Raptar um Rei
Doze
ESTAVA UMA bela m anhã soalheira enquanto o velho cam ião rolava ao longo da poeirenta estrada alentej ana entre as oliveiras. Mulheres vestidas de preto e com chapéus de palha j á trabalhavam nos cam pos.
Hannah e Jackson iam no banco da frente, ao lado do toureiro José Borges, que conduzia. Os outros m em bros da equipa seguiam atrás.
Hannah trazia um vestido preto de cam ponesa e um lenço à cabeça que Jackson lhe tinha arranj ado. Ele tinha um a boina de lã, um a cam isa sem colarinho e um velho casaco j á m uito rem endado.
— Você e Joe j á se conhecem há m uito tem po? — perguntou Hannah ao toureiro.
— Desde Espanha, m iss. Lutam os j untos contra Franco. Foram m aus tem pos, posso garantir-lhe. Às vezes, não víam os um a côdea de pão durante m eses.
Jackson dorm itava no canto. Hannah olhou para ele e disse:
— Calculo que o dinheiro não valia o sacrifício.
— Dinheiro? — Borges riu às gargalhadas. — No últim o ano da guerra, não recebem os nem um tostão ... nenhum de nós.
— Então, porque lutaram ?
— Um a vez, fiz essa pergunta a Joe. Para m im , é sim ples. Sou com unista, m as Joe disse apenas que não gostava de Franco. — Nesse m om ento, passavam ruidosam ente por um a pequena estalagem com m esas cá fora. — Ah, estam os em Rosário. Daqui a pouco, chegarem os à herdade.
— Sabes um a coisa? — disse Joe Jackson sem abrir os olhos. — Falas dem ais.
PRIMO DE RIVERA ia sentado no banco de trás do carro com o duque e a duquesa. O duque dizia: — Isto é realm ente dem ais. Wallis recebeu um ram o de flores esta m anhã. Anônim o. O cartão dizia: "Estej a atenta às m aquinações dos Serviços Secretos Britânicos. Um am igo português com os seus interesses em m ente." Ouviu algum a vez tal disparate?
— Esse tipo de conversa é com um em Madrid — disse De Rivera.
— Meu Deus, Prim o, é um disparate absoluto. Quero dizer, não existe praticam ente nenhum m em bro dos Serviços Secretos Britânicos em Lisboa neste m om ento.
O Buick abrandou ao chegarem ao lado de um cam ião da Polícia que estava parado ao lado da estrada. O capitão Mota aproxim ou-se e cum prim entou.
— Peço desculpa pelo incôm odo, Alteza. Um a avaria m enor, depressa rectificada. Podem continuar até Rosário e esperar lá por nós.
— Muito bem , então — disse o duque, e acenou para o m otorista.
— Continue.
KLEIBER e Sinderm ann chegaram a Rosário às 10 e m eia num cano que tinham alugado em Lisboa. A estalagem era bastante pobre — paredes toscas, chão de pedra e m esas de m adeira — e não tinha outros clientes.
Um a velhota apareceu de um quarto nas traseiras para os servir.
Pediram vinho tinto e um prato de azeitonas e sentaram -se num a m esa perto da j anela à espera.
— Verifica a tua arm a — disse Kleiber. Am bos tinham trazido Walthers do arsenal da legação.
Dois polícias de m otorizada passaram ruidosam ente, levantando poeira. Kleiber olhou para o relógio.
— Já não falta m uito. Gostava de ver a cara de Schellenberg quando souber disto.
— Por que esperar? — disse Schellenberg, saindo da cozinha, seguido do coronel Cunha e de dois polícias com pistolas autom áticas.
— Parece que chegaram prim eiro do que nós, m eus senhores. — disse Cunha. Nós tam bém estam os aqui para ver o duque passar.
— O coronel Cunha é o chefe da Polícia de Segurança — explicou Schellenberg. — Teve agora m esm o a desagradável tarefa de prender um dos seus próprios oficiais, o capitão Mota.
— Um j ovem m uito corrupto — disse o coronel.
Nesse m om ento, o Buick apareceu e parou. Fernandes da Cunha alisou a farda e saiu. Viram -no cum prim entar e inclinar-se sobre a j anela. Quando se afastou, o Buick continuou e o coronel regressou.
