O Coração do Bilionário: Sam

J. S. Scott · Capítulo 9 de 17

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O Coração do Bilionário: Sam

Capítulo 8

— Você sempre consegue tudo o que decide fazer? — Ela o encarou com um olhar tórrido.

— É claro que sim — respondeu ele agressivamente, enterrando os dedos nos cabelos fogosos desgrenhados dela.

Quando ele a dominou com apenas um beijo, Maddie teve certeza de que ele tinha razão.

 

—Sam pediu você em casamento? — gritou Kara feliz ao abraçar Maddie, esquecendo totalmente das malas.

Maddie abraçou a amiga de volta. — Ahm... eu não diria que foi exatamente um pedido. Foi mais um ultimato.

Kara riu baixinho, sentando-se na cama ao lado da mala e olhando para Maddie. — É claro. Ele é um Hudson. Acho que dominar o mundo está nos genes deles, especialmente no de Sam. E os dois têm uma sobrecarga enorme de instinto protetor com as mulheres que amam.

Maddie trocou um sorriso conhecedor com Kara. Depois que ela e Sam voltaram para a casa e subiram a escada, tinham se separado. Sam explicara que tinha que resolver alguns negócios com Simon antes que ele partisse com Kara para a lua de mel. Maddie tomara um banho rápido e fora se despedir de Kara. Logo, contara tudo à amiga, precisando desesperadamente conversar com ela sobre Sam. Kara provavelmente era uma das poucas pessoas que entendia os homens Hudson.

— Ele nunca disse que me amava. E é mais uma proposta de negócios do que um casamento — respondeu Maddie com o coração pesado. No momento em que saíram da doca, ela sentira Sam se afastar. A proximidade que encontraram nos braços um do outro desaparecera.

— Maddie, sempre foi bastante óbvio que você e Sam tinham alguma coisa, algo que nunca terminou para nenhum dos dois. Posso confirmar que a história sobre ele ajudar o FBI é verdadeira. Simon me contou sobre Sam ajudar a acabar com a organização. Simon sempre admirou Sam por isso.

Mas eles precisavam ser protegidos por algum tempo. Não tenho dúvida

alguma de que tudo que Sam disse é verdade — disse Kara em tom suave.

— Apesar de todas as falhas que tem, Sam é um homem bom. O que você vai fazer?

— Eu não sei — respondeu Maddie sinceramente. — Ele está me pressionando e preciso de tempo. Ora, nem mesmo nos conhecemos mais.

Nosso relacionamento aconteceu há muitos anos. Mal éramos adultos.

Aconteceu tanta coisa desde então. Nós dois mudamos.

— Bem, posso lhe dizer, por experiência própria, que paciência não é uma virtude dos Hudson — comentou Kara com uma risada.

Maddie revirou os olhos. — Descobri isso há muito tempo. — Ela acenou com a mão para a mala aberta. — Por falar nisso, amiga, é melhor terminar de arrumar a mala.

Kara se levantou com um olhar suave e acolhedor ao falar. — Maddie, duvido que Sam e Simon tivessem sobrevivido à infância que tiveram sem alguns danos secundários. Não dê atenção às palavras de Sam. Olhe para dentro do coração dele.

— Não sei se ele deixará que eu entre lá — admitiu Maddie. — Não entendo nada disso. Tudo está acontecendo depressa demais.

Kara dobrou uma calça jeans e colocou-a dentro da mala. — Não acho. Não acho que Sam tenha esquecido você. Para ele, nunca terminou.

— Não acho que tenha terminado para mim também — sussurrou Maddie, sabendo que o que dizia era verdade. Talvez Sam tivesse mudado durante aqueles anos, mas ainda era... Sam. Ela conseguira resistir enquanto achara que ele a traíra, quando achara que amava um homem que nunca existira. Agora que sabia que ele tentara protegê-la, que a quisera, impedir-se de cair novamente na teia de calor escaldante e necessidade desesperada era praticamente impossível.

