Harry Potter e a Criança Amaldiçoada
Quarto de Amos
AMOS olha para ESCÓRPIO e ALVO, irritado. DELPHI observa os três.
AMOS: Deixe-me ver se entendi. Você ouviu uma conversa — uma que não deveria ter ouvido — e decide, sem pedir, e, na verdade, sem ter licença, interferir, e muito, na vida de outra pessoa.
ALVO: Meu pai mentiu para o senhor, eu sei que sim. Eles têm um Vira-Tempo.
AMOS: Claro que têm. Podem ir agora.
ALVO: O quê? Não. Viemos ajudar.
AMOS: Ajudar? Que utilidade um par de adolescentes pode ter para mim?
ALVO: Meu pai provou que não é necessário ser adulto para mudar o mundo mágico.
AMOS: Então eu deveria permitir que você se envolva só porque é um Potter? Devo confiar somente em seu sobrenome famoso, é isso?
ALVO: Não!
AMOS: Um Potter que foi para a Sonserina — sim, eu li sobre você — e que traz um Malfoy junto para me visitar.
Um Malfoy que pode ser um Voldemort. Quem poderia dizer que ele não está envolvido com a magia das trevas?
ALVO: Mas...
AMOS: Sua informação foi óbvia, e a confirmação é útil. Seu pai mentiu sim. Agora vá. Os dois. E parem de desperdiçar meu tempo.
ALVO ( com autoridade e resistência): Não, precisa me ouvir. Você mesmo disse que existe muito sangue derramado pelo meu pai. Deixe-me ajudar a mudar isso. A corrigir um dos seus erros. Acredite em mim.
AMOS ( erguendo a voz): Não me ouviu, garoto? Não vejo motivo para acreditar em você. Então vá, agora, antes que eu o faça sair.
Ele ergue sua varinha. ALVO olha para ela, desanimado. AMOS havia vencido.
ESCÓRPIO: Vamos. Se tem uma coisa em que somos bons é saber quando não somos bem-vindos.
ALVO reluta em sair. ESCÓRPIO o puxa pelo braço. Ele se vira e começa a andar.
DELPHI: Posso pensar em um motivo para que acredite neles, tio.
Eles param.
DELPHI: São os únicos que se voluntariaram para ajudar. Estão preparados para, corajosamente, arriscarem suas vidas para trazer seu filho de volta. Na verdade, acho que já se arriscaram só de terem vindo aqui.
AMOS: É do Cedrico que estamos falando.
DELPHI: E você mesmo não disse que ter alguém em Hogwarts seria uma grande vantagem?
DELPHI beija a cabeça de AMOS. AMOS olha para DELPHI, e volta a olhar para os garotos.
AMOS: Por quê? Por que querem se arriscar? O que ganham com isso?
ALVO: Sei como é ser dispensável. Seu filho não merecia ser morto, Sr. Diggory. Podemos ajudá-lo.
AMOS ( agora emocionado): Meu filho foi a melhor coisa que me aconteceu. E você está certo, foi uma injustiça, uma grande injustiça. Se falam sério...
ALVO: Muito sério.
AMOS: Isto será perigoso.
ALVO: Nós sabemos.
ESCÓRPIO: Nós sabemos?
AMOS: Delphi, talvez você esteja preparada para acompanhá-los...
DELPHI: Se isso o fizer feliz, tio.
Ela sorri para ALVO, ele sorri de volta.
AMOS: Vocês entendem que ao usar o Vira-Tempo, correrão risco de vida?
ALVO: Estamos prontos para colocá-las em risco.
ESCÓRPIO: Estamos?
AMOS ( gravemente): Espero que seja verdade.
ATO UM, CENA QUINZE
CASA DE HARRY E GINA POTTER, COZINHA
HARRY, RONY, HERMIONE, e GINA estão sentados, comendo juntos.
