Estilhaça-me

Tahereh Mafi · Capítulo 33 de 51

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Estilhaça-me

Capítulo 33

Ele está lutando por muito mais do que por si próprio.

 

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33

— Por que você não dá uma olhada nesses machucados?

Adam está de pé na frente da porta de James, suas mãos enfiadas nos bolsos. Ele está vestindo uma camiseta vermelho-escura que lhe aperta o corpo. Seus braços são habilmente esculpidos, pintados com tatuagens profissionais. Ele me surpreende olhando para elas. Encontro-o do outro lado da sala, toco os desenhos sobre sua pele. Balanço a cabeça.

Ele quase sorri. Sacode a cabeça um milímetro apenas.

— O quê? — Tiro minha mão.

— Nada. — Ele sorri. Desliza os braços ao redor de minha cintura. — Só não consigo acreditar ainda. Você está mesmo aqui. Na minha casa.

O calor sobe-me o pescoço e eu caio de uma escada sobre um pincel mergulhado no vermelho.

Elogios não são coisas que eu saiba como processar. Mordo o lábio.

— Onde você conseguiu a tatuagem?

— Estas? — Ele olha novamente para os braços.

— Não. — Estendo a mão para sua camiseta, puxando-a para cima de modo tão desastroso que ele quase perde o equilíbrio. Ele cambaleia para trás e recosta na parede. Levanto o tecido até o colarinho. Resisto ao rubor. Toco seu peito.

— Onde você conseguiu esta?

— Ah. — Ele está olhando para mim, mas de repente sou distraída pela beleza de seu corpo e as calças cargo estão situadas um pouco abaixo demais da cintura. Percebo que ele deve ter tirado o cinto. Forço meus olhos para cima. Permito que meus dedos apalpem-lhe descendo o abdome. Sua respiração é tensa.

— Eu não sei... — diz ele. — Eu só... fiquei sonhando com este pássaro branco. Os pássaros costumavam voar, você sabe.

— Você costumava sonhar com ele?

— Sim. O tempo todo. — Ele sorri um pouco, expira um pouco, a relembrar. — Era bom. Sentia-me bem... esperançoso. Quis me agarrar a essa memória porque não tinha certeza se duraria. Então a tornei permanente.

Cubro a tatuagem com a palma de minha mão.

— Costumo sonhar com este pássaro o tempo todo.

— Este pássaro? — Suas sobrancelhas poderiam tocar o céu.

Faço que sim com a cabeça.

— Exatamente este. — A compreensão toma seu devido lugar. — Até o dia em que você apareceu na cela. A partir de então não sonhei mais. — Olho para ele.

— Você está brincando? — Mas ele sabe que não estou.

Baixo sua camiseta e recosto minha testa em seu peito. Inalo seu perfume. Ele não perde tempo puxando-me para mais perto. Descansa o queixo na minha cabeça, suas mãos nas minhas costas.

E permanecemos assim até que estou velha demais para me lembrar de um mundo sem o seu calor.

Adam limpa meus cortes em um banheiro ao lado. Trata-se de uma salinha com um toalete, um espelho pequeno e um chuveiro minúsculo. Amo tudo isso. Quando saio do banheiro, depois de finalmente me trocar e lavar as mãos e o rosto para dormir, Adam está me esperando no escuro. Há cobertores e travesseiros dispostos no chão e isso parece o paraíso. Estou tão exausta que poderia dormir durante alguns séculos.

Deslizo até o seu lado e ele me encaixa em seus braços. A temperatura neste lugar é bem mais baixa, e Adam é a perfeita fornalha. Enterro meu rosto no seu peito e ele me puxa firme. Meus dedos descem suas costas nuas, sinto os músculos tensos sob meu toque. Pouso minha mão na cintura de suas calças. Engancho meu dedo em um passador do cinto. Experimento o gosto das palavras na minha língua.

— Eu pretendia isso, você sabe.

— Pretendia o quê...? — Embora ele saiba exatamente o que pretendo.

Fico tão tímida assim de repente. Tão cega, tão desnecessariamente atrevida. Não sei nada sobre o assunto em que estou me aventurando. Tudo o que sei é que eu não quero em mim as mãos de mais ninguém senão as dele. Eternamente.