— Dê uma chance a ele. Sam sempre foi inquieto, infeliz. Ele esconde muito bem, mas sofre muito — comentou Kara em tom implorante. —

Quero que vocês dois sejam felizes.

Maddie suspirou. — Tentarei fazer com que as coisas andem mais devagar para podermos nos conhecer de novo.

Kara fez uma careta. — Boa sorte. Quando um Hudson decide que quer alguma coisa, ele a toma. E coitada da mulher se protestar.

— Você aprendeu a lidar com Simon — relembrou Maddie em tom divertido.

— Ele só me deixa pensar que consigo manipulá-lo. Mas não é verdade.

Ele me pacifica, mas é muito traiçoeiro — respondeu Kara com a voz cheia de amor.

— Você consegue se acostumar com isso? Alguém que a queira tanto?

— perguntou Maddie pensativa.

— Ah, sim. É muito viciante. Que mulher não quer saber que é o centro do mundo de seu homem? — respondeu Kara com expressão sonhadora. —

Passei de completamente sozinha para totalmente feliz. Prefiro a obsessão de Simon em qualquer momento a um homem que não dá a mínima. Ele me ama e aquela obsessão faz com que eu me sinta segura, protegida, querida. Talvez algumas das coisas que ele faz sejam um pouco exageradas, mas não me importo. Na verdade, eu adoro. Tudo o que importa é o quanto nós nos amamos.

Maddie estremeceu, sabendo que se sentia da mesma forma. A atitude dominante e superprotetora de Sam era muito excitante. Maddie se sentira indesejada a vida inteira e o desespero de Sam por ela a deixava totalmente louca, querendo-o da mesma forma desarmada. — Talvez seja isso que me incomoda. Seria muito fácil eu ficar viciada nele.

Kara riu e deu uma piscadela ao fechar a mala. — Então fique viciada.

Mergulhe de cabeça. Duvido que ele pare. A teimosia é outro traço dos Hudson. Quando decidem o que querem, não param até conseguir.

Maddie não contou a Kara que já experimentara aquele desejo sedutor.

— Vou sentir sua falta. — Ela deu um abraço apertado na amiga. —

Divirta-se.

Simon e Kara passariam a lua de mel em uma viagem de três semanas pelo Reino Unido e pela Europa e Maddie estava feliz pela amiga. Kara não tivera uma vida fácil e merecia o melhor.

— Eu telefono para você — disse Kara ao abraçar Maddie. — Não vou aguentar ficar nesse suspense. Preciso saber o que está acontecendo.

— Acho que eu mesma terei que descobrir o que está acontecendo antes que possa lhe dizer alguma coisa — disse Maddie rindo ao soltar a amiga.

Kara colocou as mãos na cintura, lançando um olhar desaprovador a Maddie. — Pelo menos, aceite o dinheiro para a clínica. Você sabe que quer.

Infelizmente, Maddie sabia que queria aceitar a proposta inteira de Sam.

Só não sabia se o coração sobreviveria a isso.

— Se você a quer, case com ela.

Sam olhou para o irmão Simon, desejando que fosse tão fácil assim. —

Eu vou me casar com ela. Já disse isso a ela.

— Ahm... você a pediu em casamento? De verdade? — perguntou Simon em tom incerto.

— Não. Eu disse a ela que ia se casar comigo. Ela teve anos para encontrar outra pessoa e não encontrou. Agora, vai ficar comigo. Pelo menos, não vou tratá-la mal e posso lhe dar tudo o que ela quer. Em algum momento, ela superará o fato de que me odeia. — Espero.

Quando Sam se afastara de Maddie, fora até a biblioteca e contara tudo a Simon, pois precisava de uma opinião masculina.

— Mas que merda. Eu, pelo menos, pedi a Kara que se casasse comigo.

