Brilhante

Julia Quinn · Capítulo 19 de 26

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Brilhante

Capítulo 17

 

 

Depois de se convencer de que Belle estava mesmo apaixonada por John, Emma ajudou a prima a se vestir para o casamento e declarou que ela era a noiva mais radiante que já vira.

– Suponho que isso signi que que meus olhos já não estão vermelhos – brincou Belle.

Ela havia chorado muito.

Emma balançou solenemente a cabeça.

– Quer que Alex a acompanhe até o altar?

Belle franziu o cenho.

– Tinha esperança de que Ned estivesse aqui a esta altura. Se não posso ter meu pai para me levar ao altar, imaginei que seria levada pelo meu irmão. E meu pai vai car furioso por não ter estado presente.

– Ora, ele me entregou a Alex – apressou-se a lembrar Emma. – Vai ter que servir. Ned mandou alguma resposta?

– Não houve tempo.

Emma mordeu o lábio inferior.

– Que tal eu descer e atrasar mais um pouco os procedimentos? Logo estarei de volta.

Ela saiu do quarto e foi até o salão de visitas. John andava de um lado para o outro, não só de nervosismo, mas de impaciência.

– Por que ela está demorando tanto? – perguntou.

Emma torceu os lábios e consultou o relógio.

– São apenas sete e dez. Isso é absolutamente pontual para um casamento que deveria começar às sete.

– Mulheres...

Aquilo foi dito pelo marido dela, que se acomodara em um sofá pequeno demais para um homem alto como ele. Dunford, que estava sentado diante de Alex, exibiu um sorrisinho presunçoso.

Emma lançou um olhar furioso para os dois, então de se voltou de novo para o futuro primo por a nidade.

– Só precisamos de um pouco mais de tempo – garantiu.

– Emma querida – chamou o marido dela em um tom inacreditavelmente suave. – Pode vir aqui um instante?

Emma o encarou com descon ança e foi até o sofá.

– Está vendo aquele vigário ali? – perguntou Alex em um sussurro.

Ela assentiu.

– Está vendo alguma coisa, hum, vamos dizer, estranha em relação a ele?

Emma inclinou a cabeça enquanto observava o homem corpulento.

– Ele parece um pouco inclinado para a esquerda.

– Exatamente. O homem está aqui há trinta minutos, e aquele é o quarto copo de conhaque que tomou. Acho que devemos seguir logo com a cerimônia, enquanto ainda é possível.

Sem dizer nada, Emma saiu do salão e subiu a escada.

– Acho que não podemos atrasar muito mais – disse, assim que chegou ao quarto de Belle.

– Nem por alguns minutos?

– Não se quiser se casar esta noite.

Belle não tinha ideia do que aquilo signi cava, mas achou melhor não tentar descobrir. Pegou uma peça de renda espanhola branca e prendeu na cabeça.

– Acho que não podemos mais esperar por Ned. É melhor você convocar Alex para me levar até John.

Emma desceu novamente a escada, pegou o marido pela mão e pediu a Persephone que se sentasse ao piano. Ela e Alex se juntaram a Belle no alto da escada bem no momento em que Persephone começou a tocar.

– Santo Deus – comentou Alex quando a cacofonia do piano agrediu seus ouvidos. – Isso é Beethoven?

– Eu poderia jurar que pedi que ela tocasse Bach – falou Belle, franzindo o cenho.

– Acho que também não é Bach – disse Alex. – Acho que não é nada.

– Só podemos torcer para que ela não comece a cantar – acrescentou Emma.

Ela lançou um último sorriso para a prima e desceu a escada como madrinha.

– Persephone di cilmente cantaria pior do que você – provocou Alex.

Belle olhou para a prima, que já estava na metade da escada.

– Acho que ela não escutou – sussurrou.

– Isso provavelmente é uma benção. Vamos?

Alex ofereceu o braço a ela.

– Acho que é a nossa vez.

