Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

J. K. Rowling · Capítulo 11 de 16

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Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

Ato Quatro

ATO TRÊS, CENA UM

HOGWARTS, ESCRITÓRIO DA DIRETORA

ESCÓRPIO entra no escritório de DOLORES UMBRIDGE, usando vestes escuras. Está com um olhar pensativo, e permanece em alerta.

DOLORES UMBRIDGE: Obrigado por vir.

ESCÓRPIO: Sim, Diretora.

DOLORES UMBRIDGE: Estive pensando ultimamente, e percebi que você tem potencial para se tornar monitor chefe. É um puro-sangue, líder nato, muito atlético.

ESCÓRPIO: Atlético?

DOLORES UMBRIDGE: Sem modéstias, por favor. O vi no campo de Quadribol, e difíceis são os pomos de ouro que você não pega. É um estudante de alto valor — por sua capacidade, especialmente para mim. Falei muito bem de você no meu relatório a Agoureiro. Nosso trabalho de excluir os alunos mais fracos, está transformando esta escola em um lugar mais seguro e puro.

ESCÓRPIO: Falou?

Há o som de grito vindo de fora. ESCÓRPIO se vira. Mas ignora o pensamento. Ele deve e vai se controlar.

DOLORES UMBRIDGE: Mas nestes três dias, desde que o encontrei no lago no Dia de Voldemort, tem se tornado um pouco estranho. Particularmente, esta repentina obsessão por Harry Potter...

ESCÓRPIO: Eu não...

DOLORES UMBRIDGE: Questionando a todos sobre a Batalha de Hogwarts, como e o porque Potter morreu. E esta fascinação ridícula por Cedrico Diggory. Escórpio, procuramos por encantamentos ou maldições em você, e não encontramos nada. Penso se há alguma coisa que eu possa fazer, para que volte a ser quem era antes.

ESCÓRPIO: Não. Não. Está tudo bem. É só algo temporário.

DOLORES UMBRIDGE: Então podemos continuar nosso trabalho?

ESCÓRPIO: Claro.

Ela coloca a mão no coração, e junta os pulsos.

DOLORES UMBRIDGE: Por Voldemort e Valor.

ESCÓRPIO ( tentando copiar): Por... ahn. Sim.

ATO TRÊS, CENA DOIS

HOGWARTS, TERRENOS

KARL JENKINS: Ei, Rei Escórpio.

Ele bate na mão de ESCÓRPIO. Dói, mas aguenta.

YANN FREDERICKS: Já está de pé? Não é amanhã à noite?

KARL JENKINS: É porque estamos prontos para derramar as tripas de alguns sangues-ruins.

POLLY CHAPMAN: Escórpio.

POLLY CHAPMAN está nas escadas. ESCÓRPIO vira para ela, surpreso em ouvi-la dizer seu nome.

ESCÓRPIO: Polly Chapman?

POLLY CHAPMAN: Podemos pular esta parte? Sei que todos estão esperando para saber quem você irá convidar, porque, como sabe, precisa levar alguém, e já fui convidada por três pessoas, mas recusei. Se quiser, pode me chamar.

ESCÓRPIO: Certo.

POLLY CHAPMAN: Seria ótimo, se estiver interessado. Só quero deixar claro que, agora, também estou.

ESCÓRPIO: Isso é bom. Mas, do que estamos falando?

POLLY CHAPMAN: O Baile de Sangue. Quem levará?

ESCÓRPIO: Quer que eu te leve a um baile?

Há o som de um grito atrás dele.

ESCÓRPIO: Que grito é esse?

POLLY CHAPMAN: De sangues-ruins, nas masmorras. Sua ideia, não foi? O que tem de errado? Ah Potter, tem sangue nos meus sapatos de novo.

Ela se curva e cuidadosamente limpa o sangue.

POLLY CHAPMAN: Como Agoureiro insiste em fazermos nosso futuro, então estou aqui, fazendo um, com você.

Por Voldemort e Valor.

ESCÓRPIO: Por Voldemort... É.

POLLY sai, e ESCÓRPIO a olha angustiado. Que mundo é esse? E o que tem nele?

ATO TRÊS, CENA TRÊS

MINISTÉRIO DA MAGIA, ESCRITÓRIO DO CHEFE DE

EXECUÇÃO DAS LEIS DA MAGIA

DRACO está impressionante, de um jeito que ainda não tínhamos visto. Ele tem o aroma do poder. Voando na sala, há bandeiras de Agoureiro, com um pássaro desenhado de forma fascista.

DRACO: Está atrasado.

ESCÓRPIO: É seu escritório?

DRACO: Está atrasado e não pediu desculpas. Talvez queira piorar o problema.

ESCÓRPIO: Você é Chefe de Execução das Leis da Magia?

DRACO: Como se atreve a me envergonhar, me deixar esperando e não se desculpar?

ESCÓRPIO: Desculpe.

DRACO: Senhor.

ESCÓRPIO: Desculpe, senhor.

