O Coração do Bilionário: Sam

J. S. Scott · Capítulo 15 de 17

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O Coração do Bilionário: Sam

Capítulo 14

— Vamos nos casar. Logo. — Ele a puxou para mais perto e gemeu com satisfação ao sentir o corpo quente contra o seu. — Não se mexa.

— Acho que você é o homem mais teimoso da face da Terra — disse ela indignada.

— Você me ama. Sabe que ama — retrucou ele.

— Sim, amo — respondeu ela baixinho.

Caralho, a resposta dela é muito melhor que a de Simon.

Sam bocejou e fechou os olhos. Conseguia sentir o ritmo da respiração de Maddie contra o próprio ombro e percebeu que ela estava adormecendo.

Ele ficou deitado lá, por um momento, com os olhos fechados, saboreando a sensação de felicidade e paz interior. Em seguida, pegou no sono.

 

Vários dias depois, Sam entrou na casa silenciosa de Maddie, ligando as luzes ao avançar, determinado a voltar para a própria casa antes que ela chegasse do trabalho. Ele faria um jantar especial e finalmente encontrara o anel perfeito para colocar no dedo dela, um diamante em formato de coração rodeado de pedras menores em uma armação de platina. Ele o buscara na joalheria mais cedo e estava ansioso para colocá-lo no dedo de Maddie, marcando-a como sua para sempre.

Olhando em volta da casa aconchegante, ele quase conseguiu sentir o calor da personalidade de Maddie fluindo pela sala de estar e teve certeza de que o cheiro dela estava no ar.

Esta casa exala Maddie.

Ele andou pela casa por alguns momentos, observando as lembranças e souvenirs que ela juntara no decorrer dos anos, coisas que, em breve, encontrariam um lugar na casa dele.

Ela faz com que a minha casa pareça um lar.

Maddie ficara com ele desde o acidente, cuidando de todas as suas necessidades, exceto a mais urgente. Ele a queria tanto, precisava mergulhar nela de forma tão desesperada que estava inquieto e irritado. O corpo já estava curado. Apesar de ainda ter hematomas em alguns lugares, não sentia mais dor alguma. A única coisa que doía era o pênis e Madeline era a única pessoa que conseguiria resolver aquele problema em particular. E ele pretendia curá-lo naquela noite antes que ficasse completamente louco.

Andando até o quarto, ele colocou no bolso a agenda de Maddie e alguns brincos da caixa de joias. Havia vários itens pessoais que ela queria antes

que a empresa de mudança chegasse no dia seguinte e ele procurou cada um deles, parando em um pequeno quarto que fora transformado em escritório improvisado e biblioteca. Ele pegou o romance que ela estava lendo e virou-se para sair quando um conjunto grande de livros sem títulos chamou sua atenção. Curioso, ele pegou um deles e olhou para a capa.

Diário de Madeline – 1998

Abrindo o diário, ele observou a letra, sabendo que era de Maddie. Ele não sabia que Maddie mantivera um diário e obviamente fora um hábito que mantivera durante anos. Havia pelo menos trinta diários nas prateleiras.

As entradas eram esporádicas. Algumas vezes, ela passava meses sem escrever nada e, em outras, escrevia algo todos os dias. Ele estava prestes a fechar o diário quando uma entrada em particular lhe chamou a atenção.

Perdi a virgindade hoje. Lance e eu estamos namorando há cinco meses e, sinceramente, achei que não deveria negar mais isso a ele. Devia ter negado. Doeu e, apesar de só ter durado alguns minutos, pareceu uma eternidade. Só fiquei deitada lá, rezando para que aquela experiência toda terminasse logo. Lance não me disse que me amava. Nunca disse e não acho que me ame de verdade. Por que estou neste relacionamento? Estou tão desesperada para esquecer Sam, tão incrivelmente solitária a ponto de aceitar algo que não quero? Estou tão confusa. Odeio Sam Hudson, mas, enquanto torcia pelo fim rápido da minha primeira experiência sexual, só conseguia pensar no fato de que devia ter sido ele.

Sam ficou tenso ao ler, contraindo os dedos em volta do diário ao ler a entrada seguinte de duas semanas mais tarde.

