Raptar um Rei
Catorze
NA MANHÃ seguinte, Walter Monckton e Santo e Silva esperavam na biblioteca. Eram quase 10 horas e Monckton andava ansiosam ente para trás e para a frente. A porta abriu-se e o duque entrou de olhar sério.
— Então, sir? — perguntou Monckton. — Com o é que está a duquesa?
— Não m uito bem . Um a espécie de vírus, pensa o m édico. Não tem qualquer hipótese de viaj ar.
— Mas, sir, o Excalibur parte dentro de duas horas. Não nos é possível atrasar a largada. A sua bagagem j á está a bordo.
— Haverá outros barcos, Walter. Um atraso de um a sem ana ou duas não tem im portância. — Voltou-se para Santo e Silva. — Devo pedir desculpa por este contratem po de últim a hora. Abusam os da sua generosidade.
— Alteza, estou inteiram ente ao vosso dispor. A m inha casa é vossa enquanto necessitarem dela. Agora, peço que m e desculpe; vou inform ar o pessoal da alteração dos planos.
Quando a porta se fechou, Monckton disse:
— Sir, a duquesa está realm ente tão doente que um a viagem por m ar lhe sej a prej udicial?
— Para dizer a verdade, Walter, está em ótim a form a. — O duque segurou-lhe no braço e levou-o até ao terraço.
— Mas não com preendo.
— Vai com preender, Walter, m as diga-m e: o coronel Cunha está por perto?
— Não, sir, está na doca. Não quis alarm á-lo, m as o Com ando-Geral da Polícia recebeu um a cham ada anônim a dizendo que havia um a bom ba a bordo do Excalibur. O navio está a ser revistado da proa à popa. Que é que se está a passar, sir?
O duque apoiou-se na balaustrada com am bas as m ãos.
— Walter, receio não ter sido totalm ente honesto consigo. Ontem à noite, encontrei-m e aqui no j ardim com Schellenberg.
— Sir!
— Sim , agora os Alem ães pensam que estou do lado deles. Que afinal não vou para as Baham as. Em com pensação, recebi isto. — Tirou o envelope do bolso interior. — Um presente para Winston.
— Sorriu. — Com os m eus cum prim entos, claro.
Monckton pegou no envelope, espantado.
— Mas agora quais são as suas intenções, sir?
— Em barcar no Excalibur. Bem , isto é o que você vai fazer: diga ao nosso anfitrião que vai à doca inform ar o coronel Cunha de que j á não vou em barcar e que vai buscar as m alas. Depois, estej a aqui exatam ente às onze e um quarto. Logo que chegar, Wallis e eu irem os ter consigo e partirem os rapidam ente para o navio. Se tudo correr bem , chegarem os exatam ente quando estiverem a levantar a prancha de em barque.
— E quer que inform e o coronel Cunha sobre este plano?
— Sim , com certeza. — O duque sorriu novam ente. — Estam os na recta final, Walter. Vam os vencê-los, verá.
Foi para dentro e subiu as escadas para o quarto da m ulher. As cortinas estavam fechadas e o quarto na sem iobscuridade.
— Wallis? — m urm urou, e sentou-se na borda da cam a.
— David, passa-se algum a coisa? — Ela sentou-se e encostou-se às alm ofadas.
— Nada, m inha querida, está tudo a correr bem . A tua atuação com o m édico foi perfeita. Tenho a certeza de que a esta hora as notícias de que não partim os j á chegaram à Legação Alem ã. Por outras palavras, que estou a fazer exatam ente com o prom etido.
— E agora, que acontece?
Ele segurou-lhe num a das m ãos e explicou-lhe rapidam ente.
SCHELLENBERG desta vez tinha dorm ido até tarde. Quando o telefone na sua m esa-de-cabeceira tocou às 10 e m eia, era o em baixador Von Huene.
— Bom dia — disse Schellenberg. — Com o é que as coisas estão a correr?
— Inform aram -nos de que um carro apareceu hoj e cedo na doca com a bagagem . Foi im ediatam ente posta a bordo.
— Quê? — Schellenberg apoiou-se num cotovelo.
