Imagens da Organização

Gareth Morgan · Capítulo 10 de 12 · parte 1/5

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Imagens da Organização

304 Algumas Imagens da Organização

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 5 partes.

 

ORGANIZAÇÃO E DOMINAÇÃO

 

U m a h i s t ó r i a b a s e a d a n a e x p l o r a ç ã o

 

Ao longo da história, a organização t e m sido associada com os proces-

sos de d o m i n a ç ã o social o n d e indivíduos ou grupos e n c o n t r a m m a n e i r a s de

impor sua v o n t a d e aos outros. Considere, por exemplo, a incrível proeza de

organização, p l a n e j a m e n t o e controle exigidos pela construção da Grande

Pirâmide de Gisé. Estima-se que sua construção envolveu o trabalho de 10.000

pessoas, d u r a n t e um período de 20 anos. A pirâmide é feita de mais de 2,3

milhões de blocos de pedra, cada um p e s a n d o duas toneladas e meia. Esses

blocos tiveram que ser extraídos, cortados no t a m a n h o certo e transportados

por muitos quilômetros, geralmente pelo rio Nilo, q u a n d o ele estava em cheia.

Q u a n d o a d m i r a m o s esta e outras pirâmides hoje em dia, é a incrível habilida-

de e e n g e n h o s i d a d e dos antigos egípcios que nos c h a m a m a atenção t a n t o do

ponto de vista estético q u a n t o organizacional. De o u t r o p o n t o de vista, no

e n t a n t o , a pirâmide é u m a metáfora da exploração, simbolizando como as

vidas e o trabalho á r d u o de milhares de pessoas foram usados p a r a servir e

glorificar u m a elite privilegiada.

Na visão de alguns teóricos da organização, esta combinação de realiza-

ção e exploração t e m sido um aspecto da organização através dos t e m p o s .

Quer se trate da construção das pirâmides, da c o n d u ç ã o de um exército, de

u m a empresa multinacional ou m e s m o de um negócio de família, encontra-mos relações de poder assimétricas que resultam n u m a maioria t r a b a l h a n d o no interesse de uns poucos. N a t u r a l m e n t e , na prática, p o d e m ser observadas i m p o r t a n t e s diferenças e, com o passar do t e m p o , m u i t a coisa m u d o u . O alistamento obrigatório e a escravidão, que g a r a n t i r a m parte da mão-de-obra necessária p a r a a construção das pirâmides e de impérios, d e r a m lugar ao uso do trabalho pago, do qual os e m p r e g a d o s t ê m o direito de desistir. Feitores de escravos d e r a m lugar aos gerentes e e m p r e g a d o s , agora g e r a l m e n t e tra-b a l h a m no interesse dos acionistas e não de faraós, imperadores ou monar-cas absolutos. No e n t a n t o , em todos os casos, a busca de metas de u n s pou-cos por meio do trabalho de muitos continua.

O aspecto de d o m i n a ç ã o da organização tornou-se objeto especial de

estudo de teóricos radicais inspirados pelos pontos de vista de Max Weber, Robert Michels e Karl Marx. Como vimos no capítulo da m á q u i n a , Weber é famoso entre os teóricos organizacionais por seu trabalho sobre a n a t u r e z a da burocracia. No e n t a n t o , sua maior p r e o c u p a ç ã o foi e n t e n d e r c o m o dife-rentes sociedades e épocas são caracterizadas por diferentes formas de domi-

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n a ç ã o social. Ele via a burocracia c o m o um m o d o especial de d o m i n a ç ã o social e estava interessado no papel das organizações burocráticas na cria-ção e m a n u t e n ç ã o de estruturas de d o m i n a ç ã o .

 

A visão de Weber sobre a dominação

 

Para Weber, a d o m i n a ç ã o p o d e ocorrer de várias maneiras. A primeira e

mais óbvia surge q u a n d o u m a ou mais pessoas coagem outras por meio do uso direto da força ou da ameaça. Mas a d o m i n a ç ã o t a m b é m ocorre de ma-neiras mais sutis, como q u a n d o aquele que dita as regras impõe sua v o n t a d e sobre os outros e é visto como tendo o direito de fazê-lo. Este é o tipo de domi-nação que mais interessava a Weber, e g r a n d e parte de seu esforço foi devota-do a e n t e n d e r o processo m e d i a n t e o qual formas de d o m i n a ç ã o são legitima-das como relações de p o d e r n o r m a i s e socialmente aceitáveis: p a d r õ e s de a u t o r i d a d e formal em que aqueles que ditam as regras se vêem como t e n d o o direito de fazê-lo e aqueles que se s u b m e t e m às regras a c h a m que t ê m o dever de obedecer.

