Brilhante

Julia Quinn · Capítulo 26 de 26

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Brilhante

Capítulo 24

 

 

Poucas semanas depois, John e Belle estavam aconchegados na cama, na propriedade que agora se chamava Parque Persephone, aproveitando imensamente as relativas paz e tranquilidade. Belle folheava um livro, como sempre fazia antes de dormir, e John estava debruçado sobre alguns documentos.

– Você cou muito bem com seus óculos novos – comentou ele com um sorriso.

– Acha mesmo? Acho que eles me fazem parecer inteligente.

– Você é inteligente.

– Sim, mas os óculos me dão um ar mais sério, não concorda?

– Talvez.

John deixou os documentos sobre a mesa de cabeceira, inclinou-se e deu um beijo molhado em uma das lentes.

– Jo-ohn!

Belle tirou os óculos para limpá-los na colcha.

Ele os pegou da mão dela.

– Fique sem eles.

– Mas não consigo ler sem...

John tirou o livro da mão dela.

– Também não vai precisar disso.

O livro escorregou para o chão e John cobriu o corpo dela com o dele.

– Está na hora de dormir, não acha?

– Talvez.

– Só talvez?

Ele deu uma mordidinha no nariz dela.

– Ando pensando... – começou a dizer Belle.

– Torço por isso.

– Pare de brincadeira – ralhou Belle e fez cócegas nas costelas dele. – Estou falando sério.

John tou os lábios da esposa pensando em mordê-los.

– O que tem em mente, meu bem?

– Ainda quero um poema.

– O quê?

– Um poema de amor seu para mim.

John suspirou.

– Eu z o pedido de casamento mais romântico que uma mulher já recebeu. Subi em uma árvore por você. Fiquei de joelhos. Para que precisa de um poema?

– É algo que posso guardar. Algo que nossos bisnetos vão descobrir bem depois de estarmos mortos e vão dizer: “Nosso bisavô sem dúvida amava nossa bisavó.” Não acho assim tão tolo.

– Você também vai escrever um poema para mim?

Belle pensou a respeito por um instante.

– Vou tentar, mas não tenho a mesma veia poética que você.

– Ora, como sabe disso? Eu lhe garanto que a minha veia poética é lamentável.

– Eu não gostava de poesia antes de conhecê-lo. Ao passo que você sempre amou poesia. Assim, deduzo que tenha uma mente mais poética do que a minha.

John abaixou os olhos para ela. O rosto da esposa brilhava de amor e devoção sob a luz das velas, e ele sabia que não seria capaz de lhe negar nada.

– Se eu prometer escrever um poema para você, promete que vai me deixar beijá-la loucamente sempre que eu desejar?

Belle riu.

– Você já faz isso.

– Mas em todos os cômodos da casa? Posso fazer isso no meu escritório, na sua saleta íntima, no salão verde e no salão azul e...

– Pare! Pare! Eu imploro – disse Belle às gargalhadas. – Aliás, qual deles é o salão verde?

– O que tem a mobília toda azul.

– Então qual é o azul?

John cou desconcertado.

– Não sei.

Belle conteve um sorriso.

– Mas posso beijá-la nele?

– Suponho que sim, mas só se me beijar agora.

John gemeu de prazer.

– Às suas ordens, milady.

 

Alguns dias depois, Belle estava passando a tarde em sua saleta íntima, lendo e escrevendo cartas. Ela e John haviam planejado ir até Westonbirt para visitar Alex e Emma, mas o clima inclemente frustrara seus planos.

Belle estava diante da escrivaninha, observando a chuva bater contra a janela, quando John entrou, as mãos en adas nos bolsos feito um menino.

– Que surpresa agradável – disse ela. – Achei que você estivesse avaliando aqueles investimentos que Alex mandou.

– Senti saudades de você.

Belle sorriu.

– Você poderia trazer os documentos e ler aqui. Prometo não distraí-lo.

John deu um beijo nas costas da mão da esposa.

– Sua mera presença me distrai, meu bem. Eu não conseguiria ler nem uma palavra. Você prometeu que eu poderia beijá-la em todos os cômodos da casa, lembra-se?

– Falando nisso, não ia escrever um poema de amor para mim, em troca?

John balançou a cabeça com um ar inocente.

– Acho que não.

– Eu me lembro perfeitamente da parte sobre o poema. Talvez eu tenha que limitar seus beijos aos cômodos do andar de cima.

– Você joga sujo, Belle – acusou ele. – Essas coisas levam tempo. Acha que Wordsworth cria um poema de uma hora para outra porque lhe fazem uma encomenda? Acho que não. Os poetas lapidam cada palavra. Eles...

– Você escreveu um poema para mim?

– Ora, eu comecei um, mas...

– Ah, por favor, por favor, leia para mim!

Os olhos de Belle se iluminaram de tanta expectativa, e John achou que ela parecia uma menina de 5 anos que recebera permissão para comer mais um doce.

– Tudo bem.

