O Carrasco de Victor Hugo José Alves
XV a Prole de D. Affonso Vi
XV
A PROLE DE D. AFFONSO VI
Para vós verdes como coisa nenhuma
é encoberta.
BERN. RIB., Menina e Moça, cap. XII
Aquelle folheto, impresso em 1840, explica tres annos de angustias dilacerantes que levaram Marianna Rolem de Portugal ao extremo desafôgo do suicidio, ao ver-se desvalida das pessoas que se pejavam de conviver com a mulher infamada, e de mais a mais empobrecida.
Mas quem era Marianna Joaquina Franchiosi Rolem de Portugal?
Que havemos de inferir dos attestados reimpressos por conta de Victor Hugo?
É a filha aventureira do moleiro de Azeitão? Fugiu d'alli com um official da armada?
É a criada da franceza Chapsal?{196}
É a infiel contubernal do padeiro Manoel Rodrigues?
É a supposta parturiente do menino Francisco, e a indigitada amante de D. Miguel?
Donde lhe veem aquelles appellidos? Quem a levou a Joaquim Euzebio para que a creasse?
Vamos derivar a resposta de tão justa curiosidade desde 1661.
Onde isto vae!
A historia patria, que o leitor conhece impressa, não lhe refere que D. Affonso VI, á volta dos dezoito annos, viu em Lisboa, nas circumvisinhanças de Queluz, uma rapariga muito formosa, pelo braço de um mancebo de boa figura. Encarregou o valido Henrique Henriques de indagar quem fosse a galante menina. Descobriu-se que era Catharina Arrais, natural de Coimbra, donde fugira com seu primo, Manoel Arrais, estudante, a fim de se casarem em Lisboa, logo que obtivessem dispensa de parentesco e remoção de outros impedimentos canonicos attinentes ás fragilidades da sua céga paixão.
Sabido isto, e a residencia dos profugos amantes, estava sabido tudo. Manoel Arrais foi preso e conduzido a Coimbra. Catharina, na noite d'esse dia, foi assaltada no seu esconderijo por um tal Agostinho Nunes e por{197} Henrique Henriques de Miranda que a levaram ao rei.
Dois annos depois, Catharina Arrais era freira em Santa Anna, e Manoel Arrais era fallecido de dôr.
Antes, porém, de ser dada como esposa a Jesus Christo, houvera Catharina uma filha de Affonso VI, a qual se chamou D. Luiza de Portugal.
Esta D. Luiza, quando prefez seis annos, foi transferida a casa do famoso estadista conde de Castello Melhor, onde recebia tratamento de alteza.
Aqui se deteve com honras de infanta até ao anno de 1667, em que o pae já estava preso á ordem do principe seu irmão. Mas um dia o corregedor da côrte entrou á força no palacio do marquez, apoderou-se de D. Luiza de Portugal, e levou-a para o mosteiro de Santa Anna.
Soror Catharina recebeu sua filha, pensionada pelo infante, com a declaração de que sua alteza não a reconhecia como sobrinha; mas a protegia como desgraçada victima da libertinagem de seu augusto irmão.
Vejamos agora o que se fez para destruir as conjecturas de ser filha de D. Affonso VI aquella menina. A historia impressa não o diz. Ha manuscriptos que nos elucidam; e um,{198} que possuo com a maior estimação e de nenhum modo suspeito, vae referir-nos a villissima traça que teceram os partidarios da rainha e do infante para desfazerem a embaraçosa hypothese da fecundidade do filho de D. João IV.
O manuscripto intitula-se: Vida de el-rei D. Affonso VI, escripta no
anno de 1684 [5] .