• A d o m i n a ç ã o carismática ocorre q u a n d o um líder d o m i n a em virtude

de suas qualidades pessoais, que são vistas pelos seguidores como algo extraordinário, como se o líder fosse um profeta ou herói. Os seguidores g e r a l m e n t e são descritos como t e n d o caído no feitiço do líder.

• A d o m i n a ç ã o t r a d i c i o n a l o c o r r e q u a n d o os s e g u i d o r e s a c e i t a m o

c o m a n d o do líder como sendo o costume ou direito adquirido, como n a liderança h e r d a d a .

• A d o m i n a ç ã o racional-legal ocorre q u a n d o as leis, regras, regula-

m e n t a ç õ e s e procedimentos legitimam o poder de m a n d o , como n u m a burocracia. Os seguidores d ã o aos líderes o direito de m a n d a r d e n t r o dos limites das leis e das regulamentações.

Weber acreditava que c a d a m o d o de dominação era a c o m p a n h a d o por

um tipo particular de legitimidade e por u m a forma específica de organiza-ção administrativa. Ele estava particularmente interessado na tendência ao a u m e n t o da burocratização e racionalização, q u e via como u m a g r a n d e amea-ça à l i b e r d a d e do espírito h u m a n o e aos valores da d e m o c r a c i a liberal. Ele via a burocracia como um i n s t r u m e n t o de d o m i n a ç ã o de primeira o r d e m e acreditava que a burocratização da administração estabelece u m a forma de relação de p o d e r que é "praticamente indestrutível". Daí sua visão da buro-cracia como u m a "jaula de aço". O poder da organização burocrática hoje

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está sendo m i n a d o pelo desenvolvimento da informática, que desgasta a bu-rocracia e introduz novas bases de p o d e r organizacional. Mas o processo de racionalização e controle de que Weber fala continua t ã o forte q u a n t o antes.

 

A visão de dominação de Michels

 

Preocupações semelhantes às de Weber foram manifestadas por Robert

Michels, cuja famosa "lei de ferro da oligarquia" sugere que as organizações em geral a c a b a m sob o controle de grupos reduzidos, m e s m o q u a n d o isso vai contra os desejos dos líderes e dos liderados. Em seu estudo de organizações s u p o s t a m e n t e democráticas, como sindicatos e partidos políticos, verificou que a democracia geralmente n ã o era mais do que fachada. Apesar das me-lhores intenções, estas organizações p a r e c i a m desenvolver t e n d ê n c i a s que d a v a m a seus líderes um quase monopólio do poder. Q u a n d o os líderes sobem ao poder, t e n d e m a passar a preocupar-se com sua própria m a n e i r a de ver as coisas, e parece que o melhor que se p o d e esperar é que t e n t e m m a n t e r os interesses de seus m e m b r o s em m e n t e . Mas na visão de Michels, m e s m o os líderes d e m o c r a t i c a m e n t e eleitos, q u e t ê m as melhores intenções, t e n d e m a tornar-se p a r t e de u m a elite que p r o m o v e seus próprios interesses e t e n t a manter-se no p o d e r a qualquer custo.

O verdadeiro valor destas perspectivas é que elas m o s t r a m como, mes-

mo as formas mais racionais e democráticas de organização, p o d e m resultar em modos de d o m i n a ç ã o , o n d e certas pessoas a d q u i r e m e m a n t ê m u m a in-fluência d o m i n a d o r a sobre as o u t r a s , geralmente por meio de processos sutis de socialização e crença. Tomando as idéias de Weber como exemplo, pode-mos ser d o m i n a d o s por forças básicas e ocultas, como as que apoiam a busca de racionalidade. Na v e r d a d e , p a r a Weber, o próprio processo de racionaliza-ção é um m o d o de d o m i n a ç ã o . Conforme nos t o r n a m o s cada vez mais sujei-tos à administração, por meio de regras, e nos envolvemos em cálculos que associam meios e fins e custos e benefícios, nós nos t o r n a m o s cada vez mais d o m i n a d o s pelo processo em si. Princípios impessoais e a busca de eficiência t e n d e m a tornar-se nossos novos feitores de escravos.

 

A visão de dominação de Marx

 

As idéias de Weber sintonizam com as de Karl Marx, especialmente as

discutidas no capítulo do fluxo e t r a n s f o r m a ç ã o . Para Weber, a lógica que move a sociedade m o d e r n a encontra-se no processo de d o m i n a ç ã o , por meio da racionalização. Para Marx, ela acha-se na d o m i n a ç ã o g e r a d a pela busca

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da mais-valia e da a c u m u l a ç ã o de capital. Muitos teóricos "radicais" atuali-

z a r a m as idéias de Marx e de Weber, m o s t r a n d o como a organização no m u n -

do m o d e r n o é baseada em muitos tipos de processos de dominação e explora-

ç ã o .