Terminei com Lance. Não aguentava mais. Outras mulheres acham que sou louca porque ele é bonito, rico e popular no campus, mas isso não importa para mim. Só o que sei é que não suporto mais o toque dele.

Preciso ficar totalmente bêbada para deixar que faça sexo comigo. Não parece certo. Não é certo. Talvez o sexo seja bom para outras mulheres, pois a maioria das minhas colegas fala dele, mas não é para mim. Lance disse que não sou uma mulher sensual e que sou frígida. Talvez ele tenha razão, mas não consigo deixar de pensar que ele não é o cara certo. De qualquer forma, não quero mais saber de sexo. Até que eu encontre um homem que faça eu me sentir como Sam fazia, não farei sexo de novo. O

sexo faz com que eu me sinta tão solitária e triste, que é ainda pior do que estar sozinha de verdade.

Sam fechou o diário, sentindo-se incapaz de continuar lendo sobre a dor e a confusão de Maddie. As experiências sexuais dela foram muito similares às dele no passado. Quando fazia sexo com uma mulher, precisava fingir que era Maddie para conseguir chegar ao fim. O ato oferecia alívio físico, mas também o deixava tão vazio por dentro que, às vezes, passava longos períodos sem fazer sexo, pois não suportava estar com uma mulher que não fosse Maddie.

Obviamente, ela nunca tentara novamente, nunca encontrara um homem com quem quisesse estar em todos os anos em que ficaram separados.

Ela se absteve e eu tentei fingir. Nós dois sofremos de formas diferentes.

Sam colocou o diário de volta no lugar na prateleira e pegou o volume anterior, forçando-se a ler as entradas da época em que estava com Maddie.

Ele correu a mão frustrado pelos cabelos enquanto lia, com o peito doendo ao ler como ela sofrera com o incidente com Kate. Ele soubera disso, mas ler as palavras o levaram de volta àquela época e àquele lugar, tornando a dor dela muito mais real e, consequentemente, a sua também.

Aquele fora o dia em que a alma dele quase morrera. Sinceramente, ele achara que não tinha mais alma até o dia em que vira Maddie novamente e ela escavara profundamente até levá-lo de volta à vida. As lembranças nunca desapareceram e ele convivera com as ações que tomara desde então.

Constantemente ele se torturava com a ideia da dor que causara a Maddie e com a expressão agonizante do rosto dela. A cada dia, ele condenava a si mesmo, imaginando se fizera a coisa certa, odiando-se por ter perdido a confiança dela. O único consolo fora o fato de que ela estava em segurança e não fora atingida, mas era um conforto gelado em comparação à expressão de sofrimento no belo rosto de Maddie, a reviver a experiência dia após dia e odiar a si mesmo por ser o homem que a traíra.

Ao fechar aquele volume, ele sentiu dificuldades para respirar, deixando-se sentir a solidão e a desolação que foram parte dele por tanto tempo. Até que encontrara Maddie novamente. Até que ela o curara e levara-o de volta à vida. A vulnerabilidade que Maddie trouxera à tona podia deixá-lo muito assustado, mas a ideia de ficar sem ela era muito pior do que lutar contra o medo.

Distraidamente, ele pegou o diário mais recente, folheando as páginas até chegar à ultima. Era uma entrada recente, escrita poucos dias antes.

Sam ainda não disse que me ama. Sei que ele deve me amar porque não acho que eu conseguiria me sentir desse jeito se Sam não sentisse a mesma coisa. Ele prova o amor de muitas formas e consigo sentir isso no toque dele. Acho que só queria que ele dissesse isso às vezes. Seria a primeira vez na minha vida que alguém me diria essas palavras. E, mais do que tudo, quero ouvi-las pela primeira vez de Sam.

Sam recolocou o livro na prateleira com mais força do que o necessário.

— Caralho! É verdade? Eu nunca disse isso a ela? — Ele cerrou os punhos e franziu as sobrancelhas, pensando furiosamente nas semanas anteriores.

Ele lhe dissera como precisava dela... e realmente precisava. Mas amor? Ele realmente não lhe dissera que a amava?

