O Coração do Bilionário: Sam
Capítulo 1
Eu o amo tanto e quero que ele seja meu primeiro homem. Meu único homem. Quero dizer a ele que o amo, mas tenho medo. E se ele não sentir a mesma coisa?
12 de maio de 1997
Estou sozinha de novo, como sempre estive. Sam e eu íamos nos encontrar para tomar um café ontem à tarde e, quando cheguei perto da lanchonete, eles estavam lá, no beco. A mulher era linda. Alta, magra e bonita. Tudo o que eu nunca fui e nunca serei. As costas de Sam estavam contra o prédio de tijolos e a mulher estava sobre ele, as mãos em seus cabelos, beijando o
meu Sam como se pertencesse a ela. Ele estava com as mãos no seio e na bunda dela, segurando o corpo de modelo contra o seu, esfregando-se nela.
Fiquei congelada e parada lá como uma maldita estátua. Não sei por quanto tempo assisti, com o coração prestes a saltar do peito, incapaz de acreditar que era realmente o meu Sam beijando aquela mulher. Mas, ai, meu Deus, era sim. Quando fizeram uma pausa para respirar, os olhos dele imediatamente se encontraram com os meus. O olhar no rosto dele foi inconfundível. Culpa. Satisfação. Naquele momento, meu coração se partiu em um milhão de pedaços e Sam percebeu. Ele percebeu e nem ao menos tentou se explicar. Duvido que alguma coisa conseguirá consertar o meu coração. Tive que fugir e Sam me deixou ir sem dizer uma palavra. Como pude ser tão burra, tão ingênua? Será que achei mesmo que Sam Hudson fazia comigo alguma coisa que não fosse um jogo? Ninguém nunca me quisera. Nem quando criança, nem quando adolescente. E nem quando adulta. Provavelmente, ninguém nunca vai me querer. Vou chorar mais um pouco e dormir. Vou tentar esquecer como foi ser querida por um tempo curto. Foi tudo uma grande mentira.
ADra. Madeline Reynolds roeu a unha do polegar, com uma expressão de concentração total no rosto ao folhear as páginas do prontuário médico de um dos pacientes de cinco anos de idade da clínica. Eram sete horas da noite, muito além do horário de ir embora e tentar descansar um pouco, mas tinha alguma coisa naquele caso que a incomodava. Ela devia ter deixado passar alguma coisa, algo importante. Timmy estava cansado, inquieto, com vômitos ocasionais e diarreia. Tinha que ser alguma coisa além de uma virose. A pobre criança estava assim havia meses.
Suspirando, ela se reclinou na cadeira do escritório na clínica, fazendo uma careta ao roer demais a unha. Ela precisava consultar um pediatra, fazer mais alguns exames. Fazendo uma prece silenciosa para que a mãe de Timmy aparecesse com o filho na próxima consulta, Maddie fechou a pasta.
O pobre garoto não tivera uma vida fácil e a mãe não era muito consistente.
— Olá, Madeline.
A voz em tom barítono soou na porta do escritório dela, fazendo com que saltasse e ficasse de pé, pronta para apertar o botão de alarme ao lado da mesa. A clínica ficava em um bairro pobre e a coitada da Kara quase levara um tiro enquanto fazia trabalho voluntário.
— Eu não quis assustar você.
Um arrepio gelado correu pela espinha de Maddie, mas não de medo.
Ela reconheceu a voz. Estreitando os olhos, ela se concentrou no rosto e no corpo por trás daquela voz masculina suave como veludo. — Como você passou pela segurança de Simon? E que diabos está fazendo aqui?
A amiga, Kara, estava noiva do irmão de Sam, Simon. Infelizmente, durante o ano anterior, isso a forçara a ficar próxima do homem que lhe partira o coração tantos anos antes. Aqueles encontros foram breves e incrivelmente tensos. Por sorte, ela conseguira evitar qualquer comunicação significativa com ele... até aquele momento.
Sam Hudson deu de ombros e entrou na sala como se fosse dele. Mesmo vestido casualmente, com calça jeans e um suéter leve, o homem exalava poder e arrogância, carregados nos ombros largos como um manto elegante.
— Eles são a minha segurança também, doçura. Eles trabalham para a Hudson. Achou que eles fariam qualquer coisa além de me deixar passar com um “boa noite” educado?
