Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

J. K. Rowling · Capítulo 15 de 16

Páginas do PDF

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

Quarto de Delphi

HARRY, HERMIONE, RONY, DRACO E GINA olham para um simples quarto feito de tábuas de carvalho.

HARRY: Deve ter usado o feitiço Confundus nele. Em todos eles. Fingiu ser uma enfermeira, ser sua sobrinha.

HERMIONE: Acabei de checar com o Ministério, e não há registro dela. É apenas uma sombra.

DRACO: Specialis Revelio!

Todos olham para DRACO.

DRACO: Ah, foi só uma tentativa. Não sabemos de nada. Devemos esperar que o quarto nos revele algo.

GINA: Onde poderia esconder alguma coisa? É quase um quarto espartano.

RONY: Estas tábuas devem ocultar segredos.

DRACO: Ou a cama.

DRACO começa a examinar a cama, GINA um abajur, e outros as tábuas de madeira da parede.

RONY ( gritando enquanto martela as paredes): O que você esconde? O que tem?

HERMIONE: Talvez devêssemos parar por um momento, e pensar sobre o que...

GINA desparafusa o anteparo de uma lâmpada a óleo. Há um barulho de respiração, e então palavras sibiladas.

Todos procuram.

HERMIONE: O que é isto?

HARRY: É algo que eu não deveria estar entendendo. Ofidioglossia.

HERMIONE: E o que diz?

HARRY: Como eu...? Não consigo entender desde a morte de Voldemort.

HERMIONE: E sua cicatriz também não doía.

HARRY olha para HERMIONE.

HARRY: Diz “Bem-vinda, Agoureiro”. Tenho que pedir para que abra.

DRACO: Então, faça.

HARRY fecha os olhos e fala na língua as cobras. A sala se transforma, se tornando mais escura e desesperadora.

Uma reunião de cobras contorcidas aparece pintada nas paredes. E nelas, escrita em tinta fluorescente, uma profecia.

DRACO: Que iss...

RONY: “Quando o Outro for poupado, o tempo voltar e as crianças invisíveis matarem seus pais, o Lorde das Trevas retornará.”

GINA: Uma profecia. Uma nova profecia.

HERMIONE: Cedrico foi chamado de Outro.

RONY: Quando o tempo voltar... Ela está com o Vira-Tempo, não está?

Seus rostos desabam.

HERMIONE: Irá cumpri-la.

RONY: Mas por que precisa de Escórpio ou Alvo?

HARRY: Porque eu sou o pai com uma criança invisível. Um pai que não entende seu filho.

DRACO: Quem é ela? Por que está tão obcecada nestas coisas?

GINA: Acho que tenho a resposta.

Todos se viram, e ela aponta para cima. Seus rostos desabam mais ainda, cheios de medo. Palavras se revelam em todas as paredes do auditório. Palavras perigosas, horríveis.

“Eu renascerei as Trevas. Trarei meu pai de volta.”

RONY: Não. Ela não pode...

HERMIONE: Como é possível?

DRACO: Voldemort teve uma filha?

Eles olham, horrorizados. GINA segura a mão de HARRY.

HARRY: Não, não, não. Isso não. Tudo menos isto.

Então, tudo fica escuro.

ATO QUATRO, CENA UM

MINISTÉRIO DA MAGIA, SALÃO DE REUNIÕES

Bruxos e bruxas de vários lugares enchem o salão de reuniões. HERMIONE anda rapidamente até o palco e ergue as mãos pedindo silêncio. Silêncio. Está surpresa pela rapidez na qual conseguiu. Depois, olha ao redor.

HERMIONE: Obrigado. Agradeço a presença de todos na minha Segunda Reunião Geral Extraordinária. Tenho algumas coisas a dizer. Peço que esperem para fazer perguntas — haverá muitas — quando eu acabar de falar. Como a maioria sabe, um corpo foi encontrado em Hogwarts. Seu nome era Craig Bowker. Era um bom garoto. Não temos certeza do responsável pelo ato, mas ontem fomos até o Lar St. Oswald e um quarto nos revelou duas coisas: a primeira é que uma profecia promete o retorno das trevas, e a segunda são alguns escritos no teto, uma proclamação de que o Lorde das Trevas teve uma filha.

As notícias reverberam pelo salão.

HERMIONE: Não sabemos todos os detalhes. Estamos investigando, questionando aqueles que têm uma conexão com os Comensais da Morte, e, por enquanto, nenhum registro foi encontrado da criança ou da profecia. Mas parece que há algo verdadeiro ali. A criança foi mantida escondida do mundo mágico, e agora está resurgindo.

PROFESSORA McGONAGALL: Ela? Uma filha? Voldemort teve uma filha?

HERMIONE: Sim.

PROFESSORA McGONAGALL: E está em custódia?

HARRY: Professora, sem perguntas!

HERMIONE: Tudo bem, Harry. Não, professora, aí que está o problema. Temo que não podemos mantê-la em custódia. Ou pior, impedi-la de fazer qualquer coisa. Ela está fora de nosso alcance.

PROFESSORA McGONAGALL: Não podemos procurá-la?

HERMIONE: Temos bons motivos para acreditar que está se escondendo... no tempo.

PROFESSORA McGONAGALL: Ainda guardou o Vira-Tempo?

HERMIONE: Professora, asseguro...

PROFESSORA McGONAGALL: Que vergonha, Hermione Granger. HERMIONE recua diante da raiva.

HARRY: Não, ela não merece isto. A senhora e todos tem o direito de ficar com raiva, mas não é culpa da Hermione.

Não sabemos como conseguiu o Vira-Tempo, se meu filho deu a ela...

GINA: Se nosso filho a deu, ou se roubou dele.

GINA se junta a HARRY no palco.

PROFESSORA McGONAGALL: Sua solidariedade é admirável, mas não esconde sua negligência.

DRACO: Então é uma negligência na qual também sou responsável.

DRACO sobe no palco ao lado de GINA. É praticamente um momento espartano. Há arquejos.

DRACO: Hermione e Harry não fizeram nada de errado, só tentaram nos proteger. Se são culpados, também sou.

HERMIONE olha para as pessoas, se mexendo. RONY se junta ao palco.

RONY: Não sei muito a respeito do assunto, então não posso ser responsável. E tenho certeza que meus filhos não têm nada a ver com isso. Mas, se meus amigos estão aqui, em pé, também estou.

GINA: Ninguém sabe se estão juntos ou separados. Acredito que nossos filhos estão fazendo tudo o que podem para impedi-la, mas...

HERMIONE: Não desistiremos. Fomos até os gigantes, até os trasgos e a todos que pudemos encontrar. Os Aurores estão voando, procurando, conversando com aqueles que sabem dos segredos e seguindo os que não os revelam.

HARRY: Mas há uma verdade da qual não podemos escapar. Que em algum lugar do nosso passado, uma bruxa está tentando reescrever tudo o que sabemos. E agora, só nos resta esperar. Esperar pelo momento em que terá sucesso, ou falhará.

PROFESSORA McGONAGALL: E se ela conseguir?

HARRY: Então a maioria de nós partirá. Não existiremos mais, e Voldemort governará novamente.

ATO QUATRO, CENA DOIS

TERRAS ALTAS ESCOCESAS,

ESTAÇÃO DE TREM AVIEMORE, 1981

ALVO e ESCÓRPIO estão olhando para o chefe da estação, apreensivos.

ALVO: Um de nós deveria falar com ele, não acha?

ESCÓRPIO: Ola, Sr. Trouxa, Chefe da Estação, viu uma bruxa voadora por aqui? E falando nisso, em que ano estamos? Acabamos de fugir de Hogwarts porque estávamos com medo de piorar as coisas, mas está tudo bem?