Não pretendia deixar que recusasse, mas pelo menos pedi — resmungou Simon, lançando um olhar perturbado ao irmão mais velho.

— Eu disse a ela que quero que se case comigo. É a mesma merda —

respondeu Sam irritado.

— Ahm... não exatamente, mano — respondeu Simon. — Não acho que Maddie seja o tipo de mulher que queira que alguém lhe diga o que fazer.

Ela é meio parecida com Kara nesse sentido. Você terá que deixar Maddie pensar que está no comando de vez em quando.

— Por quê? — perguntou Sam, lançando um olhar desgostoso ao irmão.

— Se eu fizer isso, ela poderá ir embora. Não pretendo deixá-la escapar desta vez. Ela vai se casar comigo.

Simon assentiu enfaticamente. — Certo. Bem, nesse caso, você não tem opção. Terá que fazer com que ela se case com você.

— Ah, caramba. Estou mesmo ouvindo meus dois filhos discutindo casamento como se estivessem negociando alguma coisa na Idade da Pedra? Samuel Hudson, você cortejará aquela mulher da forma adequada e depois pedirá polidamente que ela se case com você. — A mãe deles, Helen Hudson, entrou no aposento, lançando um olhar ríspido a Sam.

Ai, merda. Odeio aquele olhar. Faz com que eu me sinta com cinco anos de idade.

Sam abriu um sorriso charmoso para a mãe, apesar de saber que não daria certo. A mãe o conhecia muito bem. — Só estávamos discutindo as

possíveis opções, mamãe.

Helen andou até ele e ergueu o rosto para encará-lo nos olhos. Era estranho, mas, apesar de a mãe precisar olhar para cima para encará-lo agora, aquela expressão ainda o fazia ter vontade de se contorcer como uma criança levada.

— Trate aquela mulher direito, senão perderá sua chance — avisou ela em tom firme. — Vi o seu jeito perto dela hoje. Você precisa dela.

Sam não tinha como argumentar. Ele decididamente precisava de Maddie. O problema era... como colocá-la onde ele a queria.

Simon estava sentado atrás da mesa, com a mãe de costas para ele, e Sam o viu sorrir.

— E não seja convencido, Simon. Você se casou com uma mulher maravilhosa hoje. Precisa tratá-la muito bem — recriminou Helen, sem nem mesmo se virar, fazendo com que Simon se endireitasse na cadeira e tirasse o sorriso do rosto.

Sam olhou para a mãe com afeição. A mulher realmente tinha olhos na nuca.

— Eu trato Kara como uma princesa — objetou Simon, empurrando a cadeira para trás.

— E espero que continue assim — respondeu a mãe.

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Helen ainda usava a roupa do casamento, um vestido azul-marinho com sapatos da mesma cor que lhe davam uma aparência estonteante. Os cabelos loiros ainda estavam presos e ela não parecia nem um pouco cansada depois do longo dia, pois ajudara do nascer do sol até aquele momento. Apesar de Sam ter lhe dito para ir para casa, ela ficara para supervisionar a limpeza.

Eu devia ter me lembrado de que ela ainda estava aqui. Teria fechado a porta.

Cruzando os braços sobre o peito impacientemente, Helen perguntou: —

Ouvi... ou não ouvi você dizer que pretende fazer com que aquela garota se case com você, Samuel?

Mas que merda. Ele estava realmente encrencado, ela o estava chamando de Samuel.

— Ela vai se casar comigo — respondeu ele teimoso.

— Ela é educada, inteligente e linda. Pare de tratá-la como se tivesse genes de homem das cavernas e talvez tenha sucesso. Não pode

simplesmente bater com um pedaço de pau na cabeça dela e arrastá-la até sua caverna. Ela merece seu respeito — repreendeu Helen.

— Eu a respeito. Caso contrário, não iria querer casar com ela —

argumentou Sam.

— Então trate-a bem e pare de agir como um idiota — retrucou Helen.

