O Coração do Bilionário: Sam
Capítulo 4
Obviamente, Sam ouvira a pergunta sussurrada. Ele se afastou, olhando-a com expressão zombeteira. — Você gozou.
Intensamente. Então, não me diga que não gosta de sexo, Maddie.
Gosta, sim, comigo. Só comigo. — Ela recuou e observou quando ele lambeu os dedos, com os olhos fechados e uma expressão de êxtase completo. — Caralho, eu nunca conseguirei esquecer do seu cheiro, do seu gosto incrível. Devia ter feito você gozar com a minha boca. — Ele falou enquanto lambia os dedos, uma visão incrivelmente erótica. — Agora quero sentir o seu gosto. Você inteira. — Abrindo os olhos, ele a encarou com um olhar tão ardente que ela se sentiu molhada novamente.
Contorcendo-se, ela tirou as pernas da cintura dele e empurrou-o pelo peito. Segurando-a pelas nádegas, ele a abaixou até o chão, deixando que escorregasse lentamente pelo próprio corpo excitado. Constrangida, ela rapidamente virou de costas para fechar o sutiã e a calça, percebendo que teria que trocar de calcinha. — Já volto — murmurou ela, mortificada e sem saber ao certo o que dizer.
— Ei. — Sam a pegou pelo braço, fazendo com que o encarasse. —
Você está corada. Não está envergonhada, está?
Ela assentiu.
— Por quê? Não fique. Foi a coisa mais erótica que já vi — disse ele, acariciando-lhe os braços devagar.
— Eu... eu não faço esse tipo de coisa. Não reajo dessa forma. — Ah, merda. Estava gaguejando. — Nós nos odiamos.
Agarrando-lhe os braços, ele a sacudiu de leve. — Você pode me odiar, mas eu nunca a odiei, Maddie. Nunca. — Levando-a até uma cadeira, ele acenou para que ela se sentasse. — Sente-se. Vou pegar a comida.
Depois de pegar um analgésico na bolsa, ela se sentou, com a mente e o corpo ainda atordoados. Ela pegou a xícara de café, engoliu os comprimidos para dor de cabeça e bebeu metade do líquido quente antes de relaxar um pouco.
Momento depois, Sam colocou os pratos quentes em frente aos dois. —
Coma alguma coisa, Maddie. Quer mais café?
Ela balançou a cabeça negativamente. — Talvez daqui a pouco.
Ele ficou parado olhando para ela um momento e, em seguida, acariciou-lhe os cabelos. Ao perceber o elástico que ela retirara da camisinha, soltou uma risada alta e comentou: — Muito criativa, doçura.
Ela olhou para ele com olhar malicioso. — Também achei. Ainda bem que você usa um tamanho tão grande, senão talvez não tivesse conseguido prender todo o meu cabelo.
— Há outras vantagens nisso — respondeu ele em tom divertido ao se sentar.
Ela não pretendia continuar aquele assunto. Observando-o enquanto ele comia avidamente os ovos, o bacon e as batatas, ainda com aparência imaculada, Maddie nunca teria imaginado que acabara de lhe dar o orgasmo mais incrível da vida usando apenas os dedos e a boca.
Ela estremeceu, pegando o garfo com os dedos ligeiramente trêmulos.
Ela começou devagar, devido à falta de interesse em comida no momento, mas rapidamente limpou o prato. — Minha nossa, como estava delicioso.
Eu não sabia que você sabia cozinhar.
Ele a olhou com um sorriso malicioso. — Você nunca perguntou. E eu não tinha muito com o que trabalhar quando estávamos juntos. A mamãe tentou ensinar Simon e eu a cozinhar. Eu aprendi e gostei. Simon não.
Na época, ele só tinha um prato quente, pois o fogão não funcionava.
Ainda assim, era bastante talentoso. Fora o melhor café da manhã que ela comera em algum tempo, mesmo requentado. — Kara tem medo de deixar Simon entrar na cozinha. — Maddie sorriu, lembrando-se de dois episódios em que Simon tentara cozinhar. Os dois foram um pesadelo e um dos episódios disparara os alarmes de incêndio por causa da fumaça.
Sam largou o garfo e o guardanapo sobre o prato vazio e pegou a xícara de café. — É estranho porque Simon sempre foi o mais criativo de nós dois.
Maddie o encarou ao pegar sua caneca. — Isso não é verdade. Você é brilhante. — Sim, Sam podia ser um sacana com as mulheres, mas era um homem de negócios inacreditável. Ela acompanhara o crescimento da empresa dele, mas nunca admitiria isso. Sam levara o negócio de desenvolvimento de jogos de computador de Simon a um nível totalmente novo. Em seguida, expandira a Hudson em uma potência comercial e criara outras empresas, tornando-a uma das corporações mais diversificadas e poderosas do mundo. Simon ainda estava à frente da parte de desenvolvimento de jogos, mas Sam era responsável por boa parte do status de bilionário deles com as outras empresas.
