O Carrasco de Victor Hugo José Alves

Camilo Castelo Branco · Capítulo 18 de 18

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O Carrasco de Victor Hugo José Alves

Epilogo

 

Os condes de Baldaque, n'este anno de 1872, viajam no Oriente, com o filho mais velho.

Damião Ravasco, reconhecido irmão do conde, e quasi millionario, vive no Ceará com sua mulher D. Luiza Tavares, a mais nova das filhas do ex-brigadeiro já fallecido.

As outras filhas, exceptuada Ernestina que acompanha a condessa, casaram e são ricas.

Os netos do brigadeiro, doutorados na universidade de S. Paulo, estão estabelecidos no imperio brazileiro.

D. Rozenda Picôa é mestra regia na Porcalhota.{238}

D. Eufemia, dada ao mysticismo, e repêza de escrupulos purificantes, está no seminario de Brancanes, encarregada da limpeza dos jesuitas.

Obrigado pelas leis da transmigração, Victor Hugo José Alves resuscitou nos corpos e almas de tres sujeitos que hão-de prosperar n'este paiz, se não encontrarem mulatos...

 

FIM{239}

[1] Veja os amores deste fidalgo com a filha d'el-rei D. Duarte.

[2] PORTUGAL, Recordações do anno de 1842, pelo principe

Lichnowsky. Lisboa, 1844.

[3] Pag. 5.

[4] Elidem-se phrases que ressumbram de mais á cazerna onde o

commendador d'Aviz escrevia o seu despejado depoimento.

[5] A pagina 111, penultima do ms., lê-se o seguinte: «Este Epytome da

vida d'Affonso VI, foi copiado exactamente do original, que se achava na livraria do duque de Cadaval, composto sobre as «Memorias» de Luiz Teixeira de Carvalho, que foi official maior da secretaria de estado, por cuja mão correram as ditas «Memorias»; porém, ha n'ellas circumstancias tão particulares que persuadem serem ditadas pelo duque D. Nuno Alvares Pereira, que teve tanta parte na deposição deste monarcha. Suas queixas o fizeram esquecer das grandes acções do governo d'este infeliz rei e das gloriosas victorias do seu reinado. Veja-se sua vida por o auctor mais critico.»

Segue outra declaração:

«A copia a que se allude, e da qual esta foi tirada, pertence a D.

Miguel Antonio de Mello; e hoje possue-a o conselheiro Antonio Joaquim Gomes de Oliveira, official maior da secretaria de estado dos negocios estrangeiros. Lisboa, 29 de Maio de 1845. Jacintho da Silva Mengo.»

[6] Mosteiro onde se recolhera D. Maria de Saboya.

[7] Á margem do livro-genealogico donde vou trasladando esta

linhagem, está escripta uma nota curiosa: «Salvador Fagundes era um homem ordinario de Pinhel, que andava a vender meias, e neste tracto o viu o padre Francisco Xavier da Mesquita Pimentel, frade loio, que m'o disse, em Fevereiro de 1775. E diz que haverá setenta annos que lhe vira vender as ditas meias. Outros me dizem que fôra pintor; emfim, sempre foi pessoa humilde. Porém, enriquecendo, foi pagador d'um regimento, e ajuntou tanto cabedal, que era já muito estimado. A um general que de Castella veio andar nas guerras de Portugal fez grandes offertas; e, quando se recolheu a Hespanha, lhe mandou por todas as partes offerecer todo o dinheiro que quizesse e na forma que lhe

parecesse; e por ultimo, julgando o general que aquillo seria bazofia, disse em uma parte que queria 50$000 cruzados; e, como logo lh'os dessem, os não acceitou, e ficou muito agradecido por ver que era verdade, e escreveu a el-rei de Portugal, dando-lhe parte de tudo, e pedindo-lhe que premiasse aquelle homem que tantos obsequios lhe fizera, João Pinto Ribeiro de Castro Vella me disse que o dito Fagundes ajuntára muito cabedal, quando fôra assentista e pagador nos tempos da guerra; e que, suspeitando que o governador o queria culpar pelo muito que furtára, lhe foi fallar; e como o governador o não quizesse receber, o Fagundes fingira um flato ou accidente, deixando uma bengala que trazia, na qual, pegando um criado do governador, e achando-a muito pezada, a levara ao amo que, admirado do pezo, a entrou a examinar e a achou cheia de moedas de 6$400 reis, com as quaes se accommodou, etc.»

Viessem cá hoje Fagundes com taes bengalas, que levavam com

ellas... depois de vasias.

[8] Não percebo o pudor de quem traduziu, omittindo o nome da

proprietaria do hotel.

[9] Portugal. Recordaçoens do anno de 1842—pag. 18.

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