Idiota arrogante. O coração de Maddie acelerou e as mãos ficaram suadas. Simon e Sam eram bilionários, donos da Corporação Hudson.
Portanto, também era a empresa de Sam, mas ela tentou ignorar aquele fato o máximo possível. Ela limpou as mãos no jeans sobre as coxas, desejando não ter tomado banho e trocado de roupa no vestiário da clínica antes de ir para o consultório. Talvez tivesse sido mais fácil enfrentar Sam com roupas profissionais e com os cabelos presos em um coque conservador. Tentando prender um cacho ruivo ardente atrás da orelha, ela enrijeceu o corpo na esperança de que parecesse mais alta. — O que você quer, Sam? Esse não é o tipo de bairro que você frequenta. E não acho que você precise dos serviços de uma prostituta. — A voz dela era dura e agressiva. Que merda.
Por que não conseguia agir de forma neutra? Tantos anos tinham se passado desde o evento com Sam que arrasara com o coração dela. Ele era um estranho agora. Por que não conseguia tratá-lo como tal?
Aproximando-se, ele respondeu em tom sombrio: — Você se importaria, doçura? Faria alguma diferença para você se eu trepasse com todas as mulheres da cidade?
— Ah! Como se já não tivesse feito isso. E pare de me chamar por esse nome ridículo — respondeu Maddie sarcasticamente. Mas o coração estava acelerado e ela prendeu a respiração quando Sam se aproximou o suficiente para que sentisse o cheiro provocante de almíscar masculino, um aroma que fez com que ficasse ligeiramente tonta. O cheiro dele não mudara e continuava tão tentador quanto fora tantos anos antes.
— Por que ainda está aqui? A minha segurança me alertou de que você ainda estava aqui depois de escurecer. Deveria estar em casa. Esse bairro
não é seguro nem durante o dia, imagine à noite — resmungou ele em tom suave.
— A segurança de Simon. — Por algum motivo, ela não conseguia associar os dois homens, apesar de serem irmãos. Simon era gentil e tinha um coração de ouro por trás do exterior rabugento. Sam era o próprio demônio, Satã disfarçado como modelo, com mais dinheiro e poder que qualquer homem tinha o direito de ter. Especialmente Samuel Hudson.
— E se algum bandido passasse pela segurança, encontrando você aqui, sozinha e vulnerável? — Ele se aproximou ainda mais, tão perto que ela sentiu o hálito quente acariciando-lhe a testa.
Meu Deus, ele era tão alto, tão largo e musculoso. Sam trabalhava em uma construção quando ela o conhecera anos antes. O trabalho físico lhe dera um corpo esculpido e perfeito. Estranhamente, isso não mudara nem um pouco. Como diabos um homem mantinha aquele corpo maravilhoso sentado atrás de uma mesa? Afastando-se da presença intimidadora, o traseiro dela bateu na mesa, deixando-a sem espaço para recuar mais.
— Um homem poderia tirar vantagem de uma mulher sozinha em um consultório vazio — continuou ele com a voz baixa e perigosa.
Maddie empurrou o peito de Sam, tentando se livrar da posição em que estava entre ele e a mesa. — Caia fora, Hudson, antes que eu seja forçada a enfiar suas bolas pela sua garganta.
A coxa musculosa se posicionou entre as dela, aniquilando a possibilidade de uma joelhada na virilha. — Eu ensinei isso a você, lembra?
E nunca diga ao atacante qual é a sua intenção, Madeline.
Ela inclinou a cabeça para trás e olhou para ele. Os olhos verde-esmeralda a estudavam cuidadosamente. Como acontecera anos antes, o rosto lindo a deixou sem fôlego. Ele sempre a lembrara de um deus loiro antigo, tão perfeito que o corpo e as feições deveriam ser esculpidos em mármore. No entanto, naquele momento, ele podia ser tão duro quanto o mármore, mas estava longe de ser frio. O calor emanava do corpo de Sam em ondas e os olhos estavam ardentes, parecendo metal derretido. — Vá se foder, Hudson.
Os lábios de Sam se curvaram ligeiramente para cima, contraindo-se precariamente como se ele estivesse tentando não sorrir. As mãos dele voaram para as costas dela, puxando-lhe o corpo contra o seu quando sussurrou: — Prefiro foder você, doçura. Muito mais agradável. Você ainda
é a mulher mais bonita que já conheci. Ainda mais linda do que era anos atrás.
