O Coração do Bilionário: Sam
Capítulo 10
— Falo com você em breve — respondeu ela, ainda sentindo-se um pouco inquieta pela forma como se sentia atraída pelo sofrimento de Max.
— Não deixe Sam lhe dar ordens — disse ele em tom divertido enquanto Maddie entrava no carro.
Ela riu. — Nem pensar. Caso contrário, encontrarei um motivo para que ele subitamente precise de uma injeção no traseiro — garantiu ela. Sam teria que ouvi-la e ficar melhor.
Ela ouviu a risada divertida de Max quando ele fechou a porta do carro.
Maddie saiu do estacionamento e foi diretamente para a casa de Sam, tentando não prestar atenção nos agentes de segurança que a seguiam.
Sam gemeu ao se virar na cama e puxou o travesseiro sobre a cabeça, sentindo-se tão mal que desejou apenas dormir até que se recuperasse. O suor escorria pelo corpo e lentamente encharcava os lençóis. Ele estremeceu por causa do tecido úmido sob o corpo.
— Merda! — Ele resmungou o palavrão, mas não alto demais. Se fizesse algum movimento súbito, as pequenas criaturas dentro da cabeça, armadas com martelos, começariam a agir novamente.
Não havia uma parte do corpo que não doesse e as costelas gritavam em protesto por causa da tosse quase constante.
Ele ouviu uma confusão no andar debaixo, mas ignorou-a. Não importava o que fosse, a segurança cuidaria dela. Era para isso que pagava a eles. Naquele momento, só queria ficar sozinho com o sofrimento.
— Não me importa se ele não quer ver ninguém. Ele vai me receber. Sou a médica dele.
Maddie. Mas que merda.
Sam se esforçou para sentar, mas acabou deitando novamente quando a tontura o invadiu, fazendo com que o quarto girasse.
Odeio essa porra. Estou tão fraco, que merda. E, se havia uma coisa que Sam odiava, era se sentir indefeso.
A porta foi aberta com força e ele abriu ligeiramente um olho para encontrar a visão mais linda do mundo.
Maddie.
Ele soltou um grito ao perceber dois agentes da segurança segurando-a pelos braços. — Tirem suas mãos malditas de cima dela. E nunca mais
encostem nela de novo. — A voz estava rouca, mas a mensagem foi transmitida.
Os guardas a soltaram como se os braços dela estivessem em brasa. —
Desculpe, sr. Hudson. Ela invadiu a porta e não conseguimos segurá-la. O
senhor disse que não queria ser incomodado.
— Ela é a única exceção. Sempre — resmungou ele. — Agora, saiam daqui.
Os guardas saíram, deixando Maddie parada na porta. Ela a fechou, andou até o lado da cama e colocou a mão na cintura. Em seguida, colocou gentilmente uma mão fria na testa dele, tirando os cabelos úmidos do rosto de Sam. — O que diabos está fazendo consigo mesmo? Você está fervendo. Está tomando alguma coisa?
— Não preciso de remédios. Isto vai passar — resmungou ele, observando-a com fascinação curiosa.
Ela foi até o banheiro e Sam a ouviu vasculhar os armários. — Mas que diabos? Você não tem nada além de camisinhas aqui?
Sam sabia que era uma pergunta retórica. Mas, quando ela voltou ao quarto parecendo uma deusa furiosa, com o olhar selvagem, ele respondeu:
— Não. Não tomo remédios. Nunca precisei deles.
Ela pegou o celular dele, que estava sobre o criado-mudo e começou a percorrer a lista de contatos. Em uma atitude vingativa, ela apertou um deles. Depois de verificar se estava realmente falando com o assistente pessoal de Sam, ela começou a despejar ordens como se fosse um sargento.
Ela desligou o telefone com um toque furioso em um botão e telefonou para outro número. Pelo que ele conseguiu entender da conversa, era uma farmácia. Ela terminou e bateu o telefone sobre o criado-mudo com força suficiente para fazê-lo se encolher.
— Você precisa de lençóis limpos e líquidos. Consegue chegar ao chuveiro se eu o ajudar? — perguntou ela com voz exigente.
Como aquela mulher minúscula conseguiria aguentar o peso dele? Sam sorriu. — Sabe, essa coisa de médica mandona é muito excitante. Você vai esfregar as minhas costas?
— Se for necessário — respondeu ela ao começar a tirar as roupas do corpo suado dele.