ALVO: Sabe o que mais me irrita? Meu pai achará que fizemos de propósito.

ESCÓRPIO: Alvo. Sério? Estamos presos, perdidos no tempo, e está preocupado com o que talvez seu pai pense?

Nunca irei entendê-los.

ALVO: Há muito para entender. Ele é complicado.

ESCÓRPIO: E você não é? Não quero questionar seu gosto pelas mulheres, mas pensou que... bom...

Ambos sabem de quem ele está falando.

ALVO: Pensei, não é? Quer dizer, o que fez ao Craig.

ESCÓRPIO: Não pensaremos. Vamos focar no fato de que não temos varinha, vassoura ou algum um meio de voltar.

Só nos resta nossa sagacidade. Temos que impedi-la.

CHEFE DA ESTAÇÃO ( em um escocês muito forte): Rapazes, estão esperando o trêm?

ESCÓRPIO: Desculpe?

CHEFE DA ESTAÇÃO: O horário mudou. Estão adiantados. Ele parte daquela lado.

Ele os observa, e os dois olham de volta, perplexos. Ele franze as sobrancelhas e mostra o novo horário, apontando para a tabela.

CHEFE DA ESTAÇÃO: Só sai à tarde.

ALVO pega a tabela e a examina. Sua feição muda quando lê. ESCÓRPIO encara o CHEFE DA ESTAÇÃO.

ALVO: Eu sei onde ela está.

ESCÓRPIO: Você conseguiu entender?

ALVO: Olhe a data na tabela.

ESCÓRPIO se encosta e lê.

ESCÓRPIO: Trinta de outubro de 1981. Véspera do Dia das Bruxas, trinta e nove anos atrás. Mas por que estaria...?

Ah.

O rosto de ESCÓRPIO despenca quando percebe.

ALVO: A morte dos meus avós. O ataque ao meu pai quando ainda era um bebê. O momento em que a maldição de Voldemort ricocheteou. Ela não está tentando cumprir a sua profecia, está tentando evitar a outra.

ESCÓRPIO: A outra?

ALVO: “Aquele com o poder de vencer o Lorde das Trevas se aproxima...”

ESCÓRPIO se junta a ele.

ALVO e ESCÓRPIO: “...nascido do que os desafiaram três vezes, nascido ao terminar o sétimo mês.”

ESCÓRPIO sente cada palavra.

ESCÓRPIO: É tudo minha culpa. Disse que profecias podem ser quebradas, questionadas.

ALVO: Em vinte e quatro horas, Voldemort se amaldiçoará tentando matar o bebê Harry Potter. Delphi está tentando evitá-lo. Ela mesma matará Harry. Precisamos chegar a Godric’s Hollow. Agora.

ATO QUATRO, CENA TRÊS

GODRIC’S HOLLOW, 1981

ALVO e ESCÓRPIO andam pelo centro de Godric’s Hollow, um pequeno e belo povoado.

ESCÓRPIO: Não há sinais de ataque.

ALVO: Estamos mesmo em Godric’s Hollow?

ESCÓRPIO: Seu pai nunca o trouxe aqui?

ALVO: Não. Tentou algumas vezes, mas recusei.

ESCÓRPIO: Não há tempo para um tour. Precisamos salvar o mundo de uma bruxa assassina. Mas veja, a Igreja de São Jerônimo...

Enquanto ele apontava, uma igreja se tornava visível.

ALVO: É linda.

ESCÓRPIO: E o cemitério de São Jerônimo, que dizem ser mal assombrado. ( Ele aponta em outra direção) É ali que a estátua de Harry e seus pais estará.

ALVO: Meu pai tem uma estatua?

ESCÓRPIO: Ah, ainda não. Mas terá. Com sorte. E aqui é a casa em que Batilda Bagshot vivia. Ou melhor, vive.

ALVO: A Batilda Bagshot? Batilda Bagshot de Uma História da Magia?

ESCÓRPIO: A própria. Meu Deus, é ela! Uau! Na mosca. Minha “nerdice” está palpitando.

ALVO: Escórpio!

ESCÓRPIO: E aqui é...

ALVO: A casa de Tiago, Lílian e Harry Potter.

Um casal jovem e bonito deixa a casa com um bebê em um carrinho. ALVO se move em sua direção, mas ESCÓRPIO

o puxa de volta.

ESCÓRPIO: Não podem te ver, Alvo. Se acontecer, o futuro pode mudar, e não faremos isto desta vez.

ALVO: Quer dizer que ela não viverá? Estamos aqui, Escórpio. Não podemos deixar que...

ESCÓRPIO: E o que fazemos agora? Nos preparamos para lutar? Delphi está furiosa.

ALVO: Sim, mas não pensamos nesta parte, né? O que fazemos agora? Como protegemos meu pai?

ATO QUATRO, CENA QUATRO

MINISTÉRIO DA MAGIA, ESCRITÓRIO DE HARRY

HARRY procura algo apressadamente em seus papéis.

DUMBLEDORE: Boa noite, Harry.

Há uma batida. HARRY olha para o retrato de DUMBLEDORE, indiferente.

HARRY: Professor Dumbledore, no meu escritório, quanta honra. Devo estar onde a ação está hoje à noite?

DUMBLEDORE: O que está fazendo?

HARRY: Procurando por papéis, vendo se deixei escapar o que não deviria. Organizando forças para lutar do jeito limitado que podemos, sabendo que a batalha está piorando muito longe de nós. O que mais posso fazer?

Pausa. DUMBLEDORE não diz nada.

HARRY: Onde estava, Dumbledore?

DUMBLEDORE: Estou aqui.

HARRY: Agora que a batalha está perdida? Duvida que Voldemort retornará?

DUMBLEDORE: É possível.

HARRY: Vá embora. Saia. Não o quero aqui. Esteve ausente todas as vezes que precisamos. O derrotei três vezes sem você, e derrotarei de novo, se precisar. Sozinho.

DUMBLEDORE: Harry, não acha que gostaria de ter lutado em seu lugar? Se pudesse, o livraria.

HARRY: “O amor nos cega”? Pelo menos sabe o que significa? Sabe o quanto este conselho foi ruim? Meu filho está lutando batalhas por nós do mesmo jeito que fiz por ti. E tenho provado ser um pai ruim a ele, como você foi para mim. O

deixei em lugares onde não se sentia amado, ajudando a crescer nele ressentimentos que demorarão anos para serem cicatrizados.

DUMBLEDORE: Se está referindo à Rua dos Alfeneiros...

HARRY: Anos. Passei muito tempo sozinho, sem saber o que eu era ou porque estava lá. Achando que ninguém se importava!

DUMBLEDORE: Não queria me apegar a você...

HARRY: Estava protegendo a si mesmo!

DUMBLEDORE: Não, estava te protegendo. Não queria machucá-lo...

DUMBLEDORE tenta sair para fora do retrato, mas não pode. Começa a chorar, tentando esconder.

DUMBLEDORE: Mas tive que encontrá-lo no fim, onze anos depois. Era tão corajoso, tão bom. Andava pacientemente pelo seu próprio caminho. Claro que o amei Harry. E sabia que se isto acontecesse novamente, causaria um dano irreparável. Não sirvo para o amor. Nunca amei sem causar dor.

Há uma batida.

HARRY: Não me amaria menos se tivesse me contado naquela época.

DUMBLEDORE ( chorando abertamente agora): Estava cego. É o que o amor faz. Não pude ver que precisava saber que este reservado, complicado e perigoso velho te amava.

Uma pausa. Os dois estão emocionados.

HARRY: Não é verdade que nunca reclamei.

