Harry Potter e a Criança Amaldiçoada
O Expresso de Hogwarts
ALVO e ROSA andam pelos corredores do trem. A bruxa do carrinho de comida se aproxima, empurrando-o.
BRUXA DO CARRINHO: Querem alguma coisa do carrinho, queridos? Torta de Abóbora? Sapos de Chocolate?
Bolo de caldeirão?
ROSA ( vendo o olhar apaixonado de Alvo pelos Sapos de Chocolate): Al, nós precisamos nos concentrar.
ALVO: Concentrar em quê?
ROSA: Em quem escolheremos como amigos. Meus pais conheceram seu pai indo para o primeiro ano em Hogwarts, aqui no Expresso.
ALVO: Então nós temos que escolher agora de quem seremos amigos para sempre? Isso é um pouco assustador.
ROSA: Pelo contrário, é maravilhoso. Eu sou uma Granger-Weasley e você um Potter, todos vão querer ser nossos amigos. Podemos escolher quem quisermos.
ALVO: Então como vamos decidir? E em qual compartimento entrar?
ROSA: Avaliaremos todos, e tomamos uma decisão.
ALVO abre uma porta para olhar uma criança loira e solitária — ESCÓRPIO — que está em um compartimento diferente, vazio. ALVO sorri. ESCÓRPIO sorri de volta.
ALVO: Oi. Este compartimento está...
ESCÓRPIO: Está livre. Só eu estou aqui.
ALVO: Ótimo. Então nós podemos entrar... por um tempo, se tiver tudo bem?
ESCÓRPIO: Ta bom. Oi.
ALVO: Alvo. Al. Eu sou... meu nome é Alvo.
ESCÓRPIO: Oi, Escórpio. Quero dizer, eu sou Escórpio. Você é Alvo. Eu sou Escórpio. E você é...?
O rosto de ROSA endurece mais a cada minuto.
ROSA: Rosa.
ESCÓRPIO: Oi Rosa. Aceita um pouco das minhas Fantasias Debilitantes?
ROSA: Acabei de tomar café da manhã, obrigada.
ESCÓRPIO: Também tenho um pouco de Choco-choque, diabinhos de pimenta e algumas lesmas gelatinosas. Tudo ideia da minha mãe. Ela disse que (cantando), “doces sempre te ajudam a fazer amigos.” ( Ele percebe que cantar foi um erro).
Provavelmente foi uma ideia estúpida.
ALVO: Eu quero. Minha mãe não me deixa comer doces. Qual você comeria primeiro?
ROSA cutuca ALVO fora do campo de visão de ESCÓRPIO.
ESCÓRPIO: Fácil. Sempre considerei os diabinhos de pimenta como o rei do saco de confeitaria. Eles são aqueles doces de menta que fazem sair fumaça pelas orelhas.
ALVO: Brilhante. Então é esse que eu vou querer. — ( ROSA o cutuca de novo). Rosa, quer parar de me cutucar?
ROSA: Não estou te cutucando.
ALVO: Está sim, e me machucando.
ESCÓRPIO fica cabisbaixo.
ESCÓRPIO: Ela está te cutucando por minha causa.
ALVO: O quê?
ESCÓRPIO: Escuta. Eu sei quem é você, então é justo que saiba quem sou também.
ALVO: O que quer dizer, sabe quem eu sou?
ESCÓRPIO: Você é Alvo Potter, e ela é Rosa Granger-Weasley. Eu sou Escórpio Malfoy. Meus pais são Astoria e Draco Malfoy. Nossos pais... não se davam muito bem.
ROSA: Está tentando suavizar as coisas. Seus pais eram Comensais da Morte!
ESCÓRPIO ( afrontado): Meu pai era, mas a minha mãe não.
ROSA olha para o lado, e ESCÓRPIO sabe o porque ela fez isso.
ESCÓRPIO: Eu sei qual é o rumor, e é mentira.
ALVO olha de ROSA, que está desconfortável, para ESCÓRPIO, desesperado.
ALVO: Qual é o rumor?
ESCÓRPIO: O rumor é que meus pais não poderiam ter um filho. Que meu pai e meu avó estavam tão desesperados por um herdeiro poderoso para prevenir o fim da linhagem dos Malfoy, que usaram um Vira-Tempo para mandar minha mãe de volta...
ALVO: Mandar ela de volta para onde?
ROSA: O rumor é que ele é filho de Voldemort, Alvo.
Um silêncio horrível e desconfortável.
ROSA: Provavelmente é uma besteira. Quero dizer... olhe, você tem um nariz.
A tensão é suavemente quebrada. ESCÓRPIO ri, pateticamente grato.
ESCÓRPIO: E é igual ao do meu pai! Eu tenho o nariz dele, o cabelo dele, e o nome dele. Não que isso seja grande coisa também. Temos problemas de pai e filho, claro. Mas, em tudo, eu prefiro ser um Malfoy do que filho do Lorde das Trevas.
ESCÓRPIO e ALVO olham um para o outro, e alguma coisa acontece entre eles.
ROSA: Sim. Bem, provavelmente deveríamos sentar em outro lugar. Vamos, Alvo.
ALVO está pensando, profundamente.