HERMIONE: Eu disse para o Draco várias vezes. Ninguém no Ministério está falando do Escórpio. Os rumores não vieram de lá. GINA: Escrevi para ele depois que perdeu Astoria, perguntando se havia alguma coisa que poderíamos fazer. Achei que talvez, por ser tão amigo de Alvo, Escórpio quisesse passar parte do feriado de Natal aqui. Mas a coruja voltou com uma carta contendo a simples frase: “Diga a seu marido para negar estas alegações sobre meu filho de uma vez por todas.”
HERMIONE: Ele está obcecado.
GINA: Está desorientado, e muito amargurado.
RONY: Sinto muito por sua perda, mas quando ele acusou Hermione de... Bom... ( Ele olha para HARRY. ) Todas as pistas são fracas. Digo a ela o tempo todo. Podem não significar nada.
HERMIONE: A ela?
RONY: Os trasgos podem estar indo a uma festa, os gigantes a um casamento. Seus pesadelos podem ser causados pela preocupação com Alvo, e sua cicatriz pode estar doendo porque você está ficando velho demais.
HARRY: Ficando velho? Obrigado.
RONY: Sinceramente, toda vez que me sento, faço “ooof”. Um “ooof.” E meus pés... poderia até escrever uma música sobre a dor. Talvez sua cicatriz seja assim também.
GINA: Você fala muita besteira.
RONY: Considero isto minha maior especialidade. Isto e a variedade do “Kit Mata Aula”. E meu amor por todos vocês. Até pela Gina magrela.
GINA: Se não se comportar, Ronald Weasley, vou contar para a mamãe.
RONY: Não faria isto!
HERMIONE: Se alguma parte de Voldemort sobreviveu, em qualquer forma, precisamos estar preparados. E estou com medo.
GINA: Também estou.
RONY: Nada me assusta. Só a mamãe.
HERMIONE: É sério, Harry, não agirei como Cornélio Fudge. Não colocarei minha cabeça em um buraco no meio da areia, e não ligo para o que isso pode causar na minha popularidade com Draco Malfoy.
RONY: Nunca ligou muito para popularidade, não é?
HERMIONE lança em RONY um olhar seco enquanto tenta acertá-lo, mas RONY consegue escapar.
RONY: Errou.
GINA acerta RONY. RONY recua.
RONY: Acertou. E agora foi certeiro.
De repente, chega uma coruja e deixa uma carta no prato de HARRY.
HERMIONE: Meio tarde para uma coruja, não é?
HARRY abre a carta. Se surpreende.
HARRY: É da professora McGonagall.
GINA: O que diz?
O queixo de HARRY cai.
HARRY: Gina, é o sobre Alvo. Alvo e Escórpio. Não chegaram na escola. Eles sumiram.
ATO UM, CENA DEZESSEIS
WHITEHALL, PORÃO
ESCÓRPIO está examinando uma garrafa.
ESCÓRPIO: Então a gente só toma?
ALVO: Escórpio, realmente preciso te explicar — super nerd e expert em Poções — o que a Poção Polissuco faz?
Graças ao brilhante trabalho de Delphi, vamos tomá-la e nos transformarmos. E assim, disfarçados, seremos capazes de entrar no Ministério da Magia.
ESCÓRPIO: Ta bom, só mais duas coisas. A primeira. Dói?
DELPHI: Muito, até onde eu sei.
ESCÓRPIO: Obrigado. Bom saber. Segunda coisa: algum de vocês sabe do que a Poção Polissuco tem gosto? Porque ouvi falar que é de peixe e, se tiver, vou simplesmente vomitar tudo. Peixe não me faz bem. Nunca fez. Nunca fará.
DELPHI: Considerem-se avisados. ( Ela vira a poção de uma vez). Não tem gosto de peixe. ( Ela começa a mudar. É
agoniante). Na verdade, até que tem um gosto bom, hmm. É dolorosa mas... ( Ela arrota, alto. ) Espera um pouco. Tem um leve, ( ela arrota de novo, se transforma em HERMIONE. ) mais forte agora, resíduo de peixe.
ALVO: Ok, isso é... uau.
ESCÓRPIO: Duplo uau.