Dava que pensar e receiar a crença publica de existir a filha do rei. O processo do divorcio, fundamentado em rasoens de torpissima deshonestidade, tropeçava n'aquella menina.{199} O procurador da rainha, duque do Cadaval, refere o expediente que lhe desatravancou o passo. Sobeja malvadez onde a imaginação coxêa no enredo. O homem escreveu isto para a posteridade, e talvez vaidoso de engenhar o capitulo d'uma novela ao sabor do tempo. Conta elle: «Offerecia-se ao duque uma grande duvida do bom successo da causa (o divorcio); porque dizia que era impossivel, tendo el-rei uma filha em casa do conde de Castello Melhor, chamada D. Luiza e com tratamento de alteza. Achando-se este negocio com esta grande duvida, Deus, que é a mesma verdade, foi servido de buscar os meios de se descobrir e averiguar com toda a certeza.
Recolheu-se um dia ao jantar para casa; achou na mão de um criado seu, um escripto que ali tinha deixado um moço. Dizia elle: Se V. Ex.ª quer saber um negocio muito importante para a cauza da rainha com que V. Ex.ª corre, ache-se á noite no seu coche, só, ás escadas do Loreto, de sorte que espere n'aquelle logar o sino da meia noute. E não se assignava o escriptor. Logo foi o duque á
Esperança,[6] e, mostrando o escripto á rainha, lhe disse ella{200} que de maneira nenhuma queria que fosse, por que aquillo podia ser de grande perigo. Respondeu-lhe o duque que havia de ir, e que deixasse sua magestade á conta d'elle a segurança.
«Reedificava-se a egreja do Loreto do incendio que havia padecido. Tinha no adro um grande telheiro a cujo abrigo trabalhavam os officiaes da obra. Mandou o duque metter n'elle o capitão de cavallos Manoel Travassos e o de couraças Manoel Caldeira, ambos de grande valor. Acompanhavam aos capitães quatro creados do duque, todos valorosos e bem armados com ordem de que, se vissem mais de que uma pessoa, sahissem do logar onde estavam. Foi o duque áquelle logar assignalado esperar a meia noite. Eis que chega ao estribo do coche uma mulher embuçada; e, perguntando ao duque se a conhecia, o duque lhe respondeu que não; e ella lhe tornou que era D. Anna Saraiva, que havia muitos annos o duque a vira e lhe fallara muitas vezes; e disse-lhe o duque que entrasse no coche, e que fossem até á Cotovia, que era parte mais solitaria.
«Disse-lhe D. Anna Saraiva que lhe queria mostrar como uma menina, que estava em caza do conde de Castello Melhor não era filha d'el-rei, posto que tractada por tal. Perguntando-lhe{201} o duque como o sabia, lhe contou toda a historia, e disse que, morando Agostinho Nunes nas cazas do armeiro-mor, a convidou para ir ver botar uma náo ao mar; e que alli vira uma moça bem parecida, descorada e com o cabello cortado; e que, perguntando-lhe algumas cousas a fim de saber quem era, e que vida era a sua, lhe respondeu que as más cores do seu rosto eram effeito da sua dor, e os cabellos lhe haviam sido cortados pela mão d'el-rei. Foi D. Anna, que era destra, inquirindo a môça, até que esta lhe manifestou sua desgraça, e disse que se chamava Chatharina Arrais; e, galanteando-a Manoel Arrais seu primo em Coimbra, viera para Lisboa com animo de casar com elle; e que, morando em umas cazas com o dito seu primo, a foram furtar uma noite Agostinho Nunes e Henrique Henriques, e a levaram ao paço, e pernoitou na camara de el-rei: que seu primo morrera de magua em Coimbra, e ella fôra para casa de Agostinho Nunes, onde se achava, e fôra obrigada a dizer, quando desse á luz, que a creança era filha d'el-rei; e sobre isso lhe fizeram grandes tyrannias até chegar el-rei a cortar-lhe os cabellos. Disse mais D. Anna Saraiva que D. Catharina Arrais estava freira em Santa Anna, e que ella lhe fallara, e estava resolvida{202} a vingar-se, declarando a verdade. Chamou o duque a Agostinho Nunes e em presença de Duarte Ribeiro foi inquirido e disse a verdade. Resolveu-se o duque a ordenar a Aurelio de Miranda, tabellião de notas, fosse ao campo de Santa Anna, perto da egreja, e alli esperasse recado d'elle duque; o qual deixando Augusto Nunes no seu coche, mandou dizer á prelada que quizesse fallar-lhe; e, vindo a prelada, lhe disse que tinha que fallar com Catharina Arrais, e sua mercê lh'a mandasse á grade. Assim fez. Appareceu; e, dizendo-lhe o duque que não vinha tirar-lhe a sua tença, antes conservar-lh'a; que elle sabia a verdade do que tinha passado; que convinha muito que o depuzesse em juizo, e que elle pediria licença á rainha para tal deposição. Veio Aurelio de Miranda. Disse D. Catharina o que havia succedido, e assignou. Averiguada esta materia, foi D. Luiza tirada pelo corregedor da côrte de casa do conde de Castello Melhor, e o infante lhe deu uma tença. Tirado este impedimento, se processou a causa de divorcio até final conclusão, etc.»
