Harry Potter e a Criança Amaldiçoada
Quarto de Amos
HARRY entra com sua varinha empunhada, seguido por DRACO.
HARRY: Onde eles estão?
AMOS: Harry Potter, o que posso fazer por ti, senhor? E por Draco Malfoy. Estou honrado.
HARRY: Sei que usou meu filho.
AMOS: Usei seu filho? Não, você que usou o meu.
DRACO: Conte-nos agora onde estão Alvo e Escórpio, ou encare as mais profundas consequências.
AMOS: Mas por que eu saberia onde estão?
DRACO: Sem desculpas, velhote. Sabemos que tem mandando corujas a ele.
AMOS: Não fiz nada disso.
HARRY: Amos, sei que não é tão velho para ir a Azkaban. Eles foram vistos pela última vez em uma torre de Hogwarts com a sua sobrinha, depois de desapareceram.
AMOS: Não tenho ideia do que está... ( ele para por um momento, confuso). Minha sobrinha?
HARRY: Não há profundidade o suficiente para rebaixar o nível, não é? Sim, sua sobrinha. Está negando que está sob suas instruções?
AMOS: Estou. Não tenho uma sobrinha.
DRACO: Tem sim. É enfermeira, trabalha aqui. Delphini Diggory. AMOS: Não tenho uma sobrinha, porque nunca tive irmãos. Nem minha mulher.
DRACO: Vamos. Precisamos descobrir quem ela é, agora.
ATO TRÊS, CENA DEZENOVE
HOGWARTS, CAMPO DE QUADRIBOL
Começamos com DELPHI aproveitando cada segundo de sua mudança de identidade. Onde existia desconforto e insegurança, agora existe apenas poder.
ALVO: O que estamos fazendo no campo de Quadribol?
DELPHI não diz nada.
ESCÓRPIO: O Torneio Tribruxo. A terceira tarefa. O labirinto. Foi colocado aqui. Vamos voltar em Cedrico.
DELPHI: Sim, e desta vez poupar o Outro. Voltaremos por Cedrico, e ao fazer isso, traremos o mundo que você viu, Escórpio.
ESCÓRPIO: O inferno. Quer ressuscitá-lo?
DELPHI: Quero renascer as Trevas. A forte e pura magia.
ESCÓRPIO: Quer que Voldemort retorne?
DELPHI: O único verdadeiro governante do mundo mágico. Ele retornará. Agora, vocês garantiram que as duas primeiras tarefas estivessem com acúmulo de poder. Existe pelo menos duas visitas do futuro em cada uma delas, e não arriscarei ser descoberta ou distraída. A terceira tarefa está limpa, e vamos começar de lá. Que tal?
ALVO: Não vamos impedi-lo, independente do que fizer para nos forçar. Sabemos que Diggory precisa vencer o torneio com meu pai. DELPHI: Não quero que simplesmente o impeça, quero que o humilhe. Ele precisa voar para fora do labirinto pelado em uma vassoura feita de penas purpurinadas. A humilhação o levou até lá antes, e nos levará novamente. E a profecia se cumprirá.
ESCÓRPIO: Não sabia que tinha uma profecia. Qual é?
DELPHI: Você viu o mundo como deveria ser, Escórpio. E hoje, asseguraremos que ele retorne.
ALVO: Não. Não iremos te obedecer. Seja lá quem você for, e o que fizer conosco.
DELPHI: Claro que vão.
ALVO: Então terá que usar a maldição Imperius para me controlar.
DELPHI: Não. Para completar a profecia, preciso que seja você, não um “robozinho” seu. Tem que ser aquele que humilhará Cedrico, senão, o Imperius não fará efeito. Terei que o forçar de outra maneira.
Ela saca sua varinha e aponta para ALVO, que projeta seu queixo.
ALVO: Dê o seu pior.
DEPLHI olha para ele, e volta sua varinha para ESCÓRPIO.
DELPHI: Darei.
ALVO: Não!
DELPHI: Sim, como pensei. Isso parece ser o que mais te apavora.
ESCÓRPIO: Alvo, seja lá o que fizer comigo, não podemos...
DELPHI: Crucio!
ESCÓRPIO grita de dor.
ALVO: Eu vou!
DELPHI ( gargalhando): O quê? Que diabos acha que pode fazer? Um desapontamento do mundo bruxo? Uma mancha no nome da sua família? Um resto? Quer me impedir de machucar seu único amigo? Então faça o que lhe digo.
Ela olha para ALVO, e seus olhos continuam resistentes.
DELPHI: Não? Crucio!
ALVO: Por favor. Pare.
CRAIG corre, desembestado.
CRAIG BOWKER JR.: Escórpio? Alvo? Todos estão procurando vocês.
ALVO: Craig, saia daqui. Vá buscar ajuda!
CRAIG BOWKER JR.: O que está acontecendo?
DELPHI: Avada Kedavra!
DELPHI lança um clarão de luz verde pelo palco. CRAIG é arremessado de costas, e é imediatamente morto. Há um silêncio. Um silêncio que parece durar um longo período.
