Mas, afinal, para quê, então, filosofia? Uma leitura do Górgias de Platão

O Diálogo Lido

 

PREÂMBULO

 

No início do diálogo, antes que Sócrates e Górgias tomassem a

frente da cena, houve um breve preâmbulo, no qual, além de ouvirmos a voz de todos os seus participantes (Sócrates, Querefonte, Górgias, Polo e Cálicles), também já ficamos sabendo qual seria o leitmotiv do texto, o ponto a partir do qual ele segue em espiral e que, talvez por isso, uma larga tradição tenha-o assumido como sendo o tema principal do diálogo: Sócrates quer saber em que consiste a tékhne de Górgias (Cf. 447 c), “o que é que ele professa e ensina” (447 c). Em outras palavras, “o que ele é”? (447 c). Pergunta, poder-se-ia dizer, um tanto quanto capciosa, já que à altura da data em que a cena se desenrola, Górgias já era afamado por, sendo rétor, professar a retórica. Mas não é só isso que podemos ver no preâmbulo; nele encontramos também, principalmente através da resposta que Polo dá à pergunta de Sócrates, a estratégia estrutural do diálogo: a contraposição entre