DELPHI/HERMIONE: Realmente não pareço comigo. Até soo como ela! Triplo uau!
ALVO: Certo. Minha vez.
ESCÓRPIO: Não, sem chance. Se vamos fazer isso, faremos ( ele pega dois copos de vidro parecidos, com um sorriso. ) juntos.
ALVO: Três. Dois. Um.
Eles engolem.
ALVO: Não, é bom. ( Ele é afligido pela dor). Acho que não.
Ambos começam a se transformar, e isso é agoniante. ALVO se transforma em RONY, ESCÓRPIO em HARRY. Os dois se olham. Silêncio.
ALVO/RONY: Isto será um pouco estranho, não é?
ESCÓRPIO/HARRY: ( Dramático. Ele realmente está se divertindo. ) Vá para o seu quarto, vá direto para o seu quarto. Você tem sido um filho incrivelmente péssimo.
ALVO/RONY: ( rindo) Escórpio...
ESCÓRPIO/HARRY: ( jogando sua capa sobre os ombros) Foi ideia sua eu ser ele e você ser o Rony! Só queria fazer uma piada antes que... ( ele arrota audivelmente). Ok, isso foi incrivelmente horrível.
ALVO/RONY: Sabe, ele até esconde bem, mas tio Rony tem um grande problema no intestino.
DELPHI/HERMIONE: Temos que ir, não acham?
Eles saem para a rua. Entram em uma cabine telefônica. Discam 62442.
CABINE TELEFÔNICA: Bem-vindo, Harry Potter. Bem vinda, Hermione Granger. Bem-vindo, Rony Weasley.
Eles sorriem enquanto a cabine telefônica desaparece no chão.
ATO UM, CENA DEZESSETE
MINISTÉRIO DA MAGIA, SALA DE REUNIÕES
HARRY, HERMIONE, GINA e DRACO andam pela pequena sala.
DRACO: Nós procuramos ao longo dos trilhos.
HARRY: Meu departamento procurou uma vez e está procurando de novo.
DRACO: E a Bruxa do Carrinho de Doces não pode nos contar nada útil?
HERMIONE: Ela está furiosa. Continua falando sobre decepcionar Ottaline Gambol. Se orgulha do seu recorde de entrega de alunos à Hogwarts.
GINA: Houve alguma ocorrência de magia reportada pelos trouxas?
HERMIONE: Nenhuma. Comuniquei o Primeiro Ministro trouxa e ele está arquivando como um sumiço. Parece um feitiço, mas não é.
DRACO: Então agora estamos nos juntando aos trouxas para encontrar nossos filhos? Contamos a eles sobre a cicatriz de Harry também?
HERMIONE: Estamos apenas pedindo aos trouxas que nos ajudem. E quem sabe sobre a cicatriz de Harry deve ser envolvido, mas é com certeza um assunto que estamos levando a sério. Nossos aurores já estão investigando qualquer um que esteja envolvido com Magia Negra.
DRACO: Isso não tem nada a ver com os Comensais da Morte.
HERMIONE: Não tenho certeza se compartilho da sua confiança.
DRACO: Não estou confiante, estou certo. Os tipos de pessoas que vão atrás de Magia Negra hoje em dia... Meu filho é um Malfoy, não se atreveriam.
HARRY: A não ser que tenha algo novo aí. Algo que...
GINA: Concordo com o Draco. Se isso for um sequestro... levar Alvo eu entendo, mas levar os dois?
HARRY crava os olhos em GINA, e se torna claro o que ela quer que ele diga.
DRACO: E Escórpio é do tipo que segue os outros, não um líder, a despeito do que eu tentei instigar nele. Então, sem dúvida, é Alvo que o tirou do trem. E a minha questão é: onde o levaria?
GINA: Harry, eles fugiram, e você sabe disso.
DRACO percebe que o casal está se encarando.
DRACO: Você sabe? Sabe? O que não está nos contando?
Silêncio.
DRACO: Qualquer informação que esteja escondendo, seria bom dizê-la agora.
HARRY: Alvo e eu tivemos uma briga, antes de ontem.