Até aqui a fantasia do historiador, atando alguns lanços verosimeis com outros de todo o ponto irracionaes. Que precisão tinha D. Anna Tavares de revelar o mysterio, a deshoras,{203} nas escadas do Loreto? De quem se temia ella, se tinha por si a rainha, o infante, o duque, Agostinho Nunes e todos quantos haviam sido alcayotes do rei preso? Quem teve a sandia credulidade de acceitar que D. Catharina, á primeira vez que via D. Anna, lhe contasse as miudezas vilipendiosas de sua vida? E o caso de el-rei lhe cortar de mão propria as tranças, por que ella se recusava de o acceitar como pae da creança que havia de nascer? Claro é que os personagens d'aquelle tenebroso drama de cruezas e devassidoens eram melhores algozes que romancistas.
Todavia é certo que soror Catharina recebeu sua filha, e, segundo a vontade de quem lh'a pensionára, quiz que ella fosse religiosa. Estava, porém, um amor infantil começado em casa do grande ministro de Affonso VI com D. Pedro de Mello e Alencastre, fidalgo de primeira plana, aparentado com os Castello-melhor. O moço, com quanto nobilissimo, olhava timidamente para a filha do rei; mas, depois que a prepotencia rebaixara a jerarchia de D. Luiza, complanou-se o terreno em que elle mais affoitamente podia requestal-a.
Estreitaram-se as relaçoens amorosas—tanto quanto os degenerados mosteiros do tempo as facilitavam—mantidas, ainda assim,{204} no mais alto ponto da honestidade. D. Pedro de Mello e Alencastre casou com D. Luiza de Portugal, e viveram em uma quinta do Riba-Tejo, em um quasi desterro imposto pelo contrariado infante.
Houveram varios filhos todos varoens, e um d'estes, D. Prior de Guimaraens, de amores com uma dama da côrte e de stirpe muito selecta, reconheceu sua filha D. Maria de Portugal, que casou com Marco Franchiosi, filho de um conde milanez, que militara em Portugal, no fim do reinado de D. Pedro II. Seguiu-se, neta de D. Luiza, D. Maria Izabel Franchiosi de Mello e Portugal e Alencastre, dama da côrte da rainha D. Marianna de Austria, acolhida pela soberana por dó da extrema pobreza em que a deixára o pae, homem de vida estragada.
N'este tempo, appareceu em Lisboa um provinciano riquissimo, de Pinhel, chamado Salvador da Costa Fagundes, a quem D. João V fez capitão de cavallos, deu habito de Christo, foro de fidalgo, e
nomeou sargento mór da sua terra.[7]{205}
Este Salvador Fagundes, movido pela formosura e prosapia da açafata da rainha, casou{206} com D. Maria Izabel, segunda neta de D. Luiza de Portugal.
Tiveram quatro filhos: um que succedeu na casa, dois que professaram em Santa Cruz de Coimbra, e uma senhora que se chamou D. Maria Escolastica Pulcheria Fagundes de Alencastre Portugal.