DRACO: Não te criei para ser desleixado, Escórpio. Para me humilhar em Hogwarts.

ESCÓRPIO: Humilhá-lo?

DRACO: Harry Potter. Fazendo perguntas sobre Harry Potter, dentre todas as coisas. Como se atreve a desonrar o nome dos Malfoy?

ESCÓRPIO: Ah, não. Você é o responsável? Não. Não. Não pode ser.

DRACO: Escórpio...

ESCÓRPIO: O Profeta Diário de hoje. Três bruxos explodindo pontes para descobrir quantos trouxas conseguem matar de uma vez. Foi você?

DRACO: Tenha cuidado.

ESCÓRPIO: Os campos de extermínio de “sangues-ruins”, a tortura, queimar vivos aqueles que se opuserem. Por quantas coisas foi responsável? Mamãe sempre disse que você era um homem melhor do que eu poderia enxergar, mas é isto o que é, não é? Um assassino, um torturador, um...

DRACO levanta e puxa ESCÓRPIO pela mesa. A violência é surpreendente e mortal.

DRACO: Não use o nome dela em vão, Escórpio. Não tente ganhar pontos assim. Ela merece mais do que isso.

ESCÓRPIO não diz nada, horrorizado e assustado. DRACO percebe. Ele solta ESCÓRPIO, pois não gosta de machucá-lo.

DRACO: Não tenho nada a ver com as mortes daqueles trouxas idiotas, embora Agoureiro tenha me pedido que subornasse o Primeiro-Ministro trouxa com ouro. Sua mãe realmente disse aquilo sobre mim?

ESCÓRPIO: Disse que o vovô não gostava muito dela, e que era contra seu casamento. Que achava que ela gostava muito dos trouxas, que era fraca. Mas que você a defendeu. E que foi a coisa mais corajosa que já tinha visto.

DRACO: Sua mãe era muito corajosa.

ESCÓRPIO: Mas foi antes. Você era diferente.

Ele olha para o pai, que o olha de volta, carrasco.

ESCÓRPIO: Fiz coisas ruins, você fez piores. O que nos tornamos, pai?

DRACO: Não nos tornamos nada. Somos quem somos.

ESCÓRPIO: Os Malfoy sempre foi a família em que se pode contar para fazer do mundo um lugar mais escuro.

Isto afeta DRACO. Ele olha cuidadosamente para o filho.

DRACO: O que aconteceu na escola tem algum motivo?

ESCÓRPIO: Não quero ser quem sou.

DRACO: E o que trouxe isso à tona?

ESCÓRPIO pensa, desesperadamente, em um jeito de contar sua história.

ESCÓRPIO: Me vi de outro jeito.

DRACO: Sabe o que mais amava na sua mãe? Que sempre conseguia me fazer encontrar a luz no meio da escuridão.

Fazia do mundo — do meu, pelo menos — um lugar menos sombrio.

ESCÓRPIO: Fazia?

DRACO prestou atenção no filho.

DRACO: Há mais dela em você do que eu imaginava.

Há uma pausa. Ele olha cuidadosamente para ESCÓRPIO.

DRACO: Seja cuidadoso em tudo o que fizer. Não posso perdê-lo também.

ESCÓRPIO: Sim, senhor.

DRACO olha o filho pela última vez, tentando entendê-lo.

DRACO: Por Voldemort e Valor.

ESCÓRPIO olha para o pai e sai da sala.

ESCÓRPIO: Por Voldemort e Valor.

ATO TRÊS, CENA QUATRO

HOGWARTS, BIBLIOTECA

ESCÓRPIO entra na biblioteca e começa a procurar desesperadamente algum livro de histórias. Ele acha.

ESCÓRPIO: Como Cedrico se tornou um Comensal da Morte? O que eu perdi? Encontre alguma luz na escuridão.

Conte-me seus segredos. O que perdi?

CRAIG BOWKER JR.: Por que está aqui?

ESCÓRPIO se vira e vê o olhar desesperado de CRAIG, com roupas esfarrapadas e surradas.

ESCÓRPIO: Não posso estar aqui?

CRAIG BOWKER JR.: Ainda não está pronto, estou trabalhando o mais rápido que posso. O professor Snape pediu para escrever a redação de dois jeitos diferentes. Quer dizer, não estou reclamando... Desculpe.

ESCÓRPIO: Comece de novo, do começo. O que não está pronto?

CRAIG BOWKER JR.: Sua tarefa de Poções. E estou feliz em fazê-la, agradecido até. Sei que odeia tarefas e livros.

Nunca te decepcionei, como sabe.

ESCÓRPIO: Odeio tarefas?

CRAIG BOWKER JR.: Você é o Rei Escórpio, claro que odeia tarefas. O que está fazendo com um exemplar de Uma História da Magia? Quer que faço este trabalho também?

Pausa. ESCÓRPIO olha para CRAIG por um momento e vai embora. CRAIG sai. Depois, ESCÓRPIO retorna franzindo as sobrancelhas.

ESCÓRPIO: Ele disse Snape?