Adam inclina-se para trás e eu posso apenas distinguir o contorno de seu rosto, seus olhos sempre brilhando na escuridão. Olho para seus lábios quando digo: — Nunca pedi para você parar. — Meus dedos pousam sobre o botão que prende suas calças. — Nenhuma vez.

Ele está me encarando, seu peito subindo e descendo algumas vezes por minuto. Ele parece quase paralisado de tão incrédulo.

Inclino-me ao seu ouvido.

— Toque em mim.

E ele está quase desvanecido.

Meu rosto está em suas mãos e meus lábios estão em seus lábios e ele está me beijando e eu sou oxigênio e ele está morrendo para respirar. Seu corpo está quase em cima do meu, uma mão em meu cabelo, a outra descendo minha silhueta, deslizando para trás de meu joelho para me puxar para mais perto, mais alto, mais firme. Ele derrama beijos por minha garganta como êxtase, energia elétrica queimando em mim, incendiando-me. Estou à beira da combustão causada pela emoção absoluta de cada momento. Quero mergulhar em seu ser, experimentá-lo com todos os cinco sentidos, afogar-me nas ondas de mistério que envolvem minha existência.

Quero provar a paisagem de seu corpo.

Ele toma minhas mãos e pressiona-as contra seu peito, guiando meus dedos conforme estes trilham a extensão de seu corpo antes que seus lábios encontrem os meus de novo e de novo e mais uma vez, embriagando-me em um delírio de que nunca desejei escapar. Mas não é o bastante. Ainda não é o bastante. Quero me fundir nele, traçar a forma de sua figura unicamente com meus lábios. Meu coração está correndo pelo meu sangue, destruindo meu autocontrole, fazendo tudo girar em um ciclone de intensidade. Ele faz uma pausa para tomar ar e eu o puxo de volta, ávida de desejo, desesperada, morrendo por seu toque. Suas mãos deslizam sob minha blusa, contornando minhas curvas, tocando-me como ele nunca antes ousou, e minha blusa está quase sobre minha cabeça quando uma porta se abre rangendo. Nós dois congelamos.

— Adam...?

Ele mal consegue respirar. Ele tenta se abaixar deitando-se em um travesseiro ao meu lado, mas ainda posso sentir seu calor, sua forma, seu coração batendo aos meus ouvidos. Estou reprimindo um milhão de gritos. Adam inclina sua cabeça para cima, apenas um pouco. Tenta parecer normal.

— James?

— Posso vir dormir aqui com vocês?

Adam senta-se ereto. Ele está respirando com dificuldade, mas fica alerta de repente.

— Claro que pode. — Uma pausa. Seu tom de voz diminuiu, amolece. — Teve sonhos ruins?

James não responde.

Adam está de pé.

Escuto o soluço abafado de lágrimas de dez anos de idade, mas mal consigo distinguir o contorno do corpo de Adam abraçando James.

— Achei que você disse que estava melhorando — escuto-o sussurrar, mas suas palavras são afáveis, não acusadoras.

James diz algo que não consigo ouvir.

Adam levanta James, e eu percebo quão pequeno James é em comparação a ele. Eles desaparecem dentro do quarto apenas para retornarem com o colchão e as roupas de cama. Somente quando James está aconchegado em um lugar a alguns centímetros de Adam é que ele finalmente se entrega à exaustão. Sua respiração pesada é o único ruído na sala.

Adam vira-se para mim. Tenho sido uma fatia do silêncio, impressionada, chocada, ferida profundamente por esta lembrança. Não faço ideia do que James testemunhou em tão tenra idade. Não faço ideia do que Adam teve de suportar ao deixá-lo para trás. Não faço mais ideia de como as pessoas vivem. De como elas sobrevivem.

Não sei o que aconteceu com meus pais.

Adam toca meu rosto. Encaixa-me em seus braços. Diz: — Lamento — e eu o beijo, como a responder que as desculpas não são necessárias.

— Quando for a hora certa — digo a ele.

Ele engole. Recosta-se em meu pescoço. Aspira. Suas mãos estão sob minha blusa. Sobem minhas costas.

Contenho um suspiro.

— Breve.