ALVO: Não. ( fora do olhar de Rosa). Estou bem, você pode ir.
ROSA: Alvo, não vou te esperar.
ALVO: E não espero por isso. Vou ficar aqui.
ROSA olha para ele um segundo, e então deixa o compartimento.
ROSA: Tudo bem!
ESCÓRPIO e ALVO são deixados sozinhos, olhando um para o outro, incertos.
ESCÓRPIO: Obrigado.
ALVO: Não se desculpe. Não fiquei por você, fiquei pelos seus doces.
ESCÓRPIO: Ela é bem nervosinha.
ALVO: Sim. Desculpa.
ESCÓRPIO: Não, eu gosto. Você prefere Alvo ou Al?
ESCÓRPIO sorri e joga dois doces na boca.
ALVO ( pensa): Alvo.
ESCÓRPIO ( enquanto a fumaça sai de suas orelhas): OBRIGADO POR FICAR PELOS MEUS DOCES, ALVO!
ALVO ( rindo): Uau.
ATO UM, CENA QUATRO
CENA DE TRANSIÇÃO
E agora nós entramos em um mundo-do-nunca da mudança de tempo. E essa cena é pura magia. As mudanças são rápidas enquanto saltamos entre os mundos. Não há uma cena individual, apenas fragmentos, cacos que mostram a constante passagem do tempo.
Inicialmente, estamos dentro de Hogwarts, no Grande Salão, e todos estão dançando em volta de ALVO.
POLLY CHAPMAN: Alvo Potter.
KARL JENKINS: Um Potter. Bem no nosso ano.
YANN FREDERICKS: Ele tem o cabelo dele. Exatamente como o dele.
ROSA: E é meu primo ( conforme se vira). Eu sou Rosa Granger-Weasley, prazer em conhecê-lo.
O chapéu seletor caminhas entre os estudantes, que de repente se separam em suas Casas. Se torna evidentemente claro que ele está se aproximando de Rosa (tensa, enquanto espera pelo seu destino).
CHAPÉU SELETOR:
Eu tenho feito esse trabalho por muitos e muitos anos
Em todas as cabeças dos estudantes eu me assentei
Dos pensamentos, eu tomo clareza
Eu sou o famoso Chapéu Seletor.
Seleciono os altos, seleciono os baixos
Tenho feito esse trabalho de grosso a fino
Então me coloque e você saberá
Que Casa pertencerá.
Rosa Granger-Weasley...
Ele coloca o chapéu na cabeça de ROSA.
CHAPÉU SELETOR: GRIFINÓRIA!
Há uma agitação na mesa dos grifinórios enquanto ROSA se junta a eles.
ROSA: Graças a Dumbledore.
ESCÓRPIO corre para tomar o lugar de ROSA abaixo do brilho intenso do Chapéu Seletor.
CHAPÉU SELETOR: Escórpio Malfoy...
Ele põe seu Chapéu na cabeça de ESCÓRPIO.
CHAPÉU SELETOR: SONSERINA!
ESCÓRPIO estava esperando por isso, e acena, dando um meio sorriso. Há uma agitação na mesa dos sonserinos enquanto ele se junta a eles.
POLLY CHAPMAN: Bem, isso faz sentido.
ALVO anda rapidamente para a frente do palco.
CHAPÉU SELETOR: Alvo Potter.
Ele põe o chapéu na cabeça de ALVO, e dessa vez aparenta tomar um tempo maior, quase como se ele também estivesse confuso.
CHAPÉU SELETOR: SONSERINA!
Há um silêncio. Um silêncio profundo e perfeito. Daqueles que se afunda, torce um pouco e causa danos internos.
POLLY CHAPMAN: Sonserina?
CRAIG BOWKER JR.: UAU! Um Potter? Na Sonserina?
ALVO olha para longe, incerto, e ESCÓRPIO sorri, satisfeito, gritando para ele.
ESCÓRPIO: Você pode ficar perto de mim!
ALVO ( completamente embasbacado): Claro. Sim.
YANN FREDERICKS: Pensando bem, o cabelo dele não é tão parecido assim.
ROSA: Alvo? Isso está errado. Não deveria ser assim.
E de repente uma aula de voo está acontecendo com MADAME HOOCH.
MADAME HOOCH: Bem, o que vocês estão esperando? Todos fiquem ao lado de suas vassouras. Vamos, se apressem.
Todas as crianças correm para a posição ao lado de suas vassouras.
MADAME HOOCH: Estiquem suas mãos sobre sua vassoura e diga: “Suba!”.
TODOS: Suba!
As vassouras de ROSA e YANN saltam para suas mãos.
ROSA e YANN: Isso!
MADAME HOOCH: Vamos, agora, não tenho tempo para preguiçosos. Digam “SUBA”. “SUBA”. Com vontade.
TODOS ( exceto ROSA, YANN e ALVO): Isso!
ALVO: Suba. SUBA. SUBA.
A vassoura dele não se move, nem mesmo um milímetro. Ele a encara com desespero. Os outros começam a dar risadas.
POLLY CHAPMAN: Pelas barbas de Merlim, que humilhante! No fim das contas, não é nada parecido com o pai, não é?
KARL JENKINS: Alvo Potter, o Aborto Sonserino.