Sem querer que ela presenciasse sua fraqueza, Sam fez um esforço super-humano para se levantar. Ele conseguiu, mas cambaleou ao se
levantar e começou a tossir com muita força. Ela o apoiou com o próprio corpo, que era surpreendentemente forte. — Para um homem que supostamente é um gênio, você é um idiota em se tratando de cuidar de si mesmo — comentou ela, soando como uma gata furiosa.
Puta merda, ela era muito gostosa quando estava no comando. — Você precisa ir embora. Não queria que soubesse. Você pode ficar doente. — As entranhas dele se contraíram ao pensar em Maddie se sentindo tão mal como ele se sentia naquele momento.
— Fico exposta a isso todos os dias, Sam. Por que não me telefonou antes? — perguntou ela exasperada. — Você tem milhares de pessoas à sua disposição. E precisava de ajuda.
— Eu não peço ajuda. Eu ajudo as outras pessoas — resmungou ele ao andar como um bêbado em direção ao banheiro. Sinceramente, nunca lhe ocorrera pedir nada a ninguém. Ele odiava se sentir vulnerável e preferia esperar até que pudesse estar no controle novamente.
Ela tirou a cueca dele, a única peça de roupa que sobrara, e ligou o chuveiro. — Você ficará bem enquanto procuro lençóis limpos e troco a cama?
— Sim — disse ele, gemendo quando a água morna bateu no corpo.
— Não coloque mais quente que isso. Você já está quente demais —
avisou ela, dando a ele um olhar de comando.
Realmente, aquela mulher era completamente sexy no modo médica.
Uma ruiva mandona que ele desejou poder domar naquele momento.
Infelizmente, ele não estava em posição de arrastá-la para dentro do cubículo e possuí-la contra a parede do chuveiro. Mas que merda... como queria poder. Não havia nada que quisesse mais do que aproveitar toda a paixão que ela demonstrava. — Onde você estava? — perguntou ele, imaginando por que ela estava usando um vestido cinza, uma cor que fazia com que seus cabelos parecessem ainda mais fogosos, que abraçava as curvas de seu corpo como um amante. Provavelmente não fora feito para ser sexy, mas, nela, certamente era.
— Saí para jantar antes de vir para cá. — Ela tirou os sapatos ao sair do banheiro, deixando a porta aberta.
Com quem?
Ele queria saber, mas Maddie saíra como se estivesse com o traseiro em chamas. Ele deixou a água escorrer pelo corpo, lavando o suor da pele. Ele
observou a temperatura da água, tentado a ignorar Maddie e deixá-la mais quente, mas provavelmente a mulher lhe daria uma surra. O problema era que talvez conseguisse bater nele. Ele sorriu ao se inclinar sob a água, deixando que o limpasse. Ele queria tomar um banho decente, mas estava esgotado e usava toda a energia que tinha para ficar de pé.
Maddie voltou cinco minutos depois. Ele observou, completamente hipnotizado, enquanto ela eficientemente tirava cada peça de roupa do corpo, deixando-as em uma pilha no chão. Não foi um strip-tease, mas, por outro lado, Maddie só precisava existir para que ele ficasse excitado. E
observá-la tirar a roupa fizera com que o pênis enrijecesse, ficando pronto para a ação. Infelizmente, o restante do corpo não estava.
Ela pegou uma esponja, entrou no cubículo do chuveiro, estremeceu por um momento por causa da temperatura da água e começou a trabalhar.
Passando o sabonete na esponja, ela começou a passá-la pela pele dele com um toque gentil.
Ela hesitou ao chegar à virilha e o corpo todo de Sam congelou. Ele fez força para reprimir o instinto de impedi-la. Era Maddie e ela estava tentando ajudá-lo. Ele não ia afastá-la. Não queria afastá-la.
Maddie soltou a esponja e Sam sentiu as mãos gentis dela sobre si. Ela moveu as mãos na virilha dele e acariciou o pênis com os dedos nus. A sensação causou uma reação inicial assustada, mas ele manteve os olhos em Maddie enquanto ela o tocava, concentrando-se apenas nela. Quase desapontado quando ela não manteve as mãos lá por muito tempo, ele sentiu quando elas se moveram muito suavemente sobre o traseiro. As nádegas se contraíram e ele cerrou os dentes quando ela passou os dedos na fenda entre elas, passando de leve sobre o ânus. Ele soltou um gemido atormentado, parte medo... e parte prazer. O toque dela era clínico, mas dolorosamente suave, provocantemente delicado.