— Não é preciso entrar em pânico. Acabei de saber que a duquesa não se encontra bem . Os m édicos obrigaram -na a estar de cam a. Não vão partir. Definitivam ente. — Fez-se silêncio. — Vem até aqui, general?
— Sim , penso que sim — disse Schellenberg. — É preciso estudar o próxim o passo. Quando e com o levá-los daqui.
Desligou o telefone, acendeu um cigarro e encostou-se na alm ofada. Era estranho, m as sentia-se desapontado.
UM POUCO ANTES das onze e um quarto, o duque esperava à j anela do quarto, com a duquesa encostada a si, com pletam ente pronta.
— Vá lá, Walter — m urm urou o duque, olhando para o relógio.
— Não m e deixe ficar m al agora.
Um pouco depois, o Buick apareceu e parou à porta principal.
Walter Monckton saiu e olhou para cim a, para a j anela do quarto.
— Aqui vam os nós, Wallis. — O duque segurou-lhe no braço. — Não pares para nada.
Apressaram -se a descer as escadas e um criado, surpreendido, correu para lhes abrir a porta. Nessa altura, Santo e Silva saiu da biblioteca. Parou com um olhar espantado.
— Mas, Alteza ...
— Foi m uito sim pático da sua parte ter-nos dado aloj am ento durante tanto tem po — disse o duque, continuando a andar.
— Mas, a Sra. Duquesa ...
— Está a sentir-se m elhor agora. O ar do m ar lhe fará bem .
Num instante estavam sentados atrás no Buick. Monckton seguiu-os, fechou a porta e falou para o m otorista. As rodas chiaram e eles partiram rapidam ente.
Santo e Silva voltou-se, correu para a biblioteca e pegou no telefone.
Quando Kleiber chegou ao gabinete de Huene, encontrou o em baixador a andar de um lado para o outro, obviam ente m uito agitado.
— Em baixador. Mandou-m e cham ar?
— Tentei apanhar o general Schellenberg, m as j á tinha saído do hotel. Más notícias, receio. Acabaram de m e inform ar da casa que o duque e a duquesa tinham saído m uito apressados para o Excalibur há uns dez m inutos. Ele fitou-nos. Afinal, parece que vai para as Baham as.
— Mas não pode fazer isso. — Kleiber estava m uito pálido. — Ele prom eteu, fizem os um acordo. Cum prim os a nossa parte.
Huene disse: — Um a situação desastrosa, m as ninguém pode fazer nada.
Kleiber voltou-se, de lábios cerrados, e saiu. Sinderm ann estava à espera cá fora.
— O duque — disse-lhe Kleiber de m odo severo. — Traiu-nos. Sem pre vão partir no Excalibur.
— Então, perdem os? Ele deve estar rindo de nós.
— Tenho certeza que sim , Gunter, por isso vam os fazer com que m orra rindo, não achas? Vai pôr o carro a trabalhar. Vou ter contigo dentro de uns m inutos.
Kleiber correu até ao paiol da em baixada e o sargento encarregado, assustado, pôs-se em sentido.
— Quero um a espingarda — pediu Kleiber. — Qualquer um a decente serve.
O sargento foi buscar um a Walther sem iautom ática.
— Um a excelente arm a de com bate — disse. — Espantosam ente certeira em fogo rápido até m il m etros.
— Ótim o. Vou levá-la. — Kleiber dirigiu-se para a porta.
— Por favor, m aj or — cham ou o sargento. — Tem de assinar aqui.
Mas Kleiber j á tinha partido. O sargento pegou no telefone interno e pediu que ligassem ao em baixador Von Huene.
Quando o carro de Schellenberg entrou nos portões da em baixada, o m otorista teve de se desviar bruscam ente para um lado, pois um Mercedes preto deslocava-se a alta velocidade. Schellenberg conseguiu ver Sinderm ann ao volante e Kleiber atrás.
O m otorista parou na entrada. Quando o general saiu do carro, Huene apareceu no alpendre.
— Graças a Deus que está aqui.
— Que aconteceu? — perguntou Schellenberg.
— O duque — disse Huene — vai partir no Excalibur. Intruj ou-nos. Intruj ou-nos a todos.
— E onde ia Kleiber com tanta pressa?
— Fui inform ado de que ele levantou um a espingarda do paiol.