MADAME HOOCH: Ok, crianças. Hora de voar.
E de repente HARRY aparece do nada ao lado de ALVO conforme a fumaça se intensifica por todo o palco.
ALVO: Eu só estou te pedindo pai, se poderia ficar um pouco longe de mim.
HARRY ( achando graça): Bruxos do segundo ano não gostam de ser vistos com seus pais, é isso?
Um bruxo mais atento começa a circular entre eles.
ALVO: Não, é que você é você e... eu sou eu, e...
HARRY: São apenas pessoas olhando, ok? Pessoas olham. E estão olhando para mim, não para você.
O bruxo atento oferece alguma coisa para HARRY assinar. HARRY assina.
ALVO: Para Harry Potter e seu filho decepcionante.
HARRY: O que isso significa?
ALVO: Para Harry Potter e seu filho Sonserino.
TIAGO se apressa para ultrapassá-los, carregando sua mochila.
TIAGO: Sonserino sonso, pare com esses seus arrepios. É hora de embarcar no trem.
HARRY: Desnecessário, Tiago.
TIAGO ( longe): Te vejo no natal, pai.
HARRY olha para ALVO, preocupado.
HARRY: Al...
ALVO: Meu nome é Alvo, não Al.
HARRY: As outras crianças estão sendo antipáticas? É isso? Talvez se tentasse fazer mais novos amigos... Sem Hermione e Rony eu não teria sobrevivido em Hogwarts. Não teria mesmo.
ALVO: Mas não preciso de “um Rony e uma Hermione”. Eu tenho amigos, o Escórpio. Sei que não gosta dele, mas ele é tudo o que eu preciso.
HARRY: Olha, contando que esteja feliz, é o que importa para mim. ALVO: Não precisava ter me trazido até a estação.
ALVO pega sua mala e percorre um caminho complicado.
HARRY: Mas eu queria estar aqui.
Mas ALVO se foi. DRACO MALFOY, suas vestes perfeitas, seu loiro rabo-de-cavalo perfeitamente no lugar emerge da multidão para ficar ao lado de HARRY.
DRACO: Preciso de um favor.
HARRY: Draco.
DRACO: Esses rumores sobre a paternidade do meu filho parecem não desaparecer. Os outros estudantes de Hogwarts provocam Escórpio, implacavelmente. Se o Ministério pudesse publicar um comunicado reafirmando que todos os Vira-Tempos foram destruídos na Batalha do Departamento de Mistérios...
HARRY: Draco, deixe isso pra lá. Em breve todos irão esquecer.
DRACO: Meu filho está sofrendo, e Astoria não está se sentindo bem recentemente. Então, ele precisa de todo suporte que possa ter.
HARRY: Se der atenção para as fofoca, apenas a alimenta. Tem ocorrido rumores de que Voldemort tem um filho por anos. Escórpio não é o primeiro a ser acusado. O Ministério, para o seu bem e para o nosso, precisa evitar tudo isso.
DRACO franze as sobrancelhas, irritado, enquanto o palco se ilumina e ROSA e ALVO estão prontos com suas malas.
ALVO: Assim que o trem partir, não precisa falar mais comigo.
ROSA: Eu sei. Só precisamos continuar fingindo na frente dos adultos.
ESCÓRPIO corre, com grandes esperanças e uma mala maior ainda.
ESCÓRPIO ( esperançoso): Oi Rosa.
ROSA ( definitiva): Tchau, Alvo.
ESCÓRPIO ( ainda esperançoso): Ela está amolecendo.
E de repente estamos no Grande Salão e a PROFESSORA McGONAGALL está em pé na frente com um grande
sorriso no rosto.
PROFESSORA McGONAGALL: Tenho o prazer de anunciar a nova integrante do time de Quadribol da Grifinória.
Nossa... ( ela percebe que não pode tomar partido), sua esplêndida artilheira... Rosa Granger-Weasley.
O salão explode em palmas e gritos. ESCÓRPIO aplaude junto a todos.
ALVO: Você também está aplaudindo? Nós odiamos Quadribol, e ela joga por outra Casa.
ESCÓRPIO: Ela é sua prima, Alvo.
ALVO: Você acha que ela me aplaudiria?
ESCÓRPIO: Eu a acho brilhante.
Os estudantes circundam ALVO novamente, e de repente uma aula de Poções começa.
POLLY CHAPMAN: Alvo Potter, uma irrelevância. Até mesmo os quadros se viram para o outro lado quando ele sobe as escadas.
Alvo palpita sobre uma poção.
ALVO: E agora adicionamos... isso é um chifre de bicórnio?
KARL JENKINS: Sugiro que os deixem, ele e o filho de Voldemort.
A poção explode, ruidosamente.
ESCÓRPIO: Ok. Qual é o contra ingrediente? O que precisamos mudar?
ALVO: Tudo.
E com isso, o tempo continua sempre seguindo. Os olhos de ALVO se tornam mais escuros, seu rosto cresce mais pálido. Continua sendo um garoto atraente, mas tenta não admitir isso. E de repente está de volta à Plataforma Nove e Três Quartos com seu pai que continua tentando convencer o filho (e a ele mesmo) de que tudo ficará bem. Ambos envelheceram mais um ano.