Sam deu de ombros. — Eu era só o cara que resolvia as coisas. Simon era o cérebro da empresa.
— Acha mesmo isso? Eu sei que ele criou os projetos iniciais, mas quem os vendeu, comercializou, dedicou-se e começou as outras empresas? Ele pode ser um desenvolvedor de jogos brilhante, mas você é o gênio no negócio. Foram necessários os dois para criar a empresa.
Sam tomou um gole de café e colocou a xícara sobre a mesa, olhando-a com ar divertido. — Madeline, se eu não a conhecesse bem, acharia que está me elogiando.
Revirando os olhos, ela se levantou e pegou os pratos, passando uma água neles antes de colocá-los na lava-louças. — Eu falo a verdade quando a vejo. Posso não gostar de você, mas não posso negar que é bem-sucedido.
— E de uma forma ridícula.
Sam a ajudou a colocar o restante da louça na máquina. Em seguida, encheu novamente as xícaras. — Precisamos conversar, Maddie.
— Na verdade, preciso ir para casa. Tenho que trocar de roupa e voltar para o ensaio — disse ela em tom leve, sem querer ouvir o que ele tinha a dizer. O tom dele era sério demais, muito parecido com o Sam que ela conhecera no passado, o que a deixou fraca de saudades, querendo algo que nunca mais aconteceria.
— Você tem roupas aqui. Sente-se — resmungou ele com expressão implacável.
Em vez de se sentar, ela pegou a xícara e tomou um gole, encarando-o com cautela. — Basta me dizer o que tem a dizer. Você não tem voz ativa
alguma em minha vida e no que faço, mas escutarei. Depois, irei embora.
— Parecia a maneira mais rápida de se afastar dele. E ela precisava ficar longe da presença do homem mais sensual que já conhecera.
Imediatamente.
— Você não irá a lugar algum hoje. Nem amanhã. Nem depois de amanhã — rosnou ele, tirando a xícara da mão dela e colocando-a sobre a mesa. — Vai tirar uns dias de folga enquanto considera a minha proposta.
Cruzando os braços sobre o peito, ela perguntou: — E que proposta é essa?
— Quero que saia do emprego no hospital e trabalhe em horário integral na clínica. Como médica contratada. Começarei pagando a você um salário de meio milhão por ano. Você poderá fazer todo o seu trabalho lá durante o dia. Quero que vá embora antes do escurecer e não poderá trabalhar mais de cinco dias por semana. Isso lhe dará mais tempo lá sem o estresse de ter que lidar com dois empregos. — Ele a encarou com olhar irritado.
— É uma clínica gratuita. Não posso aceitar um salário — respondeu ela perplexa.
— Ela funciona com doações. Posso aumentar minha doação e pagar eu mesmo o seu salário. Tenho muitos contatos que estariam mais do que dispostos a ajudá-la na clínica. Só preciso telefonar a eles. — Ele ergueu a sobrancelha, como se estivesse desafiando-a a retrucar.
Obviamente, ele tinha contatos, outros homens de negócio ricos que poderiam ajudar a custear a clínica. Ai, meu Deus. Como seria poder estar na clínica todos os dias, um lugar em que realmente pudesse fazer a diferença na vida das pessoas? Ela gostava do emprego no hospital e era recompensador cuidar dos pacientes lá, mas não era o mesmo que ajudar pessoas que não tinham dinheiro para pagar por cuidados médicos. E havia muitos outros médicos que poderiam preencher sua vaga no hospital. Já na clínica, não.
— Eu não valho tanto dinheiro. Sou só uma clínica geral. Não ganho um salário desses. — Seriamente, estava mesmo considerando a oferta dele?
Que merda! Ele estava balançando uma cenoura que ela quase não tinha como recusar.
É Sam Hudson, Maddie. Tenha cuidado.
O problema era que ela não queria ter cuidado. Queria agarrar aquela oportunidade. — Qual é o truque? — perguntou ela com cautela. — Não há
nada para você nisso, exceto um desconto maior no imposto de renda se contabilizar como doação para uma organização de caridade. Por que se dar a esse trabalho todo pela minha clínica?
— Eu fico tranquilo sabendo que está segura todos os dias e fora da clínica antes do escurecer. Saberei que está dormindo direito, comendo direito. — Ele deu de ombros. — As condições são firmes. Nada de trabalhar à noite nem mais de cinco dias por semana.
Ele a estava manipulando e ela não gostou. No entanto, era difícil não aceitar, pois era algo que sempre quisera. — Abaixe o salário. Prefiro usá-lo para pagar uma equipe integral. Só preciso do suficiente para pagar meu empréstimo da faculdade, a hipoteca e outras despesas menores.
— Não. O salário é este e eu pagarei o seu empréstimo. Garantirei que as doações sejam suficientes para que pague uma equipe e compre equipamentos de ponta. — Ele cruzou os braços sobre o peito, com o rosto parecendo granito.