Esta menina, que vivia na côrte em casa de parentes, amou um official francez chamado Hilario Lescœure Rolem, (Rolin?) com o qual fugiu para Azeitão e mais uma filhinha nascida em Lisboa. Por Azeitão viveram anno e meio clandestinamente em uma quinta que o francez ali comprara. Descoberto e perseguido pela justiça, o official foi assassinado em acto de resistencia, e D. Maria reconduzida aos seus parentes, depois de ter deixado entregue a Joaquim Eusebio, moleiro em Azeitão, a filha, que se chamou Marianna Joaquina.
D. Maria, em 1808, forçada pelo irmão, casou para o alto Minho com o representante de uma casa antiquissima, cujos appellidos omitto em respeito a seus netos.
E, como em 1816 ficasse viuva, foi a Lisboa, e encarregou um seu afilhado, official de marinha, de procurar Marianna em Azeitão, e convencêl-a a seguil-o para Lisboa, se tivesse a fortuna de a encontrar.
O official encontrou a filha de sua madrinha{207} moirejando no cazebre do moleiro. Facil lhe foi movêl-a a acompanhal-o.
Orçava então pelos treze annos D. Marianna Elisa. Era linda quanto Deus podia fazel-a. A mãe nobilitou-lhe o nascimento com as suas lagrimas, e entregou-a aos disvellos de uma franceza illustrada que se chamava madame Chapsal.
A mãe demorou-se com a filha alguns mezes, fez-lhe doação da quinta de Azeitão revindicada de illegitimos possuidores, estabeleceu-lhe abundantes recursos, e voltou para a provincia, onde tinha filhos na primeira infancia.
Não sei se esta senhora voltou a Lisboa desde aquelle anno até ao de 1819 em que faleceu, depois de haver rogado a um provedor Ferraz, então seu hospede em Ponte do Lima, que entregasse a Marianna o seu cofre de joias, não podendo legalisar-lhe outra herança.
Este Ferraz, quando entregou as joias, rendeu-se por tal feitio á belleza da orfan, que não houve mais desenliçar-se d'aquella fascinação. Por desventura, o provedor era rivalisado por um gentil cadete de cavallaria, de nome Antonio Sicard.
Travou-se entre os dois emulos batalha de odios abafados, que mais tarde levaram Sicard, já alferes de cavallaria, por denuncia aleivosa de Ferraz, á Torre de S. Julião, onde morreu.{208}
Presume-se, todavia, que D. Marianna decidira o pleito a favor do cadête, por maneira tão decisiva e inappellavel que se estadiava em publico, de braço dado com o esbelto môço.
Tambem conjuraram bastantes tradiçoens a confirmar que o desembargador Ferraz, homem teimoso e rico, lográra tal qual dominio no coração de D. Marianna, á custa de liberalidades, entre as quaes realçavam o palacete e a carruagem.
Que D. Marianna de Portugal quiz mais tarde legitimar um filho para succeder na herança do magistrado é de todo o ponto inquestionavel, segundo jura o prior de S. Nicolau; mas essa creança não desdoira os creditos da quinta neta de Affonso VI. Era um filho artificial.
A opinião publica desdoira as mães dos filhos naturaes; dos artificiaes, não. Ultraja-se a natureza e respeita-se a arte.
Vivia D. Marianna de Portugal fóra de portas, quando D. Miguel a viu. Sua sexta avó D. Catharina Arrais soprara a mesma lavareda no peito de Affonso VI. Mas o real amante, graças á brandura de costumes d'este seculo, não a tosquiou, antes lhe beijou as tranças, e se deixou encadear por ellas. Tambem não consta que Marianna se doêsse do pejo da maternidade, á imitação da freira de Santa Anna,{209} consoante o duque de Cadaval a calumniou. Muito pelo invéz: ella adorava o principe, e sentia-o na alma e no sangue quando a creança lhe palpitava no seio.
