do lado de cima, onde há apenas uma fileira estreita de escamas escuras. As unhas dos pés anteriores desiguais mas inermes, as do posterior pequenas e iguais.

O abdome é estreito na base, intumescido no ápex, onde há muitos pêlos que escondem os órgãos sexuais.

 

Nota Descritos de dois machos e oito fêmeas todos provenientes de São Paulo, onde foram, em parte, pegados nas matas de serras, em parte criados de larvas encontradas na água de taquaras da mesma região. À primeira vista parecem-se bastante com o Trichoprosopon nivipes, por isso dei o nome de personata.

As escamas do clípeo constituem um caráter muito distintivo; infelizmente faltam em quatro dos exemplares, que no resto parecem bem conservados. é de supor que tenham caído, porque no mais não se encontram diferenças bastante acusadas para pensar que se trata de duas espécies diferentes.

 

Culex neglectus (nov. espec.)

Comprimento total 3 mm, sem a tromba, que mede pouco mais de 1 mm.

Tromba. Fina na base, espessando-se para o ápex, que é bastante grosso, coberta de escamas um tanto salientes, bronzeadas na base, quase pretas no ápex, e poucos pêlos finos. Palpos labiais amarelados, com pêlos finos.

Antenas. Do tamanho da tromba, com flagelo e verticilos de cor pardoamarelada; os pêlos mais finos e esbranquiçados; toro ocráceo enegrecido com reflexos prateados.

Palpos. Amarelos, cobertos de escamas pardas com reflexos bronzeados.

Clípeo. Amarelo, com brilho esbranquiçado.

Occipício. Com escamas fusiformes, de cor creme; muito estreitas e compridas na margem posterior dos olhos e na região central; misturadas com estas, há escamas eretas compridas e bifurcadas, de cor escura com reflexo dourado, densamente agrupadas na parte central; para os lados há escamas chatas, largas e imbricadas, de cor branca de nácar, ocupando também a região mental. Há alguns pêlos pardodourados no occipício e dourados claros nas regiões laterais e mental.

Lobos protorácicos. Com fundo alvacento e muitos pêlos pardo-escuros.

Mesonoto. Com fundo ocráceo de brilho prateado, tendo no meio duas linhas paralelas e entre elas uma terceira, visível somente na metade anterior, e nas quais aparece o fundo. No resto é coberta de escamas castanho-escuras, muito compridas, estreitas e curvadas, de brilho dourado. Há também pêlos escuros formando, ao lado das linhas mencionadas, uma linha contínua e no meio uma linha curta, apenas no terço anterior, sendo os pêlos singelos na metade anterior e em pares na posterior. Há outra linha um tanto irregular na margem exterior, com pêlos mais numerosos na margem anterior e por diante da raiz das asas.

Escutelo. Com quatro pêlos grandes no lobo mediano e outros tantos nos lobos laterais.

Metanoto. Ocráceo, um pouco enegrecido, com brilho alvacento.

Pleurais. Ocráceas, com brilho alvacento e com escamas largas e chatas, espatuladas, de cor branca de nácar. Sobre o fundo escuro destacam-se manchas escuras formando duas estrias largas e horizontais, como as do culex pleuristriatus.

Abdome. De forma cilíndrica, um pouco achatado no sentido dorso-ventral, com fundo ocráceo, coberto em cima com escamas chatas e pequenas, com reflexos metálicos variados, e pêlos apicais esbranquiçados; na parte ventral há escamas e pêlos alvacentos e dos lados escuros, mas há manchas basais brancas que não chegam até a metade do segmento. Primeiro anel um pouco estreito, às vezes saliente, coberto de escamas escuras e pêlos dourados. O último segmento costuma ser invaginado e o penúltimo só mostra a sua parte apical.

Asas. Com escamas estreitas e compridas (de culex) a modo de espinhas na parte apical da costa. Primeira célula forqueada comprida, com o pedúnculo curto, menor que a quarta parte do comprimento da célula; segundo menor, não alcançando duas vezes o comprimento do pedúnculo, sendo porém a relação um pouco variável. As veias a e b formam um ângulo obtuso aberto para a base; c aproxima-se desta por mais de duas vezes o seu comprimento.

Pernas. “Femorais” anteriores, etc. Anteriores comprimidos lateralmente, espessados no sentido dorso-ventral; os do segundo par também comprimidos, mas curvos e um pouco torcidos; os do terceiro par bastante finos e curvados. O lado dorsal das pernas de cor escura, bem como o dorso do abdome, apenas um pouco mais claro nos joelhos e articulações das tíbias, nos metatarsos (e às vezes também nas articulações intertarsianas); embaixo de cor dourada muito pálida. As pernas têm muitas espinhas douradas muito finas e compridas, principalmente na face ventral das tíbias posteriores. Todas as tíbias têm o ápex intumescido e as posteriores são mais curtas do que os metatarsos. Os dois últimos tarsos são muito curtos. As unhas são todas iguais e mui pequenas; as últimas ainda um pouco menores do que as dos pares anteriores.