Mentiroso. Ele é um maldito mentiroso. Se eu fosse tão desejável assim, ele não teria feito o que fez. — Esqueça isso e dê o fora do meu consultório.
— O idiota estava brincando com ela e aquilo era intolerável. Ela não era linda e não era nem um pouco parecida com as modelos loiras que ele arrastava pelo braço e levava para a cama.
— Beije-me primeiro. Prove que não há nada mal resolvido entre nós dois — respondeu Sam. Os olhos verdes soltavam faíscas e a voz era dura e exigente.
— A única coisa que não ficou resolvida foi o fato de você nunca ter dito que lamentava pelo que fez. Você não deu a mínima. Você não...
Maddie não conseguiu terminar. A boca dura e quente de Sam derreteu as palavras amargas, sem pedir, apenas exigindo uma resposta. As mãos grandes e ágeis desceram pelas costas dela, agarrando-lhe as nádegas e colocando-a sentada sobre a mesa, fazendo com que fosse mais fácil devorar-lhe a boca.
Sam não beijava. Ele dominava, marcava. Maddie gemeu dentro da boca dele quando a língua entrou e saiu, entrou e saiu até deixá-la sem fôlego.
Rendendo-se, ela passou os braços em volta do pescoço dele, as mãos agarraram os cachos sedosos, saboreando a maciez nas pontas dos dedos.
Envolvendo-lhe os quadris com as pernas, precisando de alguma forma encontrar uma âncora para impedi-la de se perder em uma onda imensa de desejo, ela deixou que a língua duelasse com a dele, sentindo a ereção contra o próprio núcleo em chamas. Os quadris dela investiram contra a ereção dele com cada investida da língua de Sam.
Ele gemeu, enfiando as mãos sob o suéter dela. Com a ponta dos dedos, acariciou-lhe a pele nua das costas, fazendo com que ela estremecesse de desejo.
Maddie estava afogando-se, perdida em um oceano de desejo e necessidade, lentamente sendo puxada para baixo por uma força maior que a vontade própria.
Preciso parar. Isso precisa terminar antes que eu me perca completamente.
Ela jogou a cabeça para trás, afastando a boca da de Sam, totalmente sem fôlego e abalada. Sam puxou a cabeça dela, encostando-a contra o
peito ofegante.
— Merda. Maddie. Maddie — gaguejou ele, com uma mão enterrada nos cachos ruivos, acariciando-lhe os cabelos de forma reverente.
Ah, meu Deus. Não. Ela não podia ser sugada por Sam Hudson novamente. Ela empurrou com força o peito dele, contorcendo-se e abaixando as pernas até que os pés se encostaram no chão. — Saia de perto de mim.
A fúria se acumulou dentro dela. Como ele ousava usá-la, brincar com ela só porque estava entediado e era a única mulher disponível no prédio?
Sam Hudson era um playboy, um homem que levava as mulheres para a cama e descartava-as, procurando outro brinquedo assim que estivesse livre.
Raramente era visto com a mesma mulher duas vezes. Será que o homem tinha consciência? Não se importava com mais ninguém além de si mesmo?
Maddie queria enrolar o corpo em uma pequena bola para se proteger, envergonhada pela forma como respondera a Sam, apesar de ele ser um sacana completo. Que tipo de pessoa ela era?
Ela se afastou dele, virando-se para correr até a porta.
— Maddie. Espere. — A voz de Sam estava rouca, implorante e exigente. Ele a agarrou pelo braço, virando-a para encará-lo antes que conseguisse chegar à porta. Maddie se virou para encará-lo, com a fúria e o medo lutando dentro de si. — Não toque em mim novamente. Nunca. Não sou mais a mulher burra e ingênua que você conheceu. Confiei em você uma vez e perdoei a mim mesma porque era jovem. Não farei isso de novo. Não tenho mais a desculpa da juventude para justificar tamanha burrice.
— Você ainda me quer — respondeu Sam veementemente, com os olhos percorrendo-lhe o corpo e parando no rosto.
Encarando-o diretamente nos olhos, ela respondeu furiosa: — Não, não quero. Meu corpo pode responder a um homem bonito, mas é apenas uma reação sexual fisiológica. Você — ela bateu com o dedo no peito dele —
não significa absolutamente mais nada para mim.