— Eu gostaria de ver você tão feliz quanto Simon, Sam — terminou ela em voz baixa. Ela ergueu a palma e colocou-a sobre o rosto dele. — Vocês dois merecem ser felizes.

Sam se inclinou e beijou o rosto da mãe. Helen Hudson não tivera uma vida fácil e dera a ele e a Simon tudo o que conseguira enquanto os criava, incluindo um amor incondicional. Ele sabia que ela queria que fosse feliz.

— Estamos prontos? — Kara entrou no aposento, pronta para a viagem, vestindo jeans, um blusão bonito e botas de cano alto, com Maddie logo atrás.

Simon saltou da cadeira tão depressa que quase caiu. — Sim. Estou pronto, querida. Vamos.

Sam quase caiu na gargalhada com a ansiedade de Simon. Ele sabia que o irmão não só estava pronto para começar a lua de mel, como impaciente para se afastar da mãe, que estava em um dos raros momentos de bronca.

Maddie parou ao lado de Kara. Ela tomara um banho e vestira jeans e outra camiseta justa. As três mulheres deram os braços e andaram na direção da porta, dando beijos e abraços como se nunca mais fossem se ver.

Kara era amiga da mãe dele havia anos e Maddie se tornara um tanto próxima dela no ano anterior.

Sam começou a segui-las, disposto a fazer com que todos fossem embora. Queria ficar sozinho com Maddie.

Simon agarrou o braço dele e disse baixinho: — Eu recomendo seguir o plano. Use um pedaço de pau, se for preciso.

Sam assentiu, hipnotizado pelos quadris de Maddie que rebolavam suavemente enquanto ela acompanhava Kara e a mãe dele até a porta.

Minha.

Uma possessividade feroz o invadiu ao ver a mulher dele sorrir para Kara e a mãe.

Ele virou a cabeça e viu Simon olhando para Kara exatamente da mesma forma.

Simon se virou para Sam e os olhos dos dois irmãos se encontraram.

Eles trocaram um olhar intenso de compreensão e concordância. Em seguida, assentiram enfaticamente ao mesmo tempo.

Ele daria a Maddie o máximo de tempo que pudesse. Mas, em algum momento, cederia e usaria a tática do homem das cavernas. Não conseguiria evitar. Precisava muito dela, mesmo que não a merecesse.

Pensando na própria reação quando ela tentara tocar em seu pênis, ele fez uma careta. Deveria pelo menos ter tentado explicar. Mas era uma parte do passado da qual não queria lembrar, que não queria explicar, nem mesmo a Maddie. Especialmente a Maddie. Não queria ver o olhar de repulsa quando contasse, quando ela percebesse como estava contaminado pelo passado. Ele fizera o que fora necessário para proteger o irmão. Ainda assim, ficara marcado. Maddie podia ser médica, mas ainda era incrivelmente doce. Aquela parte da vida dele estava no passado e ele queria que continuasse lá.

Mas eu a rejeitei, fiz com que se afastasse.

Porque precisara fazer aquilo. Pensar nisso só fez com que se sentisse menos merecedor de uma mulher como Maddie. Ela não precisava ser contaminada pelas merdas dele.

Eu queria o toque dela. Queria sentir a boca de Maddie em mim.

A reação fora instintiva, uma aversão que sentia desde que era criança.

Como havia certas coisas que ele não queria sexualmente, transformara em uma arte o ato de dar prazer a uma mulher. E Maddie sentira prazer.

Chegara ao orgasmo de uma forma tão linda, tão erótica. Só de pensar naquilo, ele quase gemeu alto ao correr a mão pelos cabelos em frustração.

Todas as experiências sexuais que tivera no passado empalideceram perto daquele encontro incrível com Maddie, quando todas suas fantasias sexuais se transformaram em realidade.

Tentando bloquear o passado e não se lembrar de como ainda tinha problemas, ele se juntou aos outros.