No restante deste capítulo, vamos explorar as idéias destes teóricos radi-

cais da organização, especialmente as de Karl Marx. Vamos enfocar o m o d o

como as forças de d o m i n a ç ã o e m b u t i d a s nos m o d o s como nos organizamos

muitas vezes levam as organizações a explorar seus e m p r e g a d o s e o contexto

social e econômico em que o p e r a m .

 

TEORIA ORGANIZACIONAL RADICAL: COMO AS ORGANIZAÇÕES USAM E EXPLORAM SEUS EMPREGADOS

 

A conhecida peça de Arthur Miller, Morte de um caixeiro viajante, explora

a vida e m o r t e trágicas de Willy Loman.

Wüly tinha sido vendedor da companhia Wagner por 34 anos, viajan-

do pela Nova Inglaterra, ano após ano, como "o homem da Nova Ingla-terra" da Wagner. No entanto, aos 60 anos de idade, acha que não agüenta mais as exigências da vida na estrada. Depois de vários esgotamentos nervosos, relutantemente resolve pedir um cargo na cidade de New Yok, para poder trabalhar perto de casa. Seus filhos estavam crescidos e suas necessidades financeiras eram modestas. Ele estava confiante que a Wagner encontraria um lugar para ele, embora seu desempenho não fosse nem de perto tão bom quanto antes.

No entanto, quando toca no assunto com Howard Wagner, Willy é

duramente desapontado. Howard não tem tempo para os problemas dele. Willy fala de seu tempo de firma, sua estreita ligação com o pai de Howard e as promessas que lhe haviam sido feitas. Mas isso não adian-ta. Em questão de minutos, Willy está sugerindo que seu salário poderia ser reduzido de 65 dólares por semana para 50 e, finalmente, para 40, uma vez que ele só precisa ganhar o suficiente para sobreviver.

Howard fica incomodado com os pedidos de Willy, mas insiste que

não pode fazer favores. Depois de várias tentativas de escapar da situa-ção, alegando que não tem mais tempo e que precisa atender outra pes-soa, Howard finalmente termina a conversa dizendo a Willy que a em-presa não precisa mais dele. Willy está arrasado. Ele sente-se como "um

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bagaço de laranja". Afirma tinha consumido 34 anos de sua vida como se fosse um pedaço de fruta e agora estava jogando o resto fora.

Ele acaba cometendo suicídio.

A peça de Miller vale como u m a metáfora da m a n e i r a como as organi-

zações, muitas vezes, c o n s o m e m e exploram seus e m p r e g a d o s , t o m a n d o e u s a n d o o que precisam e j o g a n d o o resto fora. N a t u r a l m e n t e , existem exceções. Mas muitos trabalhadores e gerentes, em todos os níveis da organização, v ê e m sua saúde e vidas pessoais sendo sacrificadas nos altares criados pelas orga-nizações m o d e r n a s . A história de Willy, e m b o r a radical em seu desenlace fi-nal, n ã o é radical em sua essência. No m u n d o de hoje, indivíduos e até comu-nidades inteiras se v ê e m j o g a d o s fora como bagaços de laranja q u a n d o as organizações n ã o precisam mais deles. As pessoas ficam p e r m a n e n t e m e n t e d e s e m p r e g a d a s , e m b o r a sintam que ainda p o d e r i a m ter muitos anos de tra-balho útil pela frente. C o m u n i d a d e s vêem-se impossibilitadas de sobreviver q u a n d o organizações das quais d e p e n d e m p a r a sua sobrevivência econômica decidem m u d a r seu capital p a r a o u t r o lugar. Cada vez mais, muitos gerentes vêem suas vidas de dedicação extrema a seu e m p r e g a d o r acabar como víti-m a s de cortes ou de "planos de a p o s e n t a d o r i a precoce". E m b o r a a l g u m a s vezes amaciados com "indenizações vultosas" e u m a confortável aposenta-doria, o golpe em seus egos e auto-confiança p o d e ser arrasador.

De certa forma, é irônico que aqueles que t ê m acesso mais privilegiado a

informações i m p o r t a n t e s ou posições estratégicas em suas c o m p a n h i a s ge-r a l m e n t e são os que recebem o golpe mais d u r o em sua auto-estima. Muitos executivos importantes, q u a n d o recebem a notícia de que n ã o são mais ne-cessários, t a m b é m ficam sabendo q u e seu desligamento será imediato. Eles n ã o precisam aparecer no trabalho n u n c a mais p o r q u e , apesar de sua impe-cável r e p u t a ç ã o , a o r g a n i z a ç ã o t e m e que o r e s s e n t i m e n t o leve-os a p e g a r d o c u m e n t o s que possam ser usados pelos concorrentes ou, de a l g u m a forma, prejudicar a organização. Nestes casos, além de insultados, são h u m i l h a d o s .