Walter Schellenberg regressou rapidam ente ao carro.
— Para a doca de Alcântara — disse ao m otorista. — Para o cais onde está o Excalibur, e guie o m ais depressa possível.
A ENTRADA para as docas estava extrem am ente bem guardada, e todos os autom óveis que se aproxim avam eram m inuciosam ente inspecionados. A prancha do Excalibur j á tinha sido retirada e o navio estava a largar as am arras. Kleiber viu Fernandes da Cunha perto do portão.
— Que vai fazer? — perguntou Sinderm ann. — Não vam os conseguir passar.
— Acabei de m e lem brar de um a coisa, Gunter. O Bar Am ericano não é por aqui perto?
— Sim . m eu m aj or.
— Então, se ele estiver em casa, pode ser a solução para os nossos problem as.
JOE JACKSON e Hannah estavam na varanda do apartam ento por cim a do clube a olhar para o Excalibur, cuj as cham inés se elevavam por cim a de um a confusão de edifícios das docas.
— Irem os ver m uito m elhor quando os rebocadores o puxarem para o m eio do rio — disse Jackson.
A porta da sala estava com pletam ente aberta e, quando se voltaram , Kleiber é Sinderm ann estavam à porta, am bos arm ados.
Kleiber disse: — O que vou dizer vou dizê-lo apenas um a vez, Mr. Jackson. Quero entrar nas docas de Alcântara, m as o portão está m uito bem guardado.
— E então?
— O coronel Cunha está lá de serviço. Lem brei-m e de que ele o deixaria passar com a desculpa de querer ver o Excalibur partir. Muito natural, depois da sua participação neste caso. Ficarei agachado debaixo da coberta de lona do assento de trás do seu carro. Poderia dizer que o arrebento se m e trair no portão, m as não há necessidade. Sinderm ann ficará aqui com Fräulein Winter. Com preende?
Sinderm ann agarrou então Hannah pelo cabelo e com prim iu a boca da arm a contra o seu queixo.
— Está bem — disse Jackson. — Vam os fazer o que quer.
QUANDO o carro de Schellenberg se aproxim ou das docas, o m otorista parou subitam ente e apontou para o Mercedes preto parado ao pé do bar de Jackson num a rua ali ao pé.
— Meu general, são eles. ,Conheço o carro. Tem m atrícula da legação.
— Pare atrás dele — disse-lhe Schellenberg.
Não havia ninguém no carro. Schellenberg tentou a porta lateral do clube e esta abriu-se logo. Parou por um m om ento, depois subiu as escadas cuidadosam ente, com as m ãos nos bolsos.
SINDERMANN estava sentado de um lado da m esa, Hannah do outro. Ela pegou na cafeteira.
— Cuidado — avisou-a ele.
— Só quero um a chávena de café — disse ela, depois atirou o café a ferver para a cara dele e correu para a porta. Quando ele gritou de dor, ela tropeçou num tapete e caiu. Um segundo depois, ele segurava-a pelos cabelos, forçando-a a pôr-se de pé.
— Agora, sua porca, vou fazer-te pagar.
— Penso que não — disse Schellenberg suavem ente. Estava dentro da sala, a Mauser com silenciador na sua m ão direita.
Sinderm ann apontou a arm a para Hannah.
— Largue a arm a — ordenou, com a cara escaldada contorcida de dor. — Já ou ela m orre.
Mas Schellenberg foi m ais rápido. O seu braço subiu e a bala atravessou a cabeça de Sinderm ann, atirando-o para trás, para a varanda, por cim a da balaustrada.
Hannah tinha caído sobre um j oelho, com sangue espalhado pelo cabelo e pela cara. Ao m esm o tem po que a aj udava a levantar-se, Schellenberg perguntou com a urgência na voz: — Kleiber? Onde está ele?
— Nas docas — respondeu ela. — Obrigou Joe a levá-lo lá. Está escondido na parte de trás do carro.
Ele pegou-lhe a m ão e correram para o carro. Ao virarem para a entrada da doca, Fernandes da Cunha estava ao portão a falar com Walter Monckton. O coronel olhou im ediatam ente para o carro e franziu as sobrancelhas ao ver Hannah Winter sentada ao lado de Schellenberg.