Ajoelhando-se, ela passou sabonete nas pernas dele. Em seguida, levantou-se e lavou-lhe os cabelos, com o toque gentil ao massagear o couro cabeludo. Depois disso, Maddie pegou o chuveirinho, enxaguou os cabelos e o corpo dele, desligando o chuveiro em seguida. Ela se secou rapidamente, pegou outra toalha e secou-o com cuidado. Vestindo-se rapidamente com uma camisola de algodão curta que pegou da pilha de roupas que deixara sobre a pia, ela passou os braços em volta de Sam e levou-o até a cama para que se sentasse e vestisse uma cueca limpa.
— Uau, David é eficiente — disse ela maravilhada ao pegar o copo de suco que estava sobre o criado-mudo e entregá-lo a Sam. Ela tirou comprimidos de vários frascos e segurou-os em frente à boca dele, como faria com uma criança relutante. — Não achei que ele fosse trazer tudo tão depressa.
— Eu pago a ele para ser eficiente — resmungou ele. Sam não era tolo.
Ele abriu a boca, surpreendentemente obediente, e deixou que ela colocasse os comprimidos nela, engolindo-os com um gole do suco.
— Termine o suco. Você precisa se manter hidratado. Acabei de lhe dar algo para a febre, a congestão, a tosse e a dor. Você provavelmente dormirá.
— Ela penteou os cabelos dele com os dedos enquanto falava, com uma expressão preocupada no rosto.
Sam terminou de beber o suco e Maddie pegou o copo da mão dele. —
Deite-se e descanse.
— Fica comigo? — pediu Sam, sem conseguir se conter. Ele não se importou nem um pouco se aquilo soara ridículo. A necessidade de ter Maddie por perto era maior do que o orgulho.
— É claro que vou ficar com você — respondeu ela indignada.
Sam sorriu quando ela começou a resmungar sem parar sobre coisas que incluíam homens teimosos e outras coisas ruins sobre o sexo masculino e sobre ele em particular. A mulher dele estava furiosa com ele por não se cuidar. Por algum motivo, os xingamentos não o incomodaram nem um pouco, mas fizeram com o que o peito doesse de afeição pela única mulher que se importara com ele além da mãe.
Ele deitou a cabeça sobre o travesseiro, observando os movimentos femininos furiosos pelo quarto recolhendo roupas e arrumando as coisas que ele jogara por toda parte quando ficara doente e que não juntara depois.
Ela resmungou baixinho, mas Sam não tinha dúvidas de que dizia as mesmas coisas. Ele ficou feliz por não conseguir ouvi-la. Em vez disso, absorveu a visão dela, sentindo-se melhor apenas com a presença de Maddie lá.
O banho ajudara. Ele se sentia limpo pela primeira vez em dias e confortável sobre os lençóis limpos. A dor de cabeça lentamente desaparecia e, em vez da dor, o corpo era tomado pela letargia.
O pênis estava duro como rocha e ficou ainda mais duro quando ela se abaixou, revelando o traseiro maravilhoso. Ele ficou olhando, incapaz de
fazer qualquer outra coisa, quando ela pegou os sapatos.
Ao se levantar, ela se virou para ele com um olhar irritado. — Está olhando para a minha bunda? Preciso de uma calcinha — resmungou ela.
Ah, não, precisa não. Sam quase gemeu de desapontamento quando ela foi para o banheiro, obviamente para procurar uma calcinha na pilha de roupas novas que ele comprara e que Maddie não levara para casa.
Depois de voltar do banheiro, ela pegou um termômetro dentre os milhares de itens que David levara e colocou-o na boca de Sam. — Não fale
— avisou ela com a sobrancelha erguida.
Ele fez uma careta e cruzou os braços sobre o peito. A única coisa que queria naquele momento era tirar aquela coisa da boca só para ser do contra.
Maddie soltou uma risada, um som leve e divertido que o envolveu como um bálsamo. — Você parece um garotinho rabugento — disse ela, colocando a mão em sua testa.
Ele ouviu um bipe e ela tirou o termômetro idiota. — Alta — comentou ela. — Mas acho que está mais baixa que antes. Talvez eu tenha que acordá-lo no meio da noite para lhe dar mais alguns remédios.
Ele fez outra careta quando ela lhe entregou mais suco. A última coisa que queria fazer era engolir. A garganta parecia que tinha sido esfregada repetidamente com uma lixa.
— Beba. Você precisa de líquido — respondeu ela como se soubesse o que ele estava pensando.