DUMBLEDORE: Harry, não há resposta perfeita neste bagunçado mundo emocional. A perfeição está além da humanidade, além da magia. Em cada momento de felicidade é derramado um veneno: o conhecimento de que a dor virá de novo. Seja honesto com os que ama, mostre sua dor. Sofrer é tão humano quanto respirar.

HARRY: Me disse isto uma vez.

DUMBLEDORE: É tudo que posso lhe oferecer hoje.

Ele começa a sair.

HARRY: Não vá!

DUMBLEDORE: Aqueles que amamos nunca nos abandonam, Harry. Há coisas que a morte não pode mudar.

Histórias, memórias e amor.

HARRY: Também te amei, Dumbledore.

DUMBLEDORE: Eu sei.

Ele se vai, e HARRY fica sozinho. DRACO entra.

DRACO: Sabia que nesta outra realidade que Escórpio viu, eu era Chefe de Execução das Leis da Magia? Talvez esta sala seja minha em breve. Você está bem?

HARRY está consumido pela tristeza.

HARRY: Entre, pode olhá-la.

DRACO entra hesitante na sala, olhando tudo em volta.

DRACO: Eu nunca quis ser um homem do Ministério, mesmo quando criança. Este sonho sempre foi do meu pai.

HARRY: O que queria fazer?

DRACO: Quadribol. Mas não era bom o suficiente. Principalmente, queria ser feliz.

HARRY acena, e DRACO o olha por mais um segundo.

DRACO: Desculpe, não sou bom em papos furados. Se importa se pularmos para a parte séria?

HARRY: Claro. Qual parte seria?

Há uma batida.

DRACO: Acha que Teodoro Nott só tinha um Vira-Tempo?

HARRY: O quê?

DRACO: O Vira-Tempo que o Ministério pegou era um protótipo, feito de metal barato. Voltava no tempo, claro, mas só por cinco minutos. Era uma falha séria, não uma coisa a se vender a colecionadores de Magia Negra.

HARRY percebe o que DRACO está dizendo.

HARRY: Ele trabalhava para você?

DRACO: Não, para meu pai. Gostava de ter coisas que mais ninguém tinha. Os Vira-Tempos do Ministério, graças ao Croaker, sempre foram insuficientes. Queria ter a habilidade de voltar mais do que uma hora, mas sim, anos. Nunca os usou.

Secretamente, acho que preferia um mundo sem Voldemort. Mas é verdade, o Vira-Tempo foi construído para ele.

HARRY: E você o guardou?

DRACO revela o Vira-Tempo.

DRACO: Sem o problema dos cinco minutos, e brilha como ouro, como os Malfoy gostam. Você está sorrindo.

HARRY: Hermione Granger. Foi o motivo pelo qual o guardou, por medo de que houvesse outro. O escondendo, não poderia ser mandado para Azkaban.

DRACO: Considere outra alternativa. Se as pessoas soubessem que tenho a habilidade de viajar no tempo, os rumores teriam crédito.

HARRY olha para DRACO, o entendendo perfeitamente.

HARRY: Escórpio.

DRACO: Nós poderíamos ter filhos, mas Astoria era frágil. Houve uma maldição sanguínea. Um ancestral foi amaldiçoado, e ela herdou a doença. Sabe como essas coisas podem ressurgir depois de gerações.

HARRY: Sinto muito, Draco.

DRACO: Não quis arriscar sua saúde, e disse que não me importava com a linhagem dos Malfoy, independente do que meu pai dissesse. Mas Astoria não queria um bebê pelo meu sobrenome, pelo sangue ou pela glória, mas por nós. Nosso filho, Escórpio, nasceu, e foi o melhor dia de nossas vidas, ainda que o nascimento tenha enfraquecido mais Astoria. Nós nos escondemos. Queria conservar sua força, então os rumores começaram.

HARRY: Não consigo imaginar como foi doloroso.

DRACO: Ela sempre soube que não viveria muito tempo. Queria que eu conhecesse alguém quando morresse, porque é muito solitário ser o Draco Malfoy. Sempre suspeitarão, não há como escapar do passado. Nunca percebi, entretanto, que o escondendo deste mundo fofoqueiro e julgador, quase fiz com que meu filho emergisse em uma situação pior do que pude imaginar.

HARRY: O amor cega. Ambos tentamos dar a nossos filhos o que não precisavam, mas o que nós precisávamos.

Ficamos tão ocupados tentando reescrever nossos passados, que ofuscamos o presente deles.

DRACO: E é por isso que precisa disto. Tenho guardado, resistindo para não o usar. Venderia minha alma por mais um minuto com Astoria.

HARRY: Draco, não podemos usá-lo.

DRACO olha para HARRY e, pela primeira vez, no fundo deste terrível poço, se olham como amigos.

DRACO: Temos que encontrá-los mesmo que demore séculos.

HARRY: Não temos ideia de onde ou em que época estão. Procurar no tempo algo que não se tem ideia de onde procurar, é um serviço tolo. Temo que o amor não fará isto, nem mesmo um Vira-Tempo. Tudo está nas mãos dos nossos filhos. Eles são os únicos que podem nos salvar.

ATO QUATRO, CENA CINCO

GODRIC’S HOLLOW,

FORA DA CASA DE TIAGO E LÍLIAN POTTER, 1981

ALVO: Contaremos para os meus avós?

ESCÓRPIO: Que nunca verão o filho crescer?

ALVO: Ela é forte o bastante para entender. Sei que é, eu a vi.

ESCÓRPIO: Eu sei, parece maravilhosa, Alvo. Se eu fosse você, estaria desesperado para abraçá-la. Mas ela precisa ser capaz de implorar a Voldemort pela vida de Harry. Deve pensar que ele morrerá. Se fizer isto, será o maior estraga prazer de um mundo que acabou não existindo.

ALVO: Dumbledore! Ele está vivo. Temos que envolvê-lo. Faremos como fez com Snape...

ESCÓRPIO: Podemos arriscá-lo ao saber que seu pai sobrevive? Que terá filhos?

ALVO: É o Dumbledore! Pode cooperar com qualquer coisa!

ESCÓRPIO: Alvo, existem muitos livros escritos sobre o que Dumbledore sabia e como sabia, e porque fez o que fez.

Mas sobre o que precisa fazer, não. Não arriscarei, mexendo nisso. Eu pude pedir ajuda porque estava em uma realidade alternativa, mas nós não. Estamos no passado. Não podemos arrumar o tempo só para criar mais problemas. Se nossas aventuras nos ensinaram alguma coisa, foi isso. Os perigos de conversar com alguém e infectar o tempo são enormes.

ALVO: Então precisamos conversar com o futuro, mandar uma mensagem pro meu pai.

ESCÓRPIO: Mas não temos uma coruja que viaja pelo tempo. E ele, um Vira-Tempo.

ALVO: Conseguiremos. Tenho certeza que dará um jeito de vir aqui, mesmo que tenha que construir um.

ESCÓRPIO: Mandaremos uma memória, como uma Penseira. Ficaremos em frente a ele bebê, pediremos ajuda e esperamos que a encontre no momento exato. Não é provável, mas gritar repetidamente SOCORRO, SOCORRO, SOCORRO, vai traumatizá-lo.

ALVO: Só um pouco.

ESCÓRPIO: Ah, um pouco de drama agora não é nada comparado ao que está acontecendo. E talvez quando pensar, mais tarde, no futuro, lembre-se dos nossos rostos gritando...

ALVO: Socorro.

ESCÓRPIO olha para ALVO.

ESCÓRPIO: Está certo, é uma ideia terrível.

ALVO: Uma das piores que já teve.

ESCÓRPIO: Já sei! Nos entregamos e esperamos quarenta anos. Esperamos que...

ALVO: Sem chance. Uma vez que Delphi fizer o que quiser com o tempo, mandará exércitos para nos encontrar e nos matar.