— Vou segui-los pessoalm ente até Nina para m e certificar de que o resto do dia se passa sem dissabores. Presum o que vai regressar agora a Lisboa, general?
— Sim , penso que sim — disse Schellenberg. — Os m eus agradecim entos, coronel.
Saiu pela cozinha, Kleiber e Sinderm ann seguiram -no. A cara do m aj or contorcia-se de raiva.
AS TOURADAS de gala à portuguesa constituem um espetáculo m aravilhoso. A herdade de José de Oliveira tinha a sua própria praça de touros e fora aí organizado um espetáculo deslum brante para a com itiva real.
Os touros foram prim eiram ente lidados a cavalo à m aneira portuguesa, e o próprio Oliveira tom ou pane com a sua casaca dourada, calções de cetim e um chapéu tricórnio com plum as de avestruz.
Quando chegou a altura das pegas, o interesse foi ainda m aior.
As barreiras abriram -se e um touro saiu disparado com o um raio negro para a luz da praça. Ficou ali, raspando as patas no chão. Um a fila de hom ens entrou na praça, encabeçada por José Borges. E o duque perguntou: — Que pretendem fazer?
Prim o de Rivera disse: — É fascinante. Vossa Alteza j á visitou a Grécia, com certeza. Nos vasos cretenses terá visto representadas as danças do touro sagrado, em que os j ovens saltavam por cim a das costas do touro.
— Estes rapazes vão fazer algo parecido? Espantoso!
Os hom ens avançaram em direção ao touro. Borges, arrogante, de cabeça levantada para trás, m ãos nas ancas, oferecia-se com o alvo. Quando o touro carregou sobre eles, a duquesa gritou, alarm ada, m as no últim o m om ento Borges agarrou-se à cabeça do anim al e os seus com panheiros deram a aj uda até o pararem . Depois de o rabej ador fazer a sua exibição final, a porta do curro abriu-se e o touro foi levado para fora da arena. Então, os forcados entraram e saudaram os espetadores, que aplaudiam .
— Que fazem ao touro agora? — perguntou a duquesa ao seu anfitrião, que entretanto se tinha j untado a eles.
— Um as vezes abatem -no, outras, se for bravo, volta para as pastagens e é m antido para reprodução. Um touro nunca deve entrar num a praça duas vezes. Depois de conhecer os truques, por assim dizer, pode tom ar-se dem asiado perigoso.
— Calculo — disse o duque. — Um a atuação m agnífica.
O alm oço foi servido no terraço da casa principal. Um eucalipto perfum ava o ar. José de Oliveira apresentou deliberadam ente um a refeição tradicional. Gaspacho frio, enchidos, saladas, queij os frescos e secos.
A única concessão sofisticada para a ocasião foi a enorm e quantidade de cham panhe servida.
O duque sorriu para a duquesa.
— Gostaste, Wallis?
— Oh, sim , David, foi o dia m ais m aravilhoso desde há m uito tem po.
Prim o de Rivera parecia querer dizer algum a coisa, m as nesse m om ento o coronel Fernandes da Cunha aproxim ou-se através do relvado.
— Estam os prontos para regressar, coronel — disse o duque.
Fernandes da Cunha cum prim entou-o.
— Se Vossa Alteza pudesse dispor de cinco m inutos em particular. Um a questão de segurança.
— Com certeza. — O duque sorriu para as outras pessoas. — Desculpem -m e.
Acom panhou o coronel através do pátio e disse: — Olhe, coronel, não sei que espécie de boatos irrefletidos ouviu, m as quando sair daqui, o m eu carro vai em direção a Lisboa. Não faço tenções de dar um a escapada até à fronteira espanhola.
— Hoj e de m anhã, Vossa Alteza escapou por um fio a um a situação que não, lhe daria qualquer hipótese de escolha.
Atravessaram o pátio e chegaram à pequena capela de pedra que servia a propriedade. O duque parou e inquiriu: — Coronel, que é que está a dizer?
Cunha abriu a porta da capela. — Se Vossa Alteza não se im portar de entrar, está ali alguém que pode explicar a situação m elhor do que eu.