ATO TRÊS, CENA CINCO

HOGWARTS, SALA DE POÇÕES

ESCÓRPIO corre para a sala de Poções, batendo a porta. SEVERO SNAPE o olha.

SNAPE: Não o ensinaram a bater antes de entrar, garoto?

ESCÓRPIO olha para SNAPE, ligeiramente ofegante, incerto e exultante.

ESCÓRPIO: Severo Snape. É uma honra.

SNAPE: Quão prazeroso é para mim. Pode se comportar como um rei nesta escola, Malfoy, mas isso não faz de todos nós seus súditos.

ESCÓRPIO: Mas você é a resposta...

SNAPE: É uma honra. Se tiver algo a dizer, por favor, diga. Se não, feche a porta quando sair.

ESCÓRPIO: Preciso de ajuda.

SNAPE: Existo para servir.

ESCÓRPIO: Só não sei que ajuda preciso. Ainda está trabalhando disfarçado? Secretamente para Dumbledore?

SNAPE: Dumbledore? Dumbledore está morto. E meu trabalho para ele era público. Eu ensinava em sua escola.

ESCÓRPIO: Não, não fazia só isso. Observava os Comensais da Morte para ele. Avisava-o. Todos pensavam que você o tinha matado, mas foi sob seu consentimento. Você salvou o mundo.

SNAPE: São alegações perigosas, garoto. Não pense que o sobrenome Malfoy o salvará de ser punido.

ESCÓRPIO: E se eu disser que há outro mundo em que Voldemort foi derrotado na Batalha de Hogwarts, e que Harry Potter e a Armada de Dumbledore venceram? Como se sentiria?

SNAPE: Diria que os rumores de que o adorado Rei Escórpio perdeu o juízo são reais.

ESCÓRPIO: Há um Vira-Tempo roubado. Roubei um, com Alvo. Tentamos trazer Cedrico Diggory de volta à vida, quando estava morto. Tentamos fazer com que não ganhasse o Torneio Tribruxo. Mas ao fazer isto, o transformamos em uma pessoa completamente diferente.

SNAPE: Harry Potter venceu aquele Torneio Tribruxo.

ESCÓRPIO: Não deveria ter vencido sozinho. Cedrico deveria ter ganhado junto. Mas nós o humilhamos no Torneio, e como resultado, se tornou um Comensal da Morte. Não descobri o que ele fez na Batalha de Hogwarts — se matou alguém, ou... — mas fez alguma coisa que mudou tudo.

SNAPE: Cedrico Diggory só matou um bruxo que nem era tão importante. Neville Longbottom.

ESCÓRPIO: Ah, claro! O Professor Longbottom deveria matar Nagini, a cobra de Voldemort. Nagini deveria morrer antes de Voldemort. É isso! Você resolveu! Destruímos Cedrico, ele matou Neville, Voldemort ganhou a batalha. Consegue ver? Consegue ver isto?

SNAPE: Consigo ver que é um jogo dos Malfoy. Saia antes que eu avise seu pai, e o afunde em um sério problema.

ESCÓRPIO pensa e então joga sua última carta.

ESCÓRPIO: Você amou a mãe dele. Não me lembro de tudo. Sei que amou a mãe dele. A mãe de Harry. Lílian. Sei que passou anos trabalhando escondido. Sei que, sem você, a guerra não poderia ter sido ganha. Como saberia isto se não tivesse visto o outro mundo?

SNAPE não diz nada, esgotado.

ESCÓRPIO: Só Dumbledore sabia, não é? E quando o perdeu, deve ter se sentido só. Sei que era um bom. Harry Potter disse a seu filho que você era um grande homem.

SNAPE olha para ESCÓRPIO, incerto do que está acontecendo. Isto é uma brincadeira? Ele está sério.

SNAPE: Harry Potter está morto.

ESCÓRPIO: Não em meu mundo. Ele disse que você era o homem mais corajoso que já tinha conhecido. Harry conhecia seu segredo e o que fez por Dumbledore, e por isso, te admirou grandemente. Nomeou seu filho — meu melhor amigo — homenageando os dois. Alvo Severo Potter.

SNAPE está parado. Mal se move.

ESCÓRPIO: Por favor. Por Lílian, pelo mundo, me ajude.

SNAPE pensa e vai à direção de ESCÓRPIO, pegando sua varinha. ESCÓRPIO dá um passo para trás, assustado.

SNAPE mira a varinha para a porta.

SNAPE: Colloportus!

Uma tranca invisível fecha a porta com uma batida. SNAPE abre um alçapão no fundo da sala.

SNAPE: Bem, vamos lá, então.

ESCÓRPIO: Só uma pergunta. Onde exatamente estamos indo? SNAPE: Tivemos que nos mover muitas vezes. Todo lugar que nos estabelecíamos era destruído. Isto nos levará a uma sala escondida nas raízes do Salgueiro Lutador.

ESCÓRPIO: Ok. Quem são vocês?

SNAPE: Ah, você verá.

ATO TRÊS, CENA SEIS