Enquanto desciam devagar a escada, passando por todas as rosas brancas e cor-de-rosa que Belle encomendara para a cerimônia, o nervosismo e a decepção com a rapidez do casamento desapareceram, deixando em seu lugar uma profunda sensação de satisfação, de alegria. Cada passo a levava mais para perto do homem que amava, o homem cuja vida logo se tornaria inextricavelmente ligada à dela. Quando entrou no salão de visitas e viu John parado perto do padre, com os olhos brilhando de orgulho e desejo, Belle precisou se conter para não correr para os braços dele.

Ela e Alex por m cruzaram o salão, e Alex pousou a mão dela sobre o braço de John e se afastou.

– Irmãos e irmãs! – bradou o Sr. Dawes.

O hálito carregado de álcool atingiu o rosto de Belle. Ela tossiu discretamente e deu um passinho para trás.

Persephone não pegou a deixa e continuou a martelar o piano, divertindo-se muito. Dawes se virou para ela com óbvia irritação e gritou:

– Eu disse “Irmãos e irmãs!”.

Os golpes nas teclas do piano tiveram uma morte lenta e dolorosa.

Belle aproveitou a vantagem da distração momentânea de Dawes para sussurrar para John:

– Tem certeza de que ele é um homem de Deus?

John conteve um sorriso.

– Toda a certeza.

O vigário se virou de novo para o casal.

– Como eu estava dizendo... irmãos e irmãs...

Ele piscou algumas vezes e observou a parca assistência.

– Ou talvez eu devesse me referir diretamente a cada uma das três pessoas presentes.

Belle não conseguiu se conter.

– Há quatro convidados, por gentileza.

– Como?

– Eu disse que há quatro convidados – insistiu ela. – Sei que é um casamento fora do comum, mas gostaria de receber o crédito pelos meus quatro convidados.

Belle percebeu que John se sacudia em uma risada silenciosa.

Dawes não era do tipo que cedia com facilidade a alguém que via como uma mera jovenzinha, ainda mais depois de cinco copos de conhaque.

– Estou vendo apenas três.

– São quatro.

Ele apontou para Alex, então para Emma, depois para Dunford.

– Um... dois... três!

– Quatro! – completou Belle, apontando com uma expressão triunfante para Persephone, que observava a cena, do piano, com óbvio fascínio e júbilo.

Àquela altura, Dunford explodiu em uma risada alta, o que fez com que Emma e Alex, que até ali haviam conseguido manter o controle, também caíssem na gargalhada. Dawes cou com o rosto muito vermelho.

– Ela é a pianista – argumentou.

– Ela é minha convidada.

– Ah, está bem, mocinha impertinente – resmungou o vigário, secando a testa com um lenço. – Irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos diante de quatro testemunhas...

A cerimônia continuou por alguns minutos, abençoadamente sem maiores ocorrências. John mal conseguia acreditar na própria sorte. Mais alguns minutos, pensou, e eles trocariam seus votos, colocariam as alianças, e Belle seria dele por toda a eternidade. Dominado tanto pela alegria quanto pela impaciência, ele se forçou a resistir à ânsia de sacudir o vigário prolixo e insistir que falasse mais rápido. Ele sabia que deveria estar aproveitando cada momento da cerimônia, mas o que realmente queria era que aquilo terminasse logo, para que pudesse sumir para algum lugar onde casse a sós com a esposa por uma semana inteira.

No entanto, as esperanças de John de uma cerimônia rápida foram por água abaixo quando a porta da frente da casa foi aberta com violência. Dawes olhou de relance para John, que assentiu brevemente, sinalizando que ele prosseguisse.

Dawes cambaleou para a frente no momento em que passos pesados atravessavam o saguão. Determinada a não permitir que o casamento fosse interrompido de novo, Belle manteve os olhos rmes no vigário, mas John não conseguiu resistir a se virar quando um jovem de cabelos escuros irrompeu salão adentro. Tinha olhos tão azuis que só poderia ser irmão de Belle.