DRACO: E...
HARRY hesita e faz um valente contato visual com DRACO.
HARRY: Eu o disse que havia momentos que desejaria que não fosse meu filho.
Outro silêncio. Um profundo e poderoso silêncio. E então DRACO dá um perigoso passo em direção a HARRY.
DRACO: Se alguma coisa acontecer com Escórpio...
GINA entra entre DRACO e HARRY.
GINA: Não faça ameaças em vão Draco, por favor. Não faça isso. DRACO: ( rugindo) Meu filho está desaparecido!
GINA ( em igual tom): O meu também!
Ele encontra os olhos dela. Há uma emoção real na sala.
DRACO ( curvando os lábios, como seu pai): Se precisam de ouro... De tudo o que os Malfoy têm... Ele é meu único herdeiro, minha única família.
HERMIONE: O Ministério tem reservas o suficiente, Draco. Obrigada.
DRACO faz menção de sair. Ele para, e olha para HARRY.
DRACO: Não ligo para o que fez ou quem salvou. Você continua sendo uma maldição constante na minha família, Harry Potter.
ATO UM, CENA DEZOITO
MINISTÉRIO DA MAGIA, CORREDOR
ESCÓRPIO/HARRY: Você tem certeza de que está lá dentro?
Um guarda passa por eles. ESCÓRPIO/HARRY e DELPHINI/HERMIONE tentam manter a atuação.
ESCÓRPIO/HARRY: Sim, Ministra. Definitivamente acredito que esta é uma questão que o Ministério deve considerar com calma.
GUARDA ( com um aceno): Ministra.
DELPHI/HERMIONE: Vamos considerar juntos.
Ele segue em frente, e eles deixam escapar um lamento de alivio.
DELPHI/HERMIONE: Foi ideia do meu tio usar Veritaserum. Nós deixamos cair na bebida de um oficial da Ministra, em uma visita. Ele nos contou que o Vira-Tempo foi escondido, e o local — no escritório da própria Ministra.
Ela indicou a porta. Subitamente, ouviram um barulho.
HERMIONE ( do lado de fora do palco): Harry, temos que conversar.
HARRY ( do lado de fora do palco): Não há nada para dizer.
DELPHI/HERMIONE: Ah, não.
ALVO/RONY: Hermione, e o meu pai.
O pânico foi instantâneo e infeccioso.
ESCÓRPIO/HARRY: Ok. Lugares para se esconder! Sem lugares para se esconder! Alguém conhece algum feitiço de invisibilidade?
DELPHI/HERMIONE: Vamos entrar no escritório.
ALVO/RONY: Ela virá para cá.
DELPHI/HERMIONE: Não há outro lugar.
Ela tenta abrir a porta. Tenta novamente.
HERMIONE: ( de fora do palco): Se não quer falar comigo ou com Gina sobre isso...
ESCÓRPIO/HARRY: Sai da frente. Alohomora!
Ele mira a varinha para a porta. A porta se abre. Ele sorri deliciado.
ESCÓRPIO/HARRY: Alvo. Segure-a. Tem que ser você.
HARRY ( de fora do palco): O que há para ser dito?
ALVO/RONY: Eu? Por quê?!
DELPHI/HERMIONE: Bem, não pode ser um de nós, pode? Nós somos eles.
HERMIONE ( de fora do palco): Aquilo que disse a ele foi errado. Mas existem mais coisas em jogo aqui do que...
ALVO/RONY: Mas eu não posso, não consigo.
Há uma pequena confusão e então ALVO/RONY acaba ficando do lado de fora da porta, enquanto HERMIONE e HARRY entram de fora.
HARRY: Hermione, agradeço pela preocupação, mas não há necessidade.
HERMIONE: Rony?
ALVO/RONY: Surpresa!
HERMIONE: O que está fazendo aqui?
ALVO/RONY: E um homem precisa de desculpa para ver sua esposa?
Ele beija HERMIONE com firmeza.
HARRY: Eu vou indo.