HARRY: Terceiro ano. Grande ano. Aqui está sua permissão para ir a Hogsmeade.
ALVO: Odeio Hogsmeade.
HARRY: Como pode odiar um lugar que nunca visitou?
ALVO: Porque eu sei que estará cheio de estudantes de Hogwarts.
ALVO amassa o papel.
HARRY: Só sê dê uma chance, vamos lá. É a sua oportunidade de enlouquecer na Dedosdemel sem sua mãe saber.
GINA: Não Alvo, nem ouse.
ALVO ( apontando sua varinha): Incendio!
A bola de papel se queima em chamas e sobe pelo palco.
HARRY: Que coisa estúpida!
ALVO: O irônico é que eu não esperava que fosse funcionar. Sou horrível nesse feitiço.
HARRY: Al... Alvo, tenho enviado corujas para a Professora McGonagall, e ela me disse que você está se isolando, não coopera nas aulas, que está sendo um pouco grosseiro, que...
ALVO: E o que quer que eu faça? Que me torne popular magicamente? Me conjure em uma nova Casa? Me transfigure em um estudante melhor? Só me diga um feitiço pai, e me transformo no que você quiser que eu seja, tudo bem?
Vai ser melhor para nós dois. Tenho que ir pegar o trem. Encontrar meu amigo.
ALVO corre até ESCÓRPIO, que está sentado em sua mala, desligado do mundo.
ALVO: ( Contente) Escórpio... ( Preocupado) Escórpio... você está bem?
ESCÓRPIO não diz nada. ALVO tentar entender o que está acontecendo através do olhar de seu amigo.
ALVO: Sua mãe piorou?
ESCÓRPIO: Ficou o pior que poderia ficar.
ALVO senta ao lado de ESCÓRPIO.
ALVO: Pensei que me mandaria uma coruja.
ESCÓRPIO: Eu não saberia o que dizer.
ALVO: E agora sou eu que não sei o que dizer.
ESCÓRPIO: Não diga nada.
ALVO: Tem alguma coisa que eu...?
ESCÓRPIO: Só vá ao funeral.
ALVO: Claro.
ESCÓRPIO: E seja meu melhor amigo.
E de repente o Chapéu Seletor está no centro da cena, e estamos de volta ao Salão Principal.
CHAPÉU SELETOR:
Você tem receio do que irá escutar?
Receio que eu vá falar o nome que te amedronta?
Não é Sonserina! Nem Grifinória!
Nem Lufa-Lufa! Nem Corvinal!
Não se preocupe crianças, eu sei fazer meu trabalho,
Você vai aprender a rir, se antes soluçar.
Lílian Potter. GRIFINÓRIA.
LÍLIAN: Isso!
ALVO: Ótimo.
ESCÓRPIO: Você realmente pensou que ela se juntaria a nós? Potters não pertencem à Sonserina.
ALVO: Eu pertenço.
Enquanto ele tenta sair de foco, os outros estudantes riem. Ele olha para todos eles.
ALVO: Eu não escolhi, sabiam? Não escolhi ser filho dele.
ATO UM, CENA CINCO
MINISTÉRIO DA MAGIA, ESCRITÓRIO DE HARRY
HERMIONE senta com pilhas de papéis em sua frente, no escritório bagunçado de HARRY. Está lentamente ordenando todas elas. HARRY entra apressado. Ele tem um arranhão sangrando em seu rosto.
HERMIONE: Como foi?
HARRY: Era verdade.
HERMIONE: Teodoro Nott?
HARRY: Em custódia.
HERMIONE: E o Vira-Tempo?
HARRY revela um Vira-Tempo. Ele brilha de forma encantadora.
HERMIONE: É verdadeiro? Funciona? Não é apenas um reversor de horas? Ele volta mais no tempo?
HARRY: Não sabemos ainda. Gostaria de experimentá-lo lá fora, mas me impediram.
HERMIONE: Bem, agora o temos.
HARRY: E você tem certeza que quer guardar isto?
HERMIONE: Não temos escolha. Olha isso. É totalmente diferente do Vira-Tempo que eu tive.
HARRY ( seco): Aparentemente, a magia avançou muito desde quando éramos crianças.
HERMIONE: Você está sangrando.
Harry olha sua bochecha no espelho. Ele toca na ferida com sua veste.
HERMIONE: Não se preocupe, vai cicatrizar.
HARRY ( com um sorriso): O que você está fazendo no meu escritório, Hermione?
HERMIONE: Estava ansiosa para saber notícias sobre Teodoro Nott, e achei que deveria investigar se manteve sua promessa, cuidando da papelada.
HARRY: Ah. Não estava.
HERMIONE: Eu sei. Harry, como consegue trabalhar nesse caos?
HARRY agita a varinha e os papéis e livros se arrumam em pilhas. HARRY sorri.
HARRY: Agora não está mais.
HERMIONE: Mas continua perdido. Você sabe, tem coisas interessantes acontecendo aqui. Há trasgos da montanha cavalgando em Arpéus pela Hungria, gigantes com tatuagens de asas nas costas andando pelos mares da Grécia, e os lobisomens têm ido para os subsolos.
HARRY: Ótimo, vamos atrás deles. Vou reunir o pessoal.