– Santo Deus! – exclamou Ned Blydon, pulando por cima do sofá. – Já chegaram à parte das objeções?

– Hum, não – falou Dawes, o nariz bulboso e vermelho reluzindo à luz das velas. – Ainda não chegamos.

– Ótimo.

Ned pegou a mão livre de Belle e a arrastou para longe do altar improvisado.

– Você sabe o que está fazendo? – sibilou. – Quem é esse homem? O que você sabe sobre ele? O que está acontecendo? E como ousa me mandar um bilhete dizendo apenas que vai se casar no dia seguinte? O que estava pensando?

Belle esperou pacientemente que ele terminasse de falar.

– A qual pergunta você quer eu responda primeiro?

– Escutem aqui! – bradou Dawes. – Este casamento vai seguir adiante ou não? Tenho...

– Vai continuar – disse John em um tom letal.

– Sou um homem ocupado – balbuciou Dawes. – Tenho...

– Sr. Dawes – interrompeu Dunford suavemente, lançando um sorriso cativante ao homem –, peço perdão por essa interrupção. É um escândalo que um homem da sua importância seja tratado dessa forma. Não quer se juntar a mim para um copo de conhaque enquanto essa questão é esclarecida?

Belle não sabia se deveria agradecer a Dunford ou estrangulá-lo. Naquele ritmo, o vigário acabaria bêbado demais para concluir a cerimônia. Ela revirou os olhos e se voltou para o irmão, que a encarava com uma expressão preocupada.

– Tem certeza de que quer fazer isso? – perguntou ele de novo. – Quem é esse homem?

Alex se adiantou e deu uma palmadinha no ombro de Ned.

– Ele é um bom homem – disse baixinho.

Ao lado do marido, Emma assentiu vigorosamente.

– Você o ama? – perguntou Ned.

– Sim – sussurrou Belle. – Com todo o meu coração.

Ned a tou nos olhos tentando avaliar a profundidade dos sentimentos da irmã.

– Muito bem, então. Peço desculpas pela interrupção – falou, dirigindo-se a todos. – Mas vamos ter que voltar ao começo da cerimônia, porque quero ser eu a entregar minha irmã ao noivo.

– Escute aqui, meu rapaz, já passamos da metade da cerimônia – bradou Dawes. – Sou um homem ocupado.

– Você é um bêbado de rosto vermelho – murmurou Belle para si mesma.

– Disse alguma coisa? – perguntou Dawes, piscando vigorosamente.

Ele se virou para Dunford, a quem agora via como um aliado, e o segurou pelo ombro.

– Ela disse alguma coisa?

Dunford se desvencilhou do vigário.

– Não se preocupe, meu bom camarada, vai receber um bônus pelo aborrecimento. Eu me certi carei disso.

Belle e Ned subiram a escada correndo e haviam acabado de chegar ao topo quando ouviram Dawes dizer:

– Ela vai tocar piano de novo?

Seguiu-se um baque alto, sem que Belle soubesse a origem.

Em segundos, Persephone começou a tocar o piano violentamente e, pela segunda vez naquele dia, Belle desceu a escada para se casar.

– Você está linda – sussurrou Ned.

– Obrigada.

As palavras dele levaram Belle a sorrir, profundamente tocada. Ela e o irmão se amavam muito, mas era o tipo de amor em que implicavam um com o outro em vez de se elogiarem.

Quando Belle chegou ao salão de visitas de novo, os olhos de John ainda brilhavam de orgulho e de amor por ela, mas dessa vez Belle também percebeu um toque de humor. Ela sorriu de volta para ele, um sorrisinho tolo que dizia que não se importava se a cerimônia de casamento deles tivesse se transformado em uma confusão. Tudo o que queria era ele.

A cerimônia prosseguiu de forma extraordinariamente tranquila, considerando-se os contratempos iniciais. Persephone até parou de maltratar o piano assim que Dawes disse mais uma vez:

– Irmãos e irmãs.

E, no momento devido, John e Belle foram declarados marido e mulher.