HERMIONE: Harry, minha opnião é o que quer que Draco diga a respeito das coisas que falou a Alvo, não nos fará bem ficar remoendo.
ALVO/RONY: Ah, estão falando sobre como Harry disse que às vezes desejou que eu — ( ele se corrige) — Alvo, não fosse seu filho.
HERMIONE: Rony!
ALVO/RONY: É melhor dizer do que esconder em silêncio.
HERMIONE: Ele saberá. Todos dizemos coisas que não queríamos dizer. Ele sabe disso.
ALVO/RONY: Mas e se às vezes dizemos coisas que realmente queremos dizer?
HERMIONE: Rony, honestamente, não é hora para isso.
ALVO/RONY: Claro que não é. Até logo, querida.
ALVO/RONY observa ela ir, esperando que passasse pelo escritório e seguisse andando. Mas, é claro, ela não faz isso. Ele corre para bloqueá-la antes que entre pela porta. Ele a bloqueia uma vez, e depois de novo, balançando os quadris.
HERMIONE: Por que está me impedindo de entrar no meu escritório?
ALVO/RONY: Não estou. Te impedindo. De nada.
Ela tenta de novo chegar até a porta, ele a bloqueia de novo.
HERMIONE: Está sim. Me deixe entrar na minha sala, Rony.
ALVO/RONY: Vamos ter outro bebê.
HERMIONE tenta se esquivar dele.
HERMIONE: O quê?
ALVO/RONY: Ou se não for outro bebê, umas férias. Quero um bebê ou férias, e vou continuar insistindo. Vamos conversar a respeito disso depois, querida?
Ela tenta entrar na sala uma última vez, ele a segura com um beijo. Ele se dá em uma quase luta.
ALVO/RONY: Talvez com um drinque do Caldeirão Furado? Eu te amo tanto.
HERMIONE ( amansando): Se houver um único chumbinho fedorento aí dentro, então nem Merlim vai te ajudar.
Ótimo. Temos que atualizar os trouxas, de qualquer jeito.
Ela sai. HARRY sai com ela.
ALVO/RONY se vira para a porta. Ela entra de novo em cena, desta vez sozinha.
HERMIONE: Um bebê ou um feriado? Alguns dias você está fora de si, sabia?
ALVO/RONY: É por isso que se casou comigo, não é? Meu senso de humor malicioso.
Ela sai de novo. Ele começa a abrir a porta, mas de novo ela volta. Ele bate a porta.
HERMIONE: Sinti gosto de peixe. Te falei para ficar longe desses sanduíches.
ALVO/RONY: Com certeza.
Ela sai. Ele checa para ver se ela se foi, e o alívio corre por seu corpo enquanto abre a porta.
ATO UM, CENA DEZENOVE
MINISTÉRIO DA MAGIA, ESCRITÓRIO DE HERMIONE
ESCÓRPIO/HARRY e DELPHI/HERMIONE estão esperando do outro lado da porta do escritório de HERMIONE, enquanto ALVO/RONY entra suspirando, exausto.
ALVO/RONY: Isso tudo... é muito estranho.
DELPHI/HERMIONE: Você foi impressionante. E que ação de bloqueio!
ESCÓRPIO/HARRY: Não sei se te cumprimento ou não por ter beijado sua tia umas... quinhentas vezes!
ALVO/RONY: Rony é um cara afetivo. Estava tentando distraí-la Escórpio, e consegui.
ESCÓRPIO/HARRY: E tem aquilo que o seu pai disse...
DELPHI/HERMIONE: Garotos, ela vai voltar. Não temos muito tempo.
ALVO/HARRY ( para ESCÓRPIO/HARRY): Você ouviu?
DELPHI/HERMIONE: Onde Hermione esconderia um Vira-Tempo? ( Ela olha pela sala, vê os livros. ) Procurem nos livros.
Eles começam a procurar. ESCÓRPIO/HARRY olha para seu amigo, preocupado.
ESCÓRPIO/HARRY: Por que não me contou?
ALVO/RONY: Meu pai disse que desejava que eu não fosse seu filho. Difícil começar uma conversa assim, não é?
