Pines
Considerações Finais
POR BLAKE CROUCH
Em 8 de abril de 1990, o piloto da icônica série de televisão de Mark Frost e David Lynch, Twin Peaks, foi ao ar pela ABC, e por um momento o mistério de Quem matou Laura Palmer? manteve os Estados Unidos vidrados. Eu tinha doze anos na época e nunca vou esquecer a sensação que tomou conta de mim quando assisti a esse curto seriado sobre uma cidade assustadora com ótimo café e torta de cereja deliciosa, onde nada era o que parecia. Twin Peaks acabou sendo cancelada, os brilhantes diretores e atores seguiram em frente fazendo outras coisas, mas a mágica inegável presente naqueles primeiros episódios ainda me persegue duas décadas depois. Seriados como Northern Exposure, Picket Fences, Arquivo X e Lost em algum momento deram uma guinada para aquela bela e assustadora atmosfera que definiu Twin Peaks, mas em sua maior parte, para este fã pelo menos, nada nunca conseguiu chegar perto.
Dizem que todas as formas de arte — quer sejam livros, música ou artes visuais — são uma reação à outra arte, e eu acredito que isso seja verdade. Bom do jeito que Twin Peaks era, a natureza do seriado, e em particular como acabou de forma abrupta e prematura, deixou-me com uma insatisfação imensa. Pouco tempo depois de a série ter sido cancelada, fiquei tão devastado que até tentei escrever uma terceira temporada mítica para ela, não para ninguém além de mim mesmo, apenas para que pudesse continuar a experiência. O esforço não deu certo, assim como numerosas outras tentativas conforme eu ficava mais maduro, tanto como pessoa quanto escritor, para recapturar o sentimento que o meu eu de doze anos de idade experimentou lá em 1990.
Pines é o resultado dos meus esforços, agora passados vinte anos, para criar algo que me faça sentir do jeito que Twin Peaks fazia. De forma alguma estou sugerindo que Pines é tão bom quanto a obra-prima de Lynch, ou mesmo algo capaz de levar você de volta à sensação da série. Em todos os aspectos, ela foi tão única que qualquer tentativa de recriar sua aura estaria inerentemente fadada ao fracasso. Porém, sinto a necessidade de expressar o quanto Pines é inspirado pela criação de Lynch, uma cidadezinha no meio do nada — bela por fora, mas com um negror escondido.
Pines nunca teria acontecido e eu talvez nunca tivesse me tornado um escritor se meus pais não me deixassem ficar acordado até tarde nas noites de quinta-feira naquela primavera de 1990 para assistir ao seriado de cuja qualidade jamais veremos outro. Por isso, obrigado, mãe e pai. Obrigado, Sr. Lynch e Sr. Frost. E claro, ao inimitável agente Dale Cooper.
Pines não é Twin Peaks nem de longe, mas não estaria aqui sem ele. Espero que tenha gostado do meu seriado.
Blake Crouch
Durango, Colorado
Julho de 2012
Você terminou Pines
Blake Crouch
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