HERMIONE: Harry, eu entendo. Trabalhar com papéis é entediante.
HARRY: Não para você.
HERMIONE: Já estou ocupada o suficiente sozinha. Estas coisas são pessoas e criaturas que lutaram ao lado de Voldemort nas Guerras Bruxas. São os aliados das trevas. Isto, combinado com o que acabamos de desenterrar de Teodoro Nott, pode significar alguma coisa. Mas se o Chefe de Execução das Leis da Magia não está lendo seus arquivos...
HARRY: Mas eu não preciso ler. Estou lá fora, escutando sobre tudo. Fui eu que ouvi de Teodoro Nott os rumores a respeito do Vira-Tempo, e tomei as atitudes. Realmente, não precisa me contar.
Hermione olha para Harry — fazer isso é complicado.
HERMIONE: Quer um caramelo? Não conte ao Rony.
HARRY: Você está mudando de assunto.
HERMIONE: Estou. Caramelo?
HARRY: Não posso. Não estou comendo açúcar ultimamente. ( Batida). Sabe que pode ficar viciada nisso?
HERMIONE: E o que posso dizer? Meus pais eram dentistas, alguma hora iria me rebelar. Aos quarenta é um pouco tarde, mas… você acabou de fazer uma coisa brilhante. Certamente não será censurado. Só preciso que olhe seus papéis de vez em quando, só isso. Considere como um gentil “puxão de orelha” da Ministra da Magia.
HARRY ouve a implicação em sua ênfase, e concorda.
HERMIONE: Como está Gina? E o Alvo?
HARRY: Parece que sou tão bom como pai quanto sou com os papéis. Como está Rosa e o Hugo?
HERMIONE ( com um sorriso): O Rony diz que eu vejo mais minha secretária Ethel ( ela aponta), do que ele. Há momentos em que fazemos escolhas, mãe ou funcionária do ano? Vai lá. Vá pra casa ver sua família Harry, o Expresso de Hogwarts já vai partir por mais um ano. Aproveite o tempo que resta, e então volte com a cabeça fresca e leia estes documentos.
HARRY: Você realmente acha que tudo isso significa alguma coisa?
HERMIONE ( sorrindo): Poderia significar. Mas se sim, encontraremos uma maneira de lutar contra, Harry. Sempre encontramos.
Ela sorri mais uma vez, coloca um caramelo na boca e deixa o escritório. Ele arruma a bolsa, anda para fora do escritório e pelo corredor com o peso do mundo sobre os ombros. Cansado, caminha até uma cabine telefônica. Disca 62442.
CABINE TELEFÔNICA: Adeus, Harry Potter.
Ele sobe, indo embora, afastando-se cada vez mais do seu escritório no Ministério da Magia.
ATO UM, CENA SEIS
CASA DE HARRY E GINA POTTER
ALVO não consegue dormir. Está assentado no topo da escada. Escuta vozes no andar abaixo. Nós escutamos a voz de HARRY antes que ele apareça. Um idoso está em uma cadeira de rodas com ele, AMOS DIGGORY.
HARRY: Amos, eu entendo. Realmente entendo. Mas acabei de chegar em casa e...
AMOS: Eu tenho tentado marcar um horário contigo no Ministério. Eles dizem, “Ah, Sr. Diggory, temos um para o senhor. Vamos ver, daqui a dois meses.” Aí espero. Muito pacientemente.
HARRY: ...e vir a minha casa no meio da noite, enquanto meus filhos se aprontam para um novo ano escolar, não é certo.
AMOS: Dois meses passaram, recebi uma coruja, “Sr. Diggory, realmente sinto muito, mas o Sr. Potter foi chamado para um compromisso urgente, e vamos ter que fazer algumas mudanças aqui. O senhor está remarcado para um encontro, vamos ver, daqui a dois meses.” Então isso se repete de novo, e de novo. Você está se escondendo.
HARRY: Claro que não, apenas estou com receios. Como Diretor do Departamento de Execução das Leis da Magia, tenho medo que seja responsável...
AMOS: Há muitas coisas pelas quais você é responsável.
HARRY: Perdão?
AMOS: Meu filho, Cedrico. Lembra-se dele, não é?
HARRY ( lembrar de Cedrico o machuca): Sim, lembro do seu filho. Sua perda...
AMOS: Voldemort queria você, não o meu filho! Você mesmo me contou. As palavras que ele disse foram: “Mate o outro.” O outro. Meu filho, meu lindo filho, era o outro.
HARRY: Sr. Diggory, como o senhor sabe, me solidarizo com seus esforços para memorizar Cedrico, mas...
AMOS: Um memorial? Não estou interessado em um memorial, não mais. Já sou um homem velho, quase morrendo, e estou aqui para pedir, implorar, que me ajude a trazê-lo de volta.
HARRY olha para cima, atônito.
HARRY: Trazê-lo de volta? Amos, isso é impossível.
AMOS: O Ministério tem um Vira-Tempo, não tem?
HARRY: Todos os Vira-Tempos foram destruídos.
AMOS: A razão da minha urgência é que acabei de escutar um rumor, um forte rumor, de que o Ministério recolheu um Vira-Tempo ilegal que Teodoro Nott havia guardado. Dê uma investigação. Deixe-me usar o Vira-Tempo. Ter meu filho de volta.