Na opinião de muitos teóricos radicais da organização, e m b o r a tenha-

mos progredido m u i t o em relação à p u r a exploração e n c o n t r a d a na escravi-d ã o e nos t e m p o s do desenvolvimento da revolução industrial, os mesmos padrões existem hoje em dia. Eles a c h a m evidências particularmente claras disto na m a n e i r a como as organizações e s t r u t u r a m as o p o r t u n i d a d e s de tra-balho p a r a produzir e reproduzir a estrutura de classes das sociedades mo-dernas; na m a n e i r a como as organizações a b o r d a m os problemas de situa-ções de trabalho perigosas, os acidentes de trabalho e as doenças ocupacionais; e no m o d o c o m o as o r g a n i z a ç õ e s p e r p e t u a m as e s t r u t u r a s e práticas que p r o m o v e m o trabalho excessivo e formas associadas de stress m e n t a l e social.

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Organização, classe e controle

 

Pode-se a r g u m e n t a r que a o r g a n i z a ç ã o s e m p r e foi b a s e a d a em classe

social. Os primeiros tipos de organização formal provavelmente surgiram nas

sociedades hierárquicas, o n d e um grupo social impôs-se sobre outro, muitas

v e z e s p o r m e i o d a c o n q u i s t a . Essas s o c i e d a d e s t o r n a r a m - s e a i n d a m a i s

estratificadas à m e d i d a que alguns indivíduos colocaram-se a serviço de clas-

ses d o m i n a n t e s como religiosos, escribas, contadores, comerciantes e merca-

d o r e s . Como essas pessoas n ã o e s t a v a m envolvidas na p r o d u ç ã o dos bens

necessários p a r a seu sustento, formaram u m a classe de pessoas intermediá-

rias entre a classe d o m i n a n t e e os camponeses e escravos envolvidos na real

produção de bens. Encontramos o m e s m o sistema reproduzido na m o d e r n a

organização nas distinções entre proprietários, gerentes e trabalhadores.

Milhares de anos passaram-se entre o surgimento das primeiras organi-

zações formais e as corporações que nos cercam hoje em dia. Podemos pegar

a história de um período da Revolução Industrial na Inglaterra, por volta da

década de 1760, e da industrialização dos Estados Unidos, no início da déca-

da de 1800.

A Revolução Industrial na Inglaterra foi feita a partir de u m a sociedade

agrária com um sistema "doméstico" ou "caseiro" de p r o d u ç ã o , s u p l e m e n t a d o

por u m a p e q u e n a m i n e r a ç ã o e construção e um sistema industrial de ofici-

nas dirigidas por artesãos-comerciantes organizados em ordens de profissio-

nais. Estas oficinas e r a m g e r a l m e n t e estratificadas de acordo com a habilida-

de e status, em termos de mestres, t r a b a l h a d o r e s e aprendizes. As ordens con-

trolavam a admissão e as condições de trabalho e conseguiam garantir u m a

vida razoável para seus m e m b r o s , especialmente em c o m p a r a ç ã o com os agri-

cultores pobres e os sem-terra que t i n h a m perdido sua fonte de subsistência

em conseqüência da d e m a r c a ç ã o de terra d u r a n t e o século XVI.

A Revolução Industrial m u d o u este q u a d r o q u a n d o os produtores capi-

talistas p r o c u r a r a m superar as incertezas da p r o d u ç ã o e da qualidade asso-

ciadas c o m a p r o d u ç ã o caseira; a t e n d e r aos novos m e r c a d o s criados pela

expansão do comércio m u n d i a l e o crescimento populacional; e, o que é mais

importante, aproveitar os sistemas mecânicos de p r o d u ç ã o . O desenvolvimento

da p r o d u ç ã o fabril transformou a estrutura da força de trabalho e intensifi-

cou o crescimento das áreas u r b a n a s . Um n ú m e r o cada vez maior de pessoas

que antes t i n h a m t r a b a l h a d o por conta própria em oficinas e indústrias ca-

seiras assumiram novos papéis c o m o parte de u m a classe assalariada emer-

gente. O trabalho torna-se cada vez mais u m a mercadoria que p o d e ser com-

p r a d a e vendida. Como essas m u d a n ç a s eliminaram os sistemas anteriores de

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p r o d u ç ã o , p a r a os novos assalariados o processo era irreversível, tornando-os d e p e n d e n t e s do sistema de salário.

Acontecimentos semelhantes ocorreram nos Estados Unidos. No come-

ço do século XIX, a p r o d u ç ã o capitalista visando o lucro, u s a n d o t r a b a l h o assalariado, era insignificante fora das m a i o r e s cidades. A m a i o r p a r t e da população vivia nas áreas rurais e mais de 8 0 % da mão-de-obra estava em-pregada na agricultura, sendo que mais de 2 0 % e r a m escravos e arrendatá-rios. Cerca de 8 0 % da força de trabalho n ã o escrava e r a m proprietários de terras e profissionais - fazendeiros, comerciantes, artesãos, p e q u e n o s fabri-cantes, médicos, advogados e outros.

