Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

J. K. Rowling · Capítulo 16 de 16

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Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

Um Lindo Morro

HARRY e ALVO sobem um morro, em um lindo dia de verão. Não dizem nada, apenas aproveitam o sol que bate em seus rostos.

HARRY: Você está pronto?

ALVO: Para quê?

HARRY: Pros testes do quarto ano, depois pro quinto. Esse, é um grande ano. No meu quinto ano eu fiz...

Ele olha para ALVO e sorri. Então, continua falando.

HARRY: ...um monte de coisas. Algumas ruins, e outras bem confusas.

ALVO: É bom saber.

Harry sorri.

ALVO: Sabe, consegui vê-los — seus pais — por um momento. Estavam se divertindo juntos. Seu pai gostava de fazer anéis de fumaça contigo, e você não parava de sorrir.

HARRY: É?

ALVO: Acho que teria gostado deles. E acho que eu, Lílian e Tiago, teríamos os amado também.

Harry acena com a cabeça. Há um silencio levemente desconfortável. Ambos estão tentando se conectar, mas ambos estão falhando.

HARRY: Achei que tinha derrotado Voldemort, mas então minha cicatriz começou a doer novamente, tive sonhos e até podia falar Ofidioglossia. Comecei a sentir como se nada tivesse mudado, como se ele nunca tivesse me deixado.

ALVO: E deixou?

HARRY: A parte minha que era dele morreu há muito tempo, mas só fisicamente. Preciso me livrar mentalmente dela. E isso é muito para um homem de quarenta anos aprender.

Ele olha para ALVO.

HARRY: Aquilo que te disse foi imperdoável, e não posso pedir para que esqueça, mas posso esperar que superemos.

Vou tentar ser um pai melhor, Alvo. Tentar ser honesto.

ALVO: Pai, não tem que...

HARRY: Me disse que acha que não tenho medo de nada, mas tenho de tudo. Tenho medo do escuro, sabia?

ALVO: Harry Potter tem medo do escuro?

HARRY: Não gosto de espaços pequenos. Nunca disse isso pra ninguém, ( ele hesita antes de dizer) mas também não gosto de pombos.

ALVO: Não?

HARRY ( contrai seu rosto): São criaturas sujas, desagradáveis e famintas. Me dão arrepios.

ALVO: Mas pombos são inofensivos!

HARRY: Eu sei. Mas o que mais me assusta, Alvo Severo Potter, é ser um pai para você. Porque estou agindo sem

exemplos. A maioria das pessoas tem um pai para se basearem. Eu não tenho nada, ou muito pouco. Então estou aprendendo, ok? Vou tentar, com tudo o que tenho, ser um bom pai.

ALVO: E eu vou tentar ser um filho melhor. Sabe, não sou o Tiago, e nunca vou conseguir ser igual a ele, mas...

HARRY: Tiago não se parece nada comigo.

ALVO: Não?

HARRY: Tudo vem fácil pra ele. Minha infância foi um constante sofrimento.

ALVO: A minha também. Então está dizendo que sou parecido contigo?

HARRY sorri para ALVO.

HARRY: Na verdade, é mais com sua mãe. É corajoso, feroz, engraçado. Tem tudo o que eu mais gosto. E isso faz de você um filho muito bom.

ALVO: Eu quase destruí o mundo.

HARRY: Delphi não ia a lugar algum, Alvo. Você a trouxe para a luz e encontrou um jeito de combatê-la. Pode não conseguir enxergar agora, mas salvou todos nós.

ALVO: Mas eu não poderia ter feito melhor?

HARRY: Acha que não me pergunto a mesma coisa?

ALVO ( com o estomago afundando, sabe que isso não é o que seu pai faria): E então, quando a pegamos, queria matá-la.

HARRY: Você a viu matar o Craig, Alvo. Estava com raiva. É compreensível. Mas sei que não teria feito isto.

ALVO: Como sabe? Talvez esse é o meu lado Sonserino. Talvez seja isso que o Chapéu Seletor viu em mim.

HARRY: Não entendo seus pensamentos, na verdade, não preciso, pois entendendo o seu coração. Não o entendia por muito tempo, mas graças a essa “escapada”, sei o que tem aí dentro. Sonserina, Grifinória, tanto faz o rótulo que te deram, eu sei que seu coração é bom. Gostando ou não, está se tornando um grande bruxo.

ALVO: Ah, mas não serei um bruxo. Vou ser corredor de pombos. Estou bem animado com isso.

Harry sorri.

HARRY: Esses nomes que você tem não deveriam ser um fardo. Alvo Dumbledore e Severo Snape teve seus momentos também.

ALVO: Eram bom homens.

HARRY: Eram grandes homens, com grandes falhas. E elas, quase os fizeram ainda maiores.

ALVO olha em volta dele.

ALVO: Pai, porque estamos aqui?

HARRY: É onde venho às vezes.

ALVO: Mas é um cemitério!

HARRY: E esta é a lápide de Cedrico.

ALVO: Pai?

HARRY: O garoto que morreu, Craig Bowker, você o conhecia?

ALVO: Não muito bem.

HARRY: Também não conhecia Cedrico o suficiente. Poderia ter jogado Quadribol pela Inglaterra. Ou ser um Auror brilhante. Poderia ter sido qualquer coisa. E Amos está certo, ele foi roubado. Então venho aqui, só para dizer que sinto muito.

ALVO: É uma boa coisa a se fazer.

ALVO se junta ao seu pai em frente à lápide de Cedrico. HARRY sorri para o filho, e olha para o céu.

HARRY: Acho que vai ser um lindo dia.

Ele toca o ombro do filho. E os dois, só um pouco, cedem juntos.

ALVO ( sorri): Eu também.

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