Estavam negociando, mas Maddie sentiu que, sempre que abria a boca, ele queria mais. — Por que está fazendo isso? Sério.
— Estou fazendo isso por você — respondeu ele, encarando-a firmemente. — E, em parte, por mim mesmo — admitiu ele relutantemente.
— Vamos assinar um contrato? — perguntou ela, querendo saber se estaria juridicamente protegida. Queria acreditar que Sam estava sendo sincero, mas nunca mais se deixaria enganar por ele. Um coração partido era mais do que suficiente. Ele conquistara sua confiança antes e quebrara-a em um milhão de pedaços, fazendo com que suspeitasse de qualquer coisa que oferecesse.
— Não. Não se aceitar minha oferta inteira — respondeu ele com a voz rouca.
— O que mais tem a propor? — O que mais ele poderia oferecer?
— Quero engravidar você — disse ele. — Você estará em posição de ter um filho e quero que seja meu. Não quero a semente de outro homem dentro de você.
Maddie soltou uma exclamação, com o coração batendo mais depressa.
O homem estava maluco? — Você quer ser o meu doador de esperma?
— Claro que não. Quer dizer, quero, mas faremos isso à moda antiga.
Estou disposto a tentar pelo tempo que for necessário. Todos os dias. Cinco vezes por dia. Ou até que peça misericórdia. E, mesmo assim, não sei ao
certo se conseguirei parar. — Ele a puxou para perto e soltou seus cabelos, enterrando as mãos nos cachos de forma possessiva.
A mente de Maddie girou confusa, com o coração batendo com tanta força que ela podia jurar que saltaria do peito. — Isso significa fazer sexo.
Muito sexo. Sexo desprotegido. Ah, nem pensar. Não gosto de sexo e você é um mulherengo, Sam. Não passaria uma semana sem outra mulher. Não serei suficiente para você. E certamente não pretendo pegar doenças de suas amigas.
Nem pensar. Ter Sam Hudson como pai do filho que quero tão desesperadamente é promessa de problemas.
— Estou limpo. Mostrarei a você todos os meus registros de saúde. —
Afastando-se, ele a estudou com aqueles olhos cor de esmeralda. Estavam tumultuados e ardentes, como se ele estivesse tentando se conter.
— Não posso. Confiei em você uma vez. Não posso fazer isso de novo.
Especialmente não com uma criança envolvida — respondeu ela em tom triste, com os olhos cheios d’água. Inacreditavelmente, ela quase queria dizer sim. Como seria ter nos braços o filho de Sam, o filho deles? A necessidade a atingiu com tanta força que a deixou tonta. Não só ela queria um filho, também queria Sam. O seu problema com sexo não tinha nada a ver com a fisiologia. Tudo se resumia a ele, Sam. Nenhum outro homem fora Sam, portanto, ela nunca quisera mais ninguém. Em se tratando de uma coisa tão íntima, só parecera certo com uma pessoa, um homem que lhe partira o coração muitos anos antes.
Devo ser louca, uma maldita masoquista, para me sentir assim.
— Faz meses que não faço sexo com ninguém. Não consegui. Antes disso, eu só ia para a cama com mulheres de cabelos ruivos, corpos cheios de curvas e que não se importavam que eu gritasse seu nome ao gozar —
rosnou ele. — Mulheres que só queriam dinheiro ou coisas materiais, porque eu não tinha nada mais a dar a elas.
— Sam, você está com uma mulher diferente toda semana...
— Amigas que saem comigo para realizar diversas funções. Não durmo com elas. Não tenho desejo algum de dormir com uma loira alta e magra.
Estou obcecado demais com uma ruiva pequena que me odeia. — Ele soltou uma risada sem humor algum.
Ai, meu Deus, será que era mesmo verdade? Ainda assim, ele a traíra quando estavam namorando. Como o provérbio que dizia que pepino que
nasce torto nunca se endireita, Sam não podia ter mudado tanto assim, podia? — Não posso. Nunca daria certo. Não posso dormir com você, ficar grávida e ir embora. — Isso me mataria!
— Se tentasse ir embora, eu iria atrás de você. — As narinas dele se abriram ligeiramente quando ele a encarou com tanta intensidade que ela quase desviou o olhar.
— Então por que sugeriu isso? — perguntou ela curiosa.
— Acho que você não entendeu, Madeline. Não estou pedindo para trepar com você e engravidá-la, apesar de obviamente querer isso.
— O que você quer?
Ele respirou fundo, soltando o ar lentamente, com o corpo inteiro tenso.
— Quero que case comigo. Não estou pedindo alguns meses de sexo selvagem. Quero você para sempre. Eu, você, uma família. Tudo. Tudo o que deveríamos ter tido, e não tivemos. Não mereço você, mas eu a quero. Tanto que isto está me matando.