Há uma longa pausa, mortal. HARRY tem extrema dificuldade. Nós assistimos ALVO se aproximar, escutando a conversa.
HARRY: Amos, está brincando comigo? Sabe que não podemos fazer isso.
AMOS: Quantas pessoas morreram pelo Menino Que Sobreviveu? Estou te pedindo para salvar uma delas.
Isso machuca HARRY. Ele pensa, seu rosto endurece.
HARRY: O que quer que tenha escutado, a história de Teodoro Nott é falsa. Amos, me desculpe.
DELPHI: Olá.
ALVO pula quando DELPHI — uma mulher de uns vinte e poucos anos com um olhar determinado — é revelada, olhando para ele através da escada.
DELPHI: Ah, desculpe. Não quis te assustar. Eu costumava escutar muito da escada também. Sentada aí. Esperando que alguém dissesse alguma coisa um pouquinho interessante.
ALVO: Quem é você? Porque essa casa é minha, e...
DELPHI: Sou uma ladra, claro. Estou prestes a roubar tudo o que você tem. Me dê seu ouro, sua varinha, seus Sapos de Chocolate! ( Ela olha feroz e depois sorri. ) Eu sou Delphini Diggory ( Ela sobe a escada e estende a mão). Delphi. Cuido dele, de Amos. ( Ela indica AMOS). E você é?
ALVO ( com um sorriso pesaroso): Alvo.
DELPHI: Claro! Alvo Potter! Então Harry é seu pai? Isso é um pouco surpreendente, não é?
ALVO: Na verdade, não.
DELPHI: Ah. Toquei na sua ferida? É o que costumavam me dizer na escola. Delphini Diggory: não há um buraco em que não possa entrar.
ALVO: Eles fazem todo tipo de coisa com o meu nome também. Pausa. Ela o olha, cuidadosamente.
AMOS: Delphi.
Ela vai sair e então hesita. Sorri para ALVO.
DELPHI: Não escolhemos nossos parentes. Amos não é apenas meu paciente, é meu tio. É parte da razão por eu ter pegado o emprego em Upper Flagley. Mas ficou difícil. É duro viver com pessoas que estão presas ao passado, não é?
AMOS: Delphi!
ALVO: Upper Flagley?
DELPHI: Lar St. Oswald para Bruxos Idosos. Venha nos visitar algum dia, se quiser.
AMOS: DELPHI!
Ela sorriu e então tropeçou enquanto descia as escadas. Ela entra em uma sala em que estão AMOS e HARRY. Alvo a observa.
DELPHI: Sim, tio?
AMOS: Conheça o outrora grandioso Harry Potter, agora um homem de gelo do Ministério. Vou te deixar em paz, senhor. Se paz é a palavra certa pra você. Delphi, minha cadeira.
DELPHI: Sim, tio.
AMOS é empurrado para fora da sala. HARRY é deixado, aparentando estar desamparado. ALVO continua observando, pensando cuidadosamente.
ATO UM, CENA SETE
CASA DE HARRY E GINA POTTER, QUARTO DE ALVO
ALVO está sentado em sua cama enquanto o mundo segue além da porta. Quieto, luta contra o movimento constante de existe do lado de fora. Ouvimos um berro de TIAGO (lá fora).
GINA: Tiago, por favor, ignore seu cabelo e organize aquele maldito quarto.
TIAGO: Como não vou me importar? Está rosa! Vou ter que usar a Capa de Invisibilidade!
TIAGO aparece na porta, seu cabelo está rosa.
GINA: Não foi pra isso que seu pai te deu!
LÍLIAN: Quem viu o livro de Poções?
GINA: Lílian Potter, não pense que a senhorita irá vestida assim para a escola amanhã.
LÍLIAN aparece na porta de ALVO. Está vestindo asas de fadas que batem.
LÍLIAN: Eu as amo. Estão todas tremendo.
Ela sai e HARRY aparece na porta de ALVO. Ele olha pra ela.
HARRY: Oi.
Há uma pausa constrangedora. GINA aparece na porta. Ela vê o que está acontecendo e fica por um momento.
HARRY: Rony mandou um presente — presentes — antes de você ir para Hogwarts.
ALVO: Tá bom. Uma Poção do Amor. Ok.
HARRY: Acho que é uma piada. Lílian ganhou gnomos que peidam e Tiago um pente que fez seu cabelo ficar cor-derosa. O Rony... bem, o Rony é o Rony, você sabe.
HARRY coloca a Poção do Amor de ALVO em sua cama.
HARRY: Eu também tenho um. Esse é o meu.
Ele revela um pequeno cobertor. GINA olha, vê o que HARRY está tentando fazer e vai embora, devagar.
ALVO: Um cobertor velho?
HARRY: Pensei muito no que te dar este ano. Tiago anda sempre com aquela Capa de Invisibilidade, e Lílian — eu sabia que amaria as asas. Mas você agora tem quatorze anos, e queria te dar algo que significasse muito. Esta foi a última coisa que eu ganhei da minha mãe. A única coisa. Fui entregue aos Dursley embrulhado nele. Pensei que o tinha perdido, mas quando sua tia-avó Petúnia morreu, Duda o encontrou escondido entre suas coisas e gentilmente me entregou, e desde então, toda vez que preciso de sorte, o abraço. Eu pensei que você...