DELPHI: Não entende? Não estamos brincando. Você é útil para mim, seu amigo não.
ALVO e ESCÓRPIO olham para o corpo de CRAIG. Seus pensamentos são infernais.
DELPHI: Levou um bom tempo para descobrir sua fraqueza, Alvo Potter. Pensei que fosse orgulho, necessidade de impressionar seu pai, mas percebi que sua fraqueza é a mesma dele: a amizade. Você fará exatamente o que for dito para fazer, senão, Escórpio morrerá. Ela olha para ambos.
DELPHI: Voldemort retornará e Agoureiro se sentará ao seu lado. Da mesma forma que foi profetizado: “Quando o Outro for poupado, o tempo voltar e as crianças invisíveis matarem seus pais, o Lorde das Trevas retornará.”
Ela sorri, e puxa ESCÓRPIO violentamente para junto dela.
DELPHI: Cedrico é o Outro, e Alvo...
Ela puxa ALVO violentamente para junto dela.
DELPHI: ...a criança invisível que matará seu pai para reescrever a história. E então, o Lorde das Trevas retornará.
O Vira-Tempo começa a rodar, e ela coloca as mãos deles sobre o objeto.
DELPHI: Agora!
Um gigante clarão varre o local, um barulho de algo se quebrando. E o tempo para, se reverte, para um pouco, e começa a rodar ao contrário, lento no início.
E então acelera e se ouve um barulho de sucção, acompanhado de um BANG.
ATO TRÊS, CENA VINTE
TORNEIO TRIBRUXO, LABIRINTO, 1995
O labirinto é uma espiral de sebes que não param de se mover. DELPHI anda por ele, determinada. Atrás dela, ALVO e ESCÓRPIO, com os braços amarrados e as pernas se movendo com relutância.
LUDO BAGMAN: Damas e cavalheiros, meninos e meninas, apresento a vocês o maior, o fabuloso, o grande e único TORNEIO TRIBRUXO.
Há uma alta gritaria. DELPHI vira à direita.
LUDO BAGMAN: Se você é de Hogwarts, quero ouvir um grito.
Há uma alta gritaria.
LUDO BAGMAN: Se você é de Durmstrang, quero ouvir um grito.
Há uma alta gritaria.
LUDO BAGMAN: E SE VOCÊ É DE BEAUXBATONS, QUERO OUVIR UM GRITO.
Há uma gritaria exagerada. DELPHI e os garotos são forçados a se moverem quando uma sebe se fecha sobre eles.
LUDO BAGMAN: Os franceses, finalmente, mostraram que são capazes. Damas e cavalheiros, apresento a vocês a última das tarefas Tribruxo. Um labirinto de mistérios, escuridão incontrolável e doentia. Este labirinto vive. Vive.
VIKTOR KRUM entra no palco, se movendo através do labirinto.
LUDO BAGMAN: E por que se arriscar neste pesadelo? Porque dentro dele, no meio desta vegetação, está a Taça Tribruxo.
DELPHI: Onde ele está? Cadê Cedrico?
Uma sebe quase disseca ALVO e ESCÓRPIO.
ESCÓRPIO: As sebes também querem nos matar? Que ótimo.
DELPHI: Vão continuar ou enfrentarão as consequências?
LUDO BAGMAN: Os perigos são grandes, mas os prêmios já são palpáveis. Quem lutará até o final? Quem cairá no último obstáculo? Quais heróis temos entre nós? Só o tempo dirá, damas e cavalheiros. Só o tempo dirá.
ESCÓRPIO e ALVO se movem pelo labirinto, forçados por DELPHI. Enquanto segue em frente, os garotos têm uma chance de conversar.
ESCÓRPIO: Alvo, precisamos fazer alguma coisa.
ALVO: Eu sei, mas o quê? Ela pegou nossas varinhas, estamos amarrados, e está ameaçando matá-lo.
ESCÓRPIO: Estou pronto para morrer se isto deter o retorno de Voldemort.
ALVO: Está?
ESCÓRPIO: Não se lamentará por muito tempo. Me matará primeiro, e depois você.
ALVO ( desesperado): A falha no Vira-Tempo, a regra de cinco minutos. Faremos todo o possível para voltar.
ESCÓRPIO: Não irá funcionar.
Quando outra sebe muda de lado, DELPHI puxa ALVO e ESCÓRPIO. Eles continuam pelo labirinto do desespero.
LUDO BAGMAN: Agora, deixe-me lembrá-los do placar. Empatados em primeiro lugar o Sr. Cedrico Diggory e Sr.
Harry Potter. Em segundo lugar, Sr. Viktor Krum. E em terceiro, sacré bleu, senhorita Fleur Delacour.
De repente, ALVO e ESCÓRPIO surgem de trás de uma sebe, correndo.
ALVO: Onde ela foi?
ESCÓRPIO: Isso importa? Para qual lado?
DELPHI surge atrás deles. Está voando, sem uma vassoura.
DELPHI: Pobres criaturas.
Ela joga os garotos no chão.
DELPHI: Acharam que poderiam escapar?
ALVO ( impressionado): Você nem... tem uma vassoura.