Era um a capela sim ples, com o chão de pedra, paredes caiadas de branco e um altar despretensioso com um crucifixo esculpido em m adeira. De um lado, velas cham ej avam diante de um a im agem da Virgem .
Dois cam poneses, um hom em e um a m ulher, estavam sentados à frente num dos bancos rústicos de m adeira. Voltaram -se e puseram -se de pé, e o duque viu que a m ulher era j ovem e bastante atraente.
Quando ela com eçou a falar, tornando-se evidente que era am ericana, ficou bastante surpreendido. Mais tarde, sentaram -se os três num banco, ficando o coronel por perto.
— É realm ente a coisa m ais extraordinária que ouvi na m inha vida — disse o duque.
— Mas é verdade, sir, tudo o que contei — disse-lhe Hannah.
— Oh, eu acredito em si, m inha querida, fique descansada. As inform ações do coronel sobre o falhanço por um triz em Rosário esta m anhã confirm am -no. — Voltou-se para Fernandes da Cunha.
— Diz que o general Schellenberg lhe confiou não ter intenção de m e raptar?
— Sim , sir, assegurou-m e que, no que lhe dizia respeito, a escolha da atitude a tom ar neste assunto era inteiram ente de Vossa Alteza.
— E acredita nele?
— Sim , acredito. Não há qualquer dúvida de que Kleiber e o seu acólito atuavam por iniciativa própria neste assunto. Com o a história de Miss Winter dem onstrou, o general Schellenberg é um hom em invulgar sob m uitos aspectos.
— É, de fato. — O duque olhou atentam ente para Fernandes da Cunha. — Coronel, posso confiar nos seus bons serviços?
— Sir, o Sr. Presidente do Conselho tornou-m e pessoalm ente responsável pela segurança de Vossas Altezas enquanto estiverem em terras de Portugal, com o sacrifício da m inha própria vida, se necessário.
O duque sorriu tim idam ente, depois voltou-se para Joe Jackson. — E o senhor, Mr. Jackson? Tam bém posso confiar em si?
— Claro, sir.
— Ótim o. — O duque virou-se para Hannah e segurou-lhe nas m ãos. — Quanto a si, m inha querida, com o posso pedir m ais algum a coisa se j á fez tanto?
Ela tentou controlar as lágrim as quando ele lhe apertou as m ãos por um m om ento.
— Posso perguntar quais são os seus planos, sir? — perguntou Cunha.
— Posso responder facilm ente, coronel. Tenciono partir no Excalibur depois de am anhã. Aceitarei a m inha nom eação nas Baham as com o pedido por Mr. Churchill.
— E entretanto?
— Regresso ao Estoril. Coronel, estará lá logo à noite?
— A casa da guarda será o m eu quartel-general. Estarei disponível para Vossa Alteza a qualquer hora do dia ou da noite.
— Excelente. — O duque franziu ligeiram ente o sobrolho. — Talvez precise de si. Há algo a rem oer na m inha cabeça. E agora penso que é m elhor ir ter com as outras pessoas.
EM BERLIM, ao fim desse dia, num a reunião especial realizada na Chancelaria do Reich, Hitler anunciou que ia em itir a ordem para preparar o ataque aéreo prelim inar à invasão de Inglaterra. Depois, delineou a Operação Leão-Marinho, o plano que iria culm inar na sua própria entrada triunfal em Londres.
Depois da reunião, Hitler ordenou a Ribbentrop que ficasse. O m inistro dos Negócios Estrangeiros esteve fechado no gabinete com ele durante uns desconfortáveis cinco m inutos. Quando saiu, encontrou Him m ler à sua espera no corredor.
— Não parece m uito contente, Ribbentrop.
— É o caso Windsor, Reichsführer. Agora que a Operação Leão-Marinho foi iniciada, o duque é, m ais do que nunca, fundam ental para os nossos planos. O Führer deu-m e instruções para o raptar im ediatam ente.
— Então é m elhor entrar em contato com Schellenberg o m ais depressa possível, não é? — disse Him m ler.
Ribbentrop estava furioso e um pouco assustado.
— Raios partam o hom em . Não tenho notícias dele desde que chegou a Portugal.
SCHELLENBERG bebia café no seu gabinete, na Legação Alem ã, quando Kleiber entrou violentam ente, acenando furiosam ente um papel.
