O Coração do Bilionário: Sam
Prólogo
Epílogo
15 de setembro de 1996
Ele se sentou ao meu lado de novo hoje. Tenho que supor que é apenas coincidência, não consigo imaginar por que ele desejaria se sentar ao meu lado nem por que me daria um daqueles sorrisos incríveis que parecem iluminar a sala meio escura da aula de literatura inglesa. Não sei se fico feliz ou não pelo fato de ele se sentar bem ao meu lado. Sinceramente, tive que olhar em volta para ver exatamente para quem ele estava sorrindo.
Certamente, não era para mim. Não para Madeline Reynolds, a ruiva comum com óculos esquisitos e curvas cheias demais. Mas não havia ninguém mais na sala naquele momento, portanto, suponho que estivesse sorrindo para mim. Não sorri de volta. E tive muita dificuldade para me concentrar nos clássicos com ele sentado logo ao lado.
16 de setembro de 1996
O nome dele é Sam Hudson. Ele se apresentou hoje. O homem deixa a palma das minhas mãos suadas e a minha boca seca como o deserto no instante em que o vejo. Quando ele estendeu a mão e apresentou-se hoje, tive que limpar a mão na calça antes de gaguejar meu nome como uma idiota completa. Ele lançou aquele sorriso novamente e fiquei completamente retardada, incapaz de encontrar uma coisa inteligente para dizer. Por que ele tem que ser tão bonito... e alto? Tudo naquele homem é tão... tão demais. Talvez amanhã ele se sente perto de outra pessoa. Quase torço para que faça isso. Ele me deixa nervosa demais. Há algo estranho em um cara tão bonito prestando atenção em mim com tantas outras mulheres bonitas na mesma sala de aula.
17 de setembro de 1996
Sam me alcançou hoje, depois da aula, para me perguntar se eu queria estudar com ele. Está fazendo a mesma coisa que eu, trabalhando durante o dia e estudando o máximo possível à noite para conseguir um diploma.
Não tenho dúvidas de que ele será bem-sucedido. Tem um olhar voraz, uma determinação em ter sucesso naqueles belos olhos cor de esmeralda. Eu disse a ele que queria ser médica. Não sei por que eu lhe disse isso. Conto isso a pouquíssimas pessoas, pois é ridículo que aquela pobre Maddie Reynolds, uma garota que pulou de um orfanato para outro, ache que consiga ser médica. Sam só sorriu, mas não foi um sorriso zombeteiro.
Depois, ele me disse honestamente que achava que eu seria uma excelente médica. Como pode achar isso? Ele nem me conhece. Mas, pelo menos, não riu de mim.
14 de novembro de 1996
Estive tão ocupada que não consegui escrever por algum tempo. Estou fazendo todos os turnos extras que posso na clínica, além das aulas.
Preciso ter dinheiro suficiente para pagar o próximo semestre. Sam me levou ao apartamento dele hoje à noite para estudar e pareceu envergonhado, pois mora em um lugar minúsculo em uma vizinhança não muito boa. Não sei por que deveria se sentir envergonhado. Ele trabalha tanto. O emprego na construção é um trabalho físico muito duro e sei que ele normalmente começa bem cedo pela manhã e trabalha até a noite praticamente todos os dias. Está tentando guardar dinheiro suficiente para trazer a mãe e o irmão mais novo para Tampa. Sam fala muito sobre o futuro, provavelmente porque o passado não foi muito bom. Consigo entender isso. Eu mesma prefiro pensar sobre o futuro. Só conheço Sam há alguns meses, mas ele se transformou no melhor amigo que já tive, exceto por Crystal, que já se foi há muitos anos. Sinto-me um pouco tola por algum dia ter duvidado de Sam. Ele é uma pessoa muito boa, o melhor homem que conheci. E sempre me dá muito apoio em todos os meus objetivos. Só queria que ele parasse de me chamar de “doçura” e de puxar
o elástico do meu cabelo, dizendo que é uma pena prender um cabelo tão bonito. Será que o cara é cego? O meu cabelo é uma tragédia!