ESCÓRPIO: Então a gente se esconde em um buraco?

ALVO: Como será prazeroso me esconder em um buraco contigo pelos próximos quarenta anos. Ela nos encontrará, morreremos e o tempo estará preso da maneira errada. Não. Precisamos de algo que podemos controlar, que sabemos que estará exatamente no momento certo. Precisamos de...

ESCÓRPIO: Não há nada. De qualquer forma, se eu pudesse escolher uma companhia para ficar no retorno das trevas para sempre, te escolheria.

ALVO: Sem ofensas, mas eu escolheria alguém realmente muito bom com mágica.

LÍLIAN sai de casa com o HARRY BEBÊ rumo à praça, cuidadosamente o embrulhando em um cobertor. O seu cobertor.

ESCÓRPIO: Hoje o dia está um pouco frio.

ALVO: Meu pai me disse que foi a única coisa que teve dela. Olha o amor com o qual o coloca nele. Acho que gostaria de saber disso. Gostaria de poder contá-lo.

ESCÓRPIO: E eu queria poder contar ao meu pai algo que não sei. Contar que sou ocasionalmente capaz de ter mais coragem do que imagina.

ALVO tem uma ideia.

ALVO: Escórpio, meu pai ainda tem aquele cobertor.

ESCÓRPIO: Não vai funcionar. Se a gente escrever a mensagem agora, mesmo que muito pequena, ela lerá e tempo a estragará.

ALVO: O que sabe sobre Poções do Amor? Quais são os ingredientes que contém?

ESCÓRPIO: Entre outras coisas, pó de pérola.

ALVO: Pó de pérola é um ingrediente relativamente raro, né?

ESCÓRPIO: Principalmente porque é bem caro. Por que isso, Alvo?

ALVO: Meu pai e eu brigamos um dia antes deu ir para Hogwarts.

ESCÓRPIO: Eu sei, e acho que, por este motivo, estamos nesta confusão.

ALVO: Joguei o cobertor pelo quarto, que bateu em uma Poção do Amor que Rony tinha me dado como uma brincadeira.

ESCÓRPIO: O Rony é bem engraçado.

ALVO: A Poção derramou por todo o cobertor, e eu soube que minha mãe não o deixou entrar no meu quarto desde que sai.

ESCÓRPIO: E?

ALVO: E está chegando a véspera do Halloween nesse e no outro tempo, e lembro que me disse que precisa estar com ele nessa data. Então irá procurá-lo, e quando encontrar...

ESCÓRPIO: Continuo sem entender.

ALVO: O que reage com pó de pérola?

ESCÓRPIO: Tintura de Seminviso. Dizem que se os dois se encontrarem, queimam.

ALVO: E tintura de ( ele não tem certeza de como pronunciar a palavra) Seminviso é visível a olho nu?

ESCÓRPIO: Não.

ALVO: Então se pegarmos aquele cobertor e escrevermos com ela, iria...

ESCÓRPIO ( eureca): ...reagir quando entrasse em contato com a Poção do Amor. No seu quarto. No presente. Por Dumbledore, amei isto.

ALVO: Só precisamos descobrir onde encontrar alguns Seminvisos.

ESCÓRPIO: O boato é que Batilda Bagshot nunca entendeu o porquê dos bruxos trancarem suas portas.

A porta se abre.

ESCÓRPIO: O boato estava certo. É hora de roubar umas varinhas e um pouco de ingredientes.

ATO QUATRO, CENA SEIS

CASA DE HARRY E GINA POTTER, QUARTO DE ALVO

HARRY está sentado na cama de ALVO. GINA entra, e olha para ele.

GINA: Estou surpresa por te encontrar aqui.

HARRY: Não se preocupe, não mexi em nada. Seu santuário está preservado. ( Ele estremece. ) Não queria dizer isto.

GINA não diz nada, mas HARRY a olha.

HARRY: Já tive vésperas de Halloween terríveis, mas esta é, sem dúvida, a segunda pior.

GINA: Estava errada em te culpar. Alvo sumiu, mas não por sua causa. Desculpa.

HARRY: Acha que não foi por mim?

GINA: Harry, ele foi sequestrado por uma poderosa bruxa das trevas. Como poderia ter sido você?

HARRY: Eu o fiz ir embora. Fiz ir até ela.

GINA: Podemos parar de agir como se a batalha estivesse perdida?

GINA balança a cabeça. HARRY começa a chorar.

HARRY: Sinto muito, Gin...

GINA: Está me escutando? Também sinto muito.

HARRY: Eu não deveria ter sobrevivido. Meu destino era morrer. Até Dumbledore acreditava nisso, e ainda assim, vivi. Derrotei Voldemort. Todas aquelas pessoas morreram — meus pais, Fred, os mortos na Batalha — e eu que sobrevivo?

Por que? Todo o estrago foi por minha culpa.

GINA: Eles foram mortos por Voldemort.

HARRY: Mas e se eu o tivesse parado antes? Todo o sangue está derramado sobre as minhas mãos. E agora nosso filho também foi levado.

GINA: Ele não está morto, Harry. Não está.

Ela abraça HARRY, e há uma grande pausa preenchida com pura infelicidade.

HARRY: O Menino Que Sobreviveu. Quantas pessoas morreram pelo Menino Que Sobreviveu?

HARRY oscila por um momento, incerto. Então percebe o cobertor, e anda até ele.

HARRY: Esse cobertor é tudo o que tenho da véspera do Halloween. Tudo que tenho para me lembrar deles. E

ainda...

Ele pega o cobertor, descobrindo que há buracos. Então continua olhando, consternado.

HARRY: Está cheio de buracos. A Poção do Amor de Rony o queimou. Olha isso, está arruinado.

Ele abre o cobertor e vê algo escrito queimando nele. HARRY fica surpreso.

HARRY: O quê?

GINA: Harry, tem alguma coisa escrita...

Em outra parte do palco, ALVO e ESCÓRPIO aparecem.

ALVO: “Pai...”

ESCÓRPIO: Vamos começar com “Pai”?

ALVO: Sim, e saberá que sou eu.

ESCÓRPIO: Devíamos começar com “Harry.”

ALVO ( firme): Vamos começar com “Pai.”

HARRY: “Pai”? Está escrito “Pai”? Não está muito nítido.

ESCÓRPIO: “Pai, SOCORRO.”

GINA: “Corro”? Está escrito “Corro”? E então “Godão”.

HARRY: “Pai Corro Godão Hall”? Não. Essa brincadeira é muito estranha.

ALVO: “Pai. Socorro. Godric’s Hollow.”

GINA: Deixa eu ver. Minha visão é melhor do que a sua. Sim, diz “Pai Corro Godão”. Não, é “corro”, e isso aqui é

“Hallow” ou “Hollow”? Tem alguns algarismos, que estão claros. “3, 1, 1, 0, 8, 1.” Isso é um número de telefone trouxa, ou uma localização?

HARRY olha, e muitos pensamentos são esmagados em seu cérebro de uma só vez.

HARRY: Não, é uma data. 31 de outubro de 1981. O dia em que meus pais foram mortos.

GINA olha para HARRY, e então olha de volta para o cobertor.

GINA: Não diz “Corro.” Diz “Socorro.”

HARRY: “Pai. Socorro. Godric’s Hollow. 31/10/81.” É uma mensagem.

HARRY beija GINA com força.

GINA: Foi Alvo que escreveu?

HARRY: Sim, e me contou onde e em que tempo estão. Agora que sabemos o local, podemos lutar contra ela.

Ele a beija de novo.

GINA: Mas ainda não os trouxemos de volta.