ESCÓRPIO/HARRY tenta achar o que dizer.
ESCÓRPIO/HARRY: Eu sei que a história sobre Voldemort não é verdade, e você também. Mas às vezes, acho que vejo meu pai pensando: Como eu criei isso?
ALVO/RONY: Ainda é melhor do que meu pai. Tenho certeza que ele passa a maior parte do tempo pensando: como posso recompensá-lo?
DELPHI/HERMIONE tenta empurrar ESCÓRPIO/HARRY para as estantes.
DELPHI/HERMIONE: Talvez se nos concentrássemos no que temos que fazer...
ESCÓRPIO/HARRY: Há uma razão para sermos amigos, Alvo. Uma razão pela qual nos encontramos, sabe? E para o que essa aventura nos reserva.
Então ele tira um livro da estante que o faz franzir a testa.
ESCÓRPIO/HARRY: Viu os livros nessas estantes? São todos sérios. Livros banidos, e amaldiçoados.
ALVO/RONY: Como distrair Escórpio de um problema emocional? Leve-o a uma biblioteca.
ESCÓRPIO/RONY: Todos os livros da Seção Restrita e mais alguns. Os Maiores Demônios Mágicos. Bestas do Século Quinze. Sonetos de um Feiticeiro. Estes nem são permitidos em Hogwarts!
ALVO/RONY: Sombras e Espíritos. Um Guia Obscuro para Necromancia.
DELPHI/HERMIONE: Realmente, são impressionantes.
ALVO/RONY: A Verdadeira História da Opala de Fogo. A Maldição Imperius e Como Abusar Dela.
ESCÓRPIO/HARRY: E olha aqui! Uau. Meus Olhos e Como Ver Através Deles, por Sibila Trelawney. Um livro de adivinhação. Hermione Granger odeia adivinhação. Isto é fascinante, um achado.
Ele tira o livro da estante. Ele cai aberto. E fala.
LIVRO: O primeiro é o quarto, uma marca desapontante. Você o encontrará estacionado, mas não parado.
ESCÓRPIO/HARRY: Um livro que fala. Meio estranho.
LIVRO: O segundo é o menos justo daqueles que andam sobre duas pernas. Sujo, peludo, uma doença do ovo. E o terceiro é igualmente a montanha a ser escalada e uma rota a ser tomada.
ALVO/RONY: É uma charada. Está nos dando uma charada!
LIVRO: Um giro na cidade, um voo sobre o lago.
DELPHI/HERMIONE: O que você fez?
ESCÓRPIO/HARRY: Eu abri um livro. Uma coisa que nunca, em todos os meus anos neste planeta, foi uma ação perigosa.
Os livros se adiantam e agarram ALVO/HARRY. Ele apenas desvia deles.
ALVO/HARRY: O que é isso?
DELPHI/HERMIONE: Ela os transformou em armas. Transformou sua biblioteca em armas. É onde o Vira-Tempo deve estar. Solucione a charada e o encontrará.
ALVO/RONY: O primeiro é o quarto. Você o encontrará com defeito, mas não feito. Def... dem...
Os livros começam a tentar engolir DELPHI/HERMIONE.
ESCÓRPIO/HARRY: O segundo é a doença do ovo, o menos justo dos que andam sobre duas pernas.
DELPHI/HERMIONE ( efusivamente): Men! Demen... tadores. Temos que encontrar um livro sobre Dementadores. ( A estante puxa DELPHI. ) Alvo!
ALVO/RONY: Delphi! O que está acontecendo?
ESCÓRPIO/HARRY: Concentre-se, Alvo. Faça o que ela disse. Encontre um livro sobre Dementadores e tenha cuidado.
ALVO/RONY: Aqui. Dominando Dementadores: A Verdadeira História de Azkaban.
O livro voou aberto e balançou perigosamente na direção de ESCÓRPIO/HARRY, que teve que fugir dele. Ele caiu com força contra a estante, que tentou consumi-lo.
LIVRO:
Eu nasci na jaula.