Halteres. Branco-amarelados; capítulo fusco.

 

Nota

Descrito de muitos exemplares provenientes da Serra da Cantareira, perto de São Paulo, onde as larvas foram encontradas em água de taquaras.

Têm elas um tubo respiratório fino e comprido, e as ninfas são muito pequenas.

Larva do Megarhinus mariae Todas as nossas larvas desta espécie foram encontradas em bromélias do jaburu.

Macroscopicamente a larva é lindíssima com as suas cores brilhantes pelo dorso. Chamam logo atenção os desenhos do tórax, dos 3°, 6°, 7° e 8° segmentos abdominais, de cor de madrepérola, com uns tons de vermelho tijolo.

No centro e na extremidade posterior do tórax, bem perto do 1° segmento abdominal, vê-se uma ferradura da cor de madrepérola, com formato mais arredondado e de abertura voltada para a cabeça da larva.

O interior da ferradura é negro, havendo, aos lados desta, duas outras manchas pretas. Adiante, no meio e de cada lado do tórax há uma mancha verde muito bonita com a forma grosseira de um crescente voltado para frente; no centro, entre essas duas manchas verdes, há uma mancha madrepérola, de cor esparsa como se fosse formada de pequenas manchas.

Adiante dos crescentes verdes e das partes laterais do tórax, partem, dirigindose para trás e para dentro, duas listras ainda de cor verde.

Finalmente na parte anterior e no meio do tórax há uma mancha circular de madrepérola tijolo mais clara.

Resumindo os desenhos do tórax;

De trás para diante, na zona mediana: 1) ferradura; 2) primeira mancha; 3) segunda mancha circular maior e anterior – todas de cor madrepérola tijolo.

De trás para diante, nas zonas laterais: 1) mancha preta; 2) mancha verde; 3) listras verdes.

No 3° segmento abdominal, faixa longa, tomando-o quase inteiramente e alargando-se um pouco dos lados, da mesma cor madrepérola; no 6° segmento, faixa mais estreita apical da mesma cor; ápex do 7° e 8°, mesmas manchas; no ápex do 1° e 2° segmentos vê-se uma linha pontuada ainda da mesma cor.

Podemos dizer que a cor geral dos desenhos é madrepérola tijolo, com exceção das duas manchas e das duas listras do tórax, de verde um pouco desmaiado.

A cabeça apresenta, de trás para diante, duas manchas ovais, verdadeiros pés donde partem duas linhas, as pernas, que convergem um pouco para o centro a sustentar um círculo escuro com um espaço claro no centro, ao qual vem terminar a truncatura dum cone, menos escuro, todo formado de pontos e pequenas linhas isoladas; dentro desse cone vemos duas linhas mais escuras que, partindo do círculo, pela sua divergência, formam um 2° cone truncado dentro do primeiro.

(Falando de cone, não nos referimos à figura geométrica em relevo, mas à sua projeção sobre um plano.)

 

* A tese de Celestino Bourroul (1880-1958) foi defendida na Faculdade de Medicina de Salvador, em 1904, e impressa no mesmo ano na capital baiana, na Oficina Tipográfica de João Batista de Oliveira Costa, situada no Largo da Palma n.5. O exemplar enviado ao Instituto Bacteriológico, sob a guarda do Instituto Adolfo Lutz, traz a seguinte dedicatória manuscrita pelo autor: “Ao meu amigo e ilustre colega e Dr. Theodoro Bayma, homenagem sincera do Dr. Celestino Bourroul”. Da página 33 em diante, figuram as contribuições de Adolpho Lutz reproduzidas no começo do presente livro, sob o título “Sinopse e sistematização dos mosquitos do Brasil”. Compõem-se de sete partes com numerações não seqüenciais: 1) “Quadro dos gêneros da família Culicidae organizado pelo Dr. Adolpho Lutz”, ocupando uma página dupla não numerada; 2) “Catálogo dos culicídeos brasileiros e sul-americanos organizado pelo Dr. Adolpho Lutz” (p.1-16); 3) “Euculicidae: Chave para a determinação dos gêneros encontrados no Brasil” (p.1-7); 4) Chave para a determinação dos gêneros da subfamília “Culicinae”observados no Brasil organizada pelo Dr. Adolpho Lutz” (p.1-3); 5) “Chave para a determinação dasespécies de Euculicidae encontradas no Brasil (não incluindo a subfamília Culicinae)” (p.1-6); 6)“Chave para a determinação das espécies da subfamília Culicinae” (p.1-5); 7). “Quadro das espécies encontradas na Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará e Manaus” (p.1-4). [N.E.]

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