HARRY: Mandarei uma coruja a Hermione. Mande outra para Draco. Diga-o para nos encontrar em Godric’s Hollow, com o Vira-Tempo.

GINA: Nem pense em ir sem mim, Harry.

HARRY: Claro que irá. Só temos uma chance, Gina, e era tudo o que precisávamos. Uma chance.

ATO QUATRO, CENA SETE

GODRIC’S HOLLOW

RONY, HERMIONE, DRACO, HARRY e GINA andam por Godric’s Hollow no tempo atual. É uma cidade de mercado, movimentada. Expandiu-se muito ao longo dos anos.

HERMIONE: Godric’s Hollow. Faz uns vinte anos que...

GINA: Impressão minha ou tem mais trouxas?

HERMIONE: Ficou bastante popular como um lugar de descanso nos finais de semana.

DRACO: E consigo entender o porque. Olhe para os tetos de palha. É uma feira livre?

HERMIONE se aproxima de HARRY, que está olhando ao seu redor, estupefato com o que vê.

HERMIONE: Lembra a última vez que viemos aqui? Parece como nos velhos tempos.

RONY: Como nos velhos tempos e com alguns “rabos de cavalo” misturados.

DRACO reconheceu a indireta assim que a ouviu.

DRACO: Só digo que...

RONY: Malfoy, pode até estar sendo verdadeiro, mas disse muitas coisas desagradáveis a respeito da minha esposa.

HERMIONE: E ela não precisa que você lute em suas batalhas.

HERMIONE olha seca para RONY, que assente.

RONY: Ótimo. Mas se disser mais alguma coisa...

DRACO: Vai fazer o quê, Weasley?

HERMIONE: Irá te abraçar, porque estamos todos no mesmo time. Não estamos, Rony?

RONY ( hesitando sob o firme olhar dela): Tá bom. Até que acho seu cabelo bonito, Draco.

HERMIONE: Obrigada. Agora, me parece um bom lugar. Vamos lá.

DRACO tira o Vira-Tempo, que começa a rodar um pouco selvagem, enquanto todos tomam seus lugares. E há uma grande luz. Um estrondo.

E o tempo para. E então roda, para um pouco, e começa a voltar, devagar. Então acelera.

Eles se olham.

RONY: E então, deu certo?

ATO QUATRO, CENA OITO

GODRIC’S HOLLOW, GALPÃO, 1981

ALVO olha para cima, maravilhado por ver seus pais. Então, percebe o resto do grupo feliz (RONY, DRACO e HERMIONE).

ALVO: Mãe?

HARRY: Alvo Severo Potter. Estamos felizes em te ver.

ALVO corre e se joga nos braços de GINA, que o abraça, feliz.

ALVO: Receberam nosso aviso?

GINA: Sim, filho.

ESCÓRPIO vai até seu pai.

DRACO: Podemos nos abraçar, se quiser.

ESCÓRPIO olha para o seu pai, incerto. Então se abraçam de uma maneira bem estranha. DRACO sorri.

RONY: Onde está Delphi?

ESCÓRPIO: Sabem sobre ela?

ALVO: Está aqui, em algum lugar do passado, tentando matar meu pai. Quer destruir a profecia antes que Voldemort se amaldiçoe.

HERMIONE: Pensamos nisto. Sabe onde está?

ESCÓRPIO: Não, ela desapareceu. Como conseguiram vim sem um Vira-Tem...?

HARRY ( interrompendo): Essa é uma longa e complicada história, Escórpio. Não temos tempo.

DRACO sorri para HARRY, agradecendo.

HERMIONE: Harry está certo, o tempo é essencial. Godric’s Hollow não é tão grande, mas Delphi pode estar vindo de qualquer direção. Precisamos de um lugar que nos dê uma boa visão da cidade, que permita-nos múltiplos e claros pontos de observação e óbvio, que nos mantenham escondidos. Não podemos ser vistos.

Todos franzem a testa, pensando.

HERMIONE: A igreja de São Jerônimo me parece ter todos estes atributos, não acham?

ATO QUATRO, CENA NOVE

GODRIC’S HOLLOW, IGREJA DE SÃO JERÔNIMO,

SANTUÁRIO, 1981

ALVO está dormindo em um banco. GINA o observa, cuidadosamente. HARRY está olhando para a janela oposta.

GINA: O que foi, Harry?

HARRY: Nada. Por que Delphi não está aqui?

GINA: Harry, estamos juntos, e seus pais, vivos. Podemos voltar no tempo, mas não acelerá-lo. Ela virá quando estiver pronta, e estaremos prontos para enfrentá-la.

Ela olha ALVO dormindo.

GIN: Ou só alguns de nós.

HARRY: Alvo pensou que podia salvar o mundo.

GINA: Mas salvou. Aquele cobertor foi um truque de mestre. Quer dizer, quase o destruiu também, mas, provavelmente, é melhor esquecermos.

HARRY: Acha que ele está bem?

GINA: Vai ficar. Só precisa de um tempo, como você.

HARRY sorri. Ela olha de volta para ALVO, e depois HARRY o olha. GINA: Depois que abri a Câmara Secreta, depois que Voldemort me enfeitiçou com aquele horrível diário...

HARRY: Eu me lembro.

GINA: ...após sair do hospital, todos me ignoraram. Menos um garoto. Ele era da Grifinória, e me desafiou a jogar Snaps Explosivos. As pessoas pensam que sabem tudo sobre você, Harry, mas sempre foi um herói, de maneiras discretas. O

que estou tentando dizer é que, depois que tudo acabar, apenas se lembre que alguns — particularmente as crianças — só precisam de alguém pra jogar Snaps Explosivos também.

HARRY: Acha que é disso que estamos esquecendo? Dos Snaps Explosivos?

GINA: Não, mas do amor que senti por você depois daquele dia. Tenho certeza que Alvo não o sente.

HARRY: Eu faria qualquer coisa por ele.

HARRY: Harry, faria qualquer coisa por qualquer pessoa. Estava bem feliz em se sacrificar pra salvar o mundo. Alvo precisa sentir um amor específico, só dele. Isso irá fazê-los mais forte.

HARRY: Foi depois de Alvo desaparecer que realmente compreendi o que minha mãe foi capaz de fazer por mim.

Um contra-feitiço tão poderoso que repeliu o feitiço da morte.

GINA: E o único encanto que Voldemort não poderia entender, o amor.

HARRY: Mas eu o amo, Gina.

GINA: Eu sei, mas ele precisa senti-lo.

HARRY: Sou muito sortudo por ter você.

GINA: É sim, e ficarei feliz em discutir contigo o quanto, porém, em outra hora. Agora, focaremos em deter Delphi.

HARRY: Estamos ficando sem tempo.

Um pensamento ocorre a GINA.

GINA: Por que ela escolheu o dia de hoje?

HARRY: Porque foi o dia em que tudo mudou.

GINA: Você tem mais de um ano, certo?

HARRY: Um ano e três meses.

GINA: Mas já poderia ter te matado. Está aqui, em Godric’s Hollow, há mais de vinte e quatro horas. O que será que está esperando?

HARRY: Ainda não entendi.

GINA: E se não estiver esperando por você, mas sim, por ele?

HARRY: O quê?

GINA: Delphi escolheu o dia de hoje porque Voldemort está vindo te matar. Ela quer vê-lo. Os problemas de Voldemort só começaram quando te atacou. Se não tivesse feito isto...

HARRY: Teria ficado mais poderoso. As trevas apenas ficariam mais fortes.

GINA: O melhor jeito de destruir a profecia não é matando Harry Potter, e sim, impedindo Voldemort.

ATO QUATRO, CENA DEZ

GODRIC’S HOLLOW, IGREJA DE SÃO JERÔNIMO, 1981

O grupo está reunido e cheio de incertezas.