Todos aplaudiram quando eles se beijaram, embora mais tarde Dunford esclarecesse que seus aplausos tinham sido mais pelo fato de a cerimônia

nalmente ter chegado ao m do que pela felicidade do casal.

Depois dos cumprimentos habituais e do tradicional beijo da noiva em todos os convidados homens (como eram apenas três, não demorou muito), Ned olhou, animado, para a irmã e perguntou:

– Onde é a recepção? Estou faminto.

Belle cou desalentada. Havia se esquecido completamente de uma recepção. E pensar que cara reclamando consigo mesma porque não tinha nada para fazer... Mas a verdade era que, por mais que estivesse radiante por

nalmente estar casada com o homem dos seus sonhos, ela achava que uma

celebração naquela noite pareceria mais um jantar festivo do que uma recepção de casamento.

– Belle decidiu adiar a recepção até seus pais voltarem para casa – interrompeu John, com delicadeza. – Ela achou que sua mãe iria preferir assim.

Ned acreditava que a mãe deles teria preferido que Belle também houvesse adiado a cerimônia de casamento, mas se manteve em silêncio. Ele sorriu com brandura para o agora cunhado, então nalmente fez a pergunta que estivera em sua cabeça a noite inteira.

– Como você e a minha irmã se conheceram?

– Comprei recentemente a propriedade vizinha à de Ashbourne em Westonbirt – respondeu John. – Nós nos conhecemos lá.

– E ele lutou com Alex na Guerra Peninsular – acrescentou Belle. – Eram bons amigos.

Ned encarou John com um respeito renovado.

– Falando da guerra – disse Alex subitamente –, não imagina quem eu vi da minha carruagem quando chegamos.

John se virou para encará-lo.

– Quem?

– George Spencer.

Belle sentiu os dedos de John apertarem com mais força o braço dela. Ele parecia estar prestes a dizer algo, mas nenhum som saiu de sua boca.

– Com certeza você se lembra dele – prosseguiu Alex.

– Quem é George Spencer? – perguntou Belle.

– Apenas um velho conhecido – apressou-se a dizer John.

Alex se inclinou e deu um beijo fraternal no rosto de Belle.

– Acho que está na hora de deixarmos os recém-casados a sós.

Ele sorriu para Emma, que imediatamente fez menção de se preparar para sair.

Porém John o surpreendeu ao pousar a mão com rmeza em seu braço.

– Na verdade, Ashbourne, eu poderia ter uma palavra com você a sós antes de partirem? – pediu em voz baixa.

Alex assentiu e os dois foram para a biblioteca.

John fechou a porta depois que eles entraram.

– Não sei se chegou a ouvir toda a história sobre George Spencer.

Alex inclinou a cabeça.

– Sei que você o forçou a desertar do exército.

– Depois que atirei nele.

– O que disse?

– No traseiro – completou John.

Alex foi até uma mesa próxima, se serviu de um copo de uísque e bebeu de um só gole.

– Por alguma razão em particular?

– Eu o surpreendi estuprando uma jovem espanhola. Uma moça que jurei proteger.

Alex praguejou baixinho e os nós de seus dedos empalideceram ao redor do copo.

– Se George Spencer está rondando pela cidade – comentou John em tom cáustico –, não acho que seja para dar parabéns aos noivos.

Alex ergueu uma sobrancelha.

– Há mais nessa história?

John avaliou as vantagens e desvantagens de contar a Alex sobre o apuro em que se encontrava. A última coisa que desejava era arrastar um homem casado, com um lho a caminho, para uma situação potencialmente fatal. Mas a verdade era que ele mesmo tinha uma esposa agora e, levando em consideração seus planos para o futuro próximo, achava que um bebê talvez não demorasse muito a chegar. O peso dessas novas responsabilidades o levou a pensar melhor e ele se lembrou das palavras de Belle, poucos dias antes.

Você não pode fazer isso sozinho.