— Recebeu isto há um a hora.
Schellenberg tirou-lhe a m ensagem e olhou rapidam ente para ela. Era um a cópia de um com unicado de Ribbentrop.
— Meu Deus, Kleiber, você tem sem dúvida m uita influência. Isto era suposto ser confidencial e apenas para eu ver.
— É um a ordem direta do Führer para raptar o duque de Windsor. Que vai fazer acerca disto?
— Dar-lhe-ei a conhecer se e quando eu achar necessário. Quando sair, por favor, feche a porta sem bater.
Kleiber regressou à sala de espera, onde Sinderm ann o esperava.
— Nada! — disse, furioso. — Nada, Gunter!
Kleiber tom ou a sua decisão. Apressou-se para a sala de com unicações, pediu ao oficial de serviço um bloco-notas e escreveu com dificuldade, porque trazia ainda o braço direito ao peito:
O general Schellenberg não mostra qualquer intenção séria de completar a missão da qual foi incumbido. Por favor, confirme os meus poderes junto do embaixador Von Huene para eu poder tratar deste assunto.
Kleiber
Entregou-o ao oficial.
— Agora, ponha isto em código. Prioridade absoluta. Im ediatam ente e apenas para ser lido pelo Reichsführer Him m ler.
NESSA MESMA NOITE, depois do escurecer, a duquesa foi para o j ardim à procura do duque. Encontrou-o sentado ao pé da fonte, a olhar pensativam ente para a água.
— Ah, estás aqui — disse ela. — Um a carta de Londres para ti.
— Obrigado, m inha querida. — Abriu-a e leu-a rapidam ente. — Walter Monckton deve chegar am anhã de avião.
— Que bom ver Walter de novo — disse ela —, m as por quê?
— Oh, Winston quer certificar-se de que tudo corre bem até ao últim o m om ento. Afinal, Walter tem sido sem pre o hom em -dos-sete-ofícios do Governo para assuntos que m e dizem respeito. No entanto, tens razão, Wallis. Será sim pático despedirm o-nos de um a cara am iga ao partirm os para o esquecim ento.
— Santa Helena, 1940 — disse ela. — Agora sei o que Napoleão deve ter sentido.
— Queria fazer algo de útil nesta guerra, m as eles não m e deixam . — Riu um pouco. — É bastante irônico, m as as únicas pessoas que parece que m e querem são os nazis.
De repente, deixou de sorrir e a sua cara ficou tensa e excitada.
— Wallis, gostaria de saber até onde estariam dispostos a ir. Isto é, se m e querem assim tanto.
— David — disse a duquesa, chocada. — Não podes fazer isso.
— Não, não com preendes, m inha querida. Estou a falar de um a hipótese, possivelm ente m uito vaga, de talvez conseguir tirar algo de valor desta situação. Não para m im , com preendes, m as para a Inglaterra. — Pegou nas m ãos dela. — Não seria m aravilhoso se pudesse j ogar com estes nazis o seu próprio j ogo e vencê-los?
Há m uito tem po que ela não o via com tanta vida.
— Oh, David — disse —, pode ser perigoso. Tenho m edo.
— Eu não. Para ser franco, estou a com eçar a gostar disto. A pessoa de quem preciso agora é do coronel Cunha.
Cinco m inutos depois, em resposta a um a cham ada telefônica urgente para a guarita, Fernandes da Cunha apressou-se a cam inho da casa, onde encontrou o duque e a duquesa à sua espera na biblioteca.
— Vossa Alteza m andou-m e cham ar?
— Sim , m andei, coronel. Hoj e de m anhã, teve a gentileza de m e dizer que podia confiar nos seus bons serviços.
— Se puder servi-lo de algum m odo, pode ter a certeza de que o farei, sir.
— Gostaria que fosse ter com o em baixador alem ão, o barão Von Huene, agora. Diga-lhe que desej o encontrar-m e com o general Schellenberg.
O coronel não conseguiu esconder a sua surpresa.
— Quando desej a encontrar-se com ele?
— Ainda hoj e. Pensei que podia ser divertido repetir a cena do j ardim de ontem à noite. Fum arei o m eu charuto habitual no alpendre. O senhor podia trazer-m o. Gostaria tam bém que Mr. Jackson repetisse o seu papel. A duquesa sentir-se-ia m elhor se ele lá estivesse. Pede-lhe para fazer isso por m im ?