A escravidão continuou i m p o r t a n t e na agricultura d u r a n t e a maior parte

do século. Havia quase 4,5 milhões de escravos em 1860 e, m e s m o depois da emancipação, muitos c o n t i n u a r a m em servidão feudal como meeiros e ou-tros arranjos com os fazendeiros. Na manufatura, os sistemas capitalistas de produção tiveram um impacto crescente no decorrer do século XIX, substi-tuindo a indústria caseira e o p e q u e n o negócio por um sistema de trabalho assalariado. Imigrantes, índios, m u l h e r e s e crianças, artesãos e trabalhado-res agrícolas sem colocação i n c h a r a m u m a força de trabalho q u e , como na Inglaterra, encontrava dificuldade cada vez maior p a r a achar fontes alterna-tivas de subsistência. O crescimento da organização capitalista foi acompa-n h a d o pelo declínio do n ú m e r o de pessoas que t r a b a l h a v a m por conta pró-pria e o a u m e n t o do n ú m e r o de assalariados, e m b o r a essa tendência t e n h a começado a inverter-se em conseqüência do a c h a t a m e n t o e descentralização de grandes burocracias e do surgimento de p e q u e n a s e m p r e s a s .

O crescimento de um sistema capitalista de p r o d u ç ã o g e r a l m e n t e de-

p e n d e da existência de u m a oferta de mão-de-obra assalariada, a m e n o s que se baseie em escravos ou em algum sistema de subcontratação. A escravidão vai contra importantes n o r m a s sociais e p o d e ser ineficiente; a subcontratação, até as revoluções criadas pela informática, administração just in time e novas formas de controle eletrônico, era a l t a m e n t e imprevisível do p o n t o de vista capitalista. O capitalismo inicial na América do Norte combinou elementos de escravidão e subcontratação, m a s à m e d i d a que o século transcorria, acen-tuou-se u m a consistente tendência p a r a o trabalho assalariado - e com ele o surgimento da profissão e das atividades de administração que conhecemos hoje.

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O trabalho assalariado gera um enfoque na eficiência e controle

 

Em relação a vários aspectos, pode-se dizer que o sistema de trabalho

assalariado criou a administração m o d e r n a , u m a vez que, pela primeira vez fora da escravidão, o lucro d e p e n d i a da eficiência no uso do t e m p o de traba-lho. Sob os sistemas de produção doméstica e de subcontratação, o lucro dos capitalistas-comerciantes, que c o m p r a v a m e v e n d i a m bens produzidos, não d e p e n d i a necessariamente de como os bens e r a m produzidos. O comerciante pagava um preço a d e q u a d o e vivia da m a r g e m de lucro. Surgia um g r a n d e inconveniente q u a n d o p r o d u t o r e s particulares falhavam em prover a quanti-d a d e ou qualidade a d e q u a d a no prazo necessário, mas os problemas envolvi-dos estavam fora da esfera de interesse dos comerciantes.

Com o a p a r e c i m e n t o do sistema fabril, no e n t a n t o , cada s e g u n d o de

t e m p o desperdiçado ou uso ineficiente de t e m p o representava u m a p e r d a de lucro. Então, o e m p r e g o de mão-de-obra assalariada levou o capitalista a dar g r a n d e ênfase à eficiência do t e m p o de t r a b a l h o e a p r o c u r a r a u m e n t a r o controle sobre o processo de p r o d u ç ã o . O estabelecimento de um sistema de salários t r o u x e implicações p a r a a organização do processo de t r a b a l h o e, como corolário, institucionalizou as divisões de classe no local de trabalho, p a r t i c u l a r m e n t e e n t r e a d m i n i s t r a d o r e s envolvidos no p l a n e j a m e n t o e con-trole do trabalho e a força de trabalho envolvida na atividade produtiva.

O desenvolvimento de um sistema de trabalho assalariado t e n d e a ser

seguido por u m a organização cada vez mais rígida e precisa, u m a supervisão direta e u m a padronização cada vez maior dos cargos. Trabalhadores qualifi-cados e semiqualificados são cada vez mais freqüentemente substituídos por t r a b a l h a d o r e s n ã o qualificados, mais b a r a t o s , levando ao que é, às vezes, descrito como "degradação" ou "desqualificação" do trabalho e "homogenei-zação" do m e r c a d o de t r a b a l h o . A extensão da desqualificação foi grafica-m e n t e ilustrada n u m estudo inglês que mostrou como, em algumas organi-zações, mais de 80 % dos trabalhadores m a n u a i s usava menos habilidades em seus trabalhos do que p a r a dirigir de casa p a r a o trabalho.