Até ali, John não tinha ideia de como seguir o conselho dela. Vivia por conta própria fazia tanto tempo que não sabia pedir ajuda ou mesmo aceitá-la. Alex era da família agora – um parentesco por casamento, mas da família mesmo assim. John se sentia muito mais próximo do amigo do que já se sentira de seus irmãos ou irmãs. Damien, por sinal, não encontrara tempo nem para comparecer ao casamento.

Alex e Emma, por sua vez, tinham saído às pressas do campo para chegar a tempo de acompanharem a cerimônia. John começava a experimentar a cálida sensação de pertencer a uma família. Ele olhou para Alex, que o observava com atenção.

– Estou com um problema – falou John, em voz baixa.

Alex inclinou a cabeça.

– George Spencer está tentando me matar.

Alex respirou fundo.

– Tem certeza?

– Tenho certeza de que alguém está tentando me matar – respondeu John. – E não consigo aceitar que a presença de Spencer do lado de fora desta casa seja coincidência.

Alex correu a mão pelos cabelos. Ele se lembrava da raiva de Spencer quando John o forçara a desertar.

– Não. Não é coincidência. Nós vamos ter que fazer alguma coisa a respeito.

John cou surpreso com o alívio que sentiu por Alex usar a palavra “nós”.

– Onde vão passar a noite?

Aquela não era uma pergunta sem fundamento. A nal, John se casara fazia menos de uma hora. Sob circunstâncias normais, ele e Belle partiriam para uma viagem de lua de mel ou para a mansão Bletchford, para passarem algum tempo sozinhos. Mas ele não achava que os dois estariam seguros no campo – havia janelas e portas de mais na casa dele pelas quais Spencer poderia entrar sem ser visto. Londres provavelmente era mais segura, no mínimo porque havia muitas pessoas por perto, que poderiam testemunhar qualquer ataque de Spencer.

– Não sei – disse John, por m. – Andei ocupado e nem pensei a respeito. Não gostaria de levar Belle para a casa do meu irmão.

– Fiquem aqui – sugeriu Alex. – Levarei Persephone para passar a noite na minha casa. Belle com certeza não precisa mais de uma acompanhante.

Ele deu um sorrisinho para John.

– Você se apressou em garantir isso.

John não conseguiu conter um sorriso.

– Vou mandar mais alguns criados para cá – acrescentou Alex. – Este lugar já está lotado deles, mas não fará mal ter mais alguns. Quanto mais pessoas houver aqui, mais seguros vocês estarão.

– Obrigado – disse John. – Eu também estava considerando a possibilidade de contratar um guarda-costas pelas próximas semanas.

– Boa ideia. Eu cuidarei disso.

– Não é necessário.

– Pelo amor de Deus, homem, você acabou de se casar. Deixe que eu me preocupe com os benditos guarda-costas.

John assentiu e percebeu que poderia se acostumar com a ideia de que agora tinha uma família que se importava com ele.

– Emma e eu permaneceremos na cidade até resolvermos isso – continuou Alex. – Entre em contato comigo pela manhã e decidiremos o que fazer em relação a Spencer.

– Farei isso.

– E, nesse meio-tempo, tenha uma esplêndida noite de núpcias.

John sorriu.

– Com certeza terei.

Eles ouviram uma batida à porta e Belle en ou a cabeça por uma brecha.

– Já terminou com ele, Alex? – perguntou. – Porque é a minha noite de núpcias, sabe, e acho que tenho direito ao meu marido.

– Na verdade, estávamos falando exatamente desse assunto – retrucou Alex com um sorriso malicioso. – Portanto, acho que vou procurar minha esposa e voltar para casa.

Belle balançou a cabeça quando Alex saiu da biblioteca.

– De que exatamente ele estava falando? – perguntou ao marido.

Ele passou o braço ao redor dos ombros dela enquanto deixavam a biblioteca.

– Eu lhe contarei tudo amanhã.

Os poucos convidados partiram logo depois. Antes de ir embora, porém, Emma pegou a mão de Belle e puxou a prima de lado.