RONY: Deixe-me ver se entendi direito. Estamos lutando para proteger Voldemort?

ALVO: E deixá-lo matar meus avós? E meu pai?

HERMIONE: Claro, Gina. Delphi não está tentando matar o Harry, e sim, impedindo Voldemort de matá-lo.

Brilhante.

DRACO: Então só o esperamos aparecer?

ALVO: Ela sabe quando ele virá? Porque chegou primeiro em Godric’s Hollow? Será que não tinha certeza de quando viria? Os livros de história não mostram nada a respeito de quando ou como ele chegou?

ESCÓRPIO e HERMIONE: Infelizmente não.

RONY: Caramba! Tem dois deles!

DRACO: Então como podemos ter vantagem?

ALVO: Sabem no que realmente sou bom?

HARRY: É bom em muitas coisas, Alvo.

ALVO: Preparar Poção Polissuco. E acho que Batilda Bagshot tem todos os ingredientes em seu porão. Podemos nos transformar em Voldemort, e trazê-la até nós.

RONY: Para fazer a Poção, precisamos de algo da pessoa. Não temos nada de Voldemort.

HERMIONE: Mas gostei do conceito, um rato falso para o gato.

HARRY: E se usássemos a Transfiguração?

HERMIONE: Nós sabemos como ele é. Temos bruxos excelentes aqui.

GINA: Quer se transfigurar em Voldemort?

ALVO: É o único jeito.

HERMIONE: É, não é?

RONY dá um passo à frente, bravamente.

RONY: Então acho que deva ser eu. Não será legal, mas, provavelmente, sou o mais calmo de todos. Talvez ao me transfigurar no Lorde das Trevas, me prejudicarei menos do que vocês, que são tão intensos!

HARRY dá um passo para longe, pensativo.

HERMIONE: Quem está chamando de intenso?

DRACO: Gostaria de me voluntariar. Ser Voldemort requer precisão — sem ofensa, Rony — e conhecimento sobre as Artes das Trevas.

HERMIONE: Quero me voluntariar também. Como Ministra da Magia, é o meu direito e minha responsabilidade.

ESCÓRPIO: Talvez devesse ter vários...

DRACO: Não se voluntariará, Escórpio.

ALVO: Na verdade...

GINA: Todos estão loucos. Sei o que é ouvir constantemente aquela voz.

HARRY: Não tem jeito. Precisa ser eu.

Todos se viram para Harry.

DRACO: O quê?

HARRY: Pro plano funcionar, Delphi precisa realmente acreditar, sem hesitação. Ela usará Ofidioglossia. Mas, além disso, só eu sei como é se sentir como ele. Como é ser ele. Tem que ser eu.

RONY: Que besteira. Sem chances.

HERMIONE: Harry está certo.

RONY: Não! Não deveria... Voldemort não é algo pra se ser.

GINA: Odeio concordar com meu irmão, mas...

RONY: Poderia até ficar preso no corpo dele para sempre.

HERMIONE: Qualquer um poderia. Sua preocupação é válida, mas...

HARRY: Espera, Hermione. Gina?

GINA e HARRY fazem um contato visual.

HARRY: Se não quiser, não faço. Mas é nossa única saída.

GINA pensa por um momento e então balança a cabeça devagar. O rosto de HARRY se contrai.

GINA: Tudo bem, Harry.

HARRY: Então tá.

DRACO: Nem precisamos discutir o caminho no qual seguirá.

HARRY: Delphi está procurando-o, e virá até mim.

DRACO: E quando encontrá-lo? Devo te lembrar que é uma bruxa muito poderosa.

RONY: Fácil. Ela entra aqui, e nós a destruímos.

DRACO: “A destruímos”?

HERMIONE olha ao redor da sala.

HERMIONE: Esconderemos atrás das portas. Se conseguir trazê-la, ( ela indica o local onde a luz da janela atinge o chão), saímos e certificamos que não terá chance de escapar.

RONY ( com um olhar para DRACO): E então iremos destruí-la.

HERMIONE: Harry, é a nossa última chance. Tem certeza?

HARRY: Sim.

DRACO: Não. Existem muitos “e se”. Muitas coisas podem dar errado. Se ela escapar novamente, não há como imaginar o estrago que possa fazer. Precisamos de um tempo maior para planejar.

ALVO: Draco, confie no meu pai. Não irá nos decepcionar.

HARRY olha para ALVO, comovido.

HERMIONE: Varinhas.

Todos sacam suas varinhas. HARRY segura a dele firme. Há uma luz que cresce e inunda. A transfiguração é lenta e monstruosa. A forma de VOLDEMORT emerge de HARRY. E é horrenda.

Ele se vira, e olha para seus amigos e sua família. Eles o olham de volta, perplexos.

RONY: Caramba.

HARRY/VOLDEMORT: Deu certo, então?

GINA ( séria): Sim.

ATO QUATRO, CENA ONZE

GODRIC’S HOLLOW, IGREJA DE SÃO JERÔNIMO, 1981

RONY, HERMIONE, DRACO, ESCÓRPIO e ALVO estão na janela, olhando para fora. GINA não consegue olhar, e se senta atrás deles. ALVO nota que sua mãe está sentada sozinha, e vai até ela.

ALVO: Vai ficar tudo bem.

GINA: Eu sei, ou espero que saiba. Só não quero vê-lo daquele jeito. O homem que eu amo transformado no que eu mais odeio.

ALVO se senta ao lado da mãe.

ALVO: Eu gostava dela, mãe. E era filha de Voldemort?

GINA: É nisso que são bons, Alvo. Capturar inocentes em suas teias.

ALVO: É tudo minha culpa.

GINA pega ALVO em seus braços.

GINA: Engraçado, seu pai também acha que é toda dele. Estranha dupla vocês são.

ESCÓRPIO: É ela, é ela. Está o observando.

HERMIONE: Em posições. Todos. E lembrem-se, não saiam até que ele a traga para a luz. Só temos uma oportunidade.

Eles se movem rápido.

DRACO: Hermione Granger está mandando em mim. ( Ela se vira para ele. Ele sorri). E até que estou gostando.

ESCÓRPIO: Pai...

Eles se espalham e se escondem atrás de duas portas enormes. HARRY/VOLDEMORT retorna a igreja, anda alguns passos e se vira.

HARRY/VOLDEMORT: Seja quem for que esteja me seguindo, lhe asseguro, irá se arrepender.

DELPHI emerge atrás dele. Está compelida. Este é o seu pai, e esperou toda vida por este momento.

DELPHI: Lorde Voldemort, sou eu.

HARRY/VOLDEMORT: Não a conheço. Saia.

Ela respira profundamente

DELPHI: Sou sua filha.

HARRY/VOLDEMORT: Se fosse, a reconheceria.

Ela olha para ele, implorando.

DELPHI: Venho do futuro. Sou sua filha com Belatriz Lestrange. Nasci na mansão dos Malfoy antes da batalha de Hogwarts, na qual perderá. Tive que vir salvá-lo.

HARRY/VOLDEMORT se vira. Ela encontra seus olhos.

DELPHI: Foi Rodolfo Lestrange, o leal marido de Belatriz, quando retornou à Azkaban, que me contou quem eu era e

me revelou a profecia. Pensou que eu estava destinada a concretizá-la. Sou sua filha, senhor.

HARRY/VOLDEMORT: Conheço Belatriz. Há certas similaridades em seu rosto, embora não tenha herdado o melhor dela. Mas sem provas...

DELPHI fala intensamente Ofidioglossia, e HARRY/VOLDEMORT ri viciosamente.

HARRY/VOLDEMORT: Essa é a sua prova?

DELPHI esforçadamente se levanta no ar. HARRY/VOLDEMORT fala de volta, maravilhado.