 

Surgem os mercados de trabalho primário e secundário

 

O m e r c a d o de trabalho t a m b é m se t o r n a cada vez mais s e g m e n t a d o em

duas categorias, às vezes descritas como setores primário e secundário. O m e r c a d o de trabalho primário é um m e r c a d o de cargos de carreira que são especialmente i m p o r t a n t e s ou que exigem alto grau de qualificação e conhe-cimento d e t a l h a d o , geralmente associado com a n a t u r e z a específica da em-

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presa. Este m e r c a d o t e m crescido com a proliferação das e m p r e s a s burocrá-tica e tecnocrática, cujos m e m b r o s são atraídos p a r a o trabalho n ã o a p e n a s pelo dinheiro, mas pelas r e c o m p e n s a s n ã o m o n e t á r i a s , como satisfação no trabalho, promessa de progresso na carreira e garantia de e m p r e g o . Os mem-bros do m e r c a d o de trabalho primário são considerados dignos de investi-m e n t o s significativos. São considerados e tratados como "ativos" da empresa ou como "capital h u m a n o " . Esses e m p r e g a d o s d e v e m ser dedicados e leais. As empresas em geral se esforçam p a r a incentivar e r e c o m p e n s a r estes traços, e u s a m mecanismos de seleção extensos e rigorosos p a r a eliminar candidatos de alto risco. No e n t a n t o , à m e d i d a que os progressos na informática criaram processos cada vez mais sofisticados de subcontratação ou terceirização, um n ú m e r o cada vez maior de profissionais, antes considerados como parte es-sencial do m e r c a d o de trabalho primário, se v ê e m t r a b a l h a n d o em contratos limitados, onde compromissos de longo prazo não são desejados n e m possíveis.

O m e r c a d o de trabalho secundário é um m e r c a d o de t r a b a l h a d o r e s de

baixa qualificação e baixa r e m u n e r a ç ã o e m p r e g a d o s em escritórios, fábricas e ao ar livre, que p o d e m ser mais facilmente dispensados e substituídos. Ele exige pouco investimento de capital sob a forma de t r e i n a m e n t o e educação, e os trabalhadores p o d e m ser contratados e demitidos conforme os ciclos de negócios. Este tipo de mão-de-obra constitui u m a "reserva" que p e r m i t e à o r g a n i z a ç ã o a u m e n t a r a p r o d u ç ã o nos b o n s t e m p o s e reduzi-la nos m a u s t e m p o s , d e i x a n d o a operação central da e m p r e s a e a força de t r a b a l h o de elite, do m e r c a d o primário, p r a t i c a m e n t e imunes a essas flutuações. A força de trabalho secundária cada vez mais está s e n d o e m p r e g a d a em regime de s u b c o n t r a t a ç ã o .

 

Sistema de classes

 

A existência de duas categorias de mão-de-obra dá a u m a organização

muito mais controle sobre seu a m b i e n t e interno e externo. O fato de que os t r a b a l h a d o r e s p r i m á r i o s t ê m um c o m p r o m i s s o c o m a firma, a u m e n t a a previsibilidade das operações internas, e n q u a n t o que a existência da reserva de mão-de-obra secundária facilita sua capacidade geral de a d a p t a ç ã o . No e n t a n t o , este meio de controle cria um sistema diferencial de status e privilé-gios d e n t r o da organização, que g u a r d a um paralelismo com a divisão de classes externa e mais ampla, e a sustenta. Isto significa que as oscilações nos negócios afetam mais d u r a m e n t e os setores mais pobres da sociedade, que p e r t e n c e m ao setor secundário, e grupos especiais, como mulheres, minorias

A FACE REPULSIVA 313

 

 

étnicas, deficientes e os jovens com baixo nível de educação formal, que for-

m a m u m a g r a n d e parte deste m e r c a d o d e trabalho.

Se e x a m i n a r m o s as estruturas ocupacionais de muitas sociedades oci-

dentais, veremos que, em média, minorias e grupos socialmente desfavorecidos

t ê m probabilidade maior de ter que fazer trabalho pesado, por salários relati-

v a m e n t e baixos, c o m p o u c a g a r a n t i a de e m p r e g o e poucos benefícios. Os

cargos do setor secundário g e r a l m e n t e são deixados p a r a aqueles que n ã o

conseguem a r r u m a r mais n a d a . Os padrões de e m p r e g o neste setor da eco-

nomia refletem as atitudes sociais e padrões de preconceito e discriminação

da sociedade em geral.