— Imbecil egoísta — resmungou ele, xingando a si mesmo. Ela lhe dissera tantas vezes, algumas vezes quando ele pedira, mas outras em que não pedira. Maddie se abrira completamente para ele, curando-lhe a alma com suas palavras. E ele nunca as dissera para ela.

Ele sentiu o coração pesado, percebendo que ela nunca tivera ninguém que lhe dissera que a amava. Nem uma única vez. Nunca. Ora, ele ouvia isso até mesmo da mãe e, de vez em quando, do irmão. E agora da mulher que significava mais para ele do que qualquer outra coisa ou outra pessoa no mundo inteiro.

— Eu amo você, Madeline — sussurrou ele para o aposento vazio, torcendo para que ela conseguisse sentir as palavras na distância que os separavam.

Sam pensou em lhe mandar uma mensagem de texto, mas era algo que ela precisava ouvir pessoalmente. Repetidamente. O problema não era que ele não a amava. Talvez fosse porque ele a amava tanto que as palavras pareciam inadequadas.

Havia caixas por toda parte, tudo no lugar para que a empresa de mudança chegasse no dia seguinte para encaixotar e levar as coisas de Maddie para a casa dele. Ele puxou algumas para perto das prateleiras e embalou os diários cuidadosamente dentro delas, fechando-as com uma fita adesiva.

Esses diários são particulares. As emoções escritas de Madeline.

Depois de ter certeza de que as caixas tivessem tanta fita adesiva que seria um milagre abri-las, ele as rotulou com uma caneta como livros pessoais. Não queria que ninguém mais encostasse neles nem os folheasse.

Eram crônicas da dor, do sofrimento, das ideias e dos triunfos de Maddie.

Minha. Eu a amo. Ela pertence a mim. Sempre pertenceu e sempre pertencerá.

Ao andar na direção da porta, ele se lembrou da crise de Simon no escritório quando o irmão mais novo finalmente admitira que amava Kara.

Sam balançou a cabeça ao trancar a porta da casa de Maddie, finalmente sabendo exatamente como o irmão se sentira. Sam tinha uma fixação irracional por Maddie, uma obsessão possessiva que estava à altura do que Simon sentia por Kara. Ele e Simon eram diferentes, mas, bem no fundo, eram muito parecidos no que dizia respeito à mulher que conseguia virar o mundo de cada um deles de cabeça para baixo.

— Ela me deixa feliz, louco, possessivo, insano, em êxtase, maníaco...

todas as emoções ao mesmo tempo — disse ele baixinho em voz perplexa ao entrar no Bugatti. — Como isso pode acontecer?

Estranhamente, isso não o incomodava. Fazia com que se sentisse...

vivo.

Olhando rapidamente para o relógio ao voltar à rua, abriu um sorriso largo. Ele tinha tempo para passar na joalheria mais uma vez, pois havia uma coisa mais que precisava fazer antes de ir para casa.

Naquela noite, ele planejava dar a Maddie mais amor do que ela conseguiria aguentar... de várias formas.

— Ele não lhe disse que a ama? Isso não é exatamente uma surpresa. Simon demorou algum tempo. Acho que os homens Hudson acham que somos adivinhas — soou a voz desgostosa de Kara na conexão viva-voz do telefone no SUV novo. — Mas você sabe que ele a ama.

Maddie suspirou ao fazer a curva à direita que a levaria para perto de casa. Casa. A casa de Sam. Nossa casa. Quando as minhas coisas chegarem amanhã, ficarei permanentemente com Sam.

— Está brincando? O maluco praticamente saltou para a morte para impedir que eu me ferisse. Não duvido disso. Nem por um momento —

respondeu Maddie, falando mais alto do que o necessário porque sabia que Kara estava em outro país.

— Fiquei tão feliz ao saber que você concordou em se casar com ele —

disse Kara com sinceridade. — Ele ama você, Maddie. Acho que sempre amou.

— Eu sei que sim. — Só queria que ele dissesse isso. Só uma vez. —

Como está meu futuro afilhado?

