O Menino do Dedo Verde

Maurice Druon · Capítulo 15 de 22

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O Menino do Dedo Verde

Capítulo Treze

No qual se procura distrair Tistu.

 

Dona Mam ãe estava ainda m ais preocupada que os vereadores m unicipais, m as por outras razões. O seu Tistu j á não era o m esm o.

O sistem a de educação im aginado pelo Sr. Papai o tornara extrem am ente sério. Passava horas e horas calado.

— Em que é que você está pensando, Tistu? — perguntou-lhe um dia Dona Mam ãe.

Tistu respondeu:

— Estou pensando que o m undo podia ser bem m elhor do que é.

Dona Mam ãe fez um a cara zangada.

— Isto não são idéias para a sua idade. Vai brincar com o Ginástico.

— O Ginástico pensa a m esm a coisa — disse Tistu.

Desta vez Dona Mam ãe não se conteve:

— É o cúm ulo! — exclam ou. — As crianças de hoj e vão consultar os pôneis!

Ela falou sobre o assunto com o Sr. Papai; ele achou que o m enino precisava de distrações.

— O pônei, o pônei... está bem . Mas é preciso que não vej a sem pre os m esm os anim ais. Vam os m andá-lo ao Jardim Zoológico.

Mas ali tam bém um a desagradável surpresa esperava Tistu.

Ele im aginara o Jardim Zoológico com o um lugar feérico onde os anim ais se apresentassem espontaneam ente à adm iração dos visitantes, um a espécie de paraíso de anim ais: a j ibóia faria ginástica em volta da perna da girafa, o canguru m eteria o ursinho no bolso para levá-lo a passeio... Os j aguares, búfalos, rinocerontes, aves-do-paraíso, papagaios e m icos, im aginava-os circulando entre toda espécie de árvores e plantas m aravilhosas, com o a gente vê nos livros de figuras.

Em vez disso, só encontrou no Jardim Zoológico velhas j aulas, onde leões sem pêlo dorm iam tristem ente diante das gam elas vazias, onde os tigres estavam fechados com os tigres, os m acacos com os m acacos. Para dar um pouco de conforto a um a pantera que descrevia círculos atrás das grades, tentou oferecer-lhe um cachorro-quente. O guarda não deixou.

— É proibido, m enino — gritou o guarda zangado. — Mantenha-se à distância. São anim ais ferozes.

— De onde vieram ? — perguntou Tistu.

— De m uito longe. Da África, da Ásia, nem sei de onde!

— Perguntaram a eles se queriam vir para cá?

O guarda deu de om bros e se afastou, resm ungando que zom bavam dele.

Mas Tistu pusera-se a pensar. Achava prim eiro que o guarda não devia ocupar-se daquele trabalho, um a vez que não gostava dos anim ais que lhe haviam sido confiados. Pensava tam bém que os anim ais deviam ter trazido entre seus pêlos algum as sem entes dos seus países, espalhando-as em volta deles...

A nenhum guarda do Jardim Zoológico ocorre im pedir que um m enino esfregue o polegar no chão. Julgam sim plesm ente que o garoto gosta de espoj ar-se no pó.

Foi por isso que alguns dias depois um im enso baobá se erguia no cercado dos leões, m acacos saltavam de um cipó ao outro, nenúfares boiavam no tanque do crocodilo. O urso tinha o seu pinheiro e o canguru sua savana; as garças e os flam ingos cor-de-rosa cam inhavam entre os caniços; pássaros de toda cor cantavam entre os m aciços de j asm ins. O Jardim Zoológico de Mirapólvora tornara-se o m ais belo do m undo, c os vereadores logo o com unicaram às agências de turism o.

— Então você agora está trabalhando até com plantas tropicais? Essa é forte, m eu filho! — declarou Bigode a Tistu a prim eira vez que se encontraram .

— Foi tudo o que pude fazer por aqueles pobres anim ais, que estavam tão aborrecidos longe de seus países! — respondeu Tistu.

As feras, aquela sem ana, não com eram um só guarda.