Attesta o coronel José Joaquim do Cabo Pinto, no opusculo reeditado por Victor Hugo José Alves, que D. Marianna visitava D. Miguel de dois em dois dias. Isto não me parece exacto. Pendo a crêr que ella o visitasse todos os dias. Quanto á espionagem, que lhe assaca o desbragado commendador d'Aviz em estylo de tarimba, isso é calumnia a descambar em parvoice. As espias absolutistas não tratavam com o rei directamente: começavam no Miguel alcaide, e tocavam o ápice do valimento se levavam a denuncia até ao intendente geral da policia.
D. Marianna de Portugal empobreceu durante a sua intimidade com o rei. Para sustentar carruagem, libré e uma apparente abastança, vendeu as joias da mãe, depois que exhauriu o peculio que amealhara nos cofres do desembargador. Animo isempto e estreme de vil ganancia ostentou-o nobremente quando o coração predominou e abafou os baixos sentimentos que a pertinacia do desembargador lhe implantara na alma plebeamente educada. Um amor grande com os luzimentos verberados{210} da corôa real, devia ser segundo baptismo para o coração da neta de reis.
Acabada a guerra e desterrado o infante, D. Marianna estava pobre e tinha uma filha.
O desembargador Ferraz volveu a procural-a como amigo, como protector, e como velho inveterado de paixão, agora exacerbada pelos realces que o amor de D. Miguel haviam resurtido da belleza de D. Marianna.
Se é preciso confessar que a desvalida senhora acceitou a protecção do magistrado por amor á filha e desamor á penuria, diga-se o delicto bem alto, e haja de lhe perdoar em silencio a notoria sensibilidade do leitor.
Voltou a neta de D. Catharina Arrais a equipar sege e lacaios; mas, em 1838, o desembargador, aquelle Merlin cupidineo, levou comsigo para o inferno dos desembargadores a lanterna milagrosa que fazia prodigios de ouro á volta de Marianna.
Recorreu a mãe de Maria José ao expediente da hospedaria. N'esse trato, ia provendo á educação da filha, e costeando certas pompas um tanto desbotadas, mas incongruentes ainda assim com o seu estado. Contrahiu dividas, precipitou a queda na rampa da uzura; e é bem de presumir que o agiota, de quem a filha herdou, a desbalisasse a termos de lhe {211} não poder a consciencia com o roubo. Exemplo unico.
O insulto publicado em 1840 impeçonhou a vida da infausta vergontea de Bragança. Os tres annos que ainda arrastou á volta da filha, como quem se estorce e despedaça entre o amor de mãe e a necessidade de morrer, foram expiação acerba, purificação que nos torna respeitavel a memoria d'esta senhora de tão illustre sangue.
Em 1842 devia ter D. Marianna de Portugal quarenta annos proximamente, e vivia ahi por perto da Praça dos Romulares, com o seu hotel bastante luxuoso ainda, para dignamente hospedar o principe Lichnowsky.
Este principe viu-a, admirou-lhe as graças, comquanto já desluzidas, e então soube que uma linda menina, que ali se via, era filha do principe proscripto. Nas suas Recordaçoens, do anno de 1842, escreveu elle: Fui recebido na rua de... em uma hospedaria...
[8]A dona da casa, uma ci-devant bella mulher com ainda classicos vestigios de depostos encantos, esteve antigamente na posse de ternas relaçoens com D. Miguel. Ha mesmo alguem assás atrevido{212} para chegar a assegurar que existem provas vivas
d'aquella perdilecção real.[9]
Poucos mezes mais disputou a vida atormentada, a desgraça, que, de dia para dia, lhe esvasiava os guarda-fato e os bahús. Não é mister rendilhar phrases lugubres, que deixem transparecer as dilaceraçoens que a levaram ao suicidio.
Duas palavras bastam: vergonha e pobreza. Vergonha dos opprobrios d'aquelle folheto, e ninguem que a defendesse. Pobreza, que explicava o desamparo dos protectores, e a impunidade da injuria.
Morreu, descansou.{213}