Mas a destruí com minha fúria.
O Gaunt aqui dentro
Solucionou-me, libertando
Daquilo que me impedia de ser.
ALVO/RONY: Voldemort.
DELPHI mergulha entre os livros, de volta como ela mesma.
DELPHI: Mais rápido!
Ela é puxada de volta, gritando.
ALVO/RONY: Delphi! Delphi!
Ele tenta agarrar a mão dela, mas já se foi.
ESCÓRPIO/HARRY: Notou que ela voltou ao normal?
ALVO/RONY: Não, porque estava mais preocupado em ser devorada por uma estante! Encontre. Algo. Alguma coisa sobre ele!
Ele encontra um livro.
ALVO/RONY: O Herdeiro de Sonserina? O que acha?
Ele tira o livro da estante, e volta, mas ALVO/RONY é consumido pela estante.
ESCÓRPIO/HARRY: Alvo? Alvo!
Mas ALVO/RONY se foi.
ESCÓRPIO/HARRY: Ok. Esse não. Voldemort. Voldemort... Voldemort...
Ele procura pelas estantes.
ESCÓRPIO/HARRY: Marvolo: A verdade. Tem que ser esse.
Ele abre o livro. De novo, ele se balança para longe, revelando uma luz estilhaçada, e uma voz profunda que já ouviram antes.
LIVRO:
Eu sou a criatura que você não viu .
Eu sou você. Eu sou eu. O eco do que foi previsto.
As vezes na frente, outras atrás.
Uma companhia constante, pois estamos entrançados.
ALVO emerge dos livros. Se torna ele mesmo de novo.
ESCÓRPIO/HARRY: Alvo...
Ele tenta agarrar o amigo.
ALVO: Não. Só... PEEENSSEEE.
ALVO é violentamente puxado de volta para a estante.
ESCÓRPIO/HARRY: Mas não consigo. Um eco invisível, é isso? A única coisa em que eu sou bom é pensar, e quando preciso, não consigo.
Os livros o puxam para dentro deles. Ele está sem forças. É aterrorizante.
Silêncio.
E então BANG, uma enxurrada de livros é libertada pela estante. E ESCÓRPIO emerge, amassando livros para os lados.
ESCÓRPIO: Não! Você não vai! Sibila Trelawney. Não!
Ele olha em volta, afundado, mas cheio de energia.
ESCÓRPIO: Isto está errado. Alvo? Pode me ouvir? Isto é por um maldito Vira-Tempo. Pense, Escórpio. Pense.
Um livro tenta agarrá-lo.
ESCÓRPIO: Uma companhia constante. Às vezes atrás. Às vezes na frente. Espere um pouco. Eu perdi isso. Sombra.
Você é uma sombra. Sombras e Espíritos. Tem que ser esse.
Ele subiu na estante, que subia atrás dele, se agarrando a cada um de seus passos.
Ele tira o livro da estante. Ele sai, e o barulho e o caos subitamente param.
ESCÓRPIO: É isso.
Subitamente há um esmagamento. ALVO e DELPHI caem da estante para o chão.
ESCÓRPIO: Nós a vencemos. Vencemos a biblioteca.
ALVO: Delphi, você está...
DELPHI: Nossa, uma viajem e tanto.
ALVO percebe o livro que ESCÓRPIO está segurando contra o peito.
ALVO: É esse Escórpio? O que tem dentro do livro?
DELPHI: Temos que descobrir, não?
ESCÓRPIO abre o livro. No centro dele, um Vira-Tempo, girando.
ESCÓRPIO: Achamos o Vira-Tempo. Nunca pensei que chegaríamos tão longe.
ALVO: Agora que o conseguimos, temos que salvar Cedrico. Nossa jornada só começou.
ESCÓRPIO: Só começou e já quase nos matou. Ótimo. Isto vai ser ótimo.
Sussurros começam a rugir. E cortamos para o escuro.
ATO DOIS, CENA UM
SONHO, RUA DOS ALFENEIROS, ARMÁRIO SOB A