— Que aconteceu? Explique-se, general.
— Joe passou aqui no carro dele? — perguntou Hannah.
— Sim , há uns m inutos. Disse que queria ver o duque pela últim a vez.
— Kleiber estava com ele — disse Schellenberg. — Escondido na parte de trás, com um a espingarda.
Walter Monckton disse, horrorizado: — Meu Deus, que podem os fazer?
Houve um a grande exclam ação. Quando se voltaram , o duque e a duquesa tinham aparecido no convés superior do Excalibur e acenavam aos trabalhadores da doca.
Monckton correu, gritando freneticam ente.
— Vão para trás, David! Vão para dentro!
O duque e a duquesa, incapazes de ouvir o que ele dizia, acenavam sorrindo.
Foi Hannah que, ao procurar descontroladam ente em redor, viu o Mercedes prateado perto de um arm azém a uns cem m etros de distância.
— Ali! — gritou, apontando. — O carro de Joe.
Ao m esm o tem po que o m otorista de Schellenberg acelerava, o coronel Cunha saltou para o estribo do carro e ele arrancou.
O carro desportivo estava ao lado de um a porta verde que dizia SAÍDA DE EMERGÊNCIA. Schellenberg abriu-a e deu com um a escadas de pedra que subiam para a escuridão. Puxou da sua Mauser e, seguido pelo coronel, subiu.
KLEIBER estava atrás de Jackson no parapeito de um a j anela do arm azém . O Excalibur saía agora para o rio. Depois de a sirene ter tocado, o duque e a duquesa entraram para um a zona separada por um a vedação à popa, que tinha sido especialm ente preparada para eles.
— Lindo — disse Kleiber. — Apanho dois pelo preço de um .
— Não sej a louco, hom em — disse-lhe Jackson. — Agora não há nada a ganhar.
— Ele intruj ou-nos a todos — respondeu Kleiber. — Até ao próprio Führer. Agora vai pagar.
Deu um a coronhada nas costas de Jackson com a Walther. O am ericano caiu com um gem ido e Kleiber aj oelhou-se, apoiando a espingarda no parapeito. Apontou cuidadosam ente para o duque.
Quando puxou o gatilho, Jackson, em bora m eio inconsciente, agarrou-lhe nas pernas. Nesse m om ento, a sirene do navio tocou novam ente, abafando o som do tiro, e a bala acertou no convés a alguns m etros de distância do duque e da duquesa, que estavam totalm ente inconscientes do que se estava a passar.
Kleiber deu um pontapé a Jackson, afastando-o, e apontou pela segunda vez. A porta que dava para as escadas abriu-se de repente e um a voz fam iliar gritou: — Kleiber!
Kleiber voltou-se, com pletam ente possuído pelo ódio, levantando a arm a.
Schellenberg atingiu-o no om bro direito e a pesada bala fê-lo girar. Os outros dois tiros partiram -lhe a coluna, proj ectando-o contra o parapeito e fazendo sua arm a voar pelo ar.
O coronel Cunha dirigiu-se a ele e aj oelhou-se, m as não era preciso nenhum exam e. Olhou para cim a.
— O senhor é um hom em difícil de com preender, general Schellenberg.
— Isso é algo com que vivo todos os dias da m inha vida.
Hannah entrou a correr e aj oelhou-se ao pé de Jackson, que tentava sentar-se.
— O duque conseguiu? — perguntou ele.
— Sim — disse Hannah. — Graças ao general Schellenberg.
Schellenberg dirigiu-se para a porta. Quando com eçou a descer as escadas, Hannah foi ter com ele, agarrando-o por um braço.
— Vai voltar para Berlim , não vai?
— Sim . Hoj e, se conseguir.
— Por quê?
— Porque não tenho outra alternativa, e penso que você, no fundo, sabe disso. É dem asiado tarde para m im .
Com eçou a descer novam ente as escadas. Ela cham ou:
— Walter! — Havia desespero na sua voz, um a espécie de raiva contra a vida e a sua crueldade.
— Algum a vez lhe disse que quando cantava parecia a Billie Holiday nos seus m elhores dias? — disse ele.