Alguns países e u r o p e u s institucionalizaram este p a d r ã o permitindo que

imigrantes ou trabalhadores "visitantes" de outros países e n t r e m p a r a a força

de t r a b a l h o , com vistos t e m p o r á r i o s , p a r a fazer os trabalhos que n i n g u é m

mais quer. Estima-se que 10 milhões de trabalhadores imigrantes estejam em-

pregados na Europa, perfazendo 1 1 % da força de trabalho na Alemanha e

2 7 % na Suíça. Historicamente, as fileiras da classe t r a b a l h a d o r a inglesa têm

sido engrossadas por imigrantes, mais r e c e n t e m e n t e por imigrantes das índi-

as Ocidentais, índia, Paquistão e outros países da Ásia, Europa e da Comuni-

d a d e Britânica. Nos Estados Unidos, estima-se que entre 2 e 1 2 % da força de

trabalho consiste de trabalhadores ilegais vindos do México, Caribe e outros

lugares. Os t r a b a l h a d o r e s negros s e m p r e f o r m a r a m u m a parte substancial

da classe t r a b a l h a d o r a desde os t e m p o s da escravidão. Desde a d é c a d a de

1920, eles t ê m estado cada vez mais envolvidos em m a n u f a t u r a e no setor de

serviço e, apesar dos p r o g r a m a s de integração e igualdade de oportunidades,

ainda estão mais presentes no m e r c a d o de trabalho secundário.

Discriminação institucionalizada? Ou u m a conseqüência n ã o planejada

do desenvolvimento industrial? O d e b a t e continua. É claro q u e , e m b o r a a

d o m i n a ç ã o e exploração de grupos desfavorecidos possa n ã o ser um objetivo

declarado da empresa m o d e r n a , elas são definitivamente um efeito colateral.

Apesar dos grandes avanços na legislação sobre e q ü i d a d e de e m p r e g o , a ex-

ploração implícita e explícita dos e m p r e g a d o s continua. As organizações mo-

dernas c o n t i n u a m a d e s e m p e n h a r um papel i m p o r t a n t e na criação e m a n u -

tenção de u m a classe t r a b a l h a d o r a relativamente desprivilegiada, que hoje é

mais a p r o p r i a d a m e n t e descrita c o m o u m a "subclasse", p o r q u e m u i t o s n ã o

estão mais t r a b a l h a n d o e t ê m p o u c a perspectiva de voltar a trabalhar. Ao

criar e reforçar o sistema de m e r c a d o de trabalho, as organizações m o d e r n a s

c o n t i n u a m a favorecer e a reforçar u m a e s t r u t u r a de p o d e r q u e encoraja

pessoas com certos atributos e prejudica outras. O processo r e p r o d u z os pa-

314 ALGUMAS IMAGENS DA ORGANIZAÇÃO

 

 

drões de favor e privilégios que simbolizam e reforçam divisões socioeconômicas vigentes. Deste p o n t o de vista, as corporações m o d e r n a s d e s e m p e n h a m um papel crucial na p r o d u ç ã o e sustentação dos males e iniqüidades da socieda-de m o d e r n a .

Embora nosso objetivo t e n h a sido e s t u d a r a evolução da o r g a n i z a ç ã o

sob o capitalismo, é importante a p o n t a r que um p a d r ã o semelhante t a m b é m p o d e ser observado nas sociedades n ã o capitalistas. Com a q u e d a do Muro de Berlim, t a n t o no sentido físico como político, ficou cada vez mais claro q u e as sociedades comunistas, c o m a n d a d a s pelo Estado, a p r e s e n t a m as m e s m a s ca-racterísticas. A China e a antiga URSS sempre tiveram u m a clara estrutura de classes, com a visão de Weber "da j a u l a de aço da burocracia" e a visão de Michels da "lei de ferro da oligarquia" m u i t o em evidência. A organização, q u a l q u e r que seja sua v e s t i m e n t a ideológica, p a r e c e d a r forma a p a d r õ e s sistêmicos de exploração e d o m i n a ç ã o social.

 

Perigos, doenças ocupacionais e acidentes de trabalho

 

N u m dos capítulos mais vibrantes de O Capital, Karl Marx dá especial

atenção ao fato de que muitos e m p r e g a d o r e s de seu t e m p o estavam levando seus e m p r e g a d o s à m o r t e em c o n d i ç õ e s h o r r í v e i s . C i t a n d o r e l a t ó r i o s de inspetores de fábricas e magistrados, sua descrição é repleta de detalhes in-críveis. N u m a indústria de rendas em Nottingham "crianças de nove ou 10 anos e r a m a r r a n c a d a s de suas c a m a s esquálidas às d u a s , três ou q u a t r o da m a n h ã e forçadas a trabalhar por salários de subsistência até dez, onze ou meia-noite, seus corpos encolhendo, seus rostos e m b r a n q u e c e n d o , suas con-dições h u m a n a s afundando n u m torpor de pedra, v e r d a d e i r a m e n t e horrível de se contemplar". O Sr. Broughton Charlton, o m a g i s t r a d o cujas palavras foram citadas, classificou o sistema como "escravidão social, física, moral e espiritual declarada ... Nós recriminamos os plantadores de algodão de Virgínia e Carolina. Seriam o açoite e o comércio da carne h u m a n a que eles praticam mais detestáveis do que este lento sacrifício da condição h u m a n a que ocorre para que véus e golas possam ser fabricados para o benefício dos capitalistas?"