— Sim , sir. Quer que eu estej a presente?
— Quero, m as penso que pode achar a nossa conversa em baraçosa. Por isso, sugiro que se m antenha um pouco afastado.
O coronel hesitou.
— Sir, desculpe a m inha im pertinência, m as isto significa que, afinal, considera a hipótese de ir para Espanha?
— Que é que acha, coronel?
— Bem , sir, penso que vai partir no Excalibur depois de am anhã.
Parece-m e tam bém que Vossa Alteza está a colocar-se num a situação extrem am ente perigosa.
O duque acendeu um cigarro, soprou um leve rasto de fum o e disse, com aquele seu sorriso inim itável: — As decisões difíceis, m eu caro coronel, são o privilégio dos com andantes.
Quando Schellenberg entrou no gabinete de Huene nessa noite, aquele estava bastante cheio. Fernandes da Cunha encontrava-se perto da j anela e tam bém o próprio em baixador, m as a verdadeira surpresa era Kleiber, que estava ao lado da secretária. O olhar de um pálido triunfo na sua cara devia ter avisado Schellenberg para esperar o pior.
— O coronel Cunha está aqui em nom e do duque de Windsor. — disse Huene.
— A sério? — perguntou Schellenberg, espantado, virando-se para o coronel.
— Sua Alteza gostaria de vê-lo hoj e à noite. Secreta e inform alm ente. Estará no alpendre do j ardim , a fum ar um charuto, às dez e m eia. Deixo-o entrar pela porta do j ardim .
— Não posso acreditar. Porquê?
— Daqui a trinta e seis horas o Excalibur parte. — O coronel encolheu os om bros. — Talvez sej a o m om ento da verdade para ele.
— Está bem — disse Schellenberg —, lá estarei.
— E eu estarei consigo — disse Kleiber, com a voz a trem er de em oção.
Schellenberg não tinha pretendido um a confrontação pública, m as não fazia tenções de evitar um a.
— Penso que não, especialm ente depois do descalabro de hoj e de m anhã em Rosário.
Huene disse: — Lam ento, general, m as tenho um a m ensagem que acabei de receber do próprio Reichsführer Him m ler. — Leu-a alto: "O general Schellenberg prosseguirá a sua tarefa com o m áxim o dos rigores. É inaceitável qualquer falha. O m aj or Kleiber o assistirá sem pre que necessário. Qualquer alteração a esta ordem deverá ser com unicada im ediatam ente."
Fez-se silêncio durante um m om ento, depois Schellenberg voltou-se para Fernandes da Cunha com um sorriso.
— Então, coronel, parece que quando abrir a porta do j ardim hoj e à noite, abre-a tam bém para o m aj or Kleiber.
Quando o coronel Cunha entrou no escritório de Jackson, o am ericano estava sentado à secretária, novam ente vestido de sm oking branco e laço preto. O coronel cheirou o ar.
— Chanel Núm ero Cinco. Pode sair, m enina. Deixei as m inhas algem as em casa.
Dirigiu-se ao aparador e serviu-se de um whisky, ao m esm o tem po que Hannah aparecia da casa de banho. Jackson perguntou: — Que é que quer?
— Tenho um trabalho para si, ou antes, o duque tem . Com binou encontrar-se com Schellenberg e Kleiber hoj e à noite no alpendre. Ele gostaria que você repetisse o seu núm ero, Joe, em cim a do m uro.
— Está a querer dizer que ele tenciona fazer um acordo com eles? — perguntou Hannah.
— Não é possível.
— Não sej a pateta, m eu anj o — disse-lhe Jackson. — Se esse fosse o seu j ogo, então por que m e quereria à m ão?
— Fará o que ele pede? — perguntou Cunha.
— Com certeza. Estarei lá.
— Ótim o. — O coronel engoliu o resto da bebida. — Aproxim a-se um a noite interessante.
Saiu, e Hannah disse: — Tenho m edo, Joe. Em que é que estará a pensar o duque?
Jackson levantou-se e serviu-lhe um a bebida.
— Talvez tenha com eçado a lutar.