— Você quer que eu a foda até que grite. Ainda consigo fazer você ronronar, gatinha — disse ele arrogantemente com um sorriso satisfeito no rosto.
Ela deu de ombros, tentando reprimir o desejo violento de arrancar com um tapa o olhar convencido do rosto bonito. — Eu não saberia. Você nunca
me fodeu. E isso nunca acontecerá.
Arrancando o braço da mão dele, Maddie saiu pela porta do consultório, pegando o casaco do cabide na recepção, atravessando o saguão e saindo pela porta da frente da clínica. Ela não olhou para trás. Não podia fazer isso.
Um dos seguranças da Hudson a escoltou até o carro e Maddie foi embora como se fosse uma criminosa fugindo da polícia. O que mais queria era se afastar o máximo possível de Sam.
Maddie dirigiu em transe, com duas palavras martelando no cérebro como um disco quebrado.
Nunca mais.
Nunca mais.
Sam Hudson andou lentamente pela recepção da clínica, perdido nos próprios pensamentos. O que diabos acabara de acontecer? Ele parara para ver se Maddie estava bem, preocupado por ainda estar na clínica tão tarde, uma parada rápida só para garantir que não havia problema algum, pois sabia que estava lá sozinha. Merda. Será que ele algum dia conseguiria ver aquela mulher sem querer possuí-la, sem querer fazer com que ela o quisesse com a mesma intensidade com que a queria?
Você nunca a esqueceu. Provavelmente nunca esquecerá. Ela o assombra há anos. Ela se entranhou em você como uma lasca de madeira sob a pele, ardendo e irritando, sem nunca sair.
Saindo da clínica, Sam fechou a porta atrás de si. Ele olhou para um dos seguranças e perguntou: — Você pode trancar tudo?
O homem assentiu. — Sim, senhor. Espero que seu encontro com a Dra.
Reynolds tenha sido bom.
Sam soltou uma risada sem humor e autodepreciativa. — Sim, foi muito esclarecedor. — Descobri que ela ainda me odeia, como sempre odiou. Ele acenou rapidamente para os outros guardas ao partir em direção ao carro.
Sim. Aquele encontro fora realmente bom, pensou ele sombriamente ao entrar no Bugatti e ligar o motor.
Você nunca nem disse que sentia muito.
As palavras dela o atormentavam e, agora, provavelmente o torturariam para sempre. — Merda! — Sam bateu o punho no volante em frustração.
Não. Ele nunca dissera que sentia muito. Por outro lado, ele não tivera a chance de dizer isso na época. Ainda assim, deveria ter dito, deveria ter encontrado uma forma de se desculpar. Não fora possível fazer isso depois do ocorrido e acabara de estragar a segunda chance alguns minutos antes.
O que havia em Maddie que fazia com que ele perdesse a razão?
Você está agindo como um idiota porque ela não liga mais para você e isso o está devorando por dentro. Talvez consiga ter o corpo dela se a seduzir... mas nunca o coração. Nunca mais.
Uma vez, anos antes, Maddie olhara para ele com um olhar cheio de admiração e adoração. Um pequeno incidente e ele arrancara aquela expressão dos olhos lindos dela para sempre.
Encostando a testa no volante, Sam fechou os olhos, ainda conseguindo imaginar a Maddie que o olhara com respeito e afeição, mesmo quando ele não tinha um centavo no bolso. Aquilo era irônico. Agora que ele era um dos homens mais ricos do mundo, ela o olhara como se fosse um inseto que precisasse ser esmagado, um rato que precisava ser exterminado.
Você a verá de novo. Ela será forçada a falar com você no casamento de Simon e Kara. O casamento seria realizado na casa dele e Maddie não teria escolha. Ele seria o padrinho e ela, a madrinha. Maddie teria que ser pelo menos civilizada e Sam sabia que ela seria. Era atenciosa e leal a qualquer pessoa que considerasse como amiga. Os próprios sentimentos seriam deixados de lado para garantir que Kara tivesse uma cerimônia de casamento alegre, sem problemas nem confusões.
E não importa como Maddie me trate, não importa como ela olhe para mim. Não serei um idiota com ela. Merda. Espero que ela não vá acompanhada. Não perguntei a Simon se ela estava envolvida com alguém.