12 de dezembro de 1996
Sam me disse uma coisa hoje que achei estranha. Disse que a amizade entre nós faz com que ele queira ser um homem melhor. Não sei o que quis dizer com isso e ele só deu de ombros quando perguntei. Será que ele consegue ser ainda melhor? Trabalha arduamente, tenta ajudar a família e está esforçando-se para ser melhor conseguindo um diploma. Será que ele acha que ser rico deixa um homem bom? Se acha, eu preferia que pensasse diferente. Sam Hudson está bem do jeito que é. Ele é perfeito. Só queria que ele não precisasse trabalhar tanto.
10 de janeiro de 1997
Sam e eu não temos nenhuma aula juntos neste semestre, mas raramente se passa um dia sem que eu fale com ele. Não sei se eu conseguiria aguentar ficar sem falar com ele ou ver aquele rosto bonito. Ele me faz rir quando estou cansada e rabugenta e sempre tenho um pote de pomada para dores musculares quando o corpo dele chega ao limite por trabalhar tantas horas. Ele tenta melhorar o meu humor enquanto tento aliviar a dor física dele. Acho que isso é amizade. Ele tirou a camiseta hoje para que eu passasse a pomada em suas costas. Sempre que faço isso, fica mais difícil impedir que as minhas mãos fiquem trêmulas e sinto ódio de mim mesma por isso. Sam e eu somos amigos. Ele me apoia muito e passei a depender da amizade dele. Sou uma assistente de enfermagem, pelo amor de Deus.
Deveria estar familiarizada com o corpo humano. Mas é... o corpo de Sam.
A pele dele está sempre quente e os músculos, tensos. De vez em quando, ele solta um gemido profundo e masculino de alívio quando passo a pomada em suas costas doloridas. Quando faz isso, sinto a umidade entre as coxas e meus mamilos ficam duros. Começo a pensar em outras coisa além da dor que ele sente nas costas. Sei que não deveria, mas penso. Sei que a maioria das mulheres já fez “aquilo” na minha idade, mas eu não.
Nunca tive vontade. Não até conhecer Sam. Mas ele é só um amigo e preciso relembrar isso a mim mesma todos os dias, mesmo quando meu coração e meu corpo querem muito mais.
14 de fevereiro de 1997
Hoje é dia dos namorados e aconteceu uma coisa. Algo extraordinário.
Sam Hudson me deu uma rosa vermelha... e depois me beijou. Não foi o beijo normal no rosto que ele me dá como amigo. Foi um beijo real, quente, de língua, que deixou meu coração batendo forte e meu corpo pedindo mais. Nós dois ficamos sem fôlego com o beijo. Tenho certeza de que eu parecia tonta e confusa, pois foi assim que me senti. Sam parecia horrorizado. Ele xingou e começou a balbuciar sobre como não pretendera fazer aquilo e como eu merecia muito mais. Ele disse que eu devia ter recebido dúzias de rosas, não apenas uma. Eu disse a ele que uma rosa vermelha era muito melhor do que qualquer coisa que pudesse acontecer, pois viera dele. Eu chorei, não consegui me conter. Ele me beijou de novo...
e de novo.
10 de abril de 1997
Sam e eu estamos juntos agora há dois meses e ele ainda não quer fazer
“aquilo” comigo. Eu quero. Já disse isso a ele. Meu corpo responde a cada toque, a cada beijo dele. Eu o amo tanto que chega a doer, mas não disse isso a Sam, pois ele também não disse nada e não sei se quer ouvir. Ele disse que eu ronrono como uma gata quando me toca, quando me beija.
Infelizmente, acho que sim, mas é um tanto constrangedor. Não que eu tenha muita experiência, mas não acho que algum outro homem saiba beijar como Sam. Ele sabe que sou virgem. Eu lhe disse isso. Ele disse que, às vezes, tem medo de me tocar porque sou pura demais, boa demais. Se soubesse os sonhos que tenho com ele, não acharia que sou tão boa assim.