ALVO: Quer que eu o abrace também? Tá bom. Pronto. Vamos torcer para que me traga sorte. Com certeza preciso de um pouco.
Ele toca no cobertor.
ALVO: Mas você deveria guardá-lo.
HARRY: Acredito que Petúnia queria que eu o tivesse, por isso guardou. Agora, é seu. Não conheci minha mãe, mas sei que iria querer também. E talvez eu possa te encontrar na véspera do Halloween. Gostaria de estar com isto na noite em que eles morreram. Seria bom para nós dois.
ALVO: Escuta, eu tenho muita coisa pra colocar nas malas, e você sem dúvida está cheio de trabalho lá do Ministério.
Então...
HARRY: Alvo, quero que fique com o cobertor.
ALVO: E fazer o que com ele? Asas de fada fazem sentido, pai. Capas de Invisibilidade também. Mas isto, sério?
HARRY tem seu coração suavemente partido. Ele olha para o filho, desesperado para oferecer ajuda.
HARRY: Você quer ajuda para guardar as coisas? Sempre gostei de fazer as malas. Quer dizer, quando eu ia para Hogwarts. Eu sei que não gosta de lá, mas...
ALVO: Pra você, é o melhor lugar da terra. Eu sei. O pobre órfão, maltratado pelo seu tio e tia Dursley...
HARRY: Alvo, por favor, não podemos apenas...
ALVO: ...traumatizado pelo primo Duda, salvo por Hogwarts. Sei tudo isso, pai. Blá, blá, blá.
HARRY: Não vou cair na sua, Alvo Potter.
ALVO: O pobre órfão que seguiu em frente para salvar todo mundo. Então eu poderia dizer, pelo bem da sociedade bruxa, quão gratos somos pelo seu heroísmo. Deveríamos nos curvar agora, ou fazer uma reverência?
HARRY: Você sabe, nunca quis gratidão.
ALVO: Mas agora estou cheio dela. Deve ter sido este gentil cobertor mofado que fez isso.
HARRY: Cobertor mofado?
ALVO: O que pensou que aconteceria, que nos abraçaríamos? Que diria que sempre te amei? O quê?
HARRY ( finalmente perdendo a paciência): Sabe de uma coisa? Estou cansado de ser responsável pela sua infelicidade. Pelo menos você tem um pai. Porque eu não tive, ok?
ALVO: E você acha que tive sorte? Eu não acho.
HARRY: Você queria que eu estivesse morto?
ALVO: Não! Só queria que não fosse meu pai.
HARRY ( enlouquecendo de raiva): Bom, às vezes eu queria que você não fosse meu filho.
Há um silêncio. ALVO assente. Pausa. HARRY percebe o que disse.
HARRY: Não, eu não quis dizer...
ALVO: Sim, você quis.
HARRY: Alvo, você sabe como me tirar do sério.
ALVO: Você quis dizer isso, pai. E, honestamente, não te culpo.
Há uma pausa horrível.
ALVO: Me deixe sozinho.
HARRY: Alvo, por favor.
ALVO pega o cobertor e o joga longe. Ele bate na Poção do Amor de RONY, que cai no cobertor e na cama, produzindo um pequeno sopro de fumaça.
ALVO: Nem sorte e nem amor pra mim, então.
ALVO sai correndo do quarto. HARRY vai atrás dele.
HARRY: Alvo. Alvo, Por favor...
ATO UM, CENA OITO
SONHO, CABANA NA ROCHA
Há uma sala grande. Então há uma grande batida. DUDA DURSLEY, TIA PETÚNIA e TIO VÁLTER estão escondidos atrás da cama.
DUDA DURSLEY: Mãe, não estou gostando disso!
TIA PETÚNIA: Sabia que cometemos um erro vindo pra cá. Válter. Válter. Não há nenhum lugar pra gente se esconder! Nem mesmo um farol!
Há outro grande BOOM.
TIO VÁLTER: Calma. Calma. Seja o que for, não virá até aqui.
TIA PETÚNIA: Estamos amaldiçoados! Ele nos amaldiçoou! O garoto nos amaldiçoou! ( Olhando o JOVEM
HARRY. ) É tudo sua culpa. Volte para o seu buraco.
O JOVEM HARRY recua enquanto TIO VÁLTER segura seu rifle.
TIO VÁLTER: Quem quer que esteja aí, deveria saber que estou armado.
Há uma BATIDA PESADA. E a porta cai de suas dobradiças. HAGRID está no meio da porta. Ele olha para todos.
HAGRID: Poderia nos fazer uma xícara de chá? Não foi uma viagem fácil.
DUDA DURSLEY: Olha. Pra. Ele.
TIO VÁLTER: Para trás. Para trás. Atrás de mim, Petúnia. Atrás de mim, Duda. Logo veremos essa criatura fora.
HAGRID: O quê?
Ele pega a arma de TIO VÁLTER.
HAGRID: Não via uma dessa faz tempo.
Hagrid torce o cano da arma e o amarra com um nó.