Ele a encarou enquanto bebia o suco, observando a fada maravilhosa separar comprimidos dos frascos sobre o criado-mudo, provavelmente para as doses do meio da noite. — Alguém já lhe disse que você é uma médica muito mandona? — perguntou ele secamente, entregando o copo vazio a ela.
Alguém já disse a ela como é gostosa quando está furiosa?
Colocando o copo sobre a mesa, ela cruzou os braços sobre o peito e olhou para ele de forma severa. — Só meus pacientes que não gostam de cooperar. Se você não fosse tão teimoso, acharia que sou a médica mais doce da face da Terra — respondeu ela em uma voz falsamente suave.
— Acho que você é doce mesmo assim — admitiu ele baixinho. — O que aconteceu com a sua cabeça? — perguntou, franzindo a testa ao notar um pequeno ferimento na têmpora esquerda que não vira antes.
— Não foi nada. Um pequeno acidente de carro. Só bati a cabeça. — Ela deitou na cama, puxou as cobertas sobre o corpo e desligou a luz na cabeceira, deixando o quarto na escuridão.
Ele se aproximou e puxou-a para perto. Meu Deus, como é bom estar com ela. Ele a puxou contra o peito e enterrou o rosto nos cabelos sedosos.
— Não existem pequenos acidentes de carro. O que diabos aconteceu?
Quando? Mas que droga, ninguém me disse nada. Vou demitir aqueles malditos agentes de segurança — rosnou ele, estremecendo ao pensar que Maddie estivera envolvida em um acidente sem que ficasse sabendo.
— Você não vai demitir ninguém. Eles me trouxeram aqui porque meu carro provavelmente não tem mais conserto. Eu disse a eles que não telefonassem para você porque já estava vindo para cá. Não foi nada demais, Sam. Eu estava vindo e o clima está horrível, choveu o dia inteiro.
Outro carro derrapou em um sinal vermelho e bateu no meu. Estou bem —
respondeu ela, parecendo exasperada.
O coração de Sam batia tão depressa que ele ficou sem fôlego. Mas que merda! Ele abraçou Maddie com mais força, passando as mãos pelo corpo dela. — E se você tivesse se machucado mais do que pensou? — perguntou ele em pânico.
Maddie se virou para ficar de frente para ele, colocando os braços em volta de seu pescoço. — Não me machuquei. Estou bem, Sam. Estou preocupada com você, que está doente. Agora durma. O outro carro bateu no lado do passageiro e só fiquei um pouco abalada. Sou médica. Não bati com força suficiente para machucar nada além do coitado do meu carro.
— Você precisa de um carro maior, alguma coisa mais segura. E mais nova — retrucou ele, com a irritação e o medo presentes na voz.
— Durma — insistiu ela, aconchegando-se contra ele.
Sam estava estonteado, provavelmente por causa do remédio, mas não conseguia impedir que as imagens do carro de Maddie sendo atingido, com ela no interior, o assombrassem. E se ela tivesse sido gravemente ferida...
ou pior? Cruzes! Aquelas imagens o atormentariam por algum tempo. —
Alguma coisa ruim podia ter acontecido — respondeu ele finalmente.
— Mas não aconteceu — disse Maddie em tom reconfortante, colocando a cabeça sobre o ombro dele e passando os dedos gentilmente pelos seus cabelos, acariciando-lhe a nuca em círculos suaves. — Descanse, Sam.
Estou preocupada com você. Obviamente, tem um caso grave de gripe e precisa dormir.
O peito dele doía, mas não por causa da doença. A voz suave e preocupada dela o confortou e ele fechou os olhos com força, com uma reação emocional intensa à atitude protetora dela.
Ele conseguia lidar com a possessividade e a preocupação maníaca pela segurança dela. Mas ter alguém cuidando dele era algo diferente e Sam não sabia bem como reagir a isso. — Estou feliz por você estar aqui, doçura —
murmurou ele baixinho, esfregando o rosto nos cabelos dela.
— Da próxima vez, me chame, por favor — pediu ela sonolenta.
— Nada pode acontecer com você, Maddie. Eu não conseguiria sobreviver — disse ele com voz rouca.
Sam ficou imaginando como Max conseguira sobreviver depois de perder a esposa. A dor devia ter sido insuportável se Max sentia qualquer coisa parecida com a necessidade obsessiva que ele tinha pelo milagre ruivo que tinha nos braços naquele momento.
— Eu estou aqui, Sam — sussurrou ela.