Sam se recostou no banco com um suspiro pesado e engatou a marcha, imaginando se ainda seria possível não ser um idiota. A verdade era que os anos tinham feito com que mudasse, transformando-o em um homem de quem ele próprio não sabia se gostava. E se Maddie tivesse um homem em sua vida, era ainda mais provável que ele perdesse o controle.
Encontre uma mulher, alguém que tire Maddie da sua cabeça.
Afivelando o cinto ao sair da vaga do estacionamento, Sam respirou fundo e percorreu uma lista mental de mulheres disponíveis... até que sentiu um aroma provocante, um perfume que entranhara ferozmente no suéter. O
perfume dela. Um lembrete do que acabara de acontecer no consultório.
— Puta que pariu! Não consigo fazer isso. Não vou conseguir sair com outra mulher. Não agora — sussurrou ele para si mesmo, furioso por tê-la beijado, sentido as curvas deliciosas contra o corpo. Agora, pensar em passar a noite na cama com qualquer outra mulher que não fosse Maddie o deixava frio. Sinceramente, ele se sentira frio desde o momento em que vira Madeline de novo um ano antes.
Sam freou na saída do estacionamento, olhando rapidamente para o relógio e sorrindo ao virar à esquerda, não à direita, indo na direção do apartamento de Simon.
Estava na hora.
Simon telefonara para ele mais cedo, informando a Sam que ele seria titio, e pedira um favor, o que era uma raridade extrema vinda dele. Não havia nada que Sam não fizesse pelo irmão mais novo. Ele não conseguira proteger Simon no passado e nunca mais deixaria que isso acontecesse. Não importava o que Simon precisasse, Sam estaria disposto a fazer.
Graças a Deus, Simon encontrara Kara. Sam adorava a noiva do irmão, queria beijar o chão que ela pisava simplesmente por amar o irmão dele incondicionalmente e fazer com que Simon fosse mais feliz do que ele jamais vira. E Simon merecia aquela felicidade, aquele tipo de devoção de uma mulher. Infelizmente, ver Simon e Kara juntos fazia com que Sam percebesse como a própria vida era vazia, como a existência dele se tornara desolada e superficial.
Como se eu não soubesse disso. Nada foi real desde que perdi Maddie.
Beijar Maddie e segurá-la nos braços depois de todos aqueles anos, tornara as coisas ainda piores. Era como se algo estivesse despertando, bem no fundo, uma sensação que era familiar, mas, ao mesmo tempo, não era.
Certamente, não era uma coisa confortável.
Esqueça Maddie. Esqueça como é se perder na maciez de Maddie, o cheiro dela, a sensação das curvas sensuais e a boca deliciosamente ansiosa.
Sam praguejou, sabendo que dormiria sozinho naquela noite, usando a própria mão ao fantasiar sobre Maddie. E, dessa vez, as lembranças seriam muito mais vívidas, mais novas, mais reais do que nunca.
Caralho! Ele estava completamente fodido... e não do jeito como queria.
Maddie virou a página do livro que tinha no colo, perguntando-se por que simplesmente não desistia e ia dormir. Não estava mesmo absorvendo nenhuma das palavras escritas.
— Mas que merda — sussurrou ela, fechando o livro com força e jogando-o sobre a mesa ao lado do sofá. Sinceramente, não queria ir para a cama. Se fosse, continuaria lembrando-se do encontro com Sam, torturando-se com lembranças daquele beijo ardente mais cedo.
Pegando o controle remoto, ela apertou o botão para ligar a televisão, torcendo para conseguir apagar aqueles pensamentos com o noticiário das dez horas.
A campainha tocou no momento em que o âncora começou a recontar as principais histórias do dia.
Quem diabos poderia ser? Ela não tinha família e nenhum dos amigos bateria em sua porta àquela hora da noite, a não ser que fosse uma emergência. Ela se levantou rapidamente e correu até a porta com o coração acelerado. Olhando pelo olho mágico, viu um homem de uniforme, o uniforme da segurança da Hudson.
— Quem é e o que você quer? — gritou ela atrás da porta.
— Entrega especial do dia dos namorados para a Dra. Reynolds —
gritou o homem de volta.
— Deixe aí e vá embora. — Ela não pretendia abrir a porta, mesmo que o homem parecesse ser da Hudson.