HAGRID: Ops, uma margarida.
E então se distrai. Vê o JOVEM HARRY.
HAGRID: Harry Potter.
JOVEM HARRY: Olá.
HAGRID: A última vez que te vi era apenas um bebê. Parece bastante com seu pai, mas tem os olhos da sua mãe.
JOVEM HARRY: Você conheceu meus pais?
HAGRID: Onde estão os meus modos? Primeiramente, feliz aniversário. Trouxe uma coisa. Devo ter sentado nela, mas o gosto está bom.
De dentro do casaco, tira um bolo de chocolate levemente amassado com “Feliz aniversário Harry” escrito com glacê verde.
JOVEM HARRY: Quem é você?
HAGRID ( rindo): É verdade, não me apresentei. Rúbeo Hagrid, Guardião das Chaves dos Terrenos de Hogwarts. ( Ele
olha em volta.) Cadê o chá? Não recusaria também se tivesse alguma coisa mais forte, sabe.
JOVEM HARRY: Hog, o quê?
HAGRID: Hogwarts. Você deve saber tudo sobre Hogwarts, claro.
JOVEM HARRY: Não. Desculpe.
HAGRID: Desculpe? Eles é que deviam se desculpar! Sabia que não estava recebendo suas cartas, mas nunca imaginei que não sabia de Hogwarts! Nunca se perguntou onde seus pais aprenderam tudo? JOVEM HARRY: Aprenderam o quê?
HAGRID vira ameaçadoramente para o TIO VÁLTER.
HAGRID: Quer dizer que esse garoto não sabe de nada?
TIO VÁLTER: Eu proíbo que conte mais alguma coisa!
JOVEM HARRY: Contar o quê?
HAGRID olha para o TIO VÁLTER, e então para o JOVEM HARRY.
HAGRID: Harry, você é um bruxo. E mudou tudo. Você é o bruxo mais famoso do mundo.
E então, de frente da sala, sussurrando em volta de todos, ouve-se palavas ditas em uma voz inconfundível. A voz de VOLDEMORT...
HAAARRY POTTTTTER.
ATO UM, CENA NOVE
CASA DE HARRY E GINA POTTER, QUARTO
HARRY acorda de repente, respirando profundamente no meio da noite. Ele espera um momento, acalmando-se.
Então, sente uma dor intensa na testa. Na cicatriz. Ao seu redor, a Magia Negra se movimenta.
GINA: Harry...
HARRY: Tudo bem. Volte a dormir.
GINA: Lumos.
O quarto se enche com a luz de sua varinha. HARRY olha para ela.
GINA: Teve um pesadelo?
HARRY: Sim.
GINA: Sobre o quê?
HARRY: No começo, sobre os Dursleys. Então, depois, se tornou outra coisa.
Pausa. GINA o olha, tentando descobrir no que ele está pensando.
GINA: Quer uma poção do sono?
HARRY: Não. Vou ficar bem. Volte a dormir.
GINA: Você não parece bem.
HARRY não diz nada. Vemos sua agitação.
GINA: Não tem sido dias fáceis com Amos Diggory.
HARRY: Posso aceitar sua raiva, o difícil é aceitar que ele está certo. Amos perdeu o filho por minha causa.
GINA: Isso não parece justo com você.
HARRY: E não há nada que eu possa dizer para ninguém, a não ser que foi algo errado, é claro.
GINA sabe ao que — ou melhor, a quem — ele se refere.
GINA: Então é isto que está te deixando nervoso? A última noite antes da viagem para Hogwarts nunca é boa. Talvez não queira ir. Foi uma boa tentativa dar o cobertor a Al.
HARRY: Me saí muito mal. Disse algumas coisas, Gina.
GINA: Eu ouvi.
HARRY: E ainda está falando comigo?
GINA: Eu sei que, quando for a hora certa, vai se desculpar. E que não quis dizer aquilo. O que disse escondia, na verdade, outras coisas. Pode ser honesto com ele, Harry. É o que precisa.
HARRY: Queria que ele fosse como o Tiago ou a Lílian.
GINA ( irônica): É, talvez não tão honesto.
HARRY: Não mudaria nada nele. Mas consigo entendê-los, e...
GINA: Alvo é diferente, e isso é bom. Percebe quando você se coloca atrás da sua fachada de Harry Potter. Ele quer ver o seu “verdadeiro eu.”
HARRY: “A verdade é uma coisa bela e terrível, e por isso deve ser tratada com cuidado.”
GINA o encara, surpresa.
HARRY: Dumbledore.
GINA: Uma coisa estranha para se dizer a uma criança.
HARRY: Não quando se acredita que aquela criança terá que morrer para salvar o mundo.
HARRY suspira novamente, e faz de tudo para não tocar a testa.
GINA: Harry, o que há de errado?
HARRY: Nada. Estou bem. Eu entendi, vou tentar ser...
GINA: Sua cicatriz está doendo?
HARRY: Não. Estou ótimo. Agora, apague isto e vamos dormir.
GINA: Harry, quanto tempo tem desde que sua cicatriz doeu pela última vez?
HARRY se vira para GINA, seu rosto diz tudo.
HARRY: Vinte e dois anos.
ATO UM, CENA DEZ