DELPHI: Sou o Agoureiro de seu Lorde das Trevas, e estou pronta para dar tudo o que tenho para servir-lhe.

HARRY/VOLDEMORT ( tentando não transparecer seu choque): Aprendeu a voar comigo?

DELPHI: Tentei seguir seus passos.

HARRY/VOLDEMORT: Nunca me deparei com qualquer bruxo ou bruxa que tivesse a intenção de ser igual a mim antes.

DELPHI: Não se engane, não teria a pretensão de ser igual a ti, Lorde. Mas dediquei minha vida em ser a filha que o senhor pudesse se orgulhar.

HARRY/VOLDEMORT ( interrompendo): Vejo o que é, e o que poderia ser. Minha filha.

DELPHI: Pai?

HARRY/VOLDEMORT: Juntos, poderemos ser mais fortes.

DELPHI: Pai...

HARRY/VOLDEMORT: Venha até aqui, na luz, para eu ver o que meu sangue fez.

DELPHI: Sua missão de atacar Harry Potter é um erro. Ele o destruirá.

HARRY/VOLDEMORT: É só um bebê.

DELPHI: Harry tem o amor de sua mãe. Seu feitiço ricocheteará, te destruindo. Ele terá poder e o senhor enfraquecerá. Passará dezessete anos em uma batalha, e perderá.

O cabelo de HARRY/VOLDEMORT começa a crescer. Ele sente, ameaça cobri-los, e puxa seu capuz para cima da cabeça. HARRY/VOLDEMORT: Está certa, não irei atacá-lo.

DELPHI: Pai?

HARRY/VOLDEMORT encolhe, e agora é mais HARRY do que VOLDEMORT. Depois, vira de costas para DELPHI.

DELPHI: Pai?

HARRY ( tentando desesperadamente ainda soar como Voldemort): Seu plano é bom. A luta está cancelada. Terá que me servir. Agora, venha para luz e deixe-me examiná-la.

DELPHI vê uma porta ligeiramente entreaberta sendo puxada para se fechar. Ela franze o cenho, pensando rapidamente, e suas suspeitas aumentam.

DELPHI: Pai...

Ela tenta espiar sua face de novo. Há quase uma dança acontecendo.

DELPHI: Você não é o Lorde Voldemort.

DELPHI solta um raio de sua mão. HARRY a alcança.

DELPHI: Incêndio!

Os raios se encontram em uma linda explosão no meio da sala. E com a outra mão, DELPHI envia raios para as duas portas conforme tentam se abrir.

DELPHI: Potter. Colloportus!

HARRY olha para as portas, desanimado.

DELPHI: O que foi? Achou que seus amigos se juntariam a você?

HERMIONE ( de fora): Harry... Harry...

GINA ( de fora): Ela trancou as portas.

HARRY: Lidarei contigo, sozinho.

Ele se move para atacá-la de novo, mas ela é, de longe, a mais forte. A varinha de HARRY ascende em sua direção.

Está desarmado, indefeso.

HARRY: Como fez...? O que é você?

DELPHI: Tenho te observado há muito tempo. O conheço melhor do que meu pai conheceu.

HARRY: Acha que aprendeu as minhas fraquezas?

DELPHI: Aprendi para ser digna dele! Mesmo sendo o maior bruxo de todos os tempos, ficará orgulhoso de mim.

Expulso!

HARRY rola para longe conforme o chão explode atrás dele. Engatinha freneticamente embaixo dos bancos da igreja, tentando achar um jeito de lutar contra ela.

DELPHI: Está fugindo, Harry Potter? Não é o herói do mundo bruxo? Engatinhando, fugindo como um rato.

Wingardium Leviosa!

O banco da igreja se ergue no ar.

DELPHI: Será que vale a pena gastar meu tempo te matando? No futuro, ao impedir meu pai, o destruirá. Como decidir? Ah, estou entediada, matarei você.

Ela deixa o banco da igreja cair pesadamente sobre ele, que se estraçalha ao mesmo tempo em que Harry rola para longe. ALVO aparece por uma grade no chão. Nenhum dos dois percebe.

DELPHI: Avada...

ALVO: Pai...

HARRY: Alvo! Não!

DELPHI: Os dois? Escolhas e mais escolhas. Acho que matarei o garoto primeiro. Avada Kedavra!

Ela lança a maldição da morte em ALVO, mas Harry o arremessa para longe. O raio atinge o chão. Ele lança um raio de volta.

DELPHI: Acha que é mais forte do que eu?

HARRY: Não, não sou.

Eles lançam raios impiedosamente um ao outro, enquanto ALVO rola rapidamente, lançando um feitiço nas duas portas.

HARRY: Mas nós somos.

ALVO abre as duas portas com a varinha.

ALVO: Alohomora! Alohomora!

HARRY: Nunca lutei sozinho, e nunca lutarei.

Então HERMIONE, RONY, GINA e DRACO surgem pelas portas, e disparam seus feitiços contra ela, que grita exasperada, mas não consegue combatê-los. Uma série de bangs e raios são lançados, e DELPHI, sobrecarregada, cai no chão.

DELPHI: Não... Não...

HERMIONE: Barchiabindo!

Ela está amarrada, e HARRY avança em sua direção, fixando os olhos nela. Os outros se afastam.

HARRY: Alvo, está bem?

ALVO: Sim, pai.

HARRY continua olhando para DELPHI, muito assustado.

HARRY: Gina, ele está machucado? Preciso saber se está seguro.

GINA: Ele insistiu. Era o único pequeno o suficiente para se esgueirar pela grade. Tentei impedi-lo.

HARRY: Apenas me diga que está bem.

ALVO: Estou bem, pai. Juro.

HARRY continua avançando em direção a DELPHI.

HARRY: Muitas pessoas tentaram me machucar, mas meu filho não! Se atreveu a machucar meu filho?

DELPHI: Só queria conhecer meu pai.

Estas palavras pegam HARRY de surpresa.

HARRY: Não pode refazer sua vida, sempre será uma órfã. Isso nunca a deixará.

DELPHI: Só me deixe vê-lo.

HARRY: Não posso, e não vou.

DELPHI ( realmente deplorável): Então me mate.

HARRY pensa por um momento.

HARRY: Também não farei isto.

ALVO: O quê? Pai? Ela é perigosa.

HARRY: Não, Alvo.

ALVO: É uma assassina. Eu a vi matar...

HARRY se vira para olhar seu filho, e então, para GINA.

HARRY: Sim, Alvo, é uma assassina, mas nós não somos.

HERMIONE: Temos que ser melhores do que eles.

RONY: Sim. É um saco, mas foi o que aprendemos.

DELPHI: Tire minha consciência, minha memória. Me faça esquecer quem sou.

RONY: Não, a levaremos para o nosso tempo.

HERMIONE: E irá para Azkaban, como sua mãe.

DRACO: Onde apodrecerá para sempre.

HARRY ouve um barulho. Um sibilo. E então há um barulho que soa como morte, um que nunca ouviram antes.

HAAARRY POTTTTER…

ESCÓRPIO: O que é isso?

HARRY: Não. Não. Ainda não.

RONY: Voldemort.

DELPHI: Pai.

HERMIONE: Agora? Aqui?

DELPHI: Pai!

DRACO: Silencio! ( DELPHI é silenciada. ) Wingardium Leviosa! ( Ela é içada para cima e longe de vista).

HARRY: Ele está vindo. Está vindo, agora.

VOLDEMORT vem de trás do palco, o cruza, e desce para o auditório. Ele traz a morte, e todos sabem disto.

ATO QUATRO, CENA DOZE

GODRIC’S HOLLOW, 1981

HARRY procura por VOLDEMORT, desamparado.