– Você, hum, precisa conversar comigo? – sussurrou.

– Acho que não – sussurrou Belle de volta.

– Tem certeza?

– De quê?

– De que não precisa conversar comigo?

– Emma, de que você está falando?

– Sobre o amor no casamento, tolinha. Precisa conversar comigo?

– Ah, bem, não. Não, eu não preciso.

Emma recuou com um sorrisinho no rosto.

– Tive a sensação de que não precisava.

Ela soltou a mão da prima e se afastou alguns passos. Então se virou e disse:

– Muito bem, então, tenha uma boa noite.

Belle sorriu.

– Ah, eu terei. Eu terei.

– De que estavam falando? – perguntou John, inclinando-se para beijar o pescoço da esposa agora que todos os convidados haviam partido.

– Eu lhe contarei amanhã.

– Muito bem. Tenho outras coisas em mente esta noite.

Ele a guiou na direção da escada.

– Eu também.

Ela o acompanhou com animação.

– Em que você está pensando? – perguntou John quando chegaram ao andar de cima. – Neste momento... exato.

– Estava pensando que estou feliz por carmos aqui esta noite.

– Hum, eu também estou. Teríamos demorado demais para chegar em casa.

– Está se referindo à casa do seu irmão?

– Não, bobinha. À mansão Bletchford.

Belle sorriu.

– Parece que já se passou tanto tempo desde que estive lá. Nem havia me ocorrido que tenho um novo lar.

– Não é uma casa grande – comentou John, baixinho.

– É grande o bastante para mim.

– E o nome é terrível.

– Isso pode ser consertado.

– Não temos muitos criados.

– Não preciso de muitos. E pare de tentar diminuir a mansão Bletchford. A casa tem excelentes qualidades.

– É mesmo?

Eles ainda estavam parados no alto da escada.

– Ah, sim – falou Belle com um sorriso sedutor. – As roseiras são lindas.

– Isso é tudo?

– Há um lindo tapete no salão de visitas.

– O que mais?

– Ora – continuou Belle com um sorriso quando eles entraram no quarto. – E há o senhor da casa.

– O senhor da casa?

Os olhos de John se iluminaram de prazer.

– Ele é muito bonito.

– Você acha?

Ele fechou a porta com um chute.

– Ah, sim, muito.

John levou as mãos à leira de botões encapados que fechavam o vestido dela nas costas.

– Tenho um segredo para lhe contar.

– Tem?

Belle sentiu o coração acelerar ao toque quente de John em sua pele.

– Hummm. Esse senhor da mansão de que você está falando...

– Sim?

– Ele também gosta de você.

– É mesmo?

John abriu o último botão e o vestido escorregou pelo corpo de Belle, deixando-a coberta apenas por uma pequena peça de seda que atordoou os sentidos dele.

– Ele gostaria de ser o senhor do seu prazer esta noite.

– Senhor do meu prazer? – questionou Belle, com apenas um toque de repreensão descontraída na voz.

– Bem, ele já fez isso antes e gostou bastante.

– É verdade?

Belle mal conseguiu pronunciar as palavras, já que as mãos de John agora subiam por suas pernas, elevando acima das coxas dela a camisa de baixo.

– Muito, muito.

– O bastante para passar a vida fazendo isso? – perguntou ela.

– Sim. O bastante para deixar que você seja a senhora do prazer dele.

Belle inclinou a cabeça e sorriu.

– É mesmo?

– Ah, sim.

Os lábios de John chegaram à depressão onde o pescoço dela encontrava o ombro.

Belle sentiu que ele a guiava até que ela encostasse na cama. A boca de John agora cobria um dos seus seios, e ela estava tendo muita di culdade em permanecer de pé. Os dois caíram juntos em cima da cama.

O calor do corpo de John a pressionou contra o colchão por um breve momento até ele se erguer e arrancar a camisa.

– Meu Deus, Belle – falou John, a voz entrecortada. – Se você soubesse...