— Está ótimo. Nós dois estamos comendo demais — respondeu Kara. A risada dela e o resmungar de Simon soaram no alto-falante do carro. —

Simon, eu disse a você que é um menino — soou a voz abafada de Kara ao dizer aquilo para o marido, que provavelmente estava sentado ao seu lado.

— Quando você vai se mudar para a casa de Sam? — perguntou Kara, voltando a atenção para Maddie.

— Praticamente já me mudei, mas a data oficial é amanhã. A empresa de mudança está embalando as minhas coisas.

Kara assoviou. — Ele não perdeu tempo, hein?

Maddie revirou os olhos. Sam contratara a empresa de mudança no dia seguinte ao tombo na escada, providenciando tudo com apenas um telefonema. — Não. Mas eu também não reclamei — admitiu ela. Não queria mais ficar longe de Sam. Ficaram separados por tempo suficiente.

— Ainda não consigo acreditar que Max seja seu irmão. Apesar de, agora que sei, perceber que vocês dois têm os mesmos olhos incomuns e há uma grande semelhança — comentou Kara.

— Também ainda acho difícil de acreditar, mas estou feliz. Só queria que ele não fosse tão triste. Deve ter amado muito a esposa — respondeu Maddie.

— Imagino que sim, mas não sei. Ela morreu antes que eu conhecesse Simon — respondeu Kara.

Tentando aliviar o clima da conversa, Maddie perguntou: — E quando vocês voltarão para casa?

— Na próxima quinta-feira. E ainda tenho o fim de semana de folga. Se quiser, podemos ir às compras, já que você não pode mais trabalhar na clínica nos fins de semana — respondeu Kara, dando uma risada.

Maddie sorriu. Sam a queria em casa nos fins de semana e ela concordara. Os dois estariam ocupados de segunda a sexta-feira. Só o fato de estar na clínica todos os dias da semana era o suficiente para deixá-la

muito feliz. Haveria um médico disponível nos sábados para atender pacientes que não podiam ir à clínica durante a semana, mas não seria ela.

No entanto, poderia avaliar os registros do fim de semana e todos seriam seus pacientes.

Ela acabara de sair do último turno no hospital. A partir da segunda-feira, finalmente voltaria à clínica.

— Até parece que preciso comprar alguma coisa — retrucou Maddie. —

Não há uma única coisa que Sam não tenha comprado, incluindo esse carro novinho em folha. Ele precisa parar.

— Ahm... odeio lembrar isso... mas não foi você mesma que me deu uma bronca sobre o fato de que precisava lidar com o fato de que estava me casando com um dos homens mais ricos do mundo? Acho que você falou até mesmo que eu deveria deixar que gastasse dinheiro comigo porque faz com que ele sinta que está me protegendo — relembrou Kara em tom malicioso.

— Droga. Foi. Eu disse isso — resmungou Maddie. Ela dera aquela bronca em Kara, mas era muito diferente quando era Sam lhe dando coisas.

— Espero que estejamos de volta antes que vocês precisem do jatinho para a sua lua de mel. Com a velocidade com que Sam está se mexendo, talvez vocês estejam casados amanhã de manhã — brincou Kara.

— Ele compraria um novo — respondeu Maddie, caindo na gargalhada.

— É bem capaz de conseguir qualquer coisa que quer.

— Aposto como você não reclamaria — disse Kara com uma risada.

Virando na esquina onde ficava a casa de Sam, ela respondeu: — Não.

Sinceramente, acho que não. — Era a verdade. Aquilo refletia a intensidade do amor que sentia por Sam. Ela se casaria com ele sem pestanejar.

— Só não se case sem nós — avisou Kara. — Queremos estar presentes.

— Acho que podemos esperar — respondeu Maddie com um sorriso.

— Acho bom. E compraremos vestidos no próximo fim de semana.

— Está bem, está bem. Iremos às compras — respondeu Maddie à amiga ao entrar no longo caminho até a casa de Sam. — Divirta-se e cuide bem do meu afilhado.

— A viagem está maravilhosa — disse Kara com um sorriso. — Mas estou com saudades de casa e de você.

— Também estou com saudades de você — respondeu Maddie.

— Vejo você na quinta.