Os seus passos fizeram um eco surdo durante algum tem po, enquanto descia. Depois, a porta bateu e ele foi-se em bora.
DEPOIS DE O Excalibur ter chegado ao m ar, a duquesa foi procurar o duque e encontrou-o ainda à popa.
— Trouxe-te um cachecol — disse — Ora, obrigado, Wallis.
Ela deu-lhe o braço e ali ficaram j untos na balaustrada.
— Podia ser pior, David. As Baham as, quero dizer. Vai correr tudo bem , por isso tenta não ficar desapontado. Afinal, tem o-nos um ao outro.
— Claro que sim , e não estou nada desapontado. — Fez aquele sorriso m aravilhoso que o ilum inava não só a ele, m as a tudo o que se relacionava com ele. — De fato, para ser franco, Wallis, estou bastante contente com igo m esm o.
— Mas alguém saberá isso algum a vez, David? — perguntou ela.
— Saberei eu, m eu am or. — Beij ou-a gentilm ente na testa. — E tu tam bém . É tudo o que im porta.
SCHELLENBERG chegou ao seu gabinete na Prinz Albrechtstrasse às três horas da tarde do dia seguinte. Tinha viaj ado durante um pouco m ais de vinte e quatro horas. A sua farda estava am arrotada e ele precisava de se barbear. A porta do gabinete abriu-se e Hey drich entrou.
— Parece que não dorm e há um a sem ana.
— E sinto-m e com o se não dorm isse há um a sem ana.
— Ele sabe que está de volta, Walter. Quer vê-lo j á. Que confusão que isto ficou. Desculpe, m as agora não posso aj udá-lo. Desta vez, está acabado.
— Oh, não sei — disse Schellenberg, e saiu.
Fez o seu, relatório, de pé em frente da secretária de Him m ler, não escondendo nada de im portante. Quando acabou, fez-se silêncio durante uns m om entos, e depois Him m ler disse: — Teve razão em executar Kleiber daquela m aneira. Não se ganhava nada em assassinar o duque num a altura destas.
Schellenberg com entou: — Ainda há, é claro, a questão da inform ação passada ao duque ...
— Por ordem de Ribbentrop. — Him m ler suspirou. — Sim , creio que ele foi um pouco im prudente.
— Vai inform ar o Führer?
— Noutra ocasião, talvez. Num a hora m ais apropriada aos m eus obj etivos.
Schellenberg ficou silencioso durante uns m om entos, depois perguntou: — E os detalhes da Operação Leão-Marinho, Reichsführer? Que é que podem os fazer sobre isso? O duque certam ente que j á os passou a Churchill, utilizando provavelm ente Walter Monckton com o seu m ensageiro.
— Mas de que lhes serve? Existem apenas dois períodos antes dos tem porais de Outono em que a m aré é propícia para o desem barque. Os Ingleses sabem isso tão bem com o nós. O im portante é que não há nada que possam fazer sobre isso. Da m esm a m aneira, o fato de agora saberem a data do Dia da Águia, quando a RAF será destruída, não faz qualquer diferença. Os Ingleses não estão em posição de se defenderem contra o poderio da Luftwaffe.
— Mas tam bém saberão agora que, se falharm os nesta tarefa, se a RAF conseguir aguentar-se até 17 de Setem bro, a Operação Leão-Marinho será abortada e o Führer vai virar-se para a Rússia.
Him m ler disse: — Está seriam ente a sugerir que a Luftwaffe, a força aérea m ais poderosa que o Mundo j á algum a vez viu, um a força que controla totalm ente os céus da Europa, pode ser rechaçada por um a m ão-cheia de pilotos de Spitfires da RAF sem praticam ente nenhum a experiência de com bate?
— Sim , Reichsführer, postas as coisas dessa m aneira, suponho que parece bastante absurdo.
— Está cansado, general. Passou por m uitas preocupações. Sugiro que tire um a sem ana para descansar e, quando voltar, verá novam ente as coisas na perspectiva correta.
— Obrigado, Reichsführer.
Schellenberg saiu, fechando a porta devagarinho atrás de si, e atravessou a sala de espera. Murm urou: — Serei eu realm ente o único hom em são num m undo de loucos?