– Se eu soubesse o quê? – perguntou ela baixinho, deixando os olhos deslizarem pelo peito masculino com uma expressão de puro deleite.

As mãos dele, que estavam abrindo os botões da calça, caram imóveis.

– Quanto... o que você...

John balançou brevemente a cabeça, como se para conseguir forçar as palavras a saírem.

– A minha vida era... – começou a falar, mas se interrompeu. – Não sei como dizer isso.

Belle estendeu a mão e pegou a dele.

– Então me mostre.

John encostou a palma da mão da esposa em seu coração.

– Ele bate por você – sussurrou. – Só por você.

Ele se moveu devagar na direção dela, como se estivesse sendo puxado por algum o invisível que ligava os dois. O resto das roupas de John caiu no chão e então ele estava com Belle, o calor de seus corpos separado apenas pela seda na da camisa de baixo.

Belle sentiu a urgência fervilhar dentro dele. As mãos de John deslizavam pela pele dela com uma energia quase frenética, levando o desejo a disparar por todo o corpo, incendiado pelas mãos e pelos lábios de John, pelos seus sussurros incoerentes.

Belle puxou a camisa de baixo, tentando arrancá-la pela cabeça, mas John abaixou suas mãos.

– Deixe-a – pediu. – Eu gosto dela.

– Mas quero sentir você – reclamou ela em um arquejo.

– Você pode.

Ele espalmou a mão sobre o abdômen dela.

– E eu posso sentir você. E sinto o toque da seda, sinto calor, sinto desejo.

Uma onda de desejo se espalhou pelo ventre de Belle. A respiração dela saía em breves arquejos. O quadril de John estava pressionado contra o dela, a evidência do desejo dele aninhada entre as pernas dela.

– John, eu...

– O que foi, meu bem?

– Quero sentir você.

Um arrepio percorreu o corpo dele, e Belle sentiu a tensão dos músculos de John enquanto ele se esforçava para controlar o próprio desejo.

– Não precisa ir devagar – sussurrou ela. – Eu também quero.

Os olhos de John encontraram os dela.

– Belle, não quero machucar você.

– Não vai me machucar. Você nunca seria capaz de me machucar.

Ele levou as mãos até as pernas dela e as afastou lentamente, levantando a seda no caminho. A ponta do membro dele encontrou a entrada no corpo dela e começou a arremeter.

Belle prendeu a respiração ao sentir que ele a penetrava. Era o mais íntimo dos beijos, e ela arqueou o quadril para trazer John ainda mais para perto. Os movimentos dele se tornaram mais rápidos e mais furiosos.

A sensação foi se avolumando dentro dela. Uma força. Uma tensão. Aumentando, preenchendo-a.

A respiração de John cou mais irregular. Ele afundou os dedos nos cabelos dela, arquejando seu nome enquanto a penetrava, e seu corpo se perdeu em um ritmo primitivo.

Belle havia entrado em uma espiral em direção ao êxtase. Ela cravou as unhas nas costas do marido, tentando alcançar uma sensação que chegava cada vez mais perto... até que chegou. O prazer a dominou completamente e ela gritou o nome dele.

Mas John não a ouviu. Os gritos de Belle foram abafados pelos dele, que arremeteu uma última vez e explodiu. Ele se deixou cair em cima dela, com o corpo pesado de exaustão.

Muitos minutos mais tarde, John rolou para o lado, puxando Belle junto. Seus corpos estavam separados agora, mas John a mantinha colada a ele.

– Quero adormecer com você nos meus braços – sussurrou. – Quero sentir sua pele, seu cheiro. Quero saber que você está aqui.

Belle se aconchegou mais a ele.

– Não vou a lugar nenhum.

John suspirou e um sorriso se formou em seus lábios. Ele en ou o rosto nos cabelos dela e deu um beijo no alto de sua cabeça.

– Minha esposa – disse John, incapaz de conter o tom de deslumbramento na voz. – Minha esposa.