Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

J. K. Rowling · Capítulo 6 de 16

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Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

Escada

TIA PETÚNIA: Harry. Harry. Estas panelas estão sujas. ESTAS PANELAS ESTÃO UMA VERGONHA. HARRY

POTTER. Acorda.

JOVEM HARRY acorda e vê TIA PETÚNIA brigando com ele.

JOVEM HARRY: Tia Petúnia. Que horas são?

TIA PETÚNIA: A suficiente para se levantar. Sabe, quando concordamos em criá-lo, pensávamos que poderíamos melhorá-lo e transformá-lo em um ser humano decente. Então só podemos nos culpar pelo que se tornou... uma bela decepção.

JOVEM HARRY: Eu tento...

TIA PETÚNIA: Tentar não é conseguir, é? Tem gordura nos vidros, marcas de arranhão nas panelas. Agora levante e vá para a cozinha esfregá-las.

Ele levante da cama. Sua calça está molhada.

TIA PETÚNIA: Ah, não. O que fez? Molhou a cama, de novo.

Ela puxa o cobertor.

TIA PETÚNIA: Isso é inaceitável.

JOVEM HARRY: Me desculpe, tive um pesadelo.

TIA PETÚNIA: Garoto nojento. Só animais se molham. Animais e garotinhos nojentos.

JOVEM HARRY: Era sobre meus pais. Acho que os vi morrer.

TIA PETÚNIA: E por que me importaria?

JOVEM HARRY: Tinha um homem gritando Adkava Adalguma coisa Kedavra... e o som de uma cobra sibilando.

Pude ouvir minha mãe gritar.

TIA PETÚNIA para um momento para pensar.

TIA PETÚNIA: Se estivesse mesmo revivendo a morte deles, tudo o que ouviria seria o guincho do freio e um baque horrível. Seus pais morreram em um acidente de carro. Sabe disso. Acho que sua mãe nem teve tempo de gritar. Deus o livre de saber mais detalhes. Agora tire aqueles lençóis, vá para a cozinha e esfregue as panelas. Não irei pedir novamente.

Ela sai com uma batida, e o JOVEM HARRY é deixado segurando os lençóis.

E o palco se contorce, árvores crescem enquanto o sonho se torna algo totalmente diferente. De repente, ALVO

aparece e encara o JOVEM HARRY.

E então, do fundo da sala, há sussurros de ofidioglossia em todo o lugar.

Ele está vindo. Ele está vindo.

Palavras ditas em uma voz inconfundível. A voz de VOLDEMORT…

HAAARRY POTTTTTTER.

ATO DOIS, CENA DOIS

CASA DE HARRY E GINA POTTER, ESCADA

HARRY acorda no escuro, respirando profundamente. Sua exaustão é visível, e o medo esmagador.

HARRY: Lumos.

GINA entra, surpreendida pela luz.

GINA: Tudo...?

HARRY: Eu estava dormindo.

GINA: Estava.

HARRY: Mas você não. Teve alguma notícia? Alguma coruja, ou...?

GINA: Nada.

HARRY: Estava sonhando. Estava sob a escada, e depois ouvi Voldemort claramente.

GINA: Voldemort?

HARRY: Então vi Alvo, de vermelho. Estava vestindo o uniforme de Durmstrang.

GINA: Uniforme de Durmstrang?

HARRY pensa.

HARRY: Gina, acho que sei onde ele está.

ATO DOIS, CENA TRÊS

HOGWARTS, ESCRITÓRIO DA DIRETORA

HARRY e GINA estão em pé no escritório da PROFESSORA McGONAGALL.

PROFESSORA McGONAGALL: E não sabemos onde na Floresta Proibida?

HARRY: Não tenho um sonho como este há anos. Mas Alvo estava lá. Sei que estava.

GINA: Precisamos procurá-los o mais rápido possível.

PROFESSORA McGONAGALL: Posso ceder o professor Longbottom. Seu conhecimento sobre plantas pode ser útil.

Há um ruído na chaminé. PROFESSORA McGONAGALL olha para ela, preocupada. Então HERMIONE surge.

HERMIONE: É verdade? Posso ajudar?

PROFESSORA McGONAGALL: Ministra. Isto foi meio inesperado.

GINA: É minha culpa. Os convenci a emitir uma edição de emergência do Profeta Diário, procurando por voluntários.

PROFESSORA McGONAGALL: Certo. Muito sensato. Espero que tenham alguns.

RONY aparece, coberto de fuligem. Vestindo um guardanapo manchado de molho.

RONY: Perdi alguma coisa? Não conseguia descobrir para qual chaminé deveria ir. Acabei em uma cozinha, em algum lugar. ( HERMIONE o fita, enquanto ele mesmo puxa o guardanapo. ) O quê?

De repente, há outro ruído na chaminé, e DRACO chega, cercado de uma cascata de cinza e poeira. Todos o olham, surpresos. Ele fica em pé e limpa as cinzas.

DRACO: Desculpe pelo chão, Minerva.

PROFESSORA McGONAGALL: Ouso dizer que a culpa é minha por ter uma chaminé.

HARRY: Estou surpreso em vê-lo, Draco. Pensei que não acreditasse nos meus sonhos.

DRACO: E não acredito, mas creio em sua sorte. Harry Potter sempre está onde a ação acontece. Eu preciso do meu filho de volta, a salvo.

GINA: Então vamos para a Floresta Proibida encontrá-los.

ATO DOIS, CENA QUATRO