DELPHI: Vassouras são objetos incômodos e desnecessários. Três minutos se foram, só faltam dois. Vocês farão o que devem fazer.
ESCÓRPIO: Não, não vamos.
DELPHI: Acha que podem lutar comigo?
ESCÓRPIO: Não, mas podemos derrotá-la, se empenharmos.
DELPHI: A profecia se cumprirá.
ESCÓRPIO: Profecias podem ser quebradas.
DELPHI: Errado. Profecias são o futuro.
ESCÓRPIO: Então se profecias são inevitáveis, por que estamos tentando influenciar uma? Suas ações contradizem com seus pensamentos. Nos trouxe ao labirinto porque acredita que a profecia deve acontecer, e por esta lógica, profecias também podem ser quebradas, e impedidas.
DELPHI: Você fala demais. Crucio!
ESCÓRPIO é torturado.
ALVO: Escórpio!
ESCÓRPIO: Queria um teste, Alvo, e aqui está. Vamos passá-lo, juntos.
ALVO olha para ESCÓRPIO, finalmente entendendo o que deve fazer. Ele acena.
DELPHI: Então morrerão.
ALVO ( cheio de força): Sim, iremos. E felizes por termos te impedido.
DELPHI se ergue, cheia de fúria.
DELPHI: Não temos tempo para isto. Cru...
VOZ MISTERIOSA: Expelliarmus!
Bang. A varinha de DELPHI é jogada para longe dela. ESCÓRPIO olha, espantado.
VOZ MISTERIOSA: Brachiabindo!
E DELPHI está amarrada. ESCÓRPIO e ALVO se viram juntos, perplexos, na direção de onde veio o feitiço: um
rapaz jovem e bonito de dezessete anos, CEDRICO.
CEDRICO: Não se aproximem.
ESCÓRPIO: Mas você é...
CEDRICO: Cedrico Diggory. Ouvi gritos, e tive que vir. Nomeiem-se, posso derrotá-los.
ALVO olha ao redor, assustado.
ALVO: Cedrico?
ESCÓRPIO: Nos salvou.
CEDRICO: Também são um desafio? Um obstáculo? Digam. Devo detê-los também?
Há um silêncio.
ESCÓRPIO: Não, só tem que nos libertar. Este é o desafio.
CEDRICO pensa, tentando descobrir se é uma armadilha. Depois, acena sua varinha.
CEDRICO: Emancipare! Emancipare!
Os garotos estão livres.
CEDRICO: Agora posso ir? Terminar o labirinto?
Eles olham para CEDRICO, com o coração partido.
ALVO: Creio que deva continuar.
CEDRICO: Então irei.
CEDRICO sai confiante. ALVO o olha, desesperado para dizer algo, mas incerto sobre o que dizer.
ALVO: Cedrico...
CEDRICO se vira para ele.
ALVO: Seu pai o ama muito.
CEDRICO: O quê?
Atrás deles, o corpo de DELPHI começa a se mexer. Ela se arrasta.
ALVO: Só pensei que devesse saber.
CEDRICO: Ok. Hm. Obrigado.
CEDRICO olha para ALVO mais um pouco, então vai embora. DELPHI puxa o Vira-Tempo de dentro de suas vestes.
ESCÓRPIO: Alvo.
ALVO: Não. Espera!
ESCÓRPIO: O Vira-Tempo está rodando. Olha o que ela está fazendo. Não podemos deixar.
ALVO e ESCÓRPIO se esbarram para agarrar o Vira-Tempo.
Então aparece uma luz. E um estrondo. E o tempo para. Então volta, para um pouco e começa a voltar, devagar primeiro. Então ganha velocidade.
ESCÓRPIO: Alvo...
ALVO: O que fizemos?
ESCÓRPIO: Temos que ir com o Vira-Tempo para tentar impedi-la.
DELPHI: Me impedir? Como pensam que pode? Podem ter destruído minhas chances de usar Cedrico, mas talvez esteja certo, Escórpio. Talvez profecias possam ser impedidas e quebradas. Cansei de usar vocês, criaturas irritantes e incompetentes, desperdiçando meu precioso tempo. É hora de tentar algo novo.
Ela amaldiçoa o Vira-Tempo, que explode em mil pedaços. DELPHI começa a voar novamente. Ela ri, deliciada, enquanto vai embora. Os garotos tentam segui-la, mas não têm a menor chance. Ela voa, eles correm.
ALVO: Não... não pode...
ESCÓRPIO volta e tenta juntar os pedaços do Vira-Tempo.
ALVO: Está destruído?
ESCÓRPIO: Completamente. Estamos presos aqui. No tempo. Seja qual ele for. E sem saber o que ela planeja fazer.
ALVO: Hogwarts parece a mesma.
ESCÓRPIO: Sim, e não podemos ser vistos. Vamos sair logo daqui. ALVO: Precisamos impedi-la, Escórpio.
ESCÓRPIO: Eu sei, mas como?
ATO TRÊS, CENA VINTE E UM
LAR ST. OSWALD PARA BRUXOS IDOSOS,