Ele suspirou.

– Ainda estou trabalhando no poema, mas adianto que é uma ode aos cabelos loiros do meu amor, ao rosa em seu rosto corado, à brisa que sopra, ao fogo do amor que brilha em seus olhos... Só precisa ser um pouco mais lapidado.

Belle estreitou os olhos.

– Se não estou enganada, alguém escreveu algo muito semelhante a isso séculos antes de você. Spenser, creio eu.

Com um sorriso, ela ergueu a obra que vinha lendo. Poemas reunidos de Edmund Spenser.

– Você teria conseguido me enganar uma hora atrás.

John cou emburrado.

– Eu teria escrito esse poema se Spenser não tivesse pensado nele primeiro.

Belle esperou pacientemente.

– Ah, você venceu – falou John. – Lerei o meu. Ram-ram. “Ela caminha em beleza...”

– Pelo amor de Deus, John, você já tentou esse!

– É mesmo? – murmurou ele. – Tentei, não foi?

Belle assentiu.

Ele respirou fundo.

– “Em Xanadu, o Kubla Khan palácio de esplendor construiu...”

– Você está cando desesperado, John.

– Ah, pelo amor de Deus, Belle, vou ler o meu. Mas já estou lhe avisando, é... bem, é... Ah, você vai ver.

Ele en ou a mão no bolso e pegou uma folha de papel dobrada muitas vezes. De onde estava sentada, Belle pôde ver que o papel estava riscado em vários lugares e que o texto fora muito editado. John pigarreou e levantou os olhos para ela.

Belle sorriu de tanta expectativa e porque queria encorajá-lo.

Ele pigarreou de novo.

– Meu amor tem olhos azuis como o mar/ Seu cálido sorriso me faz querer tentar/ o mundo lhe oferecer/ E quando ela se aconchega em meus braços,/ onde sinto seu toque e vejo como é bela/ Me dou conta mais uma vez do meu enorme amor por ela/ Meu mundo agora é brilhante/ Beijando sob as estrelas, deleitando-me ao sol,/ dançando à meia-noite.

John levantou a cabeça e, hesitante, encarou a esposa.

– Precisa de alguns ajustes, mas acho que consegui ajeitar a maior parte das rimas.

Belle o encarava e seu lábio inferior tremia de emoção. O que faltava em habilidade no poema era mais do que compensado pela emoção e pelo signi cado. O fato de John ter se dedicado por tanto tempo a uma tarefa para a qual obviamente não tinha aptidão, só porque ela lhe pedira que

zesse aquilo... Belle não conseguiu se conter e começou a chorar, as

lágrimas pesadas rolando pelo rosto.

– Ah, John. Você realmente, realmente me ama.

John foi até ela, fez com que se levantasse e a puxou para os braços.

– Eu amo, meu amor. Acredite em mim, realmente, realmente amo.

CARTA DA AUTORA

 

Querido leitor,

“O que vem primeiro”, alguém me perguntou certa vez, “os

personagens ou a trama?” Acho quase impossível de responder a

perguntas como essa, já que parecem sugerir que haja algum tipo de

método na loucura que é a minha carreira de escritora. A verdade é que

varia de livro para livro. No entanto, no caso de Brilhante, meu segundo

romance, sem dúvida o que surgiu primeiro foram os personagens.

Comecei com Belle Blydon, que tivera um papel tão importante no

meu primeiro romance, Esplêndida. Eu já sabia quem ela era – uma

intelectual reservada que só queria encontrar o amor verdadeiro. O par

de Belle, no entanto, foi um pouco mais complicado. Eu já tinha escrito

uma história alegre e animada e queria experimentar algo novo. Assim,

criei John Blackwood, um herói de guerra assombrado por lembranças

violentas e que acreditava não merecer uma chance de ser feliz. Ele era

um homem torturado em todos os sentidos da palavra.

E, de repente, me vi diante de um novo desa o: eu conseguiria

escrever um livro com temas sérios e sombrios e ainda assim torná-lo

envolvente e divertido? Seria capaz de criar personagens com problemas

muito reais e obstáculos a serem superados e ainda fazer os leitores

rirem?

Espero que sim e espero que você tenha se divertido lendo Brilhante.

Com carinho,

SOBRE A AUTORA

 

 

Julia Quinn começou a trabalhar em seu primeiro romance um mês depois de terminar a faculdade e nunca mais parou de escrever. Seus livros foram traduzidos para 37 idiomas e ultrapassaram a marca de 15 milhões de exemplares vendidos, sendo mais de 2 milhões no Brasil. A série Os Bridgertons foi adaptada pela Net ix e se tornou um sucesso instantâneo, quebrando os recordes de audiência da plataforma.

Julia é formada pelas universidades Harvard e Radcliffe e foi a autora mais jovem a ser incluída na Galeria da Fama dos Escritores Românticos dos Estados Unidos. Atualmente mora com a família no Noroeste Pací co.

www.juliaquinn.com

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