Citando relatórios sobre a indústria cerâmica de Staffordshire, Marx re-

lata fatos semelhantes, c o n t a n d o a estória de William Wood, de nove anos de idade, que trabalhou por mais de um ano das 6 da m a n h ã às 9h da noite, seis dias por s e m a n a . Citando relatórios médicos sobre como os ceramistas esta-v a m m o r r e n d o , a u m a t a x a a l a r m a n t e , d e d o e n ç a s p u l m o n a r e s c a u s a d a s pela poeira, fumaça, vapor e assim por diante, ele a p o n t a as observações de

A FACE REPULSIVA 315

 

 

três médicos que relataram como a cada geração sucessiva de ceramistas as

pessoas se t o r n a v a m m e n o r e s e m e n o s robustas do que a geração anterior.

Por exemplo, o Dr. J. T. Arledge relatou, em 1 8 6 3 , que os ceramistas, classe

constituída t a n t o de h o m e n s como de mulheres, r e p r e s e n t a v a m u m a "popu-

lação d e g e n e r a d a . . . c o m crescimento b l o q u e a d o , d e f o r m a d a e freqüen-

t e m e n t e com defeitos no peito . . . p r e m a t u r a m e n t e envelhecida . . . com vida

curta . . . [assolada por] doenças de fígado e rins e por r e u m a t i s m o . . . [e]

especialmente predisposta a p n e u m o n i a , tuberculose, b r o n q u i t e e asma".

• Relatórios sobre fábricas de fósforo em grandes cidades d o c u m e n t a -

r a m que m e t a d e dos operários e r a m crianças e jovens com m e n o s de 18 anos e como o t é t a n o , d o e n ç a há m u i t o t e m p o associada com a p r o d u ç ã o de fósforo, era c o m u m .

• Relatórios sobre a indústria de papel de p a r e d e dizem que moças e

crianças e r a m obrigadas a trabalhar das 6h da m a n h ã até pelo me-nos as 10 da noite sem p a r a d a p a r a as refeições. Trabalhando seten-ta ou oitenta h o r a s por s e m a n a , elas f r e q ü e n t e m e n t e c o m i a m em suas próprias m á q u i n a s .

• Relatórios sobre a indústria de panificação d o c u m e n t a m que os pa-

deiros g e r a l m e n t e t r a b a l h a v a m das l l h da noite até as 7 da noite do dia seguinte, com apenas um ou dois intervalos p a r a descansar. Eles estavam entre os t r a b a l h a d o r e s de vida mais curta, r a r a m e n t e atin-gindo a idade de 42 anos.

• Relatórios sobre a indústria de r o u p a s d o c u m e n t a m que garotas e

mulheres jovens t r a b a l h a v a m em turnos de 16 ou de até 30 horas nos períodos de pico. Elas g e r a l m e n t e t r a b a l h a v a m sem intervalo e e r a m m a n t i d a s acordadas por doses ocasionais de licor, vinho do Porto ou café.

• Nas estradas de ferro, h o m e n s trabalhavam de 14 a 20 horas por dia,

sendo c o m u n s j o r n a d a s de 40 a 50 horas seguidas nos períodos de pico de viagens.

• Nas usinas siderúrgicas m e n i n o s de 9 a 15 anos t r a b a l h a v a m turnos

contínuos de doze horas em altas t e m p e r a t u r a s , muitas vezes à noite e sem ver a luz do dia d u r a n t e meses.

Na opinião de Marx, o capital vivia "como vampiro . . . sugando os tra-

b a l h a d o r e s vivos" e, em geral, n ã o levava em conta a s a ú d e ou o t e m p o de

vida do trabalhador, a m e n o s que a sociedade forçasse-o a fazer isso.

316 ALGUMAS IMAGENS DA ORGANIZAÇÃO

 

Muitas pessoas que fazem pesquisa sobre a saúde e segurança no traba-

lho hoje em dia acreditam que, e m b o r a as condições de trabalho na maioria das organizações sejam muito melhores do que as descritas, muitos proble-mas básicos persistem. Muitos e m p r e g a d o r e s só se p r e o c u p a m com os peri-gos do trabalho q u a n d o a legislação o exige. Operários do Terceiro M u n d o ainda sofrem, freqüentemente, sob condições e x a t a m e n t e iguais às descritas acima, t r a b a l h a n d o em oficinas s u b c o n t r a t a d a s p a r a e m p r e s a s globais, e o trabalho infantil é c o m u m . Mesmo nos países desenvolvidos do ocidente, as doenças ocupacionais e os acidentes de t r a b a l h o c o n t i n u a m a causar alar-m a n t e s d a n o s à vida h u m a n a .

Continuar: parte 2 de 5