HARRY: Voldemort está indo matar meus pais, e não posso fazer nada para impedi-lo.

DRACO: Não é verdade.

ESCÓRPIO: Pai, agora não.

ALVO: Existe algo, mas você não vai.

DRACO: Isso é bem heróico.

GINA pega na mão de HARRY.

GINA: Não precisa assistir, Harry. Podemos ir pra casa.

HARRY: É preciso que aconteça. Tenho que assistir.

HERMIONE: Então todos nós vamos.

RONY: Veremos juntos com você.

Ouvimos vozes desconhecidas…

TIAGO ( de fora): Lílian, pegue o Harry e corra. É ele! Vá! Corra! Irei atrasá-lo...

Uma explosão ocorre, e então uma gargalhada.

TIAGO ( de fora): Afaste-se. Afaste-se.

VOLDEMORT ( de fora): Avada Kedavra!

Harry se encolhe, enquanto uma luz verde brilha em volta do auditório. ALVO pega sua mão, HARRY a agarra e segura. Ele precisa disso.

ALVO: Ele fez tudo o que pôde.

GINA se levanta ao seu lado e pega a outra mão de HARRY. Ele se inclina para eles, sendo apoiado.

HARRY: É minha mãe, na janela. Consigo vê-la. Está linda.

Há um estrondo de portas sendo explodidas.

LÍLIAN ( de fora): O Harry não, não. Por favor, o Harry não...

VOLDEMORT ( de fora): Afaste-se, garota tola. Agora.

LÍLIAN ( de fora): O Harry não, por favor, não. Me leve, me mate no lugar dele.

VOLDEMORT ( de fora): Este é o meu último aviso.

LÍLIAN ( de fora): O Harry não! Por favor, tenha piedade. Meu filho não! Por favor, faço qualquer coisa.

VOLDEMORT ( de fora): Avada Kedavra!

E uma luz atravessa o corpo de Harry. Ele cai no chão, uma pura confusão de luto. E um ruído, como um grito

encolhido, desce e sobe a nossa volta. E apenas assistimos.

E lentamente o que estava lá, não mais existe. O palco se transforma, e roda. E HARRY, sua família e seus amigos estão girando para fora de cena, para longe.

ATO QUATRO, CENA TREZE

GODRIC’S HOLLOW, DENTRO DA CASA DE TIAGO E LÍLIAN POTTER, 1981

E nós estamos nas ruínas da casa. Uma casa que sofreu um terrível ataque. HAGRID anda pelas ruínas.

HAGRID: Tiago?

Ele olha a sua volta.

HAGRID: Lílian?

Ele anda lentamente, temendo ver o que não quer. Está inteiramente sobrecarregado. E então HAGRID os vê, para, e não diz nada.

HAGRID: Oh. Oh. Isso não é verdade. Por que eu não estava aqui? Me falaram, mas... eu esperava pelo melhor.

Ele os olha, e abaixa a cabeça. Balbucia algumas palavras e então pega algumas flores amassadas em seu bolso e as põe no chão.

HAGRID: Me perdoem. Vocês me avisaram, Dumbledore me avisou. Não esperava que fosse acontecer. Os Trouxas estão vindo com as suas lanternas, preciso ir. Não vão gostar de me ver aqui.

Ele deixa escapar um choro.

HAGRID: É difícil deixá-los. Quero que saibam que nunca serão esquecidos. Nem por mim, nem por ninguém.

E então ele ouve um som de um bebê fungando. HAGRID se vira para ele, andando com mais intensidade agora.

Olha para baixo e fica sobre o berço, que parece irradiar uma luz.

HAGRID: Oi, você deve ser o Harry. Olá, sou Rúbeo Hagrid. Serei seu amigo, goste disso ou não. Porque você é durão, mesmo que não saiba ainda. E precisará de amigos. Agora, é melhor vir comigo, não acha?

Conforme uma luz brilhante enche a sala, dando a ela um brilho quase etéreo, ele apanha o BEBÊ HARRY

gentilmente em seus braços. E então, sem olhar para trás, se distancia da casa.

E nós embarcamos em uma escuridão suave.

ATO QUATRO, CENA QUATORZE

HOGWARTS, SALA DE AULA

ESCÓRPIO e ALVO correm para dentro da sala, cheios de excitação, batendo a porta atrás deles.

ESCÓRPIO: Quase não acredito que fiz isso.

ALVO: Quase não acredito também.

ESCÓRPIO: Chamei Rosa Granger-Weasley para sair.

ALVO: E ela disse não.

ESCÓRPIO: Mas pedi. Plantei a semente. E ela crescerá em um eventual casamento.

ALVO: Você sonha demais!

ESCÓRPIO: Até concordaria com você, mas Polly Chapman me chamou para ir ao baile da escola.

ALVO: Sim, mas em uma realidade alternativa, onde era significantemente popular. Lá, você era diferente, e por isso pediu para sair contigo. Então, significa que...

ESCÓRPIO: Pela lógica, eu deveria procurá-la, ou deixar que me procure. Ela é linda, mas a Rosa é a Rosa.

ALVO: Sabia que pela lógica eu também diria que você é muito esquisito? Rosa te odeia.

ESCÓRPIO: Odiava. Viu os olhos dela quando eu pedi? Aquilo não era ódio, era pena.

ALVO: E pena é algo bom?

ESCÓRPIO: A pena é só um bom começo, meu amigo. Uma fundação na qual construirei um palácio de amor.

ALVO: Honestamente, pensei que fosse conseguir uma namorada primeiro.

ESCÓRPIO: Ah, mas vai, não tenha dúvida. E provavelmente será aquela professora de Poções, de olhos claros. Ela é um pouco mais velha para você, não é?

ALVO: Não tenho queda por mulheres mais velhas!

ESCÓRPIO: E ainda tem muito tempo para seduzi-la. Por que a Rosa levará muitos anos para ser persuadida.

ALVO: Admiro sua confiança.

ROSA passa por eles pela escada, e olha para ambos.

ROSA: Oi.

Nenhum dos dois sabe como responder. Então, ela olha para ESCÓRPIO.

ROSA: Isso só será estranho se quiser

ESCÓRPIO: Tá bom.

ROSA: Ok. “Rei Escórpio”.

Ela vai embora com um sorriso no rosto, e ESCÓRPIO e ALVO se olham. ALVO sorri e dá um murro no braço de ESCÓRPIO.

ALVO: Talvez tenha razão. A pena é só um bom começo.

ESCÓRPIO: Você vai assistir ao jogo de Quadribol? Sonserina contra Lufa-Lufa. Será um jogaço.

ALVO: Pensei que odiássemos Quadribol.

ESCÓRPIO: Pessoas mudam. Aliás, até estive treinando. Acho que posso entrar para o time. Vamos.

ALVO: Não posso. Meu pai disse que viria aqui.

ESCÓRPIO: Ele tirou umas “férias” do Ministério?

ALVO: Disse que quer caminhar um pouco. Tem algumas coisas pra me dizer.

ESCÓRPIO: Caminhar?

ALVO: Eu sei. Deve ser algo pra nos unir um pouco, ou alguma coisa similar que me faça vomitar. Ainda assim, acho que vou.

ESCÓRPIO alcança e abraça ALVO.

ALVO: O que é isso? Achei que tivéssemos decidido que não nos abraçaríamos mais.

ESCÓRPIO: Ah, esqueci. Não tinha tanta certeza disso. A gente mudou, Alvo.

ALVO: É melhor perguntar pra Rosa se é a coisa certa a se fazer.

ESCÓRPIO: Tá bom.

Os dois garotos se deslocam e riem um para o outro.

ALVO: Te vejo